Maldito Sertão

Maldito Sertão Márcio Benjamin




Resenhas - Maldito Sertão


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Cecília 10/08/2019

Meu Maldito Sertão
No dia 08 de agosto larguei todas as minhas obrigações da tarde para ir pra Flipelô assistir a mesa de debate mais aguardada por mim cujo tema era: "Literatura e terror: zumbis e vampiros no imaginário de norte a sul do país". Eu confesso que após ler o tema, a primeira coisa que chamou minha atenção foi o convidado André Vianco, eu simplesmente gravei data, horário e local e pensei: não importa o que aconteça, eu PRECISO abraçar o André Vianco! E foi com esse objetivo que fui até o Teatro Sesc.

Cheguei com duas horas de antecedência, sentei na primeira fileira do teatro e em menos de 10 minutos de debate, abraçar o Márcio Benjamim se tornou o meu objetivo também. Eu me encanto facilmente com qualquer pessoa que a) demonstre domínio sobre um assunto b) fale sobre esse assunto de maneira simples e empolgada c) me faça refletir, construir ou desconstruir um conhecimento sobe tal assunto e d) tenha consciência política sobre esse assunto. E na moral, o Benjamim gabaritou todos esses requisitos com excelência! E até agora estou me perguntando porque cargas d'água eu nunca ouvi falar deste homem antes! A falta de disseminação e visibilidade de produções artísticas do Nordeste não é uma novidade, na verdade, esse problema foi construído no nosso país desde o seu "descobrimento" e desde então o discurso de região inferior é sustentado diariamente por imagens canônicas, meios de comunicação em massa e políticas públicas (por isso que eu recomendo que todo nordestino leia A invenção do Nordeste do Albuquerque Júnior para iniciarmos uma revolução).

Mas voltando, o Benjamim é um autor de terror nordestino, especificamente do Rio Grande do Norte, muito ciente dos desafios do seu trabalho e muito afrontoso na forma que apresenta o tema terror nordestino para o mundo. A forma de apresentar esse tema é interessante porque normalmente a cultura nordestina é apresentada como o Sul (e com Sul, pegando o conceito do Albuquerque, eu me refiro ao Sudeste, Centro-oeste e Sul do país) quer que a nossa região seja apresentada, a consciência de nós mesmos é tão contaminada pelo discurso alheio, que mesmo que o artista seja daqui, a maioria acaba se espelhando em algo de fora para apresentar o seu trabalho. E isso é uma coisa que o Benjamim (graças aos orixás) não faz e pra mim foi muito gostoso ler a oralidade do sertão em um livro, em ler personagens com nomes que escuto no interior, em captar referências de criaturas sobrenaturais que são nossas mas que estão apagadas, mermão, a Mula sem cabeça e o Homem do saco são tão importantes quanto os vampiros e merecem ser citados em nossa literatura. O cenário do sertão é tão rico e pode abraçar tantas histórias boas quanto o estado do Maine. A cultura nordestina precisa ser contada e representada por nordestinos e por mim Maldito Sertão deveria ser livro base das escolas, da universidade, da vida.

No mais, eu abracei os dois autores, peguei autógrafo dos dois autores, tenho obras dos dois autores e tô muito feliz com minha irresponsabilidade pois caso contrário, perderia a chance de ouvir as brilhantes ideias e conhecer um cara tão encantador e engraçado como o Benjamim. Maldito Sertão será o primeiro livro que vou contar para meus filhos ao pé de uma fogueira rs


Rodrigo 21/01/2018

MALDITO SERTÃO
Um dos melhores livros de contos que eu já li. O gênero terror abrange algo muito além dos sustos, e isso é muito claro neste livro. É algo muito rico. Me surpreendi com o livro FOME, do mesmo autor, e fui ainda mais surpreendido com esta coletânea de contos tão brasileiros, e ao mesmo tempo tão universais.
Como já escrevi na resenha de FOME, ansioso por mais obras do autor.


Karine 11/06/2017

Nosso terror
Honestamente, eu estou morrendo de vontade de ler mais historias brasileiras de terror. Adoro historias de terror de qualquer país, nada de limitações, mas eu gostaria de ler mais coisas horripilantes sobre o nosso país. Caro Marcio, por favor, escreva o segundo volume.


Yuri Leal 17/05/2017

Terror na medida certa
Um livro de contos com criaturas e lendas do nordeste Brasileiro, o livro faz jus o sucesso que conquistou.
Cuidado e boa leitura.


LidiRSantos 08/12/2016

Recomendo
Amei conhecer mais do folclore e causos de terror e suspenses nordestino. Muito bem escrito !


Rodrigo Ramos 14/08/2016

Maldito Sertão é uma ótima prova de que existe terror nacional e que não precisamos importar zumbis, vampiros e outros monstros gringos!
Nascido e criado no interior de São Paulo, muitas das minhas noites na infância eram embaladas pelos causos contados pelos meus avós após as reuniões familiares quando todos, após o jantar, nos sentávamos na varanda a prosear. Minha família surgiu e cresceu na roça e o que não faltava era assunto praquelas longas conversas. Foi ali que nasceu minha paixão pelo horror e sobrenatural. O tom quase documental dos relatos familiares tornava o fantástico palpável e crível. Principalmente se levarmos em conta que eu ainda era uma criança. E foi com este delicioso sabor nostálgico que devorei de ponta a ponta o livro Maldito Sertão, do escritor potiguar Márcio Benjamim.

O livro, lançado originalmente em 2012, chega a sua segunda – e merecida – edição através da editora Jovens Escribas, e traz 12 contos de horror passados no sertão nordestino. Márcio resgata e reinventa causos tradicionais da cultura sertaneja como o papafigo, o lobisomem, a mula-sem-cabeça, entre outras criaturas folclóricas, sempre com o palavreado e o linguajar do sertanejo. No início, as grafias e a gramática utilizada pode causar algum estranhamento no leitor mais urbano, desacostumado a algumas expressões, mas nada que prejudique a imersão na leitura. Aos poucos você se acostuma.

Márcio ainda se aproveita do horror para apresentar, de forma crítica, a situação do sertão brasileiro. Seja na pobreza e miséria presente em alguns contos, na doença e falta de cuidados médicos em outros, no domínio que a igreja católica sempre exerceu sobre a região e até na superpopulação e falta de recursos, levando os pais a torcerem por seus filhos serem levados pelo papafigo, como pode se ver em Estradinha de Barro, um dos melhores contos da antologia. Mas não se deixe levar pensando que é um livro politizado e panfletário, Márcio usa estas características da região para reforçar o horror presente no cotidiano do sertanejo que, por si só, já assustaria sem o auxílio do fantástico.

Os contos curtos não deixam espaço para a enrolação, tornando as histórias enxutas e valorizando os finais, geralmente surpreendentes, exatamente como uma “contação de causos”. É impossível não imaginar alguns daqueles contos se tornando filmes ou curtas, pois dariam excelentes obras audiovisuais de horror genuinamente brasileiro. Maldito Sertão é uma ótima prova de que existe terror nacional e que não precisamos importar zumbis, vampiros e outros monstros gringos. Mojica já sabia disso nos anos 60 e Márcio Benjamim está aí para confirmar.

site: http://bocadoinferno.com.br/literatura/2015/12/maldito-sertao-2012/


Clayton De La Vie 13/04/2015

Contando contos
Reconstruindo mitos e lendas nordestinas, Maldito Sertão, de Marcio Benjamin, desperta em você os mais assombrosos pensamentos. Com uma linguagem um tanto coloquial, realçando as origens daquelas terras, podemos nos arrepiar a cada conto apresentado.

Embora a ideia seja assustar os leitores com lendas de lobisomens, fantasmas e mulas-sem-cabeça, o livro tem um teor crítico e cômico, por assim dizer. Explico: a comédia surge como brisa suave para as pessoas que estão acostumadas com a narrativa "certinha", principalmente quando deparadas com expressões como "arrudiar". O senso crítico do livro se percebe justamente quando o autor faz uma análise bem estruturada acerca de aspectos corriqueiros dos nordestinos, e não deixa de incluir certas incoerências na Igreja Católica - principalmente se tratando de uma religião que - no nordeste - está muito presente desde que nos entendemos por gente.

O primeiro conto, Casa de Fazenda, foi sem dúvida o que mais me instigou. Em uma narrativa fácil, podemos sentir toda a apreensão que pessoas comuns sentem quando a morte se aproxima lentamente, bufando em nossas "cacundas", trazendo consigo garras afiadas.
"Apoiado na espingarda, o velho já não tinha mais a força: sentia como um bacurim deitado em cima do peito. Um punhado de areia soprando em seus olhos cada vez mais pesados."


Estradinha de Barro nos faz refletir acerca do quanto parecemos insignificantes perante a tudo, o quanto a falta de dinheiro, de comida, nos torna mesquinhos. O conto narra os desaparecimentos de crianças pela cidade. Crianças que voltam abarrotadas de dinheiro.
"Naquela vila, o dinheiro que aparecia abrandou a vigília dos pais; o que se comenta é que tem uns, já cansados de apanhar da fome e da seca, que à noite rezam para o seu menino desaparecer."


Por se tratar de contos, sem ligação alguma entre eles, não podemos estabelecer uma análise mais ampla, mesmo porque afetaria a forma como cada leitor veria a história, mas, de forma geral, Maldito Sertão foi feito exatamente para os amantes do terror. Aqueles que não costumam se aventurar nesse gênero literário, possivelmente não visitarão o sertão após o término da leitura.

site: http://desenhandoemletras.weebly.com/blog/resenha-maldito-sertao


Ciro 28/10/2013

Para ler no alpendre, à luz do lampião
O livro traz alguns contos com todos os ingredientes de um típico conto do terror do sertão. Daqueles que, para os menos destemidos, tiram o sono. Daqueles que quando escutamos, ficamos procurando uma mensagem oculta, uma lição de vida, enfim, histórias de caboclo passadas de geração em geração, cada vez que é repassada perdendo um detalhe e ganhando outro, mudando o tom e a entonação, de forma que depois nos perguntamos: Será que aconteceu mesmo?

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Márcio 02/05/2013

MALDITO SERTÃO - UMA COLETÂNEA DE LENDAS RURAIS
"Maldito Sertão é um livro de contos de Márcio Benjamin, escritor potiguar que se prestou a descrever situações do sertão brasileiro. O que torna o livro mais interessante são as situações escolhidas: os contos transitam pelo sobrenatural, pelas experiências do sertanejo com as criaturas e forças estranhas que povoam a noite e o campo.

O autor parece amadurecer durante o livro, tendo seu ápice em alguns dos contos mais à frente. Não sei se esta foi uma opção editorial, se os contos estão organizados em ordem cronológica, mas o fato é que tive a impressão de que os primeiros contos tinham mais dificuldade em ganhar tração, enquanto outros te prendiam já desde o início.

A linguagem usada pelo autor chama atenção logo ao início do livro. Misturando o vocabulário formal e o português padrão com expressões e modos de falar próprios do sertanejo, Márcio consegue uma mistura de estilo que choca inicialmente, mas aos poucos conquista o leitor e soa agradavelmente familiar.

Pessoalmente, meus contos favoritos foram O Oratório e à Sombra da Cruz. Nestes dois contos, a exposição do sobrenatural é apenas o bastante para que você saiba que há algo por trás dos acontecimentos, sem nunca se revelar totalmente; desta forma, as duas estórias geram expectativa e terminam sem decepcionar. Por outro lado, talvez o nível técnico do autor tenha atingido seu auge de fato nos últimos três contos: Uma Casa de Muro Branco, A Porca e A Mariposa Negra são tão bem desenvolvidos como roteiros que deixam a impressão de que, dando mais algum tempo ao autor, ele seria capaz de gerar algo com o impacto de O Sexto Sentido, por exemplo (o filme com o Bruce Willis). Quem sabe?

Maldito Sertão é ótima pedida para quem quer conhecer um autor brasileiro, jovem, com texto promissor e temática diferente. Fãs do sobrenatural e / ou da cultura do campo brasileiro se sentirão em casa."

Gabriel Cavalcante, em http://www.opoderosoresumao.com/livros/resenha-maldito-sertao



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