Norwegian Wood

Norwegian Wood Haruki Murakami




Resenhas - Norwegian Wood


143 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Arsenio Meira 20/05/2013

Mal acabei de ler e já sinto vontade de reler.

O enredo narra a juventude de Toru Watanabe. A época: o final tormentoso dos anos 60, período rico e famoso.

Numa universidade japonesa, Toru, como qualquer jovem da sua idade, apaixona-se. No entanto, ele viverá um dilema entre duas paixões: Naoko e Midori.A famosa geração de sessenta, também no Japão, vivia seus próprios maniqueísmos e a velha encruzilhada, refletida nos movimentos estudantis em confronto com a geração conservadora dos pais, justamente a geração (a dos pais, tida como ultrapssada e etc) que suportou os horrores da segunda guerra mundial.

Este conflito de gerações, (que se sentiu também na Europa e em nossa plagas) ensejou o confronto entre aqueles que viveram a guerra e construíram a recuperação econômica com base numa disciplina férrea e os filhos, educados nessa disciplina, como condição essencial para o grande objetivo de construir a riqueza material.

Ao longo da obra, Murakami encara estes jovens rebeldes (com os quais Toru, o protagonista do romance, não se identifica) como pessoas pouco esclarecidas, para quem a rebeldia era um instrumento de afirmação, mais do que de defesa de determinados ideais. Tem total sentido.

Os gritos contra a guerra do Vietnã ou contra o sistema universitário eram apenas instrumentos para uma geração sem ideais, vista sob a perspectiva do romance. São ideias revolucionárias que nada alterarão; são ideias ocas, desprovidas de conteúdo.

O livro é extraordinariamente envolvente. Murakami constrói um enredo bem linear, que envolve o leitor numa espécie de solidariedade para com Toru. Talvez este personagem tenha bastante de autobiográfico; no entanto, os dilemas de Toru (os amores, as opções de vida, a forma de encarar o futuro e o passado) são os dilemas de todos nós. Por isso nos revemos nele.

Como diz Reiko (a voz da razão neste livro): “todos somos imperfeitos num mundo imperfeito” e, por isso, não devemos encarar os nossos dilemas com demasiada seriedade.

A vida exige leveza – essa leveza do ser que Murakami transporta de forma encantadora para o romance.

É que a vida, às vezes, encarrega-se de decidir por nós. Assim foi com Toru, um homem perdido nas encruzilhadas…

Romance de formação de primeira grandeza. E o título do romance (Norwegian wood é uma canção dos beatles), em si, já prenuncia a sensação de encanto.

O trecho final da canção é um recado:

"(...)And when I awoke,
I was alone,
This bird has flown."
Carlos Patricio 17/08/2014minha estante
Grande Arsenio! Onde entro vejo uma resenha foda sua! rs
Cara... me interessei pelo titulo pois sou apaixonado pela Noruega. Gostaria de saber o q esse livro tem a ver (se tem) com este país. ?
Abraço!!


Camila A. Meireles 15/04/2015minha estante
Estou lendo este livro, Arsenio! Estou amando. Suas resenhas são tão boas!




Will Monteath (autor) @willmonteath 13/06/2020

Murakami kami kami
Essa foi meu primeiro livro do Murakami. É fácil se apegar ao Toru, a Naoko e aos personagens que compõem as memórias do rapaz. Por aqui a temática suicídio é tratada de maneira bem levinha. Gol do japão! A escrita é impecável e poética, porééémmm, pro meeeuuu gooosssto, um tanto arrastada. Demora muito pra alguma coisa acontecer, o que me fazia ter aquele conflito interno de ficar encarando o livro e pensando: ?pego você ou dou aquela ligada no Netflix como quem não quer nada?? Conversei com a bonita capa de borboletas pretas, brancas e amarelas algumas vezes. Te amei. Fiquei entediado. Me encantei. Peguei no sono. Murakami, você merecia um 5 pelo trabalho excelente, mas vou te dar um quatrão campeão, OK?

Não é você, cara. Sou eu!

Espero poder te encontrar em Tóquio para tomarmos um saquê geladinho e aí conversamos mais.
Drica 13/06/2020minha estante
Nunca li esse autor, mas tenho uma super vontade.




Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

Norwegian Wood, Haruki Murakami - Nota: 8,5/10
Para quem nunca leu alguma obra de Murakami, Norwegian Wood pode ser uma boa forma de iniciar e entrar no mundo do autor. Nessa obra, Murakami se atém ao "mundo real", diferente de fantasias - sem muita explicação - que estão presentes em grande parte de seus livros. A leitura é bem profunda, e o leitor consegue se colocar no lugar de Toru, personagem principal, acompanhando seus pensamentos e problemas do dia a dia. Passando por temas como a juventude e o suicídio, Norwegian Wood tem como pano de fundo o romance entre Toru e Naoko, com seus constantes encontros e desencontros.

site: https://www.instagram.com/book.ster
comentários(0)comente



Renata CCS 29/03/2014

“I once had a girl, or should I say, she once had me?” (Norwegian Wood – The Beatles)

"- O suicídio tanto pode ser afirmação da morte como negação da vida. Tanto faz.
- É mentira. E vou explicar: o suicida é aquele que perdeu tudo, menos a vida." (Fernando Sabino)


Ao pousar no aeroporto de Hamburgo, Toru Watanabe começou a ouvir dos auto-falantes do avião uma versão orquestrada de Norwegian Wood dos Beatles. Imediatamente suas recordações o levam de volta ao passado, há vinte anos, quando passeava por Tóquio na companhia de Naoko, e se lembra de uma antiga promessa: nunca se esquecer dela. É este o gatilho que faz desenrolar a história de NORWEGIAN WOOD, com Toru narrando em primeira pessoa diversas passagens de sua vida.

Com o movimento nos anos 60 contra a Guerra do Vietnã como pano de fundo, a história se desenvolve capturando a juventude de Toru, dos 18 aos 20 anos, quando morava em um alojamento nos primeiros anos da faculdade em Tóquio. Ele leva uma vida sem grandes acontecimentos, dividindo seu tempo entre os estudos e o emprego monótono em uma loja de discos, até que o dia em que cruza com Naoko, a namorada de seu melhor amigo, Kizuki, que havia se suicidado um ano antes. Primeiro surge uma amizade silenciosa apoiada na lembrança de Kizuki, depois, um amor romântico, porém cheio de receios. É neste momento que surge Midori, colega de Toru nas aulas de História da Arte, o oposto perfeito de Naoko. Enquanto esta última exala tristeza, insegurança e até uma certa morbidez, Midori é eloqüente, extrovertida, completamente explosiva de sentimentos, liberada e liberal.

Em resumo, NORWEGIAN WOOD trata dos rumos do coração, mas não se trata, porém, de uma abordagem simplória. Há toda uma atmosfera de instabilidade emocional e o suicídio é uma constante no livro. Murakami nos apresenta uma sociedade japonesa suscetível a isso e trata do assunto com uma franqueza espantosa, mas não usando de questionamentos quanto às motivações do ato em si, mas entrando nos sentimentos e nas reações de quem toma uma atitude como esta. Sim, o tema é pesado e pouquíssimos livros me deixaram com um vazio tão grande ao terminar a leitura como aconteceu com esta obra. Fiquei com uma profunda sensação de perda e de impotência diante dos acontecimentos narrados, e por serem tão reais, não conseguia largar o livro.

Para finalizar, penso que não seja um livro que exatamente todos venham a apreciar. Tem um ritmo próprio e uma temática forte, só dele, mas que é recompensador. Valeu a leitura.


Resenha originalmente publicada em 29/11/2013.
Paty 04/12/2013minha estante
Algumas coisas neste livro me assustaram, não no sentido de medo mas coisas que me tocaram emocionalmente de uma maneira que eu não esperava.


Renata CCS 06/12/2013minha estante
Paty, minhas impressões são bem parecidas com as suas. Emocionalmente, é um livro inquietante.


Arsenio Meira 10/12/2013minha estante
Um romance que já começa acertando no título (não liguem, sou beatlemaníaco!) tem tudo pra dar certo. Estou com Paty e Renata: é um romance que aborda com especial densidade a vida dos personagens numa época extremamente rica, sob todos os aspectos. Os anos 60 parecem e são míticos. E a volúpia da personagem Midori é bem sintomática desse período; ela não estava nem um pouco preocupada com o olhar reprovador do vizinho, para usarmos uma metáfora ampla e jocosa. Um livraço.


Renata CCS 11/12/2013minha estante
Arsenio, em relação ao título concordo com você. Durante a leitura não conseguia tirar esta música da cabeça.
Também achei Midori fascinante, foi a personalidade que mais me cativou durante a leitura!
E o grande mérito de Murakami é o de representar as inquietações de todos os jovens neste processo de transição, dos medos e da aquisição de responsabilidades. Porém, Norwegian Wood foi de uma experiência de leitura triste, melancólica. Murakami ao seu nível: excelente.


Joy 11/12/2013minha estante
Fiquei encantada com a escrita do Murakami, requintada e delicada. É um livro sobre a vida e a morte, sendo que a morte não é encarada como o fim da vida, mas sim como parte dela. Tenho a certeza que me vou recordar deste livro em vários momentos da minha vida!


Jayme 11/12/2013minha estante
Mas, Renata... três estrelas? Mesmo? rs


Renata CCS 12/12/2013minha estante
Olá amigo Jayme,
O talento de Murakami é indiscutível, mas não vou avaliar um livro apenas pelo brilhantismo do autor, mas também pela minha sensação ao término da leitura. São, no mínimo, três estrelas. Incoerente? Talvez... mas não vou desmerecer esta bela obra pelas minhas impressões e expectativas.
Grande abraço!


Jayme 12/12/2013minha estante
Entendi... o impacto da primeira leitura!


Daniel 09/03/2018minha estante
Se eu tivesse lido este livro aos 20 anos provavelmente seria o livro da minha vida.
Hoje não...




Pappa 20/02/2010

Romance melancólico e arrebatador
Caramba, não consigo nem expressar o que sinto logo após ler este livro. É de tirar o folego.

Vamos lá: o livro conta a história de Toru Watanabe, um homem que ao ouvir a música Norwegian Wood ao desembarcar de um avião relembra uma promessa feita na época em que ainda era um adolescente: a de que nunca se esqueceria de Naoko, uma garota com quem havia se envolvido nos tempos de faculdade (anos 60). Naoko fora namorada de seu melhor (e único) amigo dos tempos de escola, porém após este ter se suicidado, um encontra no outro o único elo que os liga ao resto do mundo. Naoko, por não se recuperar da perda de seu antigo namorado, acaba passando por sérios problemas, e nesse ínterim Toru conhece Midori, uma colega de faculdade. Os dois passam a se afeiçoar, e então chega o principal ponto do livro, que é a escolha que Toru deve fazer: se apegar a seu passado, ou partir para um novo futuro.

É uma história de romance, mas sempre permeado por uma melancolia que chega a ser em alguns pontos assoladora. É uma história sobre a passagem para a vida adulta, sobre responsabilidades, enfim é um catado de tudo isso.

O que torna a trama angustiante é o vai e vem entre Naoko-Toru-Midori, quando parece que as coisas se encaminham para uma solução, vem uma reviravolta. A loucura parece tomar conta dos três personagens em ondas, quando um está bem, o outro está mal, depois tudo muda.

Por sinal, o ponto forte desse livro são os personagens. Nos livros de Murakami os personagens sempre são elementos fortes na trama, marcantes, mas neste livro os personagens atigem um nível especial. Eu os tomei, todos eles, como amigos íntimos. Toru, Naoko, Midori, Reiko, o pai de Midori (que aparece num dos melhores trechos do livro), Hatsumi e até Nagasawa e o Nazista, são personagens extremamente verossímeis e cativantes. Cada um tem suas qualidades e defeitos, mas eu acabei torcendo por cada um deles.

O estilo Murakami de contar histórias me parece semelhante a seus outros livros, porém a temática deste é totalmente diferente dos livros que li. Mas de certa forma chega a ser até melhor.

Um ponto deve ser levado em conta: se você se sente incomodado com trechos quase que pornográficos, evite este livro. Estes trechos são bem comuns, mas no meu entendimento não são nem um pouco forçados ou apelativos. São tratados como parte da vida de um adolescente.

Em suma, Murakami definitivamente é meu autor favorito, não há como negar. É a conclusão que chego após ter lido 5 dos seus livros, gostado de todos, e ainda tendo 3 como livros favoritos (incluindo este aqui). Este é um daqueles livros que se sente tristeza quando acaba, porque você acha que poderia continuar lendo até não poder mais.
Marina 24/02/2010minha estante
Tbm adoro o estilo do Murakami. Este, junto com Kafka à beira mar, foram os que mais gostei dele até agora.


Arthourius 11/08/2010minha estante
Incrível a resenha! Me estimulou a ler o livro. Murakami parece ter o estilo que eu curto em literatura.


princessmiwi 01/08/2011minha estante
ótima descrição. Como você, amei esse livro, especialmente pelos personagens, incomuns, tão profundamente humanos e cativantes.

estou atrás de outros livros de Murakami também, espero me tornar uma fã :)


Katsumi 13/02/2013minha estante
Adorei a resenha, estou quase terminando este livro e estou achando fantástico.




Tatta 26/03/2021

quem não ama o Japão?
são muitas as imperfeições desse livro, só que a prosa é boa. a sensação de vida incompleta do Toru é latente.

aquela síndrome que ocorre nos países desenvolvidos, em que a pessoa não entende seu papel no mundo, é muito presente.

o livro é bem sexual, mas parece decorrer de uma intenção do autor de falar um pouco sobre jovialidade e nosso lado animal.

nós tomamos um banho de cultura ao longo da narrativa, muitas músicas e livros. até Desafinado do Tom Jobim é citada!

não tem como evitar a comparação com ?Apanhador no campo de centeio?. penso que o autor incorporou bem a atmosfera daquele livro, só que com um toque mais suave, agridoce.
comentários(0)comente



Henrique 16/03/2021

Livro estilo de escrita fluida, narrado por um adolescente, Toru, e que conta a história de seu romance com Naoko no Japão do fim da década de 1960. Romance adolescente, vamos pensar. Só que não. Esse romance está rodeado de um tema polêmico, triste e que merece ser debatido. Vale a leitura.
comentários(0)comente



Jow 05/10/2012

Sobre amor e decisão.
"But i, i'll never forget you
I'll never forget you
You make things so easy
I'll never forget you"

I'll Never Forget You - Birdy

Amar não é apenas um sentimento, amar também é uma decisão! Decidir o que ou quem amar na vida é um passo fundamental para caminhar em rumo a felicidade. O grande contraponto que está implicado no amor é que ele não se sustenta sozinho, não aprende a se moldar para a solidão, não consegue viver escondido e trancafiado.

Todos temos nossas próprias concepções de amor, elas podem (ou não!) mudar com o tempo e com as várias experiências que vamos vivenciando ao longo da vida, mas sempre surgirá algo que nos fará repensar algumas verdades que pensamos ser imutáveis. Haruki Murakami consegue isso, e “Norwegian Wood” é um livro sobre a juventude, o relacionar-se, a depressão e a morte. É sobre amor, mas também sobre desamparo e perda.

Murakami é um mestre em criar enredos apaixonantes e suas tramas sempre estão carregadas de conceitos traduzidos em sentimentos. Toru, Naoko e Midori são personagens com feridas profundas, desestabilizadas, desamparadas. São pessoas levadas, por situações extremas, a lidarem consigo mesmas, algumas terão sucesso, outras não. A dor é praticamente palpável em toda a narrativa, até os momentos felizes carregam uma dor nostálgica. Murakami nos faz entender que não pode existir uma realidade perfeita, imaculada e de eterna felicidade. Estamos interagindo sempre com duas forças distintas, mas ao mesmo tempo intrínsecas, que se abraçam nos momentos mais sublimes da nossa vida para nos mostrar um grande clichê dessa vida: Que não pode existir o amor sem a dor!

Quando nos afundamos na rotina de Toru temos contato com a nossa própria vida, nossos relacionamentos e visão nossa de mundo. A narrativa flerta com a dura realidade que é a dor de crescer, de ter de deixar a adolescência para trás, e de conviver com quem desistiu pelo caminho. E se percebe isso de forma muito presente com as histórias de Reiko, Hatsumi e do ótimo Nagasawa, um experimentador e crítico de uma vida que abre caminho para vitória e para derrota.

Murakami muda constantemente a energia da narrativa dependendo do personagem que está com Toru, e um dos momentos mais evidentes dessa experiência é no momento em que ele viaja para encontrar com Naoko. É interessante a quebra de clima da história nesse momento: é como se o mundo se convertesse também naquele cenário bucólico, como se ele limitasse o mundo. Pensei em mim mesmo, em como às vezes tenho vontade de fugir para algum lugar tão tranquilo, sossegado e harmônico – e como o próprio livro mostra isso como uma fuga fácil, uma alienação, que poderá cobrar seu preço, nada barato. Essas escolhas ficam mais evidentes no contraste entre Naoko e Midori. Cada uma, ao seu modo, sofreu perdas severas e teve de lidar com isso, mas enquanto Naoko escolheu desistir, Midori decidiu viver, ainda que de forma excêntrica e contestadora.

E assim chegamos ao “MacGuffin” da história: Toru que ama e espera por Naoko não consegue entender o porquê de Midori fazer o mesmo por ele. A complexidade dos sentimentos envolvidos é enorme, e Toru se vê cada vez mais atraído tanto por Midori quanto por Naoko. E quando todas as cartas se encontram estendidas na mesa, os amores em jogo se tornam mais que um simples sentimento torna-se uma escolha.

E essa é a lição: Em qualquer lugar do mundo, pessoas se ferem. Pessoas não suportam. Pessoas buscam maneiras de seguir adiante, pessoas escolhem – e se são melhores ou piores escolhas, quem poderá dizer?
Alan Ventura 06/10/2012minha estante
O tipo de resenha que eu gostaria de ter escrito sobre um livro que eu gostaria de ter escrito! Parabéns!


Carol Minardi 09/04/2013minha estante
Eu simplesmente AMEI este livro! Volta e meia, me pego pensando nele e nas imagens que eu criei, ao lê-lo. Um dos melhores.

A resenha está perfeita também!

PS- Vc já viu o filme?


Alana Homrich 17/02/2015minha estante
Bela resenha, parabéns. E torna-se melhor ainda ao lê-la escutando a música citada.
Fiquei com vontade de ler este livro. =)




Taci 01/03/2013

"People are strange when you're strange"
Soaria um tanto quanto antagônico, talvez, se eu dissesse que o livro que mais me tocou profundamente fosse, justamente, o que eu encontrei mais dificuldade em expressá-lo em palavras? Múltiplos sentimentos e diversas sensações flutuavam ao meu redor, de forma quase palpável, mas que, rapidamente, se enrodilhavam ao tentar serem postas no papel. Norwegian Wood não só conta uma história com uma extrema sensibilidade, como também reflete os recantos mais profundos do nosso coração. Uma obra com uma poética simplicidade, que retrata, com absurda delicadeza, o momento da metamorfose do jovem em adulto. Um momento que acontece de forma gradativa conforme viramos cada página, todas únicas em suas singularidades. Uma mudança que só poderia ser proporcionada por um sentimento tão forte quanto o amor:


"[...]Mas eu não vou abandoná-la de jeito nenhum, entendeu? Porque eu a amo e sou mais forte do que ela. E vou me tornar ainda mais forte do que agora. Vou amadurecer. Vou me tornar adulto. Essa é a minha obrigação. Até agora eu quis continuar vivendo sempre como se tivesse 17 ou 18 anos. Mas já não penso mais assim. Não sou mais um adolescente. Sinto-me responsável. Sabe, Kizuki, eu não sou mais o mesmo da época em que convivíamos. Acabei de fazer 20 anos. E tenho de pagar o preço para continuar vivendo."(pág. 306)


A história começa quando um Toru Watanabe, já com seus quase quarenta anos, é surpreendido ao ouvir tocar no seu vôo, a música dos Beatles (que dá nome ao livro) "Norwegian Wood". Pois, essa seria a chave mágica que abriria as mais remotas memórias de Toru; a música que o fez lembrar daquilo (e daquela) que prometeu jamais esquecer:


"- Eu gostaria que você nunca se esquecesse de mim. Você vai se lembrar para sempre que eu existi e estive aqui ao seu lado como agora?
- Claro. Vou me lembrar para sempre - respondi."(pág. 15)


Ocupamos, então, o assento do passageiro e inciamos um passeio pela vida do jovem Toru. Jovem esse que foi a última pessoa a ver o melhor amigo com vida, antes de ter cometido o suicídio por razões que ninguém conhece; jovem esse que, a partir de então, teve seu futuro moldado por uma ação que sequer foi sua. E é assim, que começamos a conhecer Toru Watanabe e, por que não?, a conhecer-nos a nós mesmos, pelos olhos de outrem, mesmo que esse outrem seja uma personagem de um livro ficcional. Iniciam-se então os casos e causos do nosso, singular em sua simplicidade, jovem Toru.


O livro é repleto de uma certa angústia, uma melancolia, e uns traços de que estamos sempre deixando algo para trás. Algo dentro de nós que vai, pouco a pouco, se perdendo no torvelinho que nós chamamos, simplesmente, de memória. Há passagens que denotam uma extrema solidão, mas uma solidão que vem de dentro, que independe de quão cercado estejamos pelo mundo exterior:


"Muito depois de o vaga-lume desaparecer, seus traços luminosos continuaram dentro de mim. Atrás de minhas pálpebras cerradas, dentro das espessas trevas, seu brilho suave continuava a vagar como uma alma perdida. Estendi várias vezes os braços em direção a essas trevas. Meus dedos nada tocaram. A pequena luz estava sempre um pouco além do meu alcance." (pág. 63)

"De qualquer forma, porém, naquele agradável início de tarde de final de setembro, todos pareciam alegres e isso me provocou uma solidão fora do comum. Senti como se eu fosse o único a destoar dessa paisagem. Pensando bem, eu me perguntava a que paisagem eu havia pertencido todos aqueles anos." (pág. 105)


Toru não é o personagem que cativa por se enquadrar em algum esteriótipo. Na verdade, eu não consigo enquadrá-lo em nenhuma categoria porque ele é, simplesmente, ele. Não existe vaidades ou afetações. Ele é o que é: melancólico, sem perspectiva de futuro, inteligente, introspectivo... Mas isso são apenas características, nada disso o define em nenhum momento.

E como se toda a sensibilidade do Toru não fosse o suficiente para quebrar-nos em pedacinhos, o autor ainda nos presenteou com outros personagens tão sensíveis quanto. Norwegian Wood é, segundo meu conceito, uma poesia em prosa. Um romance por definição; uma história de amor arquitetada pelo destino. Uma obra de arte posta em palavras num papel.

E isso é tudo que consigo exprimir em palavras, até porque Norwegian Wood, mais do que lido, deve ser sentido. É o tipo de livro que toca a alma da gente e modifica o que tocou. Não posso dizer que sou a mesma depois de ter lido ou, melhor ainda, sentido o que li. Não sou a mesma porque, de agora em diante, vou carregar sempre comigo todo o sentimento irradiado de umas poucas páginas de um livro. E para terminar, eu volto ao começo:


"- Eu gostaria que você nunca se esquecesse de mim. Você vai se lembrar para sempre que eu existi e estive aqui ao seu lado como agora?
- Claro. Vou me lembrar para sempre - respondi."(pág. 15)
Leandro | @obibliofilo_ 01/03/2013minha estante
PRECISO LER ESSE LIVRO!
Amei a resenha. Só me deixou mais curioso e com enormes expectativas. rs




spoiler visualizar
comentários(0)comente



Amanda 09/09/2020

Uma leitura diferente
É um daqueles livros sobre a vida normal de pessoas normais. Os personagens são muito interessantes, principalmente Midori que é completamente doida. Mas Toru, o personagem principal é um sem graça, entretanto suas descrições e reflexões sobre a vida são muito bonitas. Infelizmente a leitura não me conquistou, mas é um bom livro.
comentários(0)comente



Camila 07/07/2020

Boa experiência
Sou apaixonada pela prosa de Murakami, mas não recomendo começar por este caso queira conhecer os livros do autor. Das obras que já li, esta foi a que menos me agradou. Ainda que vários dos elementos que adoro em Murakami estejam presentes em ?Norwegian Wood?, não me cativou como os outros. Não consegui me conectar com os sentimentos de Toru ou Naoko. Imagino que parte dessa dificuldade venha do fato de o livro ser cheio de referências de uma década que só conheço de ouvir falar. O apelo para quem a vivenciou com certeza deve falar mais alto. Ainda assim, a forma como ele explora questionamentos existenciais e sentimentos é muito sensível. A maneira como seus personagens os expressam também é muito única e particular de cada um e isso traz uma verossimilhança e solidez a eles de uma forma que só Murakami poderia construir. São sentimentos e formatos de relacionamentos pouco abordados e só por isso o livro já tem seu grande mérito.
Sayuri 07/07/2020minha estante
Qual você recomenda para iniciantes? Ótima resenha ??


Camila 07/07/2020minha estante
Obrigada, Sayuri! Eu recomendo começar por Minha Querida Sputnik. Tem muitas das coisas que adoro nos livros dele, é mais curto e menos intenso. Eu mesma comecei pela trilogia 1Q84 e ela continua minha favorita até agora, então também é uma boa opção, mas mais intensa (:


Sayuri 07/07/2020minha estante
Entendi, entendi. Muito obrigada! Realmente tive dúvidas sobre como começar e 1Q84 me pareceu um pouco mais "ameaçadora" kkk. Grata


Camila 08/07/2020minha estante
Imagina! 3 livros grandes assim dá um receio, né? Mas é muito boa! Volte nela quando achar que deve heheh


alcardoso 02/10/2020minha estante
Eu comecei pelo 1Q84 e terminei os três livros em uma semana. É aquela história que parece que acaba se lendo sozinha, de tão envolvente que é. Não se sinta ameaçada por começar uma grande obra. Deixe se levar e, caso não flua, para pra outra e volte a ela depois ;-). Outro livro que pode ser uma porta de entrada é o "Homens sem mulheres", por ser uma coletânea de contos.




Eric Silva - Blog Conhecer Tudo 26/05/2020

Um tanto melancólico e reflexivo
Um tanto melancólico e reflexivo, Norwegian Wood fala de temas como o suicídio e a transição para a vida adulta, tendo em si um enredo com uma veia cômica e uma artéria trágica. Livro do escritor japonês Haruki Murakami esse é um romance de personagens singulares e únicos e com profundas referências à música e a literatura. Confira a resenha desse que foi o livro responsável por catapultar a carreira internacional de seu escritor.

Sinopse do enredo

Toru Watanabe é um jovem universitário que está começando sua vida em uma república masculina. Recém-chegado a Tóquio, Toru ainda não conhece praticamente ninguém na cidade e vive uma vida solitária dedicada aos deveres da faculdade e a analisar as peculiaridades das pessoas com quem passa a conviver. A única pessoa conhecida na cidade é Naoko, a antiga namorada de seu amigo de adolescência Kizuki antes deste inesperadamente cometer suicídio.

Anos antes do tempo cronológico da narrativa, a morte de Kisuki foi um divisor de águas na vida de Naoko que nunca conseguiu superar a perda do namorado e se tornou uma garota introspectiva, psicologicamente frágil e confusa, mas também foi responsável por aproximá-la de Toru que era sensível a sua dor e não tardou a se apaixonar por ela. Toru tenta ajudá-la a sair de seu estado de morbidez e eterno luto, mas, na maior parte do tempo, seus diálogos com a moça são cheios de divagações e coisas incompreensíveis enquanto ambos caminham horas a fio e sem destino certo pelas ruas de Tóquio. Até que um dia, por conta de seus traumas, que o desenvolvimento da história mostrará serem bastante profundos, Naoko se interna em uma clínica especializada, abandonando a faculdade e a capital japonesa.

Ainda mais solitário, Toru se envolve com novas pessoas e numa espécie de fuga passa a viver uma vida de bares e sexo sem compromisso, enquanto se corresponde por cartas com Naoko e ocasionalmente a visita na clínica. Ele também conhece Midori, uma garota extremamente animada e excêntrica, o total oposto de Naoko e os dois começam uma amizade que gradativamente vai se estreitando. É entorno da relação de Toru com Naoko e com os outros personagens de personalidades bem marcantes e distintas que o livro de Murakami é construído e, por fim, acaba se revelando um retrato da nossa modernidade e da forma como as pessoas lidam com as perdas e com seus vazios existenciais.

Resenha

Há muito tempo que ouço falar do estrondoso sucesso de Haruki Murakami não só no Japão como no mundo todo e até no Brasil, mas nunca havia lido nada do autor japonês nascido em Quioto, em 1949. A minha primeira tentativa foi ano passado com a leitura de Caçando Carneiros, mas que abandonei quando estava lá pelos 20% do livro.


Foto: Eric Silva, 2019.
Norwegian Wood foi a minha segunda tentativa de imergir na escrita de Murakami e tentar, com uma cajadada só, entender o seu sucesso e incluí-lo na III Campanha Anual de Literatura que ano passado homenageou a literatura japonesa. Infelizmente não deu tempo de fazer essa inclusão, porque imergir na literatura de Murakami foi custoso e ler Norwegian Wood sem constantes interrupções e abandonos, quase impossível. No final, não deu tempo de incluí-lo no projeto e a resenha de seu livro saí agora quando já vivemos a IV Campanha Anual de Literatura, homenageando dessa vez a literatura italiana.

Norwegian Wood é um livro realista apesar de ficcional, mas que tem muito pouco da tradição contemplativa da literatura japonesa, ainda que traga uma mensagem profunda nas entrelinhas (falarei mais disso) e seja uma trama com um narrador profundamente observador. Todas suas personagens são profundas e muito bem construídas. Posso dizer que elas são bastante excêntricas e distintas entre si, e até certo ponto diferem da imagem típica que costumamos ter dos japoneses. Por isso, elas não são cansativas apesar da história em si não ter me cativado.

O título faz referência à música homônima dos Beatles lançada em 1965, no álbum Rubber Soul. Além de ser trilha sonora favorita de Naoko nas noites em que vivia na residência que ocupava com uma colega de quarto na clínica onde se internou, Norwegian Wood tem um conteúdo que se assemelha bastante ao livro de Murakami. Ambas falam de um relacionamento breve com momentos descontraídos entre dois jovens, mas que termina abruptamente e sem nenhuma palavra de despedida. Na canção, a moça mostra ao rapaz seu quarto e ali, sentados no chão, eles conversam até as duas da manhã enquanto bebem vinho. Depois ele vai dormir no banheiro e no dia seguinte ela desapareceu, deixando-o só. Cenas como estas são comuns no livro de Murakami que torna sua obra quase um retrato em prosa da música dos cantores ingleses. Contudo, os Beatles não são as únicas referências dessa que é uma obra repleta de menções a canções e obras literárias de artistas do mundo todo, e reúne duas grandes paixões de Murakami: a música e a literatura.

A escrita de Murakami nesse livro é prosaica, limpa e objetiva dispensado quase totalmente o uso de metáforas e outros recursos estilísticos que costumam encher de floreios a escrita de autores mais poéticos, mas, ao mesmo tempo, é um livro cheio de descrições e reflexões de seu narrador quanto as coisas que ele vivia e as cenas que presenciava no teatro de sua vida.

Em termo de conteúdo, do meu ponto de vista, Norwegian Wood é um livro que fala de perdas e das dificuldades que muitas pessoas têm de enfrentar o sofrimento. Assim cada personagem dessa história teve suas próprias situações traumáticas, mas responde a elas de formas completamente distintas. É também um livro que mostra bastante o lado terrível do suicídio: as marcas que ele deixa nas pessoas que conviviam com o suicida.

Norwegian Wood mostra como as vezes não conseguimos perceber os sinais deixados pela pessoa antes que ela tire sua própria vida. Fala como até mesmo pessoas que parecem perfeitas ou que vivem vidas maravilhosas podem estar sujeitas a crises e vazios existenciais, a não suportarem perdas repentinas ou a perderem a esperança. O livro de Murakami revela a fragilidade do ser humano, mas, sobretudo, a fragilidade da mente humana. Ao mesmo tempo, o autor faz uma denúncia da realidade moderna na qual as pessoas vêm perdendo a esperança ou deixando enxergar sentido na vida, onde tudo parece estar fora de lugar e sem saberem qual caminho tomar, as pessoas se refugiam no sexo, em relações vaporosas, em passatempos vazios de sentido, ou se entregam a morbidez de rotinas entediantes como Toru, ou até mesmo perdem os parafusos e não conseguem mais se reconectar às pessoas e ao mundo como ocorre com Naoko. Enfim, Norwegian Wood é um livro que possui um exército de personagens que de alguma forma esperam em vão por um deus ex machina saído de alguma tragédia de Eurípedes que irromperá os céus no último ato e então porá em seu devido lugar cada engrenagem solta para que a vida siga de novo seu fluxo inexorável.

Ao retratar o curso torto desse rio que seguimos e que se chama modernidade, Murakami escreve um livro que é também um retrato do Japão moderno que enfrenta todos os anos o problema de centenas de suicidas que engordam as estatísticas nacionais.

Para nos falar de todas essas coisas Murakami escolhe como narrador o jovem e apático Toru Watanabe, que segue uma vida de estudante universitário sem sabor, frequentando as aulas que não lhes dizem nada por não ter nada mais interessante ou especial na sociedade que o mobilizasse a largar tudo e abandonar a faculdade.

Watanabe se declara antissocial, calado e introspectivo, é realmente um personagem ensimesmado, mas que convive e dialoga com muitas pessoas. Algumas dessas pessoas são muito singulares e distintas entre si, como seu amigo Nagasawa, que vive uma vida de prazeres fúteis e sem significados, ou seu colega de quarto, o Nazista, que é fanático por limpeza e tem uma vida sem grandes propósitos, ou ainda Midori, que não esconde nenhum de seus pensamentos pervertidos e é bastante descontraída. Além disso, Toru está apaixonado pela doce e complicada Naoko, namorada de seu melhor amigo que cometeu suicídio alguns anos antes e que jamais superou essa perda. Como a situação com Naoko é extremamente complicada, Watanabe transa com muitas mulheres sem se envolver com nenhuma, enquanto espera que Naoko se resolva e supere seus problemas. Enfim, o protagonista é o típico jovem que vive por osmose preso a uma rotina enfadonha e que se encontra cercado por pessoas excêntricas as quais ele observa e até se sente atraído e por isso permite com que elas entrem em sua vida facilmente.

O suicídio do amigo e a morbidez e sofrimento vivido por Naoko são importantes elementos que impactaram a vida desse personagem que de certa forma vive uma vida medíocre porque não vê grandes sentidos e significados na vida em si. As pessoas que ele conhece são o verdadeiro substrato de sua existência que sem elas é taciturna e povoada de domingos mortos onde tudo que lhe resta é lavar e passar a própria roupa. Nesse ensejo, a relação de Toru com Naoko e sua relação com Midori o dividem bastante e ao mesmo tempo passam a serem vetores que determinam e preenchem a sua vida, mas como era de se esperar os constantes vão e vêm e autos e baixos com Naoko acabam por interferir também na relação com Midori.

Por seu turno, como dois extremos de um mesmo planeta, Naoko e Midori retratam diferentes formas como as pessoas enfrentam o sofrimento. Ambas vivem situações traumáticas e a dor da perda, mas suas reações são completamente opostas. Enquanto Naoko se torna taciturna, psicologicamente frágil e confusa em relação aos seus pensamentos e desejos e pouco ao pouco se torna ausente e alheia a vida, Midori reage de forma adversa com espontaneidade e bom humor, buscando viver intensamente e de forma despreocupada e divertida. O resultado final obtido por Murakami é um leque riquíssimo de personagens e que não se limitam aos que citei até agora.

Mas suicídios e conflitos existenciais não são os únicos conteúdos desse que foi o livro a catapultar internacionalmente a carreira de Murakami. Ele também regista de uma forma bem adulta o fim da adolescência de Toru e as banalidades do seu dia a dia sem perder uma certa veia cômica. Por isso Norwegian Wood apesar de ser um drama, não é excessivamente triste e pesado, mas uma abordagem realista da vida e do significado da morte, além de retratar a difícil passagem para a vida adulta.

Comparado a Caçando Carneiros esse é um livro que fez muito mais sentido para mim. Abandonei minha primeira tentativa de ler Murakami, porque com tantos elementos fantásticos, Caçando Carneiros se tornou um livro muito pouco compreensivo. Ele se assemelha a Norwegian Wood por retratar a rotina vazia e melancólica de seu protagonista, mas as várias lacunas em seu enredo o tronaram incompreensível. A sensação é que aquele é um livro incompleto ou que nasceu como continuação de outra obra – suspeita e divagação minha que depois descobri ser verdade. Ao contrário, Norwegian Wood é coeso e realista, tem começo, meio e fim. Além disso, seus personagens são muito bem estruturados e a narrativa é linear e independente.

Não obstante, Norwegian Wood não foi um livro que me fez imergir, não me cativou ou me impressionou. Não há grandes problemas na escrita ou na forma de narrar de Murakami, mas não me identifiquei com seu estilo. Em nosso jogo de sedução, Murakami não me conquistou.

[ALERTA DE SPOILER]. Por fim, quanto ao desfecho, ainda que eu não tenha me identificado com o livro, achei que o autor estragou tudo ao finalizar sua trama com o envolvimento entre dois personagens que cumpriam um papel muito específico na trama. Achei totalmente desnecessário e até fora de sentido o envolvimento de Toru e Reiko, personagem quarentona, amiga íntima de Naoko, interna da clínica e que na trama é um importante elo entre Naoko e Toru.

[ALERTA DE SPOILER]. Reiko é um personagem divertido e especial na trama. É ela quem apoia Naoko durante todo o seu tratamento e ao longo da trama sua importância cresce enormemente. Mas, no final, após uma série de acontecimentos, ela e Toru acabam transando quando isso não seria necessariamente uma consequência natural dos acontecimentos. Simplesmente Murakami acha que Reiko deveria ser mais uma no harém de Toru, ainda que por uma única noite, e isso, na minha opinião destrói completamente a atmosfera de cumplicidade, respeito e admiração mútua que existia ali e que fora construída ao longo do livro.

Enfim, Norwegian Wood não me conquistou, mas não decepciona porque é um livro de qualidade. Recomendo porque vai agradar leitores cults, principalmente, mas a mim que tenho um gosto para lá de excêntrico e pouco definido, ele não agradou.

A edição lida é da Editora Companhia das Letras, do ano de 2008 e possui 360 páginas.

site: https://conhecertudoemais.blogspot.com/2019/02/norwegian-wood-haruki-murakami-resenha.html
comentários(0)comente



Caroline 07/09/2020

????
Um livro permeado por mortes e com uma história que não dá em lugar nenhum. Peguei ranço de quase todos personagens e achei alguns diálogos forçados e tediosos, porém achei o principal muito bem construído e até que gente boa. Dos três livros que já li do murakami, esse foi o que menos gostei. Ainda, achei o final sem pé nem cabeça. Acho que só não fui cativada pela história.
Débora 07/09/2020minha estante
Ih, Carol, não gostou desse? Então vou deixar de lado também! Confio no seu gosto!!!?


Caroline 07/09/2020minha estante
Aí debs não gosto de falar mal pq gosto é muito subjetivo né kkk esse pode ser o livro favorito de alguém, fora q é um dos mais famosos do autor...mas pra mim não rolou não... Lê aquele dele "o incolor...", foi o q mais gostei até agora


Débora 07/09/2020minha estante
Vou fazer isso, Carol! Confio muito no seu gosto!!!




Ladyce 12/09/2015

Toru Watanabe can get no satisfaction
Toru é um herói como qualquer outro rapaz vivendo no final da década de 1960. Bom menino, educado, respeitador dos mais velhos. Vivendo pela primeira vez fora de casa, está aberto à experimentação. A história se passa no final da década de 1960. Tudo está em mudança da França, aos Estados Unidos, ao Japão. Experimento de vida nada tem a ver com radicalismo. Mas com a vontade de explorar as possibilidades. E é assim que encontramos Toru Watanabe pela primeira vez. Sua independência, sua busca, passa pela vida num dormitório, pelas novas amizades de rapazes que como ele procuram um caminho. Tem o ímpeto de dedicar-se às matérias que provavelmente serão úteis no teatro, carreira na qual imagina o seu futuro, mas procura acima de tudo o amor. Sair da casa paterna teve seu peso, mas a vida deixou de ser segura e previsível para ele desde a morte de seu melhor amigo Kizuki. Com ele e a namorada dele, Naoko formavam um trio de amigos inseparáveis. No entanto, Kizuki se suicida e Toru acaba se apaixonando pela namorada do amigo.

Para crescer emocionalmente e finalmente tornar-se o adulto que almeja ser, há de fazer escolhas. Para isso precisa experimentar. Como Nagasawa, um amigo do dormitório explica: “Se você só lê o mesmo que todo mundo lê, acaba pensando o mesmo que todo mundo pensa” [43]. E Toru experimenta, não só novas amizades masculinas, pessoas com quem jamais imaginara pudesse se relacionar, como com garotas nos bares, numa incessante procura de satisfação sexual. Não leva muito tempo para descobrir que pelo menos essa busca deixa o sexo insosso e sem sentido. À medida que se abre para conhecer novas pessoas Toru desenvolve seu próprio julgamento.

Mais do que um romance de passagem da adolescência para a vida adulta Haruki Murakami retrata uma era. Talvez a melhor representação do período que eu já encontrei na literatura contemporânea. Não importa que seja situada no Japão. Este é um retrato de uma geração inteira, chamada no ocidente de baby-boomers, que chegou à idade adulta antes de 1974, do final da Guerra do Vietnã. E o título, referência à música dos Beatles do mesmo nome, não é coincidência. A letra de "Norwegian Wood" é um paralelo bem feito à trama – ou falta dela – no romance.

Diferente de muitos não achei a história deprimente, nostálgica, nem achei as cenas de sexo despropositadas. Fiquei encantada ao ler os capítulos sobre o retiro nas montanhas. Só ali deu para perceber o que Murakami iria eventualmente desenvolver até chegar à sua extraordinária obra "1Q84".

Eu poderia dar a minha interpretação aqui sobre as três mulheres da vida de Toru. Mas não quero me alongar para não revelar mais do que o necessário. Mas são três as mulheres importantes em sua vida: uma – um sonho inatingível; outra contato com a realidade, uma união com a terra, com o sólido e seguro. E a terceira um sopro de vida, fértil de possibilidades. Ele faz a escolha certa.

Maravilhoso.
comentários(0)comente



143 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |