Terras do Sem Fim

Terras do Sem Fim Jorge Amado




Resenhas - Terras do Sem Fim


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regifreitas 04/09/2019

TERRAS DO SEM-FIM (1943), de Jorge Amado.

Sétimo romance de Jorge Amado, é talvez aquele que consolida o nome do autor como um dos grandes escritores da nossa literatura. Não que as obras anteriores não tenham tido uma boa recepção por parte da crítica e do público. Mas é com essa obra que Jorge deixa um pouco mais de lado o panfletarismo político presente nas obras anteriores, sem eximir-se, contudo, da crítica social presente em seus trabalhos anteriores e posteriores. Também foi esse o livro que abriu de vez o mercado exterior ao nome Jorge Amado, recebendo, em pouco tempo, uma série de traduções e publicações no estrangeiro.

O contexto histórico é o sul da Bahia, em princípios do século XX, por ocasião do início do ciclo do cacau na região de Tabocas, futuro município de Itabuna. Vários personagens são retratados e têm espaço na história (jagunços, malandros, prostitutas, pequenos agricultores, empregadas domésticas, médicos e advogados, gente comum do povo), mas a ação principal se prende ao conflito entre os coronéis Sinhô Badaró e Horário da Silveira, por conta de um pedaço de terra (Sequeiro Grande). De interesse de ambos, para ampliar seus domínios e as áreas para a produção de cacau, a posse pela terra gera o embate entre os dois coronéis, provocando, de ambos os lados, atos de violência, mortes, manipulação das leis e politicagens diversas, além de envolver todos os que gravitam no entorno desses dois poderosos.

Jorge Amado é ótimo na criação de personagens e no desenvolvimento da ambientação de suas histórias. Além disso, o autor imprime aos dramas dessas pessoas certa dose de lirismo, que contrasta com a atmosfera de violência e traição que permeiam toda a história.

Parece que a obra tem uma espécie de continuação em SÃO JORGE DOS ILHÉUS (1944), com o retorno de alguns dos personagens, tratando das consequências dos acontecimentos da obra anterior e do futuro desse mundo de jagunços e coronéis, que já não encontram seu lugar numa economia capitalista.
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Santos 16/06/2019

Amo os livros de Jorge Amado
Atraídos pela promessa de uma terra fértil e próspera, onde o dinheiro é fácil e abundante, diversas pesoas partem rumo a Ilhéus, no sul da Bahia.Jorge Amado inicia sua narrativa abordando algumas delas que se encontram em um navio destinado a essa cidade. O livro é narrado em terceira pessoa e sob a perspectiva de diversos personagens diferentes

A história é focada na disputa por uma região de mata chamada Sequeiro Grande. Duas famílias estão interessadas nas terras: os Badaró e os Silveira. O líder dos Badaró, Sinhô-Badaró, é um homem comedido e religioso,
”. Seu irmão mais novo, Juca, tem um temperamento contrário: é mulherengo, explosivo e violento, sempre buscando nas tocaias e nas trocas de tiros a solução para os problemas. Por fim, temos Don’Ana Badaró, filha de Sinhô, uma mulher determinada, forte e corajosa, que insiste em participar dos negócios da família. Do lado dos Silveira, temos Horácio, um homem descrito como alguém que tem o diabo aprisionado em uma garrafa. Cruel, violento e desonesto, tem duas paixões: o cacau e Ester, sua esposa. Uma mulher refinada, que casou contra a sua vontade e tem horror à mata e aos terrores que nela habitam, segundo sua imaginação. A trama toda se desenvolve com os conflitos gerados pela rivalidade entre Horácio e Sinhô e Juca. Homens determinados a possuir as terras do Sequeiro Grande, que não hesitam em matar quem cruzar o seu caminho.

Jorge Amado aborda também a questão da política em uma cidade comandada pelo coronelismo. Aqueles que têm dinheiro não apenas determinam a economia, mas elegem seus candidatos e definem a política. Além de toda a violência e da impunidade, já que é algo totalmente rotineiro para a população ver corpos estirados pela estrada.

Amos os livros do jorge Amado, ele nos prende, e ficamos completamente envolvidos,
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Blonde Venus 15/06/2019

O Visceral Sul da BA no Começo do Século XX
Possivelmente Terras do Sem Fim é meu livro favorito de Jorge Amado. Neste livro se nota a sua capacidade de prender os leitores e retratar de modo poético o cenário do Sul da Bahia no início do século 20. O cacau é apenas pano de fundo para tramas humanas, mas é também um registro sociológico daquela região. Pessoalmente me sinto tocada por ter vivido no Sul da Bahia, e exatamente na Costa do Cacau. Muitos personagens me cativaram, e de modo geral foi uma leitura bem prazerosa. Os conflitos na região do cacau seguem os mesmos, e Jorge não narrou apenas algo do passado, narrou comportamentos que continuam reverberando.
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Lethycia Dias 28/03/2019

Paixões violentas
Em "Terras do sem fim", Jorge Amado retrata a violência das disputas por terras e o poder dos grandes coronéis na Bahia, no início do século XX. A história acontece na região do povoado de Tabocas, que depois se tornaria o município de Itabuna, nas proximidades de Ilhéus.
Aqui, o coronel Horácio e os irmãos Badarós, chefes de duas famílias de poderosos latifundiários disputam a posse da mata do Sequeiro Grande, que ofereceria as melhores terras para o plantio do cacau. Ambos desejam destruí-la para aumentar suas plantações, passando por cima do que (e quem) estiver na frente.
Outros personagens também fazem parte da trama: o falso capitão João Magalhães, que vem em busca de dinheiro; Ester, a esposa desiludida com seu destino; Virgílio, o novo advogado do coronel Horácio; além de alguns coadjuvantes, como médicos e políticos, ou personagens que representam o povo: trabalhadores rurais que vêm do sertão em busca de vida melhor, jagunços, empregadas domesticas, prostitutas.
Jorge Amado descreve com precisão as pessoas simples, seus anseios, sua fala coloquial. Dizem que foi o escritor que melhor retratou o povo brasileiro, e esse livro me faz pensar nisso. As disputas entre os coronéis são violentas, como também são violentas as paixões vividas pelos personagens.
Relendo esse romance seis anos depois da primeira leitura, percebi que é bem inferior a outros livros do autor. Na minha opinião, isso se dá principalmente na forma como os pensamentos e sentimentos dos personagens são apresentados, numa mistura de discurso direto e indireto, até com uso de aspas que julgo desnecessário. Acho que a escolha por um ou outro discurso faria isso melhor.
Mas é um livro interessante, crítico, carregado de regionalidade e coloquialidade, e que me dá vontade de ler mais Jorge Amado.
A minha edição, de 1983, apesar de muito bonita, pela capa dura, com ilustrações, tem problemas de impressão, com palavras em que falta uma ou outra letra, prejudicando a leitura em alguns momentos.

site: https://www.instagram.com/p/Bvh971tAOZz/
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Deghety 08/03/2019

Terras do Sem-fim
Terras do Sem-Fim
Jorge Amado
Brasil
Círculo do Livro
1972
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Terras do Sem-Fim conta a história de luta e poder no interior da Bahia no início do século passado.
Coronel Horácio e os Badarós, Sinhô e Juca, rivais, encabeçam a disputa pela hegemonia no cultivo de cacau.
A história é extraordinária , lembra O Poderoso Chefão em seus tramas, vinganças, manobras políticas e legais. Em meio à esse fuzuê dos poderosos, pessoas comuns vão tentar a vida nessa rica terra , cheias de sonhos e, quase todas, acabam-se corrompendo pelo ambiente hostil, tanto por partes dos homens, como da própria natureza.
Jorge Amado é espetacular nas descrições, até mesmo em poucas linhas é o suficiente para entendemos as personalidades, os conflitos pessoais e os sonhos do menor ao maior personagem da história. Quanto à isso, destaco a parte onde os trabalhadores têm de enfrentar pela primeira vez a mata virgem e gigantesca, é de fazer inveja a Edgar Alan Poe.

#desafioliterárioskoob2019
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Fabio Shiva 16/02/2019

Magistral!
Uma obra esplêndida! Certamente um dos melhores livros escritos por Jorge Amado, o que de cara coloca “Terras do Sem Fim” entre as mais preciosas joias da Literatura Brasileira!

O próprio Jorge declarou a respeito desta obra-prima:

"Nenhum outro dos meus livros é tão querido para mim como Terras do Sem Fim, nele também se encontram as minhas raízes... É a partir do sangue com o qual eu fui criado, que contém o tiroteio que ressoou durante a minha primeira infância."

Aqui o autor objetivou fundar uma distinta "literatura brasileira do cacau". A estrutura do romance é soberba! Não há protagonistas, mas núcleos de personagens que gravitam ao redor dos dois grandes adversários que disputam a posse da terra: os Badarós, de um lado, e o coronel Horácio do outro. Cada personagem contribui com seu próprio mundo simbólico na construção de uma trama magistral, que alcança lindamente a mais alta aspiração de um romance, que é “expressar a vida em sua totalidade”.

O escritor em mim ficou novamente maravilhado pela potência narrativa de Jorge, deleitando-se com ricos aprendizados sobre a arte da escrita, enquanto o leitor em mim se esbaldava com uma história que prendeu sua atenção do início ao fim, tal como o visgo do cacau.

Um dos finos “truques” narrativos que pude apreciar nesta obra é o recurso de criar no leitor a expectativa de um determinado desenlace, pelo acúmulo de sugestões em tensão progressiva, para então oferecer um final totalmente diferente e inesperado, contudo extremamente satisfatório, do ponto de vista dramático e poético. Jorge Amado é um dos raros autores que conta uma história tão pulsante que é como se ele estivesse narrando a própria vida.

Ao dar uma pesquisada na Internet, descobri que “Terras do Sem Fim” foi adaptada para uma novela televisiva da Rede Globo (https://youtu.be/6CrFbKX2le0), que foi ao ar entre 1981 e 1982. Isso explicou o porquê de eu achar tão familiares nomes como Juca Badaró e Don’Ana.

Salve Jorge! E salve nossa Literatura!

https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2019/02/terras-do-sem-fim-jorge-amado.html



site: https://www.facebook.com/sincronicidio
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Mario Miranda 02/12/2018

O Cacau como forma de Poder
Terras do Sem-Fim, sétimo romance publicado por Jorge Amado, definitivamente necessita de uma continuação, e Jorge Amado sabia disto, tanto que escreveu e publicou São Jorge de Ilhéus no ano seguinte.
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Terras do Sem-Fim é um livro que tem começo em Cacau, com a visão do homem-comum da lavoura cacaueira, passando pelo homem-herói Jubiabá, culminando com a visão da alta sociedade do Cacau, finalmente em Terras do Sem-Fim. É um livro que aborda as disputas e construções da aristocracia da região de Ilhéus, com base em crimes, subterfúgios, assassinatos, emboscadas e demais sortilégios. Centrado nas brigas envolvendo a família de Juca Badaró e Horácio, e como os órgãos legalmente constituídos trabalham - não para conter! - por amplificar estas disputas. Terras do Sem-Fim representa uma versão nossa de uma briga entre Montecchios e Capuletos - sem espaço para Romantismos - ou nas desavenças das famílias mafiosas apresentado em "O Poderoso Chefão".
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Terras do Sem-Fim é um ponto de inflexão na obra de Amado, não por destoar da sua visão crítica da alta-sociedade cacaueira, mas por pela primeira vez a obra centrar na visão dos homens ricos - as duas famílias - e não exatamente do homem oprimido. Não que ele não aborde a opressão e a miséria, mas os personagens principais são constituídos por aqueles que se tornarão os próximos "senhores de engenho".
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Talvez por sua influência marxista, Jorge Amado sempre trata determinados objetos como Fetiches, como se fossem objetos-animados que influenciam de certa maneira as atitudes humanas, e não o homem dando um significado ao objeto: em "Cacau", o próprio Cacau o é; em "Suor", sem dúvida o cortiço; finalmente, em"Terras do Sem-Fim", novamente o Cacau e a Terra. Amado sempre trata o fruto como se ele impregnasse nos pés do agricultor, impedindo-o de ir embora dali (exceção feita ao Cearense que, no início da obra, imigra de navio para a região).
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O livro, por diversas vezes, fica muito circular nos preparativos para a disputa entre as famílias, deixando pouco espaço para o desenvolvimento da obra - a briga em si -. Quando, finalmente, inicia a disputa final pelas terras, parece-me que Amado dispunha de pouco espaço - ou tempo! - para melhor desenvolver a história.

site: https://www.instagram.com/marioacmiranda/
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Fimbrethil Call 21/08/2018

Gostei!
Impressionante, como Jorge Amado diz, é impressionante a crueldade daquelas terras do cacau.
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Kymhy 31/03/2018

Terras do Sem Fim - Jorge Amado
Sabe aquele chocolate gostoso que você consome todos os dias? Acredite, ele vem com resquícios de sangue. Veja como produtores de cacau são capazes de tudo para lucrar nessa mina de ouro deliciosa.

site: https://gatoletrado.com.br/site/resenha-terras-do-sem-fim-jorge-amado/
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Nélio 26/11/2017

Mais um ótimo livro deste autor que tive o prazer de descobrir só neste ano. Já separei uns tantos dele para o próximo!
Senti uma diferença eu relação aos outros que li: não vai no início dos capítulos algo como uma “apresentação” do que viria a frente. Aqui Jorge já vai narrando de cara. E isso deu um quê de “o que vai acontecer agora?”... Uma narrativa mais dinâmica do que em outros livros. Fui lendo e ficando curioso ao que viria. Muito bom, mesmo! Não que nos outros isso tenha sido problema, mas, aqui, por ser uma narrativa mais de ação e luta, ficou perfeito!
Ação, emoção, mortes, lutas, história dos coronéis brasileiros que desbravam matas e matas para plantar cacau.
E que narrativa forte e de qualidade! Eis um trechinho:
“E a angústia aumenta, ele veste a roupa quase correndo, sente uma necessidade de deixar que a chuva caia sobre ele sobre sua cabeça ardente, lave suas mãos sujas de sangue, lave seu coração manchado. Se esquece de descer em passos cuidadosos para não acordar as empregadas. E sai pelo quintal, no leito da estrada de ferro arranca o chapéu e deixa que a chuva escorra sobre o seu rosto, como se fossem as lágrimas que ele não chorou.”
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Letícia 08/03/2017

Dinheiro ou Felicidade?
"... a melhor terra do mundo para o plantio do cacau, aquela terra adubada com sangue." Na obra Terras do Sem Fim, de Jorge Amado, narra-se a disputa de terras para produção cacaueira, disputas estas que ocorriam na Justiça, na política e, principalmente, nas armas.
A história ocorre no início do século XX, na chamada República Velha, onde o clientelismo, fraudes eleitorais, votos de cabresto e o intenso poder dos coronéis eram a realidade da população sertaneja baiana. O ciclo do cacau alcançava o auge.
O lirismo poético que o autor utiliza para descrever o cenário, a situação política, social e econômica de Ilhéus e Itabuna transporta o leitor ao passado, fazendo com que sinta também em seus pés o visgo mole do cacau, prendendo-o aquela terra. Com uma linguagem simples e descritiva, Jorge Amado denuncia a situação social daqueles que são subjugados aos coronéis: a violência, injustiça e exploração do trabalhador.
No início do livro conta-se a história de vários trabalhadores que vão a Ilhéus atraídos pelo dinheiro fácil, deixando para trás toda uma vida. Partem com a esperança de vida nova, são guiados pela ambição. Isso ocorreu, ocorre e continuará ocorrendo, mas permanece a reflexão: o que de fato se busca, felicidade ou dinheiro? Será que o dinheiro trás felicidade?
Achei o livro excelente. Possui uma história interessante, com contexto histórico, questões filosóficas e sociológicas. Não se limita à disputa de Horácio e os Badarós pelas terras de Sequeiro Grande, mas também conta o caso de amor entre Ester e Virgílio, descreve a população de Ilhéus, os coronéis, as prostitutas, as fofoqueiras e os trabalhadores, suas histórias e ambições. Indicado a todos!
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Quel Ratajczyk 19/04/2016

Nada de clichês
No começo demorei a entrar na realidade do livro, pelo fato de ser narrado de vários pontos de vista, exemplo: uma hora você é o peão pago para assassinar, e logo você é o alvo. Depois de certa altura do livro, essas trocas são de grande ajuda, você está ciente do que acontece nos dois lados da briga.
Um outro ponto positivo do livro é a reflexão pessoal que cada personagem faz, desse modo tem sempre uma característica marcante dele que te chama atenção ou um fato inacabado que te faz esperar que logo venha outro capitulo com a visão do mesmo. A característica do livro de não apresentar a temática clichê que sempre vejo, onde há um casal apaixonado separado por causa da disputa, também soma pontos favoráveis.
O livro apresenta um palavreado de época que ajuda a assimilar a cultura e notar as diferenças entre o modo de se comunicar de antigamente com o nosso atual.
Mesmo que o livro tenha sido escrito em 1942, encontrei elementos que lembram os dias atuais, como o fato de que em Ilheus e em Tabocas tudo estar dividido entre os leais a um fazendeiro ou a outro, isso é atual, ainda há quem pense que não existe um meio termo. A politicagem no livro segue influencias e hoje ainda é assim, infelizmente.
No geral, é um bom livro para ler, e como toda literatura (principalmente a brasileira) a base é insistir um pouco, até que você se sinta um personagem do livro e esteja envolvido com a trama, a partir daí, largar o livro é um desafio. Portanto, recomendo-o.
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Mirzão 10/02/2016

Terras do sem-fim: uma literatura brasileira de excelência
Esta obra-prima (Terras do sem-fim 1943) – de Jorge Amado, um grande escritor baiano, que tem sido traduzido em vários idiomas – tem como tema a exploração do latifúndio do cacau em Ilhéus – Bahia. Por isso, Jorge Amado visou registrar uma sociedade violenta; construiu personagens “aventureiros e gananciosos”. Dessa forma, o enredo, amiúde, nesse lugar, apresenta ao leitor traições, batalhas, mortes... A lei existia lá?
Sim ela existia, no entanto, estava em beneficio do mais forte financeiramente. Outro ponto de observação é que o Brasil, na época, passava por “alterações” políticas e econômicas, principalmente, por influências estrangeiras.
A narrativa, que, no mínimo, é de um lirismo admirável; apresenta, devido à ganância quão desumanizada, a grande maioria das pessoas tem estado. Levando em consideração tal assertiva, isso fica comprovado conforme a história progride sobre a questão do meio ambiente – em prol do progresso, ou em prol da liberdade para um suposto progresso.
Amado soube fazer uma narratividade de excelência, pois o uso dos incisos, as escolhas da ordem discursiva, o narrador (que sabe intervir) quanto os personagens (e o grau linguístico destes) estão bem coesos e coerentes com cada situação/contexto, devidamente abordados. Só mesmo um mestre da escrita sabe fazer isso muito bem.
As personagens têm inúmeros predicativos. Ester (educada); Horácio (calculista determinado); Dr. Virgílio (letrado); Dona Ana (valente); S. Badaró (cuidadoso); Margot (prostituta)...
Foi a primeira vez que li Jorge Amado, logo, posso afirmar que me arrependo de não ter o lido antes (Vou ler, indubitavelmente, outras obras dele). Um escritor da Casa, isto, brasileiro; que fala do seu povo, do seu país. Infelizmente percebo a literatura de J. Amado sendo mais prestigiada lá fora do que dentro do seu país. É isso né. Viva SÓ a literatura dos gringos! KKK... , pois a literatura brasileira é “chata”. Claro que não, tal pensamento, acerca da nossa literatura, não pode ser de um verdadeiro leitor.
O texto do escritor baiano foi construído para ser apreciado, analisado, refletido cuidadosamente, devido à grande narrativa que possui. Não é como certa “literatura-pipoca”, (ou qualquer outro nome do mesmo teor semântico) que tem aos montes por aí. Limitar-se tão-só a esse último tipo de leitura, creio que não seja bom.
Diante tudo, é preciso amadurecimento literário, saber da importância da contextualização histórica para “ler” um texto de J. Amado. Caso contrário, pode ser que a leitura não seja, por assim dizer, interessante, pois não é uma leitura “mastigável” com outras. Porém é recomendadíssima!
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Túlio 08/12/2015

Um agradecimento a esse magnífico autor
Terras do Sem Fim é o primeiro livro do autor que marca os seus romances do "ciclo do cacau". A história, como sempre, é cativante, prende o leitor desde suas primeiras páginas. Outro ponto forte são as personagens; marcantes, inesquecíveis e bem desenvolvidas.
O enredo, em si, trata-se das disputas pelas terras de Sequeira Grande entre os latifundiários da região: de um lado, o poderoso Coronel Horácio; do outro, os irmãos Badaró. Na trama, são apresentados outros personagens, como o esperto Capitão João Magalhães, a doce Ester e o ganancioso Virgílio.
Munido de críticas sociais, representadas por personagens sofridos e miseráveis, Jorge Amado consegue denunciar o tão aclamado "progresso" que ocorre nas terras do cacau. Progresso esse que ocorre, como o próprio autor afirma, graças à fértil terra cacaueira, "a terra adubada com sangue".
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Luhhh ^___^ 05/07/2015

Os grandes coronéis
Além de ser um romance bem escrito, nota-se a questão dos latifúndios comandados pelos poderosos coronéis os quais controlavam os jornais e a política na região. O que não mudou muito =P

"E o rico de hoje poderia ser o pobre de amanhã se um mais rico, junto com um advogado, fizesse um "caxixe" bem feito e tomasse sua terra. E todos os vivos de hoje poderiam amanhã estar mortos na rua, com uma bala no peito. Por cima da justiça, do juiz e do promotor, do júri de cidadãos, estava a lei do gatilho, última instância da justiça em ilhéus".

Ainda há lugares no Brasil que a liderança à bala, infelizmente, predomina.
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