Barba Ensopada de Sangue

Barba Ensopada de Sangue Daniel Galera




Resenhas - Barba ensopada de sangue


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Wilson 22/03/2013

Grande candidato a clássico!!!
Impossível não se apegar aos personagens do “Barba Ensopada de Sangue”, Daniel Galera constrói com facilidade uma narrativa envolvente com diálogos concretos e introspectivos dando completa autonomia aos personagens. Transcende a barreira existente entre a ficção e a realidade, em determinado momento a impressão que se tem é de estar lendo uma biografia. Um romance que beira o suspense envolvendo todos os moradores da pequena cidade litorânea de Garopaba, suas historias e tradições. O dia-a-dia de um professor de educação física, a morte de seu avô sem um apuramento lógico dos fatos pelas autoridades locais ocorridas em sessenta e sete, fazem com que ele comece a remontar os fatos como um quebra-cabeça, ao mesmo tempo tem que lidar com suicídio recente do pai, a cadela “Beta” deixada por ele, e seus relacionamentos efêmeros, mas intensos. Uma historia de tradição, dividas a serem pagas e promessas cumpridas. Parabéns a editora Companhia das Letras pelo excelente trabalho, e por sempre manter o compromisso com uma literatura de qualidade.
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Guilherme 20/03/2013

BARBA ENSOPADA DE SANGUE.

Ele se encontra pela ultima vez com seu pai, e o que acaba descobrindo então muda completamente sua vida. Um professor de Educação Física que não consegue se lembrar do rosto das pessoas ganha como herança uma cachorra de quinze anos e o mistério por detrás da morte do seu avô, que fará com que ele deixe sua vida confortável em Porto Alegre e se mude para Garopaba, uma cidadezinha no litoral de Santa Catarina, onde todos os habitantes fazem questão de não querer lembrar um assassinato e a menor referência ao assunto desperta a indiferença e a frieza dos mesmos.

O escritor conseguiu realizar a façanha de colocar em prosa uma história muito bem planejada e que nos deixa famintos por saber o seu desfecho.

Narrado em terceira pessoa e com uma linguagem simples, este é o tipo de livro que nos surpreende, pois jamais imaginamos a qualidade que ele possui antes de lermos as primeiras páginas.
Michele 23/03/2013minha estante
... Ficou muito boa Gui... vou ler mais tarde...




Paula 15/03/2013

Barba ensopada de sangue, do jovem escritor Daniel Galera, possui um protagonista sem nome e sem rosto que decide desvendar o mistério que cerca a morte/desaparecimento do avô, ocorrida em Garopaba, litoral de Santa Catarina, no mesmo momento em que vive uma relação conturbada com outros membros da família.

As mais de 400 páginas podem assustar o leitor, mas a leitura é bem ágil e envolvente, mesmo havendo passagens muito descritivas. Talvez intencionais pelo fato do protagonista sofrer de uma doença neurológica rara, que não permite memorizar os rostos das pessoas nem o seu próprio rosto. Com isso, desenvolveu uma técnica: tentar guardar todos os detalhes físicos que compõem a pessoa. Se a quantidade de páginas pode intimidar, a capa instiga o leitor, com esse título tão forte.

Após muitas paisagens paradisíacas, peripécias e reflexões, nosso protagonista descobre o que de fato aconteceu com seu avô. Toda essa busca deixa clara a necessidade que ele tem de se autoconhecer e conhecer seu passado. Possivelmente seja o motivo para que ele não tenha identidade, construída ao longo do romance resgatando características do pai e do próprio avô. Podendo ser uma metáfora à intertextualidade, em que um texto sofre influência de outro.

Romance supercomentado em 2012, e continua sendo este ano, e aclamado pela crítica, leitura mais do que recomendada. Agora é só aguardar pela adaptação para o cinema.
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mura 21/02/2013

Esse livro foi, para mim, uma surpresa. Gostei do título e comecei a leitura sem muitas pretensões. Com o passar da história não conseguia mais deixara a leitura. Um texto envolvente e bons personagens compõem um bom suspense. E o melhor pelos arredores de um dos lugares mais belos do Brasil, Garopaba, em Santa catarina. Vale a leitura.
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Sérgio 15/02/2013

Uma jornada de busca por mais de uma verdade
Gênero: Romance
Ano de lançamento: 2012
Ano desta edição: 2012
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 426
Idioma: Português

Citação: "Tu não leu aquele conto do Borges que eu mencionei antes né.
Não.
'O Sul'.
Não, não li nada do Borges.
Claro, tu não lê porra nenhuma.
Pai. A pistola.
Bueno.
O pai abre a garrafa de conhaque, enche uma pequena taça de vidro, bebe tudo de uma vez. Não oferece ao filho. Pega a pistola e a analisa por um instante. Aciona o mecanismo que libera o pente para fora do cabo e o recoloca em seguida, como se apenas quisesse mostrar que a arma está descarregada. Uma única gota de suor escorre por sua têmpora chamando a atenção para o fato de que ele já não transpira por todo o corpo. Um minuto antes, estava coberto de suor. Prende a pistola na cintura da calça e o encara.
Eu vou me matar amanhã."



Eu fiquei tremendamente interessado em "Barba Ensopada de Sangue" ao ler o primeiro capítulo do livro (disponível para leitura no site da Cia das Letras, e de onde saiu a citação desta resenha) e fiquei tremendamente interessado. Não conhecia Daniel Galera, e agora ele é o autor de um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Simples assim. Por vários motivos.

Daniel Galera escreve muito bem. Tem sacadas ótimas em momentos inesperados ("Giram as tampinhas de suas long necks, o gás escapa dos gargalos com interjeições de desdém, brindam a nada específico"), e por isso mesmo não é óbvio. Seu romance começa com uma história intrigante, antes mesmo da história: um prefácio dá a entender que parte da história é baseado em um parente do escritor. A partir daí, começa o verdadeiro mistério, com o pai chamando o filho mais novo para uma conversa, contando da morte misteriosa do pai, um gauchão tradicional da fronteira, que foi morar no litoral catarinense, em Garopaba. O pai pede ao filho para sacrificar sua cadela de estimação, Beta, pois já não tem mais tesão de viver, e não quer que a bichinha definhe até a morte, depressiva. O filho, cujo nome nunca é revelado, contraria o último pedido do pai, larga sua vida em Porto Alegre, e parte para Garopaba, para investigar a morte misteriosa do avô.

Tem tanta coisa para comentar, só nesse parágrafo. Galera não dá nome ao protagonista (que é um professor de natação, e por isso ganha vários apelidos ao longo do livro: nadador, professor), e isso acaba, a meu ver, facilitando uma identificação com ele, já que não há uma identidade definida para o personagem. Além disso, Galera omite o pronome "ele" na maioria das frases, tornando a leitura agradável, não infantil ou repetitiva ("Dá as costas ao oceano e enxerga a praia. Nadou mais longe do que havia calculado. Vê a fileira dos galpões dos pescadores encarando as ondas com suas frentes de madeira cinzenta ou pintada em tons suaves"); ele sabe bem o que faz, torna a leitura ágil e mostra que não é um escritor enfadonho (pelo menos não nesse aspecto). Parece pouco, mas faz toda a diferença. O professor também tem uma doença neurológica que interfere no relacionamento com as pessoas, e acaba sendo um ótimo pretexto para Galera exercitar sua verborragia descritiva, tanto no que tange a pessoas, quanto a lugares; em alguns momentos chega a ser enfadonho (como quando ele descreve a quermesse da cidade), mas nada é por acaso, e poucas páginas depois os motivos das longas descrições se revelam (nesse mesmo caso da quermesse, remetendo a um causo contado no primeiro capítulo). E, é claro, Beta, a pastor australiana que proporciona alguns dos momentos mais emocionantes do livro (os amantes de cachorro vão ficar com o coração na boca), e que tem papel importantíssimo na construção do personagem professor.

A história é linear, mas não necessariamente contínua; há saltos de dias, ou até mesmo semanas entre um capítulo e outro, o que torna a narrativa dinâmica; Galera resume em poucas linhas o que houve de relevante, e já apresenta novos aspectos da vida do professor em Garopaba: suas novas amizades, romances, e suas investigações sobre a morte do avô, apelidado de Gaudério, e que ele percebe ser um assunto proibido na cidade ("A mulher [...] quer saber quem ele é e por que está atrás de informações do avô. [...] Ela pergunta se ele anda fazendo perguntas a respeito do avô por aí e quando ele diz que sim, que perguntou para algumas pessoas, ela quer saber para quem."). Sem cacoete de investigador, e lidando com sua vida pessoal junto a seu interesse no avô, o professor segue sua investigação sem método muitas vezes sem investigar, simplesmente vivendo sua vida à beira da praia. E aí brilha novamente Galera. Em suas conversas despretensiosas, ele nos presenteia com diálogos espetaculares da vida cotidiana, nunca óbvios, sempre interessantes, mostrando que não somente Tarantino consegue construir diálogos relevantes (mesmo quando irrelevantes) e atraentes, desta maneira construindo personagens complexas, mesmo as secundárias. Todas as personagens são ricas e trazem verossimilhança suficiente para acreditar que são reais, com seus defeitos e qualidades, manias e atitudes. E é por meio dessas interações que conhecemos ainda mais o professor, em seus relacionamentos amorosos, a amizade com o budista porra louca Bonobo, e tantos outros pequenos encontros através do livro. Galera não utiliza travessão para indicar a fala das personagens, lembrando um pouco Saramago, mas seu texto é construído de forma clara e nunca há confusão quanto a quem está falando ali, se o narrador ou alguma das personagens. Galera também pincela referências pop aqui e ali (como um filme que "tem o Brad Pitt nascendo velho e morrendo criança"). Tais referências são colocadas naturalmente, nunca soam pedantes, mostrando a categoria de Galera e proporcionando uma localização temporal da história. Juntando tudo isso, os saltos de tempo, as pequenas histórias apresentadas a cada capítulo, o livro vira quase uma coletânea de pequenos contos, que vão se unindo, sendo costurados sutilmente por uma linha maior e mais complexa.

Os relacionamentos amorosos também são parte importante na história do professor, e um dos trechos mais marcantes do livro é quando Galera apresenta a melhor definição que eu já li sobre o que é estar apaixonado: "Fantasia que estão vivendo juntos e tiveram um filho e quanto mais debocha de si mesmo e tenta sufocar essas ideias mais sua mente as elabora e maior é o contraste entre as fantasias e as manhãs que acorda sozinho com o mesmo dia pela frente e com a rotina que normalmente aprecia assombrado minuto a minuto por uma sensação de impotência. Ele se sente doente". Sempre achei uma bobagem as mulheres na faculdade suspirando pelo Mr. Darcy de Jane Austen, mas confesso que me peguei torcendo bastante pelo relacionamento do professor e Jasmim, desde o início, por me identificar muito com ele.

O professor se perde de sua busca primordial, mas acaba sendo trazido de volta a ela, e o clímax da descoberta do que realmente aconteceu com seu avô é cheio de significado. E aí a grandeza da personagem da cadela Beta (que sofre demais nessa busca e, oh, de novo, eu assumo, como eu sofri por ela, junto com o professor!), que se mistura a tudo que foi vivenciado pelo protagonista e o humaniza, mostra sua fragilidade, e a revelação se dá, óbvia e ao mesmo tempo brilhante: a busca pela real história de seu avô não passa de um pretexto, e Galera nos brinda com uma maravilhosa história de busca interior, de crescimento, de descoberta própria. Ao chegar ao último capítulo, mais do professor é revelado, sua complexidade, e defeitos e qualidades, e olhando para o primeiro capítulo (ou, melhor ainda, para o prefácio que passa a fazer mais sentido), você vê toda a jornada que ele precisou percorrer para chegar onde está, para se tornar esse novo homem, ainda o mesmo, e mesmo assim completamente diferente, evoluído.

Eu poderia continuar escrevendo sobre este livro ainda mais, comentar mais a fundo outras personagens, as notas de rodapé providenciais que Galera introduz em momentos oportunos, os momentos hilários de fazer gargalhar algo... Mas acredito que, para tal, nada melhor do que a própria leitura do livro, para provocar a catarse, a identificação com a história, trazer um ano da vida de um completo estranho que luta para dar significado à sua vida, e acaba nos ajudando a dar significado às nossas próprias. Uma obra memorável, de um dos meus novos autores favoritos.

Leia esta e outras resenhas: http://catharsistogo.blogspot.com.br/2013/02/barba-ensopada-de-sangue-daniel-galera.html
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Lauren 15/02/2013

A propaganda que causa expectativa
Não foi, não é e não será a primeira vez que compro/leio um livro por ser amplamente divulgado e comentado.
O problema de seguir este impulso é daquilo que se desenvolve no encontro leitora (eu) e o livro.
Creio que o problema de não ter gostado tanto deste livro foi isso.
Expectativa imensa.
Já aconteceu de terminar a leitura e pensar: _ Poxa, mas era só isso?!
Não foi a sensação ao final de "Barba..", já que fiquei um tanto quanto presa ao enredo do livro. A vontade que fiquei foi de ler os outros livros, não tão divulgado pelo MKT agressivo da Cia das Letras.
O estilo de Galera é bastante interessante e provocativo em alguns momentos. A história que tenderia a ser algo pesado, duro. Torna-se uma janela em que se vê o desenrolar da vida do protagonista. Creio que não seja por acaso que as janelas e as imagens panorâmicas de Garopaba são fortemente repetidas.
De qualquer forma é um bom livro e demonstra que esta nova geração de autores brasileiros nos darão ótimos títulos. Ou quem sabe já nos deram e eu é que não estou sabendo...
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Alexandre Kovacs / Mundo de K 15/02/2013

Daniel Galera - Barba Ensopada de Sangue
Editora Companhia das Letras - 424 páginas - Lançamento 05/11/2012.

Daniel Galera confirma mais uma vez a sua habilidade na criação de personagens marcantes e diálogos perfeitos neste seu quarto e aguardado romance. Um jovem nadador e professor de educação física, decide, acompanhado da cadela Beta do falecido pai, se mudar para a supostamente pacata cidade de Garopaba, localizada no litoral de Santa Catarina. O nosso protagonista (sem nome) estabelece uma série de contatos, inclusive afetivos, com a população local, enquanto investiga a violenta e misteriosa morte do avô Gaudério que se tornou uma lenda no passado da cidade. É surpreendente como o paulista Daniel Galera consegue escrever com uma autenticidade regionalista que nos faz acreditar estar lendo em todos os momentos um autor gaúcho (como já fez tão bem antes em Mãos de Cavalo).

A natureza exuberante da região do litoral sulista e a relação da cidade com o mar são elementos que Galera utiliza com perfeição na narrativa deste romance e ainda um interessante recurso para caracterizar ainda mais o isolamento social e geográfico do seu protagonista; ele sofre de um raro distúrbio neurológico que não permite memorizar o rosto das pessoas, inclusive o próprio.

O leitor é conquistado logo de início pela sensibilidade e abandono do personagem que relembra passagens de sua vida em Porto Alegre. É bom destacar que, apesar do título, este não é um romance de violência, mas sim de encontros e desencontros, de amizade e amor, destino e livre-arbítrio, coisas tão banalizadas e esquecidas nesta época de facebook (como parte do seu desligamento da vida urbana, o protagonista cancela a sua conta da rede social em um dos bons momentos do livro). Enfim, o segredo é simples, Daniel Galera sabe escrever, coisa cada vez mais rara em nossa época digital.

A cadela Beta é inesquecível e certamente vai se juntar a outros cães famosos da literatura brasileira, como a Baleia de Graciliano Ramos em Vidas Secas.
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Caesar Quirino 12/02/2013

Breve comentário
Acabei de ler o livro Barba Ensopada de Sangue do Daniel Galera. Um livro atualíssimo e já um clássico! :)
Valeu a pena ter passado pelo primeiro capítulo, que possui uma narrativa densa e que pesa pelo excesso de detalhes, e megulhado nesse oceano turbulento que é a vida de seus personagens. Uma viagem!
Recomendo-o!
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Aline T.K.M. - @aline_tkm 10/02/2013

Buscando a si mesmo
O que esperar de um cara que busca se esconder um pouco do mundo enquanto, na verdade, embarca numa jornada para se encontrar? Um cara cujo nome é desconhecido do leitor e cujas feições mal e mal se é possível imaginar? Pois esperem muito. Com diálogos certeiros e descrições suficientemente detalhadas, Barba ensopada de sangue foge do convencional e alimenta o leitor a base de narrativa com sustância.

O protagonista conquista empatia ainda que não seja daqueles com os quais a identificação acontece de forma automática. Às vezes ela pode nem acontecer. Sua introspecção mostra muito mais do que se imagina e, apesar de ser bem “na dele”, não se deixa acuar. É do tipo teimoso, mas percebe-se que carrega um coração puro, ainda que conturbado pelas questões familiares e pelo insucesso no amor.

A desordem incomum da qual sofre, chamada prosopagnosia (ou incapacidade de reconhecimento facial), é mais um fator que estimula a solidão do personagem, seu sentimento de não pertencimento, além da questão da identidade que permeia enredo e protagonista. Funcionando muitas vezes como um grande motivador, a cachorra Beta rouba a cena inúmeras vezes, demonstrando a mesma determinação e flexibilidade que o dono. Logo se percebe que são complementares e, se permanecem juntos, não é por mera obra do acaso.

Barba ensopada de sangue embarca nas profundezas do protagonista, revelando uma viagem sem volta. Da mesma forma que, para o âmago do protagonista, tal jornada é empreendida em uma via de mão única.

LEIA PORQUE... A obviedade passa longe das páginas. Prova disso é o hilário Bonobo, personagem budista que parece tudo, menos budista.

DA EXPERIÊNCIA... É certamente uma leitura que não passará despercebida. As particularidades vão além do enredo e dos personagens. Quanto ao texto, os diálogos não são “anunciados” por travessão, aspas ou o que quer que seja. Característica, por sinal, também presente no Marçal Aquino do espetacular Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. As notas de rodapé contêm passagens que bem poderiam ser inseridas na própria narrativa. Tais singularidades, no entanto, não prejudicam o ritmo da leitura.

FEZ PENSAR EM... O papel da solidão e como ela é muitas vezes necessária. O protagonista como a serpente trocando de pele, renovando-se; os pedaços de si deixados para trás como o preço que se paga para compreender melhor o “eu”.
(E foi inevitável pensar em como mergulhos em alto-mar me causam aflição. Não é trauma nem nada, apenas aflição injustificada.)


LEIA MAIS EM: LivroLab.blogspot.com
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Tatiane Buendía Mantovani 07/02/2013

Este livro me fez querer querer ter uma barba...
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CooltureNews 03/02/2013

Publicada em www.CooltureNews.com.br
Essa foi uma leitura que posso definir em 2 palavras, intensa e envolvente. O que logo de cara me chamou a atenção para o livro foi a capa e os comentários otimistas que encontrei na internet (e aqui no Coolture News, essa é a segunda obra do autor resenhada pelo site) sobre a escrita do autor, a partir deste ponto só tinha uma convicção, que teria que ler o livro antes que o ano de 2012 terminasse, e consegui terminar somente no dia 31.

Com uma narrativa extremamente rica em detalhes, aonde em alguns momentos chega até a cansar esse leitor que é a favor e fã desse tipo de escrita, Galera nos leva através de um cenário desconhecido para muitas pessoas desprivilegiadas que, assim como eu, não tiveram a oportunidade de conhecer o Sul do país, e nos conta a história de um personagem de nome desconhecido. Um professor de educação física que possui uma rara doença e não consegue memorizar os rostos, inclusive o seu. Ao saber desse detalhe através da sinopse, cheguei a acreditar que essa doença iria ditar todo o ritmo da leitura, mas não foi o que houve.

Logo no inicio do livro temos a oportunidade de participar como ouvinte de um dos melhores diálogos que já vi nesses anos de leitura, nosso personagem principal em uma conversa com seu pai acaba descobrindo um pouco mais sobre o passado de sua família e quando essa narrativa chega ao fim seu pai o informa que pretende de matar no dia seguinte, simplesmente porque cansou de viver. Após esse fato se concretizar, o personagem – É muito difícil se referir a alguém sem dizer seu nome, nesse momento me sinto um pouco do que o personagem sente ao se deparar com um conhecido e simplesmente não saber quem é – resolve mudar de vida e parte para Garopaba, cidade onde seu avó foi visto pela última vez e acabou sendo misteriosamente assassinado.

E é neste cenário que a trama se passa, onde o personagem resolve reconstruir sua vida e investigar a morte de seu avô, ou era isso que ele esperava até começar a fazer perguntas sobre o misterioso assassinato. Neste ponto, grande parte da população começa a olha-lo como uma ameaça, principalmente quando resolve deixar a barba crescer se tornando assim muito mais parecido com seu avô. Neste meio tempo, temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o personagem e suas motivações, mesmo que o autor relute em contar sobre seu passado de forma mais direta, alguns detalhes simplesmente passamos a conhecer, assim como acontece com alguém que você conhece há poucos anos na vida real.

O que posso dizer do livro é justamente isso, esse foi um dos livros mais reais que tive a oportunidade de ler em minha vida, desde as características dos personagens, como suas motivações, defeitos e casos amorosos. Tudo isso com uma linguagem fácil, mesmo usando e abusando das gírias do sul do país, e moderna posso dizer que essa é uma obra completa. Leitura recomendada.
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Adolfo 01/02/2013

Barba Ensopada de Sangue
Depois de alguns anos mergulhado na literatura estrangeira, eis que em 2012 começo a ler algumas críticas sobre um tal de Daniel Galera e seu novo livro. Embalado pela crítica, resolvi ler o livro. Não comprei. Coloquei na lista de presentes dos amigos secretos da vida e acabei ganhando. Afirmo aqui que sim, Daniel Galera é um dos grandes nomes da literatura nacional atual. Embora não tenha lido os outros romances do autor, "Barba ensopada de Sangue" é um ótimo motivo para se afirmar isso. O livro é bem denso, mas de uma narrativa incrivelmente leve. É basicamente a narrativa do dia-a-dia de um homem que gosta de ser "só". Somos mergulhados profundamente no personagem. Há momentos em que é possível sentir sua angústia, seus medos, etc. E somos levados a refletir sobre algumas coisas também. Sutilmente Galera nos sai com frases do tipo "Sei que não existe escolha, e que mesmo assim a gente precisa viver como se existisse." e tantas outras que nos fazem refletir. Há momentos cômicos também, com um fusca caindo aos pedaços e amigos pirados. Chamo a atenção aqui pra três ponto que achei formidáveis: em nenhum momento do livro conhecemos o nome do personagem principal, e o livro começa e "termina" com diálogos extraordinários. É uma obra marcante. E por que não levar cinco estrelas? Explico. O penúltimo capítulo do livro é bem mais denso que os demais, com a narrativa perdendo toda a sua leveza. Chega a ser confuso mesmo. Talvez seja a forma do autor nos passar o momento vivido pelo nosso personagem sem nome, que de fato é um momento de pura turbulência mental, mas poderia ter sido de maneira mais leve. Enfim, a obra é muito boa. Vale à pena ler.
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Leonardo 30/01/2013

Narrativa firme, diálogos primorosos, um grande autor
Disponível em http://catalisecritica.wordpress.com/

Procuro sempre conhecer os novos autores brasileiros que têm mostrado que a nossa literatura está em boas mãos. Às vezes me decepciono, outras vezes, tenho grandes surpresas e identifico imediatamente nas primeiras páginas do livro que estou lendo um grande autor. Como estou sempre acompanhando blogs sobre literatura, ouvi muito falar de Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera. Vi que foi destaque em 2012, figurando em diversas listas de melhores do ano, mas não fui atrás do enredo, nem da biografia do autor. Tinha muitos livros na minha lista (como sempre). Umas duas semanas atrás deixei meu filho divertindo-se na seção infantil da livraria e, como de hábito, fui vasculhar as estantes de literatura. Como eu teria um tempo razoável até o retorno da minha esposa, decidi escolher um livro para começar a ler. Caso ele me fisgasse, eu o compraria. Encontrei de imediato o livro de Daniel Galera e sentei-me confortavelmente para iniciar a leitura.
As expectativas a respeito do livro provinham apenas de duas fontes: os rasgados elogios já citados aqui, que me fizeram esperar um romance de qualidade, e o título, que me levaram a imaginar o tema e o estilo narrativo. Barba ensopada de sangue. Violência, narrativa ultramoderna, ágil, inovadora. Instintivamente, meu cérebro associou o livro a O Único Final Feliz Para Uma História De Amor É Um Acidente, de J. P. Cuenca, um livro curto, ligeiro, ousado.
Eu não poderia estar mais certo em relação ao primeiro aspecto e mais errado em relação ao segundo. Nas primeiras páginas já pude ter certeza de que Daniel Galera se trata de um escritor maiúsculo. À medida que fui avançando, todavia, percebi que não havia nada de ultramoderno ou de urgente na narrativa de Galera. Paciência, cuidado, exatidão talvez sejam palavras que se enquadrem melhor no que fui lendo. Decepção? Nada!!!
Barba ensopada de sangue é daqueles livros que vão conquistando você sem precisar gritar, sem precisar fazer alarde. A sensação de realismo evocada pelo livro é impressionante. É como se o livro fosse quase um documentário, um relato biográfico. Eu digo quase porque é justamente esse quase que faz toda a diferença. Um professor de educação física que padece de uma condição neurológica peculiar – ele não consegue guardar rostos – muda-se para uma pequena cidade onde, muitos anos atrás, seu avô teria sido brutalmente assassinado. Ele quer recomeçar sua vida, mas também está curioso para descobrir o que realmente teria acontecido. Tendo herdado de forma inusitada uma cadela após o suicídio de seu pai, ele aprendeu que é necessário prestar muita atenção aos detalhes, e isso é refletido no modo como Daniel Galera conta a sua história. O cuidado vai desde a forma como descreve um fusca caindo aos pedaços até o preciosismo na hora de narrar os mais corriqueiros hábitos do protagonista, que jamais recebe um nome. Assim, tornamo-nos íntimos dele. Sabemos o que costuma comer quando chega em casa à noite, como consegue se concentrar para correr, quais são os defeitos que seus alunos de natação mostram na hora que estão na piscina.
Barba ensopada de sangue tem 422 páginas, algo incomum no mercado brasileiro, onde impera o formato de romance curto, para ser lido de uma só vez. Mas não há enchimento de linguiça. É que Daniel Galera tem o que contar. E sabe contar. Fico embevecido com a habilidade e o domínio narrativo de Galera. Se destaquei o primor nas descrições, nos detalhes, talvez o maior mérito do livro sejam mesmo os diálogos. São vivos, ricos, duros, reais e literários ao mesmo tempo:
Sei quem é, diz o Bonobo. Uma negra com voz de cantora. Ela tava num luau que fizeram ali na Ferrugem um mês atrás. Achei ela meio fechada. Não foi muito com a minha cara. Chegou e foi embora sozinha. De moto. Vi ela no máximo umas três vezes por aí, não deve se misturar muito. Mas é uma rainha. Engraçado tu perguntar dela porque me passou pela cabeça que vocês dois tinham a ver. Ela me faz pensar em ti.
Ela me faz pensar em mim também.
Vou fingir que não ouvi isso.
Desculpa.
Tá amando, nadador?
Talvez.
Pobre homem. Estarei aqui quando precisar.

Falando um pouco do enredo, o nadador descobre ao chegar a Garopaba que ninguém quer falar sobre o assunto da morte de seu avô, com quem ele próprio tem uma incrível semelhança, que aumenta assustadoramente quando ele resolve deixar crescer sua barba.
Depois de algumas tentativas frustradas de desencavar fatos antigos, ele acaba deixando seu avô um pouco de lado e tenta tocar a sua vida. Conhece uma moça, de quem começa a gostar, Bonobo, um improvável budista, com quem inicia uma amizade, e vai vivendo. Enquanto vai recapitulando os acontecimentos que marcaram sua vida, o encontro com a história de seu avô parece inevitável, e aos poucos vamos descobrindo o porquê do título do livro.
Barba ensopada de sangue é um exemplar de altíssima qualidade e que mostra como há bons escritores no Brasil. Não perderei a oportunidade de ler o que Daniel Galera já disse com seus livros já publicados e ainda tem a dizer.
Minha Avaliação:
4 estrelas em 5.
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gleicepcouto 26/01/2013

A natureza humana narrada em um simplicidade desconcertante
http://murmuriospessoais.com/?p=5763

***
Barba Ensopada de Sangue (Cia das Letras) é o quarto romance de Daniel Galera, escritor e tradutor literário brasileiro. Ele foi um dos precursores do uso da internet para a literatura, editando e publicando textos em portais e fanzines eletrônicos entre 1997 e 2001. Já traduziu 13 livros, predominantemente das novas gerações de autores ingleses e norte-americanos; e participou em algumas antologias de contos. Seu penúltimo livro, Cordilheira, ganhou o Prêmio Machado de Assis de Romance, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional em 2008, além do 3° lugar do Prêmio Jabuti.

Nesse lançamento, Galera narra a história de um professor de educação física que, após a morte do pai, vai para um balneário em Santa Catarina. Ele vai em busca de respostas para a morte sem explicação de seu avô que lá morava. Como companhia, leva a cadela do falecido pai, a Beta – que, ele prometeu sacrificar. Aos poucos, o professor vai se relacionando com a comunidade local, mesmo com um pouco de dificuldade – já que tem uma condição neurológica congênita que o obriga a interagir com as outras pessoas de um modo peculiar. Gradativamente, ele vai não só descobrindo as respostas para a morte de seu avô, mas também as para a sua própria vida.

"Não tem nada mais ridículo do que uma pessoa tentando convencer a outra. Trabalhei com persuasão minha vida toda, a persuasão é o maior câncer do comportamento humano. Ninguém nunca devia ser convencido de nada. As pessoas sabem o que querem e sabem do que precisam. Sei disso porque sempre fui especialista em persuadir e inventar necessidades."

Ah, quisera eu ter lido algo do Daniel Galera antes. Já conhecia o autor de nome, claro, mas ainda não tinha tido a oportunidade de ler um livro dele. Sinto como se tivesse perdido um tempo precioso navegando por uma literatura nacional oca e desprovida de vida; enquanto que o talento estava a apenas alguns centímetros de minhas mãos. Mas tudo bem, o importante é que me deparei com o autor. Antes tarde do que nunca.

A narrativa de Galera é marcada pela espontaneidade, mas sem perder o foco. Ele sabe para onde está indo, mas é como se deixasse espaços para improvisos e mudanças na rota da história, para logo depois retornar ao caminho inicial. Basicamente, há frescor em seu texto. Vida. Vai além de uma história contada no papel.

E esse realismo da obra de Daniel vem pincelado com uma leve fantasia. Sempre paira uma dúvida no ar se um fato é realidade ou faz parte da imaginação do personagem, ou se, até mesmo, há algo de sobrenatural. Essa ambiguidade dá um clima de thriller à obra, que, no geral, é constituída de uma simplicidade desconcertante por conta das descrições sem excessos do cotidiano.

O ponto alvo é a forma sensível como a natureza humana é evidenciada. Galera expõe o lado complexo do ser humano com intensidade. Aqui vemos o seu melhor lado, através do amor, amizade, companheirismo; mas também o pior, com toda sua mesquinhez, brutalidade, ignorância. Como resultado, temos um livro intenso, que, como um reflexo de espelho, faz o leitor olhar para dentro e se autoanalisar.

Nem mesmo a ausência de indicação de diálogos (aspas ou travessões) faz com que o leitor se perca. Inicialmente, pode causar desconforto, mas não passa disso – até porque o conteúdo dos diálogos é de uma eloquência ímpar. Galera usa uma linguagem moderna e coloquial, abraçando gírias regionais. Ele faz isso com cautela, porém, não colocando em xeque o compreendimento do livro. Um outro recurso interessante utilizado pelo autor são as notas de roda-pé, que funcionam, pertinentemente, como uma espécie de complemento à história.

Os personagens são bem desenvolvidos, possuindo diversas nuances. O modo como interagem com o protagonista indica os vários tipos de relacionamentos que temos ao longo da vida. Seja com familiares, amigos, amores e até mesmo animais de estimação. Em todas essas vertentes, o autor consegue nos emocionar com a sensibilidade narrativa que impetrou na história. Aliás, só o fato de não ter nomeado o protagonista, assim como também a sua condição neurológica, podem apontar diversas coisas. Uma delas, a dificuldade do ser humano reconhecer a si próprio – sendo a imagem e o nome fatores não determinantes para que esse objetivo seja alcançado.

Barba Ensopada de Sangue, por fim, é uma trama, por demais, original. Repleta de tensão entre o interior e o exterior ao homem, Galera conseguiu unir assuntos introspectivos a entretenimento substancial. Como disse lá no início, decreto aqui o início do meu desbravamento de águas mais profundas e ricas na literatura nacional contemporânea. Daniel Galera foi a primeira “terra abastada” que descobri. Que venham outras.
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