Barba Ensopada de Sangue

Barba Ensopada de Sangue Daniel Galera




Resenhas - Barba ensopada de sangue


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selvia.ribeiro 26/01/2016

Uma viagem para Garopaba
Vi alguém do YouTube mencionando esse livro e logo de cara resolvi que iria lê-lo sem nem mesmo passar o olho sobre a sinopse ou ouvir qualquer coisa sobre o mesmo. A capa e o título me chamaram muito a atenção. Barba Ensopada de Sangue, um nome muito forte. Ensopada é uma palavra tão gostosa de falar que eu fiquei falando o título desse livro um monte de vezes. A capa também é super chamativa, parece que foi escrita com o dedo em cima de uma poça de sangue ou sobre um espelho embaçado. Se não me engano essa edição possui mais duas opções de capa no mesmo estilo apenas em cores diferentes, uma verde e uma azul.

Como já disse não li nada sobre o livro quando comecei a ler e cada página foi uma descoberta a mais até que fiquei muito envolvida na história.

Quando o protagonista é apresentado pela primeira vez ele esta tendo uma conversa meio complicada com o pai, e nessa conversa seu pai lhe conta uma história misteriosa sobre como seu avô teria morrido na cidade de Garopaba, no sul do país. Assim, depois da morte do pai, e querendo um pouco fugir das relações familiares difíceis, ele resolve ir para Garopaba, em Santa Catarina e lá empreende uma busca sobre a verdadeira história sobre a morte do avô em companhia de Beta, a cadela que era de seu pai. E é em cima desse mistério que o livro se desenvolve.
As descrições do autor durante o livro são deliciosas, ricas. É tão rica que Garopaba entrou na minha lista de lugares para visitar. Em determinados momentos a gente se sente realmente caminhando pela cidade, nadando no mar e conversando com os nativos. Esses detalhes foram o que para mim deixaram o livro mais gostoso. Parecia que eu realmente estava vivendo a vida do nadador. É muito realista.

Quando o protagonista se muda para Garopaba é o fim da temporada de verão, o que significa que a cidade já esta às moscas e a maioria dos comércios estão fechando ou para fechar. Ele detalhou perfeitamente a situação das cidades de veraneio quando não é verão, o lugar e os moradores meio que dependem do verão ficam quase em estado de hibernação, apenas esperando o verão voltar. Inclusive há um momento que uma das personagens comenta que os problemas psicológicos da região também respeitam essa sazonalidade, deixando as pessoas mais surtadas durante o inverno. Lembrando que como o autor fala, nesse tipo de região tudo que não é verão é inverno.

Nosso protagonista tem uma doença raríssima que o impede de memorizar fisionomias. Quando ele conhece uma pessoa, alguns minutos depois de virar as costas ele já não se lembra mais do rosto. Inclusive seu próprio rosto, que se não estiver olhando em um espelho ele não se reconhece.

Quando seu pai lhe contava a história sobre seu avô, o Gaudério, também mostrou a ele uma fotografia de quando este era jovem e isso o deixa mais impressionado ao se ver numa fotografia que não era dele, mas poderia ser se não tivesse sido tirada a muitos anos. Isso o deixa mais intrigado com a história da morte do velho Gaudério.

Outra coisa que talvez você se dê conta é que o nome do personagem principal nunca é mencionado. E confesso que fiquei completamente surpresa ao perceber isso. Como já disse só fui ler a sinopse do livro depois de já ter lido o livro e me surpreendi ao me dar conta que durante o livro todo seu nome nunca foi mencionado. Era sempre o professor, nadador, neto do Gaudério... Mas estava tão envolvida na história que não me dei conta disso até ler a sinopse (me julguem). Se você ler o livro também vai se apaixonar pela Beta, a cadela do nadador é tão protagonista quanto o próprio e seu papel é importante na história.

O livro não tem ação e aventura, então se você quer um livro sobre isso não é o livro certo. Vai haver alguns momentos de suspense psicológico. Os questionamentos que o personagem faz pela cidade sobre a morte do avô não agradam muito os moradores e todos ficam muito incomodados quando ele resolve se mudar para lá. Mesmo passando muito tempo da morte do avô Garopaba ainda tem receio de conversar sobre o assunto, por isso o protagonista quase sempre é rechaçado e ouve ameaças veladas quando o assunto é mencionado.

Em suma é um livro delicioso de se ler. A construção dos diálogos, as descrições, tudo deixa a história muito envolvente e você vai ler sem sentir. Gostei tanto da escrita do autor, que já estou procurando outros livros dele para leitura.

site: http://selviavanilla.wix.com/entregirassois
Júlia Raquel 22/08/2016minha estante
Acabei de descobrir esse livro e pirei por ele se passar na minha cidade maravilhosa, Garopaba. Eu adorei a sua resenha e pelo visto o autor soube capitar muito bem esse negócio de nós, moradores, dependermos totalmente do verão (eu, por exemplo, só trabalho na temporada). Venha visitar, pois essa cidade é linda. Novamente, adorei sua resenha e me deixou com mais vontade de ler a obra.


Rox 03/10/2017minha estante
Acabei de ler o livro e numa tentativa de não me despedir ainda dele vim ler as resenhas. A sua foi perfeita!!


Rox 03/10/2017minha estante
Acabei de ler o livro e numa tentativa de não me despedir ainda dele vim ler as resenhas. A sua foi perfeita!!


selvia.ribeiro 19/10/2017minha estante
Obrigada!




Celso 03/01/2013

Mais um livro chega as minhas mãos pelo Clube de Leitura da Companhia das Letras que acontece aqui no Conjunto Nacional. Para dizer a verdade, até então, não tinha nenhum interesse pela obra e foi só ser apresentada que percebi o monte de volumes na porta de várias livrarias e com chamadas de até de uma página em algumas revistas brasileiras.

Diante disso, parecia que a leitura seria das melhores, mas me decepcionei um pouco com o livro. Aliás, até agora fico pensando onde o autor gostaria de chegar ou se não poderia fazer tudo de uma forma menos longa.

Muita gente tem elogiado Barba Ensopada de Sangue, alguns têm apostado que se trata de um grande escritor nacional que vem se despontando, eu não duvido de nada disso, mas não encontrei um livro marcante. Sem dúvida, a forma como o autor desenvolve os diálogos e caracterização dos personagens seja o maior trunfo ao criar uma obra, diria, inovadora.

O livro conta a história de um rapaz com um problema neurológico: não consegue gravar a fisionomia das pessoas. Para isso, usa dos mais variados artifícios para lembrar das pessoas que gosta e da sua própria fisionomia. Diante do suicídio anunciado do pai, a perda do seu grande amor levado pelo próprio irmão e ao ter herdado uma cachorrinha que deveria ter sido morta – de acordo com a promessa feita em vida ao pai -, este sujeito parte para Garopada, interior de Santa Catarina, para fazer novos amigos e reconstruir sua história. Bem, pelo menos eu acho que era isso.

Como disse acima, a forma como autor apresenta alguns diálogos e não usa símbolos como de travessão, vírgula ou itálico para separar o que é fala e ação, parece ser inquietante. Por exemplo, alguns diálogos, entre vários personagens, são descritos em um só parágrafo em duas ou três páginas. Tentei descobrir um pouco da lógica do autor, mas não tive muito êxito.

Outro ponto que vale a pena destacar é a criação dos personagens que não deixa de ser rica e muito bem feita. Algumas discussões sobre a religião, a existência, o budismo e até mesmo sobre como viver em São Paulo, não deixam de deixar claro o talento do escritor.

Não sei se recomendo. Alguns o classificaram com um épico, bem!, acho que é por aí. Mas, não gostei muito. Senti um pouco irritado em muitas partes por não saber onde o autor estava querendo ir ou nos levar. Se era pela história do pai morto, do avô assassinado ou do amor perdido. Também, não consegui entender a “redenção” ou o “ganho” do personagem ao ler a última palavra. Porém, tem muita gente elogiando por ai e muita propaganda em jornal e revista.

Mais resenhas em: www.blogdocelsofaria.blogspot.com
Rosa Santana 27/08/2014minha estante
Uma voz a fazer coro com a minha. Tb não gostei. Não gosto de descrições tão detalhadas, a ponto de dizer ao leitor que picolé é gelado...
Galera outra vez? Tô fora!


Amanda 15/01/2019minha estante
Tbm não gostei. Achei as descrições exageradas e acabaram se tornando cansativas. Fora o fato que a história não leva a lugar nenhum. Apesar do excesso de detalhes parece a história principal se dividiu em vários assuntos como vc disse: a história do pai, da ex e do vô, fora umas discussões nada a ver. E no fim parece que não chegou a lugar algum.




Daniel 11/01/2013

Parece filme
Muito bom!!!

Prosa inovadora, bem escrita, lírica, verosímil.
Personagens bem caracterizados.
Interesse constante na narrativa, trama flui num crescente arrebatador.
Descrições detalhadas da paisagem e do cotidiano de uma cidadezinha como se o leitor estivesse de viagem ao litoral sul do Brasil. E cada descrição não cansa: descansa.
Abundância de cheiros, gostos, sons e sensações táteis.
Mergulhos no mar, caminhadas ao vento, sob sol, chuva e frio.
Reflexões aqui e ali sobre relações familiares, amores frustrados, amizade e o tal (ou a falta de) sentido da vida...



No final temos a impressão que não lemos o livro, mas vimos o filme. Dos bons, e em 3D.
Karla 12/05/2013minha estante
O livro é ótimo... e termina 'redondo'!! Terminei ler faz dois dias e curiosamente sinto falta da leitura!! As descrições são incríveis e fazem a gente se sentir na cena... o mesmo acontece com a 'descrição' dos sentimentos!! Adorei ter lido!!


Mariana 18/11/2014minha estante
Daniel, muito legal mesmo o livro. Acabei de ler, mas parece que o livro "continua" na cabeça.
Vi o pessoal reclamando pacas das descrições detalhadas, algo que realmente nem sempre é legal de se ler, mas concordo contigo: no caso de "Barba ensopada de sangue", as descrições não cansam, a meu ver porque criar o ambiente faz parte da história. Tanto em termos de cenário, quanto como construção da personalidade do protagonista.
Muito, muito bom!




Brunno 02/07/2017

Barba ensopada de sangue
Os letrados vão dizer: "é um livro ganhador do prêmio jabuti. Não é pra qualquer pessoa ler etc." Pura besteira, o livro é ruim mesmo. Mais de quatrocentas páginas que leva o leitor à exaustão. Mas "H", e a história? A ideia original do autor não é nada inédita. Um homen vai atrás de seu avô, na procura de saber do seu desaparecimento; mas sabe aquela história que o autor poderia ter contado em 100 páginas e o livro seria um espetáculo, então é esse.
Não vou me ater a resenha, tem várias já aqui. Mas fica meu registro. O tempo é algo preciso, por isso dou ao leitor apenas dez páginas para ele me prender, do contrário o abandono.
Caique 14/01/2018minha estante
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Beatriz 17/05/2019minha estante
Acho que você não entendeu bem...




Edson 26/01/2017

Galera sabe escrever. Sabe construir personagens e sabe construir cenários, mas poderia ser menos prolixo. Há infindáveis descrições sobre coisas irrelevantes, mas no geral achei um bom livro. O desfecho ficou redondinho.
Aldo Jr. 27/01/2017minha estante
Sabe que nesse livro, em especial, achei que houve uma fórmula forçada. Algo do tipo "engrossa esse volume, meu caro".

Pelo que li do Galera, esse poderia ter umas 30 páginas a mais que "Até o dia em que o cão morreu" que contaria a história com perfeição.

Mas, de fato, é um bom livro.


Fernando 07/05/2017minha estante
Concordo!




Rosa Santana 28/08/2014

MUITO PELO, POUCA PELE!
Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera - Companhia das Letras, 424 páginas!

O que dizer dessa "Barba"? Que é muito pelo para pouca pele!
Achei o livro bom em parte: história bem construída, personagens verossímeis, embora o personagem principal seja meio que um anti herói, para o qual nada dá certo, eles são, sim, muito bem construídos, coerentes e bem realizados.
Gostei da forma com que o autor iniciou a narrativa. Só mais lá para o final fui compreender o porquê do recurso
A história é instigante, só que...
Sempre tem um "mas", quando as cinco estrelas não vem!
No meu caso, achei muita palavra para o conteúdo proposto. Descrições intermináveis, e, ao meu ver, dispensáveis porque infrutuosas! Detesto livros que usam esse tipo de recurso, porque ao dizerem mais do que é necessário subestimam o leitor.

Não sei se lerei outro livro do Galera, francamente!
Com tanta coisa boa por aí...
Paula 29/08/2014minha estante
Senti a mesma coisa em relação ao autor quando eu li Cordilheira, ele não me convence nas personagens femininas... e quando terminei de ler fiquei realmente pensando se ia tentar outro livro do autor. Adorei a definição: muito pelo, pouca pele! :) acho que isso resume bem o que sentiu. Gosto mais de pele, viu? :)

beijo!


Rosa Santana 31/08/2014minha estante
Paula, obrigada por fazer coro comigo. Poucos dos meus amigos o fazem. Quase todos gostam do livro...
E, ó, eu tb gosto mais de pele... Hehehe! Em todos os sentidos!
Beijo!!




wesley.moreiradeandrade 11/01/2017

Daniel Galera é um dos nomes mais conhecidos da literatura contemporânea, já teve uma de suas obras adaptadas para o cinema e foi consagrado com o Prêmio São Paulo de Literatura em 2013 com o seu mais recente trabalho: Barba Ensopada de Sangue. O protagonista sem nome muda-se para Garopaba, no litoral catarinense, longe da família e dos amigos, após o suicídio do pai, de quem ele passa a cuidar da cachorra que o pertencia. No entanto outra motivação o traz para aquela região: foi lá que seu avô Gaudério foi brutalmente assassinado há muitos anos atrás, porém o corpo dele simplesmente desapareceu. O assunto tornou-se um tabu entre os mais velhos e adquiriu contornos de lenda urbana.
Enquanto investiga com dificuldades e pouco sucesso os eventos que levaram à morte do avô, o protagonista trabalha como professor de natação numa academia, dá treinos de corrida para um grupo e envolve-se amorosamente com duas mulheres. A personalidade do protagonista é quase da de um ermitão, ele visa uma vida simples, reclusa, com poucos recursos e dinheiro suficiente para sobreviver. Daniel Galera tem uma capacidade descritiva impressionante (ainda mais para reforçar o problema congênito do protagonista em fixar na memória a feição daqueles com quem trava contato) e faz um retrato minucioso da cidade de Garopaba, local de uma decadência implícita, dependente do turismo, que vive seus momentos de glória quando o verão e a alta temporada traz milhares de turistas para visitar as suas praias, porém passa por uma fase de pouco movimento, um período moroso, de considerável tristeza nos meses posteriores, clima psicológico que parece contagiar os moradores nesta época e da qual o protagonista é um grande observador.
O livro trata os relacionamentos humanos e sociais com sensibilidade, principalmente os familiares, cheios de contas por acertar e aos quais não cabem nem um dissimulado perdão. O protagonista encontra em Garopaba um local perfeito e adequado ao seu jeito calado, pouco exigente, como se isolado encontrasse a si mesmo, numa jornada mínima de autodescoberta e realização. Um romance que descortina uma existência simples porém nunca rasa, um autor que oculta nas entrelinhas das interações retratadas, dos segredos da cidade e do perfil de seus moradores, uma insuspeita e bem-vinda complexidade..


site: https://escritoswesleymoreira.blogspot.com.br/2015/04/na-estante-37-barba-ensopada-de-sangue.html
Henrique Vilanova 14/06/2017minha estante
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Martha 18/02/2014

Barba ensopada de sangue
Olho o relógio e já é quase uma da manhã. Terei que acordar dali a pouco mais de quatro horas. Mas não consigo dormir. A história contada pelo jovem escritor e tradutor Daniel Galera nas 422 páginas do seu quarto romance “Barba ensopada de sangue” passava pela minha cabeça. O final sufocante era condizente com o enredo que me prendeu desde as primeiras páginas. Sem dúvida, “Barba…” havia entrado para a lista dos meus livros favoritos e Galera o provável autor dos próximos livros que lerei.

A história é centrada em um personagem sem nome, formado em educação física que, depois do suicídio do pai, decidira se mudar de Porto Alegre para a cidade litorânea de Garopaba, em Santa Catarina. A principal motivação dele é descobrir o que havia acontecido com o avô paterno Gaudério, que teria sido assassinado em Garopaba há mais de 20 anos. Teria, porque ninguém nunca havia encontrado o corpo.

Porém o enredo policial que, a julgar pelo título, provavelmente seria o mote da história não passa de uma das nuances exploradas por Galera. Como ele mesmo definiu durante uma entrevista ao programa “GloboNews Literatura”, “Barba…” é um romance existencial.

E não há como negar isso. Talvez até mais do que desvendar os mistérios que cercam a morte de Gaudério, o protagonista passa o livro tentando descobrir quem é. Mesmo que sem ter esse objetivo em mente. E talvez seja justamente essa busca pessoal involuntária gere tanta empatia com relação a ele.

“Tinha fantasiado uma busca duradoura ou mesmo infinita e é frustrante ser lembrado tão cedo daquilo que prefere continuar fingindo não saber, que a sensação de vazio que cobiça está dormente dentro dele e que ele arrasta consigo para onde vai.”

A tensão está presente em todas as linhas do romance. A relação conturbada entre o personagem e o restante da família é contada aos poucos. Somente no último capítulo descobrimos os porquês.

Por outro lado, o protagonista cria uma relação de total entrega e quase de dependência com a cachorra Beta. O animal era do falecido pai. Um dos trechos que evidencia o quanto Beta era importante para o personagem é quando, mesmo ferido e debilitado, ele enfrenta um grupo de nativos que havia roubado o animal. Sem contar com os incontáveis gestos de amor e companheirismo relatados no decorrer do livro. Difícil não se comover.

Quando digitei o nome Daniel Galera no Google, encontrei um site simples e de navegação quase primitiva. O fundo é amarelo e as letras marrons. Li com interesse as sinopses das obras anteriores do escritor paulistano radicado em Porto Alegre e continuei minha pesquisa. Wikipedia, twitter, o site da editora Companhia de Letras, a coluna “Pesqueiro” do jornal Zero Hora. O destaque era sempre o mesmo: o quarto livro dele “Barba ensopada de sangue”. Compartilhei o link da entrevista da GloboNews no Facebook e logo uma amiga comentou que havia se encantado pelo livro. É, com apenas 34 anos, Galera já é considerado por muitos críticos um grande escritor.

Mas voltando ao seu mais recente romance, posso afirmar que “Barba…” é uma daquelas narrativas que não permite que fiquemos indiferentes a ela. Certas angústias e questionamentos expostos pelo protagonista nos aproxima dele. Involuntariamente, passamos a torcer por ele e, é claro, por Beta.

Outra questão determinante para a história é o fato de o personagem possuir uma doença neurológica chamada “prosopagnosia”, ou como é conhecida, “cegueira para feições”. Contudo, apesar do nome popular estar relacionado à cegueira, a doença não tem nada a ver com a falta de visão, mas sim com a incapacidade de reconhecer rostos.

E neste ponto, a prosopagnosia é fundamental para compreendermos um pouco mais a postura do protagonista diante das pessoas. A impossibilidade de reconhecer os rostos, até mesmo o dele, faz do personagem uma pessoa reclusa e que sempre tenta manter uma certa distância dos outros.

“Não consigo conviver muito tempo com ninguém. E tinha isso em mente ao decidir que não teria telefone em casa. Se houvesse a possibilidade das pessoas me ligarem, eu sofreria demais nas noites em que ninguém ligasse. Quando ligassem, eu me irritaria por estarem me incomodando.”

Só que esse distanciamento deixa de ser conveniente quando ele mesmo passa a sofrer por isso e quase implora para ser resgatado. Desespero que fica evidente no trecho: “Sente a presença constante de uma coisa indefinida que está demorando para acontecer. Fases assim são o mais próximo que conhece da infelicidade. Às vezes desconfia de que está infeliz. Mas se ser infeliz é isso, pensa, a vida é de uma clemência prodigiosa. Pode ser que ainda não tenha visto nem sombra do pior, mas se sente preparado.”

Protagonista cheio de nuances, reflexões pessoais, conflitos internos, narrativa ágil. Sem dúvida, “Barba ensopada de sangue” é um daqueles livros para se ter em casa e para ser lido com calma, com prazer. Já Galera é um escritor que ainda vamos ouvir muito falar. Sem dúvida.

site: http://benditaversao.com.br/resenha-barba-ensopada-de-sangue-daniel-galera/


Pena 09/01/2014

Muito bom
Poderia ser menos descritivo, mas é bom; estória bem desenvolvida e ennvolvente;
Larissa 19/05/2014minha estante
Concordo. Amei o livro mas fiz leitura dinâmica em várias partes que ele tava descrevendo miiiiinuciosamente.




Silvio 15/11/2016

Não faz jus à fama nem ao sucesso.
A propaganda é, de fato a alma (e a arma) do negócio! O livro não tem nada; não tem uma história, uma trama, uma mensagem, um estudo...é apenas o cotidiano simples e comum de uma pessoa simples e comum. Alguns trechos começam interessantes, terminam no nada, sem mais, nem menos...
Muito mal escrito...ele tenta "piratear" o estilo saramaguês: sem pontuação e a colocação de inúmeros termos inúteis que engordam o livro. Também tenta imitar o estilo de João Ubaldo Ribeiro: parágrafos de cinco, seis páginas, misturando muitos assuntos aleatoriamente, sem nenhuma ligação entre si; um vocabulário estranho e exagerado, para demonstrar conhecimento.
Há um número absurdo de descrições inúteis exageradamente detalhadas, aliás, detalhes inúteis. Há mais adjetivos nesse livro do que no dicionário.
Os erros de português - alguns propositais para caracterizar personagens, muito outros, não - são gritantes e enchem o saco; a concordância verbal foi esquecida.
Não entendo como um livro desses possa ser publicado e, ainda, fazer sucesso. E um monte de gente diz que gostou... não acredito! (tá certo que gosto não se discute)
David Atenas 10/02/2017minha estante
Deve ser um cara absurdamente chato, na convivência.
Nenhum dos livros dele é realmente bom.




e.duardo 28/11/2012

Esse livro mexeu bastante comigo, assim como Cachalote, também do Galera.

Acho que o grande trunfo dele é que ele vem chegando, às vezes bem devagar mesmo, e conforme as conversas ou os momentos de ação parada chegam ao seu fim, eles se desdobraram rapidamente e as explicações, motivos e estímulos que você procurava estão lá, de uma vez. É como uma piada bem contada, e você sempre acaba rindo aqui.

A sensibilidade sem afetação que dá o tom ao livro inteiro talvez seja o motivo de uma amiga ter me dito que Barba é 'um livro bem masculino, né?'. Acho que sim, e basta olhar para o personagem principal e sua falta de qualquer coisa impressionante para confirmar isso: ele nada, ele corre, é seco na maioria do tempo. Mas também é desprovido de ironia e aquela sensação de superioridade que parece ser chavão nos protagonistas; ele se impõe de modo sincero e aceita suas limitações sem se fazer de coitado. Talvez mais importante, se relaciona com o restante dos personagens de forma simples e amorosa. Em suma, ele é um homem bom e isso basta.
(Acho que esse olhar sobre ele e o fato de isso tornar o livro um livro masculino não faça tanto sentido fora da minha cabeça, mas mesmo assim foi uma impressão muito forte).

A sensação que tive com o final é difícil de explicar, um pouco de frustração com o nadador e ao mesmo tempo uma compreensão de suas decisões, que afinal nem sempre podem ser bonitas, carinhosas, etc. Lembra um pouco a gente mesmo, claro.

Outra coisa bem legal é o modo como a formação de uma lenda vai acontecendo e sendo explicado; é interessante poder apreciar as histórias que sustentam o mito e ao mesmo tempo saber da verdade.

De resto, a mesma coisa, achei bem escrito e muito gostoso de ler, principalmente pelo fato de Garopaba ser um lugar real. Passava sempre um tempo vendo fotos da cidade e passeando por suas ruas, além de ficar procurando os animais citados e as frutas que devem ser bem normais só para quem mora no Sul. Talvez tivesse sido melhor ter imaginado tudo do zero, mas desse jeito também funciona.

Ah, e se você chegou até aqui espero que não se importe se eu disser que um dos momentos mais bacanas é quando o título surge na narrativa, coroando uma bela passagem de violência.
Gustavo Batista 04/12/2012minha estante
Gostei da resenha. Muito boa. Só esse finalzinho com spoiler que foi sacanagem kkkk




Henderson 28/12/2014

Razoável
“Barba ensopada de sangue” é um livro em que a forma supera o conteúdo. E pronto, eu poderia acabar essa resenha aqui, mas vamos nos aprofundar um pouco.
Daniel Galera tinha tudo para escrever um bom livro de suspense ou policial. Os requisitos estavam todos lá: o suicídio do pai logo no início, o misterioso desaparecimento do avô, a pequena cidade litorânea onde todos escondem um segredo, um protagonista gato, que pega todas as menininhas da cidade mas que é atormentado por uma estranha doença mental que faz com que ele não memorize os rostos das pessoas, o conflito com o irmão e a cunhada.
Mas o autor prefere focar no personagem principal e sua “jornada de auto-conhecimento”, onde a procura pelo avô se torna uma procura por si mesmo, ou algo parecido. Pessoas mais cultas e/ou mais estudadas do que eu devem ter enxergado influências de grandes psicólogos e/ou filósofos no livro de Daniel Galera. Como não é meu caso, vou poupar vocês de meus comentários a esses respeito. O resultado é muito parecido com uma novela da Globo em formato de livro. Dá até para imaginar o Luigi Baricelli como o protagonista-sem-nome, a Isis Valverde como a Dália, a Sheron Menezes como a Jasmin, o Francisco Cuoco como o pai e o José de Abreu como o avô. Teria até o “núcleo de humor” com o “budista hardcore” Bonobo (você vai ter que ler para entender).
Mas “Barba ensopada de sangue” está longe de ser um livro ruim. O estilo de escrita de Daniel Galera, com os detalhes da vida do protagonista-sem-nome sendo desvendados aos poucos, as lacunas propositais que mexem com a imaginação do leitor e os excelentes diálogos tornam o livro interessante. É muito difícil escrever um bom diálogo, mas o autor o faz de forma natural e a leitura fica, como disse uma pessoa que resenhou o livro, “fluida”. Um dos melhores personagens sequer tem qualquer fala: é a cachorra Beta, que vai ter participação essencial no final, que é onde um pouco de ação acontece e onde você vai saber porque, afinal, o livro tem esse título.
Pesando tudo, “Barba ensopada de sangue” é até um bom livro. Nada especial, e não acho que mereça todo o barulho feito em torno dele, mas diverte, faz pensar às vezes e a técnica do autor é inegável. Se você for ler, uma dica: ao terminar, volte e leia o prólogo de novo, senão o final não fará qualquer sentido.
Uilians 24/11/2015minha estante
concordo com você tem muito barulho em torno desse livro, mas o autor tem boa técnica




Arsenio Meira 06/01/2013

Não há - para mim - dúvida alguma de que o escritor Daniel Galera merece ser chamado como tal: Escritor. É o primeiro livro que leio deste autor, e vou em busca dos demais.

A obra , em síntese, literalmente transporta o leitor ao Estado de Santa Catarina. Galera detém total domínio da técnica narrativa eleita (realismo ao extremo), e cativa-nos, de saída, com esse louvor de descrição minunciosa (geográfica e humana.)

Daí o painel apresentado ser tão rico e primoroso e o cumprimento aos ensejos da Literatura: dialogar com o leitor, convocá-lo para refletir e dar nome aos bois desgarrados.

A trama, inusitada, reflete igualmente o talento de Galera.

É um escritor influenciado por um realismo que chamo de benigno; um estilo bacana, (quando manuseado com maestria), na mesma esteira de DeLillo e Thomas Pynchon.

Não há qualquer prejuízo, em minha opinião, a torrente de informações que desponta na obra, e arrematando, interessante notar o olhar atento do escritor, que não se faz de rogado, e finca posição no que lhe parece errado ou ocioso, como as (pertinentes) críticas às "autoridades", aos chefões de nossa política raquítica, homicida e desmazelada. Essa gente, não duvidem, não difere muito dos mais "refinados" carteis do narcotráfico. Ambos, à sua maneira, metralham inúmeras vidas.

Não dei 5 estrelas pois acho que ele poderia deixar um pouco mais nas entrelinhas alguns trechos que permeiam o romance (que não revelo para evitar o spoiler.) No entanto, é questão pessoal mesmo, pois gostei demais do livro.
Walter 15/11/2016minha estante
Arsênio, seu comentário traduziu muito do que eu queria dizer. Também foi meu primeiro livro do Daniel Galera e me senti transportado ao ambiente e muito próximo ao protagonista, quase num estado de imersão.




Tiagoww 14/12/2016

Resenha -> Barba ensopada de sangue
Oi!!, adivinha quem resolveu sair da procrastinação e escrever? Eu!!. Então, sem mas delongas, vamos entrar nos meus pensamentos em Barba ensopada de sangue.

Primeiramente, eu gostaria de falar que um dos maiores mèritos desse livro è que ele poderia dar muito errado facilmente. Porèm, ele foi construido de uma maneira que funciona, e eu não tenho nada alèm de elogios para ele.

Os personagens profundos e o plot extremamente inteligente impulsionam a història, com um mistèrio muito bem-pensado e uma linda e lìrica escrita carregando o livro atè nas partes mais chatas.

Os romances do livro parecem MUITO reais, e nada parece jogado na història se m propòsito, e mesmo que o livro tenha um protagonista com uma deficiência, ela não sobrepuja a història.

Outra coisa que vale apontar è que a cidade em que se passa a història è muito bem construida, e tem uma personalidade.

No fim, barba ensopada de sangue è um livro perfeito, que te deixa perfeiamente confuso no final. E eu amei cada pàgina

E eu vou dar para esse aqui um 10/10


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Rox 03/10/2017minha estante
Esse livro mexeu com as minhas entranhas. Achei fantástico




priscila 29/08/2016

Barba Ensopada de Sangue
Tão melhor do que eu esperava. A sinopse pode dizer sobre o que o livro é, pode apresentar o inicio da história, incluir seus personagens e induzir o interesse. Não foi assim. Adentrei pelas páginas do livro sem apresentações. Pelo nome do autor, indicação de uma amiga. Me apresentei meio recatada a uma das ótimas experiências literárias que chegou de uma coincidência. Não vejo melhor forma de se identificar com as pessoas do que falar sobre um bom livro, uma boa música, do que falar sobre os sonhos e histórias que em algum momento a vida já sugeriu pra você. Honestamente, no inicio me pareceu um personagem tão sem atrativos, com a vida comum e cotidiana que já nos impregna o suficiente. Em um inicio breve, tão breve. Talvez somente nas primeiras linhas, talvez só pelo meu afastamento involuntário de obras puramente literárias. Andava imersa em histórias e pesquisas e entrevistas. Tão melhor voltar dessa forma, com esse livro. Com uma conquista que foi se consolidando a cada página, em cada encontro do personagem, em cada imersão, quando o autor consegue fazer com que tenha a impressão de que esbarrou com essa pessoa pelas ruas, que andou pela orla dessa praia e acenou pra ele que não demonstrou nem sinal de reconhecimento. Alguns trechos ecoam, algumas frases lhe fazem sentir próxima. E de uma forma realmente estranha é difícil desapegar. Como se a água salgada em busca da sobrevivência não lhe tivesse sufocado o suficiente, como se a recuperação da cachorra não tivesse sido assistida o suficiente, como se o encontro imaginado, como se as imagens imaginadas por anos estivessem perto de concretizar e você não “assistiu”. Como se houvesse uma grande reviravolta por vir. Daí percebe que não é nisso que a beleza do livro chega ao extremo, é uma vida condensada de experiências que não precisariam ser extremamente exploradas pra fascinar, bastava. Os contos que a vida nos apresenta cotidianamente, as conversas que temos durante, os encontros que temos, as coisas em que esbarramos, as lendas e histórias familiares, o desmembramento da nossa árvore genealógica, são detalhes da vida que parecem tão mais interessantes agora. Surge um sorriso involuntário de despedida no meu rosto fechando o livro. A história não se encerra na minha cabeça essa noite. Amanhã abro espaço pro encantamento do novo.

site: http://aoreflexo.blogspot.com.br/
Mayara 29/08/2016minha estante
Esse livro é excelente, entre os meus preferidos!




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