Barba Ensopada de Sangue

Barba Ensopada de Sangue Daniel Galera




Resenhas - Barba ensopada de sangue


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Ico 17/11/2015

Excepcional, obra incrível e deliciosa.
Estou sendo pessoal: eu existo nesse livro. Houve um encontro tão especial que eu mesmo acho que acordei de um sono após a leitura desse livro. Li em segredo, pela noite, ouvindo Jazz e fui mudando minha vida. Faço questão de dizer - inclusive, por e-mail ao próprio Daniel - que achei de uma gentileza todo o esforço que ele teve. Não leia mais nenhuma resenha, não viva a opinião dos outros. Esse livro vale muito mais do que 42 reais, vai por mim!
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helen pinho 16/11/2015

da capa a última página
devorei! como já tinha ouvido falar bastante do livro, quando ele surgiu na biblioteca corri para pegar, minhas altas expectativas foram muito bem saciadas.
leitura fluída, interessante e nos momentos de tensão tu pode ter um alento sentindo a textura gostosa da capa (sim! adorei a capa). recomendadíssimo.
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Ciro 27/10/2015

Barba ensopada de sangue
O livro é fluido. Alterna cenas fortes com cenas simples. Alterna uma história comum com literatura fantástica, acertando com perfeição as doses de cada qual. A linha descritiva não atrapalha em nada o prazer da história...
Barba Ensopada de Sangue traz a busca do protagonista pelas suas raízes, após perder a mulher que ama. Trata da tentativa de entender a psique do avô para explicar as escolhas do pai e as próprias escolhas. Passa pela inevitável comparação do protagonista com seu irmão, e aborda uma temática - para mim inédita - de o quanto associamos pessoas a seus rostos, mas seus rostos se esvanecem, e o que fica é a impressão. Detalhes que em um primeiro momento não nos chama a atenção.
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Paulo Silas 20/07/2015

Uma narrativa forte e profunda descrita numa perspectiva bastante diferente do que o título sugere.
Não se trata de uma obra de terror, assassinato e violência. Não como tema central pelo menos. O livro apresenta um relato profundo, expondo as raízes e entranhas do protagonista, dando ao leitor a perspectiva interna de alguém que opta por viver ao seu próprio modo.

"Barba Ensopada de Sangue" conta a história de um professor de educação física que, após o cumprimento do anunciado suicídio de seu pai, se muda para uma pacata cidade litorânea de Santa Catarina. Leva consigo o cachorro que pertencia ao pai, descumprindo a promessa que havia feito ao optar por criar o animal no pouco tempo que lhe resta.
Situando-se onde vem ser o seu novo lar, o protagonista passa ao viver a seu modo, recluso e solitário, dando espaço apenas para novas poucas amizades que faz na cidade. Além de iniciar um novo estilo de vida, o personagem também busca descobrir o que aconteceu com o seu avô que viveu naquela mesma cidade há algumas décadas, a fim de elucidar o mistério que envolveu sua morte.
Vale destacar ainda o problema do qual sofre o personagem: uma condição neurológica que lhe impossibilita de gravar e reconhecer rostos, fator que contribuirá (negativa e positivamente) para a sua jornada no enredo do livro.

A escrita possui estilo próprio, principalmente nos diálogos presentes na obra, de modo que requer atenção do leitor para que não se perca. Não é uma leitura difícil, apenas peculiar.
A profundidade a que o leitor é levado para o interior do personagem é surpreendente. A exposição daquilo que é intrínseco à condição humana seduz qualquer um que tenha contato com o livro. Uma perspectiva até certo ponto compreensível de condutas peculiares é dada ao leitor, garantindo ao menos um mínimo de reflexão.

É um livro que encanta. Uma abordagem sobre o cotidiano simples, mas que é exposta de maneira fenomenal. O corriqueiro e entediante se torna único e cativante. Uma história sem muitas delongas nem trama repleta de peripécias (em que pese tenham algumas). O real, o comum e o simples transmitidos de maneira única ao leitor.

Belo livro e bonita escrita. Recomendo!
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Priscilla 16/07/2015

Logo que lançou li algumas críticas sempre muito positivas sobre a escrita de Galera e da narrativa desse livro em questão. Anos depois tive a grata surpresa de encontrá-lo vendendo numa feira de livros na minha Universidade. Nem hesitei em comprá-lo. E me pus a descobri-lo.

Eu definiria a narrativa de Daniel Galera como "pé no chão". Esse livro não tem efeitos, fantasias ou quaisquer forma de ludibriação. Se trata de uma contação da vida e do cotidiano de um rapaz e tudo que estar vivo implica. Gostei de que o personagem principal se mantém lúcido e coeso com seus princípios até o final do livro, mesmo naquele diálogo tão difícil quanto o do último capítulo. (sem spoilers!)

A única coisa que me desagradou em alguns momentos foi a descrição demasiada sobre os ambientes. Mas isso é só um detalhe, e um gosto pessoal meu.

Fico muito satisfeita com o nível de produção literária que o Brasil tem nos mostrado. Esse não é um livro "óh, fantástico", mas é sim um bom livro com uma boa história muito bem contada e que merece muitos créditos pela forma como foi direcionada.
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Gans 30/06/2015

A intensidade ímpar da solidão.
Eu namoro os livros do Daniel Galera cerca de dois anos.
Desde que me conheço como leitor, eu e praticamente noventa por cento dos demais, fui bombardeado e cercado pela literatura estrangeira e me parei pensando o porquê.
Quando comecei a procurar autores brasileiros, dois nomes nunca saíram da minha cabeça: Daniel Galera e Michel Laub. E depois de muito tempo consegui como cortesia um exemplar de Barba Ensopada de Sangue (com a capa vermelha, claro) e resolvi me aventurar.
Apenas uma palavra: Fantástico. Pelo prólogo eu já sabia que a leitura ia ser boa.
Eu me senti como um andarilho em Garopaba e acabei me apaixonando mais pelo Sul do Brasil.
Todas as mazelas e agonias enfrentadas pelo personagem principal sem nome são muito bem descritas e longe de serem superficiais. A influência que o Galera teve do Cormac McCarthy foi muito direta, só que ele conseguiu colocar uma singularidade que o definiu bem como escritor.
Me senti bem envolvido com as emoções e com a individualidade do personagem. Aquela velha história que encontramos beleza na dor. E sem contar que o Daniel Galera conseguiu incorporar um certo charme para a prosopagnosia.
É nítido que o Nadador, vou defini-lo assim, buscava refúgio e respostas para algumas incógnitas e a história do avô veio como um pretexto, ou melhor, um norte a ser seguido para enfim se encontrar.
Fiquei triste pelo fato de que o Nadador não conseguiu liberar uma palavrinha de seis letras no fim do livro, não sei se 'spoilerizo' dizendo isso, mas gostaria que ele tivesse encontrado um ponto de equilíbrio pra essa situação.
Eu não sei definir porque não dei cinco estrelas. Estou acostumado a ler livros que demoram no máximo de três a quatro dias para serem terminados, e Barba Ensopada de Sangue é uma obra que não pode ser abordada dessa maneira. Talvez por esse motivo, que não é nem um pouco convincente já que o livro é fantástico, dou quatro estrelas
Mas estou certo de que ainda vou me surpreender muito com o Galera. Já entrou para o meu hall de autores que merecem respeito e reconhecimento.

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Edu Ribeiro 23/06/2015

Muito bom, dá para entender porque é tão festejado.
Eu gostei muito deste livro. Comecei a leitura meio cético porque havia lido e ouvido excelentes resenhas sobre o livro e achei que estavam exagerando. Mas, no final, achei um ótimo romance.

Mais do que qualquer outra coisa, o que me chamou atenção neste livro foi o seu ritmo. Em uma primeira vista eu diria que o livro se arrasta, porque não é um triller com várias reviravoltas ou tramas rápidas. Mas a verdade é que o autor consegue criar um paradoxo muito interessante, onde o ritmo é ao mesmo tempo lento, porém firme e constante, de forma que não cansa e não dá vontade de parar a leitura.

Eu recomendo!
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Matheus 22/06/2015

Barba Ensopada de Sangue - Daniel Galera
Barba Ensopada de Sangue é um livro muito pessoal e extremamente bem trabalhado, pensado em seus mínimos detalhes, Daniel Galera é um escritor completo, cheio de referências, ávido por inovar e reinventar-se, experimental sem extrapolar as medidas. É uma obra que tange diversos questionamentos existenciais sem soar didático, é bruto e violento sem ser escatológico e é belo e contagiante sem nenhum limite.

Leia o texto na íntegra em:

site: http://antarktos.blogspot.com.br/2015/06/barba-ensopada-de-sangue-daniel-galera.html
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Isa 22/06/2015

[Resenha] Barba ensopada de sangue - Daniel Galera
Blog La Belle Bibliotèque: Bellestante.wordpress.com

Fazia um bom tempo desde que li um livro nacional pela última vez. Na verdade, nem lembro quando li o último, talvez em época de vestibular. Meu primeiro contado com o livro do Daniel Galera se deu através de uma banquinha de livros usados que tem na minha faculdade e que sempre paro para dar uma olhadinha. Lembro de ter achado o título instigante e perguntei o preço sem nem mesmo ler a sinopse. Quando o dono da banca me disse que cobraria 15 reais, comprei na hora! Era um exemplar praticamente novo e voltei pra casa extremamente feliz.


O livro ficou parado por praticamente um ano - já que eu passava vários livros na frente dele- até que eu estipulasse uma meta de que eu só poderia comprar livros novos se terminasse de ler os livros parados na estante. E como o desejo por livros novos estava aumentando, peguei este para ler. E não me arrependo.


Barba ensopada de sangue narra a história de um professor de educação física, que não tem seu nome revelado, que sofre de um distúrbio neurológico raro e que acaba de passar pela morte do pai. Em busca de sossego e de se afastar de problemas familiares, e motivado a descobrir um mistério que envolve o passado do avô que nunca conheceu, se muda para Garopaba, uma cidade no litoral de Santa Catarina, junto com a cachorra de seu falecido pai, Beta, que acaba se tornando sua grande companheira.


Tentando construir uma nova vida e investigar o passado, o homem se envolve na vida da pacata cidadezinha, que fora de temporada não possui grandes atrativos. Daniel Galera traz uma narração extremamente detalhada e minuciosa tanto dos cenários como do personagem e seu interior, por assim dizer. A história segue um ritmo tranquilo, sem grandes pontos altos, passando por toda a etapa de construção da nova vida do personagem, sua relação com os nativos da região e suas amizades improváveis, até as revelações sobre o mistério que envolve o avô e o resultado de uma busca por si mesmo.


É uma narrativa simples, mas que é tão bem escrita e articulada que te faz querer acompanhar a história até o fim. Em alguns momentos da leitura fiquei com uma sensação de que toda aquela narrativa havia sido real algum dia, ou pelo menos uma parte dela. Os diálogos presentes no texto, que surgem sem nenhuma indicação são ricos e ditam o ritmo ágil do livro.


Tratando de maneiras simples sobre assuntos como criação de identidade, conflitos internos entre corpo e mente, morte e traição, Daniel Galera contrapõe o ritmo tenso e misterioso do livro com descrições e passagens tão naturais, de modo que a leitura não se torne maçante e previsível.
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Cintia 17/06/2015

Surpreendente
O livro é incrível! Os personagens são muito bem elaborados. O enredo prende a atenção o tempo todo. Não há como não se sentir ligado aos personagens.
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miguel 07/04/2015

Realista e bem escrito
É um livro difícil de resenhar, porque aparentemente não há uma boa história sobre a qual opinar. Mas então, como pode ser tão bom?

Em Christine, Stephen King conta uma história sobre adolescentes e um carro assassino. Nada poderia ser mais desinteressante, se não fosse bem escrito. ( Sim, sei que isso é polêmico, mas não ligo. O livro é bom e vendeu aos montes ).

Trópico de Câncer, de Henry Miller, é um texto ácido sobre muitas coisas banais, e algumas vezes sobre coisa alguma. Sobre nada ou sobre elucubrações. Mas é excepcionalmente bem escrito.

Não é que Barba ensopada de Sangue não tenha uma boa história. Tem até mais que uma. Acontece que o encanto não é óbvio e não está explícito no enredo. É o conjunto das dificuldades que o autor despeja sobre o protagonista, que sofre de um distúrbio cognitivo raro, de quem o leitor não descobre o nome, professor de educação física e atleta, desprovido de ambições, envolvido em relacionamentos mornos, passando um período particularmente triste da vida, cercado de desafetos e antipatizantes, afastando-se intencionalmente de amigos e familiares e investigando a misteriosa morte de seu avô. Tudo descrito com simplicidade, força, economia e realismo, quase como se não fosse ficção. É possível acreditar em tudo aquilo.

Eu acreditei.

site: http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12453
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Laíssa 13/03/2015

INTENSO
Barba é aquele tipo de livro que fica marcado na memória e custa a nos abandonar; é aquele tipo de livro que nos deixa com saudades de seus personagens, porque nos tornamos amigos e queremos acompanhá-los por mais tempo.
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gabi_vargas 08/01/2015

Excelente
Livro divinamente bem escrito e essencial para quem conhece Garopaba (e para quem é aqui do sul). Tipo de livro que leva a várias reflexões, principalmente sobre solidão e família, sem jamais parecer piegas. Na verdade, ele é excessivamente cru e real. E é do tipo de livro que você lê imaginando que daria um filme. Recomendo!
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Henderson 28/12/2014

Razoável
“Barba ensopada de sangue” é um livro em que a forma supera o conteúdo. E pronto, eu poderia acabar essa resenha aqui, mas vamos nos aprofundar um pouco.
Daniel Galera tinha tudo para escrever um bom livro de suspense ou policial. Os requisitos estavam todos lá: o suicídio do pai logo no início, o misterioso desaparecimento do avô, a pequena cidade litorânea onde todos escondem um segredo, um protagonista gato, que pega todas as menininhas da cidade mas que é atormentado por uma estranha doença mental que faz com que ele não memorize os rostos das pessoas, o conflito com o irmão e a cunhada.
Mas o autor prefere focar no personagem principal e sua “jornada de auto-conhecimento”, onde a procura pelo avô se torna uma procura por si mesmo, ou algo parecido. Pessoas mais cultas e/ou mais estudadas do que eu devem ter enxergado influências de grandes psicólogos e/ou filósofos no livro de Daniel Galera. Como não é meu caso, vou poupar vocês de meus comentários a esses respeito. O resultado é muito parecido com uma novela da Globo em formato de livro. Dá até para imaginar o Luigi Baricelli como o protagonista-sem-nome, a Isis Valverde como a Dália, a Sheron Menezes como a Jasmin, o Francisco Cuoco como o pai e o José de Abreu como o avô. Teria até o “núcleo de humor” com o “budista hardcore” Bonobo (você vai ter que ler para entender).
Mas “Barba ensopada de sangue” está longe de ser um livro ruim. O estilo de escrita de Daniel Galera, com os detalhes da vida do protagonista-sem-nome sendo desvendados aos poucos, as lacunas propositais que mexem com a imaginação do leitor e os excelentes diálogos tornam o livro interessante. É muito difícil escrever um bom diálogo, mas o autor o faz de forma natural e a leitura fica, como disse uma pessoa que resenhou o livro, “fluida”. Um dos melhores personagens sequer tem qualquer fala: é a cachorra Beta, que vai ter participação essencial no final, que é onde um pouco de ação acontece e onde você vai saber porque, afinal, o livro tem esse título.
Pesando tudo, “Barba ensopada de sangue” é até um bom livro. Nada especial, e não acho que mereça todo o barulho feito em torno dele, mas diverte, faz pensar às vezes e a técnica do autor é inegável. Se você for ler, uma dica: ao terminar, volte e leia o prólogo de novo, senão o final não fará qualquer sentido.
Uilians 24/11/2015minha estante
concordo com você tem muito barulho em torno desse livro, mas o autor tem boa técnica




Newton Nitro 21/12/2014

Autoconhecimento versus Autoesquecimento nesse romance sensacional de Daniel Galera!
Barba Ensopada de Sangue é o quarto romance de Daniel Galera, e minha primeira leitura do autor, de quem ouvi falar muito bem pelos blogs de literatura internerd a fora. Mas não sabia que iria gostar tanto do seu livro, uma espécie de Heart of Darkness tropical, uma jornada de autoconhecimento ou autoesquecimento bem brasileira.

Motivado pela morte do pai e pelo mistério que circunda a morte de seu avô, o protagonista, um professor de educação física que nunca ganha nome na narrativa, sendo chamado sempre de “ele”, segue para Garopaba, uma cidade litorânea em Santa Catarina, um local turístico com praias paradisíacas como centenas de outras pelo Brasil. A partir dessa premissa, a narrativa perambula entre o cotidiano da vida “fora de estação” na cidade de Garopaba e a procura sobre a verdade sobre o avô.

Com essa espinha narrativa, Galera mergulha o leitor no universo particular de Garopaba com grande precisão, perfurando as ilusões metropolitanas da suposta vida paradisíaca em uma cidade praiana no Brasil, mas com realismo, sem cair no melodrama. Mães solteiras que se drogam em festas à noite e que ralam nos restaurantes e lanchonetes que servem turistas, kiosqueiros budistas que enchem a cara e pedem dinheiro junto de tiradas filosóficas, a depressão e o sofrimento que vêem à tona nos habitantes nos períodos da baixa temporada, a mistura de violência, hedonismo, complacência e resignação dos nativos, o surrealismo dos confrontos de um período de eleições em uma cidade pequena, as novas configurações das neuroses urbanas da classe média urbana radicada nesse suposto “paraíso tropical”, a cultura dos “malucos BR” e a camada de tensão “nativos-versus-de-fora” que existe sob a película de cordialidade brasileira, prestes a se irromper, permeiam a narrativa de investigação criando uma espécie de noir-existencialista-tropical.

Ou seja, DOIDIMAIS VÉI!

Técnicas Literárias:
O romance tem um meio falso começo-meio prólogo em primeira pessoa, narrando eventos pós-narrativa e depois entra de cabeça na narrativa em terceira pessoa limitada, mas sem nunca revelar o nome do protagonista.

Monólogos interiores e memórias se misturam nas cenas, transições de tempo bem feitas, e um POV narrativo desafiador, pois o protagonista tem prosopagnosia, é incapaz de reconhecer rostos.

Os diálogos, muito bem feitos por sinal, e não possuem marcadores (”disse”, “respondeu”, etc.), e muitas vezes se misturam no texto, bem ao estilo do Cormac McCarthy e vários outros autores contemporâneos.

Personagens bem construídos, com destaque para a cachorra Beta, que adorei. A pressão narrativa da vida emocional e na angústia do protagonista foi construída aos poucos, por camadas, pacientemente, até transbordar no clímax mitológico da história.

Detalhismo nihilista à moda do David Foster Wallace reforçando a falta de sentido e o absurdo dentro da vida contemporânea.

A narrativa é feita em tempo presente, que dá um certo imediatismo e contrasta com os tempos do passado no prólogo e outras interjeições de textos em itálicos narrados em primeira pessoa.

Descrições dinâmicas, algumas até poéticas e muito bem feitas, ressaltando detalhes específicos, mostrando mais do que contando e envolvendo os sentidos.

Temas, tropos e referências:

A narrativa mistura jornada de autoconhecimento e auto esquecimento, um processo de mitologização do protagonista (o processo de formação de uma lenda ou mito pessoal.

A jornada do civilizado para o selvagem (que me lembrou Heart of Darkness) é bem clara, e marcada por vários símbolos (a barba, o comportamento do protagonista, até mesmo sua linguagem muda ao longo da narrativa).

O estado de alienação, marcado no protagonista biologicamente com a prosopagnosia, junto com o perambular sem destino do protagonista lembra as narrativas existencialistas dos anos 50 e 60, o protagonista é mais um “estrangeiro” de Camus.

A narrativa lida também com existencialismo, nihilismo, budismo, a questão do destino versus livre arbítrio, a ilusão da identidade pessoal, a ilusão das memórias, ego e a violência psíquica de quando tentamos persuadir o outro.

E mais uma vez ressoa a dificuldade de sentir, de ter sentimentos autênticos e não simulados, e a busca desesperada pela experiência emocional do real sem nenhum tipo de filtro, que é o drama contemporâneo que mais aparece na maioria das expressões artísticas dos últimos vinte anos.

O protagonista me lembrou o Louco do tarô, andando a esmo com seu cachorro, guiado pela falsa dicotomia do destino e do livre-arbítrio. O companheiro animal também me fez lembrar Ulisses (junto com toda as imagens de mar, jornada, praia, barco, bote, etc. E em uma relação muito doida, porque fiz a leitura a pouco tempo, o protagonista me pareceu uma versão mais humana do Lester Ballard, o monstro barbudo e violento do Child of God, do Cormac McCarthy, mas que encontra uma forma de interromper a descida completa à pura selvageria, acredito, por conseguir refazer sua ligação emocional com a humanidade.

O romance tem versões subvertidas do tropo do Encontro com o Mestre, um desses encontros é moralmente ambíguo e o outro é violento e inesperado. Curti demais!

Recomendo o livro, é muito bom, não consegui parar de ler! Só um toque, Barba Ensopada tem uma pegada mais literária, com várias tangentes narrativas explorando o passado do protagonista, sua busca de identidade, o universo de Garopaba, seus relacionamentos, etc. e muitas delas sem fechamento, em uma imersão imagética meio cinematográfica mesmo. Eu curto, é um estilo mais na tradição dos "romances de fôlego" norte americanos (David Foster Wallace, Cormac McCarthy, Pynchon, etc.). Esteja avisado!

É um romance para fazer pensar e que dá vontade (misturada com um pouco de medo) de conhecer Garopaba. Medo porque, imagina você andando na praia e encontrar um véio barbudo lhe oferecendo flores, saiba que isso não é Impulse (piadinha para os tiozões anos 80!). Vai por mim, sai correndo e só pare em Porto Alegre vééééi! :)
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