Barba Ensopada de Sangue

Barba Ensopada de Sangue Daniel Galera




Resenhas - Barba ensopada de sangue


113 encontrados | exibindo 61 a 76
1 | 2 | 3 | 5 | 6 | 7 | 8


Jacqueline 24/11/2014

“A vida não é para amador”
"Há apenas dois lugares possíveis para uma pessoa: a família e o mundo inteiro"

Uma história bem contada que envolve o leitor desde o começo e o coloca em muitos momentos frente aos acontecimentos. Depois de ler o livro, temos a sensação de termos passado um período em Garopaba e até somos capazes de reconhecer a casa do protagonista (ainda que ela não exista mais). Pode-se dizer que se trata de uma saga contemporânea, em que as histórias de um avô, de um pai e um filho se entrelaçam de maneira espiral.
O livro é dividido em 3 partes. Na parte 1, conhecemos o protagonista (sem nome). É onde se dá a morte do pai e a ida do protagonista com o cachorro herdado para Garopaba (com direito a formulação de um dilema ético: não atender ao último pedido do pai - sacrificar a cachorra após sua morte -, mas ficar com ela e cuidar bem dela seria traição? Vale mais o espírito da coisa - garantir que a cachorra fique bem, não deprimida sozinha? Mas quem garante que somos capazes de depreender corretamente o espírito da coisa?). Ainda na esfera familiar, aqui também tem início a investigação da misteriosa morte do avô e temos conhecimento da briga entre os irmãos. Também na primeira parte, acompanhamos o protagonista se estabelecendo em uma nova cidade: arrumando casa, trabalho, namorada, amigos. Junto com o rearranjar da vida do protagonista, vemos um balneário se preparando para a baixa estação e descobrimos como não são raros os casos de gentes que se mudam para lugares como Garopaba para esquecer alguém, escrever um livro, dar um tempo na vida, tomar contato consigo e por aí vai (quem nunca pensou em tomar um trem noturno para Lisboa?) É nessa parte do livro também que tomamos contato com a doença neurológica do protagonista - prosopagnosia: ele não é capaz de reconhecer rostos (aqui, há algo um pouco inverossímil: como pode considerar alguém bonito se não guarda feições e, portanto, não pode estabelecer comparações, ficando a percepção da semelhança e da diferença circunscrita ao presente?)
Na parte 2, com o fim da temporada, vemos como passa a ser o dia a dia do protagonista, depois de estabelecido. Temos contato também com os distúrbios sazonais dos moradores (que só se manifestam fora de temporada) e com o contraste entre a ideologia de viver no paraíso e a realidade opressiva da vida contemporânea do lugar. Também aqui podemos conhecer uma pouco mais da história do avô.
Finalmente, na parte 3, vemos a vila se preparando para uma nova temporada e as histórias familiares se esclarecem (o que não quer dizer, necessariamente, que todas se resolvam). O final do livro remete ao seu começo, quando então entendemos as circunstâncias por trás da carta que abre o livro.
Como se vê, a história tem como pano de fundo as mudanças de estação e suas consequências para uma cidade litorânea turística e o fim (ou, no mínimo, diminuição sensível) da pesca artesanal, em função do aumento da pesca industrial e dos apelos da indústria do turismo. Esse cenário acompanha a trajetória do protagonista que depois de uma sucessão de perdas procura dar sentido à sua vida.
comentários(0)comente



Nanda Lima 14/10/2014

Surpresa boa
Após uma breve análise dos meus hábitos de leitura, decidi ler mais obras brasileiras. Afinal de contas tem muito livro bom que já foi ou está sendo lançado no Brasil afora. Após ler Múltipla Escolha, da Lya Luft, optei por um romance contemporâneo e escolhi Barba ensopada de sangue, elogiadíssima obra do jovem escritor Daniel Galera, sobre a qual eu já tinha ouvido falar há algum tempo. Fico feliz em dizer que foi uma escolha muito acertada.

Confesso que minha expectativa, criada pelo título, era encontrar uma história de bang bang moderna passada nos campos sulistas do Brasil. Não foi isso o que encontrei o que não quer dizer que tenha sido ruim, pelo contrário. A partir do momento em que parei de criar expectativas na minha cabeça, passei a curtir melhor o livro.

Essa história é sobre a busca de um homem por respostas do seu passado familiar que, de alguma forma, diminuam a sua dor pela perda trágica do pai. Uma dor latente, da qual ele não prefere falar. Aliás, o protagonista está imerso em dores latentes: da perda do pai, da traição do irmão e da mulher que amava, da preferência da mãe pelo irmão, da solidão da qual ele não consegue fugir pois é da sua natureza ser só. É uma história sobre mitos também e sobre o folclore que existe nas pequenas cidades do Brasil em torno de histórias e personagens.

É um romance muito gostoso de ler, temperado com drama, trechos que te levam à reflexão (aliás, pelo menos para mim, todo o livro me fez refletir, especialmente sobre relacionamentos amorosos), romance e suspense. Mas não é só isso. A escrita e a trama de Galera possuem uma singeleza e ao mesmo tempo uma força que são difíceis de explicar. É uma escrita que marca, modifica o pensamento ou pelo menos mexe com ele e que te embarca na história sem esforço. A honradez e a luta do protagonista te levam a, naturalmente, sentir uma forte empatia por ele.

Recomendo Barba ensopada de sangue para qualquer pessoa e penso que, assim como foi comigo, essa leitura pode ser uma ótima porta de entrada para a literatura contemporânea brasileira para aqueles que se acostumaram a ler apenas o que vem de fora.

site: www.umaleitoraassidua.blogspot.com
comentários(0)comente



Rosa Santana 28/08/2014

MUITO PELO, POUCA PELE!
Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera - Companhia das Letras, 424 páginas!

O que dizer dessa "Barba"? Que é muito pelo para pouca pele!
Achei o livro bom em parte: história bem construída, personagens verossímeis, embora o personagem principal seja meio que um anti herói, para o qual nada dá certo, eles são, sim, muito bem construídos, coerentes e bem realizados.
Gostei da forma com que o autor iniciou a narrativa. Só mais lá para o final fui compreender o porquê do recurso
A história é instigante, só que...
Sempre tem um "mas", quando as cinco estrelas não vem!
No meu caso, achei muita palavra para o conteúdo proposto. Descrições intermináveis, e, ao meu ver, dispensáveis porque infrutuosas! Detesto livros que usam esse tipo de recurso, porque ao dizerem mais do que é necessário subestimam o leitor.

Não sei se lerei outro livro do Galera, francamente!
Com tanta coisa boa por aí...
Paula 29/08/2014minha estante
Senti a mesma coisa em relação ao autor quando eu li Cordilheira, ele não me convence nas personagens femininas... e quando terminei de ler fiquei realmente pensando se ia tentar outro livro do autor. Adorei a definição: muito pelo, pouca pele! :) acho que isso resume bem o que sentiu. Gosto mais de pele, viu? :)

beijo!


Rosa Santana 31/08/2014minha estante
Paula, obrigada por fazer coro comigo. Poucos dos meus amigos o fazem. Quase todos gostam do livro...
E, ó, eu tb gosto mais de pele... Hehehe! Em todos os sentidos!
Beijo!!




Sebo Por Todo C 08/08/2014

BARBA ENSOPADA com pouco sangue
Barba ensopada de sangue, Daniel Galera
Companhia das Letras, 2012, São Paulo, 424 páginas

Difícil esquecer de como o primeiro capítulo é bom. A consersa entre pai e filho se dá sem travessões, no ritmo coronário de quem recebe a notícia que o pai pretende se matar.

Ao filho sem nome até a última das 424 páginas fica a incumbência de sacrificar Beta, a cachorra-companheira do pai e, depois, do filho que não conseguiu manter a promessa de sacrifício.

Nadador excepcional, competidor de provas de Iroman, após o suicídio do pai o filho muda-se para a cidade litorânea de Garopaba, local que mantém em segredo a morte do avô Gaudério, assassinado em circunstâncias pouco claras.

Arruma emprego como professor de natação e dribla a dificuldade neurológica em guardar rostos, faz alguns poucos amigos, anmora, recebe visitas, nada para o fundo mesmo embalado pelo medo do mar. Nessa caminhada é sempre acompanhado por Beta, a cachorra sobrevivente à promessa de sacrifício, a um atropelamento que a deixa desenganada aos olhos de todos até ganhar a crença de que é imortal.
A sucessão de fatos cotidianos é narrado sem sobressaltos ficando ao leitor a responsabilidade de sempre achar que “algo” irá acontecer, que trará às páginas a promessa de ação violenta adiantada pelo título do livro.

Mas a vida do professor de natação continua entre aulas, namoros, sucessões de pequenos fatos como a vida de qualquer um. Lembra cena de reality show em que o personagem não sab que está sendo vigiado por câmeras que registram o mais comum dos dias e da vida.
Daniel Galera tem o dom para criar diálogos. Isso ele tem. Deixa o fio condutor estendido entre a tensão do que poderá acontecer e as descrições minuciosas não de coisas ou paisagens, mas dos conflitos de família, nos fatos da vida.

Se o primeiro capítulo é bom, o último não fica atrás. Deixando para esse final toda a tensão dos fatos que o leitor, de antemão, já sabe ao ler a primeira página do livro.

Não sou fã de tanto bla-bla-bla que unem o primeiro ao último capítulo, mas é uma leitura que vale a pena, da primeira à última página.

Trecho predileto, p. 18/19
“O pai diz que ele e o avô não eram semelhantes apenas no sorriso, mas em numerosos aspectos físicos e de comportamento. Que o vô tinha esse mesmo nariz, mais estreito que o dele próprio. O rosto meio largo, os olhos meio afundados no crânio. A mesma cor de pele. Que aquele sanguezinho indígena do avô tinha pulado o filho e caído no neto. Esse teu porte atlético, diz o pai, pode ter certeza que vem do teu vô.
[...]
Teu vô tinha pavio curto. Ô velho desaforado. Era famoso por puxar faca por qualquer coisa. O homem ia ao baile e brigava. E até hoje não entendo como ele arranjava briga, porque bebia pouco, não fumava, não jogava e não se metia com mulher. A tua vó quase sempre saía junto com ele, e é engraçado, ela parecia não se importar com esse lado violento dele. Ela gostava de ouvir ele tocar. Ele era um violeiro e tanto. Uma vez tua vó me disse que ele era daquele jeito porque tinha alma de artista mas tinha escolhido a vida errada. Que ele devia ter percorrido o mundo tocando música e botando pra fora os sentimentos filosóficos dele – foi essa a expressão que ela usou, lembro claramente – em vez de ter começado a trabalhar na terra e se casado com ela, mas que ele desperdiçou esse caminho quando era muito jovem e depois ficou tarde porque ele era um homem de princípios muito rígidos e voltar atrás seria uma agressão a esses princípios.”
Conheça os livros do acervo http://PorTodoCantoLivros.blogspot.com e http://CenaDoCrimeLivros.blogspot.com
Para compra de livros e pagamento por cartão de crédito, pesquise no acervo completo em http://www.portodocantolivros.estantevirtual.com.br
e, ainda, o http://www.portodocantolivros.livronauta.com.br


site: http://PorTodoCantoLivros.blogspot.com e http://CenaDoCrimeLivros.blogspot.com
comentários(0)comente



Bia 17/07/2014

Primeiramente, vale ressaltar que o título do livro pode causar impressões equivocadas, porque pode levar alguém (assim como eu) a pensar que se trata de uma estória violenta, mas não é bem assim. Só se descobre o porquê do título no fim do livro e não há muito como contextualizá-lo com a estória (sim, isso é quase um "morra de curiosidade"). Particularmente, não gostei do motivo do título, me pareceu meio aleatório, mas que não acho que isso tem qualquer importância...não deve ser nada fácil arranjar um título pra um livro.
O livro conta a estória de um esportista que decide se mudar para a praia de Garopaba, pequeno município de Santa Catarina, entre outros motivos, para investigar sobre o caso mal resolvido do assassinato do próprio avô, que aconteceu nessa mesma cidade na década de 60 e que mais se assemelha a uma série de lendas ou invenções do povo, não havendo fatos concretos a respeito dessa morte. Após a sua mudança, o professor de educação física passa a reconstruir sua vida na cidadezinha, conhecendo novos amores, novos amigos e também inimigos. Quase todos pessoas bem interessantes.
A estória é bem moderna, acontece por volta de 2008. A escrita é direta, sem rodeios e sem pudores e é bem caracteristica com relação à fala da região. Tem bons personagens, com boas construções de personalidade, certamente bem melhores do que a maioria popular internacional que domina o mercado. O personagem principal, cujo nome ninguém sabe, é bem cativante, ele é uma pessoa simples que aceita a todos como são, sem julgar ninguém. Ele ajuda a qualquer um sem pedir nada em troca e mesmo assim, não é um personagem "bom moço" convencional, o que o torna mais original e mais interessante.
Esse livro me surpreendeu bastante por possuir uma profundidade cultural sobre assuntos diversos (que, pelo menos por mim, não era esperada) que achei bastante enriquecedora. Além disso, ele leva a uma familiarização com a pequena cidade, mostra os seus problemas e suas vantagens, mostra como as pessoas vivem e adquirem suas rendas e mostra também o fato bem interessante de como as pessoas podem ser supersticiosas (gostei muito disso)...
Por fim, eu recomendo esse livro, achei uma leitura agradável e divertida. E eu queria dar um conselho pra quem ainda não leu: assim que acabarem de ler o livro todo, releiam o texto em itálico que tem antes da parte um do livro (prólogo)!

http://universonaestante.blogspot.com.br
comentários(0)comente

Kelly 13/12/2013minha estante
To lendo e adorando. Achei a resenha muito boa.


Bia 24/12/2013minha estante
Obrigada, Kelly!




jota 23/06/2014

Sem nome
Tem um filme interpretado por Burt Lancaster, The Swimner (1968), ou seja, O Nadador, que no Brasil recebeu o curioso título de Enigma de Uma Vida. Vi uma vez, faz algum tempo, e não me lembro direito da história que contava, mas do clima da fita: começa meio devagar mas depois vai ficando bastante interessante.

Lembrei-me de Enigma de Uma Vida enquanto lia o Barba Ensopada de Sangue, onde pintou o mesmo clima. E também porque ainda que as histórias de filme e livro não tenham nada em comum a não ser um nadador, o personagem sem nome de Galera é, sem dúvida, tão enigmático quanto aquele interpretado por Burt Lancaster.

A certa altura do livro cita-se Nietzsche (também tem budismo e outras discussões elevadas mas nada complicadas) que, como se sabe, dizia que a vida não tem sentido algum. Estaria então o nadador buscando algum significado para sua vida – se a vida não tem sentido algum então nós é que temos de dar algum significado para ela - quando se mudou para a pequena Garopaba, deixando a movimentada Porto Alegre para trás?

Ou não era nada disso e ele apenas pretendia viver ali, próximo do mar, nadar, simplesmente isso, como afirma sempre que lhe perguntam sobre sua mudança da capital gaúcha para a cidadezinha catarinense? Ainda que ao longo do livro nos sejam fornecidas várias pistas e também motivos para o comportamento do personagem, quando o livro termina você acaba ficando com uma questão em aberto. Eu, pelo menos fiquei: se o livro continuasse será que o nadador se manteria fiel ao que disse (nas derradeiras páginas), a Viviane - a ex-namorada - ou repensaria suas atitudes, agiria de outra forma então?

Exatamente por não saber como ele pode agir no capítulo seguinte ou na página seguinte, o que irá acontecer na sequência – também por outras questões ou tramas surgidas ao longo da narrativa -, a história fica um tanto viciante e foi um pouco difícil me desligar do livro e acompanhar os jogos e as notícias da Copa do Mundo nessa fase de grupos, tão viciantes quanto.

Conhecia Galera como tradutor (de David Foster Wallace, principalmente), nunca tinha lido nada dele antes mas fiquei agradavelmente surpreso com este livro que descreve Garopaba, reduto de surfistas e pescadores, com detalhes tão profundos que é quase como se você estivesse lá ou estivesse acompanhando tudo como num filme, exatamente conforme escreveu o leitor Daniel em sua resenha cinco estrelas.

Aliás, o livro todo é assim; é bastante realista sobre tudo o que se conta, mesmo quando alguns personagens falam acerca do avô do nadador, visto por eles como um fantasma vingador, ou quando se mostram adeptos de crendices populares, acreditam que os sonhos se tornam realidade, etc., notadamente as mulheres mais simples do local. Parece meio que um estudo sociológico da cidadezinha, com a vantagem de não usar terminologia da disciplina e tampouco aborrecer o leitor.

Filosofia, crendices e religiosidade à parte, em Barba Ensopada de Sangue impera mesmo o realismo: há páginas em que as coisas são descritas ou narradas como se estivéssemos lendo não um livro de ficção, mas um jornal. Como neste trecho em que Galera escreve sobre uma disputa eleitoral na cidade, mais ou menos nos moldes do que ocorre em quase todo o Brasil:

“Há um certo clima de ameaça no ar. Militantes do Partido dos Trabalhadores circulam no perímetro da praça com bandeiras vermelhas e a troca de ameaças e xingamentos [entre petistas e os opositores] é franca e sem indícios de bom humor.” O PT, como se sabe, quase sempre dissemina a divisão social e estimula o ódio por onde passa ou atua. Até mesmo na ficção...

Lido (entre várias partidas da Copa) no período de 15 a 22/06/2014.
comentários(0)comente



MVGiga 16/04/2014

O homem comum e incomum
Um cara vivendo em uma cidade comum, em um emprego comum com um defeito físico incomum.

Somos apresentados á um homem sem nome, cuja deficiência de nascimento é a incapacidade de reconhecer e memorizar rostos. Na companhia de sua cadela, esse homem com necessidades especiais tem como objetivo desvendar mistérios do passado de seu avô (que foi brutalmente assassinado, porém não há indicio do seu corpo e a policia local não sabe/não deseja saber dos detalhes), além de afastar os fantasmas da sua própria vida.

Este livro teve um profundo significado para mim, pois assim como o livro de Gabriel Garcia Marquez / Cem Anos de Solidão, me fez pensar sobre a busca do conhecimento e resgate de minhas raízes e valores familiares. O desfecho desse livro foi uma das melhores e mais tensas que li em toda minha vida.
comentários(0)comente



Só Sobre Livros 28/03/2014

Literatura nacional de altíssimo nível!
Confira resenha no blog

site: http://sosobrelivros.blogspot.com.br/2014/03/literatura-nacional-de-altissimo-nivel.html
comentários(0)comente



ani c 18/03/2014

Leitura viciante e agradável
Gostei muito deste livro, li em três meses e foi uma leitura deliciosa. Sem frescura, Galera narra com maestria o dia-a-dia não de um herói, mas de uma pessoa comum. Recomendo este livro para quem quer um livro para ler aos poucos, sem pressa, no decorrer dos dias. Leiam o post completo no meu site: http://docequotidiano.com.br/2013/08/30/livro-barba-ensopada-de-sangue/

site: http://docequotidiano.com.br/2013/08/30/livro-barba-ensopada-de-sangue/
comentários(0)comente



And 05/03/2014

Muito Bom
Apesar de não ser uma história dinâmica, ela te prende do começo ao fim. Acompanhar a trajetória deste rapaz em sua nova vida em Garopaba é bem interessante, os amigos que faz e a vida que começa a tomar uma nova forma é algo que da gosto de ler.
comentários(0)comente



Martha 18/02/2014

Barba ensopada de sangue
Olho o relógio e já é quase uma da manhã. Terei que acordar dali a pouco mais de quatro horas. Mas não consigo dormir. A história contada pelo jovem escritor e tradutor Daniel Galera nas 422 páginas do seu quarto romance “Barba ensopada de sangue” passava pela minha cabeça. O final sufocante era condizente com o enredo que me prendeu desde as primeiras páginas. Sem dúvida, “Barba…” havia entrado para a lista dos meus livros favoritos e Galera o provável autor dos próximos livros que lerei.

A história é centrada em um personagem sem nome, formado em educação física que, depois do suicídio do pai, decidira se mudar de Porto Alegre para a cidade litorânea de Garopaba, em Santa Catarina. A principal motivação dele é descobrir o que havia acontecido com o avô paterno Gaudério, que teria sido assassinado em Garopaba há mais de 20 anos. Teria, porque ninguém nunca havia encontrado o corpo.

Porém o enredo policial que, a julgar pelo título, provavelmente seria o mote da história não passa de uma das nuances exploradas por Galera. Como ele mesmo definiu durante uma entrevista ao programa “GloboNews Literatura”, “Barba…” é um romance existencial.

E não há como negar isso. Talvez até mais do que desvendar os mistérios que cercam a morte de Gaudério, o protagonista passa o livro tentando descobrir quem é. Mesmo que sem ter esse objetivo em mente. E talvez seja justamente essa busca pessoal involuntária gere tanta empatia com relação a ele.

“Tinha fantasiado uma busca duradoura ou mesmo infinita e é frustrante ser lembrado tão cedo daquilo que prefere continuar fingindo não saber, que a sensação de vazio que cobiça está dormente dentro dele e que ele arrasta consigo para onde vai.”

A tensão está presente em todas as linhas do romance. A relação conturbada entre o personagem e o restante da família é contada aos poucos. Somente no último capítulo descobrimos os porquês.

Por outro lado, o protagonista cria uma relação de total entrega e quase de dependência com a cachorra Beta. O animal era do falecido pai. Um dos trechos que evidencia o quanto Beta era importante para o personagem é quando, mesmo ferido e debilitado, ele enfrenta um grupo de nativos que havia roubado o animal. Sem contar com os incontáveis gestos de amor e companheirismo relatados no decorrer do livro. Difícil não se comover.

Quando digitei o nome Daniel Galera no Google, encontrei um site simples e de navegação quase primitiva. O fundo é amarelo e as letras marrons. Li com interesse as sinopses das obras anteriores do escritor paulistano radicado em Porto Alegre e continuei minha pesquisa. Wikipedia, twitter, o site da editora Companhia de Letras, a coluna “Pesqueiro” do jornal Zero Hora. O destaque era sempre o mesmo: o quarto livro dele “Barba ensopada de sangue”. Compartilhei o link da entrevista da GloboNews no Facebook e logo uma amiga comentou que havia se encantado pelo livro. É, com apenas 34 anos, Galera já é considerado por muitos críticos um grande escritor.

Mas voltando ao seu mais recente romance, posso afirmar que “Barba…” é uma daquelas narrativas que não permite que fiquemos indiferentes a ela. Certas angústias e questionamentos expostos pelo protagonista nos aproxima dele. Involuntariamente, passamos a torcer por ele e, é claro, por Beta.

Outra questão determinante para a história é o fato de o personagem possuir uma doença neurológica chamada “prosopagnosia”, ou como é conhecida, “cegueira para feições”. Contudo, apesar do nome popular estar relacionado à cegueira, a doença não tem nada a ver com a falta de visão, mas sim com a incapacidade de reconhecer rostos.

E neste ponto, a prosopagnosia é fundamental para compreendermos um pouco mais a postura do protagonista diante das pessoas. A impossibilidade de reconhecer os rostos, até mesmo o dele, faz do personagem uma pessoa reclusa e que sempre tenta manter uma certa distância dos outros.

“Não consigo conviver muito tempo com ninguém. E tinha isso em mente ao decidir que não teria telefone em casa. Se houvesse a possibilidade das pessoas me ligarem, eu sofreria demais nas noites em que ninguém ligasse. Quando ligassem, eu me irritaria por estarem me incomodando.”

Só que esse distanciamento deixa de ser conveniente quando ele mesmo passa a sofrer por isso e quase implora para ser resgatado. Desespero que fica evidente no trecho: “Sente a presença constante de uma coisa indefinida que está demorando para acontecer. Fases assim são o mais próximo que conhece da infelicidade. Às vezes desconfia de que está infeliz. Mas se ser infeliz é isso, pensa, a vida é de uma clemência prodigiosa. Pode ser que ainda não tenha visto nem sombra do pior, mas se sente preparado.”

Protagonista cheio de nuances, reflexões pessoais, conflitos internos, narrativa ágil. Sem dúvida, “Barba ensopada de sangue” é um daqueles livros para se ter em casa e para ser lido com calma, com prazer. Já Galera é um escritor que ainda vamos ouvir muito falar. Sem dúvida.

site: http://benditaversao.com.br/resenha-barba-ensopada-de-sangue-daniel-galera/


wjdemelo 05/02/2014

Barba ensopada de sangue: lirismo preciso sem egolatria
Barba ensopada de sangue (Cia das Letras, 424 páginas), do escritor gaúcho Daniel Galera, recebeu no ano passado o Prêmio São Paulo de Literatura. Prêmios não são garantia de que o leitor sairá satisfeito da experiência de leitura, mas no caso deste romance , podemos enfrentar as mais de quatrocentas páginas do livro sem medo de nos decepcionarmos.

O enredo é relativamente simples: um professor de educação física, depois de uma decepção amorosa e da morte de seu pai, decide mudar-se para uma pequena cidade litorânea de Santa Catarina, onde, segundo seu pai, o avô teria vivido nos anos sessenta até ser misteriosamente assassinado. Quem espera um thriller ou um livro de suspense só se satisfará parcialmente. O autor consegue amarrar o leitor lançando ganchos que vão descortinando o passado sombrio do parente e vamos sendo empurrados por essa curiosidade. Mas esse não parece ser o objetivo principal do autor, que usa a trama como isca para construir um romance sobre a busca da identidade. Não chega a ser um tema original, mas os vários elementos incluídos no livro, além de uma técnica muito precisa, colaboram para que seja uma obra memorável.

Leia a resenha completa abaixo



site: http://www.wellingtondemelo.com.br/site/2014/01/barba-ensopada-de-sangue-lirismo-sem-egolatria/
comentários(0)comente



Renata (@renatac.arruda) 28/01/2014

Demora a fisgar
De Daniel Galera, conhecia apenas a graphic novel "Cachalote" - que prometeu muito mais que entregou - e o que via ou ouvia falar na internet. Com a massiva divulgação de Barba... à época de seu lançamento e a posterior inclusão em diversas listas de melhores de 2012, coloquei o livro como uma das prioridades deste ano.

Apesar do instigante primeiro capítulo (publicado anteriormente na nona edição da Granta em português sob o nome de "Apnéia"), Barba... demorou a me fisgar. Minha leitura da história de Galera é de que acompanhamos o protagonista sem nome em uma espécie de jornada espiritual em busca do auto-conhecimento após o suicídio anunciado do pai e o abandono da noiva, que o troca por seu irmão culto. O "nadador", como frequentemente é chamado, se muda para a cidadezinha gaúcha de Garopaba acompanhado da cadela do falecido pai a fim de encontrar respostas para o desaparecimento misterioso do avô muitos anos antes e sobre o qual nenhum morador ousa falar. As entrelinhas sugerem que o protagonista - incapaz de lembrar de rostos, inclusive o seu - por ser tão semelhante ao desaparecido avô, secretamente se enxerga...

Leia mais no Prosa Espontânea

site: http://mardemarmore.blogspot.com.br/2013/04/barba-ensopada-de-sangue-daniel-galera.html
comentários(0)comente



Renato 14/01/2014

Simples e complexo
Este livro surpreende por algumas razões. O título e a introdução levam o leitor à aguardar o momento chave do livro. Vários elementos são aos poucos incluídos e relembrados na narrativa de maneira a indicar o que pode ser uma tragédia ou um grand finale. O leitor não sabe o que vai acontecer e segue conjecturando enquanto a narrativa calma e segura vai criando um clima tenso que amarra à leitura, as vezes até angustiante.

É interessante a habilidade do D. Galera de fazer com que os diálogos se misturem de uma maneira estranha e quase orgânica com a narrativa. No começo se pena um pouco, mas logo tudo fica tão fluido quanto a própria narrativa.

Li em outros comentários que alguns leitores se incomodam com as descrições e detalhes. Creio que isso é apenas uma questão de estilo. Já passei diversas vezes pelo cenário do livro e fiquei impressionado com a fidelidade da descrição e em como isso torna a história absolutamente verossímil. Não concordo sobre o livro ser épico. Não é. Ele trata da natureza humana e animal, da resiliência, das relações. O que promete ser épico não é tratado assim pelo próprio autor. Sem spoiler...

Talvez a maior surpresa seja a constatação do quão humano é o protagonista, de quão diferentes são as pessoas e do quão incerta e única é a vida de cada um.

O livro foi indicado pela minha irmã - que praticamente o comeu cru - e eu indico à quem quer ler um bom romance, daqueles que nem parecem romance.

comentários(0)comente



Pena 09/01/2014

Muito bom
Poderia ser menos descritivo, mas é bom; estória bem desenvolvida e ennvolvente;
Larissa 19/05/2014minha estante
Concordo. Amei o livro mas fiz leitura dinâmica em várias partes que ele tava descrevendo miiiiinuciosamente.




113 encontrados | exibindo 61 a 76
1 | 2 | 3 | 5 | 6 | 7 | 8