O Demônio do Meio-dia

O Demônio do Meio-dia Andrew Solomon




Resenhas - O Demônio do Meio-dia


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BIU VII 28/11/2011

Depressão
O autor escreve de maneira clara o que queremos explicar as outras pessoas o que está ocorrendo conosco, que sofremos com este mal, e não conseguimos pois as aparências enganam. Ninguém entende, em sã consciência, como para nós em certos dias é tão difícil ir numa padaria se fazemos isto quase todos os dias até que em um dia qualquer sem sabermos porque alguma coisa trava e é só começo de uma nova crise que só quem já passou por uma sabe. Eu não sei se é pior a crise ou os julgamentos que as pessoas fazem de nós.
Na verdade eu queria dar este livro de presente a todas pessoas que convivem comigo, por que é doloroso ser julgado por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer quando o que acontece está fora do nosso alcance e acima das nossas possibilidades.
T.J.Delarosa 09/02/2013minha estante
Verdade. Quando comecei a ler percebi que era tudo o que queria explicar para as pessoas e não conseguia. Percebi que a solidão de não ter ninguém que entenda essa doença consegue ser ainda pior que ela.


T.J.Delarosa 09/02/2013minha estante
Verdade. Quando comecei a ler percebi que era tudo o que queria explicar para as pessoas e não conseguia. Percebi que a solidão de não ter ninguém que entenda essa doença consegue ser ainda pior que ela.




Paty 10/04/2015

Não, não tem mensagens positivas de livros de autoajuda, mas um relato honesto e profundo do que se passa na cabeça e no mundo de alguém que sofre de depressão. Certamente não existe livro mais completo que esse sobre o assunto.
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Sandro 14/01/2009

Uma leitura profunda e dolorida!
Quando li este livro, estava numa das minhas piores crises de depressão. Mais tarde, descobri que tinha Transtorno-Bipolar Tipo II, graças a um médico psiquiatra com ampla experiência ambulatorial. O livro é o que o subtítulo revela: uma anatomia histórica e conceitual da depressão, mostrando aos tais "pensadores" da atualidade, que depressão não é uma invenção da modernidade e acompanha a humanidade há séculos e séculos. Os relatos são claros, o texto é conduzido de forma direta e creio que é uma excelente obra para aqueles que vivem a depressão, ou na própria pele, ou na de familiares e pessoas que amam.
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Thiago 07/04/2014

O demônio de todos nós
Escrever um livro sobre depressão é um desafio. Transformar este desafio em arte é uma tarefa de gênio. Não é por acaso que o renomado crítico literário Harold Bloom descreveu esta anatomia da depressão como 'obra de uma inteligência do bem'.

Para afirmar que este é o mais fundamental e necessário livro sobre o tema proposto, eu teria que ler todas as obras que já foram elaboradas com este propósito, o que seria um enorme desafio e presunção de minha parte.

Mas deixo aqui registrado que a prosa de Andrew Solomon, longe de ser densa, erudita e inquietante, é essencial para todos aqueles que desejam conhecer um pouco sobre este demônio que repousa soberano dentro de milhares de vidas. E neste aspecto se torna, na minha limitada opinião, um trabalho único e edificante sobre um tema tão doloroso e cercado de tabu por todos os lados.

A depressão é uma fissura impiedosa, e a sua marca pode ser vista nos traços do corpo daqueles que sofrem deste mal que muitos negam. Talvez, a depressão denuncie uma espécie de anomalia do sistema do qual nós, seres humanos, somos partes indivisíveis. Pois ao pertencermos a espécie humana, estamos abertos e expostos aos conflitos que surgem da simples convivência entre os seres que compõem a nossa irmandade sobre a terra.

Ao escrever este livro, o autor não apresenta respostas fáceis e um caminho para a garantia da cura, mas oferece uma luz para todos aqueles que estão imersos na escuridão de vidas que são conduzidas pelas pesadas mãos de um demônio que conheceram ao meio-dia.

Nanci 07/04/2014minha estante
Boa resenha, Thiago.

Vou ler o livro, com certeza.

Abraço, da Nanci.


Mirian 28/12/2016minha estante
Gostei muito desse livro, principalmente pela questão cultural e a forma como a depressão é vista em muitos momentos. O quanto reagimos a ela e o quão banalizamos o assunto depressão. Sua resenha explica um pouquinho do que o autor se propôs a mostrar. Lembrando da extrema dificuldade que ele passou para isso.... É um livro que vale a pena ser lido!




Eduarda 11/02/2016

Catarse para depressivos
O demônio do meio-dia, foi escrito por Andrew Solomon, que conta seu histórico de depressão e como viveu com a doença por quase toda a sua vida. Nunca escondi que sofro de depressão, o que me tornou bem mais sensível à história dele e tornou a leitura bem mais complicada, pois a identificação é imensa e parecia que eu lia meus próprios pensamentos. Pra uma doença tão marcada pelo estigma e tão difícil de ser entendida pelos que sofrem dela, o livro foi como um presente. Não é do tipo auto-ajuda, nem do tipo romance biográfico. O autor usa uma linguagem bem acessível nas suas observações e depois de dar uma breve ilustração de como a depressão é vista pelo próprio depressivo, fala das crises e colapsos que sofreu, dos tratamentos e ainda fala sobre as implicações históricas, sociais e biológicas, expondo aqui e ali alguns trechos de literatura de Virginia Woolf, Emily Dickinson e Charles Baudelaire, mostrando que nossos tormentos são, na verdade, universais. Não vou me demorar nos detalhes nem descrever os dias longos em que não conseguimos levantar da cama, a solidão e a falta de significado que a doença nos impõe. Pensei muitas vezes antes de expor dessa forma, mas acredito que o grande problema das doenças psicológicas é que não falamos o suficiente sobre elas, e por esse motivo, nossos amigos e familiares, que tentam nos ajudar, não sabem muito bem como lidar conosco, amiguinhos do Prozac, pela empatia, por assim dizer, por não entender o que acontece dentro de nós. Apesar de não ser bem uma leitura recreativa, acredito que seja bastante esclarecedora, afinal, todo mundo conhece um alguém que sofre ou já sofreu de depressão
Modesto 17/03/2017minha estante
Estupenda resenha! Nada mais, na falta de nada menos, a acrescer. Li-o e reli-o com a sombra pairando e o fantasma da depressão sobejamente avultando-se..


Dom Quixote 18/09/2017minha estante
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Luana 31/07/2012

A depressão é encarada por muitos como um mal moderno e para maioria é algo confuso do qual não se sabe quase nada. Muito se fala, pouco se sabe. E é dessa falta de informação que nasce o estigma dos que sofrem com a doença, o preconceito e o abuso dos remédios. Por isso o trabalho de Solomon em "O demônio do meio-dia" é tão importante, porque através deste livro ele tenta esclarecer todas as dúvidas sobre a depressão. A obra é uma das mais completas que o público geral pode encontrar, traz todos os aspectos sobre o problema, o pessoal, o científico, o social e o filosófico.

Talvez uma das coisas que dificultam o entendimento da depressão é que ela não segue um padrão específico e restrito, ela se manifesta de diferentes maneiras, mas em todas o sofrimento é o ponto latente. O livro traz depoimentos diversos, incluindo o do próprio autor, para mostrar as diferentes manifestações da doença. Solomon também fala sobre os tratamentos disponíveis, incluindo técnicas alternativas e a influencia dos mais diversos aspectos como religião e alimentação entre outros. A relação conturbada da depressão com o vício em drogas é outro fator discutido, assim como o suicídio, que rende um capítulo polêmico do livro.

Solomon destrói brilhantemente alguns mitos sobre a doença mostrando que ela está presente na história da humanidade desde a antiguidade e vem nos acompanhando até hoje sem distinção étnica, geográfica, de gênero, cultural ou social. Ele ainda nos leva ao debate político entorno da prevenção e do tratamento principalmente nos sistemas públicos de saúde.

Porém, o mais importante da obra é conseguir expressar tudo aquilo que aqueles que sofrem com a depressão gostariam de falar e não conseguem. E ainda mais por trazer uma enorme esperança de compreensão e vitalidade. Como o autor explica: "o oposto da depressão não é a felicidade, mas vitalidade".

"O Demônio do Meio-dia - Uma Anatomia da Depressão" já está está entre meus preferidos, é completo, bem estruturado, tem uma linguagem clara e uma delicadeza enorme com um assunto tão "pesado". Todos deveriam ler esta obra, não só os depressivos ou aqueles que convivem com eles, todos.
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Vanessa bibliotecária 07/07/2009

Andrew Solomon nos conta sua história e de outras pessoas, anônimas e famosas (como Virgína Wolf), que já passaram pela monstruosa e horripilante depressão. Ele fala do seu desespero, da morte da mãe, e da loucura de querer morrer (no capítulo 4, denominado Colapso, para mim, o mais importante do livro).
Leitura obrigatória para quem quer conhecer a depressão.
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marinapatalano 18/10/2016

O Demônio do meio-dia
Não existe melhor livro sobre o assunto.
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Nix 01/10/2011

O livro e muito bom, mas foi escrito para um publico em especifico
A boa qualidade em termos literarios eh indiscutivel, mas sinto que o conteudo soh ira tocar a alma daqueles que ja tiveram contato com a doenca emocional ou mental. Para mim foi otimo, confesso que amei o primeiro capitulo, mas pensei em larguar no meio, nao parei e no final o autor fecha o ciclo de tal forma, que da vontade de voltar para rever algumas partes. Se voce se sente mal e percebe que nao consegue mudar as coisas nem com a maior forca de vontade do mundo, voce deveria ler este livro.
paryan 08/07/2018minha estante
Isso mesmo!




Marcos 14/06/2016

Salmo 91.6 - O relato de uma vida
Monumental obra de Andrew Solomon que faz de fato uma anatomia sobre a depressão, doença que enfrentou durante grande parte da sua vida. Através de diversos relatos de pessoas que passam e passaram pela doença, o livro "O Demônio do Meio-Dia", relata com tamanha humanidade e ao mesmo tempo profundida que deixa qualquer compêndio médico sobre depressão no chinelo.

Como todas as demais doenças mentais, os mecanismos da depressão, de como afeta no cérebro e como e desencadeada ainda é um mistério para as ciências médicas, mas a depressão sem sombra de dúvida é algo inteiramente subjetivo, pessoal, e por mais que se afirme que tenha um componente genético, não está claro de que isso é definitivo para que a doença se instale no indivíduo.

Com rara maestria ao abordar temas tão complexo como é a depressão, Andrew Solomon humaniza a doença, que antes de qualquer coisa precisa ser entendida como um fato neurológico, e que precisa se afastado o estigma de que as pessoas que carregam essa marca durante sua vida são fracas ou estão fazendo manhas. A depressão, além de ser uma doença incapacitante, assim como todas as outras que degeneram a saúde das pessoas, é uma doença com um potencial alarmante do aumento dos índices de suicídios.

Pessoas que passaram por depressões profundas são capazes de entender o quão é difícil conviver com elas. Há ainda um grande preconceito com a doença e indiferença, principalmente por parte daquelas pessoas que se dizem não ter esse problemas, mas vestem-se de uma mascara para não mostrar sua real ferida. Estas, que simulam um estado de saúde sem a fraqueza e estigmatiza as pessoas que passam por esses problemas é que são pobres e fracas de espírito, pois não vão além de se mesmo e vivem uma eterna mentira para tirar vantagem de um mundo cada vez mais perverso e desumano.

Livro essencial para quem tem interesse em conhecer mais aprofundadamente sobre esta doença que afeta lares e vidas humanas. Um exercício de humanidade.

Nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia. Salmo 91.6
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Euflauzino 09/10/2018

Um raio de sol no quarto escuro

Vamos para mais um choque de realidade, agora sobre o grande mal que aflige mais de 350 milhões de pessoas mundo afora (segundo levantamento da OMS). Tenho me preparado há tempos para escrever esta resenha e ter eu entrado no vórtice deste furacão, apesar de sempre me achar imune à depressão e resiliente diante da melancolia, retardou o processo da escrita ainda mais.

“Sob vários nomes e disfarces, a depressão é e sempre foi onipresente por motivos bioquímicos e sociais. Este livro se esforça para abarcar a extensão do alcance temporal e geográfico da depressão. Se às vezes parece que a depressão é uma aflição própria da classe média do Ocidente moderno, isso se deve ao fato de que é nessa comunidade que repentinamente estamos ganhando uma nova sofisticação no reconhecimento, nomeação, tratamento e aceitação da depressão – e não porque temos quaisquer direitos especiais sobre a doença em si. Nenhum livro pode abarcar a extensão do sofrimento humano.”

Passei por um período particularmente escuro que me sugou toda a vontade de fazer as coisas, meus planos e objetivos pareceram perder o sentido, perdi o apetite e o sono desapareceu também, meu peito estava sempre apertado e eu sem fôlego. Era como se estivesse me afogando sem me importar com as consequências. Certamente um ou vários tentáculos da depressão haviam me atingido. Sorrir se tornara impossível, perdi o prazer pela vida cotidiana, minha vontade enfraqueceu a ponto de não conseguir e não querer fazer mais nada, apenas ficar parado contemplando o vazio. Pensei: será que destruí minha capacidade de sentir felicidade?

“A depressão é a imperfeição do amor. Para poder amar, temos que ser capazes de nos desesperarmos ante as perdas, e a depressão é o mecanismo desse desespero. Quando ela chega, destrói o indivíduo e finalmente ofusca sua capacidade de dar ou receber afeição. Ela é a solidão dentro de nós que se torna manifesta e destrói não apenas a conexão com outros, mas também a capacidade de estar em paz consigo mesmo.”

Nem preciso dizer que este livro O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão (Companhia das Letras, 584 páginas) me caiu como uma luva. Já venho lendo muito a respeito da ansiedade e da depressão, seja por curiosidade, seja para entender a mim e aos meus. Ter esta edição de Andrew Solomon foi de fundamental importância para me familiarizar com um dos males modernos que mais cresce atualmente.

O livro é dividido em capítulos que não deixa nada de fora: Depressão, Colapsos, Tratamentos, Alvernativas, Populações, Vícios, História, Pobreza, Política, Evolução e Esperança, além de um epílogo inédito para a edição brasileira. Dizer que este é mais um livro sobre a depressão seria no mínimo precipitado. Não é um livro, é um compêndio contendo tudo o que já se fez para livrar o ser humana das garras desta doença. Basta citar Contardo Calligaris (escritor, dramaturgo e psicanalista, colunista da Folha de São Paulo) na contra-capa:

“Se tivesse que descer na fossa de uma depressão e levar comigo apenas um livro, seria o de Solomon. Não sei se me ajudaria a encontrar uma cura, mas certamente, graças a ele, eu me sentiria menos sozinho.”

Esta frase nos dá a dimensão exata da importância deste livro a todos os que sofrem por terem a depressão ou por conviver com quem tenha.

Solomon participou de dezenas de tratamentos, sejam convencionais, inovadores ou alternativos. Psicanalíticos, medicamentosos e naturais, nada fugiu ao seu escrutínio. Portanto, ele é mais que qualificado para demonstrar o sofrimento e indicar caminhos a serem tomados.

“O diagnóstico é tão complexo quanto a doença. Os pacientes perguntam aos médicos o tempo inteiro: “Estou deprimido?”, como se o resultado pudesse ser obtido através de exame de sangue. O único modo de descobrir se alguém está deprimido é escutar e observar a si mesmo, examinar seus sentimentos e pensar sobre eles. Se alguém se sente mal sem nenhum motivo durante a maior parte do tempo, está deprimido. Caso se sinta mal a maior parte do tempo com motivo", também está deprimido, embora mudar os motivos possa ser a melhor maneira de avançar, em vez de simplesmente deixar de lado a circunstância e atacar a depressão. Se ela o incapacita, então é grave.”

A depressão não é apenas sofrimento, mas sofrimento demais por se tornar depressão. A tristeza não pode ser um sentimento mais poderoso que a felicidade, porque sua longa duração pode causar depressão. Precisamos transformar a dor, não suprimi-la ou ignorá-la, mas há como aprender com ela.

“George Brown disse sucintamente: “A depressão é uma reação a uma perda passada, e a ansiedade é uma reação a uma perda futura”. São Tomás de Aquino propôs que o medo é para a tristeza o que a esperança é para o prazer; ou, em palavras, que a ansiedade é a forma precursora da depressão. Eu sofria tanta ansiedade quando estava deprimido e sentia-me tão deprimido quando estava ansioso que passei a acreditar que o isolamento e o medo eram inseparáveis. (...) Cerca de metade dos pacientes com puros transtornos de ansiedade desenvolve depressão severa em um prazo de cinco anos. À medida que depressão e ansiedade são geneticamente determinadas, elas compartilham um único conjunto de genes (que são ligados aos genes do alcoolismo).”

Quando me vi enredado pela tristeza compreendi que a depressão é a materialização do desespero. E pior, olhando mais tarde, de fora, como se o que eu passei fosse algo acontecido com outra pessoa, pude perceber que os deprimidos enfiam alfinetes em seus próprios botes salva-vidas.

Depressão é mais que a melancolia, ela nos arremessa no escuro, nos paralisa, nos incapacita. Imploramos a deuses externos de toda e qualquer natureza que nos livre dos demônios internos. E o maior deus moderno é o Prozac, vendido e consumido igual analgésico infantil, por isso é preciso ter cuidado com automedicação e com o charlatanismo e a exploração do desespero.

“Há duas modalidades principais de tratamento para a depressão: psicoterapias, que lidam com palavras, e terapias de intervenção física, que incluem os cuidados farmacológicos e o eletrochoque ou terapia eletroconvulsiva. (...) É extremamente perigoso que tantas pessoas pensem que um tratamento dispensa o outro.”

Estar “à beira do abismo” paralisado pelo medo. Mas há pequenos indícios que podem se transformar em depressão e a ansiedade contribui sobremaneira para isso. É possível perceber jovens fazendo uso de álcool para lidar com as interações sociais, a ansiedade é incapacitante também e a bebida acaba por socializa-los. Estes tanto procuram estar seguros do mundo lá fora quanto de seus “eus” interiores.

site: Leia mais em: http://www.lerparadivertir.com/2018/10/o-demonio-do-meio-dia-uma-anatomia-da.html
Manuella 10/10/2018minha estante
Resenha maravilhosa! ^_^


Euflauzino 10/10/2018minha estante
obrigado querida, tive uma dificuldade enorme de confeccioná-la, não estou passando por um momento muito legal, então tudo o que era dito parecia ter sido escrito pra mim. então vitalidade a todos nós!


Lili 22/01/2019minha estante
Ótima resenha! Que o "demônio" desapareça e a vitalidade se faça presente!


Euflauzino 23/01/2019minha estante
isso mesmo querida Lili.




Ediany 18/03/2016

Didático
O livro trata com clareza o que é a depressão. Talvez pelo próprio autor sofrer com isso, o tema é abordado com praticidade.
Extensa pesquisa foi utilizada, tornando o livro um pouco pesado, porém aumentando a qualidade e a profundidade do conhecimento do tema.
Ao contrário de muitos livros, não é uma abordagem superficial e inconsistente, pelo contrário, pela sua abordagem merece ser lido, discutido e entendido.
Foi, de longe, o melhor tratado sobre depressão que li até hoje.
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eneida 08/08/2016

O autor é um paciente e estudou a fundo a depressão, sob vários ângulos, social, político e etc. Foi no Alasca entrevistar esquimós com depressão, conversou com mendigos, usuários de drogas, etc. Me impressionou bastante, me acrescentou mais ainda.
Walkí­ria Silva 23/03/2018minha estante
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Tiekon 15/01/2015

Enriquecedor.
No geral, gostei bastante. Pontos fortes: todo mundo conhece alguém ou é depressivo, então você vai se reconhecer em algum momento; ele cita especialmente depressão grave com direito a eletrochoques e internações, mostrando que depressão é muito pior do que sua tristeza matinal; o autor cita depoimentos de pessoas que conseguiram se recuperar cada um de maneiras diferentes e surpreendetes. Pontos fracos: por ser muito longo, acaba sendo cansativo principalmente no final, onde trata da política americana e sobre nomes de remédios demasiadamente.
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Andreia Santana 29/07/2019

Para mitigar a solidão dos depressivos
Nomear o mal para assim, conhecendo-o, poder lutar contra ele. O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão, de Andrew Solomon (Companhia das Letras, 2014), não só batiza, como faz a autópsia de um dos males mais cruéis e, ainda hoje, incompreendidos, embora a notificação de casos venha aumentando no rastro da busca cada vez maior por esclarecimento sobre os transtornos depressivos.

O livro, lançado em 2001 e publicado no Brasil em 2014, com um epílogo exclusivo para a edição brasileira ,onde o autor atualiza alguns fatos da edição original, contribui significativamente para diminuir o estigma sobre a doença. Mérito, aliás, do excelente trabalho de reportagem do autor, que é também um paciente em tratamento, com histórico de pelo menos três grandes surtos depressivos, como ele mesmo descreve.

Mas, o livro vai além de um relato pessoal ou de uma pesquisa aprofundada e desenvolve no leitor que não conhece o assunto na carne, a empatia por quem luta para não ser devorado por esse ‘demônio’. Me senti tocada e muito próxima das pessoas que sofrem da doença. Ao menos, mais capaz de compreendê-las.

Esclarecedor, sensível, rico em detalhes e extremamente didático, o que ajuda bastante como introdução ao tema para quem é leigo no assunto, a obra traz ainda muitos relatos de pacientes, com seus dramas e histórias de vida, bem como as tentativas de vencer a depressão.

O livro é denso e recheado de informações. Exige atenção na leitura, oferece quase 100 páginas só com notas explicativas, mas ainda assim é uma leitura agradável, sem academicismos, que dialoga com o leitor comum e descortina para ele um tema espinhoso, sem simplificar demais e sem complicar só por puro pedantismo.

Vale destacar as análises bastante lúcidas do autor sobre a atuação da indústria farmacêutica no tratamento da doença e do quanto, se por um lado, doentes de depressão precisam muito dos remédios para lutar contra o mal; por outro, existe uma tendência meio irresponsável de certas áreas da medicina em banalizar a prescrição de antidepressivos para quem não necessariamente precisa dessas drogas.

Solomon também passa em revista as psicoterapias, mostrando o quanto tomar coquetéis de remédios sem ter um acompanhamento psiquiátrico adequado é ineficaz para evitar recaídas. Do mesmo jeito que apenas fazer terapia sem o uso dos fármacos, para muitos doentes, não surte efeito e agrava os episódios da doença.

Os problemas da mente, como Andrew Solomon diz tão bem, ainda acarretam preconceito e falar do assunto é tabu, daí ele afirmar que “a depressão é uma doença solitária”. Por medo, por desconhecimento, por indiferença, a depressão ainda não recebe a atenção e cuidados compatíveis com o impacto que provoca não só na vida dos doentes, mas na de todos ao redor dele e na própria sociedade, em termos, por exemplo, da produtividade, criatividade e participação laboral e social dos afetados.

A depressão estigmatiza e enche os doentes de culpa. Pessoas com depressão acumulam quantidades impensáveis para quem não sofre da doença de sofrimento psíquico justamente por tornarem-se incapazes de ser elas mesmas e de produzir como fariam se não estivessem doentes.

Se enchem de tristeza ainda maior porque têm consciência do quanto suas famílias sofrem. E Solomon ilustra o quanto a doença é cruel ao trazer para o leitor de O demônio do meio-dia,/i> as inúmeras histórias de depressivos e de suas batalhas contra a doença incapacitante. Principalmente de mães depressivas que acabaram arrastando os filhos para esse mesmo poço, criando um ciclo difícil de quebrar.

Por outro lado, ele também faz um alerta para as famílias sobre a forma correta de acolher e amparar seus membros acometidos pelo problema. Segundo o autor, fingir que não está acontecendo nada, mantendo o demônio trancado no armário não faz com que ele desapareça ou diminui os estragos que é capaz de causar.

De forma bastante franca, o autor toca ainda no maior dos tabus dentro do espectro da depressão, o suicídio. E faz isso expondo a própria tentativa de se matar e contando as experiências de outros entrevistados. As histórias das pessoas entrevistadas pelo escritor, inclusive, são comoventes e dramáticas, mas o autor, até por viver a realidade da doença, não explora os dramas de suas fontes de forma banal, nem mesmo quando aborda a sombra do suicídio.

Ao contrário, ele dá voz a um grupo invisível e, em até certa medida, marginalizado e desumanizado por tratamentos que ao invés de buscar o modo peculiar como a doença mental se manifesta de pessoa para pessoa, homogeniza todos os pacientes em um amálgama sem contornos.

Se o doente depressivo já é estigmatizado, o doente depressivo que tentou se matar representa quase uma mácula indesejada para uma sociedade que não admite a existência sequer das pequenas tristezas cotidianas, que dirá de um abismo que oferece a morte como solução final.

Considerado um dos melhores tratados sobre o tema não escritos por psiquiatras, O demônio do meio-dia deriva de artigos que Andrew Solomon escreveu ao longo da década de 1990 para a revista New Yorker. O livro foi finalista do Prêmio Pulitzer, em 2002, e também recebeu homenagens como a do National Book Award, em 2001.

Todo esse reconhecimento, bastante merecido, ressalte-se, não é nada comparado às histórias de gratidão - que chegam a ele por meio de cartas - que o autor compartilha no epílogo brasileiro. Com sua sinceridade profunda e a coragem de expor a própria vida, Andrew Solomon transformou seu reconhecido best-seller em uma pequena luz na escuridão que, se não tem a dádiva de oferecer cura, tem ao menos o consolo de ajudar os depressivos a apaziguar o monstro que os assombra...

Um trecho do livro:

"Essa triste reunião para compartilhar a dor era um momento singular de libertação para muitas pessoas presentes. Lembrei dos meus piores momentos, daqueles rostos ansiosos e inquiridores, do meu pai dizendo: 'Está se sentindo melhor?', e do quanto me sentia desapontado ao dizer: 'Não, na verdade não". Alguns amigos tinham sido ótimos, mas, com outros, senti a necessidade de ser mais cuidadoso. E de fazer piadas. 'Adoraria vir, mas estou no meio de uma crise nervosa, será que não podemos combinar outra hora?' É fácil guardar segredos sendo sincero num tom de voz irônico. Aquela sensação elementar no grupo de apoio - eu trouxe minha consciência hoje, e você? - dizia muita coisa e, quase sem perceber, comecei a relaxar naqueles momentos. Muito não pode ser dito durante a depressão, só pode ser intuído por aqueles que conhecem. 'Se eu estivesse de muletas, eles não me pediriam para dançar', disse uma mulher a respeito dos esforços incansáveis de sua família para que ela fosse se divertir. Há tanta dor no mundo, e a maioria das pessoas guarda as suas em segredo, rodando por vidas de agonia em cadeiras de rodas invisíveis, dentro de um gesso ortopédico invisível cobrindo todo o corpo. Nós apoiávamos uns aos outros com o que dizíamos. Certa noite, Sue, agoniada, as lágrimas escorrendo pelo rímel pesado, disse: 'Preciso saber se algum de vocês já se sentiu assim e sobreviveu. Alguém me diga isso, vim até aqui para ouvi-lo, é verdade, por favor, digam-me que é'. Outra noite alguém disse: 'Minha alma dói tanto; preciso ter contato com outras pessoas'".

(O demônio do meio-dia - Uma anatomia da depressão, Andrew Solomon, Companhia das Letras, 2014, pág. 155).
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