Apologia da História

Apologia da História Marc Bloch




Resenhas - Apologia da História


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Bia 17/08/2017

Texto Crítico

A obra Apologia da História, ou oficio do Historiador, é um livro escrito pelo historiador March Bloch, que foi criador da revista das Annales, junto com Lucien Febvre, que viria a ser tornar a escola das “Anneles” , nesse livro não concluído, devido a morte do autor na segunda guerra mundial, se tornou a bíblia de todo pesquisador da história, devido ao fato que revolucionou a histografia da época, a obra está distribuída em quatro capítulos e o ultimo está inacabado.
Ele inicia com uma pergunta que seu filho fez pra ele “papai então me explica pra que serve a história” (p.41) . A história serve para
“guardar nossa cultura, o ocidente sempre foi histórico destas suas raízes, quanto cristãs, quanto antiga , nossa arte, nossos monumentos literários estão carregados dos ecos do passado, nossos homens de ação trazem incessantemente na boca suas lições reais ou supostas” ( p.43)
Critica a definição de “história é a ciência do passado” porque, não faria sentido, é absurda, entretanto para se estudar e compreender os fatos contemporâneos é necessário que se estude os vestígios do passado, pois os eventos presentes, são influenciados por este , é verdade que os primeiros historiadores “narravam , desordenadamente , acontecimentos cujo único elo era terem se produzido mais ou menos no mesmo momento : os eclipses, as chuvas de granizo , a aparição de espantosos meteoros junto com batalhas , tratados, mortes dos heróis e dos reis” (p.52) .
Segundo March, a história que os historiadores investigam é a que tem haver com a que o ser humano transforma, modifica, não cabe ao historiador estudar a história do sistema solar por exemplo, para ele a história é a ciência que estuda os homens do seu tempo, traz á balia aquele velho questionamento que já gerou muita discursão e polêmica entre os profissionais da área , a história é ciência ou arte e salienta que é ciência, entretanto como analisa fenômenos muito delicados e relativos, cabe ao profissional o poder de problematizar, questionar, discutir, para se chegar a uma “verdade” aceitável.
Salienta que um grande problema para o historiador é que ele obcecado em saber a origem dos eventos, e não só no sentido de inicio dos fatos , mas nas causas que levaram ao fato a ocorrer, por exemplo a origem do sistema feudal, que alguns argumentam ser em Roma e outros ser na Germânia ou explicar qual a origem do cristianismo e tentar esclarecer de como essa religião chegou até os dias atuais.
Bloch enfatiza que outro mal do historiador é julgar os fatos “de modo que em muitos casos o demônio das origens foi talvez uma avatar desse outro satânico inimigo da verdadeira história: a mania do julgamento” (p.58) . Não devemos julgar a opinião ou atitude do outro mesmo que não concordamos como ela, principalmente quando os indivíduos analisados são pessoas do passado, que viviam em uma sociedade diferente da nossa, com hábitos e maneiras de pensar e viver completamente distintas se fizemos isso estamos cometendo o anacronismo, que é o pior pecado do historiador.
Ele faz uma critica assídua a escola positivista, que argumenta que os fatos históricos devem ser precisos, exatos, não podem existir muitas teorias, ou seja, modos de ver, interpretar, o mesmo acontecimento, para os historiares que seguiam a linha de raciocino positivista, existia apenas uma verdade, que deveria ser buscada através das fontes históricas, para os positivistas, só era considerado ciência, aquilo que conseguisse estabelecer “ligações explicativas entre os fenômenos” (p.45) , alguns argumentam que a história não é objetiva , nem tem utilidade, pois aborda o passado, e o passado já passou, outros defendem que é “(...) o produto mais perigoso que a química do celebro já elaborou” (p.45) devido ao fato que o individuo que tem a compreensão dos saberes históricos, vai saber os motivos que levaram a uma sociedade desigual, porque o capitalismo é o sistema dominante em nossa sociedade, vai saber compreender porque a sociedade é preconceituosa com negros, mulheres, e outras minorias sociais , porque ocorreu determinada revolução como a francesa, que influenciou o mundo, com o lema de igualdade, liberdade e fraternidade, entre outros fatores . Ele vai explicando aos poucos ao leitor, que a história é uma ciência em constante movimento , já que vai sempre sendo modificada, que é sim frágil epistemologicamente em alguns aspectos, como o fato de o passado ser amplo e o historiador tem que fragmenta-lo cronologicamente pra estuda-lo, não poder fazer o confronto do relato com o passado, mas pode conforta-lo com outros relatos , entretanto os historiadores estão tentando melhora-la através dos métodos e técnicas, discute também que a História é uma ciência que está na fase da infância, ou seja, que ela ainda vai evoluir muito, através do trabalho árduo dos historiadores.
No segundo capitulo intitulado “Observação histórica” ele salienta, que não se pode buscar a verdade absoluta sobre o passado, pois ele já passou, não podemos estar lá , e sim tentar chegar a algo próximo da “verdade”, através do vestígios históricos que são fragmentos do que restou do passado. Trata da questão que deve-se usar fontes não escritas como a oralidade e adotar alguns métodos da arqueologia para se fazer a histografia, ele “diz” que o trabalho do historiador se assemelha a de um investigador criminal, que não presenciou o crime, mas deve reconstitua-lo através dos vestígios e é preciso entender que o historiador é parcial diante das fontes, por isso vão surgir muitas teorias acerca do mesmo fato.
No terceiro capitulo nomeado “ A critica” , enfatiza que o historiador deve usar de métodos para analisar aos fontes, que não devem confiar completamente nelas, pois podem ser falsificadas, e por isso temos a obrigação de fazer o confronto com os outras fontes, pra averiguar se elas dizem a verdade, deve existir um “conflito” entre fonte e historiador. Enfatiza, que as fontes, podem ser escritas em outros períodos, que não condizem com o momento que está sendo estudando pelo historiador.
“ Um documento , que se diz do século XII, está escrito sobre o papel , ao passo, que todos os que todos os originas desta época até agora encontrados o são pergaminhos ; a forma das letras aparece ai bem diferente do desenho observado em outros documentos da mesma data; a língua abunda em palavras e figuras de estilo estranhas ao uso unânime” . (p.111)

Bloch salienta que a ideia do historiador de trabalhar com probabilidades de um fato ocorrer é algo que pertence ao futuro , e se fizermos isso com o passado, vai se tornar um jogo metafisico . “Qual a probabilidade de Napoleão nascer? De Adolf Hitler, soldado de 1914, escapar as balas francesas. Não é proibido diverte-se com tais perguntas (p.117) , se Hitler tivesse sido morto pelos franceses , existiria o nazismo, se Napoleão tivesse invadido á Rússia no verão a teria destruído, bem essas perguntas não saberemos responder.
Enfatiza que na História, uma mesma palavra, pode ter mais de um significado como o termo “feudalismo” , que pode ser tratar de um sistema econômico e social como um período histórico, critica a questão da preocupação excessiva em datações, devemos sim se preocupar sim com datas, entretanto devemos se preocupar mais com questões culturais, como as pessoas viviam, pensam e se relacionavam. Enfatiza que uma civilização sempre vai herdar traços culturais e econômicos de outras, como ocorreu, com a civilização romana que herdou da grega. No quarto e último capitulo, sem titulo ele vai criticar o positivo, que tinha o intuito de eliminar a ideia da causa, da ciência histórica, sendo que todas as ciências tem esse aspecto . “Querendo ou não, todo físico , todo biólogo pensa através de “por que” e “porque”. Os historiadores não podem escapar a essa lei comum do espirito” (p.156) Ele explica que toda ciência, tem que analisar as causas que o deram origem ao evento, um médico por exemplo tem que analisar, as causas que deram origem a terminada doença, o mesmo tem que fazer o historiador, ele tem que buscar as causas de por que os eventos históricos ocorreram, por exemplo os motivos que deram origem a segunda guerra mundial, ele também traz a tona a questão que deve existir a interdisciplinaridade entre outras disciplinas, como a psicologia, a filosofia, a sociologia, a economia, entre outras áreas para se ter um melhor entendimento dos fatos históricos .


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Vitor Gabriel 30/01/2017

Um manual de como o historiador deve proceder em sua eterna busca pelos fatos que constituem o passado. Essa frase maximiza o livro, condensa-o simplificando sua gênese.
Li esse livro quando tinha 22 anos e voltei a ler agora, aos 32 anos. A idade e o amadurecimento foram fundamentais para essa impreitada , onde tornei a aprender, rindo em determinados momentos pela ácidez de algumas críticas.
Um ótimo livro para quem tem interesse em aprofundar estudos históricos.
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Luciano da Roberta 20/01/2017

Livro de cabeceira para todo profissional ou aquele que se interessa por essa área tão fascinante. Gostei muito. Farei uma releitura do mesmo.
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WagnerC4mp0s 31/12/2016

A obra inacabada de Bloch que deve ser ponto de partida para qualquer que se interesse por história.
Bloch já havia mostrado-se um historiador ímpar nas suas obras "os reis taumaturgos" e principalmente (ao meu ver) em "a sociedade feudal". Porém, foi em "apologia dá história" que ele fez com que o historiador buscasse uma maior reflexão acerca do seu ofício, dos "materiais" que usa neste ofício e de si mesmo. A obra é de difícil leitura, mas é algo que marcou, tanto a época de Bloch quanto as posteriores. Um material que deve ser relido por qualquer historiador não apenas duas ou três vezes.
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Priscila 27/10/2016

"...um ato completo de História."
Este foi meu primeiro livro de teoria da História, já iniciei a leitura da área em que pretendo me graduar, com esse excelente livro! Diante de sua grandiosidade receio me decepcionar com os próximos, mas claro que essa impressão só me trás ainda mais a certeza de que eu vou amar ler os livros teóricos de História.

A leitura foi uma conversa constante com o autor, com muitas reflexões e anotações, March Bloch me fez reconhecer muitas verdades que percebo no mundo em poucas páginas de um livro. A introdução de Jacques Le Goff é espetacular!!

Um historiador com certeza representaria minhas ideias muito melhor nessa resenha, mas eu, como leiga e somente entusiasta do assunto, tenho só vagas palavras mas ótimas impressões de leitura. Como minha pretensão em escrever as resenhas seja simplesmente gravar essas impressões sem maiores pretensões, posso dizer que a experiência de ler esse livro e saber um pouco do que é fazer história foi espetacular!!
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Amanda 20/04/2016

Resenha (acadêmica)
Um dos maiores responsáveis pela nova maneira de contemplar a ciência da historiografia, compreendendo que ela pode ir além de fatos datáveis e de decorações de nomes, para algo além que analisa a complexidade da relação humana com a sociedade e o tempo é Marc Bloch, esse historiador francês que nasceu em 6 de julho de 1886, na cidade de Lyon. Bloch teve sua obra Apologia da história ou ofício do historiador, publicada pela primeira vez em 1949 por seu amigo Lucien Febvre, cinco anos após ser morto por fuzilamento ao ser capturado pela Gestapo.
Sendo duramente crítico a cada parágrafo, Marc Bloch consegue já na introdução nos fazer entender, com a utilização de muitos exemplos e recursos linguísticos, a sua real intenção que vai diretamente contra ao pensamento metódico que era tendência em seu tempo quando aluno. O autor enfatiza também a dificuldade enfrentada pela História, ao querer ter seu papel de ciência aceito sem ser comparada á outras, que são passíveis de utilização de fórmulas para garantir sua legalidade.
A crítica feita por Bloch leva em consideração à tradição que a sociedade ocidental, composta por culturas helênicas, judaicas e cristãs formou ao longo dos tempos e assim enraizou um pensamento obsessivamente vicioso, onde não se levava em conta a cronologia histórica, mas sim que a ação se repetiria sem de fato haver uma evolução. Assim progressivamente esse pensamento foi evoluindo ao mesmo passo que a História foi sendo construída, e dessa forma a escola metódica ou positivista se consolida.
A fim de desmistificar a visão ilustrativa e bela da História, a escola metódica se justifica no fato que assim como as outras ciências a História só conseguiu ser levada á sério a partir da didática estabelecida pela mesma. É partindo desse pressuposto que o autor nos amplia a visão e diz que não importa o fato de a História encantar aos olhos humanos, por que ele existe para contar justamente nossas ações e por ser algo que é nosso automaticamente é atrativo aos ouvidos. Entretanto, devemos com base nos fatos e datações, que é essencial e que os positivistas ensinam estabelecer uma análise crítica progressiva, proposta trazida pelo autor, ao que nos é imposta, e assim a história terá sua profundidade merecida.
E algo curiosamente interessante é ressaltar que a análise histórica pode necessitar de outras ciências, muitas vezes exatas, para se tornar comprobatória, essa ideia muito bem colocada por Marc Bloch é uma quebra nos paradigmas existentes nesse período.
Mas nem por isso, Bloch deixa de ironizar a quem critica a dedicação dada á nossa ciência, chamando-os de eloquentes de espiritualidade.
Entender que ela pode ir além de um simples passatempo, ou apenas algo ilustrativo aos olhos do homem que é o protagonista dessa Ciência, faz parte do serviço do historiador garantir analises de fatos ocorridos no espaço e no tempo a partir de nossas ações na sociedade.
Para concluir assim como Bloch enfatiza eu compartilho da mesma opinião, nem sempre vamos conseguir solucionar todas as problematizações que acarreta a nossa ciência, mas como o mesmo diz: dão refresco a nossos estudos. (BLOCH, 2001, p. 49) E para chegar a um consenso, fica muito claro que é isso que diferencia a História de todas as outras ciências.
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DAI 10/07/2011

Uma leitura prazerosa...
Apaixonada por História desde criança, passei um bom tempo sem essas leituras... quando redescobri o BLOCH, percebi que não podemos deixar de fazer as coisas que mais gostamos...

Uma leitura intrigante, prazerosa, enriquecedora, que "acordou" a minha essência de historiadora, meu ímpeto pelo "historiar", antes perdido...

Mac Bloch nasceu para a História e morreu por ela... Seus escritos tornaram-se leituras obrigatórias para historiadores, estudantes, acadêmicos. Este livro, em especial, buscou desconstruir a antiga idéia de como deveria ser a produção do conhecimento histórico, meramente informativo, se atendendo apenas aos fatos... Bloch discute um novo método para os historiadores, através da interdisciplinaridade entre as ciências, da crítica e da problematização. O homem torna-se sujeito e objeto da história e passado e presente se complementam, visto que são dialéticos e, portanto, sua relação com o homem é dinâmica.
A História, segundo Bloch, é uma ciência que precisa ser reconhecida enquanto tal... é a velha discussão: "História é uma ciência ou uma arte?" que vêm a tona. A compreensão e a crítica é discutida pelo autor como precedentes da análise histórica e, o historiador, como homem de seu tempo e, por isso mesmo, influenciado por ele. Diante desses fatos, fica claro que um acontecimento histórico está sempre relacionado a outro e a produção historiográfica também recebe a influência do momento histórico do qual é produzida. Cabe ao historiador levantar as questões certas, abrindo as possibilidades de análises e de fontes.

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Bruna 26/06/2011

"Apologia da História" me deu um pouco de trabalho. É um livro bem teórico; demorei mais de um mês para terminar de lê-lo (quando não chega a ter 160 páginas) pela complexidade da linguagem e do conteúdo.

O livro é enxuto: muita informação em poucas palavras (o que considero uma virtude, nesse caso). Claro que essa "alta densidade" dificulta a compreensão - não foram raros os momentos em que tive que reler passagens a fim de conseguir entendê-las.

Quanto ao conteúdo, é excelente. Marc Bloch escreve basicamente sobre conceitos e pilares do ofício do historiador. Como leiga, achei o todo muito interessante, principalmente o capítulo que trata sobre a crítica histórica. Além disso, o obra é bastante esclarecedora com relação a vários pontos da profissão de historiador.

Não dou 5 estrelas, provavelmente, porque minha falta de bagagem não possibilitou o aproveitamento completo do livro. Recomendo-o, aliás, mas unicamente a quem se interessa pela área.
Jan 08/01/2016minha estante
Também achei o livro excelente, apesar da minha dificuldade em acompanhar a abundância de exemplos que ele usa e em compreender algumas ideias particulares que ele atrelava aos conceitos principais, especialmente no capitulo 3, a parte sobre o método de crítica. Fora isso, a leitura foi instigante. Vale mais releituras até o fim da vida rs. E me questiono, o que Marc Bloch acrescentaria se escrevesse esse livro nos nossos dias atuais.




Everton Jr 02/06/2011

Bom livro!!!
O primeiro capítulo do livro: A história, os homens e o tempo, já resume no título a intenção de Marc Bloch, representar o homem quanto sujeito da sua história. Buscando não mais uma História feixada apenas aos fatos, às datas e aos relatos. Ele a partir de então procurava uma história que conseguisse compreender as relações sociais que se deram através dos fatos, suas problematizações e seu contextos históricos. Indicando dessa maneira que o seu objeto não era o passado, mas o homem, mais precisamente os homens no tempo. Porém nunca se esquecendo de aliar o passado com presente, uma vez que as indagações do presente são o que fazem o historiador voltar-se para o passado buscando isso através da observação histórica os testemunhos e sua transmissão ( o que ele demonstra no capítulo II ).
Bloch afirma que o historiador, na sua leitura, não deve se atrelar apenas aos documentos escritos, mas deve trabalhar também os testemunhos não escritos, de outras ciências, em particular os da arqueologia, deixando de ser obcecado pelo relato, construindo assim um conhecimento pautado em vestígios – uma vez que o historiador não têm contato direto com seu objeto de estudo – já que ele considera impossível saber tudo sobre tudo. Bloch nos mostra no livro que o passado estará sempre em processo e progredindo, mudando muitas vezes seu modo de analizá-lo e entendê-lo, e que poderá ser escrito de maneira diferenciada de acordo com a visão de cada historiador e até mesmo interpretado diferentemente dependendo do leitor.
Continuando a leitura Bloch inicia “tentativa de uma lógica do método critico”, para que a História pudesse compor o rol das ciências, mostrando efetivamente que para o autor a História é uma ciência e que precisava ser reconhecida como tal, igualmente às outras – como ciências naturais, por exemplo, mesmo que seus antecessores tenham tentado fazer isso, mas ainda colocando a História em um nível mais baixo –, Marc tenta justificar a História repassando um método pessoal. Com este método o historiador mostrará ao homem um novo caminho “rumo à verdade e, por conseguinte, à justiça”
No capitulo IV: A Análise Histórica o autor usa como exemplo o juiz e o historiador, discutindo se a história deveria julgar ou compreender. Toma como defesa que o historiador deve compreender e não julgar, não é trabalho do historiador julgar outras civilizações, por exemplo, e sim de compreendê-las, revelando que um grupo social não é melhor nem pior que outro, e mostrando que é pela análise histórica que se inicia realmente o trabalho do historiador, sempre atento para os julgamentos, evitando cair em julgo próprio corrompendo assim o seu trabalho.
Bloch também defende que o historiador é quem faz a sua seleção do período histórico, o que ele chama de recorte histórico e, consequentemente ele também “escolhe e peneira” o seu ponto de estudo, indicando que não é obrigatório o saber de todo o conhecimento do passado ou do seu estudo, já que a noção de fonte é ampliada e abrangente, principalmente ao aumentar o período pesquisado.
No último capítulo, inacabado, que não recebera um título, foram analisadas as causas dos fatos históricos, e que tais causas não são postuladas e sim buscadas, não tendo como pré-determinadas – aqui fazendo uma crítica ao positivismo –, que um acontecimento é atrelado ao outro e que as produções do próprio historiador terá consequências e influências.
Fecha resumindo o “tempo humano” alegando que ele “permanecerá sempre rebelde quanto à implacável uniformidade como ao seccionamento rígido do tempo do relógio.”
E que os historiadores, por escolha e por falta de medidas adequadas à variedade temporal, conhecem apenas a margem deste tempo.
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*-* 09/10/2010

Livro Básico para todos os historiadores de ofício
Narrativa agradável e simples; Marc Bloch buscou neste livro sintetizar o historiador e a sua função enquanto enquanto produtor do conhecimento histórico. Para quem não está habituado a obras historiográficas, alguns tópicos irão ajudar os leitores a ter algumas noções básicas sobre o que é história:

* Toda história é social, nunca individual;

* Toda a história é mutante, transformadora;

* Toda a história deve ser problematizada;

Extremamente recomendado!!!
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mbpedago 28/02/2010

O livro do Marc Bloch é fundamental para quem trabalha com História, História da Educação ou algum tema correlato a questão histórica, independente da filiação teórica. Principalmente porque, tanto a introdução do Le Goff, como a obra de Bloch demonstram e esclarecem algumas questões em voga no debate historiográfico. Estabelece a concepção de história e a sua escrita, o compromisso do historiador e a questão metodológica.
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Becker 12/12/2009

Resenha do livro "Apologia da História ou Ofício de Historiador" Por Daniel Becker Gaspar.
Marc Bloch nasceu na França em 1886 e morreu em 1944. Junto com Lucien Febvre, fundou a revista do Annales, que se ateve aos estudos da História das mentalidades.

Seu livro, Apologia da História ou o oficio de historiador, foi publicado apenas em 1949, por Lucien Febvre, por tanto uma obra póstuma.

No primeiro capítulo, Marc Bloch trata da História, dos homens e do tempo,como já diz o próprio nome do capítulo “A história, os homens e o tempo”, ou seja, vai nos dizer sobre o homem fazer História no seu tempo, o homem, é o homem do seu tempo. O homem é o sujeito da História, seu agente por excelência, e não os fatos, apenas, e como tal, é o homem, no papel de historiador, que escolhe o que pesquisar, que busca no passado a pergunta do presente a qual ele quer responder...Como diz, Victor Serge, citado por Jean Chesneaux no seu livro, Devemos fazer tabula rasa do passado? “o historiador é sempre “de seu tempo”, quer dizer, de sua classe social, de seu país, de seu meio político.” (p.67).

Marc Bloch, também nos diz sobre a importância da interdisciplinaridade, porém, em certo momento ele no diz algo sobre curiosos simplistas, fala sobre antiquários que de um lado se preocupam apenas “em desenfaixar os deuses mortos; do outro, sociólogos, economistas, publicistas – os únicos exploradores do vivo...” (p.62), ele quer nos dizer com isso que esses sujeitos, não buscam no passado resposta para responder as suas perguntas, isso é, se eles a tem, no máximo, fazem observações limitadas algumas décadas atrás, ou seja, alguns não tem perguntas do presente para usarem o estudo do passado para responder a elas, mas estudam o passado como algo fora do contexto atual de sua época, e outros, não usam o passado para responder suas perguntas do presente, imaginando que o passado em nada interfere nele.

No segundo capítulo, intitulado, A observação histórica, Marc Bloch nos diz sobre a impossibilidade do historiador constatar o fato real ocorrido, assim sabemos que ele só poderá construir um conhecimento do passado em cima de vestígios estudados. Trata sobre se trabalhar com documentos não escritos, usa muito a arqueologia como exemplo de produtora de conhecimento não escrito, ele nos passa a importância de dialogar com testemunhos não escritos, por ser o trabalho do historiador comparado ao de um investigador criminal que não presenciou o crime, e ter que reconstituir a “cena” do passado a partir de vestígios documentais, e, é inevitável que sempre vão se ter diferentes visões do mesmo fato ocorrido, “toda coletânea de coisas vistas é, em uma boa metade, de coisas vistas por outro” (p. 70). Em vários momentos M. Bloch, cita algo para relembrar que o historiador não é neutro, sempre nos lembra que o historiador tem um direcionamento para suas perguntas.

Marc Bloch, deixa claro que o passado é algo, por definição imutável, isso é evidente, pois o passado está acabado, já passou, e o que o historiador pretende é dar luz a esse passado, o que muda, não é o passado, e sim a forma de como iluminar ele, e não só a forma, conta muito os motivos para se querer elucidar certos aspectos do passado do homem e de sua obra...

Em um terceiro momento, no capítulo III, nomeado como A crítica, Bloch nos relata como usar o método, ele insiste nisso, pois para ele essa é uma forma de tentar fazer a História ser reconhecida como uma ciência. Nos diz também sobre não aceitar com facilidade, qualquer documento que se apresente, devemos estudar-lo com cautela, pois documentos podem ser falsificados. Ele nos diz muito sobre o método crítico também, como ler o documento, relata uma “luta” com a interpretação do documento, “ali onde Maurras, Bainville ou Plekhanov afirmam, Fustel de Coulanges ou Henri Pirenne teriam duvidado” (p.94). Para ele a incerteza está em quem estuda o passado, e não no passado, pois o passado já ocorreu, o fato está pronto, basta ao historiador, elucidar ele da melhor forma possível...

Sobre as falsificações, ele nos diz que ela tanto pode ser de tempos diferentes ao que apontam, por exemplo, uma carta que dizem ser do século VII, mas que na realidade é uma falsificação feita no século XIII, e também podem existir falsificações contemporâneas.

Nesse mesmo 3° capítulo, ele defende o uso das notas de rodapé, diz que é importante fazer as citações para poder situar o leitor no contexto que o autor de determinado livro esteja falando.

Já no quarto capítulo, que leva o nome de A análise histórica, Marc Bloch, propõem ao leitor, tentar entender se a História é uma tentativa de análise ou de reprodução, diz claramente que é errôneo julgar algum fato passado, o que se deve de fato, tentar, é compreender determinado fato que tenha ocorrido, ele nos da um motivo do porque não se deve fazer julgamentos...” Montaigne já nos chamara a atenção: “A partir do momento em que o julgamento pende para um lado, não se pode evitar de contornar e distorcer a narração nesse viés” (p.126). Todo recorte hoje, pode sofrer mudanças no futuro, já que ele diz sobre a humanidade ter seu desenvolvimento intelectual, e, é totalmente possível um estudo superar um outro, calcado no mesmo recorte temporal, já que a possibilidade do desenvolvimento intelectual permite isso, como nos diz o próprio Marc Bloch.

Em certo momento, ele nos diz algo muito importante sobre a compreensão, “a história, com a condição de ela própria renunciar a seus falsos ares de arcanjo, deve nos ajudar a curar esse defeito. Ela é uma vasta experiência de variedades humanas, um longo encontro dos homens. A vida, como a ciência, tem tudo a ganhar se esse encontro for fraternal”. (p. 128).

Marc Bloch, também nos fala dos fatores sobre os aspectos para se constituir qualquer ciência, em especial, já que é disso que se trata o livro em questão, da História, “para fazer uma ciência, será sempre preciso duas coisas: uma realidade, mas também um homem” (p.128). Pelo que Bloch nos diz, entendesse que existe uma troca de relações mútuas entre o homem e o ambiente, entre o homem e as coisas, entre o homem e o “habitat”, podemos assim dizer.

Marc Bloch, prega que é um erro, imaginar que um saber é o saber da verdade, outra vez nos fala da importância da interdisciplinaridade, de como um campo do saber humano pode ajudar em outro... Marc Bloch, usa um termo sobre fogos cruzando, se interpenetrando para comparar com a ciência, eu, particularmente prefiro o termo “teia de aranha”, que no limite, quer expressar a mesma coisa, porém, creio que por este termo possa ser mais fácil compreendido o que ele quer dizer, é só imaginarmos uma teia de aranha com todas as suas interligações, tudo nela, se combina, tudo nela se complementa...

No quinto e último capítulo, um capítulo sem nome, um capítulo breve, por sinal, mas de muito conteúdo. Marc Bloch, começa com uma crítica ferrenha ao positivismo, “ em vão o positivismo pretendeu eliminar da ciência a idéia de causa” (p.155).

O historiador, porém não só ele, deve se tomar de uma consciência critica, isso, é algo que Bloch enfatiza. Fica claro também, que o estudo desenvolvido terá um futuro, ou seja, vai vir a influenciar outros estudos, que serão desenvolvido a partir de um pré existente. Ele diz ainda, que o foco da pesquisa deve ser no “como” e não apenas no “que” ou seja, como aconteceu certo fato, e não o que aconteceu em determinado época, o processo, diz ele, é mais importante para se entender, do que apenas contar a “historinha” do que aconteceu, porém o conjunto dos dois devem ser analisados.

A obra de Marc Bloch, é referência até os dias de hoje, percebesse com isso que ele é uma influência em historiografia, como ele mesmo disse, sobre um estudo refletir ou influenciar no futuro, a própria obra dele serviu de influência, é o Marc Bloch, talvez, involuntariamente ratificando suas palavras no passado com sua obra sendo utilizada até hoje... Com isso, é fato que ele tinha razão. A História é um conjunto de fatores que devem ser estudados a fim de elucidar o passado, até que venha outro historiador e encontre outras perguntas para responder a uma questão, que por ventura mostre outro ângulo desse passado elucidado, ou que jogue luzes em um foco escuro da História. Podemos enxergar claramente isto na obra de Marc Bloch, ele nos passa pormenorizadamente, como deve ser, na visão dele, o ofício de historiador.



Daniel Becker Gaspar
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