O Caçador de Andróides

O Caçador de Andróides Philip K. Dick




Resenhas - O Caçador de Andróides


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Matheus Lins 22/04/2009

http://battlenerds.wordpress.com/2009/03/04/do-androids-dream-of-electric-sheep/
Após uma guerra conhecida como Terminus - que, na altura que o romance começa, ninguem sabe mais por que se deu ou por quem - a Terra se encontra em frangalhos, a maior porção de sua fauna e flora extinta, acometida por altos níveis de radiação que inevitavelmente aleijam a todos. As pessoas são instigadas a partirem para colônias em Marte. A maioria o faz - mas uma minoria decide permanecer nas ruínas da Terra, mesmo sob o risco de serem eventualmente classificadas como especiais, eufenismo para retardadas, alcunha que sela o destino do seu portador, tornando-o um pária, alguém efetivamente fora da Humanidade por carregar genes indesejáveis.

Nesse contexto vive o anti-heroi da história, Rick Deckard, um caçador de recompensas profissional especializado em retirar androides orgânicos, os quais escapam periodicamente de Marte para a Terra, ansiando por uma vida de liberdades. Os primeiros droides eram de fácil detecção, mas conforme a tecnologia progrediu tornou-se mais difícil distingui-los dos humanos, especialmente dos retardados.

A ferramenta instrumental para identificá-los é o Teste de Empatia Voigt-Kampff, que visa a denunciar o caráter inumano dos droides através de perguntas envolvendo temas sensíveis como torturas e estupros. Por serem incapazes de sentir empatia por outros seres, droides tendem a reagir com indiferença ou com respostas emocionais claramente fingidas. Decretada a artificialidade, são retirados (outro eufenismo, assassinato) e um teste em suas medúlas ósseas é feitos para confirmar o caráter artificial.

Após o caçador de recompensas de maior prestígio do seu departamento ser aleijado por um Nexus-6 (o modelo droide mais recente) enquanto tentava questioná-lo, Deckard é encarregado de localizar e retirar seis unidades do dito modelo. Com o farto pagamento, ele visa a comprar um animal; um animal de verdade.

(Em virtude da situação semi-inóspita em que a Terra se encontra, é um dever de todo cidadão possuir pelo menos um animal, alimentá-lo e mantê-lo saudável para a procriação. Deckard sempre quis um cavalo, mas não tinha condições de comprá-lo, então se contentou com uma ovelha - a qual morreu, um ano antes, de tétano, obrigando-o a optar por um artigo falso que impetuosamente mina a sua auto-estima.)

Ele divide os holofotes com John Isidore, um especial que vive sozinho num condomínio que costumava ser densamente habitado. Ele trabalha para uma Clínica Veterinária de fachada que na verdade constroi e conserta animais eletrônicos. Ele cruza caminhos com três dos Nexus-6 refugiados, oferendo-lhes abrigo e companhia, visto que eles pelo menos o tratam com indiferença, não com desprezo.

Mas será que Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? não se trata apenas de um típico enredo sic-fi temperado com ação e robôs, é muitro mais do que isso; a obra, em seu âmago, é uma análise cínica do sentimento mais peculiar do ser humano, aquele que nos distingue de todos os outros animais: a empatia, ou seja, a capacidade de nos identificarmos com o outro.

Após um certo incidente no decurso da história, Deckard se torna progressivamente inseguro em relação ao papel que desempenha. Ele começa a questionar se existe uma diferença realmente significativa entre nós e os androides, visto que aquilo que teoricamente nos separa deles - a empatia - se mostrava cada vez menos nítido. Afinal, se ele se mostrava indiferente para com os droides que retirava, no que ele se diferenciava de um típico droide? E a partir do momento que sua atitude oscila para o outro extremo, suas convicções se tornam frágeis como um castelo de cartas, sendo fortificadas apenas com a assistência de Wilbur Mercer.

"Opa. Quem diabos é Wilbur Mercer?" você pode estar se perguntando. Não existe uma resposta fácil. Ele é, supostamente, o Deus-messias do mercerismo, a religião predominante no cenário do romance. Conectando-se através de uma "caixa de empatia", é possível vivenciar, numa orgia de emoções compartilhados, a saga de um homem subindo a uma montanha, sendo alvo constante de pedras e das forças da natureza, até chegar - triunfante - ao topo, apenas para recomeçar tudo novamente. Essa é a manifestação mais clara dos devaneios filosóficos de Philip K. Dick, uma que admito não ter compreendido completamente.
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Marcos Bassini 13/02/2009

Sim, andróides contam carneirinhos (elétricos)
Se o submarino foi inventado graças a Júlio Verne e suas 20 mil Léguas Submarinas, não estranhe a afirmação: se a internet e a robótica já despediram-se do hipotético e teletransportaram-se para o nosso dia-a-dia, um dos grandes responsáveis por isso é Philip K. Dick. Não, não é por acaso que os melhores argumentos dos filmes de ficção científica americanos - exceto o Código 46, que não é dele mas também é um primor de história – têm a assinatura deste autor visionário.
Maurício Coelho 15/05/2014minha estante
Sou fã de Verne e do PKD, mas não, Verne não inventou o submarino, ele já existia antes e PKD não inventou a internet ou a robótica. Alias o termo "robótica" foi inventado por outro autor de ficção: Isaac Asimov. E o que viria a ser a internet já tinha sido pensado por Tesla e não por Dick.




Thati 15/08/2020

Tem seu valor
Ler com um olhar mais filosófico, analisando os valores e as relações fez o livro fazer muito sentido para mim.
Todavia não me conectei com os personagens, não consegui os ver bem desenvolvidos.
Sigo pensando sobre o livro e questiono se não há um "hype" sobre ele.
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SakuraUchiha 28/04/2015

Venha conhecer o mundo dos andys.
Eu li este livro já faz algum tempo. Se você é uma daquelas pessoas que leu o livro depois de ver o filme não se surpreenda se você ficar perdido. O romance é muito mais animalístico e de baixa tecnologia do que seria esperado.
O livro vai esclarecer muitas das questões levantadas a partir do filme. O livro segue Rick Deckard, um caçador de recompensas futurista atribuído a matar androides-humanos (ou como eles foram chamados somente o filme, Replicantes. No livro, são apenas referido como androides ou andys). Enquanto está a caça de um novo modelo de andy, o Nexus-6, ele se apaixona por outra andy, Rachel Rosen (Tyrell no filme), que lhe ajuda na sua missão.
O livro tem uma sensação extremamente sombria, como acontece com muitos dos outros livros de Philip K. Dick. Eu encorajo todos os leitores a ler este livro, mesmo que não tenham visto "Blade Runner" ou se não gostaram do filme.
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Betinha 10/02/2015

Bom Livro!
Eu gostei bastante do livro, ele realmente nos faz pensar o que nos define como humanos.
Gostei dos personagens e do tipo de narrativa, que não é nada enrolada e cansativa, ainda que em determinados momentos tenha ficado um pouco complicado entender alguns elementos que não estão presentes no nosso dia a dia.
Não assisti ao filme Blade Runner, mas pretendo assistir em breve.
Eu recomendo a leitura para quem quer uma história de ficção científica com toque de filosofia e ética, como o Pedro Mendes aqui em baixo disse.
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Cristiane F. 15/02/2010

Quase cinco...
Ótima leitura... ótimo enredo... belas citações...

Só não foi melhor... porque quando li já estava impregnada de outros elementos (audiovisuais)... e impregnada com tal maravilhamento... que não pude atribuí-los totalmente às palavras proferidas pelo autor...

Mas... sempre vale a conferida... e de mais a mais... acho que isso de atribuir conceitos, depende muito dos "humores do momento"!
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Isadora 28/07/2020

Aquela ficção científica que a gente ama
Por favor não assistam o filme novo porque não tem nada a ver com a história. Assistam o velho que é melhor. Estava na metade do livro quando decidir assistir o filme novo e fiquei "o q ta acontecendo aqui?".
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Mima 18/11/2012

Resenha Crítica - O Caçador de Andróides
Em O Caçador de Androides de Phillip Dick, o planeta Terra encontra-se devastado por conta de uma grande Guerra, o autor não especifica exatamente quando e porque se sucedeu, mas sabemos que os efeitos foram drásticos, causando a perda de grande parte da fauna e flora de nosso planeta por conta dos autos índices de radiação. Boa parte da humanidade é aconselhada a migrar para colônias em Marte, entretanto existe uma minoria que decide ficar e sofrer as consequências causadas pela radiatividade. Nessa realidade esta o nosso anti-heroi Rick Deckard, um caçador de recompensas especializado em capturar androides que eventualmente escapam de Marte e fogem para a Terra em busca de liberdade.

Phillip consegue prender a atenção do leitor com sua visão analítica das situações vividas pelos personagens. Assim como muitos autores do gênero ficção da época, Phillip é um visionário. Consegue descrever um cenário nitidamente evoluído em termos tecnológicos, entretanto há aspectos muito antiquados a serem analisados no livro. Em certo ponto encontro uma palavra que faz referência à técnica da datilografia. Pensei, datilografia? Mal sabia Dick que alguns anos mais tarde viria a ascensão da informática e com ela os primeiros computadores pessoais que, de certa forma, possibilitaram toda a tecnologia que usufruímos hoje em dia. Ainda assim ele conseguiu “prever” as chamadas de vídeo, que embora tenham sido capazes de serem realizadas há apenas alguns anos atrás, já eram imaginadas em narrativas como essa.

Ao ler este livro percebo como nossos passos até o grande avanço tecnológico ocorreram devagar. O autor “previu” toda uma mudança, em diferentes sentidos, emocional, comportamental, tecnológico em menos de 30 anos, claro tudo isso devido à ocorrência de uma grande Guerra. Mas ao ler essa narrativa hoje, 2012, percebo que a humanidade evolui a passos lentos. Na nossa atmosfera atual tudo parece tão extremo, rápido. Compramos um aparelho hoje e amanhã ele já não nos serve e não existem mais peças para consertá-lo porque já saiu de circulação comercial. Entretanto, desde o ano em que a história foi escrita, entre 1966 e 1968, levamos mais de 40 anos para chegarmos a esse nível tecnológico e ainda não alcançamos todo o nosso potencial, digamos assim.

A personagem J.R Isidore, um especial que vive sozinho em um condomínio que costumava ser habitado antes da grande Guerra, em certa altura da narrativa utiliza a frase “O entulho expulsa o não-entulho” (p.37), referindo-se ao que foi deixado para trás. Os objetos sem utilidade que foram abandonados pelas pessoas e que parecem se multiplicar ao passar dos dias. “Trata-se de um princípio universal, que opera em todo o universo; o universo inteiro está se movendo para um estágio final de entulhamento total, absoluto.” (p.38), uma frase escrita há 40 anos e que faz muito sentido no período que vivemos. Com as inovações tecnológicas a necessidade de adquirir cresceu absurdamente, assim como também aprendemos a nos desfazer muito fácil das coisas. Mas isso também pode ser relacionado aos excessos de informação, tanto do que recebemos, como do que divulgamos. Sentimos uma necessidade enorme de nos tornarmos públicos, de firmarmos nossa identidade como seres únicos não percebendo que agimos todos iguais.

Com personagens como Buster Amigão, o apresentador de TV que fica no ar por 23 horas seguidas ininterruptamente, e Wilbur Mercer, uma espécie de deus, ou até mesmo de “Grande Irmão”, que dita as regras entre os humanos, o autor apresenta essa nossa grande necessidade de dependência e nos mostra como a sociedade vive ao redor de um mesmo pensamento. Precisamos de alguém nos dizendo o que fazer, como fazer, para onde ir. Tanto que quando Buster revela que Mercer é na verdade uma grande farsa, conseguimos notar o caos emocional da personagem Isidore e o vazio deixado pela revelação. Duas épocas totalmente distintas e ao mesmo tempo tão semelhantes, na primeira, segundo Dick, uma sociedade guiada por um único pensamento e na segunda, nossa atual realidade, uma sociedade onde as pessoas precisam se diferenciar, mas que acabam utilizando os mesmos métodos para alcançar tal objetivo. Nas duas um mesmo pensamento movimenta as ações.

Phillip Dick consegue criar um mundo onde realidade e ficção se chocam, como por exemplo, quando cita uma exposição de arte com quadros do pintor expressionista Edvard Munch ao mesmo tempo que Rick Deckard caça o androide Luba Luft, uma famosa cantora de ópera. A união do real e do imaginário se consolida criando assim essa narrativa surpreendente e instigante. Nesse cenário de caos e destruição, onde as emoções são guiadas e compartilhadas, onde os humanos restantes na Terra só esperam ter, criar algo verdadeiro enquanto o fim realmente não chega, o autor consegue deixar várias questões em aberto que, a meu ver, só nos impulsionam a criar pensamentos e explicações diferentes uns dos outros. Uma excelente leitura, capaz de nos explicar melhor as atuais mudanças pelas quais estamos passando.
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Escriba 19/04/2013

Mais denso que o filme.
OBS.: esta resenha também foi postada em meu blog, onde listo referências (links) interessantes a respeito da obra e do autor.

Confira em: http://escribaencapuzado.wordpress.com


Escrito pelo americano Philip K. Dick, O Caçador de Androides* é uma ficção científica indicada ao Prêmio Nebula de 1968, ano de sua publicação. Foi editado no Brasil somente em 1983, um ano após o lançamento de Blade Runner: O Caçador de Androides, adaptação cinematográfica dirigida por Ridley Scott e estrelada por Harrison Ford. A despeito do lapso temporal, a obra se mantém atual nas reflexões que propõe, mas pode não agradar aos fãs do filme.


O cenário é a Terra do futuro**, arruinada por uma guerra sobre a qual restam pouquíssimos registros. Suas consequências, porém, estão presentes no cotidiano: a radioatividade impregna o planeta; flora e fauna praticamente extintas dão lugar a réplicas artificiais. Os incapazes de se refugiar nas colônias marcianas estão fadados à sobrevivência num ambiente miserável, inóspito e repudiado.


Insuflada pela necessidade e pela monstruosa engenhosidade humana, a tecnologia evoluiu e atingiu o zênite com o advento dos androides orgânicos. Feitos à imagem e semelhança do ser humano, eles somente podem ser distinguidos por intermédio de testes especiais de empatia, faculdade que mal podem emular; isto representa uma ameaça, pois os androides, tidos como mão-de-obra escrava, acabam por revoltar-se contra sua condição.


Nesta distopia tétrica vive Rick Deckard, caçador de recompensas de meia-idade a serviço da polícia que é convocado para localizar e “aposentar” androides rebeldes fugitivos de Marte. Vivendo uma crise matrimonial e de consciência, Deckard busca conforto na aquisição de uma ovelha legítima, um artigo de luxo. Envolvido na caçada contra sua vontade está J.R. Isidore, um “especial” cuja vida é a própria representação da realidade sinistra desta sociedade pós-apocalíptica.


Ainda que livro e filme se fundamentem na mesma premissa, há diferenças consideráveis, a começar pela caracterização do ambiente. A película apresenta uma Terra superpopulosa, com arranha-céus decadentes, carros voadores, e letreiros luminosos bombardeando propagandas a todo instante. A combinação de sombra e luz traduz um clima decante e sujo, mas ao mesmo tempo fascinante e brilhante.


No romance, impera a sensação de desolação. O mundo é um lugar escuro, silencioso, vazio; a visão de Dick é soturna, desesperadora, e sobressai-se à de Scott. Este aspecto é nítido nas cenas protagonizadas pelo marginalizado Isidore, responsável por expor o horror e a penúria de sua subsistência ao leitor.


Duas particularidades instigantes do cenário que foram ignoradas no cinema se destacam: a existência de uma tecnorreligião – que, infelizmente, surge envolta numa aura de confusão, o que talvez justifique não ter sido abordada no filme – e a possibilidade de manipulação das emoções humanas via estímulos elétricos.


O autor expõe as particularidades de sua visão pessimista do futuro com maestria, mas peca ao conduzir a ação em torno da perseguição aos androides. Exceto por dois pontos específicos da trama, é difícil ao leitor preocupar-se com o destino do protagonista – apesar do texto frisar a capacidade superior dos androides, Deckard nunca parece estar verdadeiramente ameaçado por eles.


Fãs da obra de Scott ficarão incomodados também com a frágil descrição do combate final contra o androide Roy, que é descrito como o mais poderoso do grupo caçado: o confronto aqui é patético se comparado a da versão cinematográfica, repleta de energia e poesia.


Contudo, Dick consegue acertar em cheio no tom em alguns pontos, como quando Deckard é confrontado com uma possibilidade aterradora que o leva a questionar a si mesmo, num dos momentos mais bem trabalhados do enredo – este deve ter inspirado a eterna questão acerca da natureza do protagonista no filme, dúvida esta que logo é sanada no livro.


O desfecho deixa a desejar: lento e inesperado, representa um verdadeiro anticlímax, ainda que induza a muitas reflexões. Toda a história ocorre num único dia da vida do protagonista, o que é curioso. Infelizmente, isto reforça a sensação de que Deckard jamais esteve em perigo, tornando-o excessivamente habilidoso e capaz em seu trabalho – e também inverossímil.


O valor da obra de Dick está justamente na proposição de questões filosóficas e sua leitura proporciona um exercício de reflexão, em vista da complexidade dos temas. Quem buscar aqui a grandiosidade cinematográfica do filme de Scott irá se decepcionar. Não é, em absoluto, uma leitura fácil. Pelo contrário, O Caçador de Androides é aquele tipo de livro que requer releituras com um olhar atento, maduro, para lhe decifrar os mistérios. Concedo-lhe, assim, 3 penas-tinteiro (estrelas).


E esta é a humilde opinião de um escriba.


NOTAS:
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* Tradução aberrante do título original, Do Androids Dream With Eletric Sheep

** Na edição original a história era ambientada no ano de 1992, mas esta data foi alterada em edições posteriores para 2021 pelas filhas do autor, detentoras de seu espólio. A intenção era evitar que o livro parecesse datado ou ultrapassado.
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sp00kyCarlos 30/04/2013

Afinal, andróides sonham com ovelhas elétricas?
O filme Blade Runner é um clássico da Ficção Científica e, como todas obras do gênero, foi inspirada em algum livro. Neste caso, Philip Dick escreveu um conto chamado Do Androids Dream of Electric Sheep (Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?) e Ridley Scott adaptou boa parte dessa obra e criou o filme.

Falando sobre o livro, a história é semelhante àquela apresentada no filme, mas não igual. No livro, temos a inclusão de alguns personagens que não existem no filme, como o "especial" Isidore, que é um co-protagonista e fundamental para o andamento da história.

Sobre a parte técnica, a leitura às vezes foi meio travada, não fluindo natualmente e me fazendo voltar algumas páginas para me situar, nas nada que prejudicasse a experiência de leitura.

Sobre a história, o autor cria um futuro distópico, com uma Terra devastada pela guerra nuclear, uma população emigrando para outros planetas e ganhando de presente um andróide, e os poucos que ainda ficam aqui sofrendo de degeneração radioativa e vendo um mundo sendo reduzido a poeira, literalmente. Neste contexto, acompanhamos a história de alguns andróides que fugiram cá e são caçados por Rick Deckard, um caçador de cabeças cujo maior sonho é comprar animal de verdade, substituindo sua ovelha elétrica. Paralelo a isso, conhecemos um deficiente mental chamado Isidore

Uma característica interessante do autor é que ele eleva os andróides a um patamar quase humano, diferenciando-os dos robôs tradicionais. Como eles são biologicamente semelhantes a nós, somos apresentados ao famoso teste psicológico Void-Kampf, numa tentativa de identificá-los.

Pontos positivos: universo visualmente impactante; bons personagens; conceitos interessantes como a Caixa de Empatia, os testes psicológicos e os animais elétricos.

Pontos negativos: leitura algumas vezes difícil; personagens emocional e psicologicamente pouco desenvolvidos, especialmente os andróides.

É uma boa leitura para quem gosta de Ficção Científica e altamente recomendável para quem é fã do filme.
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Carlozandre 20/01/2014

A réplica dos androides
São significativas as diferenças de superfície e forma que separam O Caçador de Androides (Do Androids Dream of Electric Sheep?), o romance de Philip K. Dick, de O Caçador de Androides, o filme de Ridley Scott que está completando 30 anos hoje (a morte de Dick também ocorreu em 1982, no mês de março, antes de a obra estrear. Leia mais sobre ele no próximo post). No livro, que teve uma reedição no Brasil pela Rocco em 2007, com 256 páginas e tradução de Ryta Vinagre, a história se passa não em um futuro decadente, superpopuloso e coberto de neon, e sim um mundo sombrio assolado por uma permanente chuva de pó radiativo, resultado de guerras atômicas recentes.

O planeta Terra de K. Dick é uma espécie de gueto reservado aos pobres e aos perdedores, poucos são os que ainda vivem no planeta radioativo e com a fauna quase extinta razão por que a posse de animais de verdade é um luxo caro, algo também mencionado no filme. Na edição original do livro, em 1968 (traduzida no Brasil pela Francisco Alves), a história se passava, textualmente, em 1992. Como 1992 chegou e se foi, as filhas de Dick, responsáveis pelo seu espólio, decidiram alterar o ano para 2021 (desta vez apenas no material paratextual, como orelha e contracapa) para que o livro não parecesse datado ou, pior, ultrapassado.

O número de fugitivos caçados por Rick Deckard também não é o mesmo. O caçador recebe a incumbência de recapturar seis de um grupo de oito androides replicantes é um termo criado para o filme fugitivos de Marte que já mataram um policial. No roteiro do filme, o número foi reduzido para cinco, um deles já neutralizado quando Deckard entra na história e quando as câmeras começaram a rodar, pressões de orçamento limaram ainda mais um dos androides, ficando o número final em quatro: Roy (Rutger Hauer), Leon (Brion James), Pris (Darryl Hannah) e Zhora (Joanna Cassidy). Ainda assim, na edição original do filme, lançada há 30 anos, o letreiro inicial permanecia com a informação de que SEIS androides haviam fugido e que um havia sido destruído na chegada à Terra.

Os androides são escravizados em trabalhos que os humanos não poderiam realizar, como mineração em planetas de gravidade proibitiva para os terráqueos, e portanto a fuga não é injustificada, mas os humanoides do livro são mais frios, com menos grandeza de alma, digamos, do que os interpretados por Darryl Hannah, Sean Young e, principalmente, Rutger Hauer. São mais truculentos e, por não entenderem os processos que regem as emoções humanas, não são hábeis em imitá-las essa diferença é responsável, também, por um dos elementos de aparência mais aleatória do filme: o teste que determina se uma pessoa é ou não replicante. Chamado de Voight-Kampff no livro (não me lembro se também no filme), o teste funciona com base em reações emocionais automáticas visíveis na dilatação da pupila. Certas perguntas do exame (tiradas literalmente do livro) são de tal sorte que provocariam horror em um humano, mas não em um androide.

Por isso, inclusive, as perguntas parecem tão exóticas fora do contexto construído por K. Dick em seu mundo ficcional: no futuro de O Caçador de Androides, o romance, os animais quase desapareceram do planeta Terra, como já dissemos. Ao mesmo tempo, houve a ascensão do Mercerismo, uma nova religião que substituiu o cristianismo. Em vez de Cristo, no futuro de Dick as pessoas cultuam o sacrifício de William Mercer, martirizado por motivos não muito claros, apedrejado enquanto tentava subir uma colina. Em vez de rezar, os terráqueos conectam-se a uma caixa de empatia, um dispositivo de realidade virtual no qual o fiel vivencia em primeira pessoa o martírio de Mercer, sofrendo na carne as pedras jogadas contra o homem santo.

Como Mercer ama tudo o que é vivo, os animais, cada vez mais raros, tornaram-se sagrados. Ter um animal em casa é essencial para o mercerismo, mas a maioria deles não existe mais, logo, os mais pobres fazem o que podem com réplicas robóticas de animais de verdade. Animais vivos são símbolos de status. Um dos motivos que levam Deckard, no livro, a aceitar a contragosto a missão de eliminar os replicantes fugitivos é justamente o valor da recompensa, que ele pretende usar para realizar o desejo de sua mulher (sim, ele é casado no livro, voltaremos a isso) de ter uma ovelha de verdade (com a recompensa ele acaba comprando um bode). Portanto, no universo do livro O Caçador de Androides, as perguntas reveladoras têm a ver com animais, e foram transplantadas para o filme: o questionário sobre se Leon ajudaria um cágado virado com o casco para baixo no deserto, a questão que Deckard formula a Rachael sobre a posse de uma carteira de couro de crocodilo legítimo. Isso nunca comprometeu o entendimento do filme, claro, é apenas uma amostra de o quanto o enredo do livro é mais complexo e cheio de camadas.

E sim, há Rachael (Sean Young), e a sua linha narrativa é mais ou menos a mesma do filme: ela trabalha na poderosa corporação Tyrell e ela é uma replicante. Mas o fato de ela não saber de sua condição de replicante é uma sacada que aumenta a dramaticidade do filme, mas não existe no livro. Rachael sabe o que é: uma androide feminina atraente anteriormente usada como escrava sexual e enviada a Deckard com um propósito obscuro que está longe da atração que ela sente pelo detetive no filme. O Deckard do livro é um homem derrotado de meia idade, sem o glamour jovem do galã Harrison Ford. Se o filme se encerrava com um tom otimista (que, depois veio-se a saber, era imposição dos produtores, e não de Ridley Scott, cuja versão autoral interrompe a história uma cena antes), o livro é melancólico, triste e desencantado, investigando por que o avanço tecnológico do tempo descrito não ajuda os homens a desenvolverem a empatia que é justamente a mais humana das características (uma das androides no livro chega a dizer que considera a compaixão humana a característica mais misteriosa e interessante da espécie).

Em uma coisa, no entanto, tanto o filme quanto o livro se assemelham: no olhar original que lançam aos clichês da história de mistério. O personagem de Dick é um ex-policial e caçador de recompensas empenhado na busca de um grupo de fugitivos. Como outros detetives dos livros do autor, contudo, as investigações de Deckard não revelam uma verdade que restabelece a ordem, como nos policiais convencionais, e sim algo que expõe as entranhas de uma realidade torta ou manipulada. Dick permanece atual no mundo contemporâneo porque sua ficção é visionária e seu texto tem o dom de mergulhar o leitor na atmosfera peculiar de cada livro. E talvez porque, ao contrário de grandes humanistas da ficção científica como Júlio Verne ou Isaac Asimov, Dick era um distópico. Onde Verne via progresso, ele via decadência. Onde Asimov via humanidade, ele vê paranóia e uma progressiva desumanização dos indivíduos.

site: http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2012/06/25/a-replica-dos-androides
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Marcos Carvalho 29/03/2010

Empatia pelos animais
Em minha opinião, o tema central do livro não é a religião "Mercerista", e nem a caça dos andróides propriamente dita, mas sim a preocupação do status pós-apocalípticas das pessoas em se ter um animal. Mas a maioria dos disponíveis são animais falsos e se paga uma fortuna para se ter um verdadeiro. Semelhança observada também em outro livro de Dick, em "O Homem do Castelo Alto" em que as pessoas pagam altos valores por antiguidades americanas antes da II Guerra para obter status na sociedade nipo-germânica, mas a maioria disponibilizada no mercado são imitações (falsas).
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Lili Machado 26/10/2010

Do androids dream on eletric sheep? - O livro que deu origem ao filme Blade Runner – obra prima de Riddley Scott
Rick Deckard é um caçador de andróides, na São Francisco pós guerra atômica, quando a maioria dos humanos já se mudou para o planeta Marte.
Quase todos os animais foram extintos da face da Terra, com exceção de alguns que são vendidos por verdadeiras fortunas no mercado negro. Para suprir essa deficiência, animais andróides são fabricados e também vendidos por grandes quantias. Há, até mesmo, um tipo de guia para controle dos preços.
Que bom seria se eu pudesse, como no livro, encomendar réplicas dos meus gatinhos, quando eles morrerem.
Parece que a religião/filosofia predominante no mundo pós apocalíptico de 2021, o Mercerism, prega que toda família tem de possuir um animal. Como os de verdade são escassos e caríssimos, as pessoas se viram com os falsos, mentindo que são verdadeiros.
A base do Mercerism é a jornada de um homem chamado Wilbur Mercer, subindo uma montanha, caindo e repetindo o processo, cada vez que chega a seu topo (tipo a mitologia grega de Sísifo). Seus praticantes usam da empatia, de forma que consigam se relacionar com os outros indivíduos – a alegria e o sofrimento de um, contribuindo para a alegria e o sofrimento de todos.
Alguns andróides fabricados para auxiliar os humanos em seu trabalho diário, apresentam um “defeito de personalidade” e revoltam-se, tornando-se perigosos – o trabalho de Deckard é eliminá-los, para conseguir dinheiro, para comprar um animal de verdade, em substituição ao seu carneiro elétrico que já está dando defeito.
O que vem a ser uma “mood machine”? Pelo que entendi, é um aparelho em que você programa como quer que seu humor esteja, ao acordar, como se fosse uma espécie de despertador: acordado e feliz; ou acordado e zangado, se tiver que participar de alguma discussão difícil ao longo do dia; ou acordado e depressivo, se desejar continuar na cama absorvendo a ausência de vida (mood 382); ou acordado e com esperanças renovadas (mood 481); acordado e ansioso pelas notícias diárias (mood 888); ou, até mesmo, acordado com interesse no trabalho (mood 594) – creeeeedo! Dial 670 in the Mood Machine for Peace - que legal seria se pudesse acontecer, né? Quero uma máquina dessas!!!
Os andróides não possuem a habilidade da empatia. Para que sejam facilmente diferenciados dos seres humanos, aplica-se o teste Voigt-Kampff, que mede pequenos movimentos dos músculos oculares e faciais, quando as pessoas ficam chocadas com alguma coisa que lhes é dita – uma reação física que não se pode controlar.
“Every creature which lives, sometimes has to do things it doesn´t believe in. We all have to accept that." - Não concordo - e vocês?
Acabou. Esperava mais do livro – gosto tanto desse filme que acho que isso me cegou quanto à estória em si. Contrariamente, à maioria absoluta, dessa vez, prefiro o filme ao livro...
Willian 23/12/2010minha estante
Lili, também gostei mais do filme, mas ficou tão diferente por que até onde eu sei, Ridley scott nunca chegou a ler o livro, apenas utilizou o roteiro como ambientação para o que ele queria contar.
Quanto à frase concordo com ela, menos a parte de aceitar.

Keep up the good work!


Lili Machado 23/12/2010minha estante
Obrigada pelo comentário da resenha, William. Volte sempre. Que o velho Mescer nos ajude... eh,eh,eh




Gu1lh3rm3-Kun 08/02/2012

Do Androids dream with a Blade Runner...?
O Livro leva o leitor à um universo muito mais profundo do que o apresentado no filme que ele baseou "Blade Runner", aprofundando muito mais a relação entre Deckard e os replicantes (andróides no livro), e seus questionamentos sobre seu trabalho, religião, a sociedade, seu casamento, chegando até a se questionar se ele é humano ou outro replicante, além disso as cenas que foram representadas no filme ficam muito mais filosóficas e marcantes no livro, como por exemplo o teste de empatia com Rachel Rosen, uma das melhores cenas do filme e do livro, uma ótima indicação para quem gosta de ficção cinetífica de autoreas como assimov, ou pra quem gostou do filme e tem vontade de se aprofundar nesse maravilhoso universo criado por Philip K. Dick
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