A Ilha (Island)

A Ilha (Island) Aldous Huxley




Resenhas - A Ilha


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Fabio Shiva 14/04/2011

Este livro foi publicado em 1962, a última obra que o autor viu ser publicada.
Pode ser considerado o testamento de Aldous Huxley, o seu legado para a humanidade. Em minha opinião, a sua obra-prima e um dos melhores livros já escritos!

Li pela primeira vez em português, durante a adolescência. Ficou a lembrança de um livro muito bom, que eu deveria ler novamente algum dia. E agora tive a oportunidade de ler no original (“Island”), e a segunda leitura foi muito mais proveitosa que a primeira! É que eu mesmo avancei como leitor, e pude compreender melhor a profundidade da visão de Huxley.

Will Farnaby, um jornalista cético e aventureiro, que “não aceita um sim como resposta”, consegue vencer mil perigos e aportar em uma praia de Pala, a ilha proibida. É acordado pelo som de pássaros (mynah birds no original, creio que são parentes da gralha ou do corvo), que repetem sem cessar as seguintes palavras: “atenção” e “aqui e agora, rapazes”. Quando algumas adoráveis crianças encontram o náufrago Will, explicam para ele que os pássaros são ensinados a repetir essas palavras, para benefício dos habitantes humanos da ilha. “Mas por que?”, quer saber Will. Uma das crianças responde: “É que essas são as coisas mais fáceis de esquecer, ora!”

Esse é apenas o começo da história. No fundo, “A Ilha” é uma obra de filosofia disfarçada em romance. Apresenta a visão de um mundo ideal, tal como concebido por Huxley, talvez uma antítese à apavorante civilização descrita em “Admirável Mundo Novo”, sua obra mais conhecida. Escritor malandríssimo, para evitar que a descrição de uma sociedade perfeita fique tediosa, Huxley nos apresenta o paraíso na Terra justamente quando ele está para ser destruído. É que as tropas de Rendang, país vizinho de Pala, já estão se movimentando para invadir a ilha e tomar conta do precioso petróleo que jaz ali.

Poderia falar muito ainda, e ainda assim dizer muito pouco sobre essa obra, que só lendo para conhecer. Posso dizer apenas que, dos mundos perfeitos que já visitei graças aos livros (a República de Platão, a Utopia de Thomas More, a Nova Atlântida de Francis Bacon), foi em Pala que eu mais me senti em casa.

(12.04.11)



Comunidade Resenhas Literárias

Aproveito para convidar todos a conhecerem a comunidade Resenhas Literárias no Orkut, um espaço agradável para troca de ideias e experiências sobre livros:
.
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=36063717
Edméia 10/09/2018minha estante
*Confesso que ainda não li nenhum livro desse autor e ... acho que este será o primeiro ! Obrigada pela sua resenha ! Boas leituras . Um abraço. P.S. - O Orkut não existe mais e faz tempo ! Você tem canal no YouTube ?!




desto_beßer 23/11/2009

Delírios tropicais
Este livro é ruim, pavorosamente ruim. O que poderia ser mais enfadonho do que uma longa tagarelice contra o modo de vida Ocidental, o capitalismo, a sociedade de consumo, a massificação da cultura e todos estes tópicos extasiantes das aulas de iniciação revolucionária do proletariado unido? Resposta: “A Ilha”, que tenta mostrar um mundo além do Ocidente baseando-se no criativo budismo de Estado, uma mistureba de ideologias totalitárias e pseudociência tosquíssima. Todos –absolutamente todos- os moradores da ilha de Pala, a “New Harmony” de Robert Owen tropical e picante, são excepcionais oradores e proselitistas do sistema social e de governo da ilha, aspergindo destramente toda a verborréia metafísica do lugar em qualquer incauto que passar pela frente. Aliás, não só os homens e mulheres poderiam cada um abrir sua seita: até os passarinhos piam auto-ajuda (sério!) e palavras de ordem. O herói do romance, fosse o livro mais realista, de tanta doutrinação que ouviu em sua curta estadia no local, certamente seguiria a deixa de van Gogh: acaba-se a leitura sabendo-se desde a maneira certa de criar uma criança até como se faz sexo tântrico, passando por outros temas empolgantes como o sistema educacional e os ritos mortuários dos palaneses.

A vida inteirinha dos ilhéus é regulada por um conjunto de regras e conceitos baseados naqueles fatos factuais que todo Estado totalitário sabe de cor acerca da verdadeira natureza humana e da criação do Homem Novo, e que só dão certo em um povo imbecilizado e entorpecido – e em Pala não é diferente. Desde pequeninos os habitantes são encorajados a refletir sobre a psicologia hare krishna esotérica dominante e só se tornam adultos após uma cerimônia de iniciação regada ao milagroso moksha – o “cachimbo da paz” dos uga-bugas palaneses. Ao longo da vida, quando a realidade esganar os dentes frente às alegrias pululantes da vivência comunal, o auxílio da erva é regra – o que não é de se estranhar. Num mundinho tão chato, forçado, cansativo e idiota, no qual diálogos como este são praxe...

“- A essência da “essência” é atingida quando tiver aprendido a prestar cada vez maior atenção ao não eu que existe no seu próprio organismo (suas sensações gástricas). Subitamente percebe que está prestando atenção ao não eu que existe nos recantos da sua consciência. Talvez seja melhor que inverta inteiramente a ordem do meu raciocínio. O não eu que existe nos recônditos da consciência de cada um achará mais fácil se fazer conhecido por um eu que tenha aprendido a ter maior consciência do seu não eu fisiológico.”

...a taxa de suicídio por qualquer um que tenha um tacape por perto seria elevadíssima, não fossem os ‘tóchicos’ subsidiados pelo próprio governo.

O pior do livro é que Huxley o escreveu a sério, sendo uma síntese de sua visão amalucada de uma sociedade utópica. Coroou, assim, com um tremendo abacaxi o fim de sua carreira literária. Pode-se pensar que, talvez, talvez, o velhinho percebesse que suas doutrinas de Pala são basicamente as mesmas usadas nas sociedades super-controladas de seus outros livros (como em “Admirável Mundo Novo”), porém sob uma camada de açúcar e inventividade new-age, o que tornaria o livro uma sátira modernosa das ditaduras de outrora. Porém, sinceramente, pensar assim requer uma altíssima dose de bondade e wishful thinking palanês: quem define o câncer da maneira seguinte já demonstra a que veio.

“- É o que acontece quando uma parte de você se esquece do todo e começa a agir como as pessoas loucas: vai crescendo, crescendo, como se nada mais existisse no mundo. E esse crescimento geralmente só pára quando a pessoa morre.”

RIP
Marcos 01/05/2010minha estante
Talvez com um pouco menos de agressividade na escrita, sua resenha seria mais bem recebida. Eu procurei abstrair isto e até gostei do que você escreveu, embora eu tenha interpretado de um modo diferente. Acho que sua resenha complementa bem a minha. Porém, penso que deveria dar um pouco mais de valor à tentativa do autor em expor aquilo que ele acredita (e diga-se de passagem, o fez muito bem, descrevendo diferentes aspectos de uma sociedade, o que não é fácil). Huxley morreu na década de 60, sem ter tempo de ver em prática aquilo em que ele acreditou. Penso que A Ilha não mancha sua carreira literária, muito pelo contrário: a enaltece. Um bom escritor também precisa se expor.


Arthur 24/09/2010minha estante
Uma resenha medíocre. Muito grande e desrespeitosa. Vc pode ñ gostar de um livro, e expressar seus motivos, mas você se excedeu um pouco...enfim, talvez o monge e o executivo seja mais a sua praia. Se me permite, eu o classificaria no q Schopenhauer veio classificar como "Eruditos de Peruca" - ñ é uma ofensa, apenas um convite a vc tentar rever certos hábitos autodestrutivos q muitas vezes são praticados inconscientemente.


desto_beßer 24/09/2010minha estante
Caro Arthur,
Farei uma resenhas com 140 caracteres e elogiando Huxley da próxima vez.
E, enquanto leio Schopenhauer, procure no Google por "ad hominem", tá bom?


Andarilho 18/07/2011minha estante
Gostei da sua resenha, e discordo de tudo que você disse. Acho que parte da chatice que você percebeu no livro é decorrente do objetivo do próprio Huxley, que era realmente fazer uma crítica à sociedade ocidental. Realmente, um lugar onde todas as pessoas sabem de cor e salteado os princípios do governo central, e que não perdem a oportunidade de doutrinar um estrangeiro lembra muito os chamados "comunistas de cartilha", aqueles que entram no PSOL ou PSTU e aprendem Marx lendo o material editado e escrito pelo partido. Entretanto, acho que isso se deve mais à estrutura do livro e da narrativa escrita - seria difícil falar da "sociedade perfeita" sem que no mínimo um personagem ou dois virassem "Os Explicadores da Coisa Toda".

Ao contrário de você, acho que "A Ilha" é o melhor livro de Huxley, por trazer em si idéias que o autor levou uma vida inteira para amadurecer.

Mas, enfim, interpretações divergentes são parte da experiência de ler um livro. Gostei da tua justamente por ser tão diferente da minha.


O Estrangeiro 10/09/2012minha estante
O que poderia ser mais enfadonho do que uma longa tagarelice contra o modo de vida Ocidental, o capitalismo, a sociedade de consumo, a massificação da cultura e todos estes tópicos extasiantes das aulas de iniciação revolucionária do proletariado unido? Resposta: Um pseudo-intelectual de direita.


desto_beßer 10/09/2012minha estante
Ai, que tristeza ler um comentário tão profundo à minha resenha quanto mais um "ad hominem"...

Mentira, esse tipo de atitude é mais do que esperado e não é à toa que se repete!


Renata 25/07/2014minha estante
Que bom que cheguei a esta resenha!! Estava me perguntando qual o meu problema diante de tantas experiências positivas e embevecidas. Achei a história toda muito mais ou menos, e não me refiro nem à politicagem do negócio, mas à improbabilidade de que uma pintura tão dicotômica, tão maniqueísta dos seres humanos e das sociedades possa ser feita a sério.


deborap 04/12/2014minha estante
Estou lendo esse livro e pensava em fazer uma resenha, mas você já expressou um pensamento parecido com o meu. De fato, "A Ilha" é uma outra faceta do admirável mundo novo, regada a orientalismo e bobajada hippie.


Edgar.Felix 27/03/2015minha estante
Desculpe-me, mas acabei de chegar. Minha pergunta é, tem que ser tão inteligentes quanto vocês para ler um livro e achar bom. Porque pelo o que lí nos comentários desta resenha é que há uma discursão politica incutida em suportar conceitos políticos do livro em questão. Meu repertório de livros é curto, acabei de ler 1984 e achei formidável, leiturá que deveria ser de todo brasileiro comprida, principalmente em nossa época, em que somos tão facilmente manipulados.


Orlando 09/10/2015minha estante
achei um livro fraco, não ruim, só fraco... não diverte, não empolga, não vai pra frente, a narrativa simplesmente não tem fluidez nenhuma, parece tão somente um gui de como construir uma utopia a partir das "lições" dadas pelos moradores de Pala ao visitante e conspirador Will Farbaby... A Ilha é uma manifesto em prol de um mundo melhor, um guia passo-a-passo e detalhadinho para isso...

Sinceramente estava esperando outra coisa, pois o livro começa com ares de que uma boa conspiração irá ser a tônica da narrativa na ilha utópica... a conspiração há, mas ela não acontece como história, como trama ou como fio condutor da narrativa... páginas e páginas "ensinando" nosso protagonista a ser uma pessoa melhor, mas sem ser no curso narrativo. Uma pena...

Talvez ter conhecido Huxley em Admirável Mundo Novo há anos atrás e depois ler A Ilha é uma experiência até frustrante... vale a leitura? sim, se você estiver intercalando com outro livro talvez sinta outra fluidez, mas se você quiser uma boa HISTÓRIA e BEM NARRADA, sinto muito, não é esse o livro.

Concordo com o amigo, não nas mesmas palavras, mas concordo


Rafael.Dias 04/10/2018minha estante
Sempre bom poder topar com uma resenha de crítica negativa longa e bem desenvolvida aqui no site; mas a sua se perde em exageros descabidos, tanto e de forma tão tosca, que termina completamente sem credibilidade. A coisa mais óbvia e importante a se depreender da sua crítica é o viés e a enorme má vontade com que você leu um clássico de um dos maiores intelectuais ingleses do século XX, aparentemente por meras discordâncias ideológico/políticas. Ora, não é preciso concordar para apreciar; pelo contrário, é preciso sim colocar certos pré-conceitos em suspensão para se permitir obter aquilo que a literatura tem de melhor a oferecer: uma abertura para a reflexão, para o contato com novas ideias e sensibilidades. Sua crítica é puro lixo... não agrega, apenas tenta destruir com ranço e ressentimento. Lamentável.




Marcos 01/05/2010

Admirável Mundo Novo às avessas
Em primeiro lugar, gostaria de falar de uma peculiaridade minha: só leio prefácios no fim do livro. Normalmente contêm spoilers, sem falar que tiram a sensação de novidade ao ler a obra. A Ilha não foge à regra, o prefácio de Olavo de Carvalho certamente vale mais a pena ser lido no final, mesmo porque pode influenciar no que você achará do livro.

Falemos agora da obra em si. A primeira coisa que percebi foi a diferença radical de abordagem para Admirável Mundo Novo (passarei a tratar pela sigla - AMN). Enquanto esta era uma distopia, onde os elementos negativos são destacados, A Ilha é uma utopia. Pala é uma sociedade idealizada, aparentemente sem defeitos. Curioso notar também que o estilo de Huxley em AMN se aproximava mais de Orwell, enquanto em A Ilha ele se assemelha MUITO a Herman Hesse.

Porém, na minha resenha de AMN, elogiei Huxley por apresentar uma visão de mundo imparcial, colocando os prós e contras de se seguir uma determinada fórmula. Não foi o que eu vi em A Ilha. A impressão que se dá é que Huxley resolveu sair do armário e expor aquilo em que ele acredita ser o mundo ideal, ao mesmo tempo em que critica tudo aquilo que quis criticar sobre a nossa sociedade. Sem o cuidado de expor prós e contras, como fez em AMN. Coloca apenas a sua opinião.

Terminada a leitura, li o prefácio de Olavo de Carvalho, que teve interpretação bem diferente. Ele acredita que o objetivo desta obra foi apontar as contradições inerentes a uma solução aparentemente perfeita. Desta forma, procederia de modo mais sutil que em AMN, deixando para o leitor captar essa sutileza.

Considerando o desfecho da obra, até faz sentido. Porém, não me parece que Huxley coloca Pala como contraditória, mas, sim, o mundo em que está inserida, como se fosse avançada demais para o mundo de hoje. Ao contrário do que Olavo coloca, penso que Murugan não é fruto das contradições da sociedade palanesa. Note que é falado que o garoto se degenera com o contato com o mundo ocidental. Induz-se que a sociedade sobreviveria para sempre se não fosse pela influência do mundo exterior.

Entretanto, ainda que não tenha sido a intenção do autor, concordo com Olavo. Olhando para o nosso mundo, vemos a aplicação prática das ideias palanesas. Filhos sem uma família fixa, drogas, promiscuidade e espaço para ditadores e demagogos se aproximarem. Huxley não viveu para ver o que seria o ideal da sociedade palanesa em prática, morreu na década de 60. Nós vivemos.

No balanço final, minha opinião é que tanto a sociedade de A Ilha como a de AMN são exageradas e precisam de um contraponto, algo que as traga para um equilíbrio. Ainda assim, concordo com as críticas feitas por Huxley ao nosso sistema. Como diz Chomsky, não precisamos saber qual é a melhor fórmula para a nossa sociedade. Tudo o que precisamos é saber reconhecer que o que temos agora é errado e precisa ser trocado por algo melhor.
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e-zamprogno 15/11/2017

Não leia o prefácio antes
Não leia o prefácio do Olavo de Carvalho antes de ler o livro. Ele foi escrito para quem já conhece a história. Além de não ter entendido do que ele estava falando, está cheio de spoilers.
Mas pode ler depois.
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mari 15/08/2015

Ninguém precisa ir a parte alguma. Como seria bom que todos soubessem disso!
Se apenas soubesse quem realmente sou, deixaria de proceder como penso que sou. E se parasse de me comportar como penso ser, saberia quem sou.
Se ao menos o maniqueísta que penso ser me permitisse ser o que de fato sou, o "sim" e o "não" viveriam reconciliados na abençoada aceitação da experiência de Ser Único.
Em religião, todas as palavras são obscenas. Qualquer pessoa que se mostrasse eloquente acerca de Buda, Deus ou Cristo deveria ter a boca lavada com sabão carbólico.
A aspiração de todas as religiões de eternizar somente o "sim" em cada par de opostos irrealizável porque contraria a natureza das coisas. O maniqueísta isolado, que penso ser, se autocondena a uma repetição infindável de frustrações e está em conflito permanente com outros maniqueístas igualmente frustrados em suas aspirações.
Conflitos e frustrações — tema de toda história e de quase toda biografia.
"Eu lhes mostro o sofrimento", disse Buda, realisticamente. Porém ele também mostrou o fim do sofrimento — o autoconhecimento, da aceitação total e a abençoada experiência de Ser Único.
O perfeito autoconhecimento gera o Bom Ser, e os Bons Seres realizam uma melhor espécie de Bem. Mas as coisas bem-feitas não produzem automaticamente o Bom Ser. Podemos ser virtuosos sem que saibamos quem realmente somos. Os indivíduos apenas bons não são necessariamente Bons Seres;são simples pilares da sociedade.
A maioria desses pilares representa o papel de Sansão. Sustentam a sociedade, porém cedo ou tarde a derrubam. Ainda não existiu uma só sociedade que, sendo criada por Bons Seres, fosse constantemente atualizada.
Isso não quer dizer que tal sociedade jamais existirá e que nós sejamos idiotas por estarmos tentando pô-la em prática aqui em Pala.



III
O iogue e o estoico — dois egos que pretendem atingir seus fins fazendo-se passar por alguém que na realidade não são. Mas não é fingindo ser outro alguém, mesmo um alguém sábio e superlativamente bom, que deixamos de ser meros maniqueistas cegos e
isolados para nos transformarmos em Bons Seres. O verdadeiro conhecimento de quem realmente somos é que nos faz Bons; para sabermos quem realmente somos devemos conhecer nos mínimos detalhes aquilo que pensamos ser. 'Desse modo, descobrimos o que essa falsa ideia nos obriga a sentir e a fazer. Um simples momento de conhecimento claro e completo do que pensamos ser, mas que na realidade não somos, põe um fim momentâneo ao enigma maniqueísta.
Se renovarmos esses momentos de autoconhecimento do que não somos, fazendo com que se tornem contínuos, poderemos vir a descobrir subitamente aquilo que realmente somos.
A concentração em pensamentos abstratos e exercícios espirituais eqüivale a exclusões sistemáticas no domínio do pensamento.
O Ascetismo e o Hedonismo são exclusões sistemáticas no domínio das sensações, dos sentimentos e das ações.
Mas o Bom Ser conhece sua verdadeira posição em relação a todas as experiências e, desse modo, está em permanente estado de alerta. Está alerta ao que se possa crer, não crer, às coisas agradáveis e às desagradáveis, e essa vigilância não deve cessar, mesmo quando está imerso nos trabalhos e nos sofrimentos.
Essa é a única ioga verdadeira; o único exercício espiritual digno de ser praticado. Quanto mais um homem conhece os propósitos dos indivíduos, mais sabe a respeito de Deus. Adaptando a linguagem de Spinoza, podemos dizer: Quanto mais um homem sabe o seu
modo de sentir em relação a cada tipo de experiência, maiores serão as chances de que um dia venha a descobrir quem realmente é, ou melhor, Quem (com Q maiúsculo) Realmente (com R maiúsculo) É (com E maiúsculo).
São João estava certo. Num universo abençoadamente mudo, a Palavra se limitava a estar com Deus. Era o próprio Deus.Alguma coisa para ser acreditada. Um símbolo projetado, um nome para ser adorado. Deus = Deus.
A fé é uma coisa muito diferente da crença.
A crença resulta do fato de se levar a sério (sem a menor análise) as palavras proferidas... Palavras de Paulo, de Maomé, de Marx e de Hitler: palavras que o povo levou a sério...
Que resultou disso?
O resultado foi a ambivalência sem sentido da história — o sadismo apresentado como dever, a devoção contrabalançada pela paranoia, as despersonalizadas irmãs de caridade cuidando das vítimas dos inquisidores e dos cruzados da Igreja à qual pertencem.
A fé, ao contrário da crença, nunca pode ser levada muito a sério. Ela é a confiança empiricamente justificada na nossa capacidade de saber quem realmente somos. É ela que nos permite esquecer o crente maniqueísta que existe no âmago do Bom Ser.



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Andre 14/05/2009

Aldous Huxley e suas "viagens"
Desse autor, já tinha lido o famoso "Admirável Mundo Novo", que é um dos meus favoritos. Não tinha ouvido falar muito desse, mas uma amiga minha doou-me este - e mais outros - e eu acabei lendo-o.
Digo que gostei, tem muito do outro presente nesse. Não é da altura do "Admirável", mas também não fica devendo em nada. Apreciei muito as partes em que ele falou sobre Hitler.
Nesse livro estão presentes aquela imagem futurista do mundo e a mesma confrontada com o passado, ou seja, com o mundo "natural". Mostra a mesma ambição que os homens têm por destruir tudo que é bom, saudável. Como o outro, este também tem um triste final em que mostra que a humanidade não tem um feliz futuro pela frente...
Ruth 23/02/2010minha estante
Huxley repetiu sua fórmula de "Admirável Mundo Novo" em "A Ilha".


Dener PÃ 30/05/2012minha estante
"A Ilha" é como um tapa bem dado na cara de todos nós...será preciso viver numa ilha para que a utopia seja possível? Bem gostaria eu de ir prá lá, ou melhor ainda, que o mundo recebesse esse tapa e passasse a perseguir a utopia como um objetivo (não tão categórico, mas pragmático).




Amâncio Siqueira 09/06/2016

Isolados
Aldous Huxley retorna ao tema das topias em A Ilha. O romance é o último do autor, depois de uma carreira de mais de quarenta anos em que sua distopia Admirável Mundo Novo acabava de ser revisitada. Nesse livro, Huxley tenta traçar sua ideia de uma utopia, tomando como exemplo a ilha de Pala, minúsculo ponto de terra encravado no Oceano Índico. Apesar de haver um drama pessoal na vida do personagem central, Will Farnaby, que vai parar lá como enviado secreto de um dos maiores donos da indústria petrolífera, justamente para conseguir explorar a riqueza do pequeno país, e acaba sofrendo um acidente que o leva a necessitar dos cuidados dos nativos, a divisão dos capítulos por temas enfraquece a identificação com os personagens, que parecem surgir apenas para apresentar didaticamente a organização sociopolítica do local.

O autor traça um retrato de sua sociedade ideal: como organizar as famílias (A família não é nuclear, vários pais adotam vários filhos num club de adoção mútua, sendo essa família maior o verdadeiro cerne da sociedade); como educar sexualmente (a yoga do amor, que libera as pessoas desde a juventude para descobrir-se sexualmente de forma plena); o sistema educacional; a saúde (com vários cuidados para evitar a necessidade de cirurgia, embora tenham um excelente sistema hospitalar); a religião (as pessoas são encorajadas a duvidar da crença, a usar a fé a seu serviço, ao invés de ser servidores da fé); o governo (Farnaby tem vários diálogos com Murugan, herdeiro do rajá falecido, um jovem criado pela mãe na Europa, e portanto seduzido pelo mundo exterior, “corrompido” contra o sistema tão melhor de seu país natal, e muito amigo do ditador da ilha vizinha, Rendang, já controlada pela indústria petrolífera, o que gera certas incertezas em relação à continuidade da paz social de que desfrutam).

Obviamente, Huxley não deixaria de colocar as drogas como parte central de sua proposta de uma civilização mais avançada, e há várias páginas dedicadas ao cogumelo usado pelos ilhéus para encontrarem a si mesmos e o espírito que paira sobre as águas.

Entre as propostas para a educação, tem uma que achei particularmente interessante: todos os jovens que terminam o ensino médio devem participar de uma escalada. Talvez falte de fato um rito de passagem que traga certo perigo em ambiente controlado para nossos jovens, uma forma de reconhecimento de que demonstraram coragem e determinação e merecem o reconhecimento de que chegaram à idade adulta, diante de tantas tentativas de substituição desse rito que vemos diariamente terminar em tragédia.

A Ilha é um livro interessante como romance-ensaio, embora deixe a desejar do ponto de vista literário. Na literatura, as distopias continuam sendo mais sinceras e interessantes.

site: https://amanciosiqueira.wordpress.com/2016/06/09/isolados/
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Lia 21/08/2016

Uma ilha "budista/socialista"
Foi o primeiro livro que li do aldous Huxley, e o último que ele escreveu. Muitas pessoas comparam com "admirável mundo novo" por se tratar de uma sociedade utópica também, como ainda não li, não farei comparações aqui.

Conhecemos Will Farnaby, um jornalista que é também um tipo de negociador de seu chefe, milionário dono de vários tipos de negócios.

Ele visita uma região que possui essa ilha que é regida de forma budista/socialista. A princípio é um povo esclarecido e ciente do mundo consumista que o cerca. O autor cobre todas as áreas da sociedade para que ela seja "perfeita", subsistente. Will vai até lá para persuadi-los a explorar sua produção petrolífera e acaba ficando encantado com o meio de vida que lhe é apresentado.

Não há luxo na ilha, porém não há falta de comida, nem epidemias de doenças, nem superpopulação, nem guerras... Há muitas coisas que achei interessante como um tipo de "adoção comunitária", que uma criança pode ser criada em várias casas além da sua família biológica. A criança não é obrigada a ficar com pais que ela não se dá bem, ou que não lhe dão a devida atenção.

O livro explica mais como essa sociedade funciona do que como as cidades em volta tentam se apropriar de seu petróleo, e conhecer a ilha é muito interessante! É utopia, uma fantasia de uma sociedade perfeita... Às vezes é bom sonhar, apesar de não concordar com algumas filosofias do livro, mas é interessante do mesmo jeito.
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Lucas Andrade 26/06/2013

Fantástico
Um excelente livro que condensa toda a ideologia de Huxley. Ele aborda temas como política, religião, esoterismo entre outros.
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Pedro Igor 03/10/2018

A idealização da sociedade perfeita de acordo com os preceitos das filosofias espirituais orientais
Esse romance utópico é um veículo para entregar o que Huxley acreditava ser A resposta para uma das questões mais críticas da nossa existência - sabemos que o presente sistemas de valores são problemáticos, mas qual é a alternativa? A Ilha, Pala, é onde Huxley materializa em palavras sua visão, confiando e tomando emprestado pesadamente das filosofias espirituais orientais, particularmente as do budismo e do hinduísmo.

Os sistemas sugeridos são engenhosos (mesmo quando são derivados) e instigantes, o livro é uma iniciação às visões de mundo alternativas, o autor mostra que ele não é apenas um entusiasta, mas um verdadeiro intelectual, que sua compreensão das filosofias espirituais não é mera fascinação por suas promessas e mistérios da rica metafísica das mesmas. Tomando, também, sua análise incrivelmente aguda da natureza humana, suas percepções sobre os dilemas e inseguranças inatas do homem ocidental (ou pelo menos do homem ocidental do tempo em que ele viveu) aplicando tudo isso nessa sociedade que julgava perfeita.

Por fim, enquanto a ideia utópica é passada de forma séria, a trama é bem divertida. Alguns dos personagens secundários são caricaturados, os diálogos são muitas vezes espirituosos e o herói tem um humor egoísta, o que torna a história agradável.

Há pouca chance, mas como eu gostaria que essa história acontecesse, de alguma forma. Talvez daqui a muito tempo, talvez...
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Xsavier 06/05/2014

Romance pra gays e velhos com tempo de sobra
Sério leia "admiravel mundo novo" desse autor e esqueçam essa porcaria de velho gagá. O livro começa perfeito, mas é só pra te prender em uma história arrastada e idiota.
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Sandro 20/12/2017

Pensamos que somos algo único e maravilhoso no centro do Universo, mas somos apenas um leve atraso na infinita marcha da entropia
A minha expectativa para esse livro era alta devido ao impacto que Admirável Mundo Novo causou em mim no ano passado. Quando comecei A Ilha, a primeira sensação foi de estranhamento, até mesmo com os nomes dos personagens, que são muitos - alguns sem importância alguma. A história demora a engrenar e as vezes empaca. Até que me dei conta que a grandiosidade não estava na história em si e sim nos diálogos.

Pala é o cenário: uma ilha à parte do mundo que concilia o equilíbrio entre as culturas ocidental e oriental, com a valorização de elementos como o Budismo e Yôga sem se deixar contaminar pelo progresso tecnológico e armamentista. Will Farnaby é o protagonista. Um forasteiro na ilha e um homem atormentado por três mortes em sua vida: a do cachorro na infância, da tia que o cuidava e da esposa que não amava.

Dos personagens, talvez eu esqueça com o tempo. De algumas das falas, dificilmente. Muito é especulado sobre a Psicologia utilizada nos países ditos desenvolvidos, como os métodos de Jung e Freud, duramente questionados por aparentarem uma preocupação maior com a boca e o ânus das pessoas do que com o indivíduo como um todo em suas tentativas de mergulhar o paciente no lixo do inconsciente em vez de buscar sua evolução; sobre uma não-interação direta entre a Psicologia e a Economia, resultando na falta de controle de natalidade, por exemplo; e na devoção paranoica a líderes como Paulo, Maomé, Marx e Hitler e sua ambivalência: o sadismo contra o dever e o sadismo como dever.

- 30 milhões de mortes foi o preço pago pelo mundo para o amadurecimento tardio do pequeno Adolf, um Peter Pan categórico. Stalin já era outro tipo de delinquente: o Valentão. Ao contrário dos Peter Pans, que são ótimos para começar guerras com seus delírios, os Valentões - com sua força física e realismo sem ambiguidades - é que conseguem desfechos bem sucedidos.

Assim como em Admirável Mundo Novo, perto do fim há um forte diálogo semi definitivo entre o forasteiro e um residente da realidade alternativa, sendo que em A Ilha, a conclusão do protagonista é a antítese da chegada pelo 'selvagem' do primeiro livro - não menos impactante também.
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Vanderley 27/10/2012

A ilha, de Huxley: velhas novidades
Embora a coincidência do título, o romance não é a base do filme "A Ilha", de Michael Bay.
Tal como é comum nas obras dos ecritores "beatniks", o livro é bastante estático, com extensas elucubrações filosóficas. É, por vezes, um texto cansativo. O autor repete clichês "beatnik", tal como em "Admirável mundo novo": apologia ao sexo livre e ao uso de drogas. Apenas mais do mesmo.
Um emissário de uma empresa petrolífera vai a uma ilha paradisíaca autônoma e independente, com a incumbência de contatar seus líderes e convencê-los a permitir a exploração e exportação de suas reservas. Durante seu mister, conhece um modo de viver diferente, com valores aos quais não estava acostumado...
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Lili Machado 07/03/2013

Quanto mais ele vê e vive em Pala, mais ele descobre que a ilha deve ser preservada da civilização, a todo custo
Esta é a estória da ilha utópica de Pala, no Oceano Pacífico, onde o crescimento populacional é estável e os Clubes de Adoção se sobrepõem às famílias.
Pala é uma ilha proibida, que ninguém sabe onde fica, onde uma sociedade supostamente ideal, vem florescendo há 120 anos.
Inevitavelmente, essa ilha atrai a curiosidade do resto do mundo.
Uma conspiração se inicia para dominar Pala e os acontecimentos são colocados em ação quando um jornalista, Faranby, naufraga na costa da ilha.
O que Faranby não sabe, é como o tempo em que irá passar com as pessoas da ilha, irá revolucionar todos os seus valores e – para seu prazer – lhe dará um sopro de esperança na vida.
Quanto mais ele vê e vive em Pala, mais ele descobre que a ilha deve ser preservada da civilização, a todo custo.
Num mundo onde o consumismo é o rei e a liberdade sem responsabilidade é vista como uma dádiva, Pala parece tão distante quanto os mundos de ficção científica da Isaac Asimov (resenhas no blog: http://scifinowlilimachado.wordpress.com/category/isaac-asimov-2/),e de Arthur Clarke (resenhas no blog: http://scifinowlilimachado.wordpress.com/category/arthur-c-clarke/ ).
Pala nos mostra como estamos condicionados pelo nosso entorno – e que ultrapassar esse condicionamento pode fazer o melhor para nossas vidas, apesar de continuarmos vivendo nesse mundo cruel.
Aprendemos que Moksha, na ilha, é um cogumelo alucinógeno que faz com que os Palaneses não se sintam aborrecidos, caiam vitimas das ameaças da velhice, do progresso material e da expansão territorial.
Também aprendemos sobre Maithuna – a yoga do amor.
Talvez o livro mais pessimista de Huxley, seu último, considerado por ele, o mais importante, é uma mistura perfeita da sabedoria ocidental e oriental.
Depois de ler estelivro, duvido que alguém não questione os valores morais decadentes existentes no mundo atual.
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Roberto 18/11/2017

Estonteante
O autor nos leva pela mão e -- com a desculpa de nos mostrar o modo de vida de uma ilha fictícia isolada no meio do nada--, faz analises profundas das várias áreas do conhecimento humano, bem como uma crítica, ainda hoje, pertinente e acertada da vida neurótica que levamos e nos leva a outras possibilidades de viver e de sentir.
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