Dois irmãos

Dois irmãos Milton Hatoum




Resenhas - Dois Irmãos


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Aline Teodosio 30/05/2017

Mágoa, ódio e ressentimentos
Dois irmãos conta a história de uma família marcada por mágoas, ressentimentos, ódio, raiva, inveja protagonizada pelos irmãos gêmeos Yaqub e Omar. O primeiro, centrado, calculista, contido. O segundo, explosivo, extrovertido, mimado, sem limites. Ambos nascidos da mesma barriga, mas com temperamentos completamente diferentes.
A história é narrada por Nael, filho de um dos gêmeos com a índia e criada, Domingas, que observando tudo de fora nos leva ao universo dessa família permeada de conflitos desde a infância dos irmãos.
Uma obra repleta de sentimento, com uma escrita magnífica, que enaltece a natureza humana, com seus altos e baixos, fraquezas e forças, em que o principal não é mostrar quem é o mocinho ou o vilão, mas que, como humanos, somos todos formados por qualidades e defeitos.

P.S.: apesar de entender essa premissa, continuo odiando o Omar. Haha
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Sergio Mariano 01/10/2012

Reflexões sobre ódio e relacionamento familiar
resenha originalmente publicada no blog: www.muitoseninguem.blogspot.com.br

Ler Dois Irmãos foi uma experiência fantástica. É meu primeiro contato com a obra de Milton Hatoum e há algum tempo eu estava ansioso em ler os livros dele. Os comentários e críticas sobre esse livro fazem juz a sua qualidade.

Me envergonho muito de ter lido pouquíssimos livros de autores brasileiros e coloquei para mim como meta me dedicar mais a nossa Literatura. Livros como Dois Irmãos nos mostram como temos obras espetaculares no Brasil.

Dois Irmãos trata essencialmente sobre o ódio.

A história conta a trajetória de uma família em Manaus durante o regime militar brasileiro e através das diferenças entre os irmãos gêmeos, Yakub e Omar, vamos conhecendo os demais membros dessa família e todos os desdobramentos do relacionamento conturbado existente entre eles.

O livro é narrado por um personagem fantástico. Filho de uma empregada da casa, que não conhece seu pai, ele vai relatando tudo aquilo que presenciou e todas as confissões que foi recebendo dos familiares durante todos aqueles anos de convivência. Sua presença é sempre sutil, mesmo sendo testemunha ocular da maioria dos acontecimentos ele passa quase como um narrador relatando minuciosamente aquilo que vê.

O livro nos mostra a ação do ódio em relação ao tempo e a degradação dessa família graças às rusgas entre os irmãos que vai se agravando com o passar dos anos. Além de tratar de temas relevantes o livro é um tour por uma Manaus que eu desconhecia.

Fui arrebatado logo nas primeiras linhas e assim me mantive até a última. Recomendadíssimo.
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Day Freddi 21/09/2016

Yakub e Omar dois irmãos que não se bicam desde a infância. A mãe Zana tem um amor e uma complacência, ciúme de Omar, não quer que ele saia de casa e se aventure com outras mulheres. Omar passa a vida vivendo na esbornia. Yakub o irmão bem sucedido vai embora de Manaus para se tornar engenheiro.
A história é contada pelo filho da Domingas que trabalhou desde a infância na casa dos patrões. Halim o patriarca da família era fogoso só quais saber de se deitar na rede com Zana, mas fica um pouco de escanteio por causa das loucuras de Omar.
Rania uma das irmãs tem quase um amor platônico pelos irmãos. Enfim uma história rápida mas gostosa.
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Renato 14/12/2016

Profundo, tocante, e, como já colocaram, arrebatador.
O melhor livro que já li.
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leila.goncalves 12/07/2018

Ódio Fraterno
Publicado em 2000, após onze anos da estréia de Milton Hatoum com "Relato de um Certo Oriente", o romance "Dois Irmãos" gira em torno da conturbada relação entre os gêmeos Yaqub e Omar, manauaras de origem libanesa. Em síntese, o escritor recria a rivalidade "ab ovo", presente no Velho Testamento e já explorada por Machado de Assis em "Esau e Jacó".

Indo de 1910 até a década de sessenta, o livro exibe Manaus após um período de crescente desenvolvimento econômico e cultural provocado pelo ciclo da borracha. Trata-se do retrato de sua decadência e posterior reconstrução que está intimamente ligado a vida de Halim, pai dos gêmeos, e é narrado por Nael, seu único neto. O jovem apesar de jamais ser tratado como parte da família, é filho de Yaqub ou Omar com Domingas, a empregada da casa, que se recusa a tocar no assunto. Envolvido emocionalmente com os acontecimentos, revela-se um narrador tendencioso, capaz de distorcer a história como melhor lhe aprouver.

Além de abordar o ódio fraterno, o livro exibe outros temas paralelos e de caráter universal como a desagregação familiar e a formação identitária além de acontecimentos históricos cuja repercussão vão além das fronteiras da cidade como a Segunda Guerra e a Ditadura Militar, logo, enquadrá-lo unicamente como um romance regionalista é um erro imperdoável.

Outro ponto curioso são os avanços e recuos temporais que Hatoum maneja com destreza, encaminhando o leitor para um desfecho tocante e muito bem escolhido. Com relação a escrita, ela prima por uma linguagem coloquial no qual mesclam-se palavras árabes e indígenas numa intrigante sintonia.

Para os vestibulandos, é imprescindível distinguir as diferenças entre os gêmeos, pois frequentemente essa é a questão mais abordada nos exames. Vai uma ajuda: enquanto Yaqub é um engenheiro tímido e conservador que fez fortuna sem ajuda da família em São Paulo, Omar não passa de um beberrão, boêmio e conquistador que conta com os mimos de Zana, sua mãe, para levar a vida dessa maneira.

O escritor confirmou na série "Livro de Cabeceira" no YouTube que Domingas foi inspirada em Felicidade, protagonista do conto "Um Coração Simples", uma pequena joia legada por Flaubert.

Indubitavelmente, "Dois Irmãos" está entre os melhores romances contemporâneos e merece sua atenção assim como as demais obras do autor.
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mouemily 19/05/2017

Eu demorei um tempo pra pegar o ritmo de Dois Irmãos, mas, depois que peguei, fiquei boba com a beleza da história. Apesar do foco principal - o relacionamento dos gêmeos Omar e Yaqub e como o mesmo molda a vida de toda a sua família - ser bem trágico e repleto de vingança e ódio, tem muita coisa linda aqui.

A começar pela prosa - esse é o primeiro livro do Milton Hatoum que eu leio e eu me apaixonei? Dá pra ver que ele sabe muito bem do que está falando e as descrições de Manaus e das comidas e dos animais eram muito bem feitas e maravilhosas e bem colocadas no texto - me lembrou até mesmo Iracema e O Guarani (só que mais legal), e a presença da Domingas, a índia catolizada vendida para Zana como empregada e mãe do Nael, o narrador, só reforçou essa ideia, mas de um jeito doloroso e lindo.

Aliás, como não amar os personagens todos e se deixar envolver por suas histórias? O amor de Halim por Zana e seu ressentimento dos filhos por roubarem ela dele, o amor maternal de Zana que chega a ser possessivo e ciumento, a presença constante de Domingas e seu relacionamento complicado com os gêmeos, a Rânia, apaixonada pelos dois irmãos, devota a eles com um fervor quase tão feroz quanto o da mãe, assumindo a loja do pai, o próprio Nael, um narrador incrível - todos eles são fantásticos e, mesmo com suas falhas e erros, é difícil não gostar de cada um deles (ok, confesso, peguei birra dos gêmeos, MAS OS OUTROS PERSONAGENS!!!).

Enfim, adorei demais essa leitura, mesmo ela sendo bem curtinha, e fico até meio triste que não conheci o Hatoum durante minha graduação em Letras. Esse, com certeza, seria um dos livros / autores que me teriam feito me apaixonar pelo curso.
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Daniel 11/08/2012

Leitura recomendada.
O livro é muito bem escrito, gostoso de ler e os personagens são muito bem construídos psicologicamente. Eles parecem reais! A impressão que dá é que você já os viu e conversou com eles em algum lugar...
Achei que a história ficou um tanto circular, sempre indo e voltando ao mesmo lugar...mas acredito que essa seja a proposta do livro, o ódio entre os dois irmãos e a forma como o relacionamento deles altera a vida de toda uma família.
O livro me causou grande impressão após terminar a leitura, mas não me marcou muito. Dois dias depois ele estava fora da minha mente.
Infelizmente não consegui "entrar" dentro da história.
Talvez seja culpa minha, eu não estivesse em um bom momento para lê-lo. Só por isso leva as três estrelas (bom). Mas é um livro muito profundo, com muitas coisas nas entrelinhas, gerador de muitas discussões, basta digitar seu nome no Google para ver diversas interpretações diferentes. Vale uma nova leitura para tentar maior imersão.
Eu o recomendo a qualquer pessoa e com certeza vou ler outros livros do autor.
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Adib 09/09/2010

.
Este livro me foi uma surpreza. Já que comecei a lê-lo de maneira leviana; ou seja rápido. Não pude captar a sua essência a princípio.
Algo que perdurou até a página 54 mais ou menos. O que foi um disperdicio. (reli o começo)
O livro consegue captar e transmitir os mais variados sentimentos ao leitor.
Não pude deixar de notar a particularidade do autor, que em suma foi um mestre na formulação do livro. A ausência de diálogos diretos impressiona, além de nos fazer entrar profundamente na história; nos colocando como espectadores. Ou seja no lugar do narrador, que apesar de ser um personagem atua mais como um narrador observador; até quando o mesmo protagonisa a cena. As dúvidas são extensas e nada fica muito claro. Ficando a crit´´erio de cada um a cerca de conclusões.
Gostei muito do livro. Foi o primeiro de literatua amazonense

Dedico esta leitura a Fred'ane que me emprestou o livro...
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Taisa 03/01/2017

Por que somos o que somos? Como nossa individualidade é construída? Sem dúvida infinitas variáveis vão compor a nossa singularidade, o que nos difere do outro é as escolhas que fazemos. E a quem devemos culpar pelas escolhas? Os pais? Suas bagagens e criação? Talvez a culpa seja da química, uma pessoa faminta faria a mesma escolha quando alimentada? E apaixonada? E desesperada? Essa é a grande maravilha do ser humano, somos imprevisíveis, quando os dados são lançados tudo é possível.

"Só o tempo transforma nossos sentimentos em palavras mais verdadeiras..."

Milton Hatoum vai colocar uma lupa em cima desta e tantas outras questões. A ideia de gêmeos nos remete a igualdade, teoricamente é a mesma pessoa em dois indivíduos distintos, e no caso desses "dois irmãos" bota distinção nisso.

Há normalmente um ar competitivo natural entre irmãos, mas aqui isso é elevado a um outro nível. O DNA compartilhado não é suficiente para fazê-los se entenderem e como na vida real foi difícil distinguir exatamente onde foi que tudo começou a dar errado.

A narrativa é feita de modo não linear, a todo momento uma nova verdade é revelada e vivemos sempre no limite, a tensão dessa família desestruturada é tão palpável que mesmo já sabendo como vai terminar (uma vez que a primeira cena é a final) fica difícil se desprender emocionalmente e não querer saber como eles chegaram aquele ponto.

"´Louca para ser livre'. Palavras mortas. Ninguém se liberta só com palavras"

Omar ( O Caçula) é o imprevisível, impetuoso e bon vivant , mas era o silencio de Yaqub que me deixava inquieta. Enquanto o primeiro deixava claro suas loucuras o segundo era uma incógnita, durante toda a leitura ficava questionando todas as suas ações, eram verdadeiras? Qual dos dois era o vilão? Existe um vilão?

Ninguém é totalmente bom nem totalmente mau e apesar de obter a maioria das respostas que eu queria muita coisa ficou no ar para reflexões. Fica claro o quanto a família pode corromper um ao outro, pais tentam justificar ações injustificáveis de seus filhos, o limite entre proteção e a lição é muito tênue e dolorosa, cada uma vai cobrar seu preço.

Por outro lado somos indivíduos, pensantes, conscientes e já sabemos distinguir o certo do errado, podemos colocar a culpa nos pais, na crianção, na química, na biologia em que quisermos, mas a escolha vai ser sempre NOSSA. E novamente o preço vai ser cobrado.

Além de todo essa drama familiar o livros possui o pano de fundo de uma cultura manauara riquíssima, somos imersos em uma Manaus linda com suas cores, pessoas e sabores em uma época triste e conturbada que era a ditadura no Brasil.

Eu amei! É um livro muito visceral que tirou muito de mim mas me deu também, foi uma troca maravilhosa. Altamente recomendado, orgulho de ser nacional ❤.

"Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos."

site: leiturasdataisa.blogspot.com.br
sandra 03/01/2017minha estante
Ótima Resenha .


Taisa 03/01/2017minha estante
Obrigada Sandra.
;)




Sil 14/09/2016

Caim e Abel da modernidade
Olá pessoas lindas,

o livro de hoje entrou facinho pra lista de melhores do ano!! (eu ainda não fiz um ranking, mas vou começar a fazer \o/\o/). Um livro com uma ideia totalmente normal, mas simplesmente boa demais: briga em família. Quem nunca ein? Aposto que todo mundo tem uma maçãzinha podre na família (ta certo que na minha tem mais, mas vamos deixar pra lá).

A história se passa na Amazônia, e fala sobre a vida de um jovem casal Libanês: Zana e Halim. Os dois se casam, e põe pra quebrar na cama (hahaha não é piada, os dois adoram se enroscar), e dessa alegria toda nascem Yakub e Omar, nossos protagonistas.

Dois irmãos gêmeos: um, tímido e injustiçado; o outro, abusado e super protegido.

Uma família doentia: um pai ausente, molenga e pouco participativo; uma mãe maníaca, super protetora e ciumenta;

Uma irmã apagada e emocionalmente carente.

Junte tudo isso e você tem o perfeito quadro da dor, a receita certa para a desgraça.

Yakub e Omar são irmãos gêmeos idênticos, Yakub, o mais velho dos dois, cresceu negligenciado e esquecido. Pelo fato de Omar quase ter morrido nos primeiros dias de vida, a mãe Zana tornou-se doentiamente protetora dele, deixando Yakub de lado, sendo criado por uma cunhatã (palavra tupi par menina, moça) adotada desde a infância pela família, que cresceu e virou a empregada da casa.

Crescendo de forma totalmente livre, Omar pinta e borda na casa, torna-se então um jovem violento, cheio de vontades e manias. A casa funciona conforme Omar grita, a mãe enxergas as exigências como pequenos mimos do seu pobre e frágil peludinho (apelido dele…vai entender).

Certo dia, Omar e Yakub disputam o mesmo prêmio: o amor de uma moça. A coisa não acaba bem, e Yakub é enviado para o Líbano, para viver com seus tios e crescer la. Quando retorna ao Brasil, os pais percebem que os irmãos ainda se odeiam, e o pior: que provavelmente vão se odiar para sempre. A partir dai a coisa só piora, o ódio entre os irmãos parece algo tangível, de tão forte.

Escrito pelo brasileiro Milton Hatoum, esse livro mata a pau! Uma escrita limpa, sem muitos floreios (é assim que eu gosto, nada de ficar enchendo linguiça), uma leitura rápida e profunda, que toca a nossa alma pela simplicidade dos fatos. Um livro que pode muito bem ser uma história real.

Abraços

site: http://www.colunadovale.com.br/caim-e-abel-da-modernidade/
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Breno Rosa-Gomes 20/06/2017

Complexo de Édipo
Mas ao contrário do mito grego, o(s) filho(s) não é(são) o(s) protagonista(s) e sim, a mãe.
Culpa-la é como menosprezar uma personagem tão intrínseca, que ao olhar o outro vê apenas a si e seus desejos, medos, etc. Esta Jocasta, talvez não tão sofredora quanto a original, ou talvez, ainda mais, não soube dividir ou multiplicar o seu amor. Egoísta ou apenas perspicaz o suficiente para conhecer e usar seu poder de influência sobre os demais, ao adicionar apenas subtraia e a cada passo seu vai destruindo os destinos das pessoas a sua volta, tão amadas pela própria. Pouco a pouco, um por um, desde o nascimento dos gêmeos, o difícil parto do caçula até mesmo depois de sua morte, como uma herança.

"Alguns de nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos."
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Jéssica - Janelas Literárias 25/03/2017

Sensível, instigante e poderoso, "Dois Irmãos" é um romance que consegue entrelaçar as relações e sentimentos dos seus personagens com o ambiente. A ruína de uma família de origem libanesa segue a ruína da cidade de Manaus, senão do Brasil. ⠀

O livro é narrado por Nael, filho da escrava da família (dizer "empregada" é um eufenismo tamanho), que busca por suas origens, anseia saber quem é seu pai. Este mistério é o fio condutor da história, mas de modo suave. Aliás, a escrita fragmentada com algumas rupturas e idas e vindas no tempo confere um certo descentramento à narração. ⠀

Nael cria seu passado em um trabalho semelhante à colcha de retalhos, emendando tudo que ouviu e testemunhou num "jogo de lembranças e esquecimentos". É uma criação ou antes uma invenção, que é resgate mas também é fuga. O narrador, que pesquisa sua história, escreve como que para exorcizar seus demônios, revisitar a sua experiência e emancipar-se, enquanto indivíduo e dominado, para abandonar "o filho da empregada" e dar sentido e coerência à sua história. ⠀

O ódio entre irmãos, incesto, exploração e a degradação das relações familiares é muito do que Nael presencia. Os gêmeos Omar e Yakub vão sendo construídos vagarosamente. De início prevalece um certo maniqueísmo do tipo "irmão bom" "irmão mau", um é responsável, outro bebarrão, um agressivo e outro pacífico. Mas na evolução a semelhança que parecia ser só física, revela-se total. ⠀
Se a violência de Omar é física, a de Yakub é simbólica. É o duplo (ser ao mesmo tempo "eu" e "outro"). Cada um, a sua forma, guia-se pelo mesmo sentimento de vingança e destruição do outro. Um só existe em oposição ao outro, e como se sabe, a negação da negação... ⠀

A exploração que Domingas, a escrava índia da família, sofre não termina nem com sua morte, se perpetua antes em Nael, que só se vê livre após a morte da maioria da família e com a demolição (vejam que simbólico) da casa em que moravam. Da casa só restou um pequeno corredor, um quadrado no quintal, a "herança" de Nael. Do passado só restou as memórias que ele pode combinar como bem entender. Agora Nael pode seguir.

Miltom Hatoum desenvolve um trabalho artístico incrível. Com linguagem simples e tom sóbrio compõe um livro de memórias ao mesmo tempo cortante e sutil. Fico imensamente feliz de descobrir um autor contemporâneo que prova que a literatura brasileira ainda vive, ainda respira. Respiremos, então.

site: https://www.instagram.com/p/BR8RNillG1k/?taken-by=janelasliterarias
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Mandi 10/02/2016

Uma incrível surpresa
Confesso que adiei por anos o meu primeiro encontro com a obra de Hatoum. Isso se deve, muito provavelmente, à típica síndrome de vira-lata brasileira associada ao prejudicial ranço carregado de preconceito no mundo da literatura que cunhou a expressão "escritor bom é escritor morto". Eis que neste feriado resolvi, então, por a afirmativa à prova e li, em rápidos e intensos dois dias, o carro-chefe do autor. Temo que minhas palavras sejam insuficientes para descrever a maestria do autor em descrever um relacionamento familiar intenso, visceral e pautado em ambivalências quase escandalosas. Entremeando as tensões familiares, a evolução da própria Manaus é uma narrativa a ser explorada à parte. Sinceramente, confesso que meu interesse pela trajetória da região amazônica aumentou muito após a leitura da obra.

Enfim, uma excelente e cativante leitura. Recomendo de olhos fechados.
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Samia 26/01/2011

Rivalidade entre irmãos, entre pai e filho, mãe e namoradas, empregados e patrões tornaram esse livro muito interessante. A maneira de Hatoum escrever o tornou completo.
O narrador é um menino que cresceu à margem da família e testemunhou os fatos. Esse garoto suspeita ser filho de um dos irmãos. Ele carrega a mágoa de que a família sabe sobre ele e mesmo assim todos o tratam como um empregado. Portanto, não é uma testemunha isenta.
Desde o começo o leitor sabe que todas essas rivalidades não terão um bom fim, algumas pistas são dadas, prendendo ainda mais a atenção mas só no final a gente tem o quadro completo.
Hatoum escreve de forma poética, faz lindas analogias e enquanto descreve o ambiente da cidade de Manaus torna essa história universal.
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Mara.Aline 29/03/2017

"Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos"
"Dois irmãos" apresenta a trajetória de uma família, marcada por dramas, paixões, conflitos e perdas, durante cerca de cinco décadas.
Ao longo dos anos, o leitor acompanha também o desenvolvimento predatório da cidade de Manaus, onde a vida simples cede lugar aos extremos: riqueza e miséria coexistem.
O fluxo de tempo expresso na narrativa não é linear, mas segue o ritmo da memória do narrador-personagem: vai e volta, com suas lacunas e esquecimentos, mas também com suas marcas indeléveis: as coisas que o tempo apaga, mas também aquelas que ele não é capaz de apagar.
O tempo é o tempo vivo da memória.
A forma de vinculação dos personagens com o espaço público e doméstico explicita-se nas mudanças subjetivas que coincidem com as transformações destes espaços.
O espaço é subjetivo.
Enfim, o livro aborda as formas de se pertencer a um lugar, a uma família e suas implicações na construção das identidades: o olhar materno ("... carecia de olhar, que é como carecer de alma"), seus beijos (quantas vezes devoradores?), as palavras ditas e aquelas que se deixa de dizer.
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