Mansfield Park

Mansfield Park Jane Austen




Resenhas - Mansfield Park


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Andreia Santana 17/10/2011

Mistérios insondáveis de Fanny
Fanny é uma protagonista irritante, sem dúvida. Não é audaciosa, ao contrário, é covarde, submissa, ingênua. Ao menos, essa é a primeira impressão ao ler Mansfield Park: que Fanny não passa da avó da Polianna.

No entanto, na medida em que o livro avança, a jogada de gênio de Jane Austen fica mais clara. Fanny é uma boa moça, sem dúvida, para os padrões do século XVIII, mas tem seus momentos de maus pensamentos. É implacável no julgamento dos outros, não faz concessões, tem seus desafetos, permite-se sentir inveja dos que estão em melhor situação que a sua. Morando de favor na casa dos tios ricos, para onde foi levada aos 12 anos, se humilha porque acredita que deve manter-se em seu lugar, mas guarda ressentimentos (é humana afinal!). Equilibra-se a um passo entre a santidade e a amargura e é isto que faz dela uma personagem tão estimulante.

Através da doce Fanny, Jane Austen consegue reunir diversos conflitos da alma humana numa única pessoa. Apesar da atividade freqüente, Fanny é indolente, pois tem preguiça (mais do que medo) de encarar sua vida e dissabores de frente, ela prefere arrumar desculpas convenientes para as desditas. Prefere acomodar-se na posição do patinho feio da família. Age na sombra, influencia a todos sem que eles percebam que estão sendo influenciados.

Ao longo das mais de 300 páginas, nós leitores somos levados a amar Fanny profundamente e a odiá-la com todas as forças por ela ser tão patética. Não conseguimos compreender porque ela agüenta as maldades da tia Norris, uma viúva amarga e cruel; ou porque se submete a ser a escrava de luxo de sua tia Bertram, uma matrona tolinha, leviana e completamente subjugada pelo marido.

Lady Bertram acomoda-se na posição de grande dama e não emite uma única opinião sem que consulte Sir Thomas, sem que ele lhe diga o que é e o que não é adequado. Acostumada que decidam tudo por ela, passa os dias bordando sentada no sofá, com um cachorrinho no colo. Com essa personagem, Austen descreve exatamente o que era uma mulher bibelô naqueles tempos em que a beleza física era o maior atributo de mulheres que serviam apenas de adorno e objeto sexual.

Todos os personagens de Mansfield Park trazem em si as controvérsias de ser humano. O bom vivant Henry mostra-se capaz de atos de grande cavalheirismo, mas como o escorpião, não consegue fugir da própria natureza; enquanto o cavalheiro, quase padre (anglicano), Edmund, é capaz de entregar-se à maledicência e ao julgamento pelas aparências. Não são raras as passagens em que ele e a prima Fanny entregam-se com prazer à arte de falar mal das atitudes alheias, condenando todos com base no ideal de comportamento que tem por padrão eles mesmos! Em alguns momentos, Fanny parece hipócrita.

Já a leviana Mary divide-se entre o desejo de dar o golpe do baú e o de ser livre, de ter o direito de pensar por conta própria. Liberdade e mulher eram palavras mais do que opostas no século XVIII e através de Mary Crawford, a autora mostra o quanto era difícil fugir do script traçado pela cultura e educação recebidas. Mary até tenta, mas não passa de outra caçadora de maridos, maldosa e maliciosa.

A autora britânica critica o jogo de aparências em todas as suas obras, mas nesta, mostra uma sociedade inteiramente construída sobre a imagem projetada e as expectativas sociais. Não é à toa que projetos vivem sendo frustrados, porque ninguém age em Mansfield Park sem lançar mão da dissimulação. Fanny mais que todos, faz da dissimulação uma arma poderosa de sobrevivência.

Mansfield Park foi publicado em 1814, quando Jane Austen estava com 39 anos. É um dos livros mais intrigantes da autora, embora eu considere inferior a Razão e Sensibilidade, por exemplo, e anos luz da obra prima dela, Orgulho e Preconceito (estou apaixonada por este livro e por Elisabeth Bennet, a melhor heroína da escritora, sem sombra de dúvida!).

O que desafia em Mansfield é justamente o caráter de Fanny, a cada página ela se revela de uma forma. Seu retorno para casa, após ser criada na mansão dos tios, e o desprezo que parece nutrir pela própria família, considerada pobre e mal-educada, dizem muito mais sobre seu caráter do que qualquer outra passagem do livro. Embora tenha boas intenções e uma alma mais propensa à sensatez, Fanny também não consegue fugir da educação recebida e das expectativas sociais.

Esta é a obra de Jane Austen considerada a mais autobiográfica. Todo o universo da autora descreve o cotidiano da sua infância e juventude (ela morreu aos 42 anos, relativamente jovem), da Inglaterra rural e o mundo das caçadoras de marido, dos dotes, dos contratos de casamento, das convenções sociais e da dissimulação. Mas Mansfield Park pode ser considerado o tratado de Austen sobre o ato de dissimular e talvez seja o livro onde ela menos usa o humor e mais se entrega a amarga decepção de constatar que o seu mundo era uma prisão de grades douradas.
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Sara 13/01/2011

Meu Austen favorito
É o meu Austen favorito... Por quê? bem é uma história em que a personagem principal é uma das pessoas mais invisíveis em seu ciclo social... uma das menos importante... mas, a mais virtuosa... Na vida real percebemos que as pessoas, de uma certa forma, tem uma tendência a substimar as pessoas tímidas e achar que sua maneira reclusa de se portar é sinônimo de alguma fraqueza ou debilidade... Bom, Jane Austen aqui aposta em uma personagem que desmente essa crença; é claro que todas regras tem excessões, mas Fany é o exemplo de singularidade e discrição... gosto dela assim... sua ousadia é algo mais profundo e interior que tem força para suportar afrontas, preconceitos e desdém sem perder a beleza de uma personalidade tranquila, respeitosa e ademais muito forte... sua força não é a que muita gente consideraria como força... pois para essa gente ser forte é fazer o que lhes dá na telha para se impor ao outro ou ao ofensor... Fany nos ensina sobre a existencia ou possibilidade de uma outra força... da tolerância e passividade... que do contrário ao que muitas pessoas acham não tem nada a ver com fraqueza... precisa-se ser muito forte para agir por esse método pois dá muito mais trabalho... mas deixa qualquer um bem mais bonito!!!
Lena 23/11/2014minha estante
Nossa, gostei do seu comentário. Muito profundo, verdadeiro e belo.




Marcos 11/02/2012

Falsa caridade, falso feminismo.
A caridade é um dos princípios morais do cristianismo, ou uma das virtudes teologais como é estudada na tradição católica. Trata-se de ajudar ao próximo, do amar os inimigos. Sem a caridade, o cristianismo perde todo seu significado como observou Jesus ao afirmar que fora da caridade não há salvação.

O ato de criar a filha de uma irmã pobre deveria ser um ato de caridade. Não por acaso, a autora da proposta foi uma terceira irmã, casada com um pároco. Só que a intragável Mrs Norris acaba deixando claro que é a irmã rica, já com 4 filhos, que deveria criar a menina e não ela, sem filhos, que teve a idéia. É o famoso fazer caridade com os outros. Pior, Mrs Norris deixa claro que a menina não deve ser tratada da mesma maneira que as outras crianças da casa, evidenciando sua situação social, e que deve ser constantemente lembrada da sorte que teve em ser recebida em Mansfield Park.

Alguém já falou que toda a literatura ocidental encontra correspondência nos esquemas bíblicos. Nesse caso, de cara me chamou atenção as palavras de Jesus da ostentação da caridade, famosa no sermão sobre a mão direita e a mão esquerda. A caridade feita com o propósito de se sentir bem consigo mesmo e conseguir a aprovação social é uma falsa caridade, além de ser desumano pois coloca a pessoa ajudada na obrigação de ser grata a um ato que na origem não tem nada de bondade.

Outro tema abordado por Austen é a fortaleza necessária para praticar a virtude. Henry Crawford, um dos personagens mais fascinantes do livro é um jovem impetuoso, inteligente e frívolo. Depois de brincar com os sentimentos das duas filhas de Lady Bertran, resolve fazer o mesmo com Fanny e acaba se apaixonando por ela. Decidido a conquistá-la, resolve reformar sua vida e colocar-se digno dela. É difícil não torcer para que Henry consiga de fato dominar seus vícios, mas Fanny recusa-se a se convencer da mudança do pretendente. Ao mesmo tempo, o leitor percebe que ele deve ter força suficiente para se reformar e fica se perguntando até onde vai o compromisso do rapaz com a virtude.

Fanny Price é uma das personagens mais criticadas pelas próprias fãs de Jane Austen. Ao contrário de suas outras heroínas, não possui o carisma e força de expressão que tanto fascinam suas leitoras. Acredito que a frustração é com certas características como um julgamento moral baseado na tradição, a posição de submissão que se coloca em relação à casa e ao próprio amor pelo primo Edward, tornam difícil vê-la como uma heroína feminista, como erroneamente é visto as demais como Lizzy ou Emma. Fanny é apenas uma jovem que resolve ser fiel ao seu amor e tem a fortaleza de manter esse sentimento, o que é muito mais feminino ou feminista do que supões as feministas.

A verdadeira liberdade não está em se livrar da moral e fazer o que se quer como pretendem algumas. A verdadeira liberdade está em seguir o que acha certo e se submeter a critérios morais que se escolheu para viver uma vida. Não por acaso, Fanny se apaixona por Edward sem ser correspondido por ele, uma inversão da tradição romântica em que o mocinho conquista a mocinha, como é o caso de Henry em relação a ela. Aqui é a mocinha que tenta consquistar seu pretendente.

Esse é o feminismo de Jane Austen. Muito mais sutil e muito mais real do que o que vemos hoje em que a expressão da liberdade da mulher parece ser o divórcio, aborto e silicone. Talvez a expressão da liberdade da mulher seja fazer suas escolhas, mesmo que seja pelo casamento, filhos e amor. E ser feliz com essa escolha.
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Mariana 12/12/2011

Considerado o pior livro de Jane Austen, “Mansfield Park” conta a história de Fanny Price, uma garota pobre que acaba sendo criada por seus tios ricos. Muito tímida, recatada e prestativa, Fanny começa a nutrir secretamente um amor por seu primo Edmund, que, apesar de muito afetuoso, não corresponde aos sentimentos de Fanny. No entanto, o jeito da protagonista acaba por cativar o rico e mulherengo Mr. Crawford, que, apesar da situação financeira infinitamente inferior de Fanny, decide se casar com ela, e não mede esforços para ganhar o coração da mocinha, há muito tempo apaixonado pelo primo Edmund.

Apesar de Fanny estar longe do estereótipo de heroína, não creio que o livro deixe a desejar. O mundo não é feito apenas de Elinors e Elizabeths (na verdade, são essas as exceções), portanto a aparentemente apática Fanny e o “bobo” Edmund são personagens tão aceitáveis quanto todos os outros. Mr. Crawford é o meu preferido, apesar de ter sido odiado por mim no início. Tenho que admitir que acabei me apaixonando por ele durante a leitura (ponto para Jane Austen!), mesmo com todo o seu “passado”. Os diálogos não são tão notáveis quanto eu esperava, mas imagino que seja intencional, para acompanhar o perfil dos personagens.

Para não dizer que não falei das flores, creio que a obra possui algumas falhas:

- Apesar de não ser a prioridade do livro, gostaria que houvesse mais algumas páginas no fim, explicando detalhadamente o enlace da história Fanny/Edmund.
- A preparação para o teatro é meio exaustiva, fiquei um tempo presa nessas páginas.
- Essa edição da Landmark é péssima, péssima, terrivelmente péssima! A tradução deixa a desejar, e a revisão é inexistente!

Só me resta dizer que, apesar dos poucos defeitos, o livro contém aquela análise de comportamento (e de contradição de comportamento) sempre presente nas obras da autora. Cinco estrelinhas para o livro, por se tratar de Jane Austen.
Sarah Oliveira 01/11/2010minha estante
A história é realmente linda, mas a edição é uma das piores que eu ja li, tive de ler novamente para entender certas partes. Eu acho que o livro realmente não teve qualquer tipo de revisão, o que é péssimo para a editora.
Bells


Juliane 19/04/2012minha estante
Realmente existem MUITOS erros de português nessa edição.


Daiane 07/09/2017minha estante
Ainda estou lendo o livro e estou gostando bastante, para minha surpresa estou achando melhor que "Razão e sensibilidade", mas ainda inferior a "Orgulho e Preconceito".
A edição da Landmark é lindíssima e caprichada, mas parece que a editora não investe em revisão, tenho outro livro dela e tinha o mesmo problema, vários erros de português e digitação.




Daniela Tiemi 09/10/2009

Não posso dizer que seja o melhor livro que Jane Austen escreveu, mas ainda assim gosto muitoooo deste livro! O fato de Fanny mesmo sendo tão sensível, ainda assim não trair em momento algum seu coração é o que mostra sua verdadeira força. Sempre fiel aos seus sentimentos por Edmund, em nenhum momento ela põe em dúvida o que sente.
O que me decepcionou um pouco (por isso, para mim, esta não é a melhor obra de Jane) foi o primo Edmund - apesar de ser uma graça -, seu sentimento por Fanny em momento algum se iguala ou supera o de sua heroína. Mas, pela sensível e de bom coração Fanny, este é um livro merecedor de cinco estrelas, e por ser obra de Jane Austen, está na minha lista de favoritos! =0)
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Érika dos Anjos 09/10/2009minha estante
Ainda não tenho esse, mas está na minha lista!


Lu 18/01/2010minha estante
Edmundo me dá nos nervos. Sou muito mais o Mr. Crawford!




spoiler visualizar
robertablo 07/03/2011minha estante
Concordo com tudo o que você escreveu. Adorei a Fanny e morria de ódio dos crowfords, principalmente da Mary. Este é um dos meus favoritos de Austen.


Priscila 01/01/2017minha estante
Não vou ler tudo pelo Spoiler, mas estou tendo a mesma dificuldade no início mesmo em português. o Ritmo é bem lento e os pronomes de tratamento com sobrenome me deixam confusa, de qual Bertram estão falando?? kkkkk. Veremos a partir de agora na página 100 :)




Renata Céli 22/04/2012

Mais um livro da Jane Austen que me deixou sem fôlego. Ela é muito boa em narrar romances. Adoro!

Esse foi o terceiro livro da autora que li, os dois primeiros foram ‘Orgulho e Preconceito’ e ‘Razão e Sensibilidade’. Sou fã das protagonistas, cada uma tem qualidades muito relevantes. Em ‘Orgulho e Preconceito’, Elizabeth Bennet é uma mulher de coragem, que enfrenta tudo e a todos, sem medo. É uma mulher segura de si mesma. Em ‘Razão e Sensibilidade’, Elinor é uma mulher forte. Tive a impressão de que ela é capaz de carregar o mundo nas costas e ainda estampar um sorriso no rosto. Já em ‘Mansfield Park’, Fanny é uma mulher com princípios éticos e morais bem estabelecidos. Uma mulher que sabe quando deve falar e quando deve calar.

No início de 'Mansfield Park', Fanny não era tão protagonista assim. O principal da história, em minha opinião, era a relação familiar, como se dava o comportamento de cada membro da família Bertram e como Fanny se adaptou a essa família (que no princípio era tão diferente de sua realidade, mas que aos poucos, foi se tornando a sua amada família). Ao longo da história, Fanny se tornou de fato a personagem principal e, a cada momento, ela foi me surpreendendo. Percebi que na verdade ela não era uma menina tímida e ‘medrosa’, mas sim uma mulher de princípios e valores, com muito discernimento, e que sabe dar valor às coisas realmente importantes da vida.

Enfim, é uma história maravilhosa, como qualquer livro da Jane Austen, principalmente nas páginas finais, que eu não conseguia parar de ler.

Para quem gosta de romance histórico, recomendo o livro.
Renata CCS 09/10/2013minha estante
Adoro Jane Austen, suas obras são atemporais e apaixonantes! Este faz parte de minha lista de futuras aquisições.


Renata Céli 12/10/2013minha estante
Também adoro as obras de Jane Austen!! =)




Beatriz 15/10/2011

Como sempre, Jane Austen supera qualquer tipo de romance escrito até hoje. Nunca gostei tanto de um livro como este! Só não supera Orgulho & Preconceito por conta do Mr. Darcy, é claro. Mas o jeito como ela confunde o leitor até o último capítulo é impressionante. Passei dias me perguntando se Fanny terminaria casando com Mr. Crawford ou se Edmund perceberia seu amor por ele. Confesso que o final me aliviou e acho que não poderia ter sido melhor. Aliás, o desfecho de Maria me lembrou e muito Lucy e Robert em Razão & Sensibilidade. Acho que não há muito o que falar dessa obra... É um clássico, definitivamente, e me apaixonei por seus personagens e por sua história em questão de segundos. Recomendo muito!
Bianca Nami 26/12/2011minha estante
Fiquei me sentindo meio boba de não ter conseguido adivinhar antes do fim do livro com quem Fanny terminaria...

Realmente não é o melhor de Jane Austen, mas é uma heroína diferente, com um desenrolar diferente... Vale a leitura, sem dúvida!




robertablo 07/03/2011

Muito bom!
É um dos meus preferidos de Austen. Adoro a personalidade da heroína, que é tímida, meiga e submissa, mas nem por isso mais chata ou menos merecedora.

Acho que gostei pelo fato de mesmo sempre pensando nos outros em primeiro lugar ela ainda consegue se destacar. Só queria que o final fosse mais 'descritivo', mas fora isso é um ótimo livro.

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Mey 17/09/2018

"Mansfield Park" é o terceiro livro de Jane Austen que eu leio, já foram "Orgulho e Preconceito", "Razão e Sensibilidade" e "Persuasão", e com certeza foi o que mais se distanciou das outras obras que eu já havia lido. Mansfield é uma história em que a personagem principal não tem uma personalidade forte, Fanny é o oposto das outras heroínas de Austen, ela é muito tímida, submissa e ingênua. E essa garota vai viver de favor na casa de alguns tios ricos, onde todos pensam que ela deve ser grata por estar ali (leia-se viver em função de todos os membros daquela casa.



O livro começa de maneira lenta, contando a história das tias e da mãe de Fanny, para que você entenda como aquela garota foi viver em Mansfield Park. Os anos se passam e acompanhamos a jovem agora com 18 anos, no auge de sua mocidade, onde é maltratada pela tia Norris, serve aos caprichos da Tia Bertram e é ignorada pela primas Maria e Julia, apenas o primo Edmund se preocupa com seu bem estar e por isso a garota cria uma paixão platônica por ele. Os moradores de Mansfield Park fazem amizade com os irmãos Crawford, que tem interesses matrimoniais pelos moradores daquela casa. Essa é a história do livro, sem dar muitos spoilers.



Não vou negar que a história custou me pegar, principalmente, porque Fanny não é o tipo de personagem feminina que me encanta, porém o desejo de saber até onde ia aquela história prevaleceu e eu persisti na leitura. E me surpreendi bastante e posso dizer que esse é um dos meus livros preferidos da autora (abaixo de Orgulho e Preconceito), não porque é um romance, mas porque a escrita está mais crítica, mais dura e muito realista. Eu particularmente adoro o tanto que a autora critica a sociedade da época, os interesses e os preconceitos e nesse livro ela está afiadíssima.



"Mansfield Park" é um livro dolorido, é difícil vê a pobre Fanny ser tratada tão mal pelas pessoas que se dizem responsáveis por ela. Também é triste vê que Edmund só a vê como irmã e nada mais. É difícil vê que ela não se encaixa nem mesmo na casa de sua família. Mas é real, mostra o pior das pessoas e eu gostei bastante do livro.

site: http://agoraqueeusoucritica.blogspot.com/2018/09/resenha-mansfield-park.html
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Mariana Cardoso 26/09/2012

Parque das emoções
Por quantos meses adiei minha leitura de Mansfield Park... não sei ainda se fiz o certo, postergando todo o prazer que as páginas do último romance completo de Austen me proporcionariam - aliás, foi esse o motivo tanto da demora para iniciar quanto para finalizar minha estadia na confortável propriedade dos Bertram. Ler Mansfield Park foi como viver a última aventura ao lado de damas e cavalheiros de estilo tão conhecido.
A constante Fanny, heroína da obra, surpreende por não ser aberta e ligeira como outras protagonistas da autora; ou melhor, a tímida Srta. Price é tão aberta e ligeira como qualquer outra das moças de Austen - mas em silêncio.
Apesar de conquistar por seu caráter imaculado, surgem momentos em que o que o leitor mais deseja é poder adentrar as páginas da obra e sacudir (mesmo) Fanny. Cheia de gratidão e muitas vezes cega quanto aos que não lhe querem bem, a garota se preocupa em fazer o melhor para todos ao seu redor, mesmo os menos merecem seus sentimentos.
Aos poucos descobre-se apaixonada por seu primo mais novo, que a tem como irmã, mas deverá enfrentar ainda as insistentes propostas de outro cavalheiro.
No quesito "familiares cruéis", certamente impressiona. Em que (ou quem) Austen deverá ter se inspirado para compor as personalidades de Tia Norris, ou do Sr. Price? Em compensação, Edmund Bertram é só afeto para com a pequena Fanny.
Mansfield Park é um romance completo: crítica, intrigas, ironia, romance, ódio, (oh, sim!) adultério e um ótimo desfecho. E quando Jane Austen é má ideia, afinal?
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Lu 25/10/2009

O livro não é ruim, mas Fanny price me leva ao desespero com sua falta de reação. Ninguém deveria ser tão boazinha.
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Paulinha 09/01/2010minha estante
Exatamente! Falem o que quiserem, sou muito mais Mary!




Mari 06/07/2014

"Mansfield Park" de Jane Austen" (por Poeira Literária)
Mais uma comédia de costumes da Jane Austen, mais um livro com aquela atmosfera claustrofóbica da sociedade inglesa do século XIX... É um livro da era madura de JA, com personagens mais complexos e tramas mais trabalhadas, porém com uma linha que divide personagens femininas entre boas e ruins (santas e putas, no popular). Definitivamente, não é o melhor livo de JA, na minha opinião.

Resenha completa no link:

site: https://www.youtube.com/watch?v=wsYJiiF4FZs
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Nanda 24/09/2013

"Todos temos em nós mesmos um conselheiro melhor,do que qualquer outra pessoa poderá ser."

Mansfield park é conhecido como o romance mais controverso da escritora, o mais sério (e melancólico), o livro tem uma narrativa bem descritiva e lenta (como o livro Emma) e cuja protagonista é muitas vezes taxada como a mais fraca já criada por Austen, muitas vezes sendo vista como uma santa pelos fãs.
Fanny Price é diferente das heroínas mais populares, criadas pela escritora; ela é frágil, tímida, sensível e muito prestativa aos outros, a ponto de ser opressivo para a moça. Na minha visão Fanny passa longe de ser santa, pois mesmo tendo consciência de que é desprezada por boa parte da família Bertram, ela tem seus momentos de raiva e inveja, por sofrer certas injustiças enquanto seus primos (Maria,Julia e Tom) não muito merecedores,são mimados ao extremo. E Fanny no seu papel de observadora constante, olha e analisa atitudes ao seu redor, muitas vezes achando defeitos (existentes) nas pessoas e as falhas de caráter, que são deixadas de lado pelos bajuladores, já que o que importa é o nome importante e as milhares de libras que a pessoa tem.

Mesmo passando por situações embaraçosas em Mansfield Park, sua nova casa, Fanny consegue viver feliz e tranqüila, sendo tratada como a parenta pobre,recebendo uma atenção fria porém educada da família Bertram, tendo como único amigo e confidente seu primo Edmund Bertram.

Como leitora, a Fanny me cativou com seu jeito delicado e silencioso de ser, mesmo ela sendo forçada a sempre ser tolerante com certos tratamentos injustos, ela demonstrou ter uma personalidade muito forte e criteriosa para diferenciar o certo do errado,coisa que seus parentes não tinham. E Fanny como todo personagem de Austen, mostra ser muito inteligente, coisa que é totalmente ignorada pelas suas primas esnobes Maria e Julia Bertram,que a acham uma menina estúpida.

Serei sincera, o defeito da Fanny é ser respeitosa demais aos parentes ricos, ela tem receio de soar ingrata a eles, esse defeito é algo ruim e bom ao mesmo tempo, se pelo lado negativo ela sempre será o bode expiatório de alguns, pelo lado bom, ninguém (exceto a sra.Norris.)pode culpá-la por alguma falta que ela faz. Esse jeito passivo da Fanny, é o que incomoda muitas fãs da Austen, me incomodou quando li os trechos de injustiças, mas depois quando parei para analisar vi que,sendo a família de Sir Thomas Bertram, na sua maior parte formada por pessoas orgulhosas ,sensíveis a censuras e prontas para criticar e castigar Fanny pela sua “ingratidão”, acabei vendo que se a pobre srta.Price tentasse reclamar de algo só iria piorar as coisas para si mesma. Fanny não faz parte dos personagens que precisam fazer alarde para impor suas opiniões e vontades para os que a cercam (isso muitas vezes soa infantil), ela guarda suas opiniões para si mesma (já que poucos ligam para o que ela pensa), afinal seus pensamentos são seus melhores amigos e devem ser mostrados apenas para os que merecem e querem escutar (Edmund e seu irmão William Price).

A rotina é completamente mudada quando o libertino Henry Crawford e sua mundana irmã Mary se mudam para a casa da sra.Grant,sua irmã, que mora na vizinhança, e nisso a vida dos moradores de Mansfield Park muda drasticamente.

Antes de ler Mansfield Park, já conhecia certas opiniões sobre o Sr.Henry Crawford, que muitas fãs argumentavam que teria sido um melhor par para a Fanny do que Edmund. Durante a leitura ,achei o amor de Henry por Fanny mais como algo de posse do que amor de um modo puro,algo do tipo “essa dama é diferente das outras, preciso tê-la!”,além dos princípios de Crawford serem completamente diferentes dos de Fanny, ele se mostra vaidoso demais,acho que se ele realmente amasse Fanny teria feito algo melhor do que o desfecho que ele teve.Assim como Willoughby, sua fraqueza foi o orgulho.

Simpatizei com Edmund, na 1ª aparição dele, me senti chateada com a paixão dele pela leviana e intrigante Mary Crawford, em sua cegueira em não querer ver seu modo egoísta e desrespeitoso, e em certos pesares que criou na pobre Fanny.Mas entendo que no calor da emoção,ficou empolgado demais.Se isso acontece na vida real,imagine se não ocorreria nos livros da Srta. Austen,vide Marianne Dashwood .

E finalizando, não achei que o amor do Edmund pela Fanny foi algo de repente ou por conformismo, como fã de Jane Austen,sei muito bem que a escritora não tinha mania de detalhar muito o começo do afeto dos protagonistas (talvez para evitar ficar meloso e longo demais?).
Isso é explicado nesse trecho:
“Eu propositadamente me abstenho de datas nessa ocasião,de maneira que cada um pode ter a liberdade de fixar sua própria época,ciente de que a cura das paixões inconquistáveis e a transferência de afeições imutáveis sempre variam muito quanto a passagem do tempo,de pessoa para pessoa.”

Jane tinha o hábito de nos mostrar a rotina do futuro casal,mostrando como eles passavam o tempo e como eles acabavam se aproximando até chegar ao matrimônio. Fanny era apaixonada por Edmund, e este tendo tido uma grande desilusão com a Srta.Crawford,vendo que ela...
“... tinha defeitos de princípios,de delicadeza embotada e de uma mente viciada e corrompida.”
E com o tempo acabou se apegando mais a Fanny, a ver que...
“... a própria Fanny estivesse se tornando tão querida, tão importante para ele,com todos os seus sorrisos e todos os seus modos,quanto Mary Crawford jamais tinha sido.”

Começou a amar Fanny mais do que como prima, a ver o quão ideal ela era para sua felicidade e também ficou inseguro se ele era digno de estar com Fanny, já que durante toda a história ela foi a única que não se deixou cegar pelos modos agradáveis dos Crawford. E foi uma união feliz porque ambos se amavam.

E essa foi minha última leitura inédita da Srta Jane Austen, e é claro que vai entrar na minha lista de favoritos da escritora!
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Gih Medeiros 23/01/2016

Mansfield Park, onde ninguém é intrinsecamente bom ou mau
Nesse livro, escrito em uma fase mais madura de Jane, temos a jovem de origem humilde Fanny Price, que mora de favor com os tios ricos, os Bertram, em Mansfield Park para onde foi levada quando ainda era criança. Criada com a prerrogativa imposta por uma das tias, a sra. Norris, de que ela deveria ser grata pela situação em que se encontra, Fanny se mantem durante muito tempo em uma situação de subserviência, que a coloca em termos de importância para alguns familiares, no mesmo patamar que os empregados da casa. Dividindo-se entre os sentimentos de gratidão e ao mesmo tempo inferioridade, ela aceita com grande sofrimento e confusão, o abuso psicológico que a tia a submete. Conforme, vai crescendo, a situação muda um pouco, já que os tios e um primo em especial, começam a tratar-lhe com maior consideração e gentileza, cedendo-lhe um lugar de fato na família, ao qual ela tem dificuldade em entender e aceitar, já que toda sua vida sentiu e foi ensinada que isso não era a realidade dela. Não se engane em pensar que ela é uma mocinha boba e "coitadinha". Apesar da aparência frágil e da extrema timidez e modéstia, Fanny concentra em si diversos conflitos da alma humana, mostrando-se uma personagem forte e profunda e muito mais sensata e inteligente que os primos e as próprias tias. E apesar de seu coração gentil e grato por tudo que a vida lhe proporcionou através de pequenos momentos de alegria, ela é firme em não permitir que outros decidam seu destino, quando o momento decisivo de sua jornada chega.
Os personagens dessa história cheia de elementos conflitantes como contratos sociais, preconceitos, escravidão, autoconhecimento, riqueza e amor, são muito bem elaborados e suas verdadeiras essências, boas ou más, não são tão estereotipadas como vemos em outras obras de Jane Austen, mostrando que mesmo alguém de má índole, pode sim ter momentos de redenção, ou alguém de bom coração e de inteligência superior, pode ser ludibriado pelo encantamento superficial com a beleza de outrem.
E se há algo nessa obra que a diferencia das demais, é que Jane conseguiu criar um personagem principal masculino, que eu considero detestável, por sua estupidez em se deixar envolver por pessoas que desdenham de sua condição e escolhas pra vida, mas ainda assim ele espera que haja uma mudança de paradigmas, coisa que pessoas apaixonadas infelizmente fazem, e ao mesmo tempo é admirável que ele não desista de seus propósitos e plano de vida para satisfazer um comportamento na pessoa amada que ele julga supérfluo e mesquinho.
Mais uma vez, Jane mostrou que estava a frente de seu tempo, falando de temas tão atuais que me parecia uma história contemporânea ao invés de um clássico do século XIX.

site: https://bloggihmedeiros.blogspot.com.br/
Gabi 07/02/2016minha estante
Adorei sua resenha! Realmente, concordo com tudo que você disse! Mansfield Park é bem diferente das outras obras da Jane e faz meditar no quanto ela progrediu!




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