Rio 2054

Rio 2054 Jorge Lourenço




Resenhas - Rio 2054


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davidplmatias 18/03/2019

Anarquista, suft cyberpunk, "carioca punk"? "Favela punk"? Difícil definir hehe. Ótimo representante brasileiro do gênero!
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João de Campo Grande 12/10/2016

Os personagens são o ponto alto do livro, mas acho que esse enredo de população excluída contra corporações gigantescas está meio batido. Apesar de tratar do Rio de Janeiro, achei a obra americalhada - em alguns momentos você percebe diálogos em inglês. O fim é previsiível, mas a explicação das dúvidas sobre a trama ficou bem feita.
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Suka Milk 25/03/2016

Rio 2054
confesso que não colocava muita "fe" nessa distopia, mas a narrativa me surpreendeu, gostei muito, uma leitura muito boa, apesar de algumas coisas q não me agradaram, o epílogo por exemplo me deixou bem frustrada com o fim do livro, que deixou algumas (muitas) coisas em abertas e respostas a serem dadas, mas no geral, foi uma leitura muito boa
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Diego.Silva 19/03/2016

Rio 2054 Os filhos da revolução de Jorge Lourenço
Rio de Janeiro, 2054. Três décadas após uma guerra civil que começou com a disputa pelos royalties do petróleo, a cidade se vê alvo de uma nova ameaça. Um velho jogo de intrigas e espionagem industrial entre as multinacionais que controlam a cidade ganha novos contornos quando uma perigosa jovem com poderes psíquicos surge nos guetos.

É um livro distópico e ficção cientifica escrito por Jorge Lourenço, autor nacional, este é o primeiro livro do autor, é a primeira vez que leio um livro distópico, e tive a oportunidade de ler um escrito aqui no Brasil e ambientado em uma cidade aqui mesmo do Brasil, é uma obra narrada em terceira pessoa.

A Historia se passa na cidade do Rio de Janeiro, algumas décadas depois pós Guerra Civil, em 2054 a cidade encontra-se excluída do resto do país, e dividida em duas regiões, de um lado a parte rica a Rio Alfa, onde tem tudo de melhor, com toda a tecnologia de ponta, que é controlada por três super empresas, e a Rio Beta, a parte pobre da cidade, aonde os moradores ali vivem totalmente na miséria e excluídos.

Ali nos escombros no Rio Beta, temos Miguel, um jovem que passa a maior parte do seu tempo recolhendo restos de peças e próteses junto com seu amigo que tem um nível de entendimento sobre medicina e alta tecnologia e com isso acabam ganhando dinheiro para poderem sobreviver. Temos também Nina, ex-namorada de Miguel, que também vivia nos escombros, uma viciada em drogas, e obcecada em viver na Rio Alfa, chamada também de Luzes.

Tudo começa a mudar quando Miguel encontra uma andróide, uma AI (Inteligência Artificial) totalmente sofisticada, parecida até com uma pessoa humana, Miguel a partir daí contra sua vontade é obrigado a entrar para a gangue de Motoqueiros, para conseguir o dinheiro para comprar a bateria para reviver a sua andróide.

Outros personagens interessantes no livro é Anderson, amigo de infância de Miguel, líder de uma gangue de motoqueiros da cidade, os Engenheiros, e Angra que é dotada de poderes psíquicos, líder da gangue de motoqueiros Eder, não vou falar mais detalhes deles, mas no livro temos grandes embates dos dois.

A capa do livro achei extraordinária, muito bem feita, os escombros de fundo e a moto em primeiro plano, se formos comparar hoje, este cenário descrito no livro, seria bem possível de acontecer no futuro, se acontecer acredito que não seria em 2054, mas um pouco mais pra frente.

Outro ponto que chamou a atenção é a divisão do Rio de Janeiro, se comparar hoje, não seria muito diferente não, onde Rio Beta seria as favelas, com varias famílias vivendo na pobreza, e a Rio Alfa o restante da cidade, com vários prédios, praias, onde as emissoras de TV, insistem em passar só aquela parte esquecendo de mostrar as favelas que também fazem parte da cidade do Rio de Janeiro.

Para finalizar, recomendo a leitura do livro, comprei o livro por ser literatura nacional, e era a primeira vez que lia um livro neste estilo, e não arrependi, gostei bastante da historia, por mostrar um futuro não muito bom, caso as pessoas hoje não faça nada para mudar esta situação.
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Fabiano Lobo 19/07/2015

Sobre Rio 2054 – de Jorge Lourenço
Uma realidade alternativa de uma cidade mundialmente conhecida? Definitivamente não.
Uma possibilidade de acontecimento em um futuro não muito distante? Talvez.

Essas e outras perguntas me deixaram instigado desde o início da leitura.
O conceito de segregação é muito claro em minha cabeça, já que tive uma disciplina na faculdade que tratava desse e de outros assuntos dentro da sociedade.

Motoqueiros, pichações, parkour, cheguei a ler alguns artigos sobre essas práticas, que são classificadas como formas de ocupação do espaço urbano de cidades grandes.
O que isso tem a ver com o livro?
Bastante coisa!



Rio 2054 é um livro distópico, sci-fi, cyberpunk, futurista ou de ficção científica. Acho que nesse caso todos os termos são válidos. Como não costumo dar spoilers nas minhas “resenhas”, vou colocar a sinopse do livro aqui pra que vocês possam entender um pouco do que estou falando:

“Rio de Janeiro, 2054. Três décadas após uma guerra civil que começou com a disputa pelos royalties do petróleo, a cidade se vê alvo de uma nova ameaça. Um velho jogo de intrigas e espionagem industrial entre as multinacionais que controlam a cidade ganha novos contornos quando uma perigosa jovem com poderes psíquicos surge nos guetos.

Alheio a tudo isso, Miguel é um jovem sem grandes pretensões. Morador de uma região abandonada no pós-guerra, ele sobrevive catando restos de tecnologia e tem uma vida despreocupada. Sem saber o que o destino lhe reserva, ele é convidado para assistir a um duelo de motoqueiros e acaba se tornando o pivô de uma disputa que pode mudar o Rio para sempre.

Num lugar onde o bem e mal se confundem, Miguel terá que desvendar os segredos de uma misteriosa inteligência artificial e, para proteger aqueles que ama, bater de frente com as poucas pessoas dispostas a salvar o que resta do Rio de Janeiro. Sem saber que lado escolher, caberá a ele decidir o futuro de uma cidade partida pela ganância.”


Miguel é um personagem carismático, indeciso e um pouco medroso. Um tipo interessante de personagem para começar uma história e acompanhar seu desenvolvimento ao longo desta. Achei interessante esse desenvolvimento. Gosto de personagens bem detalhados e com diálogos possíveis e humanos. Achei interessantes as falas, pois são justamente da forma como conversamos, e não aqueles textos fictícios de diálogos mais vazios ainda. Pude ver que o autor se preocupou com isso.

A história, desde o início, me deixou curioso. O que poderia acontecer em uma cidade totalmente segregada e demonstrando aspectos futuristas de um lado e praticamente total pobreza e miséria do outro? Quais aparatos tecnológicos apareceriam como possibilidades de um futuro próximo? Que tipo de vilões teria uma história desse tipo?

Fui me fazendo esse tipo de pergunta e ao longo da história fui sendo respondido pela leitura.

Após ter lido o livro, percebi uma estranha realidade pairando no ar: A maioria dos acontecimentos descritos no livro é totalmente possível!

Sempre acompanho os avanços tecnológicos, sobre IA’s, simuladores, comunicadores, tipos de armas e veículos, possíveis androides e máquinas criadas atualmente e imagino que o autor também tenha pesquisado isso enquanto escrevia, pois descreve várias dessas coisas com detalhes e coerência com o que já ouvi falar. Isso me deixou ainda mais absorto na leitura e terminei por pegar o livro nesse fim de semana e devorar as mais de 200 páginas que ainda faltavam para ler.



Agora, pra você que está lendo porque quer uma indicação ou uma opinião sobre o livro em geral, sem spoilers:

Escrita.
A escrita do autor é simples, com narrativa em terceira pessoa e uma descrição detalhada dos fatos, sem se tornar maçante. Gostei especialmente das cenas de ação, que me fizeram imaginar um filme rodando em minha mente, com detalhes, trilha sonora e tudo o mais.


História.
A história é interessante e em muitas partes coerente com nossa realidade e a realidade da própria cidade em que se passa, pois demonstra a realidade dos morros do Rio, das drogas e da violência.


Personagens.
Bem detalhados e muito humanos. Humanos até demais! Interessantes. Que me deixaram curioso sobre vários detalhes que são explicados ao longo do texto. Personagens possíveis e com características e falas únicas. Pode-se perceber que essa foi uma das maiores preocupações do autor na criação da história.


Final.
Surpreendente! Um tipo de crítica à forma como agimos no mundo atual. Quase um tapa na cara. Uma forma de dizer que a humanidade ainda tem muito que evoluir.


No mais, recomendo muito a leitura! Achei muito interessante e certa vez vi, não sei se no Google ou no próprio perfil do Facebook do autor que teria um novo livro “São Paulo 2054”. Não tenho certeza, mas se for verdade, aguardo ansiosamente para ver o que mais acontecerá nesse mundo espetacular!


Ah! E apesar de eu escrever Terra 2, que é ficção científica, esse foi o primeiro livro desse estilo que li. Até hoje só tinha visto filmes desse gênero. Mas essa história vai mudar. Já tenho alguns na lista me esperando!

Leiam e apoiem a literatura brasileira.


Esse, junto com outros que ando lendo ultimamente, me animou a procurar cada vez mais livros de autores daqui mesmo. Além da proximidade deles (comprei o Rio 2054 do próprio autor!) e do carisma, as histórias são desenvolvidas com uma pitada da nossa própria cultura, e assim paramos um pouco de consumir excessivamente a cultura americana, nos identificando mais e mais com os personagens e as histórias.

Parabéns autores brasileiros!
Eu apoio vocês!


Fabiano Lobo

site: http://reminiscencialobo.blogspot.com.br/2015/07/sobre-rio-2054-de-jorge-lourenco.html
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Jo Kusanagi 01/03/2015

Surpreendente!
Quando li a sinopse de Rio 2054, fiquei na dúvida se seria legal ou não. Motoqueiros? Gangues? Fiquei com medo de ser uma coisa muito de ação e sem reflexão. Mas estava muito enganada!

Além de ter uma história impecável e uma grande reviravolta que vai sendo revelada aos poucos ao longo da história, Rio 2054 tem uma série de reflexões sobre a vida moderna. Sobre até que ponto somos livres trabalhando para continuar vivos e até onde vai a empatia do ser humano, especialmente em um mundo tão cheio de desigualdade.

Adorei a história, que tem um estilo que mistura cyberpunk e lembra vagamente um anime (me lembrou muito Akira e Ghost in the Shell). Aguardando ansiosamente pela sequência!
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Clio 28/02/2015

Rio 2054 é Mad Max e Anime em terras tupiniquins.

Para quem não conhece, lá vão maiores explicações:

Mad Max é um cenário pós-apocalíptico onde os humanos sobrevivem em guetos, encurralados por regiões inóspitas e/ou radiotivas e a sociedade é composta basicamente por flagelados e gangues.

Animes são muitos, mas o gênero futurístico normalmente traz um adolescente pacato que com poderes especiais tenta mudar a ordem mundial. PS: sempre faz isso com a ajuda de uma adolescente que normalmente é bonita, mas não propriamente sexualizada.

Então, Rio 2054 é uma fusão dos dois. Mas, e um grande "mas" aqui, não é isso que me fez dar uma nota baixa para o livro. Na verdade, o livro quase mereceu um "regular" - trata-se de clichês, porém o autor caprichou na ambientação.

Miguel, junto com um bando de amigos, vive naquela região carioca entre os bairros chiques e as favelas (que de zonas e linhas passaram a guetos) e descobre Alice, uma androide senciente - sensibilizado, entra em uma gangue e dispõe seus poderes psíquicos nascentes para tentar comprar uma bateria que permita a Alice sobreviver.

Mesmo que não conhece o Rio, ou a realidade brazuca, vai conseguir se situar rapidamente. Há boas explicações sobre os locais onde a ação se desenrola, tudo entremeado com muita ação e diálogo.

O que causou a nota baixa, então? O fato de que o autor em 374 páginas não conseguiu desenvolver a narrativa. Infelizmente, somos apresentados de bandeja com uma explicação a la Deus Ex-Machine no final do livro e coisas que teriam sido muito mais interessantes vindas aos poucos, guiadas pelo próprio autor, foram despejadas em mais 10 páginas que tiraram todo o tesão da leitura.

Parece um erro bebo, mas coisas assim acabam com qualquer aventura.
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Guilherme Souza 12/02/2015

Um Cenário Improvavelmente Real
Li Rio 2054 viajando pelas citações magistrais que o autor empregou. Para mim, nascido e criado no Rio de Janeiro caótico e segregado, lugares como "Praça da Bandeira", "Cascadura", "Madureira", assim como o Centro e a Zona Sul, me deram um ar de familiar angústia. Como morador de Campo Grande (O Que integraria a parte dos Escombros), me senti um morador daquela parte isolada da cidade. Em uma obra extremamente bem feita, vi os muros fictícios citados pelo livro erguidos em nossa realidade. Uma realidade não tão evidenciada, mas presente em uma cidade partida entre o Rio de Janeiro turístico e o Rio de Janeiro metrópole.
O único ponto que senti falta foi a dimensão do que seria o Rio Beta, mas não que isso influísse no enredo e na história que promete e entrega de forma muito satisfatória.
Ao autor, espero as próximas histórias.
Aos leitores, que se interessem pelo distópico e pela aventura, indico este livro.
Sucesso, Jorge.

site: http://cofredeideias.blogspot.com.br/
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Queria Estar Lendo 22/07/2014

Resenha: Rio 2054
Rio 2054 é uma distopia brasileira criada pelo jornalista Jorge Lourenço e lançado em 2013 pelo selo nacional da Novo Século, a então Novos Talentos da Literatura Brasileira (hoje chamada de Talentos da Literatura Brasileira).

A guerra pelos royalties do petróleo do pré-sal reduziu o Rio de Janeiro a um cenário distópico e dividiu a cidade maravilhosa entre pobreza e riqueza uma linha ainda mais marcante do que a já existente. De um lado as Luzes, no Rio Alfa, a parte rica da cidade. Do outro, os Escombros, a parte pobre e negligenciada pelo resto do mundo, localizada na parte baixa, no Rio Beta.

Depois da guerra civil o Rio de Janeiro foi isolado do resto do país e tornou-se uma Zona de Internacionalização da América Latina e, para sair dos Escombros, é necessário um passaporte e um visto. Muitos podem entrar, mas poucos podem sair.

A ZI da América Latina é controlada por uma tríade estrangeira: a Alford Tech, uma empresa de tecnologia francesa; a Spartan, uma empresa de segurança, e a Fiume Energy, corporação italiana. De dentro da Torre Alfa, toda a cidade é administrada por uma Inteligência Artificial chama Alfonse, pertencente a Alford Tech.
Os Escombros são dominados por traficantes e gangues de motoqueiros, que batalham entre si em busca de fama e reconhecimento para que, desta forma, caiam na graça das empresas das Luzes e sejam contratados por elas para executar todo o tipo de serviço sujo.

É nesse contexto que Jorge Lourenço nos apresenta Miguel, um rapaz nascido e crescido na parte baixa do Rio, que ganha a vida com incursões ao centro abandonado da cidade em busca de peças para próteses mecânicas. Seu bom amigo Nicolas, um negro franzino e filho de um médico, que aprendeu o que pode sobre a profissão do pai para exercer a atividade. Nina, sua ex-namorada, uma viciada obcecada em mudar-se para as luzes. E Anderson, um amigo de infância e líder de uma das gangues de motoqueiros da cidade, os Engenheiros.

A história realmente começa quando os boatos de uma nova e violenta gangue se espalham pelos Escombros. Dizem que sua líder, Angra, possui poderes mentais e é imbatível. Em uma virada do destino, a Éden gangue de Angra acaba enfrentando os Engenheiros e Anderson sai bastante ferido. É nesse momento que Miguel descobre um poder sem igual guardado dentro de si e, com o terror que Angra tem espalhado pelos Escombros e preocupado as Luzes, ele precisa decidir-se entre aliar-se aos motoqueiros e derrotar a mulher, ou voltar para sua vida normal.

Tudo muda quando ele descobre, no centro abandonado da cidade, uma IA real demais para ser ignorada, necessitada de um tipo de bateria que só pode ser conseguida com muito dinheiro o tipo de dinheiro que ele pode conseguir se se aliar aos motoqueiros.

Desde o começo o autor deixa bastante claro a índole honesta da personagem e abre margem para o conflito que vem a seguir, Miguel faz o necessário para garantir que Alice a inteligência artificial consiga sua bateria e, desta forma, entra em conflito com sua própria consciência.

Preciso admitir que não gostei do Miguel. No começo a irritação foi bem leve, se acentuando apenas quando Nina estava por perto, mas ao longo das páginas ela cresceu bastante. Os motivos são pessoais, claro, uma vez que ele não é o tipo de personagem que comumente gera empatia para mim. Miguel toma diversas atitudes que podem trazer consequências desastrosas e as vezes realmente trazem mas de uma maneira surpreendente, ele nunca é culpado de verdade por elas.

Ele é o tipo de personagem com carta branca para dizer e fazer o que quiser, sem enfrentar as consequências disso, na verdade. As pessoas sempre entendem seus motivos e sempre o ajudam com um sorriso, como se fosse completamente normal e aceitável o tipo de risco no qual ele os coloca.

Outro personagem que me deixou bastante incomodada foi Nina. Desde o começo eu tentei entender o propósito dela na história e, é claro, ela representava uma parcela da sociedade bastante compreensível: ela queria a segurança das Luzes a qualquer custo. O problema que eu tive com ela começou com sua relação com o Miguel, onde uma hora ele não podia se importar menos com ela e, na seguinte, estava morrendo de ciúmes. Mas o pico mesmo foi ao perceber que ela estava ali para servir como a donzela em perigo, sem um ponto muito marcante ou importante. Se a Nina não existisse, sua falta não seria sentida.

Porém, acho que os dois foram os únicos personagens que realmente não me tocaram. Embora o Jorge tenha deixado os secundários bem em segundo plano e preferido usar eles apenas como auxilio ao Miguel, eles me cativaram. Acho que é porque ele deixou muito no ar, deixou muita coisa para a nossa imaginação e a minha foi bem fértil.

Anderson me ganhou desde o começo, assim como Angra. O embate deles no início do livro foi uma das minhas partes preferidas, de tirar o folego! Marcante.

"- Quem é você? berrou, para se fazer ouvir sobre o ronco dos motores.
- Eu sou a retribuição. limitou-se a responder, sorrindo."
P.53

Ele é um cara tranquilo e amigável, apesar da aparência destrutora. E Angra é o tipo de antagonista com o qual você consegue facilmente se relacionar. Quanto mais eu lia, mais eu queria saber sobre ela. A rebeldia, a revolta, os propósitos, o objetivo. Ela era intrigante, por vezes cruel, mas eu não pude deixar de amar.

"- A verdadeira pergunta, Lúcia, não é o que você é, mas o que pode ser para esse mundo.
- E o que eu posso ser?
- A retribuição."
P.19

Fred e Juan também embora eu ainda ache que o meu amor por Juan se deva ao fato de que Jorge se referia a ele como um viking. Fred tem uma missão, um objetivo, e vai atrás disso. Sem muito envolvimento emocional, seco. Meio mercenário eu diria. Adorei a crueza dele. O Juan já era um pouco mais emotivo, esquentado. Parecia um pouco mais real do que o Fred, parecia se importar mais. E me fazia sorrir bastante.

O Comandante e Alice foram uma surpresa sem igual. O Comandante me confundiu durante toda a história, sem me deixar saber de que lado ele realmente estava. E descobrir quem era ele foi o primeiro dos pontos altos da história, pra mim. Ele poderia ter sido um pouco mais explorado, acredito. Mas nada que um conto não resolva.

Já a Alice começou como uma curiosidade e acabou em um amor e forte desejo de que ela pudesse se envolver com o Anderson. Sou muito fã de romance, também, e embora eu não ache que uma distopia deva ter ele como objetivo principal, senti falta. Um romance nas entrelinhas, nos olhares e nos toques. O triangulo entre Miguel, Nina e Alice não me convenceu de verdade, podia ter passado sem.

O livro também traz Kazuo, um japonês com poderes especiais e cuja importância na história eu estou procurando até agora. Não entendi o objetivo do personagem, mas li sobre um segundo livro no universo de Rio 2054, que se passará em São Paulo. Espero encontrar alguma relevância para ele por lá aliás, se você quiser mais informações sobre a continuação e a segunda edição de Rio 2054, pode acessar a fanpage do livro.

Rio 2054 também me lembrou um pouco da discussão de Gênesis, do Bernard Beckett, a respeito das IA e o que podemos considerar como vida ou não. O livro de Beckett puxa completamente para o lado de o que realmente é ser humano e o do Jorge é um pouco superficial na discussão, até porque não é o tema central, mas apreciei o fato dele não ter ignorado uma questão tão polêmica e confusa como essa.

"- Sinceramente, não sei se ela se quer existiu. Talvez tudo isso seja um rastro de alguma coisa escrita no meu disco rígico, a assinatura do meu criador, do impulso que gerou o meu fantasma.
- Fantasma ele sussurrou você então acha que é um fantasma?
- Eu não sei o que sou. Qual o seu nome?
- Meu nome é Miguel.
- Você sabe exatamente o que é? Você se compreende por completo?"
P.135

O que não dá para negar sobre Rio 2054, porém, é o enredo. Desde o primeiro momento em que coloquei os olhos na sinopse, eu soube que o enredo seria digníssimo. A guerra civil, o petróleo, a segregação social, o avanço tecnológico e as IA... Jorge esteve em uma linha muito tênue entre a realidade e a fantasia e confesso que eu posso, sem nem piscar, imaginar o mundo caminhando para a sociedade que ele ali descreveu.

O avanço tecnológico é cada vez mais rápido, aparatos considerados de ponta em 2013 já são ultrapassados e acontecimentos recentes no país mostram como estamos regredindo, ao mesmo tempo em que evoluímos. Não podemos negar que somos especialistas em fechar os olhos para os maus tratos, para o preconceito e para a pobreza, e muito menos ignorar o fato de que muitas empresas têm mais poder dentro do nosso país do que o próprio governo.

A primeira vez que peguei Rio 2054 nas mãos eu tinha uma expectativa completamente diferente da realidade do que li, Jorge surpreendeu em todos os aspectos mesmo que em alguns lugares mais positivamente do que em outros. Eu jamais teria sonhado com o mundo que ele me descreveu, e ao mesmo tempo, foi fácil demais aceita-lo. Um pouco assustador, eu diria.

O enredo final, também, foi uma grata surpresa. O plot twist foi inesperado, embora pudéssemos encontrar algumas dicas a respeito dele durante o livro. O final não saiu muito do esperado, mas para ser sincera, não diminui o crédito do autor.
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Gostou da resenha, quer mais? Então acesse o blog 'Só mais um' e venha viver este vício conosco! :)

Esta resenha foi feita por Bianca da Silva, membro do blog 'Só mais um', e a reprodução integral ou parcial da mesma é proibida. Plágio é crime.

site: http://blogsomaisum.blogspot.com.br/2014/07/resenha-rio-2054-filhos-da-revolucao.html
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Fred 20/07/2014

http://cacadores-de-historias.tumblr.com/post/87313326131/rio-2054-os-filhos-da-revolucao
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Rahmati 21/04/2014

Excelente narrativa!

A única coisa que tenho para a obra de Jorge Lourenço são elogios.

Quando vi o livro na livraria Nobel, e li a sinopse, não pensei duas vezes em levá-lo. A capa foi muito bem feita, assim como a qualidade geral da obra - ponto para a editora Novo Século e seu selo Novos Talentos da Literatura Brasileira. E Jorge Lourenço é um talento.

A habilidade do escritor em contar sua história - uma ótima história, diga-se de passagem - é admirável. Uma trama rica, ótimas cenas de ação, personagens verossímeis, que erram - e como erram! - e que pagam por seus erros.

Outra coisa que também é notável é a evolução da narrativa do autor, ainda dentro do próprio livro. Não sei se ele demorou muito tempo para escrevê-lo, mas essa é a impressão que passa. Do meio para o final ele para de cometer pequenos (pequenos mesmos) vícios de construção frasal, como repetição de termos e informações, mas a história te prende tanto que isso não interfere no desfrutar da leitura. Todas as questões humanitárias e sociais foram abordadas realisticamente, sem ressalvas.

Não há como não simpatizar pelos personagens, não há como não entendê-los, mesmo os "vilões". Assim como não há como não sentir o mundo da obra, muito bem descrito. Meus parabéns a Jorge Lourenço pela obra, e agora só resta aguardar a próxima (quem sabe a que o personagem japonês menciona na última linha?).

site: www.oblogdorahmati.blogspot.com.br
Jorge 03/05/2014minha estante
Rodrigo, obrigado pela resenha! Fico feliz que você tenha curtido justamente um dos meus principais objetivos: fazer um livro com antagonistas, e não vilões. Mesmo quem está "do outro lado" também tem as suas motivações e objetivos.

Sobre o tempo para escrever o livro, na verdade foram dois anos para escrever o começo - do início até a missão no Morro dos Macacos - e a segunda metade foram dois meses escrevendo dia e noite.

De novo, que bom que você gostou do livro e obrigado pela resenha!




spoiler visualizar
Jorge 03/05/2014minha estante
Obrigado pela resenha SENACIONAL de vocês!

Sobre o desfecho dos personagens, era meu desejo não me aprofundar muito em como terminou cada um deles. Minha ideia é que os leitores ficassem com esse papel. Como Nicolas e Nina se viraram? Os acordos no fim do livro foram cumpridos? Miguel e Alice seguiram em frente? É uma conclusão que eu deixo para cada um

:)


Acad. Literária 03/05/2014minha estante
Olá, Jorge! Ficamos contentes que você tenha gostado da resenha.
Humm... entendo. Queria mesmo saber se foi mesmo intenção sua. Agora que tenho certeza, vou ficar imaginando o que aconteceu com cada um deles. :)




Dani Cabral 25/01/2014

Fantástico!
Já se passaram uns dias desde que terminei de ler o livro. Engraçado que quando eu acabei não sabia como escreveria a resenha. Esperei a poeira abaixar, estava empolgadíssima com a história.

Identifiquei-me muito com tudo que foi escrito, apesar de não conhecer um ou outro lugar citado no livro eu já ouvi falar sobre, então não me era completamente desconhecido.

O que eu senti realmente quando acabei de ler o livro? Um sentimento de “porque não sou roteirista de cinema neste exato momento para eu roteirizar esse livro”, não sei se é fácil assim, mas foi o que senti: ESSE LIVRO DÁ UM FILME!

Alguns dias depois de ler eu entrei em contato com o autor para fazer algumas perguntas que estarão na entrevista no final do post.

O livro se passa num Rio de Janeiro destruído por uma guerra civil. A guerra começou na década de 2020 quando foi encontrado um grande poço de pré-sal no litoral do Rio de Janeiro e os estados vizinhos entraram com o pedido de divisão dos royalties desse poço. A população da cidade se revoltou. As forças de seguranças nacionais e da OTAN foram muito rígidas na retaliação e acabou bombardeando a cidade.

A cidade sitiada foi dividida em duas (separadas pelo Túnel Rebolsas) o lado rico, revitalizado, com muitos prédios e ilhas artificiais era o Rio Alfa (conhecido como Luzes), pela descrição do autor é fácil comparar com imagens de Times Square em Nova Iorque. O lado pobre, destruído consistia no Centro e zona Norte da cidade era o Rio Beta (conhecido como Escombros), também pela descrição do autor é fácil comparar a alguma cena de algum local atingido por tremores, como o Haiti.

A história é sobre Miguel, um rapaz de que ao longo do livro só faz uma coisa, você se apaixonar por ele (risos).

Agora falando sério... Miguel é um rapaz sério que é ainda apaixonado pela ex-namorada mesmo que não explicitamente colocado, mas claramente percebido. Tem seus princípios de não se meter com drogas e bandidos muito rígidos, mas ao longo da história um desses princípios é colocado de lado.

A ex-namorada, Nina, uma garota que me pareceu muito bonita, mas muito destruidinha pela droga e obsessão de sair dos Escombros e ir para as Luzes.

Outro personagem muito interessante é Nicolas, um negro franzino que não concluiu o curso de medicina, mas por conta do pai ter sido médico tem habilidades cirúrgicas e ganha dinheiro com implantes, conseguidos por Miguel no centro da cidade. Detalhe aqui a ser revelado; o centro da cidade é mostrado como um local radioativo, por conta de uma lenda de uma bomba que a OTAN explodiu no local. Proibindo a circulação de pessoas lá, mas Miguel nunca se importou com isso e sempre que podia fazia passeios no centro.

Mais adiante no livro conhecemos Anderson, amigo de infância de Miguel que entrou para o mundo das gangues. Ele é líder da gangue dos Engenheiros, um grupo de motoqueiros que brigam com rivais em competições na Praça da Bandeira.

Outros motoqueiros são muito importantes na história Juan e Fred, cada um desses líderes de uma gangue, mesmo não tendo uma idade muito avançada, me lembra muito o pai de um amigo. Engraçado que só conseguia visualizá-lo neste papel. (risos)

Bem, personagens apresentados, vamos à parte do livro de tirar o fôlego. Por um motivo que não vou contar, os líderes das três gangues, Nicholas e Miguel se unem. A partir daí o livro tem ares de filmes de Bruce Willians.

Emocionante e com cenas de tirar o fôlego. Cenas sim, o livro é especialmente separado por capítulos, mas esses são divididos em algumas cenas.

Só uma coisa não gostei, CADÊ A CONTINUAÇÃO DO LIVRO? (risos)

Estou esperando roendo unhas pela sequencia, espero que o Jorge Lourenço tenha pena dos meus dedinhos, (gargalhada)

Se você gosta de uma boa ação vai adorar o livro.
Jorge 03/05/2014minha estante
Dani, de novo, MUITO obrigado pela resenha sensacional! São relatos como esse que fazemos nós escritores continuarem escrevendo!




JGNuers 01/01/2014

Um livro para todos os gostos
Para mim que sou carioca é chocante imaginar esse cenário pós-apocalíptico da sua cidade destruída após uma guerra Civil.

O livro se passa após uma guerra civil pelo pré-sal 2 na qual, o Rio, insatisfeito com uma nova partilha dos royalties tenta a emancipação. Após anos de guerra a ONU resolveu intervir e cria a primeira ZI (Zona Internacionalizada) da América Latina que é governada por três grandes empresas.

Pós guerra a cidade é partida em Rio Beta (Escombros) e Rio Alfa (Luzes). Escombros é onde toda a população pobre e miserável do rio mora, onde seus moradores vivem a base de comida podre e falta de segurança. Luzes é onde a população rica vive, onde se tem tudo do bom e do melhor, alta tecnologia e vivem alheias ao que acontece do outro lado.

A trama é muito bem ambientada, para mim que sou carioca por vezes me peguei pensando e lamentando a destruição do cenário que faz parte do meu cotidiano. A leitura flui fácil, comecei a ler no sábado e terminei no domingo de manhã e fiquei com um gostinho de quero mais.

As relações entre as personagens são muito interessantes, as personagens se equilibram sobre a fina linha entre o certo e o errado (se é que essa linha existe nesse mundo).

Durante a leitura me peguei sentindo raiva de alguns personagens, torcendo pelo romance de uns, chorando com outros. Apesar de tudo isso, você sente falta de um desenvolvimento melhor do autor acerca dos coadjuvantes e antagonistas, como se houvesse um corte no livro nessa parte, algo que fica bem visível no final, onde você anseia por saber mais, para saber o que aconteceu depois de todos os fatos e é interrompido pelo epílogo (que,apesar de tudo, fecha muito bem essa obra).

O mais marcante do livro é que no final de tudo você olha ao redor e percebe que o livro não é uma total ficção.

Rio 2054 é uma excelente obra para os que curtem Ficção Científica e para os que não curtem. Um livro com ação, aventura, androides, poderes psíquicos, romance e tudo mais que um bom livro deve ter.
Jorge 03/05/2014minha estante
Nuers, obrigado pela excelente resenha!Sobre o final, a segunda edição de Rio 2054 está no forno e, para atender a alguns pedidos, vou colocar um novo epílogo. No início, queria dar aos leitores a possibilidade de imaginar o que aconteria aos personagens - como Nina, Nicolas, Alice e Miguel terminaram, se os contratos foram cumpridos, que fim levaram os motoqueiros.

No entanto, as pessoas pediram tanto uma atualização que vou colocar um epílogo novo na segunda edição. E, claro, para quem leu a primeira vou deixá-lo disponível na internet.

Fico muito feliz que tenha gostado do livro!

Abraço,




Emmanuel de Sou 29/12/2013

Distopia + solo nacional + super enredo = Rio 2054
Descobri Rio 2054 pela internet e quando vi que se tratava de uma distopia brasileira - ainda mais, EM solo nacional - não perdi tempo. Rio 2054 é um dos livros mais sensacionais que já li no ano (e olha que 2013 foi um ano de boas descobertas literárias).

O livro conta a história de Miguel, um jovem que vive da compra e venda de artefatos encontrados em um Rio de Janeiro completamente destruído por uma guerra civil. Há até um lado rico e que explora os mais pobres, mas a maioria da população vive em um estado precário. Nessa cidade sem lei, uma mulher com poderes psíquicos e uma misteriosa gangue de motoqueiros começa a tocar o terror na cidade, mas logo suas verdadeiras intenções aparecem e esse Rio abandonado e explorado fica à beira de uma revolução. Poderes psíquicos, andróides, belíssimos diálogos - o livro tem de tudo. E as últimas 60~70 páginas, MEUDEUS, não dá para parar de ler. É uma série de eventos desconcertantes e uma revelção que se encaixa minuciosamente em toda a trama.

Vou parar por aqui, senão vou começar a spoilear a história.

LEIAM Rio 2054. É sensacional.
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