Rio 2054

Rio 2054 Jorge Lourenço




Resenhas - Rio 2054


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Telma 14/06/2013

Pós "Geração Coca-Cola"
Rio 2054 – Os Filhos da Revolução – Jorge Lourenço

Antes de qualquer coisa, quero “dizer” em alto e bom tom que ESTE FOI UM DOS MELHORES LIVROS DE LI EM 2013.

Há tempos eu não sentia aquela agonia eletrizante que senti tempos atrás. Há uma densidade quase palpável na narrativa... fez-me lembrar demais de Mad Max, Waterworld, Blade Runner, O Vingador do Futuro e o Exterminador do Futuro (dentre outros), assim como me remeteu aos livros de André Vianco cujas histórias se passavam em cidades brasileiras. Jorge Lourenço ambienta no Rio de Janeiro, com uma escrita impecável! Isso eu preciso citar novamente: A escrita, as sacadas, o Português de Jorge é impecável!!! Fiquei realmente impressionada.... e para me impressionar com a Língua Portuguesa, o cara precisa ser BOM! Ele é! Até quando alguns personagens (ou algumas personagens pra dizer em Português perfeito) falam “errado” (linguagem coloquial, como verão no trecho abaixo), Jorge demonstra sua intimidade com a Língua. *batendo palmas*

Narra como quem conta o que viu ou o que viveu. Eu cri.
Os personagens são críveis. As cenas são de pura adrenalina. A ação corre solte à cada página.

O Rio, dividido em duas categorias: poucos com muito e muitos com quase nada, resultado do pós-guerra. É nesse contexto que Miguel (uma de minhas personagens favoritas) encaixa-se. Ele recolhe nos escombros, restos de peças e revende-as para um amigo que tem alto conhecimento tecnológico e lida com inteligência artificial... (aqui fui remetida a Dean Koontz, na trilogia Frankenstein).
Várias personagens me impressionaram e “causaram” no livro. Um exemplo disso é Angra.

Vejam um pouco dela neste trecho da página 38.

“ Todas as pessoas que enfrentaram Angra dizem que ela tem “poderes”, que é uma bruxa. Ela é muito habilidosa, tanto na moto quanto a pé, mas não é lá muito forte. Mas as coisas que ela faz... ninguém consegue explicar direito – disse, quando olhou pela primeira vez para Miguel. Naquele momento, não havia máscara de falsa coragem, e sim apreensão.
_ Que tipo de coisa?
_ O tanque de gasolina de um conhecido meu que enfrentou ela arrebentou do nada. Por causa disso, a moto acabou pegando fogo. Na luta com outra gangue, que é quase tão forte quanto nós ou os Caçadores, dizem que chegaram a derrubá-la da moto, achavam até que tinham vencido. Mas ela fez o cara voar sem tocá-lo.”

Na hora pensei: “pronto... eis a personagem que vou odiar!”... mas não sei... isso não aconteceu. Cheguei a sentir empatia e raiva... enfim... conflito de sentimentos dentro de mim, tão grande quanto os conflitos causados pelo caos no Rio de Janeiro, em 2054.

Do outro lado da cidade temos “Luzes”, onde vivem os abastados, com Shopping Centers e tudo o que a grana pode comprar em termos de tecnologia e demais itens para se viver com conforto. Pouco se importam se próximo (não o suficiente) a eles, vivem pessoas na miséria.

Miguel observa os dois lados... está inserido nos dois contextos (você vai saber como) e define em frase um sentimento tão meu (e talvez tão seu...)

“Como a humanidade é mesquinha”, pensou. “Conseguimos viver nossa ilusão de segurança normalmente enquanto tem gente passando fome bem ao nosso lado. Atribuímos o bem-estar ao nosso trabalho, ao merecimento ou até à sorte. E não abrimos mão disso.”
Termino com uma frase de Angra (de quem fui tornando-me amiga de modo bem devagar, ao longo do livro).
“_ Essa cidade, assim como tantas do mundo inteiro, sempre foi partida. A diferença é que aqui, as fronteiras são mais visíveis. Toda cidade é permeada por níveis de exclusão. A Indiferença é inata a qualquer sociedade humana. “
Reconhece-se aqui?

Pois é... 2054 nunca esteve tão perto da realidade e tão longe do que imaginamos viver. Para experimentar essa adrenalina toda... essa poesia toda, sugiro que adquira o livro com máxima urgência!

Não resisti e tenho que colocar um trechinho romântico:

“- A decisão do primeiro beijo é a mais crucial de qualquer história de amor. – disse a androide.”

Recomendo veementemente!
Fabiano Lobo 15/06/2013minha estante
Muito interessante!
Ler essa resenha me deixou ainda mais curioso.
Assim que puder, vou adquiri-lo!


Beth 15/06/2013minha estante
Adorei.sua resenha me deixou querendo mais dele.Isso tudo é o que realmente nos espera se não fizermos nada a respeito.O autor é incrível.


Will 15/06/2013minha estante
Fiquei com ainda mais vontade de ler esse livro.
Adoro histórias ambientadas no Brasil.
Muito boa a resenha.


Gabi Layme 15/06/2013minha estante
História incrível. Assim que puder, o lerei ^^


Isa 15/06/2013minha estante
Muito boa sua resenha, um livro aparentemente inteligente e curioso!Gostei muito e quero ler.


Merê 15/06/2013minha estante
Não vejo a hora de ler.


Camila Bico 15/06/2013minha estante
Ótima resenha, como sempre *---*


Mallu 15/06/2013minha estante
Acho que ainda não li uma resenha sua que não tenha me deixado com vontade de ler o livro... E dessa vez não foi diferente.


Ana 15/06/2013minha estante
Essa resenha me fez querer esse livro!


Cagól 15/06/2013minha estante
Ahhh, suas resenhas me dão vontade de ler tudooo *-*


Danielle 16/06/2013minha estante
Sua resenha me deixou com mais vontade de ler do que já estava...


Wal 16/06/2013minha estante
Caramba deve ser muito bom, OMG eu necessito ler este livro


Clara 16/06/2013minha estante
Poxa! Quero muito ler esse livro! Me parece muito bom! Adorei a resenha!


Ju 16/06/2013minha estante
Quero muito ler esse livro *-*


Jorge 16/06/2013minha estante
Olá, Telma! Obrigado pela excelente resenha! Além de todos os elogios, o que me deixa mais feliz é que você notou a minha preocupação com os diálogos. Infelizemente, a maioria dos diálogos de livros nacionais que vejo hoje - claro, com exceções - é muito artificial. Não parecem pessoas falando.

Enquanto escrevia Rio 2054, eu "ensaiava" os diálogos comigo mesmo, falando sozinho no quarto e interpretando cada personagem para que as falas no livro saíssem mais naturais possíveis.

Aliás, sua resenha veio num bom momento. Todos esses protestos que estão rolando pelo Brasil me lembram muito o clima de revolução da reta final do Rio 2054!

Viva a revolução!!!


Tayane Cristie 16/06/2013minha estante
Agora fiquei com mais vontade ainda de ler esse livro. A forma como você conseguiu demonstrar os personagens e a história em sua resenha só fez aumentar minha curiosidade. Parabéns! Entrou imediatamente na minha lista de desejados.


Vini 18/06/2013minha estante
Hey, Telma!
Já disse por aqui que meu interesse por Rio 2054 é enorme. Sua sinopse já me deixa todo encantado e saber que esse é um dos melhores livros que você já leu me deixa mais esperançoso ainda para uma leitura toda cheia de ação e mistério.
Quero muito ler!

Beijos!
Um Jovem Leitor


Mandy Nerújo 18/06/2013minha estante
Nossa, concordo com o coment da Anne, a resenha deu vontade de ter o livro! Parabéns


Celso 19/06/2013minha estante
Gostei da resenha e da sinopse. Li ano passado um livro que trata do Rio pós-apocalipse Os Reis do Rio (Rafael Lima). Quero ler o Rio 2054!


luluzinhapinkgv 19/06/2013minha estante
Poxa, nem sabia que da existencia desse livro, é a primeira resenha que leio sobre ele... quero muito ler!
bjos


22/06/2013minha estante
Tem Revolução e Rio de Janeiro no mesmo livro, então eu quero muito. Ótima resenha, conseguiu me deixar com mais vontade ainda de ler.


Karla 26/06/2013minha estante
Desejo esse livro mais que tudo. Preciso ler ele, ainda mais por ser literatura brasileira que estou apostando muito.
Resenha maravilhosa!


Fernanda @condutaliteraria 27/06/2013minha estante
Super curiosa e ansiosa pra ler, agora vou com mais calma :) Mas ainda assim, gostaria de ler!


Mariana 27/06/2013minha estante
Fiquei ansiosa pra ler...


Geruza 30/06/2013minha estante
Gostei bastante da resenha e achei o livro interessante. Quando vi a capa não pude deixar de comparar com a atual situação em que nosso pais está passando nos últimos dias e só depois de ler a resenha fui entender que a historia se passa no futuro.
Embora, não goste de livros futurísticos fiquei bem curiosa com esse.


Camila 02/07/2013minha estante
Confesso que a sinopse do livro não me chamou muita atenção logo de cara, mas depois de ler a resenha fiquei realmente tentada a lê-lo, parabéns :)


Nat Lala 02/07/2013minha estante
Agora realmente estou com muita vontade de ler


Nathalia 06/07/2013minha estante
Adorei a resenha! Parabéns! Realmente nos desperta o interesse e a vontade em lê-lo!


Maristela 06/07/2013minha estante
sua resenha está excelente e fiquei com imensa vontade de ler o livro. Espero fazer iso ainda esse semestre.


Thiago 07/07/2013minha estante
Excelente resenha!


RUDY 09/07/2013minha estante
Adoro adrenalina e as menções que fez são chamativas!
Parabenizo a mais um autor brasileiro que está se destacando e trazendo boa leitura.
Parabéns pela resenha também.
cheirinhos
Rudy


Matheus 09/07/2013minha estante
Agora eu necessito de ler este livro ... Ótima resenha!


Ana Paula 12/07/2013minha estante
Não tinha me interessado ainda por esse livro, mas agora confesso que fiquei com vontade de ler :D


Daiane Menezes 13/07/2013minha estante
Parabéns! Ótima resenha.


Roberto 18/01/2014minha estante
Li e gostei muito do livro,a unica coisa que me incomodou é que parece que as personagens Nina e Nicolas são esquecidas no final do livro.




Sci Fi Brasil 29/12/2013

Sci-fi brasileiro de tirar o fôlego!
Devo confessar que "Rio 2054: Os Filhos da Revolução" me surpreendeu. E muito. Já há algum tempo conversei com blogueiros e fãs de sci-fi que faltava algo de novo gênero, que ninguém inovava. Pois foi aí que fiquei sabendo desse livro de ficção científica que se passa num Rio de Janeiro pós-guerra civil e a primeira coisa que me veio à cabeça foi "mais uma distopia nada criativa".

Ledo engano meu.

"Rio 2054" prende do início ao fim com uma excelente narrativa, bons diálogos (bem longe daquelas conversas engessadas que a gente vê em boa parte dos escritores de primeira viagem) e um intrincado quebra-cabeça na trama que só vai se desfazer, de maneira surpreendente, na reta final da história.

Isso sem falar da ambientação. O Rio de Janeiro pós-guerra civil construído pelo autor é assustadoramente convincente. Apesar de morar em SP, fui algumas vezes ao Rio e a imagem do centro destruído ou da Ponte Rio-Niterói partida ao meio ficam presas à memória. A desolação do lado pobre também é sensacional e essa separação social é o combustível que alimenta a trama. Infelizmente, se eu falar um pouco mais da Angra, antagonista e melhor personagem da história, eu vou acabar dando spoilers pesados. Só posso falar que essa tensão entre ricos e pobres, incluídos e excluídos, cresce aos poucos até a tão esperada revolução.

Sobre o estilo, é cyberpunk do início ao fim. Inteligências artificiais, uma avançada androide sem memória do passado, anarquia, empresas inescrupulosas, alta tecnologia em contraste com vidas miseráveis, heróis que não são exatamente heróis e vilões que não são exatamente vilões (no fim, acho que gostei mais da "vilã" do que de qualquer outro personagem). E tudo isso junto numa trama muito bem amarrada.

Para mim, "Rio 2054" é, de longe, o melhor livro de ficção científica que o mercado nacional já teve. Não é exclusivo para fãs de FC, não tem idade para gostar. É uma aventura bem escrita, cheia de reviravoltas e com um pouquinho de crítica social. E, como mais de uma pessoa já disse aqui, deixa um gostinho de quero mais.

Mais do que recomendado.

Ps.: bela capa, diga-se de passagem!
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Queria Estar Lendo 22/07/2014

Resenha: Rio 2054
Rio 2054 é uma distopia brasileira criada pelo jornalista Jorge Lourenço e lançado em 2013 pelo selo nacional da Novo Século, a então Novos Talentos da Literatura Brasileira (hoje chamada de Talentos da Literatura Brasileira).

A guerra pelos royalties do petróleo do pré-sal reduziu o Rio de Janeiro a um cenário distópico e dividiu a cidade maravilhosa entre pobreza e riqueza uma linha ainda mais marcante do que a já existente. De um lado as Luzes, no Rio Alfa, a parte rica da cidade. Do outro, os Escombros, a parte pobre e negligenciada pelo resto do mundo, localizada na parte baixa, no Rio Beta.

Depois da guerra civil o Rio de Janeiro foi isolado do resto do país e tornou-se uma Zona de Internacionalização da América Latina e, para sair dos Escombros, é necessário um passaporte e um visto. Muitos podem entrar, mas poucos podem sair.

A ZI da América Latina é controlada por uma tríade estrangeira: a Alford Tech, uma empresa de tecnologia francesa; a Spartan, uma empresa de segurança, e a Fiume Energy, corporação italiana. De dentro da Torre Alfa, toda a cidade é administrada por uma Inteligência Artificial chama Alfonse, pertencente a Alford Tech.
Os Escombros são dominados por traficantes e gangues de motoqueiros, que batalham entre si em busca de fama e reconhecimento para que, desta forma, caiam na graça das empresas das Luzes e sejam contratados por elas para executar todo o tipo de serviço sujo.

É nesse contexto que Jorge Lourenço nos apresenta Miguel, um rapaz nascido e crescido na parte baixa do Rio, que ganha a vida com incursões ao centro abandonado da cidade em busca de peças para próteses mecânicas. Seu bom amigo Nicolas, um negro franzino e filho de um médico, que aprendeu o que pode sobre a profissão do pai para exercer a atividade. Nina, sua ex-namorada, uma viciada obcecada em mudar-se para as luzes. E Anderson, um amigo de infância e líder de uma das gangues de motoqueiros da cidade, os Engenheiros.

A história realmente começa quando os boatos de uma nova e violenta gangue se espalham pelos Escombros. Dizem que sua líder, Angra, possui poderes mentais e é imbatível. Em uma virada do destino, a Éden gangue de Angra acaba enfrentando os Engenheiros e Anderson sai bastante ferido. É nesse momento que Miguel descobre um poder sem igual guardado dentro de si e, com o terror que Angra tem espalhado pelos Escombros e preocupado as Luzes, ele precisa decidir-se entre aliar-se aos motoqueiros e derrotar a mulher, ou voltar para sua vida normal.

Tudo muda quando ele descobre, no centro abandonado da cidade, uma IA real demais para ser ignorada, necessitada de um tipo de bateria que só pode ser conseguida com muito dinheiro o tipo de dinheiro que ele pode conseguir se se aliar aos motoqueiros.

Desde o começo o autor deixa bastante claro a índole honesta da personagem e abre margem para o conflito que vem a seguir, Miguel faz o necessário para garantir que Alice a inteligência artificial consiga sua bateria e, desta forma, entra em conflito com sua própria consciência.

Preciso admitir que não gostei do Miguel. No começo a irritação foi bem leve, se acentuando apenas quando Nina estava por perto, mas ao longo das páginas ela cresceu bastante. Os motivos são pessoais, claro, uma vez que ele não é o tipo de personagem que comumente gera empatia para mim. Miguel toma diversas atitudes que podem trazer consequências desastrosas e as vezes realmente trazem mas de uma maneira surpreendente, ele nunca é culpado de verdade por elas.

Ele é o tipo de personagem com carta branca para dizer e fazer o que quiser, sem enfrentar as consequências disso, na verdade. As pessoas sempre entendem seus motivos e sempre o ajudam com um sorriso, como se fosse completamente normal e aceitável o tipo de risco no qual ele os coloca.

Outro personagem que me deixou bastante incomodada foi Nina. Desde o começo eu tentei entender o propósito dela na história e, é claro, ela representava uma parcela da sociedade bastante compreensível: ela queria a segurança das Luzes a qualquer custo. O problema que eu tive com ela começou com sua relação com o Miguel, onde uma hora ele não podia se importar menos com ela e, na seguinte, estava morrendo de ciúmes. Mas o pico mesmo foi ao perceber que ela estava ali para servir como a donzela em perigo, sem um ponto muito marcante ou importante. Se a Nina não existisse, sua falta não seria sentida.

Porém, acho que os dois foram os únicos personagens que realmente não me tocaram. Embora o Jorge tenha deixado os secundários bem em segundo plano e preferido usar eles apenas como auxilio ao Miguel, eles me cativaram. Acho que é porque ele deixou muito no ar, deixou muita coisa para a nossa imaginação e a minha foi bem fértil.

Anderson me ganhou desde o começo, assim como Angra. O embate deles no início do livro foi uma das minhas partes preferidas, de tirar o folego! Marcante.

"- Quem é você? berrou, para se fazer ouvir sobre o ronco dos motores.
- Eu sou a retribuição. limitou-se a responder, sorrindo."
P.53

Ele é um cara tranquilo e amigável, apesar da aparência destrutora. E Angra é o tipo de antagonista com o qual você consegue facilmente se relacionar. Quanto mais eu lia, mais eu queria saber sobre ela. A rebeldia, a revolta, os propósitos, o objetivo. Ela era intrigante, por vezes cruel, mas eu não pude deixar de amar.

"- A verdadeira pergunta, Lúcia, não é o que você é, mas o que pode ser para esse mundo.
- E o que eu posso ser?
- A retribuição."
P.19

Fred e Juan também embora eu ainda ache que o meu amor por Juan se deva ao fato de que Jorge se referia a ele como um viking. Fred tem uma missão, um objetivo, e vai atrás disso. Sem muito envolvimento emocional, seco. Meio mercenário eu diria. Adorei a crueza dele. O Juan já era um pouco mais emotivo, esquentado. Parecia um pouco mais real do que o Fred, parecia se importar mais. E me fazia sorrir bastante.

O Comandante e Alice foram uma surpresa sem igual. O Comandante me confundiu durante toda a história, sem me deixar saber de que lado ele realmente estava. E descobrir quem era ele foi o primeiro dos pontos altos da história, pra mim. Ele poderia ter sido um pouco mais explorado, acredito. Mas nada que um conto não resolva.

Já a Alice começou como uma curiosidade e acabou em um amor e forte desejo de que ela pudesse se envolver com o Anderson. Sou muito fã de romance, também, e embora eu não ache que uma distopia deva ter ele como objetivo principal, senti falta. Um romance nas entrelinhas, nos olhares e nos toques. O triangulo entre Miguel, Nina e Alice não me convenceu de verdade, podia ter passado sem.

O livro também traz Kazuo, um japonês com poderes especiais e cuja importância na história eu estou procurando até agora. Não entendi o objetivo do personagem, mas li sobre um segundo livro no universo de Rio 2054, que se passará em São Paulo. Espero encontrar alguma relevância para ele por lá aliás, se você quiser mais informações sobre a continuação e a segunda edição de Rio 2054, pode acessar a fanpage do livro.

Rio 2054 também me lembrou um pouco da discussão de Gênesis, do Bernard Beckett, a respeito das IA e o que podemos considerar como vida ou não. O livro de Beckett puxa completamente para o lado de o que realmente é ser humano e o do Jorge é um pouco superficial na discussão, até porque não é o tema central, mas apreciei o fato dele não ter ignorado uma questão tão polêmica e confusa como essa.

"- Sinceramente, não sei se ela se quer existiu. Talvez tudo isso seja um rastro de alguma coisa escrita no meu disco rígico, a assinatura do meu criador, do impulso que gerou o meu fantasma.
- Fantasma ele sussurrou você então acha que é um fantasma?
- Eu não sei o que sou. Qual o seu nome?
- Meu nome é Miguel.
- Você sabe exatamente o que é? Você se compreende por completo?"
P.135

O que não dá para negar sobre Rio 2054, porém, é o enredo. Desde o primeiro momento em que coloquei os olhos na sinopse, eu soube que o enredo seria digníssimo. A guerra civil, o petróleo, a segregação social, o avanço tecnológico e as IA... Jorge esteve em uma linha muito tênue entre a realidade e a fantasia e confesso que eu posso, sem nem piscar, imaginar o mundo caminhando para a sociedade que ele ali descreveu.

O avanço tecnológico é cada vez mais rápido, aparatos considerados de ponta em 2013 já são ultrapassados e acontecimentos recentes no país mostram como estamos regredindo, ao mesmo tempo em que evoluímos. Não podemos negar que somos especialistas em fechar os olhos para os maus tratos, para o preconceito e para a pobreza, e muito menos ignorar o fato de que muitas empresas têm mais poder dentro do nosso país do que o próprio governo.

A primeira vez que peguei Rio 2054 nas mãos eu tinha uma expectativa completamente diferente da realidade do que li, Jorge surpreendeu em todos os aspectos mesmo que em alguns lugares mais positivamente do que em outros. Eu jamais teria sonhado com o mundo que ele me descreveu, e ao mesmo tempo, foi fácil demais aceita-lo. Um pouco assustador, eu diria.

O enredo final, também, foi uma grata surpresa. O plot twist foi inesperado, embora pudéssemos encontrar algumas dicas a respeito dele durante o livro. O final não saiu muito do esperado, mas para ser sincera, não diminui o crédito do autor.
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Gostou da resenha, quer mais? Então acesse o blog 'Só mais um' e venha viver este vício conosco! :)

Esta resenha foi feita por Bianca da Silva, membro do blog 'Só mais um', e a reprodução integral ou parcial da mesma é proibida. Plágio é crime.

site: http://blogsomaisum.blogspot.com.br/2014/07/resenha-rio-2054-filhos-da-revolucao.html
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Ezequias 16/01/2013

Apartheid social numa obra cyberpunk
Rio 2054 é uma distopia futurista ambientada num Rio de Janeiro vitimado por uma violenta guerra civil, e agora, mais do que nunca, dividido entre ricos e pobres.

Outrora com uma população separada apenas pelo potencial financeiro, temos agora uma verdadeira muralha separando a população.

Os pobres e miseráveis perdedores da guerra ficam relevados a um grande "gueto", locados numa parte da cidade cercada de muros e de severa vigilância, local chamado de"Escombros", enquanto os abastados ficam na segurança de um Rio de Janeiro tecnológico, limpo e sem pobreza, um local chamado de "Luzes".

Em um clássico tema do Cyberpunk, o protagonista irá entrar numa gangue de motoqueiros, companheiros que aprenderemos a conhecer pouco a pouco na obra, e junto com eles tentará desvendar um mistério que será chave para uma mudança fundamental na situação dos "Escombros".

Sobre os personagens do livro, fica claro que o autor teve que cortar boa parte de sua obra, que carece do desenvolvimento mais aprofundado dos coadjuvantes e antagonistas. Contudo estes conseguem ajudar o protagonista a levar a trama adiante, porém é uma verdadeira pena que o autor não teve mais espaço para desenvolver-los.

Não se pode dizer a mesma coisa do protagonista: como numa tradicional jornada do herói, acompanhamos Miguel se questionar sobre as coisas importantes de sua vida, amadurecer seus sentimentos, fazer escolhas, e acreditar nelas, para então conseguir enfrentar os desafios que se apresentam.

O seu inusitado interesse romântico rende diálogos bastante interessantes pelo cunho filosófico e existencial. Bem típico dos adolescentes e jovens adultos.

Trata-se de uma obra decididamente com influências do cyberpunk: aqui vemos o povo sofrendo pelos mandos e desmandos de grandes corporações que praticamente subjugam governos e lucram com a miséria alheia.

Ademais os elementos de ficção científica comuns a este gênero também estão ai: modificações genéticas, tecnologia avançada, androides e até poderes psíquicos são possíveis neste cenário.

As influências são notáveis, mas não se trata de uma obra referencial como "Jogador nº 1". Mas é inegável influências direta de obras como Akira, Ghost in the Shell, Battle Angel Alita e Blade Runner.

Fui privilegiado com a leitura antecipada de "Rio 2054: os filhos da revolução", na época ainda com outro nome, antes de ser lançado pela Novo Século.

Contactado pelo autor para fazer uma leitura isenta da obra e falar exatamente o que eu achava sobre seu livro.

Confesso que comecei a ler o livro sem nenhuma expectativa. E fiz questão de me manter isento sem sequer ler a sinopse ou resenhas anteriores.

Posso dizer que gostei bastante da obra, e cumpriu exatamente o papel que creio que foi realizada: divertir, entreter, e talvez levar um pouquinho de questionamento sobre a nossa realidade.

Não é, contudo, uma obra de acentuada profundidade, mas serve bastante bem para o publico que se intenta, trazendo uma boa aventura, gostosa de se ler.

No final, fiquei com um gostinho de quero mais, principalmente pelo fato que o cenário ter sido explorado tão bem. Fazem meses que li o livro, mas a imagem do cristo rendentor de costas para os "escombros" do Rio de Janeiro ainda é muito forte.
Sandra 21/02/2013minha estante
Fiquei com uma vontade de ler Rio 2054




Ju 03/07/2013

Rio 2054 - Os Filhos da Revolução
Espetacular. Palavra constantemente usada por um amigo e que se aplica completamente a esse livro. Rio 2054 é perfeito. É uma distopia, minha primeira distopia brasileira. E comecei com o pé direito.

Rio de Janeiro, 2054. A cidade é uma ZI - ou seja, uma Zona Internacionalizada. O que quer dizer isso? Que ela não é administrada mais por um governo eleito pelo povo, e sim por três multinacionais que obtiveram uma concessão para fazê-lo por um determinado período (bem longo, aliás). O motivo? Uma guerra civil em que o Rio tentava se separar do restante do país. Uma guerra que parecia que não ia ter fim, e que fez o país ser foco de uma intervenção internacional para "garantir a paz".

A cidade foi dividida em duas: Rio Alfa e Rio Beta. Na primeira, toda a prosperidade imaginável. Tecnologia altamente desenvolvida. Pessoas felizes com suas vidas. Na segunda, uma pobreza imensa. Moradores sobrevivendo de restos, com duas alternativas: se conformar com a miséria ou se envolver com o crime. A Rio Beta é chamada de Escombros, pois foi uma área muito atingida no confronto. E seus habitantes só podem visitar a parte rica da cidade com autorização, normalmente conseguida quando se tem um trabalho por lá, um trabalho que os moradores de Rio Alfa nunca considerariam realizar.

O livro é mais que viciante, tudo acontece na hora certa. Quando eu começava a querer entender alguma coisa, lá vinha a explicação. Quando sentia falta de uma personagem, lá estava ela... rs... Gostei muito do jeito que os fatos foram trabalhados. O autor não deixou nenhuma ponta solta.

A história é bem ágil, repleta de ação. As personagens têm conflitos ótimos, isso as enriquece demais. A IA - Inteligência Artificial - é abordada de um jeito fascinante. Me apaixonei por essas máquinas que mais parecem gente.

Amei também a existência dos psíquicos, pessoas com poderes mentais que são usados, principalmente, para lutar. Eles tornaram tudo mais emocionante para mim. Não sou fã de pancadaria, rs, mas pancadaria com o poder da mente até que me agrada!! hahaha....

Rio 2054 tem reviravoltas surpreendentes. Testemunhamos uma grande confusão, o início de uma revolução, que é claro que foi orquestrada por alguém. Não desconfiei do culpado nem por um segundo, mas a explicação fez total sentido.

Eu amei a capa, e todo o trabalho gráfico do livro está bem legal. Dá para ter uma ideia lendo o prólogo no link que está bem no início da resenha. Espero que o livro chegue até vocês, porque a leitura realmente vale a pena. =)

"A obrigação de se levantar contra os opressores é do povo. Em toda a história, sempre foi. E o ciclo é o mesmo. Primeiro, a aceitação da nova ordem. Depois, a percepção da exclusão. No fim, a revolta."

site: http://entrepalcoselivros.blogspot.com.br/2013/07/resenha-rio-2054-os-filhos-da-revolucao.html
Adriane Rod 03/07/2013minha estante
Adoreeei, nunca tinha lido resenha sobre o livro, só a sinopse.

Estou muito a fim de ler por ser distopia e de autor nacional.

Adoro história envolvente e com acontecimentos nos devidos tempos; isso demonstra um grande talento do autor.

;)

http://pseudonimoliterario.blogspot.com.br/


Juh 03/07/2013minha estante
Nunca li nenhuma distopia não Ju, mas nossa esse livro parece ser realmente incrivel, quando vc falou sobre ele em outro post no blog, fiquei curiosa pra ler, mas fiquei com medo de ser ma ficção tipo 2012. rsrsrs. mas pela sua resenha pude perceber que o livro é maravilhoso!


Manuella 03/07/2013minha estante
Que delícia de resenha, pontuando o que eu precisava saber sobre o livro e por que ele é bem elogiado. Parabéns.
Não li nenhuma distopia. Ainda não sei se lerei.
Vi a proposta do livro como uma reflexão e tb uma metáfora do que vivemos no Brasil hj: o lado A e o lado B da sociedade, onde a desigualdade grita.
Gostei muito. Será minha entrada nas distopias? Q seja, melhor ainda por ser nacional!


Ana Lopes 04/07/2013minha estante
Que bom que você gostou do livro , eu me interessei bastante por ele , e gostei de ver a sua opinião positiva , só me incentiva mais a adquiri-lo , espero que em breve eu possa tê-lo em mãos , agora está meio difícil pela falta de dinheiro , mas mais pra frente quem sabe né ;)


Yassui 05/07/2013minha estante
É impressionante como a literatura Brasileira tem evoluindo e para melhor, gosto dos clássicos e tudo, mas é uma linguagem bem diferente do que lemos hoje. Agora quero muito conferir esta distopia.


Lua 05/07/2013minha estante
Estou tentando sempre ler mais livros de autores brasileiros, nunca pensei que nosso país tivesse tantas mentes brilhantes como a do autor Jorge Lourenço. Uma Distopia brasileira?! que perfeito, super interessada nessa estória. Apenas com sua resenha e o prólogo pude sentir a adrenalina que é carregada por toda trama. Espero ter a chance de conhecer esse trabalho e já está na minha lista.

ótima resenha, beijos!


Thaís 05/07/2013minha estante
Ju, já tinha me envolvido muito com o livro quando você contou da parceria, a apa é realmente incrível né, adoro livros assim, que viciam, que você lê no tempo certíssimo, e que explicam todos os pontos da história, fiquei louca com a sua resenha haha história muito bem complexa :)


Thay Ribeiro 06/07/2013minha estante
Eu fiquei muito empolgada com a resenha!!
Li apenas um livro de dispotia e gostei! Achei bem interessante o livro se de um autor brasileiro. Amei isso de poderes psíquicos, me deixou muito curiosa!!!


Michelli Prado 07/08/2013minha estante
Adoro suas resenhas! Nunca tinha visto o livro,mas fiquei bem empolgada com tua descrição do livro. E ainda por cima o autor ser brasileiro =)
Vou tentar compra-ló por que fiquei muito interessada!!




Adriano 13/07/2013

RIO 2054 - por: GeraçãoLeitura.com
Oi Gente,
Trago hoje para vocês a resenha do primeiro livro do Jorge Lourenço: Rio 2054 - Os filhos da Revolução! O livro é distópico. Eu, simplesmente adorei e espero que gostem da resenha!

"A obrigação de se levantar contra os opressores é do povo. Em toda a história, sempre foi. E o ciclo é o mesmo. Primeiro, a aceitação da nova ordem. Depois, a percepção da exclusão. No fim, a revolta."

Rio 2054 apresenta um Rio de Janeiro totalmente diferente do que conhecemos atualmente! A cidade mostrada no livro vivencia o resultado de uma triste guerra civil, em que a cidade em epígrafe tentou se separar do resto do Brasil, tornando-se independente. Essa ação teve como consequência a criação da Primeira Zona Internacionalizada da América Latina, ou apenas ZI.

Entende-se por Zona Internacionalizada, um complexo em que não há mais governantes eleitos pelo voto popular e sim, uma associação entre multinacionais para realizar tal tarefa! É interessante que essa forma de governo é realizada por concessão e tolerada como normal!

O autor constrói de forma brilhante a segregação em que vive a cidade, separada por um muro, onde os moradores não tem o direito de transitar livremente entre os lados! Temos a divisão em Rio Alfa, ou também chamada de Luzes, devido aos prédios e a tecnologia - uma cidade moderna, com bairros industriais em alto mar, totalmente rica, com Inteligências Artificiais que fazem absolutamente tudo! Já o Rio Beta, ou também chamado de Escombros, devido a consequência na infra-estrutura devido a guerra - é o lado pobre, marginalizado, que convive com os restos de maneira pacífica!

Uma característica interessante do livro, nos mostra que os moradores dos Escombros só podem dirigir-se a Rio Alfa, caso sejam contratados para realização de trabalhos que os moradores das Luzes não ousam realizar., ou seja cabe aos moradores dos Escombros apenas uma saída: O Banditismo Social! Em outras palavras, seria uma forma de sobreviver adentrando-se no mundo do crime, com roubos, tráfico, ou as batalhas nas gangues de motos.

Nosso protagonista, Miguel é um jovem diferente que por acaso descobre seus poderes psíquicos! Exatamente, toda esse ambiente distópico, de discrepância é complementado por um toque fictício, sem tornar isso o centro da obra. Por motivos pessoais, Miguel acaba entrando para uma gangue (atitude que vai contra os princípios que ele defende no início do livro). Vale salientar que as batalhas de gangues, são orquestradas como meio de se eleger quem vai ganhar os melhores contratos das Luzes, para realizar "trabalhos", o que envolve queima de arquivo e tarefas de caráter negativo!

A estória é bem ágil, com ação e novidades, surpresas a todo momento! Sem dúvidas, o surgimento de Angra faz toda a obra tomar um rumo diferente, uma vez que a mulher traz consigo o estigma de Revolução, o instinto de mudança! Essa parte faz totalmente jus, ao momento que nosso país passou recentemente, com as manifestações populares.

Com citações a grandes personalidades comunistas e fatos importantes da História, a obra ganha um prisma social, histórico e filosófico incrível:
"Aos poucos o povo sempre se libertou de quem os comandava. Ele se levantou contra a realeza da Revolução Francesa, contra as metrópoles em todas as revoluções coloniais ou até na queda da ditadura que nós vivemos aqui, no século passado. Eu não entendo tanto de história, o que sei eu aprendi no colégios dos Escombros e nos livros que apanhei no centro, mas sei que todos passaram pelo mesmo ciclo. Primeiro, aceitaram as imposições que lhe ofereceram. Abraçaram seus ditadores como heróis para, décadas ou século depois, entenderem a exclusão. Aos poucos, eles se libertaram do sistema e evoluíram. É assim desde o começo dos tempos!"

Bom pessoal, evitei soltar alguns spoilers ou informações interessantes, para que vocês descubram sozinhos e fiquem tão surpresos quanto eu!! Espero que tenham gostado e não deixem de comentar! Recomendo muito a leitura! Quem ama distopias, corra e adquira o seu, para ler!

RESENHA FEITA PELO BLOG: GeraçãoLeitura.com

site: http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/2013/07/resenha-rio-2054-os-filhos-da-revolucao.html
Gu 13/11/2013minha estante
Distpopia nacional: isso memso produção?
Já quero comprar e ler




spoiler visualizar
Jorge 03/05/2014minha estante
Obrigado pela resenha SENACIONAL de vocês!

Sobre o desfecho dos personagens, era meu desejo não me aprofundar muito em como terminou cada um deles. Minha ideia é que os leitores ficassem com esse papel. Como Nicolas e Nina se viraram? Os acordos no fim do livro foram cumpridos? Miguel e Alice seguiram em frente? É uma conclusão que eu deixo para cada um

:)


Acad. Literária 03/05/2014minha estante
Olá, Jorge! Ficamos contentes que você tenha gostado da resenha.
Humm... entendo. Queria mesmo saber se foi mesmo intenção sua. Agora que tenho certeza, vou ficar imaginando o que aconteceu com cada um deles. :)




Vanessa 12/10/2013

Surpreendente. Inovador... Você precisa ler esse livro !
É complicado fazer uma resenha sobre um livro que você gostou muito , estou a quase um mês escrevendo essa resenha ( comecei a escrever dia 13/09) e finalmente eu consegui terminar , espero que eu tenha expressado bem o que eu senti enquanto lia.



Assim que vi a capa do livro e li a sinopse alguns meses atrás fiquei bem empolgada, pois são poucos os livros nacionais que abordam temas diferentes. Uma parte bem grande dos nossos livros tem como foco um romance. Felizmente aos poucos nossos autores vão começando a escrever sobre assuntos diferentes, autores como André Vianco , Barbara Morais e Renata ventura me fazem sentir orgulho da atual literatura brasileira.
Vamos a resenha….
Neste distópicos o Rio de Janeiro se divide em dua partes : Alfa e Beta. A Alfa é a parte “rica” da cidade ( Com muita tecnologia , infraestrutura…quase uma superpotência.) que também é chamada de “luzes “. Já a parte beta( também conhecido como escombros) é o lado pobre da cidade .
O autor nos apresenta um universo não muito diferente do que acontece hoje em dia : O lugar está dividido entre dois estremos , a riqueza e a pobreza ,fartura e miséria , saúde e doença. Meio familiar não ?
E é no lado pobre da cidade não-tão-maravilhosa que conhecemos Miguel, um jovem que quer apenas viver de maneira digna e não tem muitos planos para o futuro. É também nos escombros que conhecemos as gangues, grupos de motoqueiros ( entre outras coisas) que luram entre si por poder e reconhecimento.
E é em uma dessas batalhas que tudo muda para Miguel, quando a gangue de Anderson , seu amigo de infância, vai lutar contra outra pouco conhecida e poderosa com um líder que supostamente tem poderes.
A partir dai a vida de Miguel da um giro de 360. Tudo o que ele queria era continuar procurando novas tecnologias e talvez ajudar sua ex namorada a vencer um vício que a mesma mantinha.
O jovem é convidado a fazer parte da gangue do amigo mas Miguel se recusa até que se vê diante de algo que não pode recusar.
Eu simplesmente amei esse livro. É o tipo de livro que quando você começa a ler não consegue parar. Jorge soube manter o leitor preso do inicio ao fim. Não sou nenhuma profissional no assunto mas… O CARA ESCREVE MUITO BEM !
Outra coisa que eu gostei bastante foi a explicação que autor deu para o surgimento desse novo Rio de Janeiro, usando um assunto bem atual que é a disputa pelos royalties do petróleo, uma história que fez sentido e que foi bem pensada ao contrário do que podemos ver em alguns distópicos onde nada nos é explicado ou quando a uma explicação mas a mesma não faz sentido algum.
O livro não tem como foco o romance , que está presente de maneira bem sutil mas por diversas vezes intensa,inclusive, influenciando as ações de Miguel em momentos de extrema importância.
Os personagens são adoráveis , bem escritos e humanos , ninguém é perfeito e todos comentem erros , eu achei bem legal que o autor não tenha colocado um monte de personagens perfeitos e heroicos em todos os momentos.
Com um ritmo alucinante, cheio de ação e reviravoltas o livro está mais do que recomendado.


site: http://literariajornada.wordpress.com/
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Bibia 22/05/2013

Resenha + Entrevista
(...)

Rio de Janeiro, Brasil. Ano: 2054.

Décadas após uma guerra civil resultante da disputa por royalties do petróleo, a cidade se encontra mergulhada em uma gritante diferença social. Enquanto a minoria abastada vive envolta em tecnologia e rodeada pela natureza exuberante do local, o resto da população vive isolado em um ambiente destroçado onde a pobreza é extrema, há escassez de alimentos, pouco acesso à educação, à informação e à tecnologia.

Separados fisicamente pela ameaça radioativa no centro da cidade e as condições geográficas que favorecem o isolamento, é como se existissem dois mundos completamente diferentes dentro de um só lugar. A minoria é privada até mesmo de recursos que hoje consideramos banais - como a internet e telefones celulares. Em diversos momentos a sensação do que é o futuro resignou parte da população ao passado.

(...)

Resenha completa e entrevista com o autor você pode ler em:
http://bestyle.com.br/geek/2013/5/rio-2054

Obs.: Não é um blog pessoal e sim um site bacana sobre arte, cultura, etc.
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Pabline 27/12/2012

Amigas Entre Livros: Rio 2054
http://amigasentrelivros.blogspot.com.br/2012/09/resenha-eden-os-filhos-da-revolucao.html

*Essa resenha é de antes do livro ser publicado*

Sinopse: Éden – Os Filhos da Revolução é um romance ambientado num Rio de Janeiro diatópico criado pelo jornalista Jorge Lourenço. A história se passa em 2054, quase três décadas após a cidade viver uma guerra civil fruto da disputa pelos royalties do petróleo. Administrada por um consórcio de empresas, a cidade é partida em duas. Enquanto o lado rico – a Rio Alfa – floresce como uma Dubai latino-americana à beira-mar, a porção pobre – apelidada de “Escombro” – vive no que sobrou do pós-guerra e permanece isolada do resto do mundo.
Entre gangues de motoqueiros, inteligências artificiais que começam a alcançar a senciência e experimentos com seres humanos, a Rio de Janeiro passa por um momento de tensão. Intrigas entre as empresas que gerem a cidade e o surgimento de uma misteriosa jovem com poderes psíquicos começam a mudar o curso da sua história.

Jorge entrou em contato comigo pelo Skoob dizendo que havia visto algumas de minhas resenhas, e gostado. Ele estava em busca de “completos estranhos” para que lhe dessem suas opiniões sobre seu romance, que ainda não foi para a gráfica. Então aqui é onde entro. Ele me falou da sua história... E ela me deixou curiosa de primeira. Como assim uma distopia de ficção cientifica ambientada no Brasil, mas especificamente no Rio de Janeiro? Nunca havia lido uma distopia no Brasil, - e pra quem já me acompanha há um tempo sabe que eu tenho uma queda pelo gênero – então não podia deixar essa oportunidade passar.
Já posso começar me desmanchando em elogios?

Como a sinopse aqui em cima resume muito bem a obra; irei me ater a outros aspectos.
Vou começar falando da criatividade. O autor coloca em sua obra vários elementos; segregação, gangues de motoqueiros, amores no mínimo inusitados, pessoas com poderes psíquicos, aventuras, inteligências artificiais, guerras civis, levanta questões existencialistas, tudo isso misturado nesse mundo mais futurista. Todos elementos que me chamam muita a atenção.

Os personagens são carismáticos. Amei principalmente Alice, suas questões existencialistas me prenderam. Miguel, que é o protagonista da trama, é um personagem interessante. Ao mesmo tempo em que é o mocinho, possui ares de anti-herói - confesso que adorei essas horas, muahaha. E claro, não poderia deixar de fora a Angra, uma personagem com toda uma pinta de vilã, mas carregada de um realismo social indesejado. Diva *.*

A narrativa em terceira pessoa do Jorge é linda, sério, fiquei impressionada. Será que sou suspeita a falar que adorei serem mencionados certos acontecimentos históricos? Já li muitos livros nacionais que possuíam uma narrativa com seus diálogos meio mecânicos, e apesar dessa ironia, a leitura é fluida e rica. O autor varia, às vezes possui uma linguagem bem dia-a-dia com direto a vários palavrões, e às vezes, as falas se tornam mais serias. A narração possui muita propriedade principalmente nos assuntos com um teor politico, a profissão deve ter ajudado. Ao longo do livro o autor cita grandes pensadores, filósofos – Nietzsche Divo *.* -, escritores e até bandas que vão do rock – e aqui tenho que dizer que fiquei felicíssima de encontrar minha banda preferida, The Beatles, na história – aos gêneros mais clássicos, como jazz.
Aqui uma amostra da escrita de Jorge:

- A dúvida existencial e a busca humana por um deus me fascinam. Eu tenho alguns livros sobre o tema nos meus arquivos. Eu acho que, em última instância, tudo gira em torno da morte.
- Eu também penso assim.
- A morte é o limiar do desenvolvimento absoluto. A ideia da completa inexistência é assustadora.
- Até para vocês?
- Até para mim – A ordem aleatória das músicas colocou Norwegian Wood, dos Beatles, logo depois de Debussy. Alice prestou atenção aos acordes iniciais da canção antes de retomar a resposta. – Não tenho dados suficientes para descartar ou comprovar a existência de deus. Você, pelo menos, tem o beneficio da dúvida quanto ao pós-vida. Eu sei que só tenho essa oportunidade de existir. (página: 239)

Uma trama que não me cansou em nenhum momento, tanto que sempre quando tinha uma horinha, pega meu exemplar encadernado e o lia. Espero logo ver esse livro publicado, o autor merece, criou uma história fantástica e de qualidade, que nem preciso dizer que me encantou. Se o livro já estivesse cadastrado no Skoob eu o avaliaria com 5 estrelas. Com certeza foi uma agradabilíssima surpresa e aproveito para deixar meus agradecimentos ao Jorge. Me sentir muito honrada ao receber seu convite, e mais feliz ainda por que a obra me agradou e muito. Desejo-lhe muito sucesso com Éden – Os Filhos da Revolução.

- Uma vez, eu passei o dia todo acessando o circuito interno de satélites públicos e assisti de vários ângulos o nascer do sol e o cair da noite do espaço. Foi a primeira vez que entendi o significado da palavra beleza. E o significado da vida também. Eu vi a morte de estrelas cujas luz ainda ilumina nossas noites, planetas inteiros sendo engolidos pela explosão de uma supernova. O destino de todos eles eram tão simples quanto o nosso: o completo desaparecimento.
- A única coisa que nos resta é esperar que nossa memória viva através dos nossos atos. (página 433)
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Jef 01/04/2013

"A outra cidade maravilhosa"
Meu ponto de vista:

Um livro cuja ambientação é feita de forma sublime. O autor Jorge Loureço exibe todo seu talento descritivo ao nos mostrar um Rio de Janeiro em 2054. Todos os bairros pelo qual a história se passa transmitem verdadeiramente seu estado, princialmente, e obviamente, a quem mora, morou ou passou por eles. Ao ler sobre algum bairro conhecido, fiquei admiro com o conhecimento e pesquisa que o autor teve. Um trabalho bem feito. Ainda mais ao mesclar elementos de ficção científicas e suas influências de animação japonesa e filmes tornando o livro um ” épico cyberpunk”. Além é claro da trilha sonora mencionada ao longo do livro, que é de muito bom gosto.
O protagonista Miguel consegue ser nossa identificação deste mundo distópico, futurista e tão real criado por uma guerra civil que separou o Estado em dois lados: Ricos do Rio alfa ( Luzes), pobres do Rio Beta ( Escombros). Miguel está inicialmente mais para um antagonista do que um herói clássico, com toda sua história de vida triste ao lado de sua namorada Nina e seu trabalho para Nicolas. Conforme a história avança e percebemos que Miguel lutará ao lado de seu amigo Anderson numa batalha de gangues contra a temível Angra e sua gangue Éden, a história vai por rumos esperados, mais muito bem escritos e que não te fazem querer parar de ler para saber o que vai acontecer.
O desenvolvimento de Miguel ao longo da trama é bem explorado assim como suas angústias e crises existências, que junto com Alice em seus memoráveis diálogos, trazem bastante filosofia ao romance. Com frases marcantes e reflexivas. Nada artificias.
Gostei também da história dos psíquicos, mesmo com algumas dúvidas que ainda ficaram no ar.Que podem ser usadas para formas algumas teorias.
O ritmo da história é bem usado. Ela, em momento algum se perde ou se torna maçante. Somente evolui com o decorrer da leitura.
O único fato que me incomodou na leitura foi o pouco desenvolvimento de alguns coadjuvantes interessantes como Fred, Nicolas, Kazuo Mishima, contudo, isso em nada desmerece a obra, que possivelmente não teria páginas o suficientes para explorar a gama de personagem que nela se encontram. Fora isso, as personagens que aparecem geram um ótimo constante moral e social. Fazendo ser difícil escolher um dos lados. Mesmo que Os Escombros pareçam o óbvio a ser escolhido por sua fragilidade. Toda a história por trás da muralha que separa Os escombros das Luzes é muito bem contada e explicada, tornado-a uma experiência real do que o Rio de agora poderá se tornar no futuro..
O livro também conta com algumas ótimas reviravoltas que só o tornam mais interessante. Dando um gosto de quero mais ao chegar ao fim. E de quem sabe, uma continuação. Que se eu comentar mais, poso estragar com os Spoilers para quem não leu.
Uma obra com ação bem escrita, aventura, suspense, um pouco de romance e uma história da Cidade Maravilhosa como nunca li antes. Recomendada a todos que se interessam por uma trama interessante e nacional.Que viva a revolução! Que não nos tornemos Fantasmas nestes escombros.
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JGNuers 01/01/2014

Um livro para todos os gostos
Para mim que sou carioca é chocante imaginar esse cenário pós-apocalíptico da sua cidade destruída após uma guerra Civil.

O livro se passa após uma guerra civil pelo pré-sal 2 na qual, o Rio, insatisfeito com uma nova partilha dos royalties tenta a emancipação. Após anos de guerra a ONU resolveu intervir e cria a primeira ZI (Zona Internacionalizada) da América Latina que é governada por três grandes empresas.

Pós guerra a cidade é partida em Rio Beta (Escombros) e Rio Alfa (Luzes). Escombros é onde toda a população pobre e miserável do rio mora, onde seus moradores vivem a base de comida podre e falta de segurança. Luzes é onde a população rica vive, onde se tem tudo do bom e do melhor, alta tecnologia e vivem alheias ao que acontece do outro lado.

A trama é muito bem ambientada, para mim que sou carioca por vezes me peguei pensando e lamentando a destruição do cenário que faz parte do meu cotidiano. A leitura flui fácil, comecei a ler no sábado e terminei no domingo de manhã e fiquei com um gostinho de quero mais.

As relações entre as personagens são muito interessantes, as personagens se equilibram sobre a fina linha entre o certo e o errado (se é que essa linha existe nesse mundo).

Durante a leitura me peguei sentindo raiva de alguns personagens, torcendo pelo romance de uns, chorando com outros. Apesar de tudo isso, você sente falta de um desenvolvimento melhor do autor acerca dos coadjuvantes e antagonistas, como se houvesse um corte no livro nessa parte, algo que fica bem visível no final, onde você anseia por saber mais, para saber o que aconteceu depois de todos os fatos e é interrompido pelo epílogo (que,apesar de tudo, fecha muito bem essa obra).

O mais marcante do livro é que no final de tudo você olha ao redor e percebe que o livro não é uma total ficção.

Rio 2054 é uma excelente obra para os que curtem Ficção Científica e para os que não curtem. Um livro com ação, aventura, androides, poderes psíquicos, romance e tudo mais que um bom livro deve ter.
Jorge 03/05/2014minha estante
Nuers, obrigado pela excelente resenha!Sobre o final, a segunda edição de Rio 2054 está no forno e, para atender a alguns pedidos, vou colocar um novo epílogo. No início, queria dar aos leitores a possibilidade de imaginar o que aconteria aos personagens - como Nina, Nicolas, Alice e Miguel terminaram, se os contratos foram cumpridos, que fim levaram os motoqueiros.

No entanto, as pessoas pediram tanto uma atualização que vou colocar um epílogo novo na segunda edição. E, claro, para quem leu a primeira vou deixá-lo disponível na internet.

Fico muito feliz que tenha gostado do livro!

Abraço,




Emmanuel de Sou 29/12/2013

Distopia + solo nacional + super enredo = Rio 2054
Descobri Rio 2054 pela internet e quando vi que se tratava de uma distopia brasileira - ainda mais, EM solo nacional - não perdi tempo. Rio 2054 é um dos livros mais sensacionais que já li no ano (e olha que 2013 foi um ano de boas descobertas literárias).

O livro conta a história de Miguel, um jovem que vive da compra e venda de artefatos encontrados em um Rio de Janeiro completamente destruído por uma guerra civil. Há até um lado rico e que explora os mais pobres, mas a maioria da população vive em um estado precário. Nessa cidade sem lei, uma mulher com poderes psíquicos e uma misteriosa gangue de motoqueiros começa a tocar o terror na cidade, mas logo suas verdadeiras intenções aparecem e esse Rio abandonado e explorado fica à beira de uma revolução. Poderes psíquicos, andróides, belíssimos diálogos - o livro tem de tudo. E as últimas 60~70 páginas, MEUDEUS, não dá para parar de ler. É uma série de eventos desconcertantes e uma revelção que se encaixa minuciosamente em toda a trama.

Vou parar por aqui, senão vou começar a spoilear a história.

LEIAM Rio 2054. É sensacional.
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bgkran 22/12/2012

O cyberpunk ganha fôlego novo com essa aventura em solo nacional!
Um aviso: se você é fã de ficção científica... para ser mais exato, fã de um de seus sub-gêneros mais sombrios, o cyberpunk, esta é uma leitura obrigatória, e se nem mesmo conhece o que é o cyberpunk chegou a hora de entrar nesse universo com pé direito, pois, além de ser uma grande aventura, tenho orgulho de dizer que é de um autor brasileiro!

Para quem já conheceu as obras do mestre William Gibson e de outros mestres do gênero vai se surpreender com este cenário futurista e caótico transportado para o nosso Rio de Janeiro. E isso é feito com maestria pelo Jorge. É uma obra sem enrolação, sem parágrafos perdidos, sem personagens descartáveis. Uma história crível e fantástica com todos os elementos que habitam o universo cyberpunk: IA's - modificação de DNA - caos social - intrigas políticas - implantes biônicos - apatia - revolução!

Uma certeza ao fim do livro: você vai querer ver alguns destes personagens em novas histórias com toda a certeza!!

Parabéns Jorge pela meta alcançada. E obrigado pela honra de conhecer a obra antes do lançamento! Força Sempre!!!
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Daniela 02/12/2013

Hasta la victoria siempre!
Uma surpresa muito gratificante da literatura nacional.

Não é preconceito com autores nacionais, alguns são realmente bons, mas outros brincam com a situação, ou simplesmente não estão preparados e fazem os clássicos como Machado e Alencar revirarem no tumulo! Entretanto, minha opinião é que, com Rio 2054, eles cantaram um glória a plenos "pulmões".

Com muita ação, cenários aterradoramente incríveis, personalidades marcantes e uma veia histórica fascinante, Rio 2054 cativou minha atenção desde o prólogo .

A história se passa num Rio de Janeiro mais segregado do que o de hoje. Depois de um levante separatista pelos Royalties do petróleo do “Pré-sal 2” que o Governo brasileiro não foi capaz de conter, a cidade do Rio foi dividida em Rio Alfa e Rio Beta e, depois de um acordo da ONU, passou a ser uma Zona Internacional (ZI) comandada por 3 multinacionais, a Tríade.

O que temos aqui chega a lembrar a situação de Berlim durante a Guerra Fria. A Rio Alfa (Luzes) foi a parte reconstruída e é onde está a sede da Tríade, é muito desenvolvida e uma referência na América Latina. Separa-se da Rio Beta por um muro, fortemente monitorado, além da cadeia de morros do relevo natural. A Rio Beta (Escombros) é o lado mais pobre – dizer isso é quase uma gentileza.

Na verdade, as semelhanças com Berlim terminam aqui. Os Escombros são uma “terra sem lei” dominada pelo narcotráfico nos portos, pelos traficantes nos morros e favelas e pelas gangues de motoqueiros nas demais áreas. Lá a população convive com o crime e sobrevive ao descaso da Rio Alfa como pode, além de alguns trabalharem em unidades de fábricas das multinacionais lá instaladas para explorarem a mão de obra barata. Isso sem falar que o centro da cidade é lendário e inóspito por uma suposta contaminação radioativa nos tempos da guerra civil. Drogas, religião, desespero, prostituição, solidariedade, miséria, sonhos, violência, lealdade... tudo isso se mistura na Rio Beta. Esse é o principal cenário da história que é cheia de surpresas.

É arriscado selecionar um personagem principal, mas eu diria ser Miguel. Sobrevivente nos Escombros ele vive de fazer incursões ao “proibido” centro da cidade para conseguir próteses para seu amigo Nicolas, um médico prático. A vida de Miguel vira de ponta-cabeça quando após uma desastrosa batalha de gangues de motoqueiros - o circo dos escombros, já que lá o pão dificilmente chega – ele tenta salvar o amigo de infância, Anderson.

A verdade é que os Escombros está passando por algo inusitado e as coisas ficam mais incertas com o passar do tempo. Miguél se vê em meio a algo que ele sempre negou e com muitas questões rondando sua vida.

Questões é o que não falta nessa estória. De tirar o fôlego a cada página, a obra de Jorge Lourenço tem uma narrativa densa, dinâmica e cativante. As personagens, mesmo sendo pouco descritas, possuem personalidades marcantes e de fácil figuração. Questões políticas também permeiam a estória e as inovações tecnológicas apresentadas são tão fascinantes quanto os cenários, além disso as nuances históricas espalhadas pela obra dão uma excelente sensação de veracidade ao enredo. Com constantes surpresas a estória reserva um excelente final com todas as pontas essenciais bem atadas.

Rio 2054 – Os filhos da revolução foi uma experiência de leitura extraordinária! Sem dúvida entrou para a lista dos favoritos e recomendo muito que leiam. Vi muitos comentários de que o livro daria uma excelente produção cinematográfica ou em (mini)série, e concordo que pelo imaginário que a obra traz seria incrível, desde que a adaptação fosse num nível respeitável como a inspiração. Sou meio cismada com adaptações. Enfim, mas teria todo o meu apoio.

Queria parabenizar o Jorge Lourenço. Uma obra-prima por uma mente brasileira! Abençoada seja sua criatividade, meu caro.

Daniela Martins
27/11/ 2013
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Jorge 15/12/2013minha estante
Daniela, muito obrigado pelos elogios. Achei a sua resenha sensacional! Sem brincadeira, ler ela me deu vontade de voltar a escrever umas boas histórias nos Escombros. Aquela desigualdade, as ruas destruídas, a sensação de desesperança no meio dos prédios semi-destruídos. Saudades de narrar histórias naquelas bandas de novo :)




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