Terra Sonâmbula

Terra Sonâmbula Mia Couto




Resenhas - Terra Sonâmbula


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Sirius X 21/01/2021

Ate gostei do jeito da escrita, ela flui legal, o que complica sao as palavras em portugues de Moçambique, entao se prepara haha mas o final foi meio mal feito, tipo a ideia em si é legal mas a execução foi meia enrolada e ruim. Li o livro so pq ta na lista da Fuvest
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FM 19/01/2021

O que nos une?
Moçambique tem sua história marcada por dois grandes conflitos. O primeiro decorre da luta por sua emancipação do julgo colonial de Portugal que perdurava desde1505, culminando entre os anos de: 1975 e 1975 no que ficou conhecido como guerra anticolonial.
O fim da guerra de independência e a conquista do pleito, não foram suficientes para trazer a paz ao país, que mergulha em uma nova crise de governança e desestabilização social, levando a um novo conflito entre os anos de 1976 e 1992.
Esse conflito civil, somado a guerra da independência, deixou, sobre Moçambique,. marcas que vão, dos seus mais de 1 milhão de mortos, até os milhões de desabrigados,desaparecidos e órfãos... Sem somarmos a isso outras mazelas que dep ndem de longuíssima prazos para se cicatrizarem.
Mia Couto, é hojé, o mais aclamado dos escritores de Moçambique, e um os mais influentes e reconhecidos nomes da literatura de língua português.
Em terra Sonâmbula, o conflito é o pano de fundo, mas não é o conflito contra o invasor.. . É o conflito entre os da terra, irmàos do mesmo sangue, do mesmo país.
É necessário reconhecer que as especificidades do lugar são fundamentais para entender sua dinâmica de funcionamento, somente assim é possível se estabelecer umdialogo entre diferentes culturas e a construção do conhecimento sobre o outro. Mas terra Sonâmbula, mostra que existe algo que não é " natural " das especificidades. E aí que somente povos que um dia foram colônias, podem se identificar.
A escrita de Mia Couto lembra, no estilo, a arquitetura , literária, dos escritores clássicos do Brasil. Não é sobre a guerra, mas sobre a presença do que não está presente. A incerteza, e o destino em comum de uma terra arrasada que anda Sonàmbula sem rumo. O pesadelo que parece não ter fim.
Com sua linguagem.poetica e erudita, Mia, suaviza os horrores e a vulgaridade, da para a mulheres e crianças o toque de carinho e sensibilidade tão em falta nos dias de hoje e a os homens coloca um olhar de twrnura e compreensão, nos dando um importante recado , que vai além da língua falada. E nos convida para persarmos sobre o que realmente nos une, e não naquilo que nos separa
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luana 17/01/2021

Muito bom!
Gostei muito da história e de diverssos personagens, além disso, algumas passagens misticas deixam a leitura super fluída. A forma como o escritor retrata a guerra cívil de Moçambique é incrivelmente boa, ele faz com que mesmo sem conhecer o país ou sua história entendamos passagens que são fundamentais para a narrativa!
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luana 17/01/2021

Muito bom!
Gostei muito da história e de diverssos personagens, além disso, algumas passagens misticas deixam a leitura super fluída. A forma como o escritor retrata a guerra cívil de Moçambique é incrivelmente boa, ele faz com que mesmo sem conhecer o país ou sua história entendamos passagens que são fundamentais para a narrativa!
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claris 14/01/2021

5/5?
Terra sonâmbula foi minha primeira leitura do Mia Couto.
Confesso que provavelmente não teria lido esse livro se não estivesse na lista de obras obrigatórias da Fuvest 2022. De qualquer forma, ao longo das páginas me encantei com a escrita do autor. Talvez tenha sido um dos melhores livros que eu já li, mas confesso que demorei bastante para pegar ritmo.
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Fabiana 09/01/2021

A magia na escrita
Adorei! Uma boa opção para quem nunca leu Mia Couto. Frases tão bem escritas que precisei reler várias, várias vezes! Vale muito a leitura.
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Fer Paimel 09/01/2021

Muito belo
Minha primeira leitura do Mia Couto.
Demorei um pouco para entender a dinâmica do livro, que narra uma história dentro da outra.
Fiquei supresa com o final, gostei bastante!
É um livro muito poético, com passagens bem marcantes. Me lembrou o estilo de escrita do Valter Hugo Mãe. Gostei, quero ler mais coisas do autor :)
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Maria.Luiza 07/01/2021

Magnífico
É um livro esplêndido. Contudo, bem denso, consigo ler 400 páginas em dois dias, esse de 197 li em 3 ainda forçando um pouco a leitura.
Óbvio que depende de cada um, mas eu senti ser mais denso, contudo vale MUITO a pena o final é enlaçado, abraça e une a história de maneira fantástica.

?"Sinopse" e início?
O início é magnífico:
?NAQUELE LUGAR, a guerra tinha morto a estrada, pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam a boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E as viventes se acostumaram ao chão, com resignada aprendizagem da morte
A estrada que agora se abre a nossos olhos não se entrecruza com outra nenhuma. (...) Está mais deitada que os séculos, suportando sozinha toda a distancia (...) Na savana em volta, apenas os embondeiros contemplam o mundo a desflorir.
Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando o vindo por não ido, à espera do adiante. Fogem da guerra, dessa guerra que contaminara toda a sua terra. Vivendo na ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho, O velho se chama Tuahir é magro, parece ter perdido toda a substância. O jovem se chama Muidinga.

?Vou colocar aqui algumas frases:?

"Depois os tiroteios foram chegando mais perto e o sangue foi enchendo nossos medos. A guerra é uma cobra que usa os nossos próprios dentes pra nos morder. Seu veneno circulava em todos os rios da nossa alma. de dia não saíamos, de noite não sonhávamos. O sonho é o olho da vida, nós estávamos cegos."

"Esperto é o mar, que em vez de briga, prefere abraçar o Rochedo"

"Seria precisa esperar séculos para que cada homem fosse visto sem o peso da sua raça"

"Problema é deixar este escuro entrar na cabeça da gente. Não podemos dançar nem rir. Então vamos para dentro desses cadernos. Lá podemos cantar, divertir."

"Encontras o miúdo, mas fica proibido dele dar caneta ou enxada. Isso não dá vida para ninguém. Vale a pena uma arma. Nestes dias, uma arma é que faz a vida. Rápida e boa."

"A luz se espantava de sua própria estreia, experimentando sua grandeza ao iluminar as mais pequenas coisas."

" Foi por isso que fizeram esta guerra, para envenenar o ventre do tempo, para que o presente parisse monstros no lugar da esperança"

"Porque esta guerra não foi feita para vos tirar do país mas para tirar o país de dentro de vós"

"E aqueles que vos deveriam comandar estarão entretidos em resgatar migalhas no banquete de vossa destruição."

?A terra se resolverá e os enterrados assomaram a superfície para virem buscar as orelhas que lhes foram decepadas. Outros procuraram seus narizes no vômito das hienas e escavaram nas lixeiras para resgatar em seus antigos órgãos.?

"Aceitemos morrer como gente que já não somos. Deixai que morra o animal em que esta guerra nos converteu."

Terra sonâmbula- Mia Couto.

Coloco 5 estrelas muito bem merecidas. Perfeito.
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Silvio 31/12/2020

Mia Couto é um escritor genial, um dos maiores da língua portuguesa, e "Terra Sonâmbula" é uma das suas melhores obras. Uma leitura essencial ao nosso idioma e muito prazerosa.
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Bhárbara 26/12/2020

Tricotando céus com fios de luz
Minha última leitura do ano. Este livro tem como contexto histórico a Guerra Civil de Moçambique e trata da história de sobreviventes. O realismo fantástico, ambiente onírico, é o meio pelo qual Mia Couto vai costurando palavras e entrelaçando personagens de forma que, ao final do livro, você se encontre em êxtase puríssimo, admirado pela beleza da escrita e genialidade do autor. As tradições (repletas de magia e maldições) e o ~contar histórias~ também são elementos marcantes deste livro.

A ideia da terra sonâmbula que anda à procura de sonhos (num ambiente destruído pela guerra) enquanto os homens dormem e, muda a paisagem sem que se saía do lugar é belíssima.
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Brianna 25/12/2020

Outra realidade
Esse livro é extremamente poético e consegue misturar modos objetivos e subjetivos de mostrar a realidade. Não só temos duas estórias sendo narradas como temos diversas mini estórias, o que o torna um livro repleto de informações para serem processadas.
É interessante o modo como enfatiza-se o papel das estórias em um ambiente tão conturbado de guerra, além disso, lembra o porquê de arte ser tão importante quando o mundo vira de ponta cabeça (tal como está sendo na pandemia da COVID)
Ser levado a um ambiente de guerra por meio do livro, mostra como muitas vezes só por meio de estórias conseguimos nos sensibilizar com o que acontece fora da nossa bolha.
Além do contexto de guerra, dá para notar diversas questões nesse livro; como o machismo, a visão de mundo de uma parte da África, a falta de esperança, a perspectiva de um povo sobre sua nação, a visão com relação a morte e os morto, as relações com estrangeiros, o roubo da infância das crianças e a natureza humana na sua forma mais realista e brutal etc
O livro tem muitos personagens e estórias o que às vezes me tornou difícil a leitura,ademais, recomendo que tenham um marcador e um lápis para anotar coisas importantes que ele apresenta.
Recomendo a leitura por ser um livro atípico ao que se costuma ler e por abordar muitas questões sociais e culturais relevantes, além de nos levar a uma realidade completamente atípica a muitos de nós, o que é muito importante para conseguirmos ampliar nossa visão de mundo.
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Suerllen 24/12/2020

Conhecendo o mundo de Mia Couto!
Debutei em dose dupla. Nada melhor do que a estreia do Kindle ser com o, muito aguardado por mim, “Terra Sonâmbula” de Mia Couto. Relutei por muito tempo em comprar um e-reader por dois motivos principais: Preço (sempre perdia as promoções); Medo de deixar os livros físicos de lado (mas em pouco tempo de uso vi que isso vai ser impossível haha, o acervo de e-books ainda é muito limitado, procurei alguns até certo ponto conhecidos e não encontrei).

E sim, gente... O Kindle é incrível! Principalmente por eu não ter que ficar até 4 horas da manhã com a luz do quarto acesa para ler. Enfim!

E por que iniciar por Terra Sonâmbula de Mia Couto?

O Mia (sim, ele é um homem moçambicano e branco de olhos azuis, quebrando todos os prognósticos possíveis) é um escritor que já me interessava muito, mesmo sem eu não ter lido nenhuma obra dele. As entrevistas que assisti, mesas redondas e, principalmente, a sua aula magna na UFGRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) fizeram eu gostar dele de imediato. De forma poética e reflexiva ele trata sobre tempo e identidade, sobretudo a moçambicana.

E porque começar por Terra Sonâmbula?

Além de ser a sua principal obra, Terra Sonâmbula é a personificação de tudo isso que falei, uma história que se passa em meio a guerra civil moçambicana e que levanta temas como: identidade, tempo, memória, raça e sonhos.

Em Terra Sonâmbula não são as pessoas que se descolocam de um lado para o outro, mas sim a terra, ela que se move, enquanto a população segue inerte, desaparecendo pouco a pouco.
Somos confrontados do início ao fim com as consequências que a guerra traz e, sobretudo, solidifica em uma nação.

Siqueleto, um dos personagens presentes na história, ao ser confrontado por Tuahir, sobre como se sente ao vivenciar esta guerra, responde: “Já não fico triste, só cansado.” E é isso. Um estado de miséria que aos poucos vai se tornando cena recorrente e habitual naquele imaginário coletivo.

“Nós que nascêramos naquele tempo, éramos os últimos viventes. Depois de nós já não havia mundo para receber mais ninguém.” Essa é uma sentença proferida por Kindzu, um dos protagonistas, que tem a sua história contada por meio de cartas. Já não existia mais esperança para aquelas pessoas, muitos deles nasceram e morreram no mesmo ambiente de incertezas, não conheciam realidade diferente, então aquele era os seus mundos.

Também há realismo mágico na obra, tendo em vista que Mia Couto utiliza de recursos da narrativa tradicional africana para contar a história. À primeira vista algumas palavras causam certa estranheza (existe glossário no final do livro), mas ao seguir a leitura, aquelas palavras automaticamente vão criando sentido e se justificando à completude da frase.
Não apenas a terra é sonâmbula, as pessoas que nela vivem também são. Vivem vagando, mas para onde vão? Elas não sabem. Parafraseando Kindzu, todos eles eram passageiros esquecidos de alguma viagem... Mas que se permitiam sonhar!
Mia Couto, em alta e clara língua portuguesa, nos impacta com um livro forte, poético e desconcertante.
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alex 12/12/2020

Terra Sonâmbula, por Mia Couto
Que livro mais lindo! Poesia pura, em prosa. Não é à toa que o autor é tão premiado. Moçambicano, escrevendo em português e abusando do lirismo. Demais!
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Ronan 25/11/2020

Colcha de retalhos
Mia Couto é daqueles autores sobre os quais eu sempre ouvi falar bem mas nunca me detive em ler. Amigos e conhecidos já tinham descrito a beleza de seus livros e sua habilidade narrativa, os livros dele estavam naquela fila infinita, que eu espero que dure até o fim dos meus dias, aquela dos livros que queremos ler. Pois bem, uma amiga me indicou uma entrevista do autor para um ciclo de palestras da PUCPR onde ouvi ele falar da importância dos mitos em seu país (Moçambique), e de como estes mitos são inseparáveis da vida de seus habitantes e de sua arte de escrever.
Essa dicotomia entre mitos e “vida real” não se aplica para o autor, nem na sua narrativa nem na cosmogonia dos africanos segundo ele. Essa inseparabilidade foi a isca que me fisgou para estrear em suas obras, some-se a isso o contexto da narrativa de Terra Sonâmbula, que é a guerra civil pós independência moçambicana.

“Agora, eu via o meu país como uma dessas baleias que vêm agonizar na praia. A morte nem sucedera e já as facas lhe roubavam pedaços, cada um tentando o mais para si” (posição 274)

O livro é lindo, eu o descreveria como uma trama de narrativas, urdida com maestria, a importância da contação de histórias, da tradição oral e dos mitos, tudo ali, junto. É como um mosaico de histórias individuais um patchwork de narrativas que ele costura, mas em que você só visualiza a colcha ao final da obra. Tem um quê de realismo fantástico, um quê dos neologismos de Guimarães à la Moçambique claro, e, fico com o sentimento de aquilo que nos irmana é a condição de lusófonos de países ex-colonizados, sendo que, nessa posição, nossa História bem como nossa língua atuais são essa colcha de retalhos, que vamos ressignificando.

“A nossa memória se povoava de fantasmas da nossa aldeia. Esses fantasmas nos falavam em nossas línguas indígenas. Mas nós já só sabíamos sonhar em português. E já não havia aldeias no desenho do nosso futuro. Culpa da Missão, culpa do pastor Afonso, de Virgínia, de Surendra. E sobretudo, culpa nossa. Ambos queríamos partir. Ela queria sair para um novo mundo, eu queria desembarcar numa outra vida. Farida queria sair de África, eu queria encontrar um outro continente dentro de África (posição 1330)”
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Cris.Aguiar 19/11/2020

Está entre os TOP 10 de 2020
Eu já conhecia Mia Couto poeta, do qual sou muito fã. Mas conhecer sua narrativa em romance... que presente!

Escrita poética, mas fluída, incitadora, elegante e de um olhar e cuidado todo humano para tratar de um acontecimento tão triste. Mia nos leva a "viver" o pós guerra, nos tocando o coração sem chocar... mas ainda assim, sem nos poupar. O livro é maravilhoso.
Não é à toa que está dentre os clássicos africanos do século.

RECOMENDO DEMAIS! E com certeza não pararei nesse.

Dentro do clube também está dentre os melhores do ano.

site: https://sociedadedosleitoresvivos.wordpress.com/
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