Terra Sonâmbula

Terra Sonâmbula Mia Couto




Resenhas - Terra Sonâmbula


190 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Book.ster por Pedro Pacifico 26/02/2020

Terra sonâmbula, de Mia Couto – Nota 10/10
Publicado em 1992, no mesmo ano em que teve fim a guerra civil moçambicana, o primeiro romance de Mia Couto é o relato da busca pela identidade de uma nação assolada pela guerra. Considerada uma das melhores obras da literatura africana do século XX, o cenário da narrativa é a terra árida e destruída, povoada por indivíduos sem memória ou perspectiva de vida. Com uma escrita extremamente poética e onírica, o autor consegue transmitir ao leitor a sensação de caos e abandono vivenciada por cada um dos personagens por ele construído.

A história tem início com as andanças - sem destino - de Muidinga, um jovem que esqueceu seu passado, e Tuahir, um velho sábio. Tentando fugir da guerra, os dois personagens se deparam com um ônibus queimado, repleto de corpos carbonizados. Próximo de um dos corpos, Muidinga descobre um diário e logo começa a lê-lo. O diário foi escrito por um jovem chamado Kindzu, que vivenciou por muitos anos a guerra civil que destruiu seu país. A partir disso, os capítulos vão se alternando entre, de um lado, a relação do garoto e do velho sábio, e, de outro, as aventuras de Kindzu.

Ao longo de toda a obra, Mia Couto mistura de uma forma incrível a realidade com a fantasia. Na verdade, tanto para Muidinga e Tuahir, como para Kindzu, a fantasia e o sonho servem como uma fuga para a dura realidade em que vivem. Enquanto a leitura do diário pode levar o garoto e o velho para um outro cenário, em que a fome e a solidão não são nem mesmo sentidas, Kindzu sonha em ser um guerreiro lendário, como se isso pudesse dar um sentido à própria vida.

Nesse meio tempo, somos apresentados a novos personagens, alguns mais marcantes que outros, mas todos com uma mensagem a ser passada. A leitura não é fácil, com frases densas e repletas de figuras de linguagem, o que demanda uma atenção maior. O leitor deve se deixar levar pela imaginação poética de Mia Couto, sem se importar com o que é ou não real - se é que podemos fazer essa distinção. Só assim será possível perceber a excepcionalidade da obra que se tem nas mãos.

site: https://www.instagram.com/book.ster/
comentários(0)comente



Dirce 09/01/2014

Terra Sonambula: poesia que brotou da terra.
Eu sempre me considerei um tanto quanto Gabriela( ... Eu nasci assim, eu cresci assim/Eu sou mesmo assim/Vou ser sempre assim/Gabriela, sempre Gabriela...), mas meu gosto literário mudou de forma vertiginosa nos últimos tempos.
Literatura fantástica (excetuando A Casa dos Espíritos da Isabel Allende) era algo que eu não conseguia entender e tampouco gostar – Cem Anos de Solidão que o diga. Porém, fui seduzida por esse gênero de literatura, quando conheci a literatura de José Luiz Peixoto por meio do livro Nenhum olhar. Que bom para mim! Que bom ter sido seduzida por esse gênero de literatura! Que bom que JLP, assim como Mia Couto, sejam escritores de língua portuguesa! E é dele: de Mia Couto que vou “falar”.
Mia Couto, desde o primeiro livro que li, entrou na galeria dos meus favoritos e a leitura que fiz o livro Terra Sonambula serviu para reiterar minha admiração por esse escritor de sensibilidade impar.
Logo nas primeiras linhas da leitura do romance, me vi refletida em um verso de uma música do Jorge Mauter: “ ... O coração tem moradia certa/Bem aqui no meio do peito/Mas é que comigo/A anatomia ficou louca/E sou todo, todo, todo, mas todo... Coração)
E todinha coração, me vi transportada para a década de 90 para uma terra violentada pelas guerras (da libertação do domínio colonial e civil) e, é nessa terra inóspita que surgem o menino Muidinga e seu salvador: Tuahir. Ambos buscam refúgio em um ônibus queimado onde encontraram corpos carbonizados e ao enterrá-los, Muidinga se depara, próximo a um cadáver, com um caderno – era o caderno do Kindzu, o jovem que queria se tornar um naparama para combater os fazedores de guerra. Esses são os narradores: Muidinga, Tuahir e Muidinga, Tuahir. Narradores que contam histórias de um povo sofrido que se confronta com vilões difícil de serem combatidos: guerras, enchentes, estiagem, ódio, solidão e miséria, restando-lhe nada além da ousadia – ousar em seu sonhos e desafios.
As histórias são contadas por meio de alegorias, tanto pelas vozes do Muidinga e Tuahir como pelo caderno do Kindzu. E existem alegorias comoventes como Farida - a bela mulher filha do céu, e o ancião Siqueleto que queria semear pessoas.
Bem, comecei este meu comentário falando de mudanças, e as mudanças estão presentes no romance: vidas que se entrelaçam e se modificam, paisagens (ainda que Muidinga e Tuahir caminhem apenas em círculos) sofrem continuas transformações e também os olhares das personagens são modificados. Terra Sonambula é também um livro de viagens e eu fui conduzida a uma viagem por meio de uma prosa escrita com poesia que brotou da terra.

Observação em 02/11²019: E eu não me lembrava da pulguinha atrás da orelha que Mia deixou nesse livro ( relativo ao irmão, de fato, do menino Muidinga)
Renata CCS 13/01/2014minha estante
Nossa Dirce! Pela sua resenha, o livro parece apaixonante!


Ladyce 28/01/2014minha estante
Vai para minha pilha, graças à sua resenha... Obrigada!


Catharina 28/01/2014minha estante
É uma obra incrível, sem dúvida. Compartilho de suas impressões.


Arsenio Meira 24/02/2014minha estante
Opa Dirce, que ler sua resenha deu vontade de reler o Mia! (principalmente esse trecho: "... Esses são os narradores: Muidinga, Tuahir e Muidinga, Tuahir. Narradores que contam histórias de um povo sofrido que se confronta com vilões difícil de serem combatidos: guerras, enchentes, estiagem, ódio, solidão e miséria, restando-lhe nada além da ousadia ? ousar em seu sonhos e desafios. "

No alvo.
Abraços
Arsenio


Zouza 22/12/2015minha estante
Não usaria outras palavras para descrever a escrita de Mia Couto.
Ótima resenha,Dirce,


Diego 04/10/2020minha estante
Qual o melhor livro para ler primeiramente dele? Estou em dúvida se começo por "Terra sonâmbula" ou "Um rio chamado tempo...". De quebra, vc pode me dizer qual dele é o seu favorito? rs




Fer Paimel 09/01/2021

Muito belo
Minha primeira leitura do Mia Couto.
Demorei um pouco para entender a dinâmica do livro, que narra uma história dentro da outra.
Fiquei supresa com o final, gostei bastante!
É um livro muito poético, com passagens bem marcantes. Me lembrou o estilo de escrita do Valter Hugo Mãe. Gostei, quero ler mais coisas do autor :)
comentários(0)comente



May 16/02/2020

Como um sonho
A escrita do texto nos remete a um sonho. Permeado de simbolismo, metáforas e realismo mágico, o autor nos conta a história de um jovem rapaz, Muidinga, e seu tio adotivo, Tuahir, em busca de um lugar de paz em meio a uma sangrenta guerra. Durante suas andanças, encontram um ônibus incendiado e nele fazem seu abrigo. Logo encontram, em meio aos corpos carbonizados, os escritos de Kindzu, que proporcionam por meio de sua leitura um refúgio aos dois forasteiros sem destino.
comentários(0)comente



Audisio 07/05/2011

“Vou relatar o último sonho a ver se me livro do peso de terríveis lembranças”

Misturando realidade e sonho, mitologia e ficção os dois narradores deste livro nos contam a crueldade da guerra e como sobreviver à mesma, que pensando bem é também como sobreviver a vida, como diria Riobaldo “Viver é muito perigoso”.
Do mesmo modo como Sherazade encantou com seus mil e um contos, Kindzu nos ensina com seus onze cadernos qual é o objetivo de todo relato; nos mostra que contar, escrever, falar afasta os medos e espanta os fantasmas; narramos porque desabafar nos torna mais leves, nos livra de algum pesar, nos cura as tristezas, nos “sara uma saudade”. Contamos, sonhamos, falamos, imaginamos para não nos sentir sozinhos e para poder sobreviver a vida.
Com traços irônicos, engraçados e algumas vezes muito sensuais, Mia nos cativa com um belíssimo lirismo em prosa, e nos prova como as personagens masculinas (e os homens em geral) também podem ser profundos, sensíveis, complexos e comoventes.
Audisio 07/05/2011minha estante
Eu também adorei, tem muitas que são ótimas:
"carinhar"
"vagueandar"
"A beleza daquela mulher era de fugir o nome das coisas"


val 15/05/2011minha estante
"sua pele estava tatuada em redor dos seios...espalhavam pela barriga e eu me assegurei nelas..."
Que forma de descrever as estrias heim? Só mia couto.


Audisio 18/05/2011minha estante
Concordo com vc que ele tem um jeito muito sensual e visual de descrever algumas cenas.
Mas sinceramente nessa parte eu não pensei em estrias, fui pelo lado mais romântico, como que ela levava tatuado os homens com que ela tinha estado e agora era a vez dele de se assegurar e ficar tatuado no corpo dela. Ou até que fossem tatuagens mesmo (que também podem ser muito sensuais).


val 21/05/2011minha estante
Sabe Audísio que antes pensei em tatuagens mesmo, legal vc pensar assim. Mas lembra que o casal estavam no escuro? Ou será que as tatuagens são perceptíveis no tato? Ele não sabia quem era a mulher? Achei que "me assegurei a elas" era um motivo para que no futuro ele descobrisse quem era tal mulher.


Audisio 24/05/2011minha estante
Val, pode ser... o Mia tem sempre um olhar romântico, suas personagens masculinas geralmente são mais sensíveis do que as femininas (eu acho que isso é muito mais comum na vida real do que as pessoas pensam).
Provavelmente ele quisesse descobrir no futuro quem era ela, o tato no escuro é um sentido muito forte, que deixa lembranças marcantes. E provavelmente também quisesse ficar tatuado na sua pele para que ela nunca o esqueça.




davicoltrin 14/05/2020

"...sonhar, mesmo nas condições mais adversas, é um elemento indispensável para seguir vivendo."
comentários(0)comente



Humberto 18/12/2009

Um romance de borda, uma história suspensa e que aguarda...
O que mais me atraiu no romance foi, sem dúvida, a delicadeza e a escrita poética de Mia Couto. Em um estética de contador de história, o autor não só resgata a oralidade de Moçambique como também desenvolve uma plasticidade para a língua portuguesa, mostrando-nos suas infinitas possibilidades de criar e inventar palavras (logo, novos universos e diferentes maneiras de se ver o mundo).

Em sua literatura pós-colonial, o escritor nos apresenta uma Moçambique em guerra, um tempo suspenso, siuada no interstício entre o passado (de colônia portuguesa) e o futuro (de nação independente). Como diz o autor: "morrera, fugira, se infinitara? Ninguém se acertava" (p. 19).

Assim, para desenrolar a história, nada melhor do que procurar espaços também que sejam indefinidos, estes lugares de borda, periféricos e suspensos. Observem como os ambientes são todos entre-lugares de sofrimento, destruídos: campo de deslocados, ônibus queimado, estrada por onde não passa ninguém, vilas destruidas, navio encalhado, mangue, pântano, lamaçal... Enfim, são espaços suspensos, de espera (de esperanças?).

As aventuras (desaventuras?)dos personagens Tuhair e Mudinga são intercaladas por aquelas de Kindzu: aqueles, no interior do país, frequentando estradas abandonadas e morando em um ônibus queimado; este, percorrendo o litoral em seu barco, representa a eterna vontade de partir para outro lugar onde não haja guerra - o mar é a metáfora da viagem, das misturas e das possabilidades, já que nunca se sabe o que vem pela frente: "somos índicos" (p. 25).

Muidinga lê, Tuhair escuta, Kindzu escreve. Através da leitura dos cadernos e diários, Muidinga ressuscita Kindzu; ou seja, a escrita se nutre na oralidade e toma vida (re-vive). Enfim, numa sociedade africana em que não existe fronteira entre a vida e a morte, basta sabermos pronunciar as palavras corretas para que o antepassados voltem e circulem por entre os vivos. É a meia-vida. É a meia-morte. É o sonhar (le songe).

Na verdade, a estrutura narrativa de Mia lembrou-me as bonecas russas: uma história leva a outra, e os peronagens se acumulam uns dentro (a partir) dos outros. Também fiquei pensando no filme "Peixe Grande", pois são vários os personagens e histórias fantásticos que circulam pelo livro. E, já nos trechos do navio encalhado, impossível não nos lembrarmos do "Conto da Ilha Desconhecida" (José Saramago).

E, claro, eu achei sensacional a capa do livro. Nada melhor do que uma mala abandonada no meio de uma estrada para representar este inter-lugar, esta espaço de espera: a mala (objeto nômade por natureza) entra em inércia na estrada (que, por sua vez, é sedentária na forma mas nômade em seu significado). No entanto, embora abandonada no meio do caminho, é uma bagagem cheia de histórias, de vidas a serem contadas.
comentários(0)comente



Itin | @onlyforbooks_ 04/07/2020

Quando Gabo "criou" o seu Realismo Fantástico, ele dotou a América Latina de uma identidade literária, um estilo que condensa sua história na maneira de escrever. Façanha replicada por Mia Couto, nessa verdadeira pérola.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Aqui temos duas narrativas intercaladas: A de Muidinga e Tuahir, sobreviventes da violência que tomam por abrigo um ônibus cheios de corpos carbonizados; e Kindzu, um morador que precisa fugir de sua vila em busca de seu destino, cuja história é retratada em diários abandonados no ônibus... O cenário é Moçambique em plena guerra civil: repleto de mortos numa batalha sem objetivos, sem esperança e onde todos são inimigos de todos.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O realismo Mágico de Gabo traz como força motriz a subjetividade de como os personagens encaram o mundo através da sua ignorância, enquanto aqui Couto usa os sonhos que se intercalam com a realidade. O resultado final é um estilo violento, habitado por almas e aqueles que teimam em não morrer, muito mais parecido com o clássico mexicano: Pedro Páramo, de Juan Rulfo.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Terra Sonâmbula é belo e triste, onde tanto os personagens quanto o próprio cenário e sua natureza, ficam perambulando sem destino, em busca de lugar nenhum, numa jornada sem sucesso para fugir dali.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Semelhante a obra de Rulfo, a coisa mais triste e doída é a inexistência de uma identidade e de um lar. Se em muitas outras obras a busca eterna desses elementos definem sua carga dramática, aqui eles são destruídos pela guerra e os personagens ou morrem ou são engolidos por uma completa desumanização. O mar, tão presente na literatura, muitas vezes se apresentando como lar, aqui oferece uma vã esperança de escape... Todas as histórias parecem convergir ao mar, que apenas lhes garante essa eterna clausura.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O resultado final são entes que não encontram paz na vida, dentro dos sonhos e nem na morte, e ainda sim, graças a sua resiliência, são capazes de contar uma bela história!
comentários(0)comente



Paula A. C. 01/10/2020

Perfeito em cada linha...
Ler Terra Sonâmbula é uma experiência única, daquelas que permanecem, reverberam, que se marcam na sua pele de leitor como tatuagem. Quem sou eu para falar sobre esse livro? Posso apenas dizer: não perca a oportunidade de lê-lo.
comentários(0)comente



Edna ⢠@bagagem.literaria 16/06/2020

Prosa poética tirada dos escombros
"_Escrevo conforme vou sonhando. _E alguém vai ler isto? Talvez. É bom ensinar alguém sonhar."

Esse foi o primeiro livro desse Autor, embora tenha lido sem traves outros dele, essa era uma leitura inacabada que acreditava não termina-la, mas entre algumas que estou lendo senti sdds de algo, queria algo poético e resgatei esse à tempos iniciada.

Uma narrativa alternada entre 03 pessoas, uma criança, um jovem e um caderninho, que me fez questionar como é possível criar uma prosa tão poética do infortúnio, da dor, da perda, do sentir falta do nunca teve, da devastação das guerras, e de onde sentirá a força para um recomeço, quando não se tem nada?! Foi com esse pensamento que terminei esse livro é recomendado muito e me sentindo gratificada por conhecer a história desses personagens castigados e tão fortes.

Como crianças buscam abrigo em um ônibus carbonizado, o garoto Muidinga que encontra junto ao cadáver de seu amigo que tinha sonhos de combater a violência da Guerra e ousa com tamanha dor, seguir os sonhos do amigo se tornar Maparana como Kindzu para combater os fazedores de guerra com o apoio de Tuahir.

São leituras como essa que nos fazem ver que nosso isolamento social é tão pequeno diante do abandono de multidões de crianças que perdem seus pais, de mães que tem que encontrar forças mesmo tendo sido dizimadas de seus bens mais preciosos os filhos, a família.

Sim como Ele diz na história bem no início um trecho marcado a tanto tempo: " O coração tem moradia certa; Bem aqui no meio do peito; " é um verso de uma música que Ele cita e entendo ao terminar, como poderia ler essa história se meu coração não tivesse aberto para aceita-la!?

#Bagagemliteraria
#MiaCouto
#Terrasonambula
#Bookstagram
#Instalivro
#Leio
#Amoler
#Poetica
#Prosapoetica
comentários(0)comente



Paty 21/01/2014

Terra Sonâmbula é uma história em que a completude não tem pertinência. E esse é justamente o lampejo genial de Mia Couto: saber ilustrar a força que a guerra tem em "descompletar".
VICKY 22/01/2014minha estante
UAU!!! Sempre certeira e precisa em suas resenhas!


Mona 11/02/2014minha estante
Um livro incrível!




Razuki 26/07/2020

"O melhor seria uma mentira, dessas tecidas pela bondade."
Terra Sonâmbula trouxe a dor de uma guerra que durou décadas com uma fantasia que tornou possível vivenciar tamanha dor. É um livro que narra a guerra, com muitas estórias de esperanças e sonhos, estou cada dia mais encantada com o autor. Eu amo fantasia e cada estória fantasiada nessas páginas enriquece majestosamente o livro.
comentários(0)comente



Lima Neto 21/03/2010

Livro difícil de ser definido e avaliado
definir e avaliar um livro do Mia Couto é sempre uma tarefa árdua e ingrata.
Mia Couto tem uma escrita ímpar, belíssima, verdadeiramente poética, que, de tão belo, deixa o leitor esbabacado com suas descrições, com suas fantasias, com os imaginários para os quais somos conduzidos. o escritor, de maneira genial, constroi uma nova linguagem com a junção de palavras e seus significados.
no entanto, sua escrita e seus livros são tão repletos de simbolismos, de metáforas e de fantasias, que sua leitura torna-se, por vezes, dispersa. O que o leitor, ao ler seus livros, tem que ler suas palavras de maneira lenta, para saborea-las e também para não se perder nas veredas de sua poesia.

"Terra Sonâmbula" em específico é um livro que sintetiza muito da obra de Mia Couto. considerado por muitos um dos melhores livros do respeitado escritor, a leitura dessa obra me transportou para um mundo de fantasia que eu desconhecia, sendo conduzido pelas mãos de uma poesia tão rica em metáforas quanto em história e simbolismos.
Mas os excessos desse livro, tão belo em seu cerne, talvez tornem a leitura, os personagens e os objetivos pouco claros ao leitor.
gostei, sem dúvida, desse livro. fiquei, mais uma vez, vislumbrado com a poesia-em-prosa de Mia Couto, com sua escrita, com a forma como ele conduz sua história, que simboliza a história de seu país.
no entanto, devido, talvez, a minha não familiaridade com a história de moçambique ou às excessivas voltas da história ou ao de simbolismos, a história (literatura) ficou pouco clara e objetiva, muito dispersa a leitura de "Terra Sonâmbula".
comentários(0)comente



@umapaginahoje 29/07/2020

A terra era uma costureira de sonhos
Primeiro romance publicado por Mia Couto, Terra Sonâmbula é ambientado durante a guerra civil moçambicana (1976-1992), a estória se inicia com o menino Muindinga que perdeu a memória por conta de uma doença, junto ao seu protetor o velho Tuahir saem pelo país em busca dos pais de Muindinga. No meio do seu percurso, numa região deserta, eles encontram um ônibus que foi incendiado, e resolvem se abrigar nele, ao entrarem no ônibus vêem vários corpos carbonizados, e ao tentar dar um enterro digno para eles encontram uma mala próximo a um corpo baleado, nela acham suprimentos e vários cadernos escritos por um menino chamado Kindzu. Muindinga começa então a ler os diários de Kindzu e isso se torna um conforto para ele e Tuahir que se encontram sozinhos no meio desta terra abandonada. Todas as noites Tuahir pede para o menino ler trechos do caderno e eles vão se envolvendo cada vez mais na história de Kindzu.

"Nascido em uma aldeia no interior de Moçambique, Kindzu vê sua rotina mudar de maneira radical quando estoura a Guerra Civil. Ele se vê sem opções e acaba partindo de sua casa na esperança de encontrar e se tornar um guerreiro naparama, tradicionais guerreiros abençoados por feiticeiros, que se creem os únicos capazes de parar o caos em que o país se transformou por conta da Guerra."
A partir desse momento vemos as histórias se entrelaçando e vamos acompanhando Muindinga e Tuahir em sua luta pela sobrevivência.

Esse livro está longe de ser uma leitura fácil, mas é uma leitura extremamente importante. Mia Couto nos transporta para Moçambique durante a guerra, e nos vemos junto ao menino Muindinga e o velho Tuahir e acompanhamos sua trajetória com carinho.
O autor utiliza uma linguagem extremamente poética, abusa de figuras de linguagem e neologismos, envolvendo a história em um véu, como num sonho. A leitura pode causar estranhamento a princípio, pois foi escrito em português de Moçambique, além de ter muitos termos africanos, por isso deve ser feita uma leitura atenta, mas a história vale o esforço e prende atenção de uma forma maravilhosa.
O final é uma enorme surpresa, eu particularmente passei várias minutos de queixo caído pensando na genialidade de Mia Couto.
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



190 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |