Um Artista da Fome / A Construção

Um Artista da Fome / A Construção Franz Kafka




Resenhas - Um Artista da Fome / A Construção


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Lis 31/08/2009

A fábula inacabada "a construção" é uma alegoria máxima do que pode ser o desespero de existir, ocorrendo na mente de alguém tão insanamente assustado com o mundo. Conhecendo a biografia do Kafka é possível perceber como suas histórias são um grito de desabafo e fuga da prisão que era sua própria vida. A construção, a meu ver, é de todos os seus contos, o que melhor representa isso, mais até que "o processo".
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Secomedia 28/05/2011

Uma enxurrada
Basta ler a opção ‘lidos’ do meu perfil para saber que não sou a pessoa mais indicada para resenhar Kafka. Confesso que tinha muita vontade e curiosidade de ler o famoso autor de A metamorfose, mas por motivos avulsos acabei me demorando na satisfação deste ímpeto.

Nunca havia lida nada do autor ou sobre o autor quando comecei a ler “Um artista da fome/ A construção”. Por isso, qual não foi a minha surpresa ao levar uma paulada seca da escrita precisa e empolgante do autor. Já ouviu falar de escrever “redondinho”, ou melhor, de frases impecavelmente construídas que dão a impressão de que aquilo não poderia ter sido escrito de outra forma? Exato. Assim, é Kafka.

Neste livro, o autor nos brinda com 5 contos que parecem não ter relação em si, mas que foram cuidadosamente escolhidos pelo autor para esta obra escrita nos seus últimos dias de vida. Confesso que o conto Uma mulher pequena, não me despertou sentimentos. Mas nos outros, apesar de temas e abordagens pouco comuns, pude sentir o peso da escrita do autor e me perder nas suas perspectivas sobre a vida de um trapezista, de um artista faquir e de uma camundonga cantora.

Na verdade, o gosto destes contos é o de por si só já serem uma experiência fantástica de leitura, mas o leitor não consegue ficar só na percepção superficial e, então, haja imaginação para prever a que fase de sua vida ou a que circunstância estaria ele referindo-se.

Escolhi o nome Enxurrada para esta resenha devido ao ritmo dos contos. Tanto em “Josefina” quanto em “A construção” a escrita conduz a velocidade de um pensamento normal. Contradiz-se, dá voltas, dispersa e não finda. Outra qualidade do autor é a de possuir as melhores frases. Ainda imaginando como o animal de A construção seria, o leitor pode ser pego desprevenido por uma frase que insista em ser relida duas ou mais vezes fora do contexto. Eis um bom exemplo, mas não o melhor (encontrado na pressa de quem não toma notas):

“É relativamente fácil confiar em alguém que ao mesmo tempo se vigia ou pelo menos se pode vigiar; talvez seja até possível confiar em alguém à distância, mas do interior da construção, ou seja, a partir de um outro mundo, confiar plenamente em alguém de fora, eu julgo impossível”. (KAFKA, 1998, p. 80)
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Thomas.Brenner 06/06/2019

Alegorias sobre a obsessão?
Algumas interpretações dos contos deste livro tentam construir um sentido a partir da biografia do autor ? devido à tuberculose, Kafka estaria com dificuldades para engolir e com a voz debilitada, o que remeteria ao artista da fome e à cantora Josefina, respectivamente. Outras fazem uma relação com o contexto político ? o ódio irracional da mulher pequena seria uma representação do antissemitismo. Há ainda interpretações que apelem ao psicologismo ? a construção seria o Eu de Kafka. Gostaria de ter encontrado uma interpretação que não se apoiasse em informações externas ao texto, que se detivesse exclusivamente aos elementos oferecidos pelos contos.
Na leitura que pude fazer, parece possível considerar que o fio condutor das histórias dessa coletânea é a obsessão. A obsessão do artista para com sua arte, com a criação. Obsessão por alguém, através de um ódio irracional. A incompreensão do público ante o obstinado trabalho do artista. O conto ?A Construção?, particularmente, pode fazer o leitor sentir na pele esse pensamento circular, ou melhor, espiralado: uma espiral crescente de elucubrações que parece interminável, transformando o pensamento em uma espécie de prisão.
Mas, obviamente, essa interpretação apenas arranha a superfície de uma enorme tessitura de símbolos, talvez tão labiríntica quanto a construção da criatura na novela que fecha o volume.
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Gabriel.Tesser 11/07/2019

Aqui encontramos alguns contos e novelas de Kafka, feitos com esmero, não tão impactantes como suas grandes obras como O Processo e O Castelo (não pelo peso das páginas acumuladas, pois O Veredito custa poucas folhas e causa grande impacto), mas pela retórica alegórica que compara sua vida ? que estava no final ? com seu estado condicional de pré-guerra. São obras importantes que devemos prestar respeito, Kafka é um dos melhores escritores que conheço.
Nos contos e novela, ele usa metáforas e conduz o verbo para simbolizar a condição humana, a política de seu tempo enquanto morava em Berlin. A escrita continua impressionante com uma consciência sobre o humano sem igual, o que torna sua obra atemporal.
A tradução de Modesto Carone é excelente e torna a leitura mais fácil e prazerosa.
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