Vida Após a Morte

Vida Após a Morte Damien Echols




Resenhas - Vida Após a Morte


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Gabi Ribeiro 22/05/2020

Leitura rápida e de grande imersão
Eu gostei muito do livro, fiquei totalmente presa nessa história tão triste e angustiante de injustiça jurídica.
As vezes o autor ?se perde? pouco em desvaneios, mas acho plausível pois este livro tem alguns trechos do diário que ele escrevia na prisão.
Para ter uma experiência completa de imersão no caso, recomendo que assistam (eu vi antes de ler o livro) os documentários da HBO sobre o caso (Paradise Lost 1,2 e 3) são muito bons.

Ah, gostaria muito de ler sobre como foi a vida do Jason Baldwin durante esse período.
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Silvia 13/08/2013

Chatice!
Nossa eu esperava tanto desse livro, achei cansativo, chato, melodramático, o tempo todo Damien tenta ser vitima; sim ele foi vítima, pois foi preso e viveu 18 anos no corredor da morte, sim a história em si é boa e triste, mas ele enrola tanto justificando a sua infância difícil e a sua adolescência conturbada que chega a cansar. Até que gostei do livro em si, mas para ler 400 páginas foi complicado poderia ter sido melhor ele ter enxugado a estória para umas 250 páginas.

Lado positivo: ele sobreviveu ao horror de viver 18 anos em um corredor da morte.
Negativo: livro enrolado...
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Gi Passos 18/03/2015

Lição de vida
Livro excepcionalmente sensacional. O livro é narrado por Damien Echols, jovem que foi condenado a pena de morte por um crime nunca comprovado sua autoria, Damien e mais dois amigos foram os supostos assassinos de 3 crianças em um suposto ritual satânico. De familia humilde, vestimenta incomum, claramente um alvo fácil para se tornar o assassino do crime. Damien e seus amigos foram condenados a longos anos de prisão, sem mesmo nenhuma evidencia ser encontrada. Mas foram condenados mesmo assim. É impossível não se envolver com a historia desses rapazes, tamanha crueldade e ineficácia do sistema penitenciário contada por alguem que passou mais de 18 anos preso. Impossível não se envolver.
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Sil 21/10/2017

De fato eu não sou uma leitora de não-ficção e muito menos de biografias, entretanto quando a história de alguém me desperta curiosidade eu sinto a necessidade de ler o que essa pessoa tem a dizer. Foi assim que aconteceu com DAMIEN ECHOLS. Conheci seu caso com o filme Devil's Knot (protagonizado por Reese Witherspoon e Colin Firth) em meados de 2015 e pela curiosidade que o filme me despertou eu acabei lendo sobre a história e assistindo a quatro documentários que contam sobre o caso. Fiquei fascinada e horrorizada com tudo o que ele passou junto com seus dois amigos.

Eu não sou uma pessoa conhecida pela minha sensibilidade, acho que até pelo contrário. Mas me vi algumas vezes extremamente emocionada lendo os relatos dele. O livro não conta, exatamente, sobre o caso West Memphis Three (os três de West Memphis). As passagens que Damien relata sobre o caso ficam mais para o final do livro e ele apenas narra como foi para ele aqueles dias que antecederam sua prisão e um pouco do julgamento. O livro é muito mais focado na vida dele antes do fatídico evento. E bom, o que eu posso dizer é que é triste. Muito triste.

Damien desde criança não teve uma vida fácil. Ele reforça diversas vezes o quanto sua família era pobre a ponto de eles passarem frio dentro da própria casa no inverno pois não tinham aquecedor (usavam o forno em uma tentativa falha de aquecer a casa), além de morar em locais duvidosos. Nunca se sentiu amado, nunca sentiu que tinha um lugar para chamar de lar. Quando se tornou adolescente seu único refugio eram os livros e a música — e ele nunca iria imaginar que seria justamente isso que usariam contra ele no tribunal. O livro também conta como ele conheceu sua esposa, Lori Davis, além de falar sobre acontecimentos que o marcaram dentro da prisão, a repercussão de seu caso com algumas pessoas famosas e principalmente sobre religião e o sistema carcerário americano.

O que mais me chateia na história dele é a forma como a justiça de seu país tratou o caso. O julgamento não foi feito através de provas e evidencias e sim pela aparência. Como Damien se vestia perante a sociedade (algo como hoje nós conhecemos como gótico), as músicas que ele gostava de ouvir (heavy metal) e os livros que ele gostava de ler (ele é um grande fã de Stephen King, além de naquela época gostar muito de ler livros sobre wicca). Ele era acusado de ser líder de culto satânico somente por suas caracteristicas e gostos (algo que, alias, nunca foi provado).

Como deu para perceber eu faço parte das pessoas que apoiam e acreditam na inocência do trio, mas acho que neste caso cada um deveria tirar suas próprias conclusões assistindo ao documentário. Eu sinto que poderia falar tanta coisa sobre Damien no post, mas seria um textão para ninguém já que pouquíssimas pessoas se interessam por esse tipo de história. A única garantia que posso dar é de que o livro vale a pena ser lido, principalmente nas passagens em que o autor anexa textos que ele escreveu nos seus anos no corredor da morte e algumas cartas que escrevia para Lori. Tem passagens bem emocionantes que da aquela vontade de chorar e outras que podem deixar as pessoas em choque — principalmente aquelas pessoas que babam ovo para os EUA e acha que este é um país perfeito e etc.
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Sarah 25/05/2014

Resenha no blog Sincerando.com, escrita por Sarah Sindorf
"Quero fazer do mundo um lugar mais mágico. Dar à magia uma forma que as pessoas apreciem e que possa mudar suas vidas. Criar uma arte que faça com que as pessoas queiram sempre rejeitar o mundo prosaico e medíocre que as cerca. Minhas ferramentas podem ser o tarô, o trabalho com grupos de energização ou a fotografia, mas meu objetivo é compartilhar com as pessoas toda a maravilha e a beleza que descobri enquanto fiquei trancafiado em uma cela por quase vinte anos".

Aos 18 anos, Damien e dois amigos foram acusados pelo assassinato de três meninos de 8 anos em West Memphis, no Arkansas. No entanto, enquanto seus amigos tiveram como pena a prisão perpétua, Damien foi para o Corredor da Morte, esperar por sua execução. O que diferencia seu caso de outros milhares de presos, é que o julgamento foi feito com vários falsos testemunhos, faltas de provas e pressão popular, e segundo tudo consta, passou 18 anos injustamente encarcerado.

Através do documentário Paradise Lost: the Child Murders at Robin Hood Hills, de 1996, seu caso veio à público, e ganhou apoio de várias celebridades. Em 2011, Damien e seus amigos finalmente foram libertados. O autor então conta nesse livro como foi sua vida pré-prisão e como passou esses 18 anos lutando por sua libertação.

"Ouvir as cigarras é como ter o coração esfaqueado por lâminas de gelo. Elas me lembram que a vida continuou para o mundo enquanto fiquei isolado em uma caixa-forte de concreto. Em muitas noites, fui acordado pela sensação de ratos caminhando sobre meu corpo, mas nunca ouvi o canto de verão das cigarras. A última vez que o ouvi, ainda não tinha vinte anos."

Comprei essa biografia na Bienal do Rio, ano passado, e não esperava que fosse tão pesada. Esperava que fosse triste, pois uma enorme injustiça foi feita e o autor passou anos sem saber se morreria por algo que não fez ou se algum dia respiraria ar puro novamente. Entretanto, a vida de Damien Echols foi muito pesada desde o começo.

Filho de uma família pobre, Damien passou anos na miséria, algumas vezes literalmente passando fome, além de ter sofrido maus tratos e ter sido vítima de vários preconceitos, entre eles na adolescência, quando se achou na música metal e no visual que hoje chamamos de gótico. Morar numa cidade pequena e limitada com um visual diferente do normal não deve ter sido uma experiência feliz.

O livro contém vários trechos que ele conseguiu escrever em seus anos preso, e oscilam entre depressão e uma esperança enorme. Dentro da prisão, ele estudou e praticou religiões diferentes, e teve provas de amor, compaixão e crueldade humana. Tudo isso contribuiu para que ele mantivesse sua sanidade e esperasse que as coisas pudessem melhorar. Também traz algumas fotos desse período e pós libertação.

"Quase todas as vezes que dou uma entrevista, me perguntam do que mais sinto falta. Quando fazem isso, cem coisas passam por minha mente e as lembranças em causam aquela sensação de queda livre na boca do estômago. (...)
No fim, não é das frutas que mais sinto falta, mas, se você juntasse todas as privações, o resultado final seria algo assim: sinto falta de ser tratado como um ser humano."

A descrição da justiça local e das prisões em que esteve preso são horripilantes e amedrontadoras. Como aconteceu com ele, poderia ter acontecido com qualquer um, e provavelmente acontece muito por ai. Não foi o primeiro caso de prisão injusta que já ouvi e infelizmente não deve ser o último. A história dele também é contada através de três documentários (Paradise Lost 1, 2 e 3) e em seu site, damienechols.com.

Damien teve sorte, pois tiveram o interesse de filmar esses documentários, e foram eles que tornaram seu caso conhecido e facilitaram sua libertação. Mesmo assim, foi um processo demorado e doloroso, cheio de falhas da defesa e apatia dos advogados, que sem a pressão e ajuda de celebridades e amigos do autor, não seria possível. Provavelmente sem eles o autor estaria morto hoje em dia e sua história enterrada.

Foi um livro que mexeu muito comigo, e até agora não sei se o que escrevo aqui consegue refletir o quanto. É triste saber que uma pessoa inocente possa passar por tudo que ele passou, ao mesmo tempo que é um incentivo perceber como um ser humano pode sair disso são e pronto para viver os anos que ainda tem pela frente. É uma biografia forte e deixo aqui as palavras do próprio autor sobre a sua leitura:

"Fico aborrecido de imaginar as pessoas lendo minhas palavras por curiosidade mórbida. Quero que leiam o que escrevo porque isto tem um significado para elas - seja por fazê-las rir ou por lembrá-las de coisas esquecidas que em algum momento tiveram importância para elas, ou simplesmente por comovê-las de algum modo. (...)
Se alguém começar a ler porque deseja ver a vida a partir de uma perspectiva diferente, ficarei satisfeito. Se lerem para saber como é a vida pelo meu ponto de vista, fico feliz. São os sanguessugas que me deixam doente e incomodado - os que não dão a mínima para mim e só se interessam por coisas como prisioneiros no Corredor da Morte."

site: http://www.sincerando.com/2014/05/vida-apos-morte.html
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Tatiane Buendía Mantovani 05/12/2016

Eu sou uma pessoa de convicções fortes. Até demais. Me considero uma cidadã cansada de tanta impunidade, torço sempre pela polícia, penso sim que bandido bom é bandido morto, prontofalei.
Daí cai um livro destes na minha mão, e todo o meu preto no branco se cobre de cinza.
Visceralmente, a ópera se resume em: o quanto é aceitável sacrificar um inocente, para manter punição para milhares de culpados ou o quanto é aceitável manter milhares de culpados impunes para não correr o risco de sacrificar um inocente. Não consigo chegar a uma conclusão. A cidadã revoltada em mim entra em conflito com aquele meu lado que não suporta injustiças.
Este livro me deixou angustiada, nele, o autor conta o seu lado da história: Em 1996, ele foi acusado, aos 18 anos, junto com outros 2 amigos, de matar 3 crianças em um suposto ritual satânico, em uma cidadezinha no Arkansas. Os 2 amigos pegaram prisão perpétua e ele foi condenado à morte. Ficou quase 20 anos no Corredor da Morte, até que, após sucessivos recursos conseguiram colocá-los em liberdade após conseguirem provar que a investi foi negligente e forjou testemunhos e provas, a fim de incrimina-los injustamente.

Para colocar mais lenha na fogueira dos sentimentos contraditórios dentro de mim:

1) o livro é totalmente narrado por ele, entremeando passagens de diário, poemas e narrativas objetivas sobre sua vida toda, desde a infância até a prisão, os anos de injustiça e a posterior libertação. Do jeito que ele narra, ele era um anjinho de candura aos 18 anos, que foi pego por policiais malvados que armaram para ele só por ele se vestir de preto e ser gótico... hum... me parece meio parcial, mas ele tem o direito, pq é a história dele, mas a gente, como leitor fica naquela de, já que a polícia fodeu tanto com este cara e obviamente é a bandida desta história, então eu tenho de acreditar piamente em tudo o que ele está escrevendo aqui? Fica a dúvida.
2) duas coisas bacanas que achei: pelo menos pelo que ele narra, ele usou o tempo encarcerado para estudar e se elevar espiritualmente, isso já faz com que a gente o saúde como um guerreiro e sobrevivente logo de cara. Depois, ele trata o crime com muita sensibilidade, mencionando basicamente por cima, sem detalhes sórdidos e sangrentos, o que demonstra profundo respeito para com as famílias das vítimas, o foco é ele e sua vida, não o crime.
3) fiquei me questionando se eu teria me sentido tão abalada e angustiada se ele não fosse quem é: caucasiano, bonitao, gotico (me identifico em nivel pessoal com isso) e dói imaginar que se ele fosse negro, menos esclarecido e não tivesse conseguido expor o seu drama com tanta clareza e habilidade, eu poderia achar que tinha sido só "azar" dele :( é uma sensação bem desconfortável sentir-se uma hipócrita em potencial.
4) tem uma história de amor, gente. Sabe aquelas cartas que o maníaco do parque recebia daquelas loucas que queriam casar com ele e a gente daqui de fora torce o nariz e estranha? A história de amor dele é muito muito bonita. Me fez ver tantas coisas com outros olhos....
5) o caso dele chamou muita atenção de artistas famosos, Eddie Veder, do Pearl Jam, Marilyn Manson, Johnny Depp, o diretor Peter Jackson, todos se empenharam por décadas para levantar fundos e ajudar nos recursos legais, teve documentarios, uma serie da HBO... se o caso dele nao tivesse tido esta notoriedade, ele já teria sido executado, como tantos, que não tiveram tal "sorte".
O poder que a mídia tem de criar heróis e bandidos é assustador. Aterrador.
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criscat 01/07/2013

Paradise Lost
Melhor se lido depois de assistir aos documentários.

site: http://www.cafeinaliteraria.com.br/2013/06/23/vida-apos-a-morte/
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Cassia 13/07/2013

Porque, muitas vezes, a realidade consegue ser mais terrível que qualquer ficção
Pena de morte é um tema polêmico, que tem defensores ardorosos, tanto pró quanto contra ela.

Entre os contrários a ela, um dos principais argumentos utilizados para defender seu ponto de vista é: "e se um erro for cometido, como corrigi-lo?".

"Vida após a morte" é o relato de um homem que foi vítima de um erro medonho da justiça americana, que condenou a ele e mais dois amigos por um crime que não cometeram, numa sucessão absurda de enganos - tanto involuntários quanto propositais - que resultou na perda de dezoito anos de suas vidas aguardando pela execução no corredor da morte.

Narrado em primeira pessoa, Damien Echols conta sua história desde a infância pobre em uma família desestruturada, passando pela adolescência - no fim da qual ele e seus amigos foram presos e condenados - e o período em que esteve preso, e todos os esforços que fez para se manter são e lutando por sua liberdade durante os dezoito anos de encarceramento.

Mas, diferentemente do que se poderia esperar, ele não se pinta como um coitadinho, ou como um super-homem, ao contrário. Na narrativa, muito bem estruturada, somos apresentados a uma pessoa que muitas vezes não teme se mostrar frágil, ou confuso, ou tentando simplesmente conhecer e entender o mundo e as pessoas que o rodeiam. Alguém que se esforçou para sair da lama sem se deixar arrastar por ela, que foi bombardeado por ódio e se esforçou para não se deixar dominar com ele.

A narrativa é feita de forma cativante. Um elogio deve ser feito ao tradutor, que, num trabalho excelente, tornou o texto fluido, daqueles que é difícil de largar após iniciada a leitura.

Eu não exageraria dizendo que esse livro é uma obra que vai mudar a opinião de quem o ler sobre a pena de morte. Mas, penso que o grande mérito dele é mostrar que devemos ser cuidadosos com nossa noção de justiça, com o que a grande mídia divulga, como ela o faz e, principalmente, como ela é relativa - principalmente para com aqueles que não têm recursos para contar com bons defensores.´

Uma leitura recomendadíssima!
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Manu 19/04/2014

Vale a Pena!
Vale MUITO a pena conhecer a história de vida de Damien Echols!
Tudo que ele passou, é de uma injustiça sem limites. Mas ele é um poeta que nos presenteou com sua trajetória narrada de uma forma brilhante e super sensível.
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Matheus Fellipe 18/04/2016

Um relato verdadeiro, sem máscaras, exageros ou eufemismo
A prisão é um show de horrores. O circo não faz ideia do que está perdendo. Serei o seu mestre de cerimônias nesta visita guiada por esse cantinho do inferno. Prepare-se para ficar atordoado e perplexo. Se a mão é realmente mais rápida do que o olho, você nunca descobrirá o que o atingiu. Eu sei que nunca descobri. Pág. 17

Isso pode ser simples ou complicado, mas tente se colocar no lugar ou ao menos imaginar: você teve uma vida difícil desde sua infância, seus pais se separaram, a crise se abateu sobre a família, vocês tiveram que migrar para várias cidades afim de conseguir um lar, ou algo que pudesse aparentar um. O tempo foi passando, sua vida começa a se estabilizar (por mais que ainda esteja uma merda), mas agora você tem alguns poucos amigos na escola, na cidade, as pessoas estão um pouco mais suportáveis, você até começou a sair com alguém do sexo oposto. Você começa a criar uma personalidade, se adapta a um novo estilo de vida, mas esse estilo não agrada as pessoas conservadoras, que começam a te olhar de forma estranha.

Acontece um infortúnio, três garotos de oito anos são encontrados mortos na sua cidade, os moradores acreditam que eles foram vítimas de um ritual satânico. Elas começam a deduzir e inventar histórias, onde você e seus amigos são os responsáveis pelos homicídios, afinal vocês despertam curiosidade, se vestem de preto, ouvem músicas pesadas, já se envolveram em algumas encrencas e possuem hábitos diferentes da maioria.

A polícia começa a investigar, colher as pistas, ouvir depoimentos... o tempo está passando, a família e os moradores querem justiça e eles não têm nenhum culpado na lista. O que eles fazem? Dão ouvido as mentiras dos moradores e decidem que você e dois de seus amigos são culpados pelos assassinatos. Simples assim!

Já deu para ter uma ideia da intensidade da história? Isso foi apenas o prelúdio do que estaria por vir, uma síntese do que aconteceu na vida de Damien Echols até seus dezoito anos, quando em West Memphis, Arkansas, ele foi julgado e condenado a morte pelos três assassinatos. Seus amigos Jason Baldwin e Jessie Misskelley Jr. foram condenados à prisão perpétua. Daí eu me pergunto: existe justiça? Existe verdade? Como eles puderam se embasar em mentiras para culpar três inocentes? Eu realmente não consigo entender.

O sistema judiciário não tem a mentalidade de um homem são, embora se aproveite dele. Trata-se de uma cobra insana, de proporções gigantescas e enroscada em si mesma. É cruel e demente, e morde tudo o que consegue alcançar. Está tão emaranhada e embriagada que acabará estrangulando a si própria. Não há como transmitir sua loucura a alguém que não tenha tido contato com seu lento abraço. As pessoas que operam em seu âmbito se tornaram tão loucas quanto a própria cobra lunática, e justiça é um conceito desconhecido. Elas seguem procedimentos longos e sem sentido como se fosse uma religião. Nada as deixa mais indignadas do que uma ideia que faz sentido, e não há nada que elas combatam de maneira mais aguerrida. Não é de surpreender que haja tantas piadas sobre advogados. As coisas só estão piorando desde o tempo de Kafka. Não há como entendê-las. É um mundo desprovido de lógica. Págs. 240/41

O que já era ruim, passaria a ser pior. A sua vida difícil de antes se tornaria uma mera figurante se comparada ao inferno que seria protagonizado por ele nos próximos 18 anos.

A vida no corredor da morte não é nada fácil, e Echols nos revela aos detalhes as atrocidades e a sordidez do cárcere. Viver em uma cela isolada, longe de tudo e de todos, em meio as baratas e a escória do mundo (os verdadeiros criminosos), tendo que ser submetido ao abuso de poder de guardas desumanos, e ainda por cima ter que lutar contra seus medos para não perder a sanidade.

[...]Não há motivo para rir quando se precisa lutar contra as baratas para ver quem vai ficar com o cereal no café da manhã. Pág. 42

Sem ter para onde correr, Damien Echols só teve uma escolha, aprender a conviver com o tiquetaquear incessante do tempo, e se adaptar aos poucos àquele lugar que seria seu lar. Com inteligência, determinação e fé, ele conseguiu usar o tempo para crescer, tanto intelectual quanto espiritualmente. Passava horas meditando, escrevendo, lendo livros e estudando os mais diversos assuntos. Afinal seu futuro era um tanto incerto, eles lhe aplicariam a injeção letal ou, se desse sorte, seria inocentado.

Sempre adorei ler, mas, àquela altura, os livros haviam se tornado a única forma de esquecer o pesadelo que era minha vida. Eu me escondia neles e viajava até outro lugar durante horas a fio. Os outros rapazes ficavam impressionados com a quantidade de livros e a velocidade com que eu os lia. Na prisão, li alguns milhares de livros. Sem eles, teria enlouquecido há muito tempo. Págs. 245/46

Em 1996, com o documentário Paradise Lost: the Child Murders at Robin Hood Hills, seu caso ganhou repercussão mundial. Com isso, simpatizantes começaram a enviar cartas e dinheiro para ajudar no processo. Dentre eles, alguns famosos como o ator Johnny Depp, Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, e o cineasta Peter Jackson, ajudaram com apoio moral e financeiro. Em 2011, o então conhecido Trio de West Memphis ganhou a liberdade.

Eu ainda era uma criança quando fui mandado para o Corredor da Morte. Tornei-me adulto, tanto física quanto mentalmente, neste buraco infernal. Vim parar nesta situação ainda ingênuo e com olhos arregalados. Agora, vejo a maioria das coisas e pessoas com desconfiança e olhos semicerrados. Aprendi na marra que o mundo não é meu amigo. Achava que quase toda a raça humana queria que eu tivesse uma morte lenta e dolorosa até que um milagre ocorreu. Parece que minhas esperanças de receber uma intervenção divina não foram de todo ignoradas. Págs. 327/28

Em meio a toda essa escuridão, surgiu uma luz no fim do túnel. Essa luz, chamada Lorri Davis, veio ao seu encontro através de uma carta. Echols começou a se corresponder com ela, eles se conheceram e, com o decorrer do tempo, eles se casaram numa cerimônia simples dentro da prisão e estão juntos desde então. O amor que ele nutre por ela é evidente em tudo que fala a seu respeito.

[...] Por mais nobre que seja o esforço, uma só pessoa não pode acabar com toda esta escuridão. [...]Uma vela não pode iluminar todo o universo, e não há muitas pessoas interessadas em fazer esse trabalho. Pág. 74

Em Vida Após a Morte, conhecemos Damien Echols por ele mesmo. Num relato verdadeiro, sem máscaras, exageros ou eufemismo. Seu passado conturbado é um fantasma que surge a todo instante na narrativa, ora trazendo boas lembranças, ora relembrando pesadelos. Ele consegue evocar os sentimentos do leitor por meio de seu talento narrativo. Eu não estaria mentindo se dissesse que é a melhor autobiografia que já li até hoje. Recomendo o livro a todos, sem exceção e, classifico o livro em 5 estrelas.

site: http://leitornoturno.blogspot.com.br/2016/04/resenha-vida-apos-morte-damien-echols.html
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Schá 16/05/2016

Reflexão
Vida Após a Morte, de Damien Echols narra a impressionante história de vida do autor. Uma história marcada por injustiças, luta, perseverança e finalmente, liberdade. O caso dos Três de Memphis, ficou mundialmente conhecido através da HBO e seus documentários, e recentemente, pelo filme Sem Evidências (2013). Porém, a visão de Echols sobre sua humilde vida, até o momento em que é considerado um dos assassinos mais cruéis da história americana, nos coloca frente a frente com um sistema de justiça totalmente distorcido e porque não, injusto. Conhecer sua história e esperança de provar sua inocência, nos faz querer lutar do seu lado, conhecer, investigar e culpar os verdadeiros assassinos. Acompanhe a trajetória de vida de Damien, conheça seus amigos famosos e encante-se por uma pessoa com muita esperança e fé. Vale muito a pena ler esse livro.
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Delmira Pedrosa 27/08/2016

Emocionante. Interessante. Intenso. Chocante. Damien Echols conta sua própria história. Como um jovem americano aos 18 anos foi injustamente acusado e perseguido. Sofreu devido a desigualdade social, ao preconceito e a injustiça social. Teve sua juventude perdida . Mas mostra também a luta pela sobrevivência, a solidariedade de algumas pessoas levando-nos a crer que apesar da injusta justiça vale a pena viver e lutar...Adorei.
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Mariana 30/08/2016

Fantástico!
Palmas para o Damien Echols!
Extremamente inteligente e centrado, sinceramente não sei como conseguiu sobreviver a tantos anos de aprisionamento e solidão. Parabéns tbm a sua esposa, só um amor verdadeiro mesmo pra passar por tudo isso.
O livro apresenta detalhes sobre a vida do Damien, desde sua infância até os dias atuais, achei uma jogada super inteligente as fotos tbm!
Quando terminei o livro a primeira coisa que pensei foi 'Como sou ingrata', sim!!!!! Como sou ingrata, por ter tudo,LIBERDADE, comida a vontade na mesa....
Recomendo muito esse livro!!!!!
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Tálita 13/02/2017

Adoooooro livros sobre casos reais de crimes ou sobre o processo criminal! Apesar do título meio religioso, a história contada pelo próprio Damien me pegou de jeito. De uma forma bem cativante, ele conta sobre sua vida desde o início e sobre os eventos que levaram à sua acusação, como foi seus anos como encarcerado, como conheceu a atual esposa que o ajudou a ser reconhecido como inocente e um pouco dos rumos que sua vida tomou após alcançar a liberdade.

O livro trás boas reflexões. As fotos ao final são ótimas e ajudam a ilustrar a narrativa, apesar de que se você googlar Damien Echols ou o Trio de West Memphis não faltarão fotos e vídeos. O fato do Johnny Depp ter sido um dos grandes apoiadores de Damien também me influenciou muito a dar início a leitura (os dois se tornaram grandes amigos e até fizeram tatuagens semelhantes).
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