Lolly Willowes

Lolly Willowes Sylvia Townsend Warner




Resenhas - Lolly Willowes


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Charles Lindberg 25/11/2020

Único em sua proposta
Bookstagram: @teachernoctowl

Um clássico britânico de 1926, este é considerado o primeiro romance sobre bruxas feminista da modernidade.

Lolly Willowes é a história de uma mulher inglesa como qualquer outra no início do século XX, que leva uma vida vazia, orbitando os homens da família. Descontente com os anos desperdiçados e sem nunca casar, aos quarenta e poucos ela se muda para uma cidadezinha no interior, onde redescobre a vontade de viver ao conhecer ninguém menos que o príncipe das trevas, a quem chama carinhosamente de Satã.

Este é um romance único em sua proposta e execução. Apesar do passo datado para os padrões atuais não constituir uma leitura fácil, e a autora deixando os temas centrais para explorar no último terço da história (com o início sendo uma construção necessária), ainda assim se trata de uma experiência extraordinária de empatia e conhecimento, se colocar atrás dos olhos de Laura Willowes, e viver essa vida vicariamente, entendendo, por ela, todo o sofrimento e ausência de propósito que levam os pequenos e marginais aos recônditos mais sombrios que a sociedade teme em sua ignorância.

Impossível não se identificar com a protagonista ao concluir a leitura, desejando que viva da melhor forma possível os anos que lhe restam.

Um primor no estudo e exploração dos sentimentos, apesar do estilo do texto poder representar uma barreira considerável.

Nota: 3,5/5 gatos familiares

Mais impressionante que a história do próprio livro, no entanto, é conhecer a história da própria autora: comunista radical e lésbica que lutou pela politização das artes num período ainda bastante seminal em seu país.
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Rafaella 25/07/2013

"Dez dias depois da morte de Everard, Henry e Caroline partiram de Lady Place, levando Laura com eles. Laura, por sua vez, achou a partida menos dolorosa do que imaginara, e Caroline a pôs na cama assim que chegaram a Apsley Terrace, o que simplificou sua infelicidade ao fazê-la sentir-se como uma criança infeliz." Página 39


Laura Willowes é uma jovem bastante ligada a seu pai, Everard, e quando este morre fica decidido que a jovem com seus 28 anos iria se mudar para a casa de Henry e Caroline, seu irmão mais velho e cunhada. Lá, Laura ficou responsável por colaborar com a arrumação da casa e ajudar a cuidar de suas sobrinhas Fancy e Marion que nesta época eram bem pequenas. Lolly, como era conhecida por todos, era uma mulher bastante reservada e acabava se anulando por conta da sociedade da época. Seu irmão do meio, James, morreu em batalha e a casa em que ela morava quando era pequena foi alugada então a mulher de James e Titus, sobrinho preferido de Lolly, acabaram se mudando para outro lugar.

Com o passar dos anos Laura começou a sentir o peso de ser uma mulher solteira com mais de quarenta anos, suas sobrinhas já haviam casado e agora ela ajudava a cuidar dos sobrinhos-netos. Um dia a mulher foi caminhar e encontrou uma loja que vendia flores e ficou extremamente encantada, o vendedor gentilmente falou qual a procedência das lindas flores e em um momento de epifania Laura decide morar neste lugar. Apesar de sua família ser totalmente contra, Laura finca o pé e se muda para Great Mop e os primeiros dias passam voando, uma vez que a mulher está encantada com o lugar. Os dias passam e seu sobrinho Titus decide também se mudar para o pequeno vilarejo, e, com sua individualidade ameaçada, Laura pede ajuda para às forças para que estas levem seu sobrinho para a cidade de onde veio. Com isso um gato aparece na casa de Laura e ela o batiza de Vinagre e este é o ponto de partida para uma história sobrenatural, que em sua primeira edição foi publicada no ano 1926.

Para a época em que a obra foi publicada pela primeira vez, acredito que um rebuliço se formou, pois Lolly Willowes mostra tudo aquilo que era tido às vistas grossas como o abuso de poder, o domínio dos homens, sexualidade reprimida e tantos outros assuntos que antes eram vistos como tabu, e, principalmente, a bruxaria e o culto ao Diabo. A leitura é bastante densa e acaba deixando o leitor bastante confuso com o adiantar da história porque a autora não trás uma narração linear, mas sim avança e volta vinte anos com o passar de um parágrafo. Outro ponto que o livro peca é na falta de capítulos, sendo que a divisão da obra é feita por meio de partes, ou seja, 196 páginas divididas em três partes. As duas primeiras partes foram bem complicadas de ler, pois eu ainda não estava acostumada com o ritmo da leitura, mas quando o livro realmente começa a ficar interessante (ao final da segunda parte) já começa a ficar triste porque você sabe que a leitura está acabando.

Confesso que solicitei o livro para a editora sem quaisquer expectativas porque eu não conhecia nada sobre a obra, e acredito que isto, apesar de tudo, foi o que salvou a leitura porque eu estava totalmente no escuro. A capa é bem trabalhada e apesar de na imagem digitalizada parecer um tanto estranha, pessoalmente é uma das capas mais bonitas que já vi. Não posso prolongar mais a resenha porque corro o risco de falar mais do que o necessário, mas apesar de minhas impressões recomendo que vocês leiam primeiro o livro para depois se certificarem de que a obra é bem diferente do que estamos acostumados a ver nas composições atuais.


" Ela, Laura Willowes, na Inglaterra, no ano de 1922, fizera um pacto com o Diabo. O pacto estava feito, confirmado e selado com o lacre rubro do seu sangue. Lembrou-se dos bosques, lembrou-se do próprio pedido selvagem de ajuda e do silêncio que se seguiu, como que para ratificá-lo." Página 135

site: http://laviestallieurs.blogspot.com.br/2013/06/resenha-lolly-willowes-sylvia-towsend.html
Lukin 01/06/2018minha estante
Otima resenha. Parabens.




condadodeyork 22/09/2016

Um livro delicado e importante
A vida de Laura (Lolly) está descrita em menos de 200 páginas. Mas será que é a vida dela mesmo? Ou a vida dela começa quando encontra-se a palavra fim impressa na última página.
São com imagens paradoxais que este livro de 1920 traz uma descrição da condição feminina. Semelhante a "papel de parede amarelo" mas sem a tonalidade escura. Ou quase sem tonalidade.
Recomendado para quem tiver interesse na temática de condição feminina.
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