O Fio

O Fio Victoria Hislop




Resenhas - O Fio


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naniedias 25/03/2013

O Fio, de Victoria Hislop
Intrínseca - 365 páginas
Duas vidas entrelaçadas à história de uma cidade.


Título: O Fio
Título Original: The Thread
Autor: Victoria Hislop
Tradutor: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-298-8
Ano da Edição: 2013
Ano Original de Lançamento: 2011
Nº de Páginas: 365
Comprar Online: Saraiva / Submarino


Sinopse:
Era uma vez uma cidade litorânea próspera e de povo feliz. Viviam juntos cristãos, judeus e muçulmanos em perfeita harmonia.

Era uma vez o bicho homem, sua arrogância e ganância. Um bicho que não sabia viver em paz e não sabia respeitar o próximo - visava o lucro acima de tudo, mesmo que para isso tivesse que passar sobre sua própria dignidade, ética, honra ou vergonha.

O Fio segue a história de Dimitri e Katerina, moradores da Tessalônica, cidade da Grécia.
A trama passa pelas guerras mundiais e também por uma guerra civil, mostra incêndio, terremoto e as dificuldades e modificações pelas quais a cidade passou.


O que eu achei do livro:
Ótimo!

Já há algum tempo eu tinha vontade de conhecer Victoria Hislop. A Ilha, outro romance da autora, está dentre os meus desejados desde o seu lançamento. Ainda não consegui ler essa obra, mas O Fio caiu nas minhas mãos e eu enfim tive a oportunidade de conhecer Victoria Hislop, para a minha felicidade e deleite.

A escrita de Hislop é viciante, inebriante, deliciosa!
Quase não sentia as páginas passando enquanto ia acompanhando a história de seus protagonistas e, principalmente, da Tessalônica. São mais de trezentas e cinquenta páginas que passam rapidamente e quase despercebidas, tão deliciosa é a narrativa da habilidosa escritora.
Ela é bastante descritivista, mas não de uma forma exagerada ou enjoativa - ela consegue transportar o leitor para o meio de sua trama, fazendo-o sentir na pele cada mínimo acontecimento. Adoro livros que conseguem me levar para dentro de suas páginas - a experiência de leitura, quando isso acontece, é sempre muito intensa e maravilhosa.

A autora mescla realidade e ficção de forma sublime! Segundo palavras da própria, personagens e nomes de ruas e locações são ficção, mas os eventos históricos são reais. Foi muito gratificante ler esse livro e conhecer um pouco mais da história da Grécia - mesmo que do fundo do meu coração eu desejasse que alguns dos eventos narrados fossem simplesmente imaginação de Victoria Hislop e não algo que realmente aconteceu.

Os personagens são um show à parte.
Nenhum deles é perfeito, pelo contrário, são todos humanos e bastante coerentes com a época à qual pertencem. Têm sonhos, anseios, medos e obrigações - vivem o passar dos dias da melhor forma possível, mas nem por isso de forma lúdica. É tão real que chega a doer. Mas ao mesmo tempo é real o suficiente para emocionar e maravilhar.

Me apaixonei por Katerina - torci tanto por ela! A história é narrada em terceira pessoa, mas na maior parte do tempo acompanha o cotidiano dessa moça tão determinada.
Fiquei pensando nos acontecimentos na vida de Dimitri enquanto ele esteve longe da Tessalônica. Ele passou por tanta coisa que sua história daria um novo livro. Confesso que guardo esperanças de que Hislop escreva as desventuras de tão destemido jovem.

Não esperava tanto desse livro. Embora estivesse ansiosa para conhecer a Victoria Hislop, pensei que a leitura seria um pouco maçante ou, ao menos, um pouco mais lenta. Esperava um livro devagar, cheio de coisas bacanas sim, mas não tão dinâmico e delicioso quanto o que encontrei.
O Fio é uma história excelente, narrada de maneira primorosa.
Preciso urgentemente dos demais livros da autora.


Nota: 9


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Denise 03/03/2014

Um livro deslumbrante da primeira até a última página!!!Perfeito, me tocou profundamente!
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Queren.Hapuque 01/03/2016

O fio
Eu acredito que até hoje, com certeza esse é meu livro favorito.
A forma como a autora Victoria Hislop descreve a vida não só do casal em questão, mas como ela faz você se importar com os outros personagens. Atravessar fatos históricos , contando como eles afetaram uma cidade e a sua população ,foi sensacional.
Uma história que te envolve e emociona. Quando percebe leu mais de 60 anos de uma família.
Foi uma experiência única ler esse livro, e mais única ainda chegar ao seu final e perceber que o verdadeiro protagonista é a cidade de Tessalônica.
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Singra 24/06/2013

Grécia
Livro com meus assuntos preferidos: romance e história de um país.
Para quem gosta da Grécia, irá se apaixonar, pois ele narra o país, com suas dores e delícias, as guerras, religiões e particularidades das famílias e dos lugares.
Você se apaixona por cada personagem...
Escrita leve e gostosa.
Amei e deu muita vontade de conhecer a Grécia!
Bergmann 30/01/2015minha estante
Também amo um pouco de história e romance misturados. E este livro é realmente tudo isso!




Tnan 27/01/2021

Leitura Obrigatória (LO)
A esperança que sobrevém nos momentos de dificuldade conduz aos momentos felizes.

Fico extasiado quando fico em contato com histórias que recontam os dramas humanos ante à confluência de acontecimentos, de outros, que acabam por interferir significativamente na vida particular. Não focando na dificuldade em si, antes na persistência em seguir, que oblitera o gigante medo do que pode ou não acontecer.

Em "O Fio" Victoria Hislop contextualiza o drama de duas famílias nas dificuldades vivenciadas na Grécia do século XX, passando por conflitos e guerras. No romance, Katerina e Dimitri narram para seu neto, como se deu a história de sua família desde sua infância, quando Katerina se mudou para Tessalônia, a segunda cidade mais importante do país, após um conflito entre Grécia e Turquia. Ambos narram os acontecimentos que alimentaram seu profundo apego com a cidade, repassando ao descendente o porquê de não se verem estando em outro lugar que não aquele.

É uma história lindíssima adaptada a um contexto histórico real. A autora é filelena e guarda uma admiração singular pela Grécia desde que sua mãe a levou a passeio, em sua adolescência, para a ilha de Creta. Desde então tem se imergido na história e cultura gregas, fazendo do lugar palco para vários de seus romances. Ampla divulgadora da história e cultura da Grécia moderna, Hislop recebeu em 2020 o título de Cidadã Honorária da Grécia e diz amar "a Grécia com seus problemas e suas dificuldades, não apenas por sua beleza".

Vale a pena se afundar nas páginas deste romance e descobrir o que o título tem a ver com o drama narrado.
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Geovane Torres 28/09/2013

O melhor romance que já li!
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Cissa 20/10/2013

Interessante

Victória Hislop não foi tão enfática e meticulosa ao escrever este livro quanto o foi ao escrever O Retorno.
A história é muito bem pesquisada mas, prá mim, faltou algo. Faltou ajustar um ponto solto que torna o trabalho mais bonito e perfeito.

A história se passa na Grécia no início do século XX e segue seu rumo nos contanto todo sofrimento do povo durante a Segunda Grande Guerra, incêndios monumentais que arrasaram várias cidades, a Guerra Civel e a perseguição aos comunistas gregos.

Katerina é a heroína que apaixonada por Dimitri e pela costura e bordados consegue sobreviver como modista dedicada, entre tanto sofrimento e destruição. É uma trama bem montada mas faltou aquele gancho que a tornaria perfeita, mas isso não tirou a beleza do romance.

Victória Hislop é excelente escritora e pesquisadora e sua obra sempre merece um olhada atenta.
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Dhessy 23/01/2017

Antes de qualquer coisa, sou um pouco suspeita para falar sobre qualquer livro que se passe na Grécia. Mesmo não tendo nenhuma descendência grega conhecida, minha família é grande o bastante para não se ter certeza sobre algo do tipo, e muito menos nunca tendo colocado meus pés em solo grego, sou apaixonada por esse país e sua cultura. Confesso que não conheço muito sobre a história dele como gostaria, mas procuro sempre pesquisar e tentar entender um pouco mais sobre ela e esse livro me chamou a atenção exatamente por isso.
O livro se inicia mostrando um pouco da Tessalônica, segunda maior cidade da Grécia, do ano de 2007 onde o jovem Mitsos após se encontrar com os avós que insistem em continuar vivendo na Grécia ao invés de ir morar em Londres com ele, acaba se tornando o ouvinte da história dos avós.
Nesse ponto a história recua no tempo, para o ano de 1917, ano em que a cidade de Tessalônica acaba sofrendo um enorme incêndio que quase a destruiu completamente e é neste cenário o avô de Mitsos acaba de nascer. Nesse meio tempo, no ano de 1922, explode a guerra entre Grécia contra a Turquia, obrigando gregos a se retirarem da cidade de Esmirna, na Turquia. Enquanto isso em meio a confusão Katerina, sua avó, de cinco anos acaba se perdendo da mãe e da irmã ficando para trás, sendo salva por um soldado grego e é embarcada para destino desconhecido.
Ficando sob a proteção de Kyria Eugenia Karayanidis e suas duas filhas gêmeas, a jovem pensa que vai para Atenas, mas acaba desembarcando em Tessalônica uma cidade repleta de diversidade cultural.
A partir desses acontecimentos a história do livro começa a ser costurado de maneira a ligar a história de Katerina e Dimitri aos acontecimentos históricos que modificaria a cidade de Tessalônica para sempre.
Victoria consegue conquistar o leitor desde a primeira página. Praticamente não dá para se sentir as páginas passando enquanto acompanha a história, graças a narrativa inebriante, viciante e deliciosa.
Os personagens são vivido a ponto de você crer que pode encontrá-los a cada esquina tamanha a humanidade de cada um deles. Nenhum é perfeito, eles têm sonhos, anseios, medos e obrigações. A história é simplesmente visceral, mesmo sabendo pela própria autora personagens e nomes de ruas e locações são ficção.
Hislop aborda a ocupação alemã, as lutas, os comunistas, temas de grande polêmica com graça e com leveza, mesmo esses sendo temas não tão leves assim.
Este é um livro que comecei com aquela desconfiança de seria ou não uma boa leitura e terminou sendo um livro que arrebatou meu coração, me levando a torcer a cada página por seus personagens, Dimitri e Katerina.
Para aqueles que esperam um livro lento e maçante, pode ter a certeza que O fio é tudo menos isso. Com sua história dinâmica e delicioso a cada página. Sem dúvida, um livro impossível de esquecer.
Um prato cheio para aquele que adoram história e principalmente, a Grécia.


site: http://anjosdanoitedark.blogspot.com.br/2017/01/dica-de-livro-o-fio-de-victoria-hislop.html
Jessica Franca @versoecontroversia 20/06/2018minha estante
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arthur_arrais 02/05/2015

Mais um livro sensacional de Victoria Hislop!
Tessalônica (Grécia), 1917. Enquanto um incêndio destrói a cidade multicultural onde cristãos, judeus e muçulmanos viviam harmonicamente, Dimitri Komninos, filho de um rico comerciante de tecidos, nasce na parte abastada da cidade. Pouco depois, o incêndio destrói também a mansão de sua família, obrigando eles a se mudarem posteriormente para a pacata Rua Irini, endereço antigo da mãe de Dimitri.
Esmirna (Turquia), 1922. Em meio à guerra entre turcos e gregos, a pequena Katerina Saraflogou é obrigada a fugir rumo à Grécia. Entretanto, graças a um tumulto no cais da cidade, Katerina se perde de sua mãe e irmã e acaba embarcando com uma estranha e suas filhas gêmeas rumo à Tessalônica. Lá chegando, recebem do governo uma casa na Rua Irini. Desse dia em diante, os destinos de Dimitri e Katerina se entrelaçam.
Lendo esse resumo, é quase impossível não pensar que o Fio é uma mera história de amor onde os protagonistas enfrentam e vencem todas as intempéries do destino para ficarem juntos. Entretanto, se engana quem segue esse pensamento.
O Fio é o terceiro livro da escritora britânica Victoria Hislop, conhecida por suas sagas de família que atravessam gerações sob um determinado fundo histórico. Em a Ilha, seu romance de estreia, ela nos apresentou ao vilarejo de Plaka, na ilha de Creta; nos tempos em que a lepra não tinha cura e quem era identificado como portador era obrigado a deixar sua vida no vilarejo e passar o resto de seus dias enclausurado numa colônia. Em o Retorno, ela nos mostra como a vida dos espanhóis, em especial da família Ramirez, foi abalada pela guerra civil durante a ditadura do general fascista Francisco Franco. Em o Fio, ela retorna à Grécia e nos narra a história política do país ao longo do século XX; passando pela guerra civil com a Turquia, o final da 1ª Guerra Mundial, a 2ª Guerra e as atrocidades nazistas e pela ditadura que levou à Guerra Civil, envolvendo as forças armadas do governo monárquico grego e o Partido Comunista.
A autora insere brilhantemente seus personagens em cada um desses eventos, nos permitindo visualizar o que aconteceu com muitas das pessoas que realmente passaram por cada um deles na realidade. Durante a 2ª Guerra Mundial, o então jovem idealista Dimitri decide abandonar a faculdade de medicina e lutar ao lado do exército revolucionário contra a invasão alemã em seu país. Enquanto isso, Katerina é obrigada a ver seus vizinhos judeus serem perseguidos e eliminados pelos nazistas. Durante a Guerra Civil, os filhos dos já adultos Dimitri e Katerina sofrem represálias do governo por causa do passado revolucionário do pai; sendo então por eles enviados para fora da Grécia.
Assim, Victoria nos entrega uma obra que nada deixa a desejar em relação às suas anteriores; com uma quantidade relativamente pequena de personagens, mas que são inegavelmente fortes e agentes participativos nos eventos históricos por eles vividos.
O Fio surpreende também pela agilidade no conto dos acontecimentos históricos, fugindo do enfadonho modo tradicional de contá-los geralmente adotado pelos livros didáticos. A autora fez uma meticulosa pesquisa para escrevê-lo, resultando numa obra extraordinariamente realista e verossímil.
Assim, Victoria Hislop mais uma vez se propõe com sucesso a compor uma obra que mescla perfeitamente ficção com realidade. O Fio é uma ótima pedida aos fãs de história e apaixonados por uma narrativa ágil, densa e que prende a atenção de quem a lê.
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Mafi 04/03/2013

no blog - http://algodaodoceparaocerebro.blogspot.pt/2012/12/opiniao-historica-arca-de-victoria.html
Edição portuguesa*

Em "A Arca" voltamos a viajar até à Grécia, pois é neste país que também se passa a acção de "A Ilha". Depois de no "O Regresso" a autora ter contado a história da Guerra Civil de Espanha, decidiu agora voltar ao país grego. A autora segue a mesma estrutura a que já nos habituou. O livro começa no presente e regressamos ao passado para contextualizarmos o que acontece no início do livro.


Depois de dois anos sem ler nada da autora, eis que me chegou às mãos o 3º livro de Victoria Hislop. Já tinha lido os outros dois livros dela: "A Ilha" e "O Regresso" e gostei bastante de ambos. São histórias bem construídas, com boas personagens e enredos que atraem logo o leitor. Portanto não é de admirar que estava com muita vontade de ler este novo livro.

A história centra-se na pequena cidade de Tessalonica e aqui acompanhamos várias vidas, nomeadamente de Katerina e Dimitri, duas das personagens que mais gostei e que são os protagonistas desta história.

A sinopse é bem esclarecedora. Como disse o livro começa em 2007 e recuamos ao ano de 1917 onde há um grande incêndio que destrói praticamente a cidade de Tessalonica. Katerina com 5 anos vê-se separada pela mãe e criada por uma estranha. Brinca com Dimitri na rua e a relação deles vai evoluindo. Acompanhamos o dom de Katerina para a costura, algo que irá fazer muito feliz e conceituada neste ramo. Dimitri, inteligente segue a medicina. Mas em 1943 a chegada dos generais alemães irá abanar a população, estes polícias chegam com novas medidas, erradicar os 5 mil judeus que ali vivem. Algumas personagens que vamos acompanhando ao longo do livro sofrem com esta medida, a fábrica onde Katerina trabalha é fechada para depois ser novamente aberta com um novo dono. Todos estes acontecimentos irão separar o casal, apesar de no fim acabar tudo bem.

O livro é muito bom, um bocadinho pesado, para quem não está habituado a leituras destas, mas como já li livros piores nada me chocou. A autora aborda a ocupação alemã, as lutas, os comunistas, temas de grande polémica.
Gostei muito de ler algo sobre o mundo têxtil, acho que foi uma ocupação bem inserida no livro. No fim ficamos a saber como o passado influenciou o futuro e que irá haver sempre histórias que são impossíveis de esquecer.
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Elder F, 16/05/2013

Exército Turco, Nazismo, Grécia, Ditadura e Século XX
Um eventual incêndio engole a cidade de Tessalônica na Grécia de 1917. No momento em que o fogo devasta a cidade multicultural onde diferentes religiões convivem, nasce, na casa da aristocrática família Komminos, Dimitri, filho do bem sucedido mercador de tecidos Konstantinos Komminos. Cinco anos mais tarde, na Ásia Menor, o exército turco destrói a casa da pequena Katerina Saraflogou, levando milhares a atravessarem o Mar Egeu em direção à Grécia. No momento da evasão, porém, Katerina separa-se da mãe, que embarca sem a filha destino à Atenas, enquanto a menina embarca rumo à Tessalônica, onde sua vida se entrelaçará com a de Dimitri Komminos.

É difícil terminar a leitura do parágrafo anterior e não imaginar uma história trágica onde os personagens principais são vítimas do próprio destino e batalham veementes contra as intempéries da vida para que possam um dia consumar o amor. Acontece, porém, que o livro vai além do que a descrição do parágrafo anterior poderia relatar. O Fio, da escritora britânica Victoria Hislop, caminha na história da Grécia do século XX com uma narrativa dramática que, ao mesmo tempo em que conta a saga de duas famílias diferentes, expõe os fatos históricos com uma perícia determinada.

Victoria Hislop já adquiriu fama entre os críticos por escrever novelas que contam sagas de famílias ao longo de várias gerações, mas sempre com sua tragédia ou romance encaixados em algum contexto histórico. No seu primeiro romance, A Ilha, o pano de fundo foi a Segunda Guerra Mundial e uma colônia de leprosos em uma ilha grega. No segundo romance, O retorno, o segundo plano foram os horrores da guerra civil espanhola. Em O Fio, a autora volta para a Grécia, especificamente para sua segunda maior cidade, Tessalônica.

A história começa nos dias de hoje e a narrativa leva o leitor de volta no tempo para 1917, onde o drama se desenrola através dos anos. Os personagens centrais são Dimitri, filho de um cruel comerciante de tecidos, e Katerina, uma refugiada com talento ímpar na arte da costura que se perdeu da mãe no caos da guerra e acabou parando na Tessalônica com uma estranha e suas filhas gêmeas. Os acontecimentos históricos que sustentam a narrativa, diferente dos outros livros, não são alguns poucos, mas sim outros muitos.

O início é um pouco morno, extenuante em alguns momentos, e cobre o final da Primeira Guerra Mundial. O clima não poderia ser outro além de resignação, sentimento de perda e de enfado constante por aquele mundo destruído lutando para se reerguer. Nas cidades, aos poucos o comércio retorna as suas atividades e as empresas retomam os seu trabalhos. Os sindicatos surgem e o aparecimento das greves é imediato. Uma forma de comunismo vai se desenvolvendo na Grécia. O livro passa ainda pela Segunda Guerra Mundial e as atrocidades nazistas, caminhando logo após pela ditadura que levou à Guerra Civil na Grécia entre 1946 a 1949, envolvendo as forças armadas do governo monárquico grego e o Partido Comunista da Grécia.

Os personagens foram todos habilmente desenvolvidos para que se encaixassem em cada momento histórico por onde passou a narrativa da autora. Dimitri é um jovem idealista, constantemente envolvido em questões políticas e sociais. Por outro lado, seu pai, Konstantinos, é um sujeito indiferente a família e preocupadíssimo com as vendas e lucros de sua firma. Olga, mãe de Dimitri, é uma figura serena que, no entanto, vive escrava de seu próprio destino e das decisões que tomou durante a vida. Do outro canto da Tessalônica, na simples rua Irini, tem Katerina, uma jovem humilde, com um talento inigualável para a costura, que mora ao lado de seus bem queridos vizinhos judeus, entre eles Elias Moreno.

De fato uma aula de história sobre a Grécia do século XX, o livro sai do clima abatido e tímido das primeiras cem páginas e entra em uma narrativa acelerada e empolgante sobre as guerras e conflitos que marcaram a história da Grécia. No início, já imaginava pelo breve resumo da contra-capa que o livro seria, no mínimo, interessante, mas fiquei temeroso que em algum momento ele caísse nos piegas românticos ou que a autora se perdesse na densidade de tantas informações. No final, o que eu esperava que fosse uma leitura amena (acabei pensando que seria por causa dos primeiros capítulos), terminou como uma obra que agora julgo indispensável para amantes de ficção histórica.

Mais sobre: http://oepitafio.blogspot.com.br/2013/05/resenha-o-fio-victoria-hislop.html
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Carol 23/10/2013

O Fio - Surpreendente
O Fio não é um desses livros que a estória te prende de imediato. Precisei de algumas semanas para lê-lo, embora sua linguagem seja bastante simples e o enredo atraente. É uma estória que vai te absorvendo aos poucos e quando você percebe, está completamente imerso.

A estória do livro é sobre laços indivisíveis, principalmente. Um incêndio de proporções gigantescas arrasa a cidade de Tessalônica, por volta de 1917, naquela época a Grécia convivia muito bem com toda a diversidade das cidades. Lá viviam judeus, muçulmanos e cristãos em evidente harmonia. Após o incêndio e a Primeira Guerra Mundial, a paz que reinava sobre a cidade e em toda a Grécia virou caos. Milhares de pessoas perderam suas casas, tantas outras foram deportadas.

Nesse meio tempo, nasce Dimitri Komminos, filho de uma abastada família e Katerina Saraflogou chegou à Tessalônica depois que o exército turco destruiu sua casa na Ásia Menor, perdida da mãe, Katerina acaba sendo adotada por Eugenia e vão morar na Rua Irini, onde sua vida se entrelaçará com a de Dimitri Komminos.

É difícil não imaginar um enredo trágico e piegas, onde os personagens são vítimas do destino e lutam bravamente contra as intempéries da vida e assim, possam enfim render-se ao amor que nutriram. O Fio, da escritora Victoria Hislop, é ambientado na Grécia do século XX, que conta a saga de duas famílias completamente diferentes, mas com algo em comum. Ela expõe sua história e vai entrelaçando os fatos históricos com muita fidelidade, abrilhantando ainda mais o livro.

O início é um pouco morno, extenuante em alguns momentos, e cobre o final da Primeira Guerra Mundial. O clima não poderia ser outro além de resignação, sentimento de perda e de enfado constante por aquele mundo destruído lutando para se reerguer. Nas cidades, aos poucos o comércio retorna as suas atividades e as empresas retomam os seus trabalhos. Os sindicatos surgem e o aparecimento das greves é imediato. Uma forma de comunismo vai se desenvolvendo na Grécia. O livro passa ainda pela Segunda Guerra Mundial e as atrocidades nazistas, caminhando logo após pela ditadura que levou à Guerra Civil na Grécia entre 1946 a 1949, envolvendo as forças armadas do governo monárquico grego e o Partido Comunista da Grécia.

O que fica muito evidente no livro é o papel da mulher perante a sociedade. Naquela época elas serviam de mero adorno, uma muleta social para o homem. O homem solteiro não era visto como um homem de confiança, não inspirava responsabilidade, porém o machismo era algo substancial, onde suas esposas não tinham direito nem da escolha das próprias roupas. Elas ficavam em casa bordando ou apenas cuidando de afazeres domésticos. A relação de Dimitri e Katerina mostra um novo olhar sobre a sociedade que nascia depois de todos os infortúnios que se abateram pela Grécia.

É um livro para ler sem pudores, sem amarras políticas (e eu fiquei um pouco incomodada com a visão da escritora sobre o comunismo). O Fio é um livro que fala de destinos, caminhos cruzados. Um livro de amor em tempos de guerra, do qual recomendo.

site: http://abstratoreal.wordpress.com/2013/10/23/o-fio-victoria-hislop/
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Livretando 14/02/2014

Resenha: O Fio
Victoria Hislop nos presenteia com uma emocionante história, narrada em terceira pessoa. A história de passa na Grécia e percorre um período de cerca de 90 anos. A Editora Intrínseca foi muito feliz com a edição brasileira, pois é bastante caprichada. A capa é com a mesma imagem do original, o livro possui orelhas, foi impresso em papel polén soft, a cor é amarelada e a fonte e a diagramação favorece uma leitura fluida e prazerosa.

O livro não é linear, começa em 2007 quando somos apresentados aos protagonistas da historia, Katerina e Dimitri Komninos, já com idade avançada convidando o neto, que também se chama Dimitri, a tomar um caldo para se livrar de uma ressaca ao mesmo tempo em que eles contam como foi a história deles e porque amam tanto Tessalônica.

Como podemos perceber, o início do livro pode ser considerado um spoiller, pois por mais eventos trágicos que aconteçam você sempre vai saber que eles sobreviverão e ficaram juntos até o final de suas vidas. Para pessoas que gostam do suspense e da descoberta dos acontecimentos de forma paulatina, pode-se dizer que esse início do livro não foi muito feliz, pois tira o elemento surpresa. Fora isso o livro é simplesmente MARAVILHOSO!!!

A narrativa é rápida e a autora não se detém desnecessariamente nos acontecimentos, afinal são 90 anos de história que se mistura entre a vida dos personagens e as narrativas da própria história da Grécia neste período.

Cronologicamente falando, o livro inicia em 1917 com o nascimento de Dimitri e um terrível incêndio que destruiu a cidade de Tessalônica. Neste primeiro capítulo conhecemos Konstantinos Komninos, pai de Dimitri, bem sucedido empresário da área de tecidos que tem uma relação mais intensa com o trabalho do que com a própria família. Os primeiros anos de vida de Dimitri foram praticamente longe do pai, pois, como o incêndio destruiu a mansão em que moravam, eles tiveram que ir morar na antiga casa da mãe de Dimitri, numa rua de casas simples e de pessoas simples. Entretanto, Konstatinos não se habitua ao novo lar.

Depois, a autora nos apresenta Katerina, com apenas 05 anos de idade fugindo junto com sua mãe e sua irmã durante a troca de populações provocada pela guerra entre a Grécia e a Turquia. No tumulto provocado durante o embarque Katerina se perde de sua mãe e vai parar em Tessalônica aos cuidados de Eugênia, que já tinha duas meninas um pouco mais velhas que Katerina.

Eugênia consegue receber uma casa do governo e passam a morar na Rua Irini, que é quase um personagem do livro, pois é onde muitas coisas acontecem. É nessa rua que Dimitri e Katerina se conhecem e se tornam amigos para toda vida. Eles começam a se afastar um pouco quando a casa dos Komninos fica pronta e Dimitri e sua mãe precisam se mudar. Devido serem de “mundos” diferentes, eles vão ficando cada vez mais distantes. Dimitri entra para faculdade de medicina e Katerina se emprega na alfaiataria dos Morenos.

A política é um tema recorrente no livro. E repercute na vida dos personagens, especialmente entre Dimitri e Konstatinos que tem posicionamentos políticos divergentes, sendo Dimitri de esquerda e Konstatinos de extrema direita. Devido seus ideais Dimitri entra para o exército para lutar em favor da Grécia durante a II Guerra Mundial, para que a Alemanha não se apodere do território grego.

O livro envereda por diversos conflitos tanto históricos quanto humanos e sociais. E embora sério, existem momentos, raros, de humor. Mas é preciso ler para sentir. O livro foi extremamente prazeroso de ler. Então, vamos encontrar “o fio” da meada? Vamos saborear uma leitura extraordinária e cativante?

site: http://livretando.blogspot.com.br/2014/01/o-fio-victoria-hislop.html
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Tacyana 22/01/2015

Uma história maravilhosamente rica e envolvente... Excelente leitura!
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