A Insustentável Leveza do Ser

A Insustentável Leveza do Ser Milan Kundera




Resenhas - A Insustentável Leveza do Ser


768 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Jonara 15/04/2010

Este é decididamente o livro mais humano e mais profundo que eu já li. Conta a história da vida de 4 personagens, Thomas, Teresa, Sabina e Franz. Kundera é muito delicado e sensivel ao construir cada um deles, e eles são muito verdadeiros em todas as suas atitudes, pensamentos e principalmente sentimentos. É tão raro a gente ler um livro onde conseguimos nos identificar realmente com algo. Onde a descrição das sensações e contradições das nossas atitudes consegue ser tão real. Quantos livros já lemos em que as relações são fantasiosas, idealistas, exageradas, ou simplesmente falsas. Este livro me encantou de uma forma que nenhum outro jamais chegou perto, em se tratando de relações humanas. Me acertou em cheio, justamente por ser tão sincero. O peso e a leveza são bons e são ruins, os instantes em que ocorrem, um ou outro, determinam se são positivos ou negativos. Faz sentido a leveza ser muitas vezes insustentável. Faz sentido as coisas chegarem ao um limite, e o limite das coisas é algo determinante. Sempre pensei nisso, nos limites e bordas das coisas/ cidades/ sentimentos. São as áreas mais delicadas de todo o resto. Quando ele fala das situações em que os polos opostos se aproximam a ponto de unir seus limites, e a questão se torna de uma leveza insustentavel, não sei como explicar mas isso faz um sentido absurdo para mim.

Achei simplesmente fantástico. Não é um livro que recomendo a todos. Acho que é preciso ter vivido um pouco antes de ler ou não vai ser aproveitado como deveria. E também acho que deve ser lido com muita atenção, calma e tempo, para pensar em cada um dos personagens profundamente, para refletir sobre os relacionamentos em geral. Aos que embarcarem na leitura, aproveitem bem!
Graça 27/05/2010minha estante
Que bom que eu embarquei. Que bom que aproveitei. E é por isso que que fico feliz em ler um comentário tão sensível. Parabéns.


Daniel 09/11/2012minha estante
Um grande livro, sem dúvida. Sua resenha me deu vontade de relê-lo


Antonio.Raimundo 23/03/2019minha estante
Li "A insustentável leveza do ser" aos 25 anos e gostei, a partir da sua resenha vou reler, pois acho que hoje terei outra percepção desta obra. Obrigado por ter me despertado essa vontade.


Douglas 16/09/2020minha estante
Excelente resenha, Jonara


Jimena 06/10/2020minha estante
Acabei de lê-lo e sua resenha não poderia ter sido mais acurada!


Maria 13/10/2020minha estante
Excelente resenha. Definitivamente, eis um livro a ser relido!


gon 02/12/2020minha estante
Terei de ler novamente após essa resenha.


Lana 06/12/2020minha estante
Estou lendo agora e de um terço só falta uma parte pra eu terminar e essa resenha conseguiu me representar perfejtamente


Lari 11/01/2021minha estante
AHHHHHHH terminei esse livro faz três dias e estou em uma ressaca literária cruél. Louca para ter alguém e conversamos sobre. É sem dúvida um dos livros mais sensíveis e mais humano que já li. Kundera é fantástico, poético, realista, visceral. Ele desenvolveu quatro personagens totalmente diferentes, deacreveu o mais íntimo de cada um deles em riqueza de detalhes, dentro de um romance, deixou clara sua visão sobre a vida e acrescentou fatos históricos e movimentos políticos que são presentes e estão em plena ação até os dias de hoje. Estou simplesmente apaixonada pela personagem Tereza, só penso nela desde que terminei o livro, talvez seja um pouco dramático, mas eu sinto como se eu e ela fôssemos fundidas, uma só pessoa.


Juliana 18/09/2021minha estante
Acabei de ler. Gostei muito do livro e de sua resenha.


Ravs 19/12/2021minha estante
Sua resenha é perfeita em cada frase.

Identificar-se com os personagens é algo natural e refletir a cada situação que passam nos faz enxergar a nossa própria vida com aqueles dilemas.




Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

A insustentável leveza do ser, Milan Kundera - Nota 9,5/10
Escrever sobre um clássico da literatura como “A insustentável leveza do ser” não é nada fácil! E isso se dá, principalmente, pelo fato de a obra de Kundera ir muito além de uma simples história sobre dois casais, amor e traição. E isso já é facilmente percebido pelo leitor que, logo no início do livro, se depara com diversas reflexões. E é isso mesmo: se valendo do papel de um narrador ativo, Kundera vai preenchendo o enredo com questionamentos filosóficos e reflexões sobre o ser humano e seus relacionamento. E como pano de fundo para essa obra, Kundera apresenta a vida de quatro personagens, Tomas, Tereza, Sabina e Franz, na Praga, ocupada pelos soviéticos, da década de 60. São dois casais que vivenciam conflitos constantes entre sexo e amor e que têm como ponto em comum a busca pelo sucesso em suas relações afetivas. No entanto, o que é esse sucesso? Aí que está a genialidade do autor, que mostra como cada indivíduo, com suas próprias angústias e anseios, possui diferentes formas de enxergar a leveza (e o peso) do ser. E é essa oposição peso e leveza que influencia de forma distinta as escolhas dos personagens e como cada um deles vai reagir aos acontecimentos de sua vida. Também me chamou a atenção a capacidade que o autor tem de entrelaçar os aspectos históricos da República Tcheca com a vida dos personagens, dando uma forte sensação de perda de identidade de um povo.

Um livro profundo e reflexivo, daqueles que fica inteirinho marcado ao final e que ainda vai precisar de novas leituras…Ah, recomendo muita atenção na leitura, já que, apesar de usar uma escrita simples, a narrativa construída por Kundera não é linear, com um intenso vai e volta. Leitura recomendadíssima!

"Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais real e verdadeira ela é.

Em compensação, ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semirreal, e leva seus movimentos a ser tão livres como insignificantes.
O que escolher, então? O peso ou a leveza?".

site: https://www.instagram.com/book.ster
Fer 20/04/2020minha estante
Adoro as suas resenhas, Pedro! Comecei a ler esse livro depois de ver a indicação no seu insta.


13/01/2021minha estante
Esse livro é maravilhoso!




Alê | @alexandrejjr 23/05/2020

Um livro sobre ideias

Para começar a falar sobre este livro do Kundera vou recorrer a um contemporâneo seu, o escritor espanhol Javier Marías. Marías gosta de publicizar a ideia de que é possível pensar de uma maneira literária, ou seja, assim como existe o pensamento matemático ou o pensamento biológico para entender aquilo que nos cerca, a literatura também possui esse poder. Para mim, "A insustentável leveza do ser" é um exemplo magnífico dessa categoria.

Entendam. Este livro permite, mais do que a maioria dos romances, inúmeras interpretações. Portanto, a minha é esta: Kundera está interessado em provocar o leitor, fazer - e aqui recorro mais uma vez ao Marías - com que você reconheça algo que já sabia ou até mesmo que aprenda algo que desconhecia. O autor está interessado no poder das ideias. Junte tudo isso a cinco personagens - sim, a cadela tem a sua importância -, uma análise histórica sobre a Primavera de Praga, as consequências do totalitarismo comunista, e por último mas não menos importante, um anseio imensurável pela questão da liberdade. Pronto, você tem a fórmula base de "A insustentável leveza do ser".

Ótimo livro com ritmo cadenciado na dose certa. Além disso, é uma recomendação perfeita para quem procura sair da sua zona de conforto, seja ela literária, filosófica ou política.
caroline 16/05/2021minha estante
eu amo tanto esse livro ?


Alê | @alexandrejjr 16/05/2021minha estante
Esse livro é incrível mesmo, Caroline. Vale uma revisita em um futuro incerto.




Otávio - @vendavaldelivros 08/02/2021

“Já disse que as metáforas são perigosas. O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no instante em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética.”

A vida é uma eterna impossibilidade de voltar a ser. Nada que fizemos uma vez poderá ser feito novamente da mesma forma, no mesmo onde e quando. Viver é uma experimentação eterna e uma busca constante por resultados favoráveis que nos levem à felicidade. Um caminho em linhas, que mesmo tortuosas, sempre seguem na direção inexorável do fim. Não se sai da leitura de “A Insustentável leveza do ser” da mesma forma que se entra e isso é uma prova de que a vida segue seu fluxo ininterruptamente.

Escrito pelo tcheco Milan Kundera e lançado em 1982, “A insustentável leveza do ser” passa pela história de quatro personagens principais: Tomas, Teresa, Sabina e Franz. É através de suas percepções sobre a política, o sexo e principalmente a vida, que mergulhamos na história que não segue uma linearidade de enredo e muito menos uma linha do tempo contínua. Talvez tenha sido esse o objetivo de Kundera: Ofuscar e abdicar de uma linearidade em prol de uma intensidade de experiências pelas quais suas personagens passariam.

O amor aqui é mostrado como de fato pode ser: Plural, particular e único. Cada personagem enxerga o amor pelo seu prisma e faz dele a sua verdade. A Primavera de Praga revela uma história que acaba sendo soterrada nos estudos sobre a Guerra Fria. A forma de repressão da União Soviética, a dominação dos tchecos e a expulsão de intelectuais do país, retratados pelos olhos principalmente de Sabina e Tomas, é latente na obra.

O erotismo, tão julgado por alguns como exagerado, a mim pareceu muito bem dosado. Afinal, tal qual o amor, nossa sexualidade é vivida de forma particular. O sexo é parte fundamental da vida humana e a forma como lidamos com ele diz muito sobre nossa forma de viver a vida. Por fim, o desenrolar da história de Karenin, que me levou às lágrimas por lembrar de uma experiência tão parecida e dolorosa.

Filosófico do início ao fim, a insustentável leveza do ser estimula diversos tipos de questionamentos sobre a nossa própria vida e como encaramos a humanidade. Desperta perguntas, mas deixa claro que nós, na busca do equilíbrio entre o pesado e o leve, é que precisamos encontrar as respostas.


site: https://www.instagram.com/p/CLC7IdOjP-S/
Uil Melo 08/02/2021minha estante
Que resenha maravilhosa!


Flah 10/02/2021minha estante
Que resenha perfeita ??


Otávio - @vendavaldelivros 10/02/2021minha estante
Obrigado, meninas! :)




L. 11/08/2020

Este livro acaba levando em diversas
direções, por isso, a
história de cada um dos personagens
é uma espécie de emblema que evolui das
diversas configurações possíveis: necessidade e
contingência, fidelidade e traição, realidade e sonho,
corpo e alma, peso e leveza, uno e múltiplo, força e fraqueza.
Sávio 12/08/2020minha estante
Laís, li esse livro em 2019 e tive percepção muito semelhante a sua...


Pan 14/08/2020minha estante
Esse livro me fez entender melhor os humanos


Sávio 15/08/2020minha estante
Sim...sim...e o quão complexo somos!!




Thaís | @analiseliteraria 10/07/2020

Sobre pesos insustentáveis...
Publicado em 1984, o título do livro não poderia ser mais apropriado. Finalizei a leitura com um nó na garganta, sentindo um peso insustentável que me fez prender a respiração. Filosófico, difícil, veraz. Não é um livro para ler a qualquer momento da vida, correndo o risco de ser incompreendido. É uma sequência de acasos e escolhas que torna a história tão íntima e possível. Não existe como verificar as possibilidades, a vida não permite ensaio, somos condenados a escolher e nossas escolhas e não-escolhas vão se repetir e repetir, tornando-se um peso insustentável. ⁣
Quatro protagonistas, Tomas, Tereza, Sabina e Franz; amor, erotismo e várias traições. Praga está tomada pelo totalitarismo soviético da década de 60 - contextos reais como a Primavera de Praga. Kundera vai questionar a dualidade citando o filósofo Parmênides, que dizia que o leve é positivo e o pesado é negativo. "Teria ou não razão? A questão é essa. Só uma coisa é certa. A contradição pesado/leve é a mais misteriosa e a mais ambígua de todas as contradições". O autor tcheco também se utiliza do Eterno Retorno de Nietzsche na narrativa, não só como teoria que se apresenta nos acontecimentos da história - que tendem a se repetirem-, mas na própria forma como o livro é escrito; não linear, voltando ao passado para repeti-lo.⁣
Tereza, quando se oferece para trazer ao marido suas amantes, me fez querer levá-la para a terapia. A que ponto desce uma mulher emocionalmente dependente. A submissão beira o absurdo. O Franz praticamente se anula por paixão. Tomas e Sabina me interessaram mais, mas a leveza de suas liberdades, uma hora pesou. O destaque vai para Kariênin, a cadelinha que me fez refletir sobre o amor desinteressado. ⁣
Não acho que personagem algum tenha optado pelo peso ou pela leveza, mas que isso se alterne em suas vidas. Não entendo que as coisas sejam dicotômicas. Pode haver algum conforto no peso, que traga leveza. Pode haver um fardo na leveza, que logo pesa. Acho que se trata disso o livro, não sobre os personagens em si, mas sobre relações e escolhas, com seus pesos insustentáveis.

site: @analiseliteraria
comentários(0)comente



Amanda 12/01/2021

Complexo
Certamente eu preciso de uma releitura para poder opinar melhor sobre o livro. Mas, já recomendo para os que gostam de filosofia, é um ótimo romance filosófico; e as partes políticas - que acabam muitas vezes refletindo nas decisões dos personagens- são bem ricas. Já adianto que é um livro que requer muita atenção na leitura (algumas vezes fiquei confusa/perdida).
comentários(0)comente



Rodrigo 25/07/2020

E o título de livro difícil de 2020 vai para...
Eis aqui um livro que me incomodou ao longo de um mês inteiro... eu sou do tipo de leitor lento, que busca me certificar que cada frase escrita foi compreendida, e qual era o intuito do autor ao escrevê-la. Nesse sentido, A insustentável leveza do ser foi pra mim um desafio grande, vencido às duras penas de 10p por dia, não mais que isso. Mas, por se tratar de um livro cult, tão querido por leitores mais experientes que eu, fiz um pacto com ele de manter o ritmo nessa maratona literária até o fim, e esse dia chegou.

O livro conta a história de dois casais, que formam opostos entre si. O primeiro, Tomas e Tereza. Ele um médico quase quarentão bem sucedido em Praga, que, após o fim de um casamento sufocante, resolve adotar o estilo de vida descompromissado dos solteirões que trocam de namorada a toda hora. Tereza, uma moça mais nova e vinda do interior, e extramente frágil emocionalmente. No início do relacionamento, ele é a sua razão de viver, enquanto que Tomas se vê incapaz de se livrar dos seus relacionamentos extra-conjugais, mesmo morando com Tereza, o que obviamente, a faz sofrer.
O segundo casal, Franz e Sabina. Ele, preso a um casamento falido, mas sem coragem de abrir mão da segurança afetiva cultivada por anos, se apaixona por sua amante, que é uma jovem artista plástica de alma libertária. Para Franz, Sabina é a sua felicidade, aquilo que lhe dá sentido à vida, enquanto para ela, a possibilidade de transgredir uma regra social universal (não se relacionar com pessoas casadas), é o que lhe prende nesse relacionamento natimorto.

Ao fundo, há uma ficção histórica interessantíssima, que narra a opressão da União Soviética ao povo Tcheco, durante a imposição do regime comunista, com todos os tentáculos dessa ideologia doentia, e que aos poucos vai afetando a vida da sociedade, e também a dos dois casais.

A obra tem como ideia central fustigar o leitor com o seguinte questionamento: o que vale mais a pena na vida: ter uma vida leve e insignificante ou uma vida de cheia de fardos e reconhecimento? Isso fica explícito a cada mudança de rumo, até a última página.

Por fim, o excesso de passagens filosóficas acabou por me deixar extenuado, mesmo tendo havido alguma empatia com o protagonista do livro (Tomas), e, apesar de ter nascido em mim um sentimento bom de admiração pela obra, acho ( e espero) que não sentirei saudades.
comentários(0)comente



Aline T.K.M. | @aline_tkm 14/02/2015

Essencial para a vida toda
Sabe aquele sentimento único que se experimenta ao deparar-se com o – ou um dos – livro da sua vida? Pois foi este o carimbo que A Insustentável Leveza do Ser, clássico contemporâneo do tcheco Milan Kundera, deixou em mim.

Praga, fim da década de 60; a Primavera, ocupação soviética, regime comunista, opressão. Os holofotes se revezam entre quatro protagonistas: Tomas, Tereza, Sabina e Franz. O libertino Tomas e a doce Tereza dividem o teto e a vida, e se apoiam em seu amor. Sabina, amiga e amante de Tomas, é dona de si, fugaz e muito sexual. Já Franz é idealista e sonhador. Através das décadas, acompanhamos os relacionamentos, as frustrações e o destino dessas quatro pessoas, em um retrato emoldurado pelo caráter passageiro da vida.

Durante as pouco mais de trezentas páginas do livro, Milan Kundera nos leva numa jornada filosófica pela natureza do ser humano, dos relacionamentos, da vida. Análise com muito de psicológica, que tem como apoio a teoria do eterno retorno de Nietzsche e as ideias de Parmênides quanto à oposição entre o pesado e o leve.

Se por um lado o peso comprime, ele também torna tudo mais real, mais vivo e intenso, dá sentido e vínculos ao ser humano. Já a sua ausência, a leveza – ou a falta de um fardo –, faz voar e distancia do real, conferindo liberdade e despreocupação, mas trazendo também a ausência de laços e compromisso, a insignificância. Se considerarmos então o eterno retorno, retiramos a fugacidade das coisas; a vida passa a ser uma série de repetições, rotinas, o que torna tudo carregado de responsabilidade, de um peso impossível de ser ignorado ou levianamente perdoado. A questão que o autor nos traz é justamente se o peso seria verdadeiramente cruel e a leveza, bela e sempre desejável.

Ao dissecar os personagens, Milan Kundera descortina o ser humano em sua essência, seus desejos e motivações. Com metáforas e uma narrativa suficientemente densa, o autor nos carrega para as profundezas do amor, da sociedade e mesmo do mundo; fala de carências e solidão, das diferentes motivações da pessoa adúltera e do tipo de olhar que cada ser humano busca e necessita. Fala de candura e da entrega incondicional, livre de qualquer peso, personificadas na pele da cachorrinha Karenin.

E, ainda, fala da dualidade existente no âmago de cada um de nós. Exemplo disso é a relação de Tomas e Tereza. Ele não consegue se privar de seus desejos, tampouco pode viver sem Tereza (ainda que por vezes a considere um peso em sua vida, além de expressar pena da moça). Ela – traumatizada pela mãe e que tem uma relação peculiar com o próprio corpo e os espelhos – é ciente das traições do companheiro, mas segue obstinada ao seu lado em um sofrimento mudo, cujo único meio de escoamento se dá através de pesadelos constantes. A fortaleza de um não vive sem a fragilidade do outro, e vice-versa.

Eleger um dos protagonistas como o mais significativo é tarefa impossível, mas não posso esconder que tive, sim, um preferido. A pintora Sabina tem na traição um modo de vida, algo que lhe atrai e dá prazer e, sobretudo, do qual sua essência não lhe deixa escapar. Não se trata somente da traição carnal: ela trai o puritanismo do pai, o comunismo na Escola de Belas-Artes (Sabina admirava Picasso), e, de certa maneira, a identidade do próprio país.

Mas tão essencial quanto as histórias entre os protagonistas, é toda a faceta política, histórica e social que permeia a trama. Diante da invasão russa na Tchecoslováquia, todos os quatro se verão por vezes de mãos atadas, oprimidos em uma pátria que inevitavelmente deixa neles sua marca indelével – por mais distantes que estejam dela fisicamente.

Existencialista, A Insustentável Leveza do Ser desconcerta. É aquele livro que nos faz querer saborear intensamente cada parágrafo, para então digeri-lo; que nos faz encarar os vazios dos personagens só para nos darmos conta de que não diferem muito do vazio que reside em nosso próprio ser. É o título que, ao lado de Cem Anos de Solidão, conquistou o posto de livro essencial da minha vida.

LEIA PORQUE...
É uma leitura encorpada, complexa – no melhor sentido da palavra – e que exige certa entrega da parte do leitor. Esteja preparado: provavelmente se tornará um dos livros mais inesquecíveis que você já leu.

DA EXPERIÊNCIA...
É difícil resumir em uma resenha tudo o que esse livro traz. Além da narrativa que toca fundo, digo que encontrei nele praticamente tudo de que mais gosto em uma leitura: conteúdo bastante psicológico, análise profunda dos personagens, divagações sobre as coisas da vida, contexto sociopolítico relevante para a trama, entre outros.

FEZ PENSAR EM...
"O sentido de um fim", de Julian Barnes. Também reflexivo, o livro fala sobre “a pequenez da vida”, o tempo, a memória. Vale a leitura.


site: http://livrolab.blogspot.com
Vic 22/03/2015minha estante
Fantástica resenha!


Thiago 30/03/2015minha estante
Li há muito tempo mas me interessei por relê-lo depois de ver seus comentários. Parabéns !!!!


Luis 05/05/2017minha estante
Nossa! Concordo demais. Ele também está junto com Cem Anos de Solidão pra mim.


Amanda 31/01/2018minha estante
Resenha maravilhosa!




_deh.m 29/09/2021

Sensível
Melhor livro!!
Um dos livros mais humanos que ja li, profundo sensível.
A forma como desenvolve cada personagem como você cria uma ligação com a história de cada um.
Acho que falto desenvolver um pouco o Franz, mas a história é muito bem feita a escrita prende.
Eu amei muito!!!!
comentários(0)comente



Renato Medeiros 25/09/2010

O exercício da liberdade insustentável

O homem está condenado a ser livre, já dizia Sartre, mas para o escritor tcheco Milan Kundera essa liberdade se mostra insustentável, pesa mais que o próprio peso. Essa é uma das conclusões que podem ser tiradas de seu clássico A insustentável leveza do ser (Cia. de Bolso, 2008), que mais parece um ensaio filosófico sobre a existência do que um romance. Nele, o autor investiga o que há por dentro dos seres, mergulhando no íntimo de suas personagens.

A jovem Tereza esbarrou na vida de Tomas, um respeitado médico de Praga, por causa de seis acasos. Porém, antes de Tereza, a pintora Sabina já era amante dele há muito tempo e não deixou de ser. A distância acaba separando os amantes e Sabina tenta encontrar em Franz, professor universitário suíço, as mesmas qualidades que via em Tomas. É nessa intrincada história de encontros e desencontros que temas como o amor, a traição, a lealdade e o sexo são abordados, na tentativa de detectar as particularidades da natureza humana.

Mas antes o autor explora o que há de mais singular em cada uma das personagens para só depois encontrar essas particularidades e concluir que a busca comum a todos os seres é a busca pela felicidade, que necessita de liberdade para ser plena. Uma liberdade tão leve que passa a ser inadmissível, imensurável, e que por isso é insustentável.

O romance também parece defender uma faceta política, principalmente na sexta parte, quando passa a ter uma preocupação mais intensa com questões vividas no leste europeu durante o período de Guerra Fria. Fica evidente a insatisfação do autor com o regime comunista instaurado na Checoslováquia na segunda metade do século XX, tanto que algumas vezes o texto assume um caráter de denúncia. Talvez esse tenha sido um dos motivos que fizeram com que o livro causasse tanta polêmica ao ser publicado em 1982, quando a União Soviética ainda controlava o país.

É nessa atmosfera pesada que vive Tomas e Tereza. Entretanto, mesmo sob a repressão de um regime ditatorial, sempre se é livre para pensar e sentir. É uma responsabilidade da qual não se pode escapar, da qual não se pode colocar a culpa no regime. A alma pesa mais que o próprio corpo e aqui ela deixa de lado as possíveis conotações religiosas para assumir o sentido de parte mais íntima de um ser. É sobre esse pedaço tão leve e não-palpável de humanidade que Milan Kundera pousa o seu olhar. É a investigação dessa leveza absurda que se sobrepõe a qualquer limitação carnal, espacial ou temporal.

O livro promove um diálogo constante entre o individual e o coletivo. O escritor considera que a existência em coletividade experimenta uma espetacularização contínua. É a vida de aparências, que ele chamou de Kitsch e que banaliza a individualidade dos seres. A humanidade mantém uma Grande Marcha em direção ao progresso, a uma evolução inesgotável. Entretanto, Tereza se afasta dessa marcha quando percebe que a felicidade, objetivo final daqueles que a percorrem, não anda em linha reta, mas sim em círculos. É na repetição que se encontra a felicidade.

Observa-se aí uma crítica não apenas àquele regime ditatorial, mas ao próprio caminhar da humanidade em direção a um desconhecido e incerto futuro, em busca de uma felicidade que poderia ser encontrada sem precisar ir tão longe ou arriscar tanto. Um caminho que o ser humano percorre desde que fora expulso do Paraíso, como é sugerido no livro.

Quanto à estrutura, a narrativa é dividida em sete partes, cada uma com vários capítulos curtos e que oferecem certa facilidade de leitura. Esse estilo de escrita pode ser considerado uma estratégia para atrair o leitor e prendê-lo até a última página. No caso de A insustentável leveza, esse recurso funciona.

O que não funciona é a insistência com que o autor responde às suas próprias indagações. Milan Kundera escreve para si mesmo, tanto é que são várias as passagens em que ele usurpa o papel de seu narrador e se coloca francamente diante do leitor, admitindo isso. Parece que ele quer utilizar a força da literatura para mascarar suas intenções, para não tornar-se tão explícito. As indagações não são detectadas nas entrelinhas. É como se a trama servisse apenas para exemplificar as idéias de seu autor.

Dessa maneira, nem o romance e nem as personagens sobrevivem sem Milan Kundera. Essas personagens parecem ser meras enunciadoras de conceitos, não conseguem pensar, sentir ou agir sem a presença do escritor. Afinal, ele pensa tanto por elas que, presas como marionetes em suas mãos, não exercem com leveza a liberdade de existir nas mentes dos leitores.
comentários(0)comente



Cinara... 09/06/2021

"A vida humana só acontece uma vez e não poderemos jamais verificar qual seria a boa ou a má decisão, porque, em todas as situações, só podemos decidir uma vez. Não nos é dada uma segunda, uma terceira, uma quarta vida para que possamos comparar decisões diferentes."


Outra releitura, agora de um livro favorito que eu achava que não lembrava nada, só achava mesmo, estava tudo aqui guardado em mim!
Ahhhh que eu choro com a Kariênin igual choro com a Baleia???????
Sim perfeito, sim continua favorito e continua me fazendo chorar!
re.aforiori 16/06/2021minha estante
?A insustentável leveza do ser? foi o melhor livro que li este ano, até aqui.
Surpreendi-me muito com escrita de Kundera.
Pretendo ler outros livros dele, em breve... ?




Bebela 29/07/2020

O peso ou a leveza?!
O fardo mais pesado é também, ao mesmo tempo, a imagem do momento mais intenso de realização de uma vida. Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira é... Que escolher, então? O peso ou a leveza?


Um livro para ser lido no momento certo. O desenrolar dos personagens se baseia no contexto histórico e filosófico. As discussões acerca do peso e da leveza e do kitsch são bem proveitosas.
Uma leitura engrandecedora.
Hudson 30/07/2020minha estante
Vou ler com toda certeza!!


Bebela 07/08/2020minha estante
Leia! Espero que goste ?




Marcus 23/08/2021

A insustentável leveza do ser é um livro que trata principalmente sobre as relações humanas. Nós temos como núcleo basicamente quatro personagens, Tomas, Tereza, Sabina e Franz. Tomas que é o famoso cara boêmio que vive para ter experiências sexuais com diversas mulheres até que sua vida sofre uma mudança ao encontrar uma mulher num bar, Tereza. Passamos então a acompanhar os conflitos desse casal.

Foi um livro interessante de se ler, tem uma história que pode aparentar ser meio chata e desinteressante, mas ela está repleta de profundos ensinamentos. Apesar disso, não sei se eu recomendaria sua leitura kkkkkk.
comentários(0)comente



768 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de Privacidade. ACEITAR