O Menino Que Via Demônios

O Menino Que Via Demônios Carolyn Jess-Cooke




Resenhas - O Menino Que Via Demônios


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Eveline 19/04/2013

O menino que via demônios
Antes de começar a resenha, gostaria de compartilhar como este livro inusitado chegou às minhas mãos.
Este livro chegou de repente em minha casa, minha primeira cortesia do Skoob, espero que seja a primeira de muitas! Mas quando li o título me senti um pouco decepcionada. Entre tantas cortesias, ganhei a que menos me atraía. Logo em seguida, comecei a leitura e para minha surpresa me vi várias vezes pensando na história de Alex.
Alex é um menino que vê demônios. Ele não vê anjos, apenas demônios. Ele mora com sua mãe Cindy que, após a morte do pai de Alex, entrou em um processo de depressão e autoflagelação, com três tentativas de suicídio no "currículo", todas elas na frente de Alex. Os dois moram em Belfast, capital da Irlanda do Norte. Também esta é a cidade de Annya, uma psiquiatra infantil que foi designada para acompanhar Alex, devido a mais uma tentiva de suicídio de Cindy.
Annya tem os seus próprios conflitos e traumas devido há uma infância marcada pela esquizofrência e um problema de saúde com sua filha, Poppy.
O livro alterna os capítulos de acordo com os pontos de vista de Annya e Alex, cada um narrando os fatos segundo o seu olhar. Será que Alex vê mesmo demônios? Ele têm alguma ligação com o mundo espiritual? Porque Annya se sente tão interessada no caso dele? Qual é o problema de saúde de Poppy? Como isso afeta a vida de Annya? Essas e outras perguntas são respondidas no livro.
Me senti fascinada por ler sobre um assunto que não tenho muito conhecimento: doenças mentais. Também fiquei curiosa por conhecer um pouco mais sobre a história da Irlanda do Norte e seus conflitos.
O livro é muito bom e foi um belo presente do Skoob para mim. Aprendi que não posso julgar um livro por seu titulo e que preciso rever alguns paradigmas, assim como Annya.
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Andreia Santana 22/06/2013

O pai de todos os males
Em 1942, no auge da II Guerra, C. S. Lewis (As crônicas de Nárnia) escreveu um livro soturno e irônico sobre a condição humana, em homenagem ao velho amigo J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis).

Cartas de um diabo a seu aprendiz conta a história do diabo Fitafuso, que escreve missivas ao sobrinho Vermebile para orientá-lo sobre os melhores truques para desencaminhar as almas humanas.

Inspirada no clássico de C. S. Lewis, a irlandesa Carolyn Jess-Cooke pensou em criar um roteiro de cinema, mas concebeu O menino que via demônios, unindo a ideia de um diabo que faz de tudo para tentar um garoto de boa índole, com o drama da esquizofrenia precoce.

O cenário da história é a cidade de Belfast, capital da Irlanda do Norte. E o contexto, os dramas familiares nascidos na esteira dos conflitos políticos e religiosos e os consequentes ataques terroristas -, no país, nas últimas décadas do século XX. Dramas que permanecem pintados nos muros da cidade, como lembrete do passado sangrento.

Alex, o protagonista, tem dez anos, é precocemente amadurecido e vive em um lar instável. Responsável por tomar conta da mãe, em depressão desde que o pai, integrante de um grupo terrorista, desapareceu; usa a imaginação como válvula de escape da violência.

Alex é bom desenhista, gosta de atuar, e tem muito afeto pela mãe depressiva e por um cão de estimação. Mas carrega segredos e dores acumuladas em uma vida de privação material e solidão. A psiquiatra infantil Anya Molokova, que possui um histórico familiar de loucura, é designada para avaliar o menino e está convencida de que ele sofre de esquizofrenia. Alex diz que seu melhor amigo é o demônio Ruen, de mais de nove mil anos, e que tem a missão de estudar e tentar os humanos.

O menino participa de um grupo de teatro que fará uma montagem moderna de Hamlet, de William Shakespeare. Outras crianças com famílias desajustadas e que vivem da assistência do governo integram o elenco. Ao longo dos ensaios, quanto mais se envolve com a história do príncipe dinamarquês em busca de vingança para apaziguar a alma do pai assassinado, mais coisas estranhas ocorrem ao redor de Alex.

O grande trunfo do livro é a dualidade entre realidade e fantasia, lucidez e loucura, mas sem maniqueísmos, fórmulas definidas ou soluções óbvias. A narrativa é rica em metáforas inteligentes, envolta em atmosfera aterrorizante e ao mesmo tempo dramática. Anya e Alex se revezam para contar a história a partir de seus diários pessoais.

O pragmatismo da psiquiatra não é destituído de humanidade. Por mais que tente, Anya não consegue o distanciamento profissional do caso. Já Alex, embora tenha momentos de grande credulidade, não deixa de ter autocrítica e questionar o mundo e as atitudes tanto dos adultos quanto de Ruen, que faz às vezes de alter-ego ou do lado obscuro da alma do menino.

O leitor nunca tem certeza se Alex possui mesmo um demônio de estimação ou se precisa de ajuda médica. O personagem equilibra-se em linha tênue prestes a se romper e vive em meio a adultos que ao invés de dar-lhe suporte, projetam nele as próprias fragilidades.

Descobrir se Ruen é ou não fruto da imaginação de Alex é o de menos e cada leitor tirará suas conclusões. Uma coisa no entanto, é consenso, o roteiro que virou romance daria um bom filme de suspense.

*Resenha escrita para o Caderno 2+, suplemento cultural do jornal A TARDE, em Salvador-BA, onde sou colaboradora na sessão de literatura, e publicada em 21-06-2013
Romildo 08/10/2013minha estante
Sua resenha me convenceu a ler o livro. Muito obrigado e parabéns pelos textos - sim, olhei outras críticas suas).


Renata CCS 14/01/2014minha estante
Que resenha instigante! Gostei da proposta deste livro.




Yasmin 06/06/2013

Tocante, uma bela narrativa e um personagem marcante. Triste e belo.

Não esperava receber esse livro como o título de março da editora Rocco. Foi uma completa surpresa porque a editora que escolheu os livros daquele mês e estava bastante reticente sobre a história. O título por si já impressiona o leitor desavisado que parte para suposições. Carolyn Jess-Cooke surpreende a todos com um cenário incomum e uma narrativa subjetiva que entremeia a triste realidade de crianças com famílias despedaçadas, e doenças mentais infantis, como a esquizofrenia.

Alex é um garoto de dez anos muito diferente dos outros. Ele é solitário e vive com a mãe em uma casa caindo aos pedaços do subúrbio de Belfast. A mãe não é mais a mesma desde que o pai de Alex morreu. O garoto não lembra quase nada do pai e a mãe não contou para ninguém quem ele era. A mãe o proibiu de tocar no assunto. Alex é independente para sua idade. Ele mesmo se vira na cozinha preparando cebola com pão. Já que se pode comprar muita cebola com pouco dinheiro. Já faz um tempo que Alex enxerga demônios. Seu melhor amigo é Ruen, um demônio que aparece para ele em quatro figuras. Quando Alex presencia a quarta tentativa de suicídio de sua mãe a situação muda. Com a mãe no hospital e casa no estado em que estava Alex é encaminhado para a doutora Anya, médica e psicóloga especializada em doenças psiquiátricas infantis. O assistente social que já acompanhava Alex não quer que o garoto seja internado, mas a vivacidade das descrições de Ruen, das conversas entre eles e dos outros demônios impressiona Anya. Para ela a postura de Alex e esse amigo indicam o começo de esquizofrenia e Anya não vai descansar enquanto não descobrir a história e a verdade sobre Alex. Anya perdeu sua filha de doze anos para o suicídio por não enxergar o quão grave era o caso e não quer cometer o mesmo erro com Alex. Mas tem outra coisa preocupando Anya, como Alex poderia saber tanta coisa sobre ela? Seria apenas a percepção infantil exacerbada que se mostra em casos de doenças psiquiátricas na infância ou algo mais? Estaria Anya, uma médica conceituada considerando a possibilidade de Alex realmente ver demônios?

A premissa básica é essa, e é mergulhando no cenário melancólico da Belfast uma geração após os conflitos sangrentos que marcaram a capital da Irlanda do Norte que a autora desenvolve engenhosamente a história de Alex. A primeira vista o título pode enganar sugerindo algo sobrenatural, mas os meandros da história criada por Carolyn Jess-Cooke são muito mais profundos e complexos. A autora executa seu enredo com maestria, uma dança habilidosa onde desenvolve o tema saúde mental, as ramificações e os impactos na vida de todos que cercam Alex assim como Anya. A autora usa a sugestão como ferramenta e joga ao não confirmar nada mostrando nas entrelinhas a complexidade e os efeitos devastadores da doença.

Apesar da natureza pesada e triste do tema a história soa de forma esperançosa através do olhar inocente de Alex. O ritmo é acertado, num tempo perfeito e a autora delicadamente revela partes do passado de Alex construindo uma trama simples, mas surpreendente e perspicaz. Alex é inteligente e perceptivo para a idade dele, que absorveu a dura realidade em que vive como uma esponja. E se a dureza da realidade pode destruir uma pessoa, imagina o peso para uma criança. Sem pirraças e choros, sem uma forma de pôr as emoções para fora Alex é um retrato injusto de mini adulto. Em seus dez anos já presenciou mais violência do poderia se supor e escondido na infinidade da mente isso se transformou. Custando a Alex um preço alto, que reflete em tudo na sua vida. A autora merece todo mérito por trazer de forma tão delicada a doença mental infantil à baila. E ao final o que fica é a sentença máxima que todos nós temos nossos próprios demônios.

Leitura que absorve o leitor, que concentra nossas energias e que vai te atingir de maneiras diferentes e únicas. Seja pelo seu lado peculiar ou por seu protagonista que desperta tantos sentimentos no leitor. A ambientação é outro ponto alto do livro. Carolyn Jess-Cooke me surpreendeu e me cativou com sua história. A edição da (...)

Termine o último parágrafo em: http://www.cultivandoaleitura.com/2013/05/resenha-o-menino-que-via-demonios.html

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Lily 18/04/2013

Profundo e surpreendente

Comecei a ler ele bem por acaso, na verdade não tinha planejado ler, mas como ganhei um exemplar de cortesia não ia deixar passar né? Mas vamos lá...

O menino que via demonios é sem dúvida uma história incrivel na qual não se pode dizer o que é realidade e o que é fantasia. Trata-se de um garoto, Alex, ele tem 10 anos [ ou 11... não lembro bem...] que desde os 5 vê demonios, na verdade seu melhor amigo é um demonio chamado Ruen. O menino teve uma vida muito difícil e traumática, passou por coisas que crianças não devem ter que passar, por isso o serviço social encaminha ele para tratamento psiquiatrico, e assim ele conhece Anya, sua psiquiatra, que tem um histórico pessoal com esquisofrenia infantil( que é sua especialidade ) muito pesado, fato que não vai passar despercebido a Ruem.

E em meio a visões, mistérios, suspense e suicidios essa é uma história para se mergulhar no mistério que é a mente humana em sua fase mais interessante: a infancia.

espero que gostem do livro, eu adorei!

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Ju 22/04/2013

O livro me chamou a atenção pela forma simples que as crianças interpretam o complexo. Vi um pouco de mim em Alex, tive um amigo imaginário quando criança, o que assustou minha mãe diversas vezes pelo fato de eu realmente acreditar que meu amigo estava ali, interagindo,contando piadas, participando da minha vida. Enfim, acho que é algo mais evidente em filhos únicos.

Alex é uma criança que vê demônios (nunca anjos, apenas demônios) inclusive um deles, Ruen, é seu melhor e único amigo. Em um ambiente familiar conturbado onde o pequeno já presenciou algumas tentativas de suicídio da sua mãe, Cindy, e conflitos e dúvidas em relação ao pai, Alex encara a etapa infantil da vida de forma mais madura, aprendendo a enfrentar seus medos sozinho, e fazendo de tudo para arrancar um sorriso da sua mãe problemática.
A história se passa na Irlanda do Norte, o que evidencia também a forma como uma tragédia como a que se presenciou por lá pode impactar em gerações futuras.
Após mais um episódio de tentativa de suicídio de Cindy, Alex passa a ser analisado por Anya, uma psiquiatra infantil que carrega na bagagem além de uma competência invejável, a terrível experiência com a própria filha, Poppy, que morreu diante de seus olhos durante uma crise intensa de esquizofrenia.
Quem se interessa por Anya é Ruen, que conhece seu passado e, através de Alex, vai revirá-lo e tornar ainda mais difícil o processo de tratamento tanto para a psiquiatra quanto para o menino.

Uma história de amor, medo, dúvidas, solidão e a intensa busca de respostas e da felicidade.


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Jordana Martins(Jô) 10/09/2015

O menino que via demônios
O título com certeza desperta olhares enviesados de outros, principalmente os religiosos, mas o que eles não sabem é como o livro é sublime de toda forma. Ele é escrito nos mostrando a visão de Alex, um garotinho esperto e excêntrico, altamente amoroso. E também a visão de Anya a psicóloga que foi designada para tratar o caso de Alex.

Alex vive em um ambiente nada favorável a uma criança. Sua mãe tenta constantemente o suicídio e Alex os tem presenciado desde os cinco anos. O amor que ele sente por sua mãe e o que ela sente por ele é inegável, mas nem todo amor é capaz de fazer sua mãe ter vontade de viver. Neste redemoinho de sentimentos Alex começa uma forte amizade com um demônio o Ruen,que se diz amigo de Alex. O problema é que essa amizade tem causado muitos distúrbios na vida dele.

É aí que entra Anya junto de Michael que são as pessoas designadas de tratar esse distúrbio de Alex. Michael não quer em hipótese alguma separar mãe e filho, já Anya acha que uma internação é necessária, pois é fácil notar que Cindy a mãe de Alex, é incapaz de cuidar da criança, visto a situação em que vivem. Anya também tem seus problemas de superação. A morte precoce de sua filha Poppy por conta de uma esquizofrenia. Isso a tornou uma pessoa temerosa e com espírito heroico, pois se ela não salvou a filha quer concertar o seu erro salvando outras crianças com os mesmos problemas. Tratar os problemas dos outros é mais fácil do que os seus.

O fato é que no livro inteiro você não sabe se realmente Alex vê os demônios ou se tudo não passa de uma doença mental. Primeiro que Anya não é religiosa e não é do feitio das pessoas acreditar em céu ou inferno. O fato é que em determinados momentos você pensa Alex realmente tem problemas psicológicos e em outras ocasiões você já acredita que realmente ele vê demônios. O livro é simples e eu nem ao menos tinha dado alguma importância a ele, mas com certeza me surpreendeu do inicio ao fim. É tocante, é singelo. Faz você temer ao oculto. Você não sabe o que é real ou não, muitas vezes me peguei duvidando de minhas próprias crenças. Apeguei-me aos sentimentos de Alex, afinal ele é só uma criança que vive em um lar desproporcional a qualquer um. Eu tenho minha conclusão do fim, eu acredito em uma das vertentes. Talvez nós sejamos muito céticos às vezes, ou talvez sejamos contemplativos demais. Cabe a você escolher em que acreditar. É como Bentinho e Capitu. Será que ela traiu ou não? Será que Alex realmente vê demônios ou será só fruto de uma mente conturbada?
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Felipe Miranda 09/01/2014

O Menino Que Via Demônios - Carolyn Jess-Cooke por Oh My Dog estol com Bigods
Ansiava por uma leitura desse gênero há um tempo.

Cindy não é um exemplo de mãe a ser seguido, após a morte do marido ela já tentara suicídio algumas vezes, várias delas onde Alex, seu filho de 10 anos, presenciara. Cindy é aquele tipo de personagem que sinto ódio e ao mesmo tempo sinto pena, acho que a vida pode ser realmente mais difícil quando perdemos quem amamos mas num papel de mãe, eu esperava que ela se sustentasse pelo filho, Alex é um garoto incrível mas o ambiente familiar o fez amadurecer rapidamente. Ele está vivendo Horácio em uma adaptação para o teatro, de Hamlet e suas piadas são realmente péssimas como devem ser. Não foi apenas para sua mãe que as coisas mudaram após a morte de seu pai, desde então Alex é amigo de Ruen, um demônio de nove mil anos que fale mais de seis mil idiomas e se apresenta de formas diferentes, como um garoto, um velho ou um monstro. Ninguém além de Alex pode vê-lo, todos acham que Ruen se trata de um amigo imaginário pelo fato de Alex ser solitário, mas eu tive minhas dúvidas, mesmo ele sendo de fato sozinho.

Ruen quer que Alex mate alguém.
É o único jeito...
Talvez Alex não tenha valor algum e jamais seja alguém ou construa algo na vida...

Quando Cindy comete mais uma tentativa de suicídio, Alex é posto em observação e se iniciam uma série de consultas e tratamentos para tentar resolver a questão: Alex é capaz de ver demônios ou sofre de alguma doença mental, esquizofrenia? Os responsáveis por esse processo serão a psiquiatra infantil, Anya e o assistente social, Michael. É peculiar dizer que Michael tinha um amigo imaginário quando criança e que Anya, perdeu mãe e filha para a esquizofrenia. Ambos contém bagagem e conhecimento a respeito, mas acreditar que demônios existem e interferem tão diretamente na vida de uma criança...

Ruen é assustador, ele fará Alex ver, sentir e fazer coisas, até o desfecho do livro garanto que todos que lerem terão momentos angustiantes. Um dos capítulos mais esperados por mim é quando Ruen faz perguntas a Anya por intermédio de Alex, foi muito sombrio. Foram nesses momentos que percebi que por mais que a ciência explique centenas de coisas há horas em que exorcizar seus próprios demônios depende apenas de você. Superar, seguir em frente, aceitar, enxergar com outros olhos, encontrar todas as respostas. Para mim, Alex via sim demônios, Ruen era real e só existia por questões mal resolvidas, por pensamentos presos e ideias erradas.

Os capítulos são intercalados entre narrações de Alex e Anya. Foi uma leitura gostosa que me envolveu completamente. Um dos melhores livros do ano.

site: http://www.ohmydogestolcombigods.com/2013/06/resenha-o-menino-que-via-demonios.html
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Vanessa Bittencourt 02/12/2014

Alex Broccoli tem dez anos e ninguém além dele mesmo pode ver o seu único amigo. Seu nome é Ruen, um demônio de nove mil anos e quatro facetas: a Cabeça de Chifre, o Monstro, o Menino Fantasma e o Velho. Ruen assume uma faceta diferente de acordo com a situação. Quando a mãe de Alex tenta suicídio, a psiquiatra Anya é convocada para cuidar do menino. O encontro com Alex reacende diversos problemas pessoais de Anya, envolvendo sobretudo seu histórico familiar de casos de esquizofrenia. De modo geral, ela procura entender quem é Ruen e proteger Alex de si mesmo, ao mesmo tempo em que tenta lidar com seus próprios fantasmas (ou quem sabe demônios?).

A trama se passa na Irlanda Norte, terra natal da autora, e de certa maneira nos faz refletir sobre os possíveis efeitos psicológicos nas gerações mais novas após décadas de tensão política e religiosa e muita violência e repressão. Para quem não está familiarizado com o contexto, entre os anos 60 e 80 os conflitos entre a comunidade católica separatista e os protestantes que defendiam a permanência da Irlanda do Norte no Reino Unido resultaram em atentados e milhares de mortes. Infelizmente o Sunday, Bloody Sunday cantado pelo U2 foi um episódio bem real. O IRA, Exército Republicano Irlandês, é a primeira referência quando pensamos no conflito e ao longo do livro descobrimos que Alex não está tão distante deste quadro de tensão.

Alex tem uma relação complexa com Ruen, ora necessitando da sua companhia, ora sentindo temor diante dela. O demônio faz muitas promessas e exigências para manter a conexão com o menino e, em certa medida, o controle sobre ele.

Não posso deixar de mencionar duas coisas muito importantes presentes no livro: o teatro e a música clássica. Alex está envolvido com uma apresentação teatral. A peça em questão é Hamlet, justamente a obra que mais gosto de Shakespeare. Alex interpreta Horácio, um dos primeiros a ver o Fantasma na peça. Coincidência? Claro que não! Já a música tem muito destaque na vida de Anya, que além de psiquiatra é pianista. Esse também é o elo entre Anya e Ruen.

O Menino Que Via Demônios é um livro angustiante, emocionante e envolvente. Os capítulos se alternam entre o diário do menino e a narrativa de Anya. Essa construção é interessante porque permite que cada leitor se envolva profundamente com o caso de Alex e de duas maneiras diferentes. Minha promessa é: aguardem um excelente final de livro.

site: http://despindoestorias.com/2014/resenha-o-menino-que-via-demonios-carolyn-jess-cooke/
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Descontrolados 12/09/2013

Um olhar sobre as consequências do terrorismo na Irlanda do Norte
Meu nome é Alex e tenho dez anos de idade. Gosto de cebolas fritas com torradas e posso ver demônios. Meu melhor amigo, Ruen, é um deles. Minha mãe está muito doente e ele diz que pode ajudá-la se eu fizer algo por ele: matar uma pessoa!“

Belfast, Irlanda do Norte. Palco de uma guerra travada durante 30 anos, entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o Governo irlandês. Esse é o cenário do tocante romance escrito pela autora irlandesa Carolyn Jess-Cooke, O Menino que via Demônios, lançamento da Editora Rocco

Na trama, conheceremos Alex, um garoto de 10 anos que, desde a morte do pai, tem como melhor amigo um demônio de nove mil anos. Após a tentativa de suicídio da mãe, Alex conhece Anya, uma psiquiatra infantil que volta à Belfast para fugir dos fantasmas de seu passado e logo de cara assume seu complexo caso. Ao longo do tratamento porém, Anya passa a questionar suas próprias certezas.

Diferentemente de outros livros voltados para o público jovem, neste temos uma dupla narrativa na primeira pessoa, onde, ao longo dos capítulos alternam-se Alex – transcrevendo suas experiências em seu Diário – e Anya, em suas percepções e conclusões a respeito do caso de Alex.

A construção dos personagens acontece capítulo após capítulo, mostrando uma densidade arrebatadora. Há também um detalhismo ímpar sobre a influência da violência, não somente na vida dos adultos, mas também nas novas gerações, que sequer presenciaram os anos de horror.

Deve ser ressaltado também que Carolyn Jess-Cooke se inspirou em uma das muitas grandes obras do autor C.S. Lewis (o autor de Crônicas de Nárnia), “As Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz” para construir a atmosfera psicológica e sobrenatural presente nesta trama.

Certamente não é o tipo de literatura ao qual o público jovem literário está acostumado. O Menino que via Demônios não é o inicio de mais uma uma saga distópica de luta pela sobrevivência ou sobre um jovem que descobre ter poderes especias. Trata-se de um livro denso, sobre uma criança que possui um nebuloso passado e sofre com a influência da fragilidade familiar que o cerca e a falta de recursos com que foi criado.

O grande cerne da trama está no questão das visões de Alex. Anya é cética e acredita se tratar de um caso de esquizofrenia precoce. Entretanto, algo a intriga profundamente: Alex, através do demônio Ruen, passa a confrontá-la com informações sobre seu passado ao qual ele não teria meios de ter acesso. Ademais, a riqueza de detalhes que Alex traz sobre os demônios que ele afirma ver são tão precisos e elaborados que faz com que ela mesma se pergunte: será realmente uma ilusão de Alex ou existe fundo de verdade nestas visões?

Bom, isto eu deixo para vocês descobrirem. Intenso, dramático e repleto de questões morais e opiniões que os farão refletir. Isso é o que vocês encontrarão ao longo das 383 páginas desta incrível jornada literária.

Vocês acham que se trata de uma trama óbvia e já imaginam o desfecho desta história? Eu os desafio à esta leitura! O final pode ser mais surpreendente do que vocês pensam!

Por Diego Cardoso


Curiosidade

O trabalho gráfico realizado para a confecção da capa é de alto nível. Temos uma capa preta e branca com detalhes envernizados e em alto relevo. Mas um detalhe deve ser observado: notem que, no topo da capa, a imagem dos refletores, somado ao nome da autora e a frigideira logo abaixo criam (propositadamente ou não) a ilusão de um rosto sinistro.

Ficha Técnica

Nome original: The Boy who could see Demons
Capa: Anna Morrison
Tradução: Geni Hirata
Impressão: Editora JPA Ltda.
Páginas: 383
Publicação: Editora Rocco

site: http://programadescontrolados.com/resenha-o-menino-que-via-demonios/
Mel 09/10/2016minha estante
Amei a análise!




Tony Nando 06/09/2013

muito bom mesmo
O livro traça uma linha tênue entre o oculto e o surto psicótico pessoas céticas olham a historia de ruem como algo que a psiquiatria explica, já as pessoas mais religiosas vão acreditar piamente no fato de o demônio existir. fica ai a duvida até o fim do livro no que vc acredita.
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Nath @sobre.ler 19/11/2016

Favorito! <3
A história alterna entre doce e triste, verdadeiro e mágico. Quando você percebe, está mergulhado nessa narração pura, inocente e avassaladora, devorando as páginas buscando respostas. Você se vê dividido entre a racionalidade e a fé. Esse livro tem uma história intensa, recomendado para todos que gostam de histórias que te façam questionar, que não te dê todas as respostas, mas que te sugue a cada palavra.
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Dan Penguindrum 14/09/2018

Lindo
Esse livro é totalmente em sua dosagem. Ele não vai ser feliz para agradar e nem triste para forçar sentimentalismo. Ele é o que é. Foi incrível ler enquanto ouvia a composição de piano que foi gravada por alguém no YouTube "A Love Song for Anya".
Minha única reclamação é a edição da Rocco, pois pus a mão em duas: uma desmoronou da lombada e a outra, se eu não fosse extremamente cuidadosa, sei que seguiria no mesmo destino. Rocco, melhore.
Ezeq 07/12/2018minha estante
Realmente, o que a Rocco fez com esse livro está entre as minhas maiores decepções da vida. Que bom ver que não fui o único a ficar incomodado.




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