Pregação e Pregadores

Pregação e Pregadores D. M. Lloyd-Jones




Resenhas - Pregação e Pregadores


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Geisa 02/05/2012

JONES, D. Martyn Lloyd. Pregação e Pregadores: São Paulo: Editora Fiel, 1984.
RESENHA:

1. Resumo:
O autor inicia o livro, que discorre a respeito de pregação e pregadores, ressaltando a importância da pregação não só nos dias atuais mais em todos os tempos. Lembra os leitores que a ênfase dada a leituras, cânticos, testemunhos, aconselhamentos, entretenimentos no meio cristão é cada vez maio enquanto isso o espaço dedicado a pregação é cada vez menor. Observa-se que a afirmação feita sobre a posição da pregação no culto, que deve ser sem dúvida nenhuma priorizada, é teológica. Sua função é apontar aos ouvintes seu posicionamento debaixo da ira de Deus e a cura para sua real necessidade. O autor defende que a pregação autêntica levará os ouvintes a se sentirem tocados, exortados por Deus. É dada a orientação aos pregadores que preparem suas pregações de maneira que será extremamente proveitosa tanto um incrédulo quanto um cristão. Todas as pregações, inclusive as evangelísticas, devem ter conteúdo teológico, para isso o pregador deve ter um profundo conhecimento bíblico, que constitui uma unidade. O autor posiciona ferozmente a favor da pregação expositiva, toda pregação deve ser expositiva, e alerta aos leitores ao perigo da manipulação da Palavra de Deus. É imprescindível a dedicação ao preparo da mensagem, os pregadores devem estar cientes que o Espírito Santo falará através dele e que freqüentemente o melhor da pregação pode ser algo que não foi sequer mencionado durante o preparo, no entanto o estudo e preparo é de fundamental importância. Todos os crentes devem estar aptos a responder os fundamentos da sua fé, isso não significa que todos os crentes são pregadores, pregadores são homens chamados por Deus, dotados de inteligência, sábio, paciente e tolerante, precisa ter uma gama de conhecimento geral e uma vasta experiência de vida. Deve-se considerar a congregação que assistirá a pregação, um pregador deve falar de maneira que os mais simples entendam e aqueles que são dotados de mais conhecimento se interessem pelo assunto, muitas vezes os pregadores enfeitam tanto suas pregações que muitos não se acham nem dignos de entender o que este fala. O pregador precisa atentar para uma análise acurada de sua congregação e se referir-se aos seus ouvintes como realmente são: pecadores extremamente necessitados de Cristo. Uma série de conselhos pessoais é oferecido pelo autor aos seus leitores, entre eles: reservar a manhã para o estudo e criar um ambiente de maneira que seja ininterrupto, ter uma vida de oração, ter seu momento de devocional, ler a Bíblia, ler sermões, ler outros livros puramente intelectuais, acima de tudo é enfatizado que todos são diferentes e que não há como ter um programa padrão para todos, cada um deve procurar se conhecer e observar os melhores horários em termos de rendimento para a preparação do sermão. Quanto à pregação em série o autor não se opõe, no entanto salienta a necessidade dos pregadores terem discernimento de quando interromper a série de sermões para atender as necessidades da igreja ou aproveitar-se de um bom período para evangelização. Deixar-se sempre ser usado pelo Espírito Santo, ficando atento as suas realizações. Mais uma vez a fidelidade ás escrituras é abordada pelo autor, todo o esboço deve estar explícito no trecho escolhido, a divisão do sermão não deve ser forçada de maneira que o deixe mais atraente, ela deve estar contida no texto, as divisões servem para facilitar aos ouvintes a assimilação da verdade. Quanto ao registro do sermão o autor afirma ser importante que o esboço esteja no papel, no entanto o registro na íntegra do sermão deve ficar a critério do pregador, já que observará que muitos pregadores ficam extremamente à vontade somente com o esboço enquanto outro ficavam perdidos. O posicionamento do autor quanto a ilustrações, citações, humor e eloqüência é favorável, porém com ressalvas, tudo deve ser usado com coerência, sem exageros, sempre lembrando que o objetivo final é levar os ouvintes a entenderem a verdade revelada no texto, o excesso desses pode confundir e o pregador corre o risco de recorrer a esses artifícios simplesmente para embelezar sua pregação. Deve-se evitar o anuncio do assunto a ser pregado antecipadamente, pois pode ter como conseqüência o comparecimento apenas daqueles que se interessam pelo assunto favorecendo um desequilibro na vida do crente. Posiciona-se contra a pregação ser transmitida por rádio ou televisão, pois acomoda os cristãos que sentem-se mais confortáveis ouvindo os cultos de casa. O profissionalismo também deve ser evitado, pois leva muitos pregadores a exagerarem no seu comportamento tendo uma atitude apática. É de fundamental importância que o pregador não confie no seu próprio preparo, sempre deve estar ciente que depende do Espírito Santo. O apelo é um assunto polêmico o qual o autor se posiciona contrário, argumenta que a congregação pode ser levada ao emocionalismo pelo conteúdo da pregação e os resultados não serem verdadeiros, enfatiza que não é primordial que o pregador conheça os resultados de suas pregações, basta saber e confiar que o Espírito Santo está realizando sua boa obra. Quanto à repetição de pregações e a cópia de outros pregadores o autor é extremamente cauteloso, deve-se ser verdadeiro, deixar-se ser usado pelo Espírito Santo, ser organizado para não correr o risco de pregar a mesma pregação duas ou mais vezes para as mesmas pessoas e ter bom senso no caso da cópia para não ocorrer de tornar a pregação falsa e sem sentido. O autor conclui o livro lembrando que preparação e unção do Espírito devem andar juntas, por mais experiências que o pregador tenha com a capacitação do Espírito, negligenciar a preparação é uma falta terrível. Buscar a Deus é imprescindível para os pregadores que devem estar totalmente absortos a vontade e conhecimento dEle.

2. Comentários:
Apesar da primeira edição em português ter sido lançada em 1984, a leitura de Pregação e Pregadores mostrou um assunto extremamente atual. Com muitos argumentos o autor mostra-se preocupado com a desvalorização dos sermões nas igrejas e a ênfase de tantas outras atividades, acredito que essa prática está muito presente nas igrejas brasileiras que tem dado cada vez mais espaço as artes (teatros, filmes, cantatas) ao momento de louvor e adoração e encurtado dia após dia o tempo dedicado as pregações, muitas vezes argumentando que os ouvintes não têm capacidade de prestar atenção tanto tempo á um mesmo raciocínio, creio que assim como na época do autor, há uma necessidade de resgatar o valor da pregação que é prioridade no meio cristão, pois é uma maneira de se expor a palavra á crentes e descrentes, levando muitos á Jesus Cristo e outros ao amadurecimento cristão.
Tenho dificuldade de me posicionar contra ou á favor do autor quanto ao valor que ele dá ao evangelismo social e aconselhamento. Apesar de acreditar que a pregação tem primazia entre elas, o modo de se expressar de Lloyd Jones deu a entender que ele antagoniza as duas primeiras, eu acredito que essas têm um papel fundamental a ser desenvolvido no meio cristão. O evangelismo social pode chegar onde a pregação não pode. Pastores e missionários infiltrados em meio à sociedade, trabalhando com outras pessoas, exercendo um papel de bom visinho, enfim tendo a possibilidade de conviver com pessoas que jamais aceitariam o convite para ir numa igreja é muito estratégico, esses podem introduzir o evangelho sutilmente e tanto com palavras mais principalmente com seu testemunho podem levar essas pessoas á uma igreja onde poderão ouvir a pregação expositiva da verdade ou até mesmo a Cristo. Já o aconselhamento pode tratar problemas individuais, assim como o autor acredito que esses assuntos podem ser tratados do púlpito, mas confio muito no aconselhamento, no crente desabafar, confessar, confiar explicitamente no pregador que poderá individualmente ajudar este na caminhada. Não creio que esses dois foram vilões que fez com que muitos abandonassem o evangelho, no entanto o mau uso deles sim! Assim como o mau uso da explicação pode ter as mesmas conseqüências.
Creio que todo leitor constrange-se á concordar com o autor e divulgar suas idéias quanto ao preparo do sermão. É de suma importância que todo o pregador tenha um profundo conhecimento da mensagem bíblica, domínio teológico, todas as pregações tanto de cunho evangelístico quanto doutrinário devem ser teológicas, não existe possibilidade de se afirmar o contrário, que um pregador não precisa necessariamente ter conhecimento teológico ou que pode conhecer apenas parte das escrituras. O alerta para que os pregadores atentem para a pregação expositiva vem de encontro com diversas práticas que observamos atualmente sem precisar pesquisar muito, pregadores, muitas vezes populares, têm manipulado a palavra de Deus para dar ênfase e veracidade as suas opiniões, quão prejudicial essa manipulação tem sido em nosso meio, levando vários a adotarem falsas doutrinas.
A dedicação do pregador ao preparo da pregação, abordado em diversos capítulos pelo autor, também é um assunto que, em minha opinião, não abre margem para discussão. É certo que o Espírito Santo capacita, no entanto deixar de se preparar é negligenciar uma tarefa dada por Deus a nós. Os conselhos dado aos leitores que buscam serem pregadores usados por Deus são eficazes e acredito que devem ser executados mesmo que não ambicione ser um pregador. Separar um tempo de qualidade para o preparo de pregações, ler sermões, livros biográficos, teológicos e principalmente uma leitura disciplinada da Bíblia, fazer anotações quanto a pensamentos que ocorrem na leitura desta ultima, ter bons hábitos quanto a horários, entre outros. Ao contrário do autor creio que ter um fichário com citações, ilustrações e outros pode ser de grande auxilio para o pregador, principalmente para aqueles que iniciam (talvez com o tempo se torne realmente desnecessário).
Concordo que citações, ilustrações, eloqüência, humor deve ser usado com cautela, o fundamental é a verdade ser transmitida de maneira que todos os ouvintes entendam, portanto adicionar muitas firulas provavelmente será prejudicial. Quanto a apelos também acredito que normalmente se tornam emocional demais, a finalização da pregação já leva a congregação ao extremo adicionando uma música especial (prática de muitas igrejas) é fato que muitos se sentirão constrangidos a tomarem uma decisão que nem sempre é verdadeira, acrescento um trecho que foi fundamental para que eu me firmasse no posicionamento contra á apelos “Que importa se eu vier a saber ou não do resultado da pregação? Naturalmente isso tem seu valor, do ângulo que serve de encorajamento ao obreiro cristão. Mas não têm valor algum do ponto de vista da própria obra. A obra foi realizada e ela se patenteou...”.
Depender de Deus é imprescindível para qualquer pregador, buscá-Lo com todas as forças é essencial para a mensagem que será passada aos sedentos seja direcionada por Ele. Preparação e unção do Espírito, como afirma o autor, devem andar juntas. Que nossos sermões sejam preparados e que busquemos a Deus de tal maneira que Ele nos use para transformar vidas, para que as palavras proferidas pela nossa boca tenha efeito devastador na vida dos que nos ouvem, é o Espírito Santo que nos dá esse poder.
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Vinicius, Pr. 03/05/2016

Não me encantou
Li a pedido do professor quando estava no seminário. Talvez até por isto não me encantei com a leitura. Com profundo respeito ao afamado do Jones, certamente o problema é meu e não dele. Mas, como tive de ler também o livro do Stott, para a mesma matéria, este me encanto mais.
Patricik 08/11/2017minha estante
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Eduardo Sousa 02/12/2010

Um dos melhores
Pregação e Pregadores, é um dos melhores livros de Homilética. D. Martin Lloyde-Jones, um dos grandes pregadores do século passado, nos chama para uma reflexão sobre a genuína e verdadeira pregação bíblica analisando cada ponto da estrutura de um sermão.

O autor não se limita, apenas em tratar dos termos técnicos para uma boa pregação, mas enfatiza também uma vida de santidade e oração para que os que são chamados para esta função tenham êxito.

Àqueles que buscam aprofundar-se nesta matéria e ser um verdadeiro porta-voz de Deus, precisam ler esta obra maravilhosa.
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Alberto M de Oliveira 31/07/2009

Recomendo!
Atual, didático, extremamente útil. É uma aula de homilética e ética de púlpito, realizada por um dos grandes mestres reformados na arte de pregar.
Gosto muito de seus escritos, e neste, em alguns momentos parece que o sr Lloyd-Jones esteve ontem em alguma igreja atual, ou viu algum programa "gospel" tamanha a contemporaniedade de seu texto. E imagine que estas palestras foram feitas na década de 70.
Recomendo!
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Lucio 24/06/2010

Eis minha resenha (sem o resumo, que ficou enorme!)
CREDENCIAIS DO AUTOR

David Martyn Lloyd-Jones foi um famoso pregador do século XX que pastoreou a Capela de Westminster por trinta anos. Sobre sua formação acadêmica o wikipédia informa:

"Freqüentou uma escola de gramática Londres entre 1914 e 1917 e, em seguida, do Hospital St. Bartholomew's como um estudante de medicina, em 1921 começou a trabalhar como assistente do médico real, Sir Thomas Horder. Depois de lutar durante dois anos sobre [se] o que sentiu foi um chamado para pregar, em 1927, Lloyd-Jones voltou ao País de Gales, tendo casado com Bethan Phillips (com quem mais tarde teve dois filhos, Elizabeth e Ann), aceitando um convite para ministrar em uma igreja em Aberavon. [...]Depois de uma década, ministrando em Aberavon, em 1939 ele voltou para Londres, onde tinha sido nomeado como pastor adjunto da Capela de Westminster [e ali depois de alguns eventos, permaneceu]."(WIKIPÉDIA. 2010)



CONCLUSÃO DO AUTOR

O autor, em cada capítulo firma bem suas conclusões, deixando claro, em suma, a proeminência da pregação sobre as demais funções ministeriais, os quesitos necessários para um homem ser um pregador e para que haja uma autêntica pregação. Para Lloyd-Jones, a pregação tem sido muito mal entendida, mal feita e depreciada, quando na verdade é o grande método de Deus salvar os homens e edificar a Igreja.

REFERÊNCIA TEÓRICO

O livro é, na verdade, uma série de preleções do Dr.Lloyd-Jones onde ele busca retratar suas meditações e conclusões que teve durante toda sua longa (e gloriosa) carreira pastoral. No discurso, ele declaradamente expressa uso de suas experiências ministeriais para ilustrar suas colocações. No quesito de citações, Lloyd-Jones concentra suas diversas citações nos puritanos do século XVII e XVIII, além de várias citações de frases e fatos da vida de Spurgeon e Whitefield.

APRECIAÇÃO

Apesar de haver alguns momentos de sistematização, o autor faz um bom discurso, ilustrando com experiências pessoais em muitos casos, o que dá certa facilidade de apreenção do conteúdo. A leitura é muito fácil.
Quanto à posicionamentos, pelo prisma de meus conhecimentos e posições, ele nos convida à uma montanha-russa, com sobes e desses, onde em determinados momentos ele faz pertinentes e apuradíssimas afirmações, mas, em outro, algumas lamentáveis. Quanto ao pregador ele é excelente. Dês de as observações quantos aos sinais indicadores de vocação; do preparo para o pré-ministério; do preparo dentro do ministério e de observações sobre a vida do pregador, Lloyd-Jones emite excelentes posições, dicas e afirmações. Quanto aos sermões, ele também dá boas dicas de como prepara-los, anuncia e defende suas posições quanto a esboços, métodos de preparar e de expor, e isto de maneira muito empolgada e cativante, sem perder a eloqüência.
Porém há alguns extremismos, às vezes declarados, às vezes implícitos. Ele, por exemplo, declaradamente se posiciona contra a pregação feminina, à debates apologéticos (discorrendo em prol de sua atitude evasiva à um em Oxford, com argumentos não muito bons) e ao sermão tópico (de maneira um pouco mais discreta). Esse radicalismo tende à depreciar a obra.
Outro extremismo é a impressão que ele dá de que o único meio de se pregar o evangelho é por detrás de um púlpito. Isso parece inviável, por exemplo, num evangelismo em cima de uma conversa numa esquina no Sábado atarde. Com esse extremismo, a intenção que ele tinha de credibilizar a pregação fica um pouco afetada.

INDICAÇÃO DA OBRA

O livro foi feito para pregadores. Quem se interessa pelo assunto poderá lê-lo, mas sua conversa parece fazer sentido completo só para quem aspira o ministério ou que já está nele. O livro pode ser lido por presbíteros e demais cargos eclesiásticos para garantir instrução e bons conselhos, inclusive para ‘julgar’ o pregador e para evitar gafes.
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