A Revolução dos Bichos

A Revolução dos Bichos George Orwell


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Resenhas - A Revolução dos Bichos


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Fábio 15/02/2013

Quatro pernas bom, duas pernas ruim!

A Revolução dos Bichos, escrito na época da Segunda Guerra Mundial, ataca de forma alegórica o modelo soviético sob a ditadura de Stalin. Dessa maneira, cria-se um retrato muito fiel, por meio dos bichos, do que ocorre de fato na tentativa de implantar o comunismo. Um leitor distraído pode pensar que se trata de um livro infantil e de fato, a engenhosidade de George Orwell é tamanha que, além de ser uma denúncia do que ocorre na União Soviética, também pode ser encarado como uma história lúdica.

Tudo começa quando os animais, cansados de serem explorados pelos donos, ouvem um discurso de um velho porco, Major. A turba se encanta com suas palavras, as quais, não haveria mais exploração, nem escassez de comida e todos os ideais igualitários, que se sabe das teorias socialistas. Nesse ponto, vemos que os ideais igualitários sempre conquistam muitos adeptos, principalmente os que vivem explorados, sem instruções, que aceitam as falácias de outrem, que expõe seus grandes sonhos.

Nesta fábula, como na História, vemos que ninguém jamais toma o poder com a intenção de largá-lo. O poder não é um meio, é um fim em si. Não se estabelece uma ditadura com o fito de salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para estabelecer a ditadura (ORWELL, 2009, p. 254). Após conseguirem a revolução, e expulsarem os homens, o porco Napoleão, o Stalin do livro, assume o poder e expulsa Bola-de-Neve, que representa Trotski.

Orwell não esquece nenhum pormenor, poupando complexidade, Lênin não entra na história, mas não se esquece das músicas, das manipulações estatísticas dos resultados, da exploração, da desigualdade entre os que mandam e os que obedecem, dos mandamentos que todos devem seguir etc. Vale dizer, que o livro foi publicado muito antes de Nikita Khrushchev desmascarasse o facínora Stalin, cujo processo ficou conhecido como desestalinização.

A história do livro e principalmente a história mundial, nos mostra que homens e porcos ficam indistinguíveis. Com a capa do igualitarismo, criaturas corruptas vão enganando os trabalhadores com promessas de igualdade e fraternidade, todavia quando chegam no poder, essa capa cai e comprovamos que todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros. (ORWELL, 2010, p. 90)


ORWELL, G. 1984. São Paulo: Nacional, 2009. 277 p.
______. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 152 p.

[fabio9430@gmail.com]
Bibliotecária Vanessa 09/01/2012minha estante
Ótima resenha! =)


Larissa 02/02/2012minha estante
Muito boa a resenha!


Fábio 10/02/2012minha estante
Muito obrigado :D


Sillas 25/05/2012minha estante
Lênin não seria o Major?


Fábio 30/05/2012minha estante
Sillas, o Major é o Karl Marx :)


Karen 08/06/2012minha estante
O Major é o Lênin SIM!


Fábio 09/06/2012minha estante
O Major que inventa a teoria da igualdade, depois da sua morte que se coloca em prática as teorias citadas por ele, leia novamente e veja por si mesmo.


Ale Siqueira 27/09/2012minha estante
Parabéns pela resenha, realmente muito boa. Gostaria de acrescentar dois outros paralelos que eu pude traçar ao longo da leitura. Segundo minha percepção, o corvo Moisés e suas histórias sobre a
Montanha de Açucar representam a Igreja. Os vizinhos Pilkington e Frederick representam respectivamente a Inglaterra e a Alemanha e suas instáveis relações de interesses com a União Soviética.


Fábio 28/09/2012minha estante
Isso mesmo Ale Siqueira, são tantos detalhes, e o mais importante é que se você não saber nada disso, você fica encantado da mesma maneira, sem dúvida é um livro pra criança, pra adulto, pra academia, pra tudo, tem que encabeçar os melhores livros distópicos A revolução dos bichos.


03/10/2012minha estante
Ótima resenha.
Também adorei o livro, pois com muita simplicidade fala de história e política de um jeito que todo mundo consegue entender.


Júlio Leite 11/02/2013minha estante
Que resenha extraordinária!


Fábio 15/02/2013minha estante
Obrigado Júlio, dei uma atualizada, colocando as referências.


Felipe 26/02/2013minha estante
Adorei! Quero ler esse livro mais que nunca!!


Walaceboto 17/03/2013minha estante
Ótima resenha!
Ótimo Livro, li pra escola achando que seria um libro bobo, pelo contrário.


Sissy 14/05/2013minha estante
Fiquei muito curiosa para ler esse livro.Parabéns pela resenha, muito boa!!!
Bjos


Fábio 08/08/2013minha estante
Muito obrigado Sissy, não deixe de ler, você vai se surpreender


Bruna 16/08/2013minha estante
Fábio, parabéns pela sua resenha!

Gostei muito quando você usou "engenhosidade de George Orwell", realmente o livro é fantástico! Quero futuramente ler outros títulos de Orwell, e visitar mais suas resenhas.

Abraços.


Sheila 05/09/2013minha estante
Sua resenha está perfeita. Na verdade, a li somente depois que terminei de ler o livro e, graças a ela, retornei a alguns pontos para os quais eu não havia prestado atenção e fiquei impressionada com o quanto vc foi preciso. Muito boa mesmo! :)


Lello 14/12/2013minha estante
Tenho três versões: Inglesa, italiana e portuguesa. Nesta última perdemos realmente um pouco da "indireta" ao comunismo, ficando ainda mais lúdico. Parabéns pela resenha. Deveríamos distribuir este livro nas universidades e escolas, ao invés das cartilhas de ideologia marxista e os kits ativistas.


Rafael 17/12/2013minha estante
O Major representa Marx, principalmente. Lênin e Trotsky são representados pelo Snowball (Bola-de-Neve). Essas comparações específicas à parte, a alegoria do livro é muito mais profunda.

Acho legal que usem esse livro como "alternativa às cartilhas marxistas", como se um anulasse o outro. O livro não ataca o socialismo, em si, e nem o ironiza. O faz, na verdade, com o stalinismo. E, espero que saibam, o socialismo em si e o que foi implantando na Rússia com Stálin são coisas bem distintas.

Parece que muitos não entenderam o livro e o estão usando para defender ideias equivocadas (que a própria mensagem do livro recrimina, posso dizer). Sugiro que pesquisem um pouco mais sobre ele e, principalmente, sobre o autor, que era, por sinal, um socialista.


Felipe 18/12/2013minha estante
Rafael, a realidade mostra que situações como as que aconteceram no livro são as que melhores ilustram o modelo socialista em prática, vide Cuba, URSS, Coréia do Norte...

E sim no livro mesmo tem a informação que Orwell era um socialista, porém creio eu que se ele estivesse vivo hoje e visto que seus livros ilustram muito bem o totalitarismo existente no socialismo, duvido muito que ainda o defenderia.


Lexi 23/01/2015minha estante
você foi perfeito ao expor sua leitura sobre A Revolução dos Bichos, captou todo espírito e a essência desse livro ! tão bom que merece ser o prefácio da próxima edição. grande abraço ;~


Caroljf 29/04/2015minha estante
Adorei a resenha!
Um livro simples, mas que denúncia a união soviética durante o governo de Stálin e que fala sobre um tema universal: o poder!


Rojane 29/09/2015minha estante
Uauuuuuuuuuuuuuu super! perfeito.
Adorei sua resenha. 10.


malu.assumpcao 11/12/2015minha estante
Caramba, ótima resenha! Com certeza, se eu não tivesse lido o livro, o teria feito.


Marcio 02/01/2016minha estante
Que resenha boa, meus parabéns! Eu li esse quando tinha uns 11 anos acho,e amei. Não por seu contexto político porque eu nem me toquei de nada, mas simplesmente pela história maravilhosa! E não fui o único, pelo que eu soube e quando saquei o lance político, gostei ainda mais, bem dizer! Mais tarde quando li Jogos Vorazes eu me lembrei do Orwell e diferente de muita gente, eu não deixei de amar a trilogia, muito pelo contrário! Mas enfim, meus parabéns de novo, e que clássico maravilhoso! Li três vezes, inclusive.


Helder.Alves 10/02/2016minha estante
O livro é lindo! resenha perfeita.


Natalia 02/08/2016minha estante
Concordo com a observação feita pelo leitor Rafael em 17/12/2013. Vão com calma nas interpretações aí... até porque, pelo padrão de "1984", a intenção de Orwell era criticar o totalitarismo, seja ele qual fosse.


Ric Molares 06/09/2016minha estante
Muito boa sua resenha!
Me ajudou muito para entender o conceito do socialismo no livro.
Obrigado!
:)


celo 14/10/2016minha estante
A Revolução dos Bichos, de George Orwell, se passa numa granja liderada, inicialmente, pelo Sr. Jones. Porém, insatisfeitos com a dominação e exploração e liderados pelo Porco Major, os animais decidem fazer uma revolução. Assim, o inimigo seria aquele que anda sobre duas pernas.


Marcos.Azeredo 17/10/2017minha estante
Ainda estou no começo, mas o que me espanta é o George Orwell se dizendo socialista não gostar da União Soviética, que para mim é um pecado, é o mesmo um capitalista dizer que não gosta dos EUA. Eu não analiso um livro pelo lado ideológico do autor, temos que reparar as coisas, mas parece que não vou gostar do livro, quando terminar darei uma resenha completa.


Fábio 28/10/2017minha estante
Marcos.Azeredo Não é que ele não gosta da União Soviética, ele não aprova como ela foi administrada, principalmente, pela ação do ditador Stalin e como ele conduziu o país e moldou o comunismo.


Lívia R. 01/06/2018minha estante
É certo que o George Orwell construiu sua obra com o Stalingrado em mente, mas dá para estabelecer comparativos da história em si, com outros governos que foram totalitários. No caso, eu havia acabado de ler um romance histórico sobre a implantação do comunismo na China, e pude enxergar tamanha diferença.

Parabéns pela resenha!




Quelemem 24/01/2011

Certa vez...
... li um conto de fadas, e compreendi com perfeição a realidade.
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Rommel 21/09/2012

Isso sim devia ser leitura obrigatória nas escolas. ;)
Júlia A. 28/08/2010minha estante
É obrigatória...


Halley 29/03/2011minha estante
Eu n fui obrigada a ler na escola não.....tambem acho que é um bom livro para ser discutido nas escolas.


Lizzy 15/04/2011minha estante
A escola nunca me obrigou a ler livro algum. Ainda bem, pq não há nada por do que escolherem por mim o que eu vou ler. :)


Gabriel 09/02/2012minha estante
Um dos motivos, na minha opinião, de muitos verem a leitura como algo ruim é justamente os professores, na sua melhor intenção, tentarem obrigar os alunos a ler livros. Acontece que muitas vezes as crianças não estão prontas para certos livros, principalmente os de literatura brasileira, por terem outro estilo de linguagem, etc.
Mas acredito que para o ensino médio esse livro serviria muito bem como inicio de estudo na URSS, Guerra Fria.


Leonardo 20/09/2012minha estante
Esse livro foi leitura obrigatória na minha escola, oitava série, 1998. Contudo, livros obrigatórios não criam leitores necessariamente. Eu li esse livro e considero um dos melhores que já li. 1984 é perfeito também.


Walaceboto 17/03/2013minha estante
Li na escola.
Nem sabia quem era George Orwell
mas concordo que deveria ser Obrigatória.


Baixando 19/03/2013minha estante
Baixar o Filme - A Revolução dos Bichos - Dublado - http://mcaf.ee/dxklc


Helder.Alves 10/02/2016minha estante
Muito cuidado com esse "obrigatória"




Luis 04/02/2013

Todos são iguais; alguns mais iguais que outros.

(Essa resenha foi reescrita, quase três anos após a sua publicação. Abaixo, a explicação completa.)
Me considero uma pessoa de esquerda. A princípio, ler uma fábula sobre o Stanilismo, que desvirtuou os ideais da Revolução Russa de 1917, escrita por um socialista de primeira hora, crítico contundente do modelo construído sobre a liderança do “Guia Genial dos Povos”, dificilmente fugiria de um certo clichê e não me traria grandes emoções, a não ser satisfazer a minha parca curiosidade intelectual. Ideologias à parte, “A Revolução dos Bichos” é uma obra prima.
A história dos porcos que dominam a fazenda onde antes são "apenas" animais de criação, vale para todas as revoluções do mundo, sejam elas de direita ou de esquerda. O que de início se reveste de igualdade, em pouco tempo mostra a sua verdadeira face de intolerância e centralismo. Orwell capta de forma seminal esse espírito, fazendo uma crítica contundente, universal e , certamente, eterna. Prezar a igualdade, de certa forma, é respeitar as diferenças.

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Esse comentário foi originalmente publicado em 14/03/2010. Está sendo agora editado em razão de apresentar um erro crasso quanto à posição política-ideológica de George Orwell e ao verdadeiro objeto de crítica do livro.
Essa reedição se deve à contribuição do leitor e confrade aqui do Skoob, Daniel Neves. Eis a íntegra do questionamento :

Daniel :

Caramba vei, que mundo você vive?

"ler uma fábula sobre a Revolução Comunista Russa de 1917, escrita por um conhecido partidário da direita e conservador, como George Orwell"

George Orwell era esquerdista, afirmava ser um socialista dissidente, uma esquerda da esquerda, pois ele viu sua crença no socialismo ser abalada pela forma como o socialismo foi conduzido. A crítica aqui NÃO É à Revolução Russa, mas ao CAMINHO pelo qual esta tomou, que nesse caso, foi o Stalinismo.
No posfácio da edição da Cia. das Letras tem até uma expressão dita por Orwell: "ao longo dos últimos dez anos, convenci-me de que a destruição do mito soviético era essencial para conseguirmos reviver o movimento socialista".
Percebe-se, portanto, que o que Orwell queria era de uma certa forma destruir o modelo stalinista soviética para que o real socialismo pudesse ser aplicado.
Ele lutou por um partido marxista na Revolução Espanhola, então ele está longe de ser da "direita conservadora".
Pesquisar antes de falar qualquer coisa do cara seria legal.

Eu :
Csra, a crítica foi dura e JUSTA. Escrevi besteira, mereço a pancada. Vou reeditar a resenha, explicando a razão e citando o seu comentário na íntegra, desde que você permita. Quanto ao mundo em que vivo, estou tentando descobrir,rsrsrs. Abraço.

Daniel :
Pode me citar sem problemas na sua resenha! A intenção é essa mesmo, promovermos um debate sobre, refletirmos, analisarmos, esse é o bacana aqui do Skoob. Abraços!

Fiz questão de fazer isso, como uma ode ao espírito da crítica livre, inteligente e, sobretudo, construtiva, que deve sempre permear os espaços de discussão de ideias. Grato, Daniel.
Daniel Neves 09/02/2013minha estante
Eu que agradeço cara! Que novos debates sobre o livro possam ser feitos!




Renata CCS 30/01/2013

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS é uma fábula sobre o poder
A REVOLUÇÃO DOS BICHOS é um livro clássico, porém muito simples, de fácil entendimento, e poderia até ser considerado uma espécie de fábula com uma mensagem de grande reflexão. A história se inicia com uma reunião de animais que moram na Granja Solar. O porco mais velho, de nome Major, muito respeitado na fazenda, conta um sonho que teve, onde os animais eram todos livres do domínio dos homens. Major morre 3 dias depois, mas antes acrescentou que um dia seu sonho se tornaria realidade, então os animais deveriam dedicar suas vidas a uma revolução que tornasse isso possível . Dois porcos chamados Napoleão e Bola de Neve tomam a dianteira: convocam os outros animais da fazenda e a revolução estoura. Pouco depois, os animais rebatizam a fazenda, que passa a se chamar Granja dos Bichos. Reorganizam-se em um sistema parecido com o socialismo que acaba terminando em totalitarismo. Como acontece em toda revolução, há sempre os mesmos tipos: os alienados, os mártires, os demagogos, os trabalhadores braçais, os que estão no comando e uns poucos que combatem todas essas incoerências. O livro é uma analogia, e demonstra como termina a maioria das revoluções que ditam a igualdade. Não é só uma crítica ao socialismo: pode ser aplicada a outras inúmeras ocasiões na nossa História onde o interesse pessoal toma a frente do idealismo. A REVOLUÇÃO DOS BICHOS seguirá sempre sendo uma obra atual, denunciando uma dura realidade, onde os humanos serão sempre os mesmos: às vezes homens, às vezes porcos.
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Cynthia 07/12/2011

A revolução dos bichos
Já se passou pela sua cabeça, alguma vez, que os animais possam ter sentimentos, desejos, sofrimentos e, principalmente, ambições da mesma forma como os seres humanos? Talvez em algum momento remoto, talvez sempre, talvez nunca, mas certamente já se passou pela cabeça de George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair). Não da forma como estamos pensando - ele não é um ativista pelos direitos dos animais (bem que poderia ser, certo?) que acreditava nas injustiças praticadas pelos seres humanos, embora a catapulta sirva perfeitamente. A catapulta de que estou falando é uma de suas principais obras, tão polêmica na época de sua publicação em 1945: A revolução dos bichos, escrita na época da Segunda Guerra Mundial, cujo título original é Animal Farm. Caracterizada como uma fábula em que os animais são os protagonistas da história, o livro é muito mais do que apenas um apelo contra a exploração incessante dos animais pelos humanos.A obra é uma sátira aos governos totalitários e, principalmente, à União Soviética e à política stalinista.

A história se passa na Granja do Solar, propriedade do beberrão Jones. Um dia, todos os animais se reúnem para ouvir as palavras de Major, um porco de 12 anos de idade e muito respeitado por todos. Ele fala sobre um sonho. Um sonho em que os animais não são mais explorados, a comida não é escassa, todos são iguais e, principalmente, livres. O relato encanta e incentiva os animais para dias melhores e veem, assim como coloca o Major em sua fala, o homem como principal inimigo e responsável pela situação precária em que vivem. Qualquer costume, hábito ou relação que venha dos humanos é prejudicial à harmonia e à liberdade. Eis o lema: quatro pernas bom, duas pernas ruim. Algum tempo se passa e, mesmo após a morte de Major, o sonho permanece nas mentes dos bichos da granja até que começam a se organizar e iniciar uma revolução. Comandados pelos porcos, considerados os mais inteligentes (não só pelos outros, mas também por eles mesmos) e aptos a liderar o grupo, começa o “motim”. Jones é expulso da Granja, que passa a se chamar Granja dos Bichos.

Tudo parece perfeito. A comida é suficiente, os animais não são subordinados aos seres humanos, não há mais trabalho forçado e nem exploração. As coisas parecem melhor daí em diante. E por um tempo realmente melhoram. Mas nem tudo o que é bom, dura para sempre. Quando Major falou com os animais sobre o seu sonho, deixou claro alguns fundamentos de uma ideologia que chamou de Animalismo: qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo; qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo; nenhum animal usará roupas; nenhum animal dormirá em cama; nenhum animal beberá álcool; nenhum animal matará outro animal; todos os animais são iguais. Esses mandamentos foram escritos para estarem à disposição de qualquer animal, porém, até então apenas os porcos (e o Burro chamado Benjamin, que se coloca imparcial a quase tudo o que acontece na Granja dos Bichos) eram completamente alfabetizados. Os outros animais ou conseguiam ler apenas algumas palavras, ou algumas letras, ou não conseguiam ler. Com o passar do tempo, os planos dos porcos para a Granja foram tomados pela ambição e pelo poder. Colocados sempre como “líderes” do grupo, eram eles quem tomavam as rédeas, calculavam a distribuição de comida, ditavam o trabalho que deveria ser realizado e, mais do que isso, por seu trabalho intelectual exigir muito mais (ou, pelo menos, era o que diziam), também tinham direito a mais comida, mais horas de sono e mais privilégios. Sem que a maioria dos bichos pudesse perceber, aos poucos os princípios descritos e praticados iam mudando. Começaram a investir em negociações com outras granjas e, consequentemente, em contato com os humanos. O que restou do animalismo e o que podemos perceber com o enredo da história é um ditado que ainda hoje podemos associar a diferentes momentos da história e que refletea base dos governos totalitários: Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros.

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a obra não é uma crítica ao socialismo em si, mas ao totalitarismo e à forma como uma ideologia é distorcida em favor de uma minoria, corrompida pelos sentidos mais primitivos e egoístas dos seres humanos: a ambição e a sede de poder. Apesar de ser uma leitura fácil e com um enredo simples de se compreender, tanto que o livro é recomendado em diversas escolas de ensino fundamental e médio, existe muito mais por trás dessa fábula. Podemos perceber, por exemplo, uma associação das personagens do livro com personagens da vida real que participaram dessa época sombria pela qual o socialismo foi deturpado na forma do autoritarismo. Um exemplo que podemos ver é a figura do Major, idealista que sonha com um mundo em que todos são iguais, como uma representação de Marx e Engels com seus ideais para o socialismo. Napoleão, um dos porcos colocados na liderança que é tomado pela sede de poder e se coloca acima dos demais animais, seria uma comparação à figura de Stálin, que governou a Rússia no período do regime comunista totalitário. Já Sansão, um cavalo que se demonstra forte e dedicado ao trabalho incessantemente, é uma representação de todo o proletariado, utilizado e explorado como mão-de-obra barata.

Mais do que apenas um “clássico”, A revolução dos bichos é uma obra fundamental para que possamos compreender o período que dominou a Rússia durante a Segunda Guerra Mundial, além de poder ser comparada a outras formas de governo que funcionavam às custas da população e de uma ideologia que era usada como máscara para os atos mais cruéis e absurdos que existiram na história. Não é apenas uma leitura prazerosa (o que de fato é), mas obrigatória a qualquer pessoa que se interessa pela Literatura e pela forma como ela retrata a natureza humana e é utilizada como meio de expressão. Hoje, o livro é encontrado com mais facilidade pela publicação da editora Companhia das Letras, ou mesmo em sebos ou através de e-books disponíveis na rede. O livro é curto e possui cerca de 156 páginas.

Para quem se interessar mais pela história que teve repercurssão em todo o mundo, a obra foi adaptada para um desenho animado em 1954 e para um filme em 1999. Os dois podem ser encontrados facilmente para download na internet ou mesmo para exibição no youtube.

http://ninanoespelho.blogspot.com/2011/12/revolucao-dos-bichos-george-orwell.html


Aline 25/09/2009

A revolução de interesses
O livro é maravilhoso, fácil de ler e com uma visão inteligente a respeito do Socialismo.
Após a expulsão do sr. Jones, os animais assumem a fazenda sob a liderança dos porcos, mas aos poucos a nova organização começa a ruir e provar que de suas intenções iniciais nenhuma é possível de ser cumprida, uma vez que a corrupção dos líderes desfavorece o ideal de igualdade sonhado no princípio da revolução feita pelos animais.
A vontade dos animais em concretizar seus anseios de direitos iguais faz com que sejam submissos às ordens dos porcos que alteram as novas leis de acordo com os interesses próprios, sem preocupação - como deveria ser - com o bem comum.
Moacir 11/03/2011minha estante
Na verdade esse livro não é uma crítica ao socialismo e sim aos governos totalitários.


leandro.marcond 16/11/2014minha estante
Que nos permite fazer uma comparação a governos socialista Moacir.




M. Scheibler 31/08/2009

Interessante sátira ao comunismo soviético...
Mara 31/08/2012minha estante
Esse livro é magnífico!




Daniella Benevi 01/09/2009

Espetacular, um dos melhores livros que já li!!!!!Demostra com naturalidade como uma pessoa dotada de conhecimento pode manipular os demais !!!!!MARAVILHOSO.
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Olana - @aleituradehoje 17/08/2017

Brasil Resumido em uma Granja
Frustrada, triste, inconformada, impotente... me vi descrita em forma de bicho. Vi a sociedade brasileira descrita nessas linhas.
Uma sátira magnificamente escrita, onde George Orwell mais uma vez me impressiona pela mente crítica. Ele nos apresenta a Granja do Solar, onde os bichos, revoltados com o sofrimento causado pelo homem, conseguem expulsar o dono da granja e decidem fazer sua própria administração. E então Orwell nos conta como um sonho pode ser destruído.
O livro é uma sátira sobre o comunismo, escrita em forma de fábula, podendo se passar até por história infantil. Acredito que se fosse pesquisar a fundo a história do comunismo na Rússia, me depararia com personagens “disfarçados” (claramente Napoleão é inspirado em Stalin).
Entretanto, diante de todas as descrições de manipulação, exploração, desigualdade, abuso... foi impossível não trazer para a sociedade de agora. Aqui no Brasil. Orwell escreveu sobre o socialismo sem saber que escreveria sobre o capitalismo brasileiro (falo daqui por estar aqui; mas pode, com certeza, acontecer em outro lugar).
Vejo “nossa gente” com conhecimento “profundo” tirado de facebook e afins ou se informando em nossa querida mídia tendenciosa, como sendo as queridas ovelhas. Simplesmente repetindo tudo que lhes são firmemente repetido. Sem pensar, analisar, questionar, entender. Uma espécie de: “Eu li, ta lido. Não interessa se é verdade.” “Quatro pernas bom, duas pernas ruim.” Li sobre os bichos trabalharem, trabalharem, trabalharem e em troca “recebeRMOS” cada vez menos. Ops! RecebeREM cada vez menos ... já até me confundo na conjugação.
E a questão da memória?
Meu Deus... somos nós!!!
Nós não temos memória!!!
Em um dia “excomungamos” o político horroroso, sabemos quem ele é, do que é capaz e na próxima eleição, lá está ele eleito novamente.
Temos também Benjamim, o burro. Consciente, capaz, porem acomodado. Nesta descrição talvez me encaixe também. Sabemos e somos capazes de entender... mas a desesperança nos amordaça. O negativismo nos domina. Nada pode ser feito. Nada vai mudar. É sentar e esperar. Frustrante, doído. A inércia consciente talvez seja a pior de todas. Você saber e nada fazer. O medo é mais forte.
Dentre outros, temos então por fim os porcos... ora... esses os mais fáceis de reconhecer. Eles são nossos queridos governantes. Egoístas, falsos, perigosos, mafiosos, corruptos, oportunistas, manipuladores... dominantes. Por que alguém dominante, que está a frente de tantas vidas não pode ter caráter? Não é à toa, que a história termina com uma pergunta: Quem é o homem e quem é o porco?
Enfim, um livro magnifico pela inteligência com a qual foi escrito, pelo brilhantismo com que George Orwell cria/descreve essa história. Tudo pra mim é muito intenso, geralmente amo ou odeio. E posso também amar, ou amar muito. Esse, eu amei muito!
Porém, todavia, entretanto... apesar do amor, termino o livro com o sentimento de tristeza. Com o rosto doendo pelo tapa na cara.
Wagner 18/08/2017minha estante
Salve Salve Olana.
Excelente resenha.
Ler a Revolução dos Bichos foi uma das minhas melhores experiências literárias.
Parabéns.


Olana - @aleituradehoje 18/08/2017minha estante
Sabe que pra mim também Wagner... uma excelente experiência literária que vai pro topo da lista!


Fabio 25/08/2017minha estante
excelente resenha!!




Tiago Ceccon 16/02/2009

A Revolução Dos Bichos narra com cruel exatidão o processo pelo qual as elites vão se alternando no poder enquanto a vida do povo só piora. Originalmente feita como paródia do governo Stalinista, ainda hoje o livro continua atualíssimo.
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Rúbia 26/07/2014

Revolução dos bichos
Outra grande leitura que conclui no mês passado foi A revolução dos bichos, do incrível George Orwell.
É o segundo livro que leio do autor, o primeiro foi “1984” (já resenhado aqui) e só posso dizer que Orwell é amor e que quero ler toda a obra dele, pretendo fazer isso de maneira cronológica (mas são títulos um pouco caros, então isso vai ocorrer devagar...).
Por mais que sejam clássicos escritos a partir dos anos 40, a linguagem do autor é muito acessível, com críticas sociais e políticas muito interessantes e, muitas vezes, colocadas de forma sarcástica.
Essa edição da Companhia das Letras traz um posfácio do Christopher Hitchens e dois prefácios do próprio Orwell, uma a primeira edição que não foi publicada e outra para uma edição ucraniana, mandada para ucranianos exilados.
O livro trata de uma crítica política e social à Revolução Russa, os personagens são animais, assim, acredito que possa ser classificado como uma fábula (ou uma alegoria, por conta da quantidade de metáforas?).
Logo no primeiro capitulo temos a apresentação dos personagens que moram na Granja Solar. Um porco chamado Major (uma analogia a Karl Marx) alerta aos demais animais, através de um discurso, que eles são explorados e oprimidos pelos humanos, que devem se preparar para uma revolução, para que tomem o lugar dos humanos e que busquem uma sociedade justa e igualitária porque todos os animais são iguais.
Major falece, mas, outros porcos (considerados os animais mais inteligentes) vão pegar essa ideia e começar a estruturar uma revolução e fazer a cabeça dos demais animais. E ela acontece naturalmente e de forma rápida.
Os porcos estabelecem mandamentos e Napoleao (Stálin) e Bola de Neve (Trotski), vivem juntos (são a cabeça da Granja).
Gradativamente os porcos vão tendo mais privilégios que os demais animais
Em determinado momento Bola de Neve é expulso por Napoleão e a partir daí, muitas coisas começam a acontecer.
Os animais trabalham muito, mas acham que está tudo bem porque antes eram escravos e agora acham que são livres.
Muitos fatos coincidem com “1984”, mesmo esse sendo escrito primeiro, alguns fatos: uma pessoa no poder ditando todo o resto; manipulação de informações que chegam aos trabalhadores; eles não discutem, não pensam por eles mesmos; chega um momento que já não lembram como era antes da revolução, qualquer coisa apresentada é tomada como real.
No posfácio, entendemos que inicialmente ninguém queria publicar o livro na época, pela sátira e por comparar os russos aos porcos, mas ele foi bem aceito e hoje é um clássico da literatura.
Recomendo demais e acho que deveria ser leitura obrigatória das aulas de história na escola.
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Nanase 06/10/2009

Muito, muito, MUITO bom. A linguagem é simples e fácil, dá pra ler rapidinho, mas é um puta livro genial e irônico da porra. É BRILHANTE. Mas, apesar de ter personagens bem legais e uma história cativante, fica a dica: Não leia sem antes conhecer o contexto histórico - se não, tu não vai compreender o motivo de ser um clássico. (L)
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Pedro 27/01/2010

Genial
Bom, nao ha muita coisa para falar dessa obra prima. George Orwell se mostrou implacavel novamente, escrevendo esse classico da literatura.
O livro? Genial. A historia? Genial. O final? Genial.
Nao ha nada com que se possa criticar nessa obra.
Esse livro e 1984 sao os melhores dele, com certeza, e sao de uma natureza sobrenatural, o modo como ele imaginava o fim das coisas... Fico sem palavras para descrever "Revolucao dos Bichos".
O melhor livro que ja li. Essa seria a aproximacao do que ele realmente reprezenta.
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ANA VALÉRIA 30/09/2012

TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OS OUTROS
A Revolução dos Bichos é um texto de leitura singular com interesse proposital, ao meu ver, de provocar um sentimento de repugnância pelo ser humano. O livro é uma crítica a governos totalitários fazendo alusão ao socialismo soviético liderado por Stalin (Napoleão), mas idealizado e inicialmente proposto por Marx (Major).

A narrativa tem início quando o porco, Major, tem um sonho e decide expor aos demais animais as suas expectativas: a realização do animalismo, sistema em que TODOS os animais seriam IGUAIS.

A princípio tudo corria bem e todos os animais eram iguais, com o passar do tempo alguns animais foram se tornando cada vez mais iguais que os outros.

O livro apresenta todos os tipos de personalidades e suas influências sociais:
O porco MAJOR é o idealizador do verdadeiro animalismo que defende a igualdade entre todos e a não aceitação da exploração de uns pelos outros (no caso, dos bichos pelo homem).
JONES (capitalismo/ditadura) é o até então dono da fazenda, explorador dos esforços dos animais. Desmoralizado e odiado por todos é expulso e substituído inicialmente por um sistema igualitário que aos poucos vai perdendo espaço para:
NAPOLEÃO (capitalismo/ditadura), líder da revolução, dotado de grande força de vontade e inteligência, utiliza-se das características essenciais de outros para manter-se no poder e apesar de egoísta e ditador convence a todos com fama de bom líder, íntegro de caráter.
Em meio a todo sofrimento que já se vive na Granja e a desesperança da possibilidade de melhoras, o corvo MOISÉS (a igreja) aparece dando uma solução um tanto quanto confortável aos animais fragilizados pela miséria imposta: uma bela vida após a morte, a recompensa pelos esforços mundanos.
GARGANTA aparece representando a mídia com um alto poder de persuasão; sempre enviado para, através do seu cinismo, convencer os animais.
Além desses personagens o livro descreve alguns animais como composições da massa social, desde MIMOSA, um ser fútil, preguiçosa e interesseira que logo foge da granja, admitindo uma alienação com concessão. À QUITÉRIA, um animal desconfiado, observador e questionador.


E, ao fim da escrita de Jorge Orwell, da leitura de uma parábola que nos faz enxergar a essência humana, paramos, levantamos os olhos e ao nosso redor olhamos os animais, procuramos os homens, comparamos um homem e um animal, mas já se torna impossível distinguir quem é homem e quem é bicho.
Sonic 18/11/2012minha estante
Ótima síntese Valery! Melhor só lendo o lívro!




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