Precisamos Falar Sobre o Kevin

Precisamos Falar Sobre o Kevin Lionel Shriver




Resenhas - Precisamos Falar Sobre o Kevin


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Marselle Urman 22/02/2017

The KKK took my baby away
É difícil falar sobre Kevin. Especialmente falar pouco. Mas muitas resenhas aqui já disseram mais e melhor que eu.

Agradeço ao filme por ter me possibilitado chegar ao livro. Embora o filme tenha mais perguntas e o livro mais respostas, eles são de profundidades díspares. O filme deseja manter o dilema filosófico social de Rousseau X Hobbes : Kevin nasceu assim, ou Eva teve alguma "culpa"? Simplificando muito, logicamente.

No livro pra mim essa resposta é óbvia. Mas não só isso. Eva é uma mulher profundamente inteligente, com uma percepção muito clara das pessoas por si mesmas, embora essencialmente egocêntrica. Carrega o estigma dado pela sociedade a uma mulher de quase quarenta anos sem filhos: ela não deve ser muito boa pessoa. Estigma que permanece vida afora.
Num dado momento eu pensei que seria interessante ler essa mesma narrativa escrita em primeira pessoa por Kevin - depois pensei que não, absolutamente. Não há mais mistério em Kevin, ou sequer algo a acrescentar. Eva o deu a conhecer totalmente.
É um livro não somente cheio de pensamentos íntimos que quase nunca se vê desnudados no papel. É um romance não religioso que sutilmente te leva a indagar o sentido da vida. Pra mim foi profundo e perturbador porque me identifiquei muito, diversas vezes, com a missivista.

Acho que irei reler essa estória algumas vezes enquanto eu viver.


SP, 22/02/2017
Isabela.Graziano 22/02/2017minha estante
obrigada pela sua resenha! comecei a ler o livro ontem e estava meio desanimada.. mas agora depois de ler isso, já me sinto mais motivada para continuar :)




JJ 13/02/2017

Obra de grande potencial, escrito na forma de cartas de Eva (mãe de Kevin) ao marido. Apenas uma autora como Lionel Shriver poderia mergulhar e nos trazer questão tão profundas e relevantes acerca do universo feminino - não se limitando às questões vinculadas à maternidade. Porém, o impacto da obra se perde um pouco no início do terço final. Apesar de ser a mais importante para o objeto da trama, peca por ser um pouco extenso demais, exigindo um pouco do leitor que - naquele momento - passou por quase 400 páginas bem carregadas. Por fim, não deixa de ser um tapa na cara de quem lê, apesar de sentirmos que as marcas dos dedos de Shriver poderiam ter durado um pouco mais.
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João Marcos 07/02/2017

Precisamos Falar Sobre o Kevin
Após tantas cartas falando sobre o Kevin, tudo que ainda preciso fazer é exatamente isso, falar sobre o Kevin. Eu criei uma grande expectativa sobre o livro, talvez mais do que para qualquer outro e valeu muito a pena. O fato da história ser contada através de cartas escritas por Eva após a quinta-feira que mudou sua vida despertou ainda mais a minha curiosidade pra ver como tudo seria explicado. Isso tornou a história tão real que um dos adjetivos que guardei para o livro é verossímil. Os diálogos de Eva com Kevin são incríveis, significam e acrescentam muito à história. Era neles que eu sempre buscava minhas explicações. Precisamos Falar Sobre o Kevin me surpreendeu, bruscamente, até o fim, mesmo quando eu pensava que já sabia de tudo. Não há respostas prontas, há muitas explicações e todas possíveis. Maleficência? Há espaço de sobra para pensar.
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Mandy 01/02/2017

Intrigante. É preciso fazer algumas reflexões para entendê-lo. Primeiro, se de fato as observações feitas pela mãe do Kevin (que de início não queria um filho, depois resolveu engravidar, não necessariamente pela vontade de ser mãe, mas pelo medo de não ter uma "copia" do amado marido) são de fato reais e se não há nenhum exagero por parte da visão dela. Segundo, o constante combate entre mãe e filho. Kevin é extremamente inteligente e não compreende a forma fútil de ser da sociedade. O conceito de família, diversão, aprendizado e socialização são para ele são sem sentido, justamente por ter maior percepção, raciocínio talvez. Aparentemente o garoto de dezesseis anos precisava ser visto, precisava de atenção e se incomodava com a vida perfeita dos outros. Numa tentativa de achar o sentido de sua própria existência, Kevin resolver cometer os assassinatos, matando seu próprio pai e irmã (acredito que nesse ponto kevin tenha sido um tanto "Édipo", dá para perceber em alguns momentos que apesar das provocações intermináveis ele ama a mãe e tinha ciúmes do pai e da irmã) . Não creio que a criação tenha tido alguma influência nas atitudes de Kevin, mas a forma com que ele mesmo encarava a própria vida. A mãe o enfrentava e ele não precisava mascarar-se para ela. Ela o conhecia. Acredito que por isso ele não a matou também.
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Dani 15/01/2017

Precisamos Falar Sobre O Kevin, Lionel Shriver
Precisamos Falar Sobre O Kevin aborda a violência entre os jovens, mas especificamente aqueles que, por algum motivo, abrem fogo em suas escolas. Sempre vemos casos assim, estes sempre deixando as mesmas perguntas. Por que eles fazem isso? O ambiente em que foram criados têm alguma relação?

"Quanto eu não daria, hoje, para voltar aos tempos em que não fazia ideia do que teria pela frente."

Já li alguns livros com essa temática, que exploram a maldade em crianças, e o assunto nunca deixa de me fascinar, de forma que fui ficando cada vez mais cativada por esse livro.
Ele é narrado por Eva Khatchadourian, através de cartas que ela escreve para seu ex-marido, Franklin. Essas cartas trazem assuntos do cotidiano dela, mas sempre acabam falando sobre tudo que aconteceu.

"Assim como todo relacionamento em que há compromisso de ambas as partes, a mentira tem de ser mantida, e com muito mais empenho que o dedicado à verdade, que continua sendo uma mera verdade descuidada sem ajuda de ninguém."

Kevin, filho do casal, com apenas 15 anos assassinou várias pessoas na escola, hoje cumprindo pena em uma instituição para jovens. Eva perdeu sua família, sua vida, por isso e sofre com as consequências dos rumos que sua vida tomou, onde todos parecem culpá-la pelos atos de seu filho.
A personagem revela então, aos poucos, detalhes do que aconteceu. Inicia contando sobre as visitas que faz ao filho, depois aprofundando sobre a vida de Kevin, problemático desde o nascimento.
Esse é um livro que pode parecer difícil de ler no início, por causa das voltas que a personagem dá para contar os fatos nas cartas, e também pelo excesso de detalhes, mas realmente me prendeu e me interessou.

"A culpa ensina uma lição muito clara da qual outras pessoas talvez possam obter consolo: se ao menos ela não..., e com isso torna a tragédia evitável."

Apesar de focar naquela temática, usando vários fatos durante a narrativa, Precisamos Falar Sobre O Kevin levanta vários pontos importantes, principalmente sociais. Nos leva a refletir bastante sobre o papel de uma mãe na sociedade, por exemplo, relacionamentos familiares, e outras situações sociais.
Eu só me senti estranha porque nunca havia me perguntando sobre a mãe, em especial, de alguém que fez algo como Kevin fez. Sempre penso que a pessoa é apenas perturbada e, claro, sempre haveria um preconceito com a família inteira, mas nunca enxerguei a mãe como descarga para tudo. Mesmo assim, concordo que é impossível não querer perguntar, à mesma, se ela notou algo no filho, se ela podia ter impedido. Afinal, é o que a sociedade pensa.

"Só posso presumir que essas pessoas bem-intencionadas sintam-se comovidas com a minha aflição. Mas me incomodou que quase todo esse consolo tenha sido oferecido por estranhos, o que o fez parecer sem valor; e um certo toque de vaidade deixou transparecer que essa clemência conspícua transformou-se na versão religiosa de dirigir um carro chamativo."

O livro todo, de certa forma, gira em torno dessa palavra. Como impedir tragédias como essa? Como lidar com a culpa, mesmo que não seja, especificamente, você a causa? Eva é muito atormentada por pensamentos como esses, por ter sido sempre enxergada como a pessoa que deveria ter visto os sinais. Ela me dividiu bastante; por um lado, fez coisas que não devia ter feito quando estava tão sem preparo e, por outro, não posso deixar de sentir pena dela já que ela pagou o dobro do que fez. Acho que ninguém sabe, realmente, no que está metendo quando toma alguma decisão, quando tenta algo novo. E as consequências, ás vezes, são grandes demais.

"Não há batalha mais fadada ao fracasso do que a travada com o imaginário."

São poucos personagens além dela, com Franklin também sendo esboçado aos poucos. Senti muita raiva dele por ser tão cego, mas também é fácil entendê-lo, apesar de o conhecermos pelo ponto de vista de Eva.
E, então, há Kevin. Eva tenta, em suas cartas, esmiuçar cada detalhe da personalidade do filho. Ele é realmente um personagem complexo, com uma mente que ficava louca para compreender, junto à sua mãe. Uma pessoa fria, extremamente inteligente, e capaz de coisas tão terríveis feitas de forma tão brilhante. Kevin é realmente interessante e, apesar de tudo, fiquei com pena dele também. Imaginar alguém tão, sei lá...vazio.
Essa leitura me lembrou de algo que eu havia percebido em alguns livros ou histórias e que, de certa forma faz sentido: será que as pessoas sempre manifestam assim o que são, desde o berço? Nem sei se consigo expressar bem mas, no caso do personagem, desde que nasceu ele demonstrava a mesma personalidade de adolescente. Aquela pergunta sobre o "mal" ser algo que nasce com a pessoa sempre me vem.

"Jamais teria me imaginado como alguém capaz de perder tempo com o que os outros pensam, mas quem entesoura segredos culpados acaba inevitavelmente fascinado pelas aparências."

Um livro, sem dúvidas, muito impactante e bem construído. Cada detalhe bate com o outro, tudo bastante convincente e, ás vezes, até dá para esquecer de que é ficção. Os últimos capítulos são totalmente tensos, onde é contado em detalhes o que aconteceu na tal quinta-feira. É chocante, mas não deixa de me fazer me sentir admirada pelo personagem, por ter pensado em tudo assim. Essa parte meio que traz à realidade de que é uma estória ficcional, já que é um crime incrível demais para ser real.

"Engraçado como a lembrança de um dia normal é a primeira que some."

Por ser todo focado em psicologia assim, quando iniciei a leitura pensei que haveria alguma conclusão para a tal grande pergunta. Mas a estória fecha com mais esse choque de realidade intrigante: ninguém sabe, nem irá saber. Tragédias assim acontecem porque acontecem, por mais que sejam terríveis. Não há como saber porquê, nem de quem é a culpa. No fim, não faz diferença.

site: http://cookiescreamandmint.blogspot.com.br/2017/01/precisamos-falar-sobre-o-kevin-lionel.html
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Adriana 12/01/2017

Assustador...
Precisamos falar sobre o Kevin é um livo forte que assusta ao retratar de forma sincera o arrependimento de uma mãe em relação a maternidade e o seu medo de que isso seja a causa dos atos cometidos pelo filho. Será que a culpa é dela, da família ou é de Kevin que nasceu mal? Eva tenta achar essas respostas ao analisar a relação familiar através das cartas que escreve para o marido. Nessas cartas, ela destrincha cada acontecimento, seja ele feliz ou não. Desde seu casamento feliz, seu amor pelo marido, suas dúvidas em ser ou não mãe, o nascimento do filho, a difícil decisão de largar o emprego e mudar de casa, a constatação da inerente falta de empatia de Kevin por todos desde o nascimento, o vínculo fácil com seu segundo filho até o papel do pai na dinâmica da família; tudo isso vem a tona de forma fria e cruel. O leitor acompanha tudo, ora sentindo raiva, ora tentando compreender junto com a Eva, o que deu errado. Eva vê em seu filho muito dela mesmo e isso a assusta. Ao final de história, o leitor constata que vínculo mãe-filho que tanto Eva se recente e deseja existe, mas é frio e carregado de culpa e medo. Mesmo assim é este vínculo que a mantém presa ao filho, tentando ajudá-lo, mesmo que nem ela ou ele saiba se esta ajuda é possível. É um livro polêmico que vale cada palavra escrita.
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SilviaCris 07/01/2017

Um livro brilhantemente perturbador. Não é um livro fácil, mas é uma das narrativas que mais me marcaram, principalmente pela forma assustadoramente honesta em que retrata a falta de vínculo e a indiferença que permeia a relação de uma mãe e seu filho.

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Jérb 10/12/2016

Seja lá quem for o culpado, o livro é sensacional!
Eu fiquei uns bons dias atormentada após assistir o filme. Cogitei a ideia de ler o livro, e vou confessar que umas boas três vezes eu pensei em desistir, mas cá estou após terminar de lê-lo por uns bons longos meses.

É primordial falarmos sobre o Kevin, sobre essa ficção incrível que o Lionel transformou em livro e sobre o quanto a ausência de afeto destroem uma família. Quem seria Kevin? Um psicopata? Um monstro? Uma criança inocente e rejeitada? Enfim, Kevin é um daqueles personagens instigantes que te prende até o final da história.

Kevin já antes de nascer, traz sérios problemas a sua mãe, Eva (interpretada por Tilda Swinton), uma mulher casada, independente e sucedida na vida – mas que no momento em que descobre a gravidez, passa a se tornar uma esquisita. Logo no inicio, fica pouco evidente – e os flashes com o decorrer da estória, passa há confundir um pouco o enredo exato sobre Kevin – porém, é nítido que o vermelho é uma cor que está presente desde os momentos iniciais até o final, ao assassinato.

É um tanto comovente com o passar da leitura, a compreensão em relação ao sofrimento que Eva tanto carrega em seus olhos. Em refletirmos sobre a importância na função do papel materno. Em querer ter um filho x e x sobre ter um filho. Além de outras questões familiares, é notável que desde o inicio, a gravidez sempre foi um momento doloroso à Eva, diferente do marido que sentia um desejo pelo filho.

Kevin já vem com sentimento de desgosto e rejeição, e percebe isso com o passar do tempo. E então, perto dos seus quinze anos, decide solucionar todos os seus problemas, de uma forma bastante similar a crimes horrendos que já estamos acostumados a ouvir. Porém, diferente do filme, o livro não foca tanto nesse aspecto, e sim, mais nos diálogos de Eva em relação ao Flanklin – e como foi torturante (não) aprender a ser mãe de Kevin.

Eva nos envolve em suas cartas cheias de culpa e tristeza – destinadas ao Franklin. Faz-nos refletir sobre quem realmente tem a culpa no final trágico de Kevin.



site: https://fonenacabeceira.wordpress.com/
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Hellen 06/12/2016

Assustadoramente bem escrito e honesto
O maior spoiler dessa resenha é que ela começa e termina com um "que livro foda do caralho!" E vou lhe dar alguns motivos para tal afirmação.
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É comum sentir medo dentro da própria casa? Não sentir qualquer familiaridade com o seu filho? Não sentir que ele faz parte de você ou não ter qualquer empatia por ele? É isso que Eva Khatchadourian sente ao chegar em casa: medo. Essa palavra se tornou complacente e cotidiana na sua vida desde o nascimento de Kevin.
Mas quem é Kevin? E por que essa necessidade de se falar sobre um garoto de 16 anos? Kevin é "o autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio dos subúrbios de Nova York."
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A história perfaz por meio de cartas e em ordem cronológica. A necessidade de falar sobre Kevin acontece antes mesmo do seu nascimento. Com a vontade de ter um filho, Eva narra os desafios e os medos que permeiam a gravidez. Logo depois, com o nascimento, chegam os desafios de criar uma criança que ora é extremamente calada ora parece uma britadeira de tanto gritar. Kevin, desde o início, já mostra sua força: a repulsa pelo leite materno, a gritaria, a raiva, as babás que não duram, a instigação para que outras pessoas façam coisas ruins, o aspecto frouxo e sem vida de ser, a raiva, o olhar vazio, a maldade pura e simples.
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O objetivo dessa resenha não é vos contar sobre do que se trata essa história - deixe para descobrir no ato -, e sim para falar sobre o modo de escrita de Lionel Shriver.

Certamente você já leu ou ouviu algum elogio destinado à autora, e não é exagero. O modo de escrita e o formato do seu texto é extremamente honesto e assustadoramente real. Eu precisei ficar lembrando que essa não é uma história real, que tudo é mera ficção.

Numa passagem do livro, a autora escreve que Franklin (marido) era uma pessoa que arredondava tudo, enquanto Eva era exalava sincera. E acho que o livro inteiro é assim: extremamente honesto. Não há meias palavras nessa história. Ela é o que é e ponto.

Precisamos falar sobre Kevin é uma leitura de extremos. Começou com um 'Não estou entendendo nada', 'chato e cansativo' à 'que porra é essa' e finalizou com um QUE LIVRO FODA DO CARALHO!

site: https://www.instagram.com/sobreumlivro/
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Mari.Mari 27/11/2016

Esse livro é excelente, apesar de ser um tema bem pesado, apertar seu coração, mas vale a pena ler e assistir o filme que é igualmente bom
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Ana 23/11/2016

Um livro assombrosamente bom
Eva é uma mulher contente com seu emprego e com seu relacionamento com Franklin, até que ela se vê diante do desejo de seu companheiro de ter um filho. Sua gravidez é complicada, e ao nascer Kevin, Eva logo percebe que ele será uma criança incomum. Ou algo pior. Um livro chocantemente realista e bom, que desconstrói algumas idéias sobre assassinos em massa. Será que um psicopata que teve uma infância materialmente feliz tem motivos aparentes para cometer crimes?
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Larah 18/11/2016

Psicológico, sociológico, pessoal
Particularmente, quando eu assisto a uma adaptação cinematográfica antes de ler o livro, tenho a presunção de já conhecer a história e desanimar com a leitura. O que diferencia este livro do filme (portanto válido de ler, mesmo posteriormente ao filme) é a perspectiva. Aqui temos acesso à história de Kevin e sua família através da mãe, o que torna esse um relato feminino - no sentido sociológico - e materno.

Amei Lionel Shriver profundamente ao decorrer da leitura por retratar o universo público e privado de Eva. Seus pensamentos mais crueis e humanos são escancarados, de modo que inicialmente é possível que você sinta repulsa por Eva antes de ter qualquer sentimento negativo por Kevin. Além de produzir mais questionamentos que respostas: de onde vem o mal? ele é inato ou derivado? uma rejeição pode ser sentida e interiorizada de forma a se exprimir no futuro? a pressão social atinge a vida das pessoas ao ponto de ditá-las ou as escolhas pessoais são predominantes? Lionel levanta questões psicológicas, questões da maternidade, questões sociais e isso foi o que me prendeu.

Cada carta me aproximava mais de Eva, uma mulher culta, viajada e insatisfeita, que só percebe quão boa sua vida se tornou do percurso da infância até a fase adulta ao perder a facilidade anterior à Kevin. A insatisfação de Eva não é tão distante da insatisfação de Kevin, ainda assim, a desproporção é suficiente para que não seja ela a impor uma arma sobre sua vida e destruí-la ao sabor do sangue.
Fabio.Felix 18/11/2016minha estante
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mardegan 16/11/2016

Interessante.
Precisamos falar sobre sobre o Kevin é um livro no minimo perturbador.
A forma como ele é escrito, através de cartas, o torna ainda mais INTERESSANTE. Eva, mãemãe (não é um erro,quem ler vai entender) de Kevin, descreve os acontecimentos de sua vida e experiencias passadas com o garoto desde a gestação até os dias atuais. Não é segredo que Kevin, quando adolescente, se torna um assassino, porem a autora faz com que ao decorrer da historia, o leitor fique cada vez mais instigado e talvez um pouco perturbado, para não dizer um tanto quanto assustado, em relação á Kevin, nas entrelinhas a autora deixa espaço para o leitor imaginar como funciona a mente do garoto.
O livro é repleto de surpresas devastadoras, situações onde o leitor sente raiva, dó e indignação. Uma leitura super tranquila, porem de fato é necessário ser persistente no inicio, até a história ter mais consistência.
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Stefanie.Brinks 08/11/2016

Quer ser mãe? Tem certeza?
Kevin é um psicopata da pior espécie mas o livro não se detêm nele e sim na mãe, Eva. Ela conta na forma de uma diário, sua história antes, durante e depois de Kevin. Após seu filho cometer um crime bárbaro, sua vida foi formalmente destruída, pois antes ela já sabia, bem no fundo do que seu filho poderia ser capaz. A autora, sem medo, toca no delicado assunto sobre a maternidade, um dos pontos mais marcantes para mim. Descreve de um modo visceral a aberração de ser mãe, de passar por todo o processo de transformação. Ela escreve um outro lado real mas que poucos têm a coragem de expor. A áurea brilhante que permeia a maternidade vai se apagando quando surge o arrependimento de ter tido um filho e de ter dia após dia a certeza de que talvez ele não seja uma benção mas sim um martírio.
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