Precisamos Falar Sobre o Kevin

Precisamos Falar Sobre o Kevin Lionel Shriver




Resenhas - Precisamos Falar Sobre o Kevin


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Dani 15/01/2017

Precisamos Falar Sobre O Kevin, Lionel Shriver
Precisamos Falar Sobre O Kevin aborda a violência entre os jovens, mas especificamente aqueles que, por algum motivo, abrem fogo em suas escolas. Sempre vemos casos assim, estes sempre deixando as mesmas perguntas. Por que eles fazem isso? O ambiente em que foram criados têm alguma relação?

"Quanto eu não daria, hoje, para voltar aos tempos em que não fazia ideia do que teria pela frente."

Já li alguns livros com essa temática, que exploram a maldade em crianças, e o assunto nunca deixa de me fascinar, de forma que fui ficando cada vez mais cativada por esse livro.
Ele é narrado por Eva Khatchadourian, através de cartas que ela escreve para seu ex-marido, Franklin. Essas cartas trazem assuntos do cotidiano dela, mas sempre acabam falando sobre tudo que aconteceu.

"Assim como todo relacionamento em que há compromisso de ambas as partes, a mentira tem de ser mantida, e com muito mais empenho que o dedicado à verdade, que continua sendo uma mera verdade descuidada sem ajuda de ninguém."

Kevin, filho do casal, com apenas 15 anos assassinou várias pessoas na escola, hoje cumprindo pena em uma instituição para jovens. Eva perdeu sua família, sua vida, por isso e sofre com as consequências dos rumos que sua vida tomou, onde todos parecem culpá-la pelos atos de seu filho.
A personagem revela então, aos poucos, detalhes do que aconteceu. Inicia contando sobre as visitas que faz ao filho, depois aprofundando sobre a vida de Kevin, problemático desde o nascimento.
Esse é um livro que pode parecer difícil de ler no início, por causa das voltas que a personagem dá para contar os fatos nas cartas, e também pelo excesso de detalhes, mas realmente me prendeu e me interessou.

"A culpa ensina uma lição muito clara da qual outras pessoas talvez possam obter consolo: se ao menos ela não..., e com isso torna a tragédia evitável."

Apesar de focar naquela temática, usando vários fatos durante a narrativa, Precisamos Falar Sobre O Kevin levanta vários pontos importantes, principalmente sociais. Nos leva a refletir bastante sobre o papel de uma mãe na sociedade, por exemplo, relacionamentos familiares, e outras situações sociais.
Eu só me senti estranha porque nunca havia me perguntando sobre a mãe, em especial, de alguém que fez algo como Kevin fez. Sempre penso que a pessoa é apenas perturbada e, claro, sempre haveria um preconceito com a família inteira, mas nunca enxerguei a mãe como descarga para tudo. Mesmo assim, concordo que é impossível não querer perguntar, à mesma, se ela notou algo no filho, se ela podia ter impedido. Afinal, é o que a sociedade pensa.

"Só posso presumir que essas pessoas bem-intencionadas sintam-se comovidas com a minha aflição. Mas me incomodou que quase todo esse consolo tenha sido oferecido por estranhos, o que o fez parecer sem valor; e um certo toque de vaidade deixou transparecer que essa clemência conspícua transformou-se na versão religiosa de dirigir um carro chamativo."

O livro todo, de certa forma, gira em torno dessa palavra. Como impedir tragédias como essa? Como lidar com a culpa, mesmo que não seja, especificamente, você a causa? Eva é muito atormentada por pensamentos como esses, por ter sido sempre enxergada como a pessoa que deveria ter visto os sinais. Ela me dividiu bastante; por um lado, fez coisas que não devia ter feito quando estava tão sem preparo e, por outro, não posso deixar de sentir pena dela já que ela pagou o dobro do que fez. Acho que ninguém sabe, realmente, no que está metendo quando toma alguma decisão, quando tenta algo novo. E as consequências, ás vezes, são grandes demais.

"Não há batalha mais fadada ao fracasso do que a travada com o imaginário."

São poucos personagens além dela, com Franklin também sendo esboçado aos poucos. Senti muita raiva dele por ser tão cego, mas também é fácil entendê-lo, apesar de o conhecermos pelo ponto de vista de Eva.
E, então, há Kevin. Eva tenta, em suas cartas, esmiuçar cada detalhe da personalidade do filho. Ele é realmente um personagem complexo, com uma mente que ficava louca para compreender, junto à sua mãe. Uma pessoa fria, extremamente inteligente, e capaz de coisas tão terríveis feitas de forma tão brilhante. Kevin é realmente interessante e, apesar de tudo, fiquei com pena dele também. Imaginar alguém tão, sei lá...vazio.
Essa leitura me lembrou de algo que eu havia percebido em alguns livros ou histórias e que, de certa forma faz sentido: será que as pessoas sempre manifestam assim o que são, desde o berço? Nem sei se consigo expressar bem mas, no caso do personagem, desde que nasceu ele demonstrava a mesma personalidade de adolescente. Aquela pergunta sobre o "mal" ser algo que nasce com a pessoa sempre me vem.

"Jamais teria me imaginado como alguém capaz de perder tempo com o que os outros pensam, mas quem entesoura segredos culpados acaba inevitavelmente fascinado pelas aparências."

Um livro, sem dúvidas, muito impactante e bem construído. Cada detalhe bate com o outro, tudo bastante convincente e, ás vezes, até dá para esquecer de que é ficção. Os últimos capítulos são totalmente tensos, onde é contado em detalhes o que aconteceu na tal quinta-feira. É chocante, mas não deixa de me fazer me sentir admirada pelo personagem, por ter pensado em tudo assim. Essa parte meio que traz à realidade de que é uma estória ficcional, já que é um crime incrível demais para ser real.

"Engraçado como a lembrança de um dia normal é a primeira que some."

Por ser todo focado em psicologia assim, quando iniciei a leitura pensei que haveria alguma conclusão para a tal grande pergunta. Mas a estória fecha com mais esse choque de realidade intrigante: ninguém sabe, nem irá saber. Tragédias assim acontecem porque acontecem, por mais que sejam terríveis. Não há como saber porquê, nem de quem é a culpa. No fim, não faz diferença.

site: http://cookiescreamandmint.blogspot.com.br/2017/01/precisamos-falar-sobre-o-kevin-lionel.html
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Adriana 12/01/2017

Assustador...
Precisamos falar sobre o Kevin é um livo forte que assusta ao retratar de forma sincera o arrependimento de uma mãe em relação a maternidade e o seu medo de que isso seja a causa dos atos cometidos pelo filho. Será que a culpa é dela, da família ou é de Kevin que nasceu mal? Eva tenta achar essas respostas ao analisar a relação familiar através das cartas que escreve para o marido. Nessas cartas, ela destrincha cada acontecimento, seja ele feliz ou não. Desde seu casamento feliz, seu amor pelo marido, suas dúvidas em ser ou não mãe, o nascimento do filho, a difícil decisão de largar o emprego e mudar de casa, a constatação da inerente falta de empatia de Kevin por todos desde o nascimento, o vínculo fácil com seu segundo filho até o papel do pai na dinâmica da família; tudo isso vem a tona de forma fria e cruel. O leitor acompanha tudo, ora sentindo raiva, ora tentando compreender junto com a Eva, o que deu errado. Eva vê em seu filho muito dela mesmo e isso a assusta. Ao final de história, o leitor constata que vínculo mãe-filho que tanto Eva se recente e deseja existe, mas é frio e carregado de culpa e medo. Mesmo assim é este vínculo que a mantém presa ao filho, tentando ajudá-lo, mesmo que nem ela ou ele saiba se esta ajuda é possível. É um livro polêmico que vale cada palavra escrita.
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SilviaCris 07/01/2017

Um livro brilhantemente perturbador. Não é um livro fácil, mas é uma das narrativas que mais me marcaram, principalmente pela forma assustadoramente honesta em que retrata a falta de vínculo e a indiferença que permeia a relação de uma mãe e seu filho.

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Jérb 10/12/2016

Seja lá quem for o culpado, o livro é sensacional!
Eu fiquei uns bons dias atormentada após assistir o filme. Cogitei a ideia de ler o livro, e vou confessar que umas boas três vezes eu pensei em desistir, mas cá estou após terminar de lê-lo por uns bons longos meses.

É primordial falarmos sobre o Kevin, sobre essa ficção incrível que o Lionel transformou em livro e sobre o quanto a ausência de afeto destroem uma família. Quem seria Kevin? Um psicopata? Um monstro? Uma criança inocente e rejeitada? Enfim, Kevin é um daqueles personagens instigantes que te prende até o final da história.

Kevin já antes de nascer, traz sérios problemas a sua mãe, Eva (interpretada por Tilda Swinton), uma mulher casada, independente e sucedida na vida – mas que no momento em que descobre a gravidez, passa a se tornar uma esquisita. Logo no inicio, fica pouco evidente – e os flashes com o decorrer da estória, passa há confundir um pouco o enredo exato sobre Kevin – porém, é nítido que o vermelho é uma cor que está presente desde os momentos iniciais até o final, ao assassinato.

É um tanto comovente com o passar da leitura, a compreensão em relação ao sofrimento que Eva tanto carrega em seus olhos. Em refletirmos sobre a importância na função do papel materno. Em querer ter um filho x e x sobre ter um filho. Além de outras questões familiares, é notável que desde o inicio, a gravidez sempre foi um momento doloroso à Eva, diferente do marido que sentia um desejo pelo filho.

Kevin já vem com sentimento de desgosto e rejeição, e percebe isso com o passar do tempo. E então, perto dos seus quinze anos, decide solucionar todos os seus problemas, de uma forma bastante similar a crimes horrendos que já estamos acostumados a ouvir. Porém, diferente do filme, o livro não foca tanto nesse aspecto, e sim, mais nos diálogos de Eva em relação ao Flanklin – e como foi torturante (não) aprender a ser mãe de Kevin.

Eva nos envolve em suas cartas cheias de culpa e tristeza – destinadas ao Franklin. Faz-nos refletir sobre quem realmente tem a culpa no final trágico de Kevin.



site: https://fonenacabeceira.wordpress.com/
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Hellen 06/12/2016

Assustadoramente bem escrito e honesto
O maior spoiler dessa resenha é que ela começa e termina com um "que livro foda do caralho!" E vou lhe dar alguns motivos para tal afirmação.
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É comum sentir medo dentro da própria casa? Não sentir qualquer familiaridade com o seu filho? Não sentir que ele faz parte de você ou não ter qualquer empatia por ele? É isso que Eva Khatchadourian sente ao chegar em casa: medo. Essa palavra se tornou complacente e cotidiana na sua vida desde o nascimento de Kevin.
Mas quem é Kevin? E por que essa necessidade de se falar sobre um garoto de 16 anos? Kevin é "o autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio dos subúrbios de Nova York."
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A história perfaz por meio de cartas e em ordem cronológica. A necessidade de falar sobre Kevin acontece antes mesmo do seu nascimento. Com a vontade de ter um filho, Eva narra os desafios e os medos que permeiam a gravidez. Logo depois, com o nascimento, chegam os desafios de criar uma criança que ora é extremamente calada ora parece uma britadeira de tanto gritar. Kevin, desde o início, já mostra sua força: a repulsa pelo leite materno, a gritaria, a raiva, as babás que não duram, a instigação para que outras pessoas façam coisas ruins, o aspecto frouxo e sem vida de ser, a raiva, o olhar vazio, a maldade pura e simples.
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O objetivo dessa resenha não é vos contar sobre do que se trata essa história - deixe para descobrir no ato -, e sim para falar sobre o modo de escrita de Lionel Shriver.

Certamente você já leu ou ouviu algum elogio destinado à autora, e não é exagero. O modo de escrita e o formato do seu texto é extremamente honesto e assustadoramente real. Eu precisei ficar lembrando que essa não é uma história real, que tudo é mera ficção.

Numa passagem do livro, a autora escreve que Franklin (marido) era uma pessoa que arredondava tudo, enquanto Eva era exalava sincera. E acho que o livro inteiro é assim: extremamente honesto. Não há meias palavras nessa história. Ela é o que é e ponto.

Precisamos falar sobre Kevin é uma leitura de extremos. Começou com um 'Não estou entendendo nada', 'chato e cansativo' à 'que porra é essa' e finalizou com um QUE LIVRO FODA DO CARALHO!

site: https://www.instagram.com/sobreumlivro/
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Mari.Mari 27/11/2016

Esse livro é excelente, apesar de ser um tema bem pesado, apertar seu coração, mas vale a pena ler e assistir o filme que é igualmente bom
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Ana 23/11/2016

Um livro assombrosamente bom
Eva é uma mulher contente com seu emprego e com seu relacionamento com Franklin, até que ela se vê diante do desejo de seu companheiro de ter um filho. Sua gravidez é complicada, e ao nascer Kevin, Eva logo percebe que ele será uma criança incomum. Ou algo pior. Um livro chocantemente realista e bom, que desconstrói algumas idéias sobre assassinos em massa. Será que um psicopata que teve uma infância materialmente feliz tem motivos aparentes para cometer crimes?
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Larah 18/11/2016

Psicológico, sociológico, pessoal
Particularmente, quando eu assisto a uma adaptação cinematográfica antes de ler o livro, tenho a presunção de já conhecer a história e desanimar com a leitura. O que diferencia este livro do filme (portanto válido de ler, mesmo posteriormente ao filme) é a perspectiva. Aqui temos acesso à história de Kevin e sua família através da mãe, o que torna esse um relato feminino - no sentido sociológico - e materno.

Amei Lionel Shriver profundamente ao decorrer da leitura por retratar o universo público e privado de Eva. Seus pensamentos mais crueis e humanos são escancarados, de modo que inicialmente é possível que você sinta repulsa por Eva antes de ter qualquer sentimento negativo por Kevin. Além de produzir mais questionamentos que respostas: de onde vem o mal? ele é inato ou derivado? uma rejeição pode ser sentida e interiorizada de forma a se exprimir no futuro? a pressão social atinge a vida das pessoas ao ponto de ditá-las ou as escolhas pessoais são predominantes? Lionel levanta questões psicológicas, questões da maternidade, questões sociais e isso foi o que me prendeu.

Cada carta me aproximava mais de Eva, uma mulher culta, viajada e insatisfeita, que só percebe quão boa sua vida se tornou do percurso da infância até a fase adulta ao perder a facilidade anterior à Kevin. A insatisfação de Eva não é tão distante da insatisfação de Kevin, ainda assim, a desproporção é suficiente para que não seja ela a impor uma arma sobre sua vida e destruí-la ao sabor do sangue.
Fabio.Felix 18/11/2016minha estante
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mardegan 16/11/2016

Interessante.
Precisamos falar sobre sobre o Kevin é um livro no minimo perturbador.
A forma como ele é escrito, através de cartas, o torna ainda mais INTERESSANTE. Eva, mãemãe (não é um erro,quem ler vai entender) de Kevin, descreve os acontecimentos de sua vida e experiencias passadas com o garoto desde a gestação até os dias atuais. Não é segredo que Kevin, quando adolescente, se torna um assassino, porem a autora faz com que ao decorrer da historia, o leitor fique cada vez mais instigado e talvez um pouco perturbado, para não dizer um tanto quanto assustado, em relação á Kevin, nas entrelinhas a autora deixa espaço para o leitor imaginar como funciona a mente do garoto.
O livro é repleto de surpresas devastadoras, situações onde o leitor sente raiva, dó e indignação. Uma leitura super tranquila, porem de fato é necessário ser persistente no inicio, até a história ter mais consistência.
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Stefanie.Brinks 08/11/2016

Quer ser mãe? Tem certeza?
Kevin é um psicopata da pior espécie mas o livro não se detêm nele e sim na mãe, Eva. Ela conta na forma de uma diário, sua história antes, durante e depois de Kevin. Após seu filho cometer um crime bárbaro, sua vida foi formalmente destruída, pois antes ela já sabia, bem no fundo do que seu filho poderia ser capaz. A autora, sem medo, toca no delicado assunto sobre a maternidade, um dos pontos mais marcantes para mim. Descreve de um modo visceral a aberração de ser mãe, de passar por todo o processo de transformação. Ela escreve um outro lado real mas que poucos têm a coragem de expor. A áurea brilhante que permeia a maternidade vai se apagando quando surge o arrependimento de ter tido um filho e de ter dia após dia a certeza de que talvez ele não seja uma benção mas sim um martírio.
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Jeff.Rodrigues 06/11/2016

Não é qualquer livro que expõe os conflitos, dramas e pensamentos íntimos familiares de forma tão crua e sem maquiagens como a jornalista Lionel Shriver faz em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Este é um livro para quem não busca refúgio em dramas que atenuam tudo em nome de mensagens bonitinhas. É um livro sincero e honesto como poucos.
A história é contada de forma epistolar. Eva escreve cartas para seu marido ausente, Franklin, revivendo a trajetória de romance, casamento, projetos pessoais, filhos e as situações decorrentes de cada episódio ocorrido na vida da família. Uma família destruída por uma tragédia recorrente na sociedade norte-americana: o primogênito, Kevin, planejou e executou sete colegas da escola, uma professora e um funcionário da cantina a flechadas.

Leia a resenha completa no link abaixo:


site: http://leitorcompulsivo.com.br/2016/11/06/resenha-precisamos-falar-sobre-o-kevin-lionel-shriver/
Henry 08/11/2016minha estante
Esse livro é sensacional!




Mah 31/10/2016

We Need to Talk about Kevin
Ganhei esse livro da minha mãe em meados de 2012 mas por ter outros livros na frente eu acabei deixando ele na estante, mas me arrependo porque é um livro sensacional, nunca tinha lido nada dessa escritora, Lionel shriver, então foi um choque muito grande me deparar com uma leitura tão densa. O livro é narrado em primeira pessoa, isso faz você ter uma proximidade maior ainda com a mãe do kevin.A autora utilizou um estilo bastante peculiar, em que a personagem principal, Eva, dois anos após o filho ter feito um massacre na quadra de esportes do colégio em que estudava, matando sete colegas, uma professora e um funcionário da cantina, numa quinta-feira, escreve cartas a um marido ausente e que, de forma misteriosa, nunca responde. Nelas, ela busca entender o motivo do acontecimento contando a sua história; começa com o mundo cruel e desolado em que vive hoje, em que é discriminada como a mãe de um assassino e vai lembrando de seu relacionamento feliz e apaixonado com o marido Franklin, suas dúvidas sobre a maternidade, a difícil escolha entre a carreira e a vida doméstica, o nascimento de Kevin e os momentos mais significativos da infância e adolescência de seu filho. Chega ao ponto de confessar, em sua sinceridade, os momentos em que considerou o marido um ?babaca?, que ela não amava Kevin e que queria sua vida sem filhos de volta.

Apesar de sabermos de antemão como a história terminará, a autora nos reserva algumas surpresas impressionantes em seus capítulos finais, quando Eva detalha o dia do massacre. E, mesmo com essa linguagem diferente, que poderia tornar as 463 páginas do livro tediosas, sua leitura passa voando, dada a abordagem de temas tão intrigantes, de forma poderosa e envolvente; Lionel Shriver nos faz pensar muito no papel da família, na violência nas escolas, no mito da maternidade e em quais as causas da psicopatia. Um livro denso, intenso e perturbador.
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Natalie 28/10/2016

Houve época em que eu passei manhãs inteiras de sábado assistindo à programação do Investigação Discovery e os casos dos assassinos em série ou pessoas com distúrbios psicológicos graves sempre chamaram minha atenção. No entanto, quando se trata de ver filmes de terror que mostrem cenas sangrentas ou que causem muito suspense eu sou a primeira a declinar. Assim, livros de suspense ou terror são bem-vindos, pois não vejo as imagens chocantes ao mesmo tempo em que mato a curiosidade. Apenas não imaginei que falar sobre o Kevin fosse tão desconcertante.

O livro é um romance epistolar, no qual Eva, a mãe de Kevin, endereça cartas a Franklin, seu marido. Nessas correspondências são contados detalhes da vida em comum antes mesmo da família estar completa. Ter ou não filhos era um assunto controverso entre o casal e foi uma decisão bastante postergada por eles. Segundo afirmam, a paternidade é sumariamente um ato de preservação da espécie, como se fosse impossível e indesejável a criação de laços com os descendentes que devem, de acordo com os costumes norte-americanos abandonar, em definitivo, o lar aos dezoito anos.

As cartas estão recheadas de amargor. Primeiro, pelo sentimento de fracasso para com o primogênito; segundo, por nunca ter conseguido penetrar no oceano escuro e perigoso que era Kevin. Isso era causa ou conseqüência da atrocidade cometida por ele? Qual o motivo de ter matado vários colegas escolhidos a dedo de forma tão singular, com um toque extremamente pessoal e planejado? A resposta é que provavelmente não há resposta, não houve motivos. Fiquei com a sensação deprimente de que a bondade é exceção.

A leitura é rápida e parece ser dirigida a qualquer um dos leitores, o apelo de uma mãe que lutou contra o desprezo pelo filho e por si, de brinde. A escrita é bem real e desperta sensações físicas desagradáveis todo o tempo (pode ser uma mostra daquilo que era uma constante para os personagens), o que foi ajudado pelo fato do autor usar como pano de fundo histórias de adolescentes verídicos. Vale registrar que precisei de uma analgésico para conseguir acabar as últimas páginas, tive dor de cabeça. Ainda estou, por sinal.
Valério 28/10/2016minha estante
Me convenceu a ler. Obrigado!


Natalie 28/10/2016minha estante
Eu quem agradeço. :)


Marta 28/10/2016minha estante
Excelente resenha Natalie, mas diferentemente do Valério, não me convenceu a ler. Não pelo que escreveu, mas porque sou uma maricas. ;)


Marta 28/10/2016minha estante
Quanto à dor de cabeça quem sabe uma leitura mais amena resolva?
Boa sorte aí.


Natalie 28/10/2016minha estante
Obrigada pelo elogio, Marta. Estou terminando Grandes Esperanças de hoje pra amanhã. É meio intrigante, mas não perturbador, o que já ajuda ;)


Cy 28/10/2016minha estante
Lembra o que te disse sobre perturbar tudo a que tem direito? rssss


Natalie 28/10/2016minha estante
Foi a primeira coisa que pensei depois que terminei. "Bem que Cy disse" hahaha


Marta 28/10/2016minha estante
Nunca li Grandes Esperanças, mas tá tem um bocado de tempo.
Feliz leitura, Natalie.


Natalie 28/10/2016minha estante
Obrigada :D


aline naomi :) 07/11/2016minha estante
Um dos meus favoritos!




Christine 22/10/2016

Dissecando o conto de fadas da maternidade
Bem, acabo de encerrar a minha leitura desse amontoado de páginas e me sinto aturdida pelo número de lições que consegui adquirir nessa pequena jornada literária.
Todos pelo menos alguma vez na vida ouvimos falar sobre o famoso "instinto materno", como o fato de colocar uma criança ao mundo torna de uma hora para outra sua vida presa a outros sentimentos e certezas, que no minuto em que seu filho, chega ao mundo inegavelmente tudo muda para você. Lionel Shriver conseguiu abordar essa temática forte e com a precisão cirúrgica desmistificar a grande romantização da maternidade e do que é de fato se tornar mãe - como nem tudo é esse conto de fadas cheio de fotografias, sorrisos e perfeição.
Não obstante, ela trabalha diligentemente sobre o inicio da vida de um psicopata - o que fez com que ele se tornasse isso? a criação? a gestação? algum gene especificamente mau agindo em sua gênesis? - utilizando uma narrativa psicanalítica para tentar desvendar o que de fato, tornou Kevin, o famoso KK.
Entremeio a os dois pontos chaves - a perfeição da maternidade desmentida e o que torna uma pessoa um assassino sanguinário - a estória discorre sobre como a relação de pai e filho pode ser forçada ao máximo para realizar as fantasias metafisicas da infancia do próprio pai, como carreira, casamento e vida social são alteradas com a chegada de um filho, como medos e angústias podem tornar muito mais fácil o ato de puxar um gatilho.
Shriver entrou para o hall dos meus autores preferidas - conquistando o topo do pódium para mim, em particular. A humanização dos personagens somadas a uma narrativa sincera e admitindo as problematicas de uma vida - que nem sempre podem ser superadas - tornou essa obra um primor para mim.
Indico a todos que querem ir a fundo em questões psicológicas e sociais errôneas que ninguém fala em voz alta, ou sequer admitem.
Dou a essa obra de arte, um grande e merecido 5 estrelas!
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Armele 17/10/2016

Verdadeiro!
Um livro interessante, que levanta alguns questionamentos... uma pessoa nasce psicopata ou torna-se? Será culpa dos pais?

O livro mostra as cartas escritas pela mãe do Kevin endereçadas ao seu marido, Franklin. Ela retrata vários acontecimentos, desde o começo da vida ao lado de Franklin, a gravidez, que não era desejada, o comportamento do Kevin da infância até a adolescência quando ele comete o massacre na escola. Eva tenta de todas as formas se aproximar do Kevin, mas a falta de empatia do filho deixa os dois cada vez mais distantes e Franklin sempre condescendente com o filho, deixando ele fazer o que bem entendesse. Eva discorre sobre tudo o que aconteceu tentando entender onde errou, onde eles erraram.

O autor consegue retratar de fato os sentimentos dos personagens!
A leitura é bem extensa, chegando a ser chata em alguns capítulos, pensei várias vezes em abandonar o livro, pois alguns trechos são realmente perturbadores e bem difíceis de digerir, mas o final é surpreende, apesar de um enredo de ficção é aquele livro que te faz pensar e refletir.
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