Precisamos Falar Sobre o Kevin

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Resenhas - Precisamos Falar Sobre o Kevin


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Cilmara 28/09/2016

Uma ótima obra contemporânea
Assisti ao filme em meados do ano passado, e foi um filme bem desconcertante e inesquecível. Assim que tive uma oportunidade adquiri o livro, li em cerca de 15 dias.
Durante a leitura inteira, estava raciocinando sobre tudo apresentado e várias reflexões surgiram. Não é uma leitura fluída e leve, requer persistência no início, mas isso não indica que é um livro ruim, muito longe disso, é uma obra que propõe uma análise de algo relativamente predominante naquele época e até hoje persiste. Entretanto, devo admitir que tive certa dificuldade em classificá-lo e acabei por deixar 4 estrelas, pois algumas passagens foram desnecessárias, muito triviais.
Coloquei o link de um post do Luciano Trigo (blogueiro G1) onde ele relata trechos de uma entrevista com a escritora, em um momento ela diz: - “Gosto da idéia de alcançar um grande público, mas ao mesmo tempo não penso que meus leitores são idiotas. Acho que uma pessoa, quando começa a ler um romance, procura sobretudo se entreter, se divertir. Por isso a escrita literária é tão diferente do jornalismo, onde você pode dar sua opinião sobre determinado assunto. Num romance isso não deve acontecer, um escritor não deve fazer pregação política. ”

Eva Khatchadourian, é uma mulher de 42 anos e tem uma vida independente e tranquila ao lado do seu marido Franklin, porém tranquila demais então decidem ter um filho, na realidade Eva não sabe ao certo o que quer, mas enfim nasce Kevin.
E a vida desse casal e de muitas outras mudará completamente, aos 15 anos Kevin comete uma chacina na escola e também mata seu pai e sua irmã mais nova.
O livro é o diário de Eva para Franklin, narrando todos os momentos até a terrível “quinta-feira”, seu ponto de vista de toda a questão, a culpa, o medo, o sofrimento, a amargura. tudo isso bem endossado no contexto socioeconômico dos EUA.
Kevin Khatchadourian, não é só mais um garoto Columbine, mas sim mais um caso de perdição na nossa sociedade, mais uma pessoa que não possui a linha da razão entre o bem e o mal. Em certos aspectos, principalmente no fim, me lembrou Alex (Laranja Mecânica), a violência, imaturidade, imoralidade, uma agressão desenfreada por algo que não se sabe ao certo. Rebelde sem causa? Maybe...mas Kevin chega além da rebeldia, sua rebeldia é a obediência. Não posso negar que é um personagem complexo e intrigante e isso me cativou bastante.
Um livro que daqui alguns anos pretendo reler, colocá-lo em um novo contexto.


site: http://g1.globo.com/platb/maquinadeescrever/2010/08/05/lionel-shriver/
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Thiago.Pereira 22/09/2016

Impacto
Nem sei o que dizer. Apenas sentir....
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Patricia 16/09/2016

Nem mesmo Dante conseguiu descrever o inferno tão bem quando Lionel Shriver.
"O que deu em nós? Éramos tão felizes! Então por que motivo retiramos todas as nossas fichas e as pusemos nessa aposta ridícula de ter um filho?"

Todo mundo sabe que esse livro fala sobre uma criança psicopata, mas acho que antes de ler, ninguém sabe como essa abordagem é feita. Acho que por isso que eu demorei tanto para ler, porque, se eu soubesse, teria lido bem antes. Ele tem muito mais a ver com a questão da maternidade em si do que com o fato do indivíduo ser um psicopata.

Eva Khatchadourian vai narrando através de cartas que escreve para o marido tudo que passou pela cabeça dela antes de ser mãe, quando estavam tentando engravidar, enquanto estava grávida e depois que Kevin nasceu. Inúmeras coisas ela sufocou para si mesma. E agora que todo o "Projeto Vamos Ter Uma Família Feliz" foi pelo ralo quando Kevin cometeu um assassinato em massa, ela já não precisava mais esconder de ninguém o quanto odeia a ideia de ser mãe.

Desde o momento que Kevin nasceu, eles não se deram bem. Parecia que só ela enxergava as coisas ruins nele. Tanto que ela resolveu ter outro filho para ver se realmente era coisa da cabeça dela. Ela teve uma filha adorável, uma criancinha quieta e que não incomoda, o que prova que é tudo uma grande "loteria".

Mas voltando a falar de Kevin, o sofrimento dessa mulher em função da maternidade é uma coisa tão forte que é quase tangível. E eu me identifiquei demais com essa personagem. Eu senti raiva (MUITA RAIVA MESMO!), de modo que demorei mais do que o normal pra ler um livro, porque tinha que fazer várias interrupções antes de jogar o tablet/notebook na parede uhauha

Uma das coisas que mais me despertou esse sentimento nem foram as ações de Kevin, mas do pai. Ele incentivava o comportamento inconsequente do filho, ele passou a tratar a esposa como uma vilã e nada mais com relação a ela importava.

Basicamente, o livro mostra que esse sonho que muitas pessoas tem de ter filhos pode se tornar o maior pesadelo da vida delas. Esse livro fala: "Tem certeza disso? Pense bem."

Não sei como vivi até hoje sem ter lido esse livro. É algo tão óbvio que entraria na minha lista de favoritos. Passei praticamente o livro todo acenando com a cabeça em concordância.
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Cheiro de Livro 15/09/2016

Precisamos falar sobre Kevin
“Precisamos falar sobre Kevin” é um daqueles casos que podem facilmente ser descritos como “um soco no estômago”. Uma mãe falando sobre seu filho adolescente que cometeu um massacre em uma escola é um bom enredo, um daqueles que tem tudo para se tornar melodramático, onde o leitor passa a ter pena da mãe. Esse seria o roteiro fácil a se seguir, mas os caminhos fáceis não fazem parte da literatura de Lionel Shriver e nós, os leitores, somos levados a mergulhar mais profundamente no que é criar um psicopata. Uma jornada dura, difícil e de literatura de alta qualidade.

“Kevin” era um livro que me assustava um pouco, fugi dele bastante. Quando me decidi a lê-lo ocorreu o massacre na escola em Realengo no Rio de Janeiro, o clima já estava pesado demais para que eu lesse sobre um massacre. Precisei de mais alguns meses até que conseguisse pegar o livro novamente e dessa vez ir até o fim. O livro vale o esforço. Eu sabia que seria um retrato bem cru sobre a vida de um psicopata adolescente, já tinha experimentado a literatura de Shriver em “Mundo Pós-Aniversario” e sabia que não seria uma leitura fácil e que eu teria que ser uma leitora dedicada.

Eva, mãe de Kevin, está revendo sua vida desde o momento em que resolve ter uma família com Franklin até o presente, no caso o ano de 2001. As cartas respeitam mais ou menos uma linha do tempo, pulam do passado para o presente alternando o contrates do que era a vida de Eva antes do massacre e o que aconteceu depois. Lemos só um lado da história e o que lemos é que Kevin estava destinado a ser um assassino, desde bebe, não existe escolha, ele nasceu desagregador. Vemos a criação e o desenvolvimento de um monstro, Eva escreve depois de saber o que aconteceu, mas escreve mostrando que ela e o filho sempre travaram uma disputa, eram adversários.

É impossível colocar o livro de lado. A construção da narrativa envolve o leitor e você é simplesmente incapaz de fecha-lo, mesmo que o que esteja nas páginas seja tão perturbador e difícil de ser digerido. Mesmo sabendo o fim, afinal o grande acontecimento é um massacre em uma escola, Shriver conseguiu me surpreender. Não vou contar spoilers, mas posso dizer que não previ algumas coisas que acontecem mesmo tendo lido e conversado um monte sobre o romance antes de começar a lê-lo.

É necessário estar preparada para embarcar na jornada de Eva, mas esse é um daqueles livros que todos deveríamos ler. O tema é pesadíssimos, abre uma discussão sobre pais e filhos, culpa e massacre, não apenas o que deixam corpos, mas o massacre que as famílias de assassinos sofrem no pós crime.

site: http://cheirodelivro.com/precisamos-falar-sobre-kevin/
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Nena 13/09/2016

A história é toda descrita em cartas endereçadas ao pai de Kevin e jamais enviadas. Eva, a mãe, é uma bem sucedida escritora q já viajou quase todo o mundo. Kevin não é uma gravidez desejada. Nasce uma criança totalmente indiferente com a mãe, sem nenhuma empatia. Usa fraldas até os seis anos de idade, mesmo sabendo usar o banheiro. Ao contrário de Eva, o pai, Franklin, deseja o filho e o recebe com grande alegria e amor, sendo condescendente com todos seus maus feitos. Kevin demostra traços de psicopatia desde pequeno, porém os pais jamais procuram ajuda de profissionais para lidar com a criança, o q me deixou bem intrigada. Qdo Kevin conta com sete anos, Eva decide engravidar novamente e tem uma menina, Celia, q tbém parece não ser das mais equilibradas, porém não tem os traços de psicopatia do irmão. Aos dezessete anos, Kevin vai parar em um reformatório devido um atentado q cometeu em sua escola, matando 11 pessoas. Ao q me parece, todo comportamento de Kevin é para chamar atenção da mãe, q não o aceita desde sua concepção. Li o livro e depois assisti o filme. O livro é longo e o filme corrido demais. Creio q se não tivesse lido o livro, não teria entendido o filme, q não tem uma sequencia linear. Fica muito subentendido. Mas o livro é interessante, sem ser ótimo.
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condadodeyork 04/09/2016

Incômodo Indigesto Necessário
O mote do livro está relacionado a duas gerações: aqueles que são pais e aqueles que são filhos. O livro de forma epistolar, a mãe escreve cartas ao pai, traz uma crítica rasgada a maternidade, a cultura da sociedade do espetáculo. Demorei quatro anos depois da aquisição e mais dois meses depois do início da leitura. Não tem como ser a mesma depois de ler este livro. Tenho resistência a assistir o filme e constatar algum tipo de desvio da narrativa.
Se vc é adolescente, Leia. Se vc sonha que um filho é a solução de todos os problemas, Leia. Se vc tem um filho "problema", Leia.
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Kézia 04/09/2016

Brutalmente honesto
Esse é um romance brutalmente honesto e inesquecível que irá tirar o seu fôlego e despertar os mais diversos sentimentos. A narrativa é crucialmente pessoal e crítica e muito bem escrita.

Eva escreve cartas ao seu marido Franklin, revendo toda a sua trajetória como uma tentativa de reavaliar a tragédia que transformou a sua vida e tinha como autor principal o seu próprio filho Kevin. Eva já não tem mais motivo para esconder nada. Ela relata com veracidade sua visão dos acontecimentos que culminaram para aquele dia turbulento e cruel.

"E uma das nossas melhores e maiores distrações, com a velhice, é recitar, não só para os outros, como também para nós mesmos, nossa própria história."

Kevin é um personagem intrigante, confuso, extremamente perdido (por falta de uma palavra melhor que não me veio a mente) e pavorosamente real. Teve uma infância melancólica e isolada e aos olhos de sua mãe parecia sempre entediado e sem ambições. Não gostava de nada e não queria mesmo gostar. Na minha opinião fazia de tudo para atingir sua mãe, para chamar sua atenção, pois era a única que o enxergava como ele realmente era. Kevin despertou em mim raiva mas também muita pena. Alguém disposto a fazer o que ele fez, de fato está internamente muito insatisfeito e inadequado. O jeito que ele encenava o tempo todo para o pai era perverso e muito aflitivo. Me pergunto o que o Franklin pensou nos momentos finais que culminaram ao desfecho do seu personagem, será que ele percebeu que Eva estava certa desde o início, ou se ainda assim não conseguiu ver quem era seu filho? Mas acredito que ele finalmente o viu.

Sempre me preocupei com o fato de que colocar uma vida no mundo, muda não só você como também atinge o mundo a sua volta e agora isso está ainda mais claro para mim.

Enfim, já tinha visto o filme e queria ler o livro a muito tempo. E valeu a pena cada página. É sensacional. Foi o meu primeiro contato com a autora e foi uma ótima surpresa, quero ler todos os seus livros.

Recomendo!!!!!
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Yas 28/08/2016

O sentimento natural
Precisamos falar sobre o Kevin é uma obra que nos faz pensar sobre a origem dos sentimentos e da construção do caráter: será que ambos se constroem ou já se é predestinado a ser? Uma questão que atormenta a muitas pessoas.
Lionel Shriver conseguiu de maneira direta sem pedantismo transmitir a miscelânea dos sentimentos de uma mãe (Eva) que teve de aprender a amar o filho (Kevin), com uma clareza brutal e verdadeira que nos faz muitas vezes sentir culpa pela empatia imediata que sentimos ao ler as páginas desse livro.
A maestria de um autor, ao meu entender, mede-se não só pela qualidade de sua escrita e da estruturação em que se é desenvolvido o enredo, e sim pelas reflexões a que somos inevitavelmente submetidos quando lidamos com algo que nos causa polêmica interna e não há palavras para descrever a epifania de pensamentos que, como um enxame de abelhas, aferroam o intelecto durante e após a leitura desse romance.
Indico a todos que como eu, gostam de refletir sobre assuntos que causam polêmicas até em nós mesmos. O livro pode com toda certeza ser considerado uma obra-prima.
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Rita 27/08/2016

Um livro fantástico, que te faz analisar o comportamento da sociedade em relação a criação dos filhos.
Leitura é dinâmica, mas difícil por se tratar de uma história tão dolorida.
O livro vem em formas de cartas escritas por Eva, a mãe do Kevin, relatando lembranças de um passado turbulento e um presente extremamente difícil.
Adorei o livro, me fez pensar muito a respeito desse mundo e sobre os pequenos "psicopatas" que hoje nos rodeiam aos montes.
Acredito quem todos vão gostar da leitura, pois ela choca, mas ainda assim, vale a pena cada palavra escrita por Lionel Shriver.
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Cris 27/08/2016

Tapa na cara da realidade!
Sim, um tapa na cara da realidade! Pois apesar da história em si ser uma mera ficção, ela retrata o cotidiano que vem acontecendo com muita frequência desde muito tempo atrás.
Kevin é apenas um jovem que traz refletida de maneira muito violenta, a maneira como os pais o tratam. Muito antes do garoto vir ao mundo, já era rejeitado pela mãe, já sentia então dentro de seu ventre o sentimento frio que a mãe nutria pela criança indesejada. O que dizer do pai também? Um homem passivo que não tem voz nenhuma, quer dizer, tem voz sim! Mas para contradizer a mãe e fazer todos os gostos do filho.
Então "Precisamos falar sobre o Kevin" é uma obra prima que vale muito "a galinha" toda e não só "a pena" lê-lo. Kevin nos ajuda a refletir sobre como, não todos, mas muitos pais estragam seus filhos por amar pouco e por amar demais, como não educá-lo adequadamente para a sociedade dentro da família pode contribuir para um mal social.
Kevin nos traz as questões: a que pontos devemos dizer NÃO e a que pontos devemos dizer SIM?, até que ponto devemos amar sem extrapolar ou sem deixar um vazio aos filhos, desde que começam a se gerarem nos ventres de suas mães e na idealização dos pais?.
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RayssaiGuedes 01/08/2016

Sem palavras
"Precisamos falar sobre Kevin" é um dos melhores livros que já li. Recomendo a todos que se interessem por educação infantil, criação de filhos, etc. Realmente tocante.
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spoiler visualizar
ni 10/08/2016minha estante
Vc precisa marcar que sua resenha tem spoiler


Eduardo 10/08/2016minha estante
Nem pra avisar que tinha spoiler hein.




Paloma 05/07/2016

Leitura fascinante, surpreendente e pesada
Em formato de cartas, escritas por Eva, destinadas a seu marido, expõem acontecimentos e seus pensamentos mais profundos sobre seu filho Kevin, um garoto que desde o nascimento mostrava indícios de maldade. A escrita é um tanto pesada, detalha os mais íntimos sentimentos de Eva, que ao longo das cartas procura saber onde errou na criação de seu primogênito, carrega o peso da culpa e compartilha com o leitor em todas as cartas e busca explicação do que levou seu filho a cometer tamanha atrocidade.
Ao terminar a leitura ficou um vazio do coração e diversos questionamentos, trouxe a tona aquela famosa crise existencial, afinal por que tudo isso? De quem realmente é a culpa? Será que se os pais de Kevin falassem sobre e com ele e encarasse os acontecimentos chegaria a tal ponto? O comportamento de uma pessoa é formado pelo meio ou já nascemos predispostos?
As pessoas tendem a buscar uma explicação e atribuir justificativas e causas para tudo, até para o que não é compreensivo, seja para fugir de responsabilidade ou para ter o que sentir a culpa outro pelo fato. As vezes algumas coisas não podem ser explicadas e existe dificuldade em acreditas nisso, ainda mais acreditar o que leva um ser humano a ser o que é e fazer o que faz.
O livro deixa mais questões em aberto do que respostas para o leitor refletir, a final precisamos falar sobre nós, sobre nossos relacionamentos, nossas vontades e o quanto a sociedade influencia nossas decisões pessoais.
O interessante é que mesmo Kelvin ter criado uma armadura e mascarado o tempo todo, seus pensamentos e emoções, em dois raros momentos, pode ser pelo cansaço e desgasto, ele deixa sua mãe se aproximar e mesmo Eva se culpando por ter sido uma péssima mãe, ela o acolhe e atribui essa proximidade. O quanto existe de maldade e bondade no ser humano? A até que ponto um estado sobressai ao outro?
Entre outras, são questões e reflexões que o autor nos deixou, dificilmente são explicáveis e talvez temo pelas respostas.
ni 25/07/2016minha estante
Amo esse livro




Dri 29/06/2016

www.umapaixaochamadalivrosblog.wordpress.com
Foda! Difícil encontrar palavras para definir essa leitura. A princípio, achei-o pouco lento ou entediante, confesso. Comprei porque tinha lido excelentes críticas de tudo quando foi lugar e quando soube que havia virado filme (disponível no Youtube para quem tiver interesse, assim como eu tenho de vê-lo logo), pensei ?nossa, deve valer a pena?. O quis por um bom tempo, antes de poder comprar, pois o preço de cinqüenta reais não me permitia concretizar, não consigo gastar com um livro apenas, esse valor, acho um pouco fútil, sei lá. Esperei uma promoção, que demorou bastante a acontecer e consegui. Não tinha muitas dúvidas antes de passá-lo na frente de outros exemplares a espera de meus olhos. O livro é grande e volumoso. Em letras pequenas, margens mínimas, cada página vai precisar de sua total atenção. Levei dez dias para terminar a leitura, graças a sinusite, rinite e gripe em mistura que me pegou de jeito esses dias. Não fiz como o habitual, de escrever conforme ia lendo, ficando a ressalva de que, por isso, posso deixar passar algumas coisas que achei sensacionais. O livro é inspirado em uma história real. A partir dessa história a maravilhosa autora criou o enredo em forma de cartas escritas pela mãe ao marido. Apesar de Kevin ser o protagonista do acontecimento que faz jus ao livro, pra mim, a protagonista é ela, EVA, a mãe. Ela que narra, recorda, conta, reconta, aborda, analisa e aparece de fato. É a ela que realmente conhecemos. O texto é ambíguo, profundo, em certos momentos precisei parar em minhas reflexões, porque a ilusão e a escrita te mergulham. Um ponto que me manteve curiosa o tempo inteiro foi o que havia acontecido com seu marido, pai do Kevin, pois as cartas não têm respostas. Tinha meu palpite e acertei, mas ainda sim, me surpreendeu pois foi além da minha imaginação. A dúvida do porquê Kevin fez o que fez é crucial e assombra. Assim como o clássico pensamento de que os pais poderiam ter feito diferença se fossem diferentes ou não (acho que não). Com um pai totalmente complacente e inseguro que aceita tudo do filho e uma mãe austera, um pouco fria e conflituosa, a análise pode ser longa e árdua. Acredito ser essa uma das propostas do livro. Os sentimentos divergentes, conflituosos, aterrorizantes e incomuns trazem lucidez e um novo olhar ao leitor. O livro não te traz as respostas prontas, como mimados que somos, temos mania de querer. Ele te traz analogias e questionamentos. Você se surpreende com os pensamentos contidos no livro e dentro de você mesmo. É de uma tristeza chocante, um terror extasiante, difícil descrever. Simplesmente AMEI!  

Sinopse: Para falar de Kevin Khatchadourian, 16 anos ? o autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio do subúrbio de Nova York ?, Lionel Shriver não apresenta apenas mais uma história de crime, castigo e pesadelos americanos: arquiteta um romance epistolar em que Eva, a mãe do assassino, escreve cartas ao marido ausente. Nelas, ao procurar porquês, constrói uma reflexão sobre a maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influência e responsabilidade na criação de um pequeno monstro. Precisamos falar sobre o Kevin discute casamento e carreira; maternidade e família; sinceridade e alienação. Denuncia o que há de errado com culturas e sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série e pitboys. Um thriller psicanalítico no qual não se indaga quem matou, mas o que morreu. Enquanto tenta encontrar respostas para o tradicional onde foi que eu errei? A narradora desnuda, assombrada, uma outra interdição atávica: é possível odiarmos nossos filhos?
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Dani 21/06/2016

Perturbador, excelente, arrasador!
Através de uma narrativa permeada com ironia, um sarcasmo meio mórbido e uma boa dose de rancor, Eva escreve sucessivas cartas ao marido ausente, onde discorre sobre tudo, desabafa, tenta entender o que aconteceu, onde errou, onde eles erraram. E procura analisar todos os âmbitos de sua vida pré e pós maternidade, desde que ela e o marido começaram a levantar a possibilidade de que ter um filho pudesse responder a uma "grande questão" na vida de ambos. Sem hipocrisia, Eva não elimina a sua parcela de culpa em tudo o que aconteceu, porém não pega essa culpa totalmente para si.

O fato é que Eva nunca se sentiu "pronta" para ser mãe, nunca sentiu o "chamado avassalador" para a maternidade, nunca acreditou no tal "instinto materno" que tanto é chamado de intrínseco por muitos. Pra ela, poderia muito bem ter ficado sem ter filhos a vida toda e, na verdade, tinha até um certo pavor sobre essa questão, mas também admite que foi exatamente esse "terror" o que a fez ser atraída pela ideia. E, por um tempo, se preocupou se talvez esse seu "defeito" em não querer ter filhos possa ter ampliado o problema e contribuído, de certa forma, para os atos de Kevin.

Enquanto Eva se angustiava por ter que abrir mão(mesmo que em parte) de sua carreira, e se dava conta de que não conseguia desempenhar um papel de mãe de forma natural, ou seja, não parecia realmente ter o tal "instinto maternal", acabando até por retribuir a rejeição recebida de Kevin, Franklin era ingênuo, extremamente condescendente e consensual, deixando o filho fazer o que bem quisesse, sempre passando a mão na cabeça, achando graça em cada arte da criança e fazendo muita vista grossa.

A constatação de não ter sido uma boa mãe e as reflexões sobre até que ponto isso pode ter contribuído para a criação de Kevin, fazem Eva esmiuçar exatamente tudo o que houve, sem poupar detalhes e sem usar meios termos. É muito fácil ficar completamente chocada com seus relatos e até julgar com facilidade ou tomar partido. Mas fuja do senso comum e abra a cabeça para acompanhar todo o raciocínio de uma mãe ciente de que aquilo (a maternidade) não era pra ela, mas que, entre outros motivos, a paixão pelo cônjuge a faz abrir mão de seus interesses para agradá-lo. E, diante do "fato consumado", não se pode dizer que ela não tenha tido boas expectativas com essa "terra estrangeira" chamada maternidade; mesmo que suas expectativas sempre parecessem maiores do que ela poderia atingir...

Um enredo de ficção (mas que poderia muito bem ser real), onde mostra uma mulher que cometeu inúmeras falhas, sendo talvez a principal delas a de ter tomado uma decisão tão importante quanto ter um filho baseada mais no seu cônjuge do que em sua própria vontade (e, mais tarde, ainda decidir a segunda gestação praticamente sozinha e de forma egoísta, como se a "grande questão" pudesse se resumir em uma espécie de "teste").

Mas não dá pra simplesmente "crucificar" Eva e dizer que ela não tenha tentado como mãe; ela tentou sim, do seu modo, ser mais "otimista" em relação ao filho (que era muito mais parecido com ela do que gostaria), mesmo nunca tendo estado completamente convicta quanto à maternidade. Ela tentou se aproximar, tentou oferecer seu tempo e energia mas, inconscientemente, esperava que o garoto demonstrasse ser digno de sua dedicação; mas nada é interessante se você não estiver interessado...

Algumas questões abordadas no livro:

* É errado não sentir vontade de ter filhos?
* Será que vale a pena abrir mão da própria vontade, do que se quer (e do que não se quer), para satisfazer a do cônjuge? Porque, por mais que sejam um casal, cada um é único, cada um tem um pensamento...
* Uma criança pode ser maldosa deliberadamente? E de forma implícita?
* É correto depositar tantas expectativas nos filhos?
* A culpa é sempre da mãe?

Por fim, o que dizer sobre a autora? Shriver não usa meios termos. Sua narrativa é crua, realista e totalmente desprovida de enfeites ou de hipocrisia. A meu ver, a intenção com esse livro não é agradar a esse ou aquele; mas sim, incomodar. ela construiu um enredo com muito cuidado e com intensos detalhes (inclusive citando casos reais de adolescentes criminosos) para chocar, é claro, mas principalmente para fazer pensar e refletir. Não dá pra negar: ela sabe mexer com tabus. A narrativa em primeira pessoa me exigiu muita concentração por ser bem densa, forte e até ligeiramente desconcertante e desconfortável.

"Precisamos falar sobre o Kevin" trás a tona a necessidade que existe entre os casais de se conversar sobre tudo (sobre tudo mesmo!) e de verdade, sem meios termos e sem colocar "panos quentes". Porque, muitas vezes, por mais incômodos que tais assuntos sejam, a exposição deles pode ajudar a mudar (ou a minimizar) alguns efeitos indesejados na vida a dois e/ou em família.

Pessoalmente, eu não vejo nada de errado em não querer ter filhos porque eu mesma não tenho essa vontade (claro, um dia posso mudar de ideia - ou não -, mas não acredito que toda mulher tem esse tal "instinto materno" de forma intrínseca, não). Talvez seja por isso que o livro mexeu tanto comigo, me deu uma "sacudida", sabe? Por mais odiosas que fossem algumas atitudes da personagem Eva, e por mais que eu tenha algumas ressalvas sobre seu comportamento (porque ela não é nenhuma santa, pelo contrário), eu não consegui encará-la como completamente errada, e até acabei me identificando de certa forma.

Enfim, essa trama "pesada" me despertou tantas coisas... é meio difícil colocar em palavras, sem parecer tudo muito raso. Apenas LEIAM. Posso dizer com segurança que, até agora, esse foi o melhor livro do ano! E de "bônus", um final arrasador...

Quotes:

"O espantoso é que, com o advento da contracepção eficaz, alguém ainda opte por frutificar."

"Nada é interessante se você não estiver interessado."

Nota: 5/5 (excelente e favorito)
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