A Abolição do Homem

A Abolição do Homem C. S. Lewis




Resenhas - A Abolição do Homem


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Lucio 08/08/2019

O Argumento Transcendental Moral
RECOMENDAÇÃO
Este é um pequeno livro - com o perdão pelo clichê - de proporções enormes. Sua profundidade certamente não é algo fácil de ser captada pelos leitores não treinados nas artes filosóficas. Nesse sentido, a popularidade de Lewis pode ser uma armadilha. Alguém pode sair de Nárnia e cair aqui desavisado, passar os olhos pelas páginas e não compreender a profundidade do pensamento desse formidável gênio do século XX. Portanto, recomendamos o livro veementemente para todo filósofo moral, filósofo político, filósofo da ciência e apologista cristão em geral. Caso o leitor não se identifique com alguma dessas perspectivas, talvez seja melhor ler outros livros primeiro, ou ler esse ao menos uma dezena de vezes.

CONTEÚDO
São basicamente três capítulos com um apêndice ilustrando o que foi dito neles. No primeiro capítulo, Lewis defende a importância dos sentimentos nobres para a formação moral do indivíduo, para o senso de dever, honra e virtude em geral. Esse sentimento é o fundamento para se perceber a Lei Moral e por ela ser dirigido. Ele diz respeito a um juízo que pretende expressar o valor real das coisas no mundo, e não um mero estado psicológico - o que já aponta golpes certeiros aos emotivistas e, ao que nos parece, humistas.
O segundo capítulo mostra a inescapabilidade da Lei Moral, ilustrada pelo 'experimentum crucis' da morte. Não se pode convencer alguém a morrer por uma causa sem recorrer à Lei Moral. As tentativas de qualquer razão sem pressupor a lei moral irá falhar miseravelmente. Não conseguirá imprimir no indivíduo qualquer senso de dever que o obrigue ao sacrifício. Muito menos funcionará qualquer recurso aos instintos, pois será preciso um padrão moral para decidir entre os instintos, para compreender o valor das coisas, para saber a qual instinto resistir. Tudo isso reforça a tese de que sem pressupor a Lei Moral não há possibilidade de uma razão prática. Há, ainda, a observação de que não se pode inovar na Lei Moral, mas se pode progredir na sua compreensão, na extensão dos princípios e assim por diante. Mas só quem já está no seu Caminho é que compreenderá como modificá-lo. Quem se evade, que tem o coração corrompido, está no caminho da bestialidade. Eis a importância da educação dos sentimentos para a educação moral.
Por fim, no terceiro capítulo, há uma redução ao absurdo distópica a partir da tese da engenharia social e o controle do homem sobre a Natureza. Esse é o controle de alguns, e o homem reduzido a um objeto da natureza, capaz de ser manipulado, inclusive em relação aos seus valores, será esvaziado de si mesmo no fim das contas. Os manipuladores e criadores do Novo Homem, impossibilitados de recorrer aos valores do Velho, não poderão senão ser guiados pelos seus desejos e instintos e, assim, o homem que julgava dominar a Natureza será dominado por ela na construção do Novo Homem, cuja consciência será nada mais do que a expressão dos caprichos e impulsos dos seus criadores, desumanizados, abolidos.
De fato, essa perspectiva cientificista e naturalista sobre o homem não passa de uma abstração que não considera todas as dimensões de sua realidade e acabará por destruí-lo ao abandonar a Lei Moral e suas próprias estruturas de pensamento. Se elas são modificáveis, nada mais poderá ser certo e o destino dessa teoria é a admissão do niilismo absoluto.

AVALIAÇÃO CRÍTICA
Assim, Lewis faz uma vigorosa defesa da Lei Moral como condição transcendental para toda a práxis significativa e para a preservação do Homem diante da ameaça de sua abolição. Acrescentaríamos que a teoria aceita para ser reduzida ao absurdo levaria não apenas ao niilismo moral e existencial, mas ao epistemológico. Sem alguns pressupostos o pensamento não poderá sair do lugar, como ele mesmo observa no final da palestra 'Teologia é Poesia', como rapidamente argumento no Surpreendido Pela Alegria, e como profundamente demonstraram outros filósofos, dentre os quais provavelmente Van Til e Bahnsen sejam os mais competentes.
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Valério 01/02/2019

Necessário
Um livro que expõe como pensamentos ditos "progressistas" deturpam e derrubam valores.
Uma fundamental e pungente defesa da moralidade.
Com análise fundamentada e inteligente, C.S. Lewis derruba o malabarismo lógico que nos é imposto cada vez mais.
Um oásis para todos que sentem que o mundo está ao contrário.
Refrigério de sensatez.
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Cayo.Moraes 21/01/2019

Obra indispensável sobre a relação do cristianismo com a moral e educação. Uma rasteira na visão pós moderna dos valores morais.
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Débora Reis 31/10/2018

Livro maravilhoso!
Lewis faz uma análise do caminho que educação (Inglaterra do século XX) estava trilhando e onde ela iria chegar - formando homens "sem peito" (que menosprezam a moral e princípios básicos), chegando mesmo a abolir o próprio homem (ser humano que valoriza a humanidade).
Esplêndido... um filósofo tão certeiro que chega mesmo a agir como profeta.
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Marina 05/05/2018

Viva o Tao
Mais um livro maravilhoso do meu amado C.S. Lewis. A Abolição do Homem seria um dos livros proibidos em sociedades como 1984, Admirável Mundo Novo, Farenheit 451, Laranja Mecânica e tantas séries distópicas como Jogos Vorazes e Feios. Um livro que mostra a importância da moral intrínseca no homem, amei a leitura.
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Gustavo 11/02/2018

OU TAO OU NADA
O livro divide-se em três partes (homens sem peito; o caminho e a abolição do homem) e um apêndice (exemplos do Tao). O autor tece uma crítica à filosofia moral contemporânea, demonstrando como as inovações neste âmbito não passam de retórica vazia e insustentável.

Na primeira parte, Lewis apresenta o que chamará no livro de Tao e defende o argumento de que o mundo contemporâneo tem retirado a possibilidade de uma construção ética ao esvaziar os antigos valores morais de sua objetividade. Esse movimento implica ainda numa supressão da própria subjetividade. Nesse ímpeto, ficasse com os resultados pressupondo que não seja necessário a crença nos fundamentos que os criam. O Tao é “a doutrina do valor objetivo, a convicção de que certas posturas são realmente verdadeiras, e outras realmente falsas, a respeito do que é o universo e do que somos nós” (p. 17). As críticas de Lewis se direcionam a educação contemporânea, apontando a necessidade de um retorno à antiga compreensão de educação da virtude. À atual, chama de propagandista, sendo esta apenas condicionadora dos homens, como faz o passarinheiro aos pássaros em sua gaiola, e à antiga considera “uma espécie de propagação – homens transmitindo humanidade para outros homens” (p. 21), como pássaros que ensinam outros pássaros a voar. Temos aqui um tipo de legado moral humano, legado este que não é criado pelos homens, mas reivindicam sua humanidade, premissas que possibilitam o raciocínio moral, expressando verdades fundamentais sobre a natureza humana.

Na segunda parte, Lewis aponta as falácias dos argumentos daqueles que chama de “Inovadores”. O que aconteceria se rejeitássemos o Tao? Isto, segundo Lewis, já tem acontecido. A tentativa de admitir algumas partes do Tao e rejeitarmos outras, no entanto, não são vistas com bons olhos por Lewis. O problema colocado e que põe em xeque os modelos de moral subjetivistas é que estes não podem fundamentar de forma não subjetiva sua própria moralidade. Assim, a moral dos Inovadores existe apenas à sombra daquilo que critica. Há uma impossibilidade de qualquer constituição ética fora do Tao, defende o autor.

O terceiro capítulo, homônimo do livro, defende que a aposta dos Inovadores no Instinto implica inevitavelmente na abolição do Homem. Rompendo com a objetividade do Tao, os Inovadores tornam-se reféns dos desejos físicos. Em suas palavras, “[...] quando todas as noções que dizem ‘isto é bom’ são desmoralizadas, permanece a que diz ‘eu quero’. Ela não pode ser anulada nem ‘interpretada’, já que nunca teve nenhuma pretensão de objetividade” (p. 62). Aqui, Lewis, apresenta também as relações de poder relativas a essa ética (uns poucos homens sobre muitos, o homem sobre a natureza, o homem tornado por fim, objeto a ser dominado). O homem tornado elemento da “Natureza” (sendo esta tudo aquilo que o homem domina), permite, por fim, que os homens fiquem nas mãos de seus poucos mestres, que agem por “instinto”. “Se o homem resolver tratar a si próprio como matéria bruta, matéria bruta ele será; não uma matéria bruta a ser moldada por ele mesmo, como se imagina ingenuamente, mas pelos seus apetites, isto é, pela simples Natureza, na pessoa dos seus desumanizados Manipuladores” (p. 69). Restam apenas duas possibilidades para o Homem, portanto, ser um espírito racional obrigado a obedecer os valores absolutos do Tao, ou tornar-se mera natureza, manuseada para o deleite dos mestres. “Uma crença dogmátca em valores objetivos é necessária para a própria ideia de uma regra que não seja tirânica ou de uma obediência que não seja servil” (p. 69).


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Érika 16/01/2018

Um protesto pela Verdade Objetiva
Mais um da série “livros que eu comprei e não li” e também da série “comecei ano passado e parei” foi atacado hoje: A Abolição do Homem, do C. S. Lewis (edição da Martins Fontes de 2014, tradução de Remo Mannarino Filho). Lembro bem por que o tinha abandonado inicialmente, ou antes, adiado a leitura: pelas primeiras páginas já deu para perceber que se tratava de um livro complexo, em que pese pequeno, e eu não estava com ânimo para pensar muito, na ocasião.
Mas o dia dele chegou. A Abolição do Homem é uma espécie de tratado lógico-filosófico escrito pelo C. S. Lewis como resposta ou contestação a uma tendência principiológica que ele percebeu em alguns livros didáticos que foi requisitado para analisar. Ele não nos diz qual é o livro e trata os autores por pseudônimos, porque diz que, apesar dos erros encontrados, não pressupõe sua má-fé.
Pois bem. A postura intelectual que ele critica é uma que estava apenas se desenvolvendo em sua época, a primeira metade do século passado, e que hoje já se encontra razoavelmente consolidada, inclusive com opositores, entre os quais me incluo.
Trata-se da postura que recebe a designação genérica na internet de “pós-modernismo”, embora talvez não corresponda ao conceito oficial de pós-modernismo. Em suma, é um posicionamento que considera a verdade objetiva inexistente ou relativa, isto é, nada é verdade em si mesmo, havendo tantas verdades quantas forem os sujeitos que interagem com um objeto ou conceito. Como não existe uma verdade objetiva, para que o acerto das versões subjetivas seja avaliada de acordo com o quanto elas se aproximam da realidade do objeto, todas essas versões são igualmente válidas.
Uma analogia, em que pese imperfeita, pode esclarecer um pouco: imagine-se uma maçã. Entram duas pessoas numa sala, uma delas diz que ela é vermelha. A outra, que é daltônica, diz que a maçã é verde. A tendência seria considerar a versão da pessoa não-daltônica a versão correta. Porém a verdade é que nada tem cor, no universo; as cores são dadas pela forma como as substâncias químicas que compõem aquele objeto reagem à luz e como o nosso olho as capta. Nesse caso, já que a maçã não “tem” cor, não se poderia dizer que nenhum dos dois que definiram a cor da maçã estava errado. Eles apenas relataram a realidade como a percebiam.
Embora essa noção de verdades relativas convivendo harmonicamente seja útil em algumas situações ou hipóteses, e para o exercício da empatia, a verdade é que ela tem sido extrapolada para esferas que não a comportam, isto é, para coisas que vão além de cores de maçã ou de analisar os dois lados de um conflito.
E são os primórdios desse extrapolamento que C. S. Lewis critica em A Abolição do Homem. Ele percebe que os autores do livro didático induzem em seus alunos um modo de pensar que se pretende racionalista e desmistificador, e uma das primeiras características desse modo de pensar é afirmar que as coisas não têm qualidades em si mesmas, mas que quando dizemos “que uma cachoeira é sublime”, para usar um exemplo do livro, estamos apenas dizendo como nós mesmos nos sentimos na presença da cachoeira. E, como consequência, os mesmos autores descartam esses sentimentos como desimportantes ou meras oscilações subjetivas sem fundamento racional real.
A operação do Livro verde e seus semelhantes é produzir o que podemos chamar de Homens sem Peito. É abominável que não raro dêem a isso o nome de Intelectuais. Isso lhes dá a chance de dizer que quem os ataca, está atacando a Inteligência. Não é verdade. Eles não se distinguem dos demais homens por uma habilidade especial para encontrar a verdade nem por um ardor insuperável ao persegui-la. Seria de fato estranho se assim fossem: uma perseverante devoção à verdade, um sentido agudo de honra intelectual não podem ser mantidos por muito tempo sem a ajuda dos sentimentos que Gaius e Titus desmascarariam com a facilidade habitual. Não é o excesso de pensamento que os caracteriza, mas uma carência de emoções férteis e generosas. Suas cabeças não são maiores que as comuns: é a atrofia do peito logo abaixo que faz com que pareçam assim.
Na raiz dessa negação de qualidades intrínsecas às coisas, Lewis enxerga a negação de toda a verdade objetiva e, assim, de todo o critério para fundamentar um sistema de valores extraindividuais.
Como lógico rígido que era, Lewis se propõe a combater essa noção no terreno da lógica. Para isso, ele refere a existência de alguns preceitos morais comuns a diversas religiões, culturas e civilizações, coisas simples, do tipo “assassinar é ruim”, “cuidar dos familiares é bom” e empresta do taoísmo o nome de Tao para designar essa espécie de sistema de valores universal, que subsiste por meio da tradição.
Ele busca demonstrar que mesmo aqueles que buscam destruir esse sistema de valores o fazem em nome de alguns valores aleatórios que escolheram em detrimento de outros, mas que foram comunicados a eles por esse mesmo sistema moral-cultural, já que não são compatíveis com os Instintos, e nem poderiam ter sido insuflados pela Razão pura e simples, já que essa só observa os fatos como acontecem e por quê acontecem, e não lhes atribui avaliação de bom ou ruim, verdadeiro ou falso, etc. Ora, as pessoas que pretendem desmistificar o sistema universal de valores pretendem fazer isso porque o acham ruim, ultrapassado e buscam substituí-lo por algo melhor (ou qualquer outro termo referente a uma qualidade positiva que prefiram usar no lugar de “bom”, por não acreditarem no conceito de bem e mal).
Nessa progressão de raciocínios, Lewis chega a um momento em que ele se depara com uma oposição: certo, e se todos os valores estiverem mesmo dentro do Tao, e fora do Tao nenhum valor seja possível? Por que o ser humano não pode simplesmente passar a uma realidade sem os tais valores? Dominar sua própria consciência — ou a consciência coletiva — assim como vem paulatinamente dominando todas as partes da natureza? Por que o homem não poderia também, num estágio mais avançado de evolução, dominar a própria natureza humana e subjugá-la às próprias regras dele?
E daí chegamos ao terceiro e último capítulo, que tem o mesmo título do livro, e cuja premissa é a seguinte: tentando dominar a natureza tão completamente a ponto de dominar até a própria natureza humana, o homem se fundiria à própria natureza, causando a abolição do Homem, isto é, do ser humano como o conhecemos, com as características que o fazem humano, diferenciado dos animais.
A progressão lógica desse capítulo é muito interessante. O autor demonstra que dizer que o homem domina a natureza não é exatamente verdade. Ele pega três exemplos de elementos que eram vitórias do homem sobre a natureza na época (avião, rádio e anticoncepcionais) e mostra que, em última instância, esses avanços são a vitória somente de alguns homens (só os que podem pagar, que podem produzir, determinar ou proibir a produção e distribuição, etc) sobre a natureza, e, além disso, não é tanto a natureza que está sendo dominada, mas sim foi convertida em meio para alguns homens exercerem poder sobre os outros. Ele mostra que isso é uma constante: mesmo que houvesse apenas um Estado e este fosse baseado no governo em favor da maioria, o “domínio da natureza” seria usado para o exercício de poder da maioria sobre as minorias, e, num outro nível, poder de um governo (minoria) sobre a totalidade do povo (maioria).
No que toca especialmente ao exemplo dos anticoncepcionais, segundo Lewis, a dominação de uns seres humanos por outros ocorre em outro plano, num plano temporal ou geracional, em que as gerações anteriores exercem controle sobre as futuras. Partindo desse gancho, ele entra num momento especulativo, quase distópico, do seu raciocínio, e menciona a eugenia, referindo os conflitos geracionais e apontando que a geração mais “forte” ou com mais domínio sobre a natureza seria — pela lógica desmistificadora — aquela que estivesse mais desprendida do Tao, isto é, que mais resistisse às gerações passadas, e que tivesse mais poder sobre as gerações futuras, aquele poder sobre a consciência ou sobre a própria “natureza humana”. Em seguida ele demonstra que, numa reviravolta bizarra, essas pessoas, despidas de valores como “o bem da posteridade” ou “a felicidade geral” — pois se os tivessem, ainda não seriam a última geração, aquela que se livrou completamente do Tao — só poderiam ser governadas pelos próprios impulsos que, em si mesmos, não carregam valores de bons ou ruins, apenas existem. Sem critério para ordená-los esses impulsos seriam exercidos ao arbítrio da vontade individual da minoria que estaria no poder então — a quem o autor denomina como “os Manipuladores” — ou seja, ao sabor das flutuações de suas inclinações naturais.
Assim, no momento supremo da vitória do Homem sobre a natureza, a natureza teria vencido o Homem, abolindo-o com tudo o que lhe era próprio.
É, eu sei. Mindblowing. O livro dá aquela espancada básica no nosso cérebro e o bota para se exercitar. Não é fácil de entender, e menos ainda de resumir, mas, na medida do possível, a essência do tratado é essa que foi exposta.
Lewis ainda faz algumas ressalvas, dizendo que não está pintando os homens futuros como “malvados”, até porque o conceito de bem e mal não existiria para os dominadores, nessa geração hipotética, e nos dominados seria aquilo que os dominadores resolvessem insuflar. Que os dominados também não seriam infelizes, porque sua lógica de vida seria aquela artificialmente construída pelos Manipuladores e, se esses fossem realmente eficientes, não haveria bases para rebeldia. (Esse sistema de Manipuladores e dominados me fez lembrar um pouco a sociedade perfeita de livres e escravos imaginada por Chigalióv, em Os Demônios, do Dostoiévski). No mais, ressalta ainda que não se trata de uma crítica velada aos sistemas políticos inimigos da Inglaterra naquele tempo: Lewis considerava que todos os sistemas políticos vigentes — o comunismo, o fascismo e a democracia burguesa também — estavam caminhando nessa mesma direção, embora com argumentos diferentes. Ele aponta inclusive mudanças na linguagem moderna que essa tendência estaria operando:
“A virtude se tornou integração; a diligência, dinamismo; e os rapazes que são capazes de exercer um cargo de certa importância são “bom material humano”. E, ainda mais assombroso, as virtudes da parcimônia e da temperança, e mesmo da inteligência corriqueira, tornaram-se resistência à compra (sales-resistance).”
A última defesa do autor é prevendo que o chamarão de obscurantista, antiquado e contrário ao progresso científico, por seu posicionamento. Embora entristecendo-se pela acusação que considera inverídica, termina o livro com uma crítica à ciência — ou antes, à ciência utilitária, que viola todo tipo de limite não em busca de conhecer a realidade, mas de curvá-la à sua vontade.
Apesar de reconhecer seu uso positivo para muitas coisas (como os avanços medicinais), ele aponta uma origem arrogante na ciência e a chama a um “ato de contrição”, fazendo um apelo por algo que ele mesmo reconhece que pode ser inatingível: uma ciência que busque compreender e explicar a realidade, sem desfigurá-la.
No fim das contas, o que eu achei do livro?
Em linhas gerais, eu concordo com a ideia defendida pelo C. S. Lewis (como ocorre com frequência), mas este não foi meu livro preferido dele.
Já li tanto ficção quanto não-ficção do autor, e me deparei com frequência com esse tipo de lógica esmiuçada que ele usa para estruturar A Abolição do Homem, fiel às lições do seu severo e cético professor de lógica na infância. Neste livro, porém, ele meio que pesou a mão. Outros livros de não-ficção, talvez por mesclarem raciocínio teórico e vivência, são mais vivos, mais palpáveis. Há raciocínios preciosos aqui também, mas também há momentos em que você para em uma frase e fica cogitando “Será?”, elos frágeis em alguns momentos do encadeamento. Nada que chegue a tirar a validade das críticas tecidas, a meu ver, mas em alguns momentos se sente que o pensamento foi estirado até ficar um pouco exagerado, como aqueles elásticos que você puxa demais e, se soltar, eles vêm na sua cara.
Talvez o autor devesse ter seguido sua própria ideia de que nem tudo se explica ou se justifica com a Razão Pura, e que as próprias pessoas que querem renunciar aos valores fazem isso com base em sua própria vontade, afeições ou os valores que preferem — e, portanto, não seriam convencidos do contrário por uma simples argumentação racional.
Como quase sempre é o que acontece, especialmente hoje em dia, em tempos de “verdades relativas”.

site: https://medium.com/@rikabatista/resenha-a-aboli%C3%A7%C3%A3o-do-homem-c-s-lewis-d731a6c9af80
Matheus 24/07/2019minha estante
Caramba parabéns pela resenha, deu vontade de ler de novo esse livro .




Naty 25/10/2017

Esse é um daqueles livros que exigem bastante atenção e calma pelo leitor. C.S. Lewis critica, inicialmente, um livro nfantil que trata a subjetividade do ser humano numa redação como algo um tanto desnecessário. Então, C.S.Lewis fica perturbaso pelo que leu e decide escrever esse livro.
Nesse livro, ele fala como nossa sociedade tenta criar homens sem peito, ou seja, homens sem valores. Homens que tentam procurar uma razão e utilidade para tudo e tentam descartar tudo que parec mera tradição. A tradição é para eles algo a ser descartado, pois não há uma razão certa ou uma utilidade para ela. É aí que o autor entra para criticar essa visão.
Todo esse pensamento permeia a nossa sociedade até hoje e tenho a impressão que muito mais hoje que antes. Como C.S.Lewis, eu percebo que, em nome de uma falsa abolição do homem, os homens estão se tornando escravos do extinto ou de outros homens. O que muitos chamam de progresso é, na verdade, a destruição da nossa raça. A liberdade sexual, moral, ente outras que nos é pregada é, no fundo, um aprisionamento da consciência, o que nos torna homem.
Gostei bastante do livro. Não é um livro fácil de se ler, pois ele começa pelo assunto dos livros didáticos infantis, no primeiro capítulo, o que é muito mais difícil de compreender. Os outros capítulos, para mim, já ficaram mais claros, já que ele começa a falar mais sobre o assunto em si, ao invés de comentar sobre o livro que tanto o perturbou.
No final do livro, também, é bem interessante o fato de ele colocar uma comparação entre os valores de várias sociedades, mostrando-nos o quão parecidos são. Ele defende no livro Cristianismo Puro e Simples, o melhor livro que li dele, que todos nós nascemos com uma percepção do certo e do errado e comprova isso através de inúmeros bons exemplos.
Para quem anda não leu esse livro, eu recomendo bastante, mas é um livro que exige conceñtração, calma e uma visão de mundo apurada.
Pra quem já leu, mas ainda não leu Cristianismo Puro e Simples, sugiro que comece já a ler. É um livro excepcional.
Se mais pessoas tivessem a visão desse homem, o mundo seria melhor. Se destruirem nossos valores, qual será a diferença entre nós e os animais? A sociedade se sustenta neles. Salve a sociedade, salve os valores cristãos, salve a vida!
clauton 22/11/2017minha estante
A parte a qual ele comenta sobre o livro "verde" é meio difícil de digerir mesmo. Em breve, passo ela.


Naty 22/11/2017minha estante
Além de difícil de entender, acaba até sendo mais uma forma de chegar ao assunto em si que uma forma de mostra ao leitor algo revelante. No entanto, se você pensar direitinho dá para encaixar os dois acontecimentos. Uma coisa é a demonstração prática de outra.


Josias.Mello 02/02/2018minha estante
Naty, existe alguma hipótese desse tal livro verde ser "O Manifesto Comunista" de Marx e Engels? Me surgiu essa dúvida, até porque em alguns momentos ele abre essa pequena hipótese.


Naty 02/02/2018minha estante
Realmente não sei.




Tiago Pedro 31/05/2017

A ignirância intelectual é uma dádiva.
A operação do livro verde e seus semelhantes é produzir o que +podemos chamar de Homens sem peito. é abominável que não raro dêem a isso o nome de Intelectuais. Isso lhes dá a chance de dizer que quem os ataca, está atacando a inteligência. Não é verdade. Eles não se distinguem dos demais homens por uma habilidade especial para encontrar a verdade nem por um ardor insuperável ao persegui-la. seria de fato estanho se assim fossem: uma perseverante devoção à verdade, um sentido agudo de honra intelectual não podem ser mantidos por muito tempo sem a ajuda dos sentimentos que Gaius e Titius desmascarariam com a facilidade habitual. Não é o excesso de pensamento que os caracteriza, mas uma carência de emoções férteis e generosas. Suas cabeças não são maiores que as comuns: é a atrofia do peito logo abaixo que faz com que pareçam assim.
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Kah Sanches 25/04/2017

Incrivel
Ais uma vez c.s Lewis escreve com maestria sobre filosofia e sobre ser humano.
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Kah Sanches 25/04/2017

Incrivel
Ais uma vez c.s Lewis escreve com maestria sobre filosofia e sobre ser humano.
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Eliel 27/02/2017

O Intelecto de Lewis em sua melhor forma
Uma defesa bem fundamentada da objetividade da moral. Livro curto, porém denso. A obra mostra um lado de C S Lewis desconhecido daqueles que leram seus livros infantis ou suas obras mais religiosas. O pensamento analítico do autor é claro e certeiro.
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Cesar.Augusto 16/01/2017

Resenha do livro: A abolição do homem
Tem um livro que independente da orientação política de cada um é fundamental para uma reflexão sobre nossa atualidade. A nossa contemporaneidade é marcada pelo relativismo e sentimentalismos. (Vide: Theodore Dalrymple; Podres de Mimados) Toda a pessoa dentro desta 'new perspective' é concebida como portadora de todas as virtudes. Não enxergá-las confere portanto um ato de grandioso preconceito. O filósofo Luiz Felipe Pondé em seu livro a Era do Ressentimento, lança luz à questão.
O livro que refiro é 'A abolição do Homem' do mesmo autor das Crônicas de Narnia, o irlandês Clive Staples Lewis, comumente mais referido como C. S. Lewis. O autor lança uma reflexão sobre a virada de conceitos no campo educacional e filosófico do homem moderno em relação à educação clássica. Os efeitos de uma filosofia em que não existem parâmetros incorretos. É esta relativização que preocupa Clive Lewis.
Tão importante como Maquiável Pedagogo de Pascal Bernadin, o livro mostra de modo bem suave e direto a transformação de nossa cultura educacional que deveria ser pautada na razão e que agora migra aceleradamente para o foco das emoções.
É justamente isso que C.Lewis pretende refletir, sobre a proposta do atual modelo educacional em racionalizar as emoções e politizar os sentimentos. Os sentimentos se tornaram lógicos. E a sociedade punirá severamente, caso um indivíduo demonstre sentimentos negativos. Aqui é o recinto em que nova concepção de mundo se torna maléfica. Todas as emoções devem estar subalternas pela razão. Mas não é isso que os novos educadores pretendem. Aqui neste modelo toda abordagem cognitiva abre alas para um sistema mais social e sentimental. É preciso um novo currículo que não terá por objetivo o raciocínio lógico e cognitivo. O que o aluno aprende quando ler um texto? O que ele aprende nas aulas de português, matemática etc.? Será que é a disciplina ou uma nova forma de pensar?

O autor do livro também traça um esboço que parte da filosofia Aristotélica, platônica e Agostiniana, como também com eloquência compara concepção mística e religiosa como mantenedora do saber clássico. É preciso compreender o homem não somente dentro do seu lócus material, mas, sobretudo, espiritual.

Lembro-me do antropólogo Mark Twan que proferiu: "Todo o Homem é um animal religioso." A ciência esclareceu muitos mistérios, porém, muita coisa se perdeu quando o homem descobriu que não era Perséfone a causadora da primavera, que não era a deusa Hera que fertilizavam o solo para a colheita. Tudo isso perdeu o sabor quando buscaram por a ciência como o baluarte. A ciência que deveria se ater às necessidades humanas se transforma como guia moral de uma nova juventude.

Como é o caso de nosso tempo. Em que uma nova ciência, mídia, artes, meios de comunicação estão invadindo nossa intimidade e tolhendo nossa liberdade de escolher ou rejeitar, de gostar ou desgostar, transformando os homens em apenas marionetes, iguais ao filme: Eu, Robô. ou um grande Matrix. Eis a abolição do Homem: Um homem que é condenado socialmente apenas por ele falar: " Eu não gosto disso ou não aceito.
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Adriano 27/10/2016

Relendo após um ano
é interessante reler este livro principalmente pelo atual contexto da edução brasileira, porque o objeto do Lewis no livro é exatamente uma crítica ao sistema educacional inglês da década de 1940. Se encaixa bem com o que acontece hoje em dia, com a falsa concepção que as pessoas podem ser neutras à custa de uma racionalidade reducionista. O ponto alto é que Lewis fala que é impossível excluir a emoção da razão humana; fazer isso é criar homens sem peito, e caminha para a abolição do homem. Outros depois dele escreveram sobre como a emoção é inerente ao homem e não tem como separar esse aspecto no debate e na produção intelectual. Enfim, um ano depois separando.a primeira leitura desta, com mais leituras, só cresceu minha admiração pela argumentos do Lewis.
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