Asco

Asco Thomas Bernhard
Thomas Bernhard
Horacio Moya




Resenhas - Asco


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Paty 10/04/2014

Asco rendeu ao autor, além de prêmios, várias ameaças de morte. Fazer o que? Não será a primeira e nem a última vez que escritores serão ameaçados enquanto a estupidez humana guiar corações e mentes.

Com certeza esta obra merece um lugar na sua estante. Tem algo muito próximo ao que sentimos pelos políticos desse país.
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jota 04/09/2018

Asco - Thomas Bernhard em El Salvador
Em vez de Europa (Salzburgo ou Viena), América Central (San Salvador). Em vez de Thomas Bernhard, Horacio Castellanos Moya. Em vez de Extinção (Companhia das Letras, 2006), Asco (Rocco, 2013). Nesses dois livros há um personagem vivendo no exterior há bastante tempo, agora de volta para casa. O de Extinção vivia em Roma, o de Asco, em Montreal. Nem de longe eles lembram filhos pródigos. Estão voltando, a contragosto, unicamente para o funeral de um parente: o pai em Extinção, a mãe em Asco. E aí vem um retrato impiedoso do país de cada qual.

Bem, enquanto a Áustria está mais para Alemanha do que para Albânia, por exemplo, El Salvador em 1997, de acordo com Moya, estava mais para o Haiti do que para o Brasil, por exemplo. Asco foi lançado naquele ano e só chegou por aqui em 2013 (na ótima tradução de Antonio Xerxenesky), depois de fazer sucesso mundo afora, de ter despertado o ódio de muita gente e de ter rendido várias ameaças de morte ao autor salvadorenho, no entanto nascido em Honduras, assim como o austríaco Bernhard nasceu na Holanda.

Em poucas páginas Moya detona o pequeno país da América Central que, como não poderia deixar de ser, tinha – e ainda tem – muitos dos problemas que há séculos afetam as nações latino-americanas. Daí que não somos, o Brasil não é, apesar dos pesares, assim tão diferente de El Salvador: corrupção, violência generalizada, pouco caso com a educação, saúde, transportes, segurança pública, patrimônio histórico (adeus, Museu Nacional), os três poderes republicanos infestados por gente da pior espécie etc.

Procurando informações sobre o país, encontrei uma notícia de três meses passados que mostra que, descontadas muitas diferenças, há algo mais entre Brasil e El Salvador do que supõe nossa pobre imaginação. Ei-la: "Ex-primeira-dama de El Salvador, a brasileira [fulana de tal], é presa. Ela é suspeita de participar de uma rede de corrupção vinculada ao ex-presidente Mauricio Funes." Funes, como se sabe, é muy amigo do presidiário Lula. Assim como do que há de pior na América Latina: Maduro, Ortega, Morales, Kirchner...

E tem mais: em 1980 a extrema direita salvadorenha assassinou o arcebispo Oscar Romero enquanto ele celebrava uma missa em um hospital da capital. Romero frequentemente denunciava a repressão e a pobreza em seus sermões. Aqui a direita matou Chico Mendes, para lembrar de apenas um de nossos mártires. Por outro lado, Moya também nos recorda que El Salvador é "(...) um país onde os seus próprios camaradas esquerdistas assassinaram em 1975 o mais importante poeta nacional, Roque Dalton, sob a acusação de ele ser agente da CIA." Lembrou de alguém por aqui mesmo? Essas histórias não são tão estranhas assim para nós, brasileiros...

Continuando, se o leitor nunca leu Thomas Bernhard e se, menos ainda, colocou os olhos em Extinção, uma de suas obras-primas (outras são seguramente Origem, O Náufrago, Transtorno etc.), talvez então não aproveite (ou mesmo aprecie) o livro do salvadorenho em sua totalidade. Como nos livros do austríaco, através de um monólogo torrencial, pleno de crítica e acidez, o personagem de Asco demole uma cidade, um país e suas instituições, seus habitantes todos, tudo num único e longo parágrafo. No qual palavras e frases são repetidas à exaustão, de forma cadenciada como que para sedimentar com concreto a ira e a revolta despejada contra o país centro-americano.

Asco é uma pequena obra-prima e, se faz pensar (principalmente nas nossas eternas mazelas), também deve ser lida como um livro com certo humor, pois o autor foi muito além de seu objetivo explícito de, num exercício literário, imitar a escrita de Thomas Bernhard. Conforme ele mesmo admite em Nota do Autor, presente nesta edição da Rocco. Ela ainda traz o interessante posfácio de Adriana Lunardi, A Happy Hour de Moya. Asco é um livro curto, pequeno, e para repetir um clichê, se nos menores frascos estão os melhores perfumes, pode ser também que nos pequenos livros se encontrem as melhores narrativas.

Lido entre 02 e 04/09/2018. Minha avaliação: 4,7.
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Renata (@renatac.arruda) 28/05/2016

Uma verdadeira catarse da indignação. Um livro atual e necessário.
"Embora alguns possam acusar o livro de ser demasiadamente politicamente incorreto, pelo tom reacionário com que ataca inclusive aqueles que muitos achamos que não mereciam ser atacados, as críticas tecidas não revelam mais que verdades inconvenientes e revelam um retrato brutal do que é a América Latina como um todo. É especialmente irônica a passagem em que Vega fala sobre os jornais do país, que classifica como "catálogo de ofertas", e seus colunistas, tamanha a similaridade com os nossos: são descritos como "tão fanáticos, colunistas tão raivosos e obtusos, com tal miséria intelectual e espiritual" para quem "o mundo não vai além de suas obsessões patológicas". Motivo: para os articulistas salvadorenhos dos anos 90, até mesmo a ONU é controlada por comunistas."

Leia mais no Prosa Espontânea:
https://prosaespontanea.blogspot.com.br/2016/05/asco-horacio-castellanos-moya.html
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ANINHAPONCE 05/02/2017

Asco
O livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo, representando El Salvador. Horacio Moya nasceu em Honduras, mas se mudou aos quatro anos para El Salvador, onde se passa a história. O livro foi publicado primeiramente em 1997, e faz parte da coleção Outra Lingua da editora Rocco, dedicada a autores hispano-americanos.
O subtítulo do livro é Thomas Bernhard em San Salvador. Na nota, pós-escrito, Moya admite que o livro é “um exercício de estilo no qual pretendia imitar o escritor austríaco Thomas Bernhard, tanto na prosa, baseada na cadência e repetição, como na temática”. E devo confessar que a constante repetição dos fatos, me irritou, e não foi pouco. Levando em consideração o tempo gasto na leitura, e a quantidade de páginas do livro, demorei MUITO para lê-lo.
Mas do que se trata o livro? A historia do livro se passa durante uma “conversa” de bar, que está mais para monologo, entre Moya, o escritor da história e Edgardo Vega. Vega, após 18 anos morando no Canadá, retorna a San Salvador para o enterro de sua mãe. Vega, não está ali para uma ultima homenagem ou algo do tipo, está ali, pois é uma exigência de sua mãe, que em testamento determinou que para ter direito a herança, os filhos devam estar presentes em seu funeral.
O livro é narrado por Moya, uma jornalista e escritor, que depois de mais de vinte anos, reencontra seu amigo, mas Moya não tem uma única fala, ele apenas nos conta o que Vega reclamou com ele. Todo, ABSOLUTAMENTE todo o livro é um desabafo/ confissão/ jorro de reclamações e críticas por parte de Vega, tudo num folego só, sem paragrafo, ou capítulos, como se ele estivesse desesperado por “vomitar” todas as reclamações.
O título é bem sugestivo, Vega ODEIA, detesta, tem asco de San Salvador, ele não suporta nada referente à cidade e seu povo. Não tem como ter empatia por ele, ele é asqueroso. Embora seja obrigada a concordar com ele em determinados pontos, pois muitas críticas que ele faz poderia muito bem sem encaixar em VÁRIOS países latinos-americanos.
Esse é um livro incomodo, não são todos leitores que irão gostar desse livro. Devo confessar que as repetições foi o que mais me incomodou, me irritou MUITO, por isso dei 4 estrelas no SKOOB, mas o livro é bom e tem uma temática interessante.

Gostei muito dos dois textos de apoio que estão no final do livro. Ajudam muito a compreender melhor a obra e sua estrutura. Então é isso. Espero que vocês tenham gostado. Beijos e até a próxima.

site: viajandocompapeletinta.blogspot.com
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Letícia 03/10/2017

Um relato de aversão à sua terra natal
Ouvi dizer que as grandes obras falam de sentimentos negativos, como a culpa e a indignação. Neste caso, mergulhamos num profundo sentimento de asco por El Salvador, um pequeno país da América Central. O formato do livro é um monólogo, sem parágrafos, inspirado em uma obra similar de Thomas Bernhard sobre a Áustria. Moya procurou manter o ritmo e a estrutura do texto, que na verdade é uma transcrição da palavra falada, do discurso de Edgardo Vegas expressando seu nojo pelo país.
Vivendo no Canadá por 18 anos em um autoexílio, Vegas volta para El Salvador devido à morte de sua mãe, onde ficará por 1 mês enquanto espera pelos trâmites legais do funeral, da herança, etc. Após 15 dias no país, ele encontra um amigo dos tempos de colegial, Moya, em um bar onde bebem e ouvem música clássica, enquanto Vegas faz seu solilóquio. É desconcertante perceber as semelhanças entre os defeitos apontados por Vega com os que temos no Brasil: violência exacerbada, corrupção, alienação. Mas o contexto de El Salvador parece acentuar essas características, já que o país passou por guerras recentes, e parte das críticas se dá a isso, a população não conseguiu deixar os trejeitos e ideologias militares para trás.
Outro fator que causou o desconcerto foi o tom do discurso, de profundo desgosto, que me lembra de nosso humor atual. Muitos querem deixar o país, como Vegas fez, para nunca mais voltar. Ele se mostra muito arrependido de ter vindo, pois a visita só confirma suas péssimas expectativas do país. Ou na verdade contente, por confirmar que tomou a decisão certa ao sair de lá.
Para ser sincera, Vegas parece um sujeito muito ranzinza e acaba passando a ideia de nunca estar feliz com nada. Mas o monólogo possui momentos cômicos, como quando ele insiste em ressaltar os problemas de sua colite aguda e seu amor inseparável por seu passaporte canadense. Enquanto isso, Moya faz o papel de ouvinte, que neste caso é o leitor, que absorve todo o impacto das críticas de Vegas.
Se uma obra similar fosse publicada neste momento no Brasil, acredito que seria aplaudida, ao contrário do que aconteceu com Moya, que fez muitos inimigos em seu país. Entretanto, me deixa triste perceber que estamos com a autoestima tão baixa. Se alguém escrever um livro assim, espero que não fiquemos nos lamentando, porque já sabemos dessas falhas, mas que tentemos mudar um pouco enquanto brasileiros, porque boa parte dos problemas estão relacionadas às pessoas, não ao país em si.
Recomendo demais este livro para reflexão, para o choque em ouvir alguém falar com tanto rancor de sua terra natal. Como disse Adriana Lunardi sobre a obra: “Para quem não acreditava em uma função da literatura, eis a prova de que ela foi reencontrada.”

site: https://desafiolivrospelomundo.wordpress.com/2017/10/03/asco/
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Serivaldo 24/02/2019

Nojo até do personagem
Nunca havia lido um livro no qual um personagem sentisse tanto nojo de seu país. Críticas aos regimes e a políticos na América Latina é comum e é o que vende. No entanto, uma repugnância total ao país de origem, à terra natal só vi em "Asco". Não se poupou nada, a família, a cultura, a comida, a bebida, os lugares, as pessoas, as crianças, a economia, a política, as ruas, os bares, o puteiro e as prostitutas. O personagem leva o leitor a jamais querer conhecer El Salvador.
É tanto nojo, que peguei ranço do personagem, que pareceu arrogante, se achando mesmo superior aos seus compatriotas.
O livro é uma crítica ao homem latino que acha o exterior (nesse caso o Canadá), mas poderíamos citar os EUA e a Europa Ocidental, como os melhores locais do mundo para se viver, como se fossem os únicos que se preocupam com a cultura, com a arte, com o belo, com o povo.

site: http://www.memorialdelivros.com/2020/01/titulo-asco-autor-horacio-castellanos.html
Marcia 11/06/2019minha estante
Pois é li esse livro e fiquei com um ranço do personagem e apesar de muito do que é criticado ser a pura verdade para quase todos os países latinos, discordo do ódio puro e simples pelo lugar. Conheço algins paises da Ameeica Central e afirmo, a impressão negativa não é válida


Jim 21/06/2019minha estante
Há poucos anos, andei pelos 6 países de Centroamerica,e coincidência ou não,o único que não gostei porque fui realmente maltratado foi em El Salvador. Toda hora a polícia em cima de mim,cão farejador,acusações infundadas etc.




Debora 26/02/2019

Uma narrativa diferente
Este livro possui um parágrafo, que é a narrativa de Vega, um salvadorenho que vive no Canadá há 18 anos, sobre seus sentimentos/impressões sobre seu país natal, aonde voltou para o velório de sua mãe, a fim de ter direito à sua parte da herança.
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Vinicius.Villela 10/10/2019

Não sei exatamente o que sentir ou tirar deste livro
Ele fala umas verdades absurdas sobre El Salvador, (e da América Latina)(e do Brasil, que muitas vezes nos esquecemos que somos latinos também) mas que mesmo recheadas de... asco, não deixam de ser reais. Eu não me considero patriota e confesso que não me incomodei com as críticas ao próprio país, mas eu considero os brasileiros meus compatriotas, e foi difícil ler um homem falando com tanto ódio de pessoas que mais do que compartilharem uma fronteira com ele, mesmo que ele depois tenha ido ao Canadá, compartilhem os mesmo problemas, por mais que é fato que se encontram personagens com traços similares aos que ele descreveu em todos os lugares de nosso próprio país.
Enfim, não acho correto culpar pessoas pelos tipos que seus países as transformaram, por mais que seja muito difícil penerar até onde a culpa é do povo e quanto é de seus governantes, geralmente ambos se enforcam mutualmente.
Livro que me fez ficar com um sorriso pela mesquinhez e superioridade do relator, e me fez pensar por demais sobre o que é ser brasileiro, o que é o Brasil e seu povo.
Recomendadíssimo.
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