A Fúria do Corpo

A Fúria do Corpo João Gilberto Noll




Resenhas - A Fúria do Corpo


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marcuss 17/04/2016

A Fúria do corpo perpassa a história de um narrador sem nome, o meu nome de hoje poderá não me reconhecer amanhã, e de Afrodite, o grande amor desse narrador. Suas ações, seus desejos, suas mazelas, suas dores, suas pequenas alegrias, suas esperanças, todas são exploradas ao extremo pela via do corpo. São dois corpos de deambulam sem rumo, agem como se tudo fosse eterno e ao mesmo tempo tão provisório que pensar no futuro chega a ser algo em vão.
Aparentemente é um livro que segue sempre em frente. Mas não. É um livro que as marcas do passado transtornam o presente e sempre desfazem o futuro. Essas memórias do narrador são tão potentes que o mudam, que o transformam em outros seres. Esse sujeito partido em milhões de cacos é sintomático em Noll, é parte de sua poética, é a grande lição que ele deseja nos transmitir, que ele deseja nos angustiar.
A fúria do corpo trata da luta do corpo contra os próprios sentimentos, contra os próprios desejos, contra a própria Cidade. E a Cidade, como tantos outros tropos, é um abstrato que consome o corpo pela impossibilidade de ele não pode se fixar, de ter de seguir em frente, de ter de se debater com outros corpos que lhe são oferecidos no caminho. A fúria acontece nesse relacionamento entre os corpos, muitos corpos de si mesmo ou muitos outros corpos, e a Cidade.
Por fim, a fúria dói, é o último e necessário entendimento:
Quando a gente se encontrava você dizia meu coração tá doendo, toca aqui. Eu tocava no coração com a mão espalmada sobre teu peito e sentia o coração responder: pulsava ali uma outra vida que não a minha, um outro ser vivo no mistério mas tão mineral que eu podia tocar, alisar na minha ternura, apertar com o ódio de quem possui o que não é seu e que no entanto se dá. Um coração apaixonado. O coração pulsava feito uma pomba na mão, batia contra o meu tato todo cheio de fantasia o coração você me dizia vem, e em cada convite mais uma curva do labirinto se desenhava; eu enfrentava mais uma curva e me perdia mais uma vez ao teu encontro. E cada encontro nos lembrava que o único roteiro é o corpo. O corpo.
Rafael Bonfim 17/04/2016minha estante
Amei a resenha amigo. Ficou ótima e cheia de paixão.




Lacerda 16/10/2013

Carregado de angústia e amores Noll traz um estilo único em sua literatura. Com excesso de palavras, períodos longos, texto denso, a história se faz tão viva que é impossível deixá-la. Tudo segue como uma montanha-russa, alguns trechos são pesados e outros seguem leves e fluido.
O narrador sem nome, vive o amor com sua Afrodite, embalado por carinho, erotismo, fúria, e as convulsões de seu corpo, que reage a tudo.
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kleberaugusto 04/03/2018

Leitura difícil
A história é interessante: um casal de mendigos expõe toda sua sabedoria e sexualidade exacerbada nas ruas do Rio de Janeiro na época da ditadura. Entre experiências pessoas e sexuais entre eles e uma série de outros personagens, há uma variedade de violência e drogas que beira o hiper-realismo.

Mas a leitura realmente não é fácil... O autor quis fazer uma experiência narrativa, nos levando a acompanhar a história como se estivéssemos dentro da cabeça do personagem, com todos os seus pensamentos esporádicos, conflituosos e. muitas vezes, sem conclusão.

Não há divisões em capítulos, e há frases com duração de duas ou três páginas! Nunca tinha visto isso.

A experiência foi válida mas, nem por isso, fácil. Um livro e uma história que eu pensave ler em alguns dias, levei mais de um mês para terminar; mas é verdade que uma vez que se pega o ritmo da narrativa, a história flui melhor.
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Pararrayo 21/09/2016

Um amor mendigo numa prosa neobarroca que eleva o templo do corpo às últimas potências, em múltiplas possibilidades de devassidão e redenção, de céu e de inferno. Sagrado e profano são tensionados em extrema visceralidade, menções do novo testamento se entrelaçam a um paganismo que desponta a partir de Afrodite (a protagonista junto ao narrador sem nome), perpassando por Yemanjá e entremeando num mormaço copacabaneamente libidinoso sem demarcação de gêneros. Palavras que são jamais escamoteadas vão pedindo passagem nessa obra que unilapida o sublime e o sórdido num fluxo corrente de tirar o fôlego.
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Ricardo 13/05/2019

Narrativa Poética trágica
O que esperar de um corpo em fúria? E quando se choca com outro corpo em fúria? E se esse casal mora numa cidade que não entende a beleza que gera e que só vomita violência? Afrodite conforta o amado protagonista e ao mesmo tempo o tortura como a sua cidade. Não é permitido o amor, apenas contatos esporádicos, animalescos, afagos. O casal intenso mendiga, se prostitui, mata, é encarcerado e violado. São capazes também de manter a inocência selvagem. Isso eles fazem através das recordações, do contato íntimo e direto com outras pessoas e a cidade. A Fúria enlouquece. E pode ser excessiva. Nesse livro temos a loucura e o excesso quase desmedidos. É um livro difícil, apaixonante, exaustivo, belo, degradante, poético. Necessita várias leituras.
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