Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos

Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos Ana Paula Maia




Resenhas - Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos


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Isadora 19/09/2021

Esse é um livro que vai te fazer sentir mal. Não tanto pela violência exposta nas narrativas, mas pelas tantas camadas de subtexto que residem entre suas linhas. Provoca uma avalanche de reflexões necessárias e urgentes sobre a nossa sociedade. Não por acaso a obra da autora é objeto de diversos estudos acadêmicos.

Ana Paula Maia tem uma escrita crua e crítica, que fisga o leitor desde a primeira página e o conduz num caminho sem fôlego por situações grotescas, de desumanização e invisibilização dos indivíduos que são explorados e marginalizados, sem apelar pra espetacularização da miséria, pelo menos a meu ver.

Além da riqueza do conteúdo, é genial a forma como as histórias, além deste livro, se conectam. Fica a cargo do leitor montar o quebra-cabeça e conectar as tramas.

Se você ainda não conhece a obra da autora, recomendo iniciar por este livro. Com certeza, Ana Paula Maia foi uma das minhas melhores descobertas literárias deste ano. Depois desse livro, fiquei com vontade de devorar toda a sua obra.

Obs: os textos podem conter gatilho de violência.
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Peleteiro 10/08/2020

Excelente!
Lembrou-me de John Steinbeck, com o seu ?Ratos e homens?. Não pela caracterização dos personagens a partir dos diálogos, mas pela condição tratada. Pela degradação dos homens que exercem funções basilares, mas invisíveis, promovida pelas sociedades. Sem dúvidas, há aqui uma narrativa dura, crua e surpreendente. Grande obra!
Stephanie.Franco 24/10/2020minha estante
Que definição incrível! ?Pela degradação dos homens que exercem funç?es basilares, mas invisíveis?. Resume muito bem a aspereza e pungência do livro.




Diego.Diniiz 23/05/2021

????
Que escrita perfeita! Um dos melhores livros que já li! Uma crítica à sociedade atual. As pessoas podem até pensar: "ah, mais essas coisas macabras nunca vão acontecer na realidade." Do meu ponto de vista tanto pode como acontece, essa primeira parte do livro mostra coisas deturpadas que os abatedores de porcos fazem, pessoas que também não são reconhecidas pelo seus trabalhos.
A segunda parte foi a mais que gostei, uma ótima crítica à sociedade consumista e que não valorizam os coletores de lixo e tantos outros empregos, os quais o corpo social praticamente despreza. Eramos Vagner, personagem principal da segunda parte, se considera como lixo, pois a sociedade e os governos não valorizam seu trabalho, e o tratam como o lixo que ele recolhe. Mas fica a pergunta, o que seria da sociedade sem os coletores de lixo?
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Clio 06/03/2015

Você é um animal.

Ana Paula Maia aparentemente não pensou duas vezes sobre isso quando decidiu escrever esse livro.

Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos traz alguns contos, que apenas aparecem desconectados no começo, mas que mostram a vida de alguns personagens sobre a forma mais animalesca possível.

Sangue, luxúria e desprezo são escritos de forma direta, mas intencionada. Esse é livro sobre um tema polêmica e como uma história polêmica - escrito da forma mais prosaica possível.

Os personagens, e eu nem vou tentar descrever seu comportamento ou motivações, não são defendidos nem massacrados. O que não significa em absoluto que esse livro seja seco como uma reportagem de jornal.
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Perolitzzz 17/08/2020

Que paulada...
A escrita de Ana Paula Maia é crua, áspera, ferina, acre, agreste, cortante e não alivia em nenhum momento dessas duas histórias.
Queria poder explicar mas eu me sinto confusa em perceber que gostei da leitura... e que vou buscar outras histórias da autora.
Um livro curtinho que eu não aconselho pra quem busca algo pra ler em 1 dia... eu não consegui.
No início achei afetado e gratuito mas de repente a narrativa foi me entregando cada analogia, cada metáfora... coisa afiada.
Fui impactada mesmo.... real!
Quem tiver com o Kindle Unlimited ativado, verá disponíveis esta e mais 2 ou 3 outras histórias.
Recomendo mas, é pra quem tiver estômago, ok?
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Lucas.Sampaio 17/11/2020

O neo-naturalismo de Ana Paula Maia
Uma das concepções mais comuns quando pensamos no naturalismo, é imaginar uma classificação literária exclusiva dos últimos anos do século 19, seja no Brasil, ou no campo literário de forma geral. No entanto, o naturalismo, com (quase) todas suas características andam presente como nunca na nossa literatura através da talentosa Ana Paula Maia.
Através de livros como ?Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos?, ou até no mais recente ?Enterre seus mortos?, a autora vem mostrando uma grande habilidade para construir personagens, cenários e narrativas próximas a concepção naturalista, no entanto, com um olhar moderno e cinematográfico sobre questões sociais tão antigas, mas ainda assim atuais.
No seu terceiro livro, ?Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos?, obra responsável por desencadear sua fama, e também por apurar a técnica narrativa da autora, a Ana Paula Maia conta a história de ?homens bestas?, em sua própria concepção, que trabalham de forma incansável, fazendo o trabalho sujo dos outros.
Dentre as características mais comuns do naturalismo, como temas sociais polêmicos e obscuros: nas duas novelas presentes no livro ?Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos?, temos personagens que convivem com zoofilia, assassinato, mutilação, pedofilia.
Seja na narrativa homônima ao livro, que conta a historia de dois companheiros que trabalham em um matadouro ilegal de porcos, ou até na segunda, chama de ?O trabalho sujo dos outros?, em que temos irmãos que trabalham paralelamente com recolhimento de lixo, quebra de asfalto, e desentupimento de latrinas, esgotos etc.
Outras características, como personagens que possuem patologias: seja no caso de personagens quase surdos pelo trabalho exercido (quebrar asfalto com britadeira), um personagem morrendo pela falta de um rim, que ironicamente havia doado a irmã a pouco tempo.
Até a zoomorfização, momento em que o personagem humano é comparado a um animal, característica comum ao naturalismo, com trechos como: ?Cão de rinha é um cão que não teve escolha. Ele aprendeu desde pequeno o que o seu dono ensinou. Podem ser reconhecidos pelas orelhas curtas ou amputadas e pelas cicatrizes, pontos e lacerações. Não tiveram escolhas. Exatamente como Edgar Wilson, que foi adestrado desde muito pequeno, matando coelhos e rãs. Que carrega algumas cicatrizes pelos braços, pescoço e peito. São tantos riscos e suturas na pele que não se lembra onde conseguiu a metade. Porém a marca da violência e resistência à morte de outros animais nunca tiraram o brilho de seus olhos quando contempla um céu amplo. Dia ou noite, ele passa boa parte do seu tempo olhando para cima. Quem sabe espera que alguma coisa aconteça no céu ou com o céu... talvez queira retalhar algumas nuvens com seu facão.? (p.69)
A prosa da Ana Paula Maia está no hall dos grandes feitos da geração contemporânea da literatura no Brasil, com escritos que são socialmente engajados, sem ser panfletários em momento nenhum, enxergando questões sociais pertinentes e sempre tocando na ferida aberta, e olhando para tipos que a sociedade costuma ocultar.
Um novo olhar sobre uma técnica literária que continua atual, pois a desigualdade social ainda existe.
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Eduarda 05/05/2021

Soco no estômago...
O livro é dividido em duas histórias.

Confesso que achei a primeira muito boa e impactante, mas a segunda ainda melhor!

Muito reflexivo e pertinente.

"Ah mas isso não acontece!" - Eu pergunto: Em que mundo você vive?!
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julianny 17/01/2021

Homens e animais são os mesmos
A cada livro da Ana Paula que leio, me surpreendo mais e mais com sua linguagem e um livro acaba sendo surpreendentemente mais cruel que o outro. Não há eufemismo ao se tratar de violência e vísceras. Me senti enojada em muitas passagens, principalmente no primeiro conto, de tão absurdamente violento que é. Homens morrem como animais. Animais são tratados da mesma forma que os trabalhadores. É quase antropofágico. Afinal, não há mesmo tantas diferenças entre eles.
Marina 23/01/2021minha estante
Antropofágico!!! Realmente é essa a palavra!!!!!




mdudalivros 15/07/2020

Histórias amargas que são enfiadas goela abaixo e que fazem refletir sobre os trabalhos ingratos que ninguém quer fazer.
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Ellen 21/01/2021

Queria saber mais sobre a vida dos personagens principais das duas novelas! Deixou um gostinho de quero mais.
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Gildenisson 14/03/2021

Interessante
Livro nacional dividido em dois contos curtos contudo muito fortes. Que demonstram o íntimo de pessoas excluídas da sociedade. Quando você é esquecido e fruto de um meio cruel, você se torna o espelho disso.
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Thiago Acrisio 24/10/2021

Para a neve e sem pecados.
Leitura excelente, O livro é diferente de tudo que li, isso foi o mais legal. Ele é real, cru, suas camadas são melancólicas, doloridas e muito selvagens. As duas histórias tem ótimos personagens, bem construídos, e com finais muito bons e reflexivos.
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Matheus Monteiro 10/09/2020

A loucura dos mais abastados
Dividido em duas novelas, esse livro apresenta a escrita mordaz e brutal de Ana Paula Maia, uma escrita que caminha pelo gore e pela degradação de classes e empregos mais simples ou subalternizados pela sociedade. A primeira narrativa que da título ao livro me deixou com muitos sentimentos sobre a abordagem e a condução, e sinceramente não sei se consegui apreciar. Talvez por estar em um momento emocionalmente estressante, ler o horror no momento não foi uma boa escolha, ou talvez porque a história simplesmente me pareceu apelativa demais. A segunda, entretanto, "O Trabalho Sujo dos Outros" me pareceu mais equilibrada em seus temas e elementos. É enlouquecedora de forma sensorial (assim como as condições insalubres de seus protagonistas), apresenta mais complexidade emocional e faz duras críticas e comentários sobre a manutenção do espaço urbano e a importância de empregos que são desvalorizados pelas elites (ou simplesmente pela classe média como acontece em uma cena envolvendo buzina). Senti uma coesão muito mais forte nessa novela, inclusive na violência e pestilência que Ana Paula Maia descreve. É um livro interessante e que vale a pena ser lido.
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BurnBeranger 28/12/2020

Poderoso
Mais um brilhante livro desta grandiosa escritora. Ana escreve com maestria sobre o que todos evitam, seu texto é forte, crú, realista e poderoso. Não é recomendado para os fracos, mas com certeza, quem arriscar, sairá transformado.
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