Os Sertões

Os Sertões Euclides da Cunha




Resenhas - Os Sertões


76 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6


Arsenio Meira 06/01/2013

Minha opinião: indispensável a leitura de "Os Sertões". É culto, mas não é modelo de estilo, pois Euclides viveu a Belle Époque, e escrevia tal qual Olavo Bilac desfiava os seus sonetos. Mas o livro é de gênio.

Nos deu de bandeja, há mais de cem anos, a realidade do sertão, do sertanejo, e da omissão do Estado. Prenunciou e denunciou a triste realidade, ao que parece, perene: o nosso atraso como civilização. A ausência da cidadania, o descaso do poder Público e etc.

Tenho a impressão que Euclides começou o livro tentando detonar Antônio Conselheiro e a Revolta de Canudos, mas terminou emocionado pela coragem e a persistência dos revoltosos e escreveu um grande épico.

Importante observar que Robert Lowell, poeta americano de excelente cepa, só leu a tradução, mas chancelou definitivamente a obra do grande escritor brasileiro. Lowell considerava o épico de Euclides superior a "Guerra e Paz", de Tolstoi. Não é pouco.
Cardoso 16/10/2015minha estante
Você apagou mas eu comento mais uma vez: seu comentário é um plágio de uma opinião do Paulo Francis.




Fábio 29/07/2011

Não tive o intuito de defender os sertanejos, porque este livro não é um livro de defesa; é, infelizmente, de ataque.
"Cada passo do soldado fora do ângulo de uma esquina, era a morte.
(Parece Stalingrado, mas é Canudos)

Os Sertões é um romance sobre a Guerra de Canudos, sem dúvidas um livro que se pode encontrar todos os aspectos ligados as ciências humanas: geografia, história, sociologia, antropologia, enfim, um livro de alto valor literário, vale dizer, que além de ser um grande romance social, é uma história real, e de nosso país.

Euclides da Cunha consegue fazer uma enciclopédia do sertão, com riqueza de detalhes, ele divide a obra em três partes, a saber:

- A Terra, nessa parte, como o próprio nome diz, descreve o terreno, ele prepara a base do livro, mostrando onde será a guerra, qual o relevo, o clima, e o que diferencia este lugar, fazendo uma comparação com as paisagens de outros lugares do país, principalmente com a do Sul. Usa muito termo cientifico nas descrições, e nós leigos nos assustamos, achamos um sonífero essa parte, e muitas pessoas desistem do livro aqui, mas se prestarmos atenção e persistimos, conseguimos aprender várias coisas interessantes, para aumentar nossa cultura, como por exemplo, como se forma um deserto;

- O Homem, aqui o autor dilacera o sertanejo, faz uma descrição pormenorizada desde a raça, até os fatores psicológicos do mesmo, usando como base os fatores geográficos explicados na primeira parte, também há uma comparação entre o jagunço e o gaúcho. Não podemos nos esquecer do protagonista, há uma pequena biografia de Antônio Conselheiro, onde ele nasceu, quem são seus pais, o porquê dele vagar pelo sertão, em resumo, tudo que você precisa saber de quem está na terra, quem é o homem que vive onde vai acontecer a lúgubre batalha;

- A Luta, depois de descrever o lugar, e o individuo do sertão, só falta à batalha cujo fim é lôbrego, descrevendo de forma primorosa toda a campanha, com suas inúmeras tentativas e lutas, Euclides da Cunha não poupa nada do leitor, descreve as lutas, as baixas, as crueldades, as dificuldade, dito em outras palavras, escancara a lugubridade de uma luta entre concidadãos.

Portanto, esta obra é mais que literatura, é uma contribuição fundamental para a História do Brasil.


[fabio9430@gmail.com]
Ju 13/12/2015minha estante
Gostei da sua descrição. Me ajudou a ter mais simpatia pelo livro.




Paulo 04/05/2010

Anotações
A TERRA — Nesta primeira parte, EC descreve o palco da epopéia impressionante. Ocupa-se da geografia, da geologia e das intervenções naturais nos processos de ocupação humana do sertão. Em sua proposta científica de análise naturalista, ainda que nos envolva esporadicamente com sentenças hábeis ("Nem um verme — o mais vulgar dos trágicos analistas da matéria — lhe maculara os tecidos"), chega a complementar a classificação climática de Hegel, julgando a caatinga um modelo particular de ambiente.

O HOMEM — A ocupação do solo. A distribuição do povo pelo Brasil. A formação do sertanejo ("antes de tudo um forte", "Hércules-Quasímodo") justifica sua índole. Sua rudeza. Traços históricos; explicações perspicazes. [Reler como história do Brasil.] Sua opinião sobre a mistura de raças ("prejudicial", p. 77). O gaúcho do sul e o vaqueiro do norte: antítese. Antecedentes biográficos de Antônio Conselheiro, "um gnóstico bronco", cuja sombra "condensava o obscurantismo de três raças" (p. 102...). O início da marcha do profeta, cujos ditos, pela natureza, conjugam-se no "permanente refluxo do cristianismo para o seu berço judaico". "Viu a República com maus olhos e pregou, coerente, a rebeldia contra as novas leis." Instalado em Canudos, recebe o afluxo incentivador de turbas deslumbradas. Na paradoxal cadeia de Canudos: "presos pelos que haviam cometido a leve falta de alguns homicídios os que haviam perpetrado o crime abominável de faltar às rezas". Um movimento político? Segundo o autor, o antagonismo à República era só "um derivativo à exacerbação mística", indicando o "triunfo efêmero do Anti-Cristo" antes do iminente "reino de delícias prometido".

A LUTA — A primeira força partiu incauta: diminuta e despreparada ("seguiu a 12, ao anoitecer, para não seguir a 13, dia aziago. E ia combater o fanatismo"). "A natureza toda protege o sertanejo", que vence as primeiras batalhas contra equipes policiais não treinadas para a guerra.

TRAVESSIA DO CAMBAIO — A primeira expedição regular, em janeiro (1897): quase 600 homens e dois Krupps. Massacrada nas trincheiras do Cambaio e em outras refregas. Finalmente, o major Febrônio retira-se. Em Monte Santo, que previra a vitória sobre Canudos, "a população recebeu-os em silêncio".

EXPEDIÇÃO MOREIRA CÉSAR — O triunfo estufou Canudos de novos homens empolgados. Em fevereiro parte expedição com quase 1300 homens. Chegam confiantes ao alto da Favela, já à vista do arraial insurreto. Apesar da grande força, o erro estratégico: "acometendo a um tempo por dous lados, os batalhões, de um e outro extremo, carregando convergentes para objetivo único, fronteavam-se a breve trecho, trocando entre si a bala destinada aos jagunços" (p. 227). Apesar do duro assalto, os sertanejos defendiam com a vida sua terra. Após novos erros (pp. 230-1), Moreira César é mortalmente ferido e o coronel Tamarindo o substitui. Perdidos no arraial, os soldados lutavam cada um a seu modo. Após recuo, decide-se pela completa retirada. Moreira César, pouco antes de falecer, é contra. Sufocada pelos jagunços, a retirada se fez debandada — o próprio corpo do chefe foi abandonado para a fuga! O coronel Tamarindo também morre. Seu corpo será estendido pelos sertanejos, como exemplo, em companhia de dezenas de caveiras, nas proximidades de Canudos.

QUARTA EXPEDIÇÃO — Comoção nacional. "Era preciso salvar a República." Comentário: "Aquele afloramento originalíssimo do passado, patenteando todas as falhas da nossa evolução, era um belo ensejo para estudarmo-la(...). Os patriotas satisfizeram-se com o auto-de-fé de alguns jornais adversos, e o governo começou a agir. Agir era isto — agremiar batalhões". O general Savaget só partiu três meses depois. Uma falha: soldados metiam-se nas caatingas e seus espinheirais vestidos de pano, não do couro apropriado do sertanejo. Mas agora eram cerca de 3000 combatentes, com aparato e organização mais sérios. Só que os sertanejos armaram-se com mais astúcia para a retaliação: entrincheirados, atacavam no escuro e baratinavam a ofensiva. Surpreenderam as forças do governo com "fuzilaria cerrada e ininterrupta". A esperança de Savaget era a convergência de brigadas projetada para o dia 27. Contudo, já em 28, a 1.º Brigada não aparece, mandando, em contrário, pedidos de socorro. O assalto afigurou-se penoso: não havia um alvo rigoroso, e os tiros vinham de todos os lados. Em meio às exíguas possibilidades de novos ataques, fazia-se a debandada dos homens, que, sem mantimentos, não tinham como se refazer. E foram cruelmente acompanhados pelos jagunços, que, à espreita, somavam-se à sede e à fome como algozes daqueles curiosos retirantes. Mas a brigada do general Artur Oscar resistiu. Conquistada a posição, ficou. E novo batalhão surgiu como reforço. Mas um novo assalto não se faria sem novas baixas e excessivos retardamentos, culminando, muitos dias depois, na escassez de provisões e na urgência do socorro aos feridos. Nesse meio tempo, chamou-se o marechal Carlos Machado de Bittencourt, estrategista impassível que percebeu a necessidade de vencer o deserto antes de sitiar o jagunço. Ainda havia algum trabalho e muito heroísmo em Canudos, por parte dos remanescentes da última investida. Mas então já "avançava pelos caminhos a Divisão salvadora".

NOVA FASE DA LUTA — Finalmente "terminara o encanto do inimigo" (p. 355). Derrubam a torre da igreja de Canudos (trincheira valiosa), além de abaterem um líder importante da resistência de Canudos. Os novos vão chegando e encontrando os antigos combatentes numa situação em que o antagonista parecia fragilizado. Atiravam com regularidade, mas das mais de cinco mil vivendas de Canudos (!) também advinham os prantos das mulheres e das crianças... Abatido, o Conselheiro morre em 22 de agosto. (Obs.: mais tarde, à p. 401, diz-se 22 de setembro, o que deve ser o real.) Alguns crentes chegaram a fugir antes que a situação mudasse, a 24 (pp. 366-7). O cerco se procede. "A insurreição estava morta" (p. 370).

ÚLTIMOS DIAS — O imprevisto: "o inimigo desairado revivesceu com vigor incrível" (p. 375). Assim mesmo começaram a cair os prisioneiros, inicialmente em especial mulheres, crianças velhos, quase todos famintos e doentes. Teve então vez a covardia dos vencedores (p. 378...). 28 de setembro: era o fim. Mas Euclides da Cunha anuncia inúmeras vezes o fim — mas anuncia o que seria o fim militar evidente. Contudo os jagunços não eram militares, e não se rendiam, a não ser com a morte. E seu heroísmo sempre impunha a confusão na formação dos assaltantes. Desta forma, conseguiam ainda matar muitos oficiais após o momento em que a "lógica" os deveria ter rendido. Mas Canudos nunca se rendeu. Restavam quatro exíguos combatentes, que pelejaram com ferocidade até sucumbirem, entregando a vida. O final de Euclides é magistral: relata e comenta a busca que se faz do cadáver de Conselheiro, e a transformação de sua cabeça em troféu último da Guerra de Canudos.
comentários(0)comente



Jayme 31/01/2014

"Os sertões" é incontestavelmente uma obra ímpar que Euclides da Cunha nos apresenta numa linguagem rica e variada, mostrando o que aconteceu em Canudos, não apenas como um fato histórico, mas como como um estudo crítico da sociedade brasileira.

Euclides da Cunha cumpriu seu objetivo ao escrever este livro, denunciando a situação miserável do caboclo nordestino abandonado pelo governo, que ao invés de resolver os problemas nada mais faz do que intervir com violência e crueldade.

Leitura obrigatória tanto pela importância histórica quanto pelo talento de um grande escritor.
comentários(0)comente



Pereira 08/11/2011

Determinismo
Esta obra é escrita em liguagem arcaica e acadêmica. Por isso o comprometimento com a leitura é essencial naquele que começa a desgutar este livro. A parte que descreve o ambiente em que acontece a história e extremamente técnica e monótona. Interessante a parte que trata do homem. É uma abordagem determinista (meio, raça e momento) que tem muito a ver com a visão de mundo que compartilho. Quando ele entra no encerramento descrevendo as batalhas travadas entre o governo e os "bandidos" a leitura mantém a sua dinâmica. Leitura obrigatória para quem quer entender melhor o Brasil de hoje. Nossa história é recheada de pormenores que enriquecem nossa visão sobre este país do qual eu não tenho orgulho de pertencer!
comentários(0)comente



Bbortolotti 06/02/2012

Os Sertões de Euclides
A terra. O Homem. A luta. Os Sertões é antes de tudo um relato completo sobre a Guerra de Canudos. A terra, chamada de sertão é o palco. O homem é o sertanejo. A luta é entre uma república recém instaurada e um povoado esquecido pelo Estado.
De um lado, os ideais de uma república, o exército que a saúda e luta em seu nome; de outro os jagunços, sertanejos formados a partir da miscigenação racial entre índios e brancos e com o espírito desbravador dos bandeirantes acabam fundando um arraial em terras esquecidas, às margens do rio Vaza-Barris. Sob a influência espiritual de um asceta, um líder carismático chamado Antônio Conselheiro que consegue, a partir de seus sermões religiosos, mobilizar massas e desprezar a República, reunindo os sertanejos para a construção de uma terra prometida, onde nem Estado e nem a Igreja conseguiriam penetrar. Canudos, o arraial que não se rendeu; que derrubou quatro expedições do exército; o arraial que resistiu até os dois últimos homens, o último velho e a última criança;

Euclides, que via os sertanejos como degenerados, como uma raça miscigenada inferior, teve que reconhecer a partir do trecho mais conhecido do livro: “... o sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Os jagunços, esquecidos pelos homens do litoral, pelos homens do sul, eram homens bárbaros que conseguiam usar o ambiente a seu favor (por isso a descrição densa da geografia e do clima no capítulo “A Terra”), conseguindo derrotar exércitos inteiros por quatro vezes. Ali, as forças armadas da república, com a organização prussiana das tropas, não se adequaram. Os guerrilheiros de Canudos fizeram uma aliança com os sertões e ali os homens do Sul e do litoral sucumbiram pela fome, pela sede, pela estratégia desordenada dos sertanejos.

O resultado do relato de Euclides da Cunha é uma das primeiras obras que ajudam a pensar o Brasil como nação. Influenciando a ciência, a política, a literatura, o cinema e os movimentos artísticos como o Modernismo, a obra aponta as dicotomias do país: litoral civilizado x interior bárbaro; Sul rico x Norte pobre; cidade x campo. Euclides aponta para os problemas com que a República tem que lidar para construir uma identidade nacional. Se a obra em alguns momentos apresenta trechos que seguem o determinismo e as teorias raciais preponderantes da época, por outro lado propõe a inclusão desses sertanejos esquecidos, devendo incorporá-los ao projeto da república, da civilização, para a criação de um projeto para a construção uma identidade da nação brasileira.
comentários(0)comente



Felipe 21/09/2012

"A história do homem é a história da dor" (Nabokov)
comentários(0)comente



Luh 16/12/2009

Detalhes Cansativos:
Nesse livro, o jornalista Euclides da Cunha faz uma narração detalhada do conflito de Canudos ocorrido no interior baiano pelo lider messianico Antonio Conselheiro. Para muitos, essa é uma obra clássica da nossa literatura, no entanto, o excesso de detalhes torna essa leitura bastante cansativa.
O cansaço da leitura é o que leva muitas pessoas a desistirem dela. Há quem diga que Euclides preocupava-se demasiadamente com os intelectualismos em sua obra.
O fato é que é uma leitura obrigatória (pelo menos parte dela) e cheia de controvérsias.
comentários(0)comente



Aline 18/06/2014

A guerra no sertão
Euclides da Cunha perpetua-se na literatura brasileira com "Os Sertões", não tive vontade de ler o livro todo, então li apenas a versão condensada.
Com dados verídicos, nomes, datas... delineando excelentemente o ambiente, o clima e todo o horror da guerra.
comentários(0)comente



Thiago Ernesto 28/02/2014

Não Me Rendi
Ao começar a ser "Os Sertões" admito que não tinha uma boa noção do que me esperava. A linguagem jornalística e os temas científicos e sociais mostram um caráter sério para o livro que na verdade, se lido com emoção, é justamente o oposto. Euclides da Cunha deixa transparecer sua opinião bem como os sentimentos. Mas é preciso saber lê-los e interpretá-los. Cabe lembrar também que muitas das ideias da época foram derrubadas e hoje estão desacreditadas e até mesmo repudiadas. Ao descrever a população brasileira, Euclides de faz valer das teorias sociais da época e podemos notar, com nossa visão analítica social contemporânea, um claro favoritismo a etnia europeia. Mas o que faz valer a pena a leitura é Canudos. A epopeia de Antonio Conselheiro e seus seguidores pelos sertões é magnífica. Sujeito louco ao mesmo tempo inteligentíssimo, Conselheiro desponta como uma das figuras mais interessantes da nossa história. A guerra de Canudos é retratada com riqueza de detalhes , de modo que a perplexidade do leitor é absurda. Não achei, devo ressaltar, uma leitura tão sofrível como me fiz crer que seria. Ler "O Sertões" é saber enxergar sentimento onde apenas se lê palavras distantes e denotativas. É ver o belo em meio o horror. O horror de Canudos.
comentários(0)comente



Helô 12/10/2011

Então...
Vestibular.
comentários(0)comente



U.F. 24601 20/11/2010

Tudo que você precisa saber sobre Canudos
A divisão da obra não deixa dúvida sobre de como foi a batalha e quem eram as personagens, explica antes de mais nada, A Terra, ou seja, onde vivem os jagunços, faz comparações entre outros lugares do Brasil como os Pampas Gaúchos. O Homem, também é explicado em pormenores quem são, onde trabalham, quais as roupas, quem é Antônio Conselheiro, quem é sua família. N'A Luta também é rica em detalhes de como chegaram o exército em Canudos, quem eram os generais, quantos morrem no dia, na semana, no mês. Uma obra completa sobre uma das mais sangrentas hecatombes da história do Brasil.


Dificuldade: A maior dificuldade, e na primeira parte "A Terra", existe muito dados técnicos usando dados de geógrafos, biólogos, o que deixa os leigos no assunto assustados.
comentários(0)comente



Mariana 01/08/2015

Um Episódio Triste
Foi um achado do meu nono ano de ensino fundamental! Anos depois de ter abandonado o livro em seus primeiros capítulos, inventei de tirá-lo novamente da estante. E olha, fiquei bastante satisfeita em ler a obra adaptada. Transmite bem a riqueza dos detalhes e o maço de opiniões do jornalista (com veias de antropólogo) que foi Euclides da Cunha. É indiscutível que o livro reflete o pensamento do começo do século XX e que para lê-lo tive de vestir a capa da época e engolir o determinismo grosseiro do relato, ou como disseram aqui antes, seu "racismo vintage". E é esse o interessante de ler livros de outros tempos! Entender conceitos antigos e associá-los ao modo como eles são vistos hoje. Enfim, como todos sabem, o livro é dividido em três partes: a Terra, o Homem e a Luta. São bem autoexplicativos, a primeira define a dureza do sertão e como ele, além de ser isolado e excruciante, age na consolidação do sertanejo enquanto indivíduo, emocional e etnicamente. A segunda parte descreve os tipos de sertanejo, o misticismo ao qual eles se agarram tão bravamente e a figura de Antônio Conselheiro. Ademais, a terceira parte descreve a intervenção militar do recém-formado governo republicano ao Arraial de Canudos, considerado uma ameaça à estabilidade da república (embora Euclides da Cunha pareça discordar, chamando-os de fanáticos sem intenções concretas de ações antirrepublicanas). O conflito é infeliz e a brutalidade é mútua. Várias expedições tentaram arrasar a resistência de Canudos e os jagunços lutaram até a cova. De um lado, fanáticos cegos movidos impetuosamente pela adoração ao seu messias; de outro, soldados que matam crianças com canhões, metralhadoras e um "viva à república". Vale a pena ser lido.
comentários(0)comente



Nara 15/01/2018

Surpreendente!!! <3
Logo que iniciei "Os Sertões", tinha quase certeza de que ia desistir facilmente. Demorei um pouco para me acostumar com a escrita. A primeira parte (A terra) foi um pouco difícil e confusa, eu tive que voltar a leitura em alguns momentos para me situar. Mas após algumas páginas e um pouco de dedicação, a narrativa me pegou de um jeito que eu não conseguia mais parar de pensar sobre os acontecimentos. A leitura ficou deliciosa e interessante, apesar das dificuldades pelas minhas limitações em alguns trechos do livro. Foi uma leitura que exigiu muito de mim... muita disciplina, atenção e dedicação! Mas valeu a pena DEMAIS! Quando finalizei, tive vontade de voltar ao iníciou e ler tudo novamente. Foi surpreendente, pois eu tinha quase certeza de que ia odiar essa leitura.
"Os Sertões" é um livro verdadeiramente INCRÍVEL!
Sem dúvida, um dos meus favoritos da vida!
Carina Tavares 15/02/2018minha estante
Será que devo tentar novamente? Pq eu odiei. Abandonei e até agora nem pensei nesse livro outra vez


Nara 17/02/2018minha estante
Carina, eu achei que ia desistir logo, mas após a primeira parte, que é super cansativa e de difícil compreensão, a história ficou interessante demais.
Eu aconselho você a tentar novamente. Espera ele "te chamar" e vai sem medo. O começo vai ser bastante confuso e até chato, mas não desiste! Se você é curiosa sobre essa história, vai valer muito a pena!


Araceli 06/01/2019minha estante
Estou lendo e realmente a primeira parte foi bem cansativa. Ainda estou me adaptando com a narrativa e a linguagem difícil de Euclides, mas estou gostando do livro.


Nara 09/01/2019minha estante
Que bom que está gostando, Araceli!
Segue lendo com calma. Vai chegar um momento que você não vai mais conseguir largar. Vale muito a pena!




Gláucia 12/12/2015

Os Sertões (Volume 1) - Euclides da Cunha
Esse primeiro volume contém a primeira e a segunda partes: A Terra e O Homem e começa a terceira, A Luta.
Muita gente desiste da leitura logo no início e eu já fui preparada para encontrar um excesso de descrições na parte A Terra. Mas não estava preparada para o que encontrei. O autor se utiliza de uma quantidade enorme de palavras difíceis, várias numa mesma frase que o dicionário foi leitura complementar o tempo todo. O objetivo foi descrever o sertão onde a ação vai se desenrolar mas houve um abuso dessas palavras de forma que não consegui formar uma imagem mental desse cenário. A impressão que tive foi que o autor estava preocupado em exibir sua erudição e foi bem difícil chegar ao final dessa primeira parte. Quem tiver muita vontade de ler essa obra e teme desistir por conta dessa primeira parte pode partir direto para a parte 2 sem que haja prejuízo da compreensão da trama. Posso resumir em palavras mais acessíveis: o sertão é um ambiente extremamente seco, inóspito, rude, a sobrevivência lá é um verdadeiro desafio e acaba tornando o homem mais forte.
A segunda parte, O Homem traz uma espécie de estudo antropológico e tem como objetivo descrever o sertanejo desde sua origem. Essa parte é bem mais acessível e melhorou bastante. Mesmo assim, o livro ainda não me pegou, tudo bem que se trata do relato de um acontecimento histórico mas o autor até agora fez isso com um tom bem neutro, sem colocar qualquer emoção, se restringindo mesmo a descrever os acontecimentos. Fica a sensação de que estou estudando, lendo um livro didático de História do Brasil.
Partirei para a terceira parte que todos dizem ser melhor. Veremos.
comentários(0)comente



76 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6