O Lobo do Mar

O Lobo do Mar Jack London




Resenhas - O Lobo do Mar


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Dose Literária 21/11/2013

1001 Livros: O Lobo do Mar - Jack London
Que era uma obra primorosa, digna da referência no 1001 Livros Para Ler Antes de Morrer pela sua importância e contribuição à literatura universal, eu já sabia, mas até abrir o livro e 'viajar' na narrativa do norte-americano Jack London a bordo da escuna Ghost, perpassada inteiramente nos mares do Pacífico, foram-se três anos de espera na estante. Mal sabia o que estava perdendo.

Escrito em 1903, a trama narra a história do ríspido capitão Lobo Larsen, e de Humphrey van Weyden, crítico literário resgatado de um bote à deriva nos mares do Pacífico, pela tripulação da Ghost. Ao ser encontrado, o náufrago destituído de forças físicas pelas agruras do tempestuoso oceano, é acolhido e tratado pelo capitão Larsen. O diálogo flui prazerosamente quando o Lobo revela ao intelectual sobre sua bagagem literária. As menções à grandes nomes da literatura não passaram despercebidos a leitora aqui, porém, durante toda a história, os livros são o único ponto em comum entre o capitão e literato.
Um é completamente o oposto do outro. Continue lendo em http://www.doseliteraria.com.br/2013/11/1001-livros-o-lobo-do-mar-jack-london.html
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Inácio 08/04/2013

Filosofia e decepção
Imagine você sendo uma pessoa bem de vida, tendo de tudo, nunca trabalhado... Fora Jesus, Buda, Epicuro e mais alguns, dificilmente alguém não iria querer isto. Pois bem, esta é a situação inicial do personagem central do romance "O Lobo do Mar", o jovem Humphrey Van Weyden.
Tudo entretanto muda quando o barco onde Humprey viajava naufraga, e ele é salvo por um barco de caçar focas que está se dirigindo ao Japão. A primeira coisa que você faria seria dar graças a Deus por ter sido salvo, ou talvez não... Isto porque o terrível capitão do navio, Lobo Larsen, não tem interesse algum de levar Humprey a algum porto seguro, fazendo deste modo com que o jovem, até então rico e bem de vida,fique, contra vontade, sendo auxiliar do cozinheiro de bordo, um sujeito que consegue ser mais desprezível que Larsen.
O que observamos lendo o livro são uma série de situações que tem como objetivo mostrar as condições grosseiras com que todos os homens daquela escuna vivem, a brutalidade, a transformação sofrida por Humphrey ao estar envolto neste ambiente, e com certeza a personagem complexa que é o capitão Larsen.
Um dos charmes da obra é que ela tem doses de aventura e também de reflexões filosóficas que se harmonizam, e você sente que estes elementos se completam na história, no que se refere as teorias pessimistas e materialistas que Lobo Larsen tem, por exemplo, que podem ser percebidas no fim da história. Sinceramente, não sei o que está esperando quem ainda não embarcou nesta aventura.
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Renata 15/11/2012

Ganhei esse livro de sabe-lá-Deus-quem, 10 anos atrás. Sim, o pobre coitado ficou 10 anos na prateleira aguardando uma chance de ser lido. A prova de tanto tempo de espera estava estampada na etiqueta da livraria Sodiler em sua folha de rosto (e na época custou 8 reais!)

Antes de iniciar a leitura, fiz uma rápida busca sobre o autor, Jack London. Eu achei estranho esse autor não gozar de tanto prestígio no Brasil, quando comparado com o que possui lá fora (talvez seja ignorância minha mesmo). Até porque, se vocês observarem bem, qualquer coleção pocket possui um livro dele.

Jack London tem suas produções influenciadas por grandes nomes tais como Darwin, Nietzsche e Marx. Confesso que nunca li suas obras (não me recriminem por admitir minha alienação), meus conhecimentos sobre eles são de sala de aula mesmo. Não digo que nunca o farei, mas sempre preferi ler os influenciados a ler os influenciáveis. Acho um pouco fatigante ler a filosofia no duro, sabe? Talvez eu não esteja preparada ou talvez eu simplesmente não esteja a fim mesmo. Esta foi a razão que me levou a ler “Quando Nietzsche chorou” e “A cura de Schopenhauer”. Talvez isso se aplique, inclusive, aos romances históricos (pessoalmente acho muito mais agradável ler um romance histórico a ler um livro do Hobsbawn, por exemplo).

Dito isto, caso não concordem com algo que eu diga, fiquem a vontade para corrigir ou opinar. Sou bastante razoável nesse sentido.
O livro conta a “aventura” de Humphrey Van Weyden, um homem que foi resgatado por uma escuna chamada “Ghost” após ter sido vítima de um naufrágio.

A “Ghost” tem como capitão um homem chamado por seus subordinados de “Lobo Larsen”, de características escandinavas que, na minha opinião, a despeito de sua crueldade, é quem dá alma ao livro, e foi o personagem que me fez terminar a leitura.

Esse livro é escrito em primeira pessoa, como um diário de memórias de Humphrey. Assim, é possível entender como esse personagem se sentia em relação a todos os acontecimentos ocorridos na embarcação.
Eu achei muita coragem do autor escrever tantas páginas e tantos acontecimentos em um ambiente tão limitado como é uma embarcação de pesca/caça (às focas, no caso). Mas depois, pensando melhor, percebi que essa embarcação poderia ser qualquer outro lugar... sei lá, um quartel, uma empresa, etc. O que quero dizer, é que essa embarcação significava, para mim, uma análise micro da sociedade, entende?

Logo no início, li um diálogo com o qual me identifiquei muito e dizia assim: “- Quem o sustenta? Insistiu. Quem conquistou essa renda? Seu pai, com certeza, e você vive sobre as pernas dum homem já falecido. Nunca obteve nada pelo esforço próprio. Não sabe cavar a vida, se o largarem só”.

Lobo Larsen disse isso a Van Weyden, mas acho que a mim também. Todos já passamos por essa situação na vida, em que deixamos de ser sustentados para, enfim, andarmos com as nossas próprias pernas. É uma transição penosa para os idealistas. Antes de iniciar essa resenha, imaginei que muitos “skoobianos” são como Humphrey no início do livro: sempre se limitaram ao conhecimento teórico, esquecendo da prática, da ação em si. Por mais que ao ler um livro adquiramos conhecimento, nenhuma sensação é mais satisfatória quanto a de “botar a mão da massa”. Eu ainda estou conquistando isso.

Larsen, apesar de gostar da erudição, dava mais valor a ação, a atitude, a conquistar com o próprio suor, ao invés de simplesmente receber algo pronto e acabado. Acho que esse foi o maior aprendizado de Humphrey no decorrer do livro.

Lobo Larsen comandava com pulso firme sua tripulação, chegando a ser cruel na maioria das vezes. Claro que a parte cruel da coisa, não era estritamente necessária, isso se dava a sua forma de pensar nas pessoas como coisas necessárias para um fim específico e descartáveis em certa altura. Mas, eu acho que essa hierarquia é necessária para o funcionamento da vida em sociedade.

O capitão da Ghost exercia sua superioridade não só com sua força física inabalável (Humphrey o descrevia como um Deus, um ser desprovido de defeitos físicos, sobre humano, o mais forte), mas também com uma capacidade peculiar de manipular mentalmente seus subordinados. Às vezes eu encarava a Ghost como um quarto branco de tortura: ninguém, após certo período de tempo dentro dela, se mantinha em estado de sã consciência. Era um ambiente hostil, onde a mais frágil das criaturas se tornava um animal para lutar pela própria vida. Os personagens claramente mudam no decorrer da narrativa, influenciados pelo ambiente insalubre e pelas atitudes de seu capitão.

Esse ambiente onde só os mais fortes sobrevivem pode ser identificado na forma de pensar de Larsen: “Penso que a vida é uma confusão, respondeu ele de pronto. A vida é como o fermento, uma levedura que se move por um minuto, uma hora, um ano, um século, um milênio, mas que por fim terá paralisados os movimentos. Para manter-se em movimento, o grande come o pequeno. Para manter-se forte o forte come o fraco. O que tem sorte prolonga o seu movimento por mais tempo – eis tudo”.

Os valores éticos não eram os do “mundo civilizado” de onde Van Weyden provinha. A Ghost tinha seus próprios valores éticos e morais:

“- Por que não atira? indagou ele. Pigarreei para limpar a garganta. - Hump, disse Larsen com lentidão, você não atira porque não pode atirar. Não é medo. É impotência. A sua moralidade convencional fez-se mais forte que os seus instintos. Não passa dum escravo das ideias assentes na terra onde viveu e dos livros que leu. O código dessa terra foi embutido no seu cérebro desde a meninice, e a despeito da sua filosofia e do que aprendeu comigo nesta Ghost, esse código não o deixará matar a um homem desarmado que não resiste".

Além disso, também sofri muito com o mar. Sério... Eu não aguentava mais água... Era tanta vela, tanta chuva, tanto frio, tempestades, ondas... nossa, cheguei a ficar mareada em alguns momentos (acho que me recordei da péssima experiência que tive em um catamarã). Isso sem contar na caça às focas, pobrezinhas... Eu fiquei horrorizada com a crueldade de todos, pude sentir o cheiro de sangue em alguns momentos. Acho que esse foi o primeiro livro a me causar tais sensações físicas.

Enfim, percebi a importância da ação e da satisfação que nos dá ver um trabalho realizado, erguido, completo, concretizado.



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Leonardo Matos 09/08/2012

Livro fantástico
Está procurando um ótimo livro para ler esses dias? provavelmente encontrou!

O Lobo do Mar traz uma história empolgante, cruel, polêmica, e porque não... romântica!
O contraste de um homem bem civilizado que amadureceu por entre os livros e um capitão de um navio de pesca rígido, manipulador, as vezes violento mas com um conhecimento enorme. Isto somado as aventuras em alto mar, regadas a um triângulo amoroso proporciona ao leitor, uma história inesquecível.
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João Souto 21/07/2012

Uma grande obra
O meio faz o homem ou o bestializa. Essa é a tranformação de Hump, um crítico literário, em um homem capaz de enfrentar as advesidades e descobrir a si próprio e toda a potencialidade de seu corpo e mente.

Wolf Larsen é seu oposto, mas também é Hump que o admira ao mesmo tempo que o teme e repugna. Em vários momentos os diálogos parecem a reflexão do próprio autor sobre a posição do homem na sociedade e que melhor postura adotar se o "certo" é aquilo que o meio exige dele e não o que se lê ou acredita. O real sobrepõe as ideias, formulam novas ideias sobre conceitos já conhecidos.

É impossível ler O Lobo do Mar e se questionar se o temido Wolf Larsen na verdade pensa a vida como ela é e não como deveria ser. Em vários momentos percebi a genialidade do personagem de Jack Lodon como algo a se refletir.

Um leitura altamente recomendada. O livro é intenso e uma jornada nos mares da mente e da alma.
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jota 19/03/2012

Não é Moby, estúpido, é Lobo
Aqui não há cachalotes que atacam e destroem barcos ou navios, como em Moby Dick. A fera deste livro é um marinheiro sagaz e cruel que se chama Lobo Larsen. Que também é irônico, muito irônico, e vive citando Nietzsche e Darwin. Muito apropriadamente, dado o seu comportamento e o ambiente em que impera.

Ele é o capitão da escuna Ghost e inferniza a vida de seus subordinados. Também a vida de Humphrey van Weyden, que foi resgatado num naufrágio e se torna praticamente seu escravo.

O Lobo do Mar é uma história movimentada o tempo todo, até parece um western (poeira em alto mar?). Quando não é o mar que apronta alguma para os marujos ou a escuna, tem alguém brigando ou o próprio capitão Larsen lutando contra seus comandados. E todos querendo matá-lo.

Eles formam um bando de homens rudes dentro dessa escuna que se desloca para o Japão à caça de focas. Humphrey ou Hump, que foi resgatado de um naufrágio e é um sujeito civilizado e culto está vivendo dias infernais nessa nau de insensatos. É ler para crer - você quase sente o mau-cheiro que impregna a todos. Nada estranho, o autor é, afinal, Jack London.

As coisas se tornam mais dramáticas (e também românticas) quando uma mulher, Maud Brewster, escritora, é resgatada de outro naufrágio (ocorrem vários deles durante a narrativa). Hump, o civilizado, se apaixona por ela. Larsen, o bruto, quer tê-la à força.

Hump e Larsen: dois homens em conflito. Ou o bom e o mau; o feio é o confronto sangrento em que se veem envolvidos pela "posse" da mulher. Quem irá sobreviver e ter Maud nos braços ou à força? Larsen ou Humphrey? Tem que ler para saber.

Lido entre 11 e 19.03.2012.
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Rafael 29/02/2012

Um livro EXCELENTE! Daqueles que tu não consegue largar por absolutamente nada.

Foi uma experiência e tanto ter lido "O Lobo do Mar". Conseguiu ser melhor do que eu esperava superando todas as minhas expectativas.

Adorei duas coisas no livro: a "análise" da mente do terrível Lobo Larsen e a mudança quase completa do personagem Van Weyden.
Pensem bem: um homem de 32 anos que viveu a vida inteira em volta de livros, de repente se vê num "mundo" completamente diferente, descobrindo de fato que a vida é muito mais do que aquilo que ele antes conhecia. E pra sobreviver, ele acaba tendo que se adaptar, e isso acaba mudando pra sempre a vida e a pesonalidade dele..

Enfim, uma ótima leitura, que eu recomendo sem pensar duas vezes ;)
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Haylane 13/02/2012

Bem-vindos ao Zoológico Humano!
Entre tantos outros livros do gênero, umas das minhas melhores leituras de 2011 foi, sem dúvida, O Lobo do Mar, de Jack London, um clássico que sob uma análise crítica supera outros romances de aventura em alto-mar.

À bordo da "Ghost", o personagem Lobo Larsen é o que se pode definir como um exemplar de absoluta virilidade e poder de ordem, criado sobre o molde do Übermensch (o Super-Homem Nietzschiano) comanda com mãos de ferro a embarcação durante a temporada da pesca de focas, com um caráter extremista que mescla força, intelecto e frieza verdadeiramente Luciférica, Larsen aterroriza seus homens e esmaga a moral de toda a sociedade. Em contra-partida surge o jovem gentleman Humphrey Van Weyden, um exemplo do homem atual: covarde, fragilizado, escravo da moralidade e amante das aparências.

Em suma, o livro mescla a vida dura no mar com os embates filosóficos de Larsen e Hump, e mostra como um homem absolutamente resoluto e firme em sua vontade torna-se a si próprio o seu chefe, o seu Deus, o seu Lúcifer.

* Fica a dica para a adaptação no filme italiano "II Lupo del Mare" de 1975 com Chuck Connor, que a meu ver não se poderia encontrar melhor interprete para dar vida ao tão terrível e magnífico Lobo Larsen.
Laura 25/07/2012minha estante
Nota, parabéns por perceber essas coisas


Haylane 26/08/2012minha estante
Obrigada, Lau.


Rosas 12/12/2012minha estante
Ele é o melhor livro que eu já li e entendi. Sou fã pra caracaa!!




mthama 29/01/2012

Sobre
A ideologia do materialismo, que vê a existência da vida e das coisas unicamente na matéria e em sua forma. Achei bem bacana.
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emilinha 07/09/2011

Entrando em um mundo diferente
Resolvi ler O lobo do mar por Jack London, por ter lido e gostado de Caninos Brancos. O ambiente de um barco nunca me atraiu muito (exceto pelas aventuras de Piratas do Caribe) e não via como uma história contendo apenas homens em um barco poderia se manter sem se tornar chata por mais de 300 páginas. O que se trabalha no livro é a personalidade de Lobo Larsen, aqui o autor consegue extrair ótimos diálogos entre ele e Hump, personagens tão opostos. Legal também a mudança de Hump ao longo do livro. Enfim, uma surpresa.
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Giovanna 13/08/2011

Jack London prende a atenção do leitor nesta obra, ora pelo clima de tensão entre os personagens, ora pelos termos não muito familiares para quem não está acostumado com o mar e suas embarcações. De forma simbólica, aborda, com primor, assuntos como liderança, poder, submissão, lealdade, orgulho, humildade e compaixão e fala sobre as relações humanas de forma intrigante.
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Franco 21/05/2011

Ótima aplicação de teorias filósificas na construção de uma obra literária, e sem aborrecer ou entendiar.

Os personagens, principalmente Lobo Larsen, são marcantes. A trajetória do protagonista, 'Hump', também chama a atenção e serve como fator de envolvimento com a obra, já que está a todo momento em progressão. O ritmo da história vai bem no estilo aventura, cheia de acontecimentos, o que deixa a leitura fluir facilmente pelos vários capítulos.

E para quem gosta de simbolismos, dá pra fazer uma boa interpretação. Cada acontecimento e personagem, e a maneira como tudo se relaciona na trama, dá uma perspectiva interessante para se pensar em possíveis significados metafóricos. Aí vai, claro, de leitor para leitor.

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Angélica 06/03/2011

O Lobo-do-Mar
Antes de “O Lobo-do-mar” já havia lido dois romances de Jack London: “O Chamado da Floresta” e “Caninos Brancos”. Ambos são aventuras dinâmicas e cheias de reviravoltas centradas no mundo animal. Ao começar este livro imaginava encontrar mais um ágil romance de aventuras, mas a verdade é que encontrei bem mais que isso.
O protagonista da história é Humphrey Van Weyden, gentleman inglês apaixonado por literatura, e que nunca precisou trabalhar. Quando voltava de uma visita à casa de um amigo, o navio onde Humphrey se encontrava naufraga. Ele é resgatado pela escuna foqueira Ghost, e forçado a se integrar à tripulação.
Somos então apresentados à Lobo Larsen, o forte e impiedoso capitão da Ghost, e uma das mais fascinantes personagens que já tive a oportunidade de encontrar em um romance de aventuras. Homem duro e acostumado a comandar, Larsen subjuga a vida daqueles ao seu redor através da força, tudo para que possa obter maiores vantagens em suas empreitadas. Porém o capitão da Ghost não é apenas um bruto: autodidata, ele é versado em literatura e filosofia, e ao longo do livro trava verdadeiros debates ideológicos com Van Weyden, utilizando e distorcendo os conceitos do “mundo civilizado” para defender seu modo materialista e racional de agir e pensar, que contrasta completamente com o prisma romântico e idealista através do qual Humphey vê o mundo.
Déspota esclarecido, Lobo Larsen vive pela lei da dominação pela força, e menospreza homens que, como Humphrey, não trabalham para ganhar seu próprio sustento. “Que faz para viver? Você trabalha para viver? Quem é que o sustenta?” – são as perguntas que o comandante faz à Weyden logo que este chega à Ghost, forçando-o em seguida a trabalhar no navio. O livro explora muito essa temática do “trabalhar para viver”, provavelmente como uma crítica aos nobres e ricos que “viviam de renda” como Humphrey, associando o trabalho à vinda da responsabilidade e à capacidade do homem de se sustentar sozinho, sem precisar da ajuda de ninguém. O próprio protagonista admite que só aprendeu a andar com as próprias pernas depois de ter conhecido Lobo Larsen; sua estada na Ghost ensinara-lhe tudo, e o fizera enxergar o lado mais cruel da vida, que ele antes recusava a encarar.
Este “lado mais cruel” é também muito bem explorado ao longo do livro. Através dos rudes caçadores e tripulantes da escuna, o romance nos mostra como o “lado bom” do homem adormece quando este é exposto a condições de vida cruéis e subumanas por um longo período de tempo. Os tripulantes da Ghost não pensam em nada além de sua própria sobrevivência e bem estar; nem mesmo a morte de um companheiro de viagem é capaz de suscitar neles alguma compaixão. Todos estão subjugados pela força e pela astúcia de Larsen, e sempre que um deles vai contra o capitão acaba por sofrer terríveis represálias do mesmo.
“O Lobo-do–Mar” é um livro que certamente nos faz refletir bastante, mas infelizmente nem tudo são flores. Lá pelo final do romance a luta pela sobrevivência e os debates ideológicos são deixados de lado... E somos obrigados a ler vários capítulos sobre o amor de Humphrey por Maud Brewster, naufraga resgatada pela escuna na metade final do livro. É como se pulássemos de um romance de aventuras para uma história romântica de José de Alencar... Essa etapa final mantém a aventura e as reviravoltas como no resto do livro, mas já não é nem 1/3 tão interessante quando as partes anteriores da leitura, principalmente porque praticamente toda a discussão ideológica é deixada de lado em prol de discursos sobre a importância do amor na vida do homem e etc. O romance com Maud é provavelmente o modo que Jack London encontrou para fazer parecer que o modo idealista de pensar de Humphrey (e que também é compartilhado por Brewster) é “melhor” ou “mais correto” do que aquele utilizado por Lobo Larsen. Pessoalmente, eu achei que esta foi uma maneira um tanto “pobre” de se ganhar a discussão...
Mas mesmo com um final não tão interessante, “O Lobo-do-Mar” ainda é um ótimo romance de aventuras, que o/a fará refletir bastante. A presença de uma personagem tão interessante quanto Lobo Larsen no livro já faz a leitura valer a pena. Recomendo tanto para quem deseja ler uma boa história quanto para quem quer refletir um pouco sobre a natureza humana.
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tadeufm 15/02/2011

Sensações e reações
Este foi o primeiro livro que li de Jack London. Gosto muito dos escritores que escrevem romance de aventuras entre 1900 e esse foi o simples motivo de ler Jack London. E me impressionei com o que li, um livro realmente feito pra refletir sobre as pessoas, a partir de um personagem perfeito com Lobo Larsen, que consegue ser ao mesmo tempo repugnante e genial. Um livro pra refletir sobre como vivemos nossa vida, e como a vida pode ser tão diferente neste pequeno planeta. Sensacional e perfeito.
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Nícolas 04/10/2010

O confronto no mar
Um livro cativante e extremamente expressivo e filosófico. O Lobo-do-mar conduz o leitor à pensamentos distantes da realidade de nossos dias.

A história narra a desventura de Humphrey Van Weyden, um "gentleman", que voltando de uma visita à casa de um amigo, Furuseth, tem o navio em que viajava naufragado. Sendo resgatado por uma escuna liderada por um capitão violentíssimo, Lobo Larsen, Humphrey passa a temer a vida ao passo que entra na mente de um poderoso homem.

Com uma narrativa clara e simples, London consegue introduzir o triste mundo que nosso personagem vivencia e também manter a concentração do leitor mesmo quando em pensamentos profundamente filosóficos e contrastantes.

Filosoficamente, um livro curioso e diverso. O conflito entre o homem atual e um homem pessimista que apenas crê no poder, lisonjeia o leitor com conclusões novas e proporciona uma situação quase impensável.

Uma obra interessante e indispensável àqueles que procuram as diversas formas de pensamentos sobre a vida e suas muitas questões.
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