O Lobo do Mar

O Lobo do Mar Jack London




Resenhas - O Lobo do Mar


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Linter 12/09/2017minha estante
Erikson, concordo plenamente contigo (spoiler): foi um final bem fraquinho para um personagem tão forte e importante no livro. Eu torcia para que um dos dois vencesse o embate moral, mas no caso foi um WO. Um final interessante seria o Hump tomar o lugar do Lobo na Ghost e virasse o capitão, com toda a tripulação sob o seu jugo, ou alguma coisa desse tipo.
E esse romance que apareceu do nada? Pra quê isso???
Faltou pouco para ser um livro genial...


@Estantedelivrosdamylla 06/08/2019minha estante
Já eu vejo de outra forma, acho que a morte de Wolf Larsen foi mais trágica do que se ele tivesse morrido da forma bruta como ele matava os outros. Ele, que era um homem inteligente, viril e cheio de vida, foi submetido a uma morte dolorosa, lenta, e que fez ele ser aprisionado em argila, como diz o próprio Humphrey. Ele assistiu, literalmente, a sua própria morte e além disso, não conseguiu fazer Humphrey agir da forma primitiva que ele fazia.
Além disso, ele sempre enxergava que o mais forte vence o mais fraco, e no final, ele que se achava o mais forte foi quem pereceu frente a Hump, que para Wolf Larsen, mal sabia andar com as próprias pernas.


eriksonsr 19/08/2019minha estante
Nunca tinha visto a coisa dessa forma, chega quase a dar pena dele, alem de morrer ver tudo que acredita acabar desta forma...


Jessé 08/12/2019minha estante
Cara compartilho do seu sentimento com esse livro. Pra mim ele desando quando a tal Maud apareceu na história.

Depois disso o livro não tinha mais diálogos grandiosos, e todos os outros personagens interessantíssimos da tripulação foram esquecidos no churrasco.

Sobre a morte do Wolf, eu também não estava esperando uma morte Brutal, porque já previa que ele tivesse câncer por causa das dores de cabeça. Mas a maneira abrupta que isso aconteceu, é muito frustrante. Acontece de uma hora pra outra, e vc fica: então tá né!




Haylane 13/02/2012

Bem-vindos ao Zoológico Humano!
Entre tantos outros livros do gênero, umas das minhas melhores leituras de 2011 foi, sem dúvida, O Lobo do Mar, de Jack London, um clássico que sob uma análise crítica supera outros romances de aventura em alto-mar.

À bordo da "Ghost", o personagem Lobo Larsen é o que se pode definir como um exemplar de absoluta virilidade e poder de ordem, criado sobre o molde do Übermensch (o Super-Homem Nietzschiano) comanda com mãos de ferro a embarcação durante a temporada da pesca de focas, com um caráter extremista que mescla força, intelecto e frieza verdadeiramente Luciférica, Larsen aterroriza seus homens e esmaga a moral de toda a sociedade. Em contra-partida surge o jovem gentleman Humphrey Van Weyden, um exemplo do homem atual: covarde, fragilizado, escravo da moralidade e amante das aparências.

Em suma, o livro mescla a vida dura no mar com os embates filosóficos de Larsen e Hump, e mostra como um homem absolutamente resoluto e firme em sua vontade torna-se a si próprio o seu chefe, o seu Deus, o seu Lúcifer.

* Fica a dica para a adaptação no filme italiano "II Lupo del Mare" de 1975 com Chuck Connor, que a meu ver não se poderia encontrar melhor interprete para dar vida ao tão terrível e magnífico Lobo Larsen.
Laura 25/07/2012minha estante
Nota, parabéns por perceber essas coisas


Haylane 26/08/2012minha estante
Obrigada, Lau.


Rosas 12/12/2012minha estante
Ele é o melhor livro que eu já li e entendi. Sou fã pra caracaa!!


Ferreira.Souza 06/04/2021minha estante
não é um livro ruim, mas Jesus!
perdi longos cinco dias me arrastando por bobagens machistas




Gisele @li_trelando 15/02/2020

Surpreendente
Diferente do que esperamos em um livro de aventura.
Pandora 19/06/2020minha estante
Muito diferente. Para mim tá sendo aquele livro que atrapalha o fluxo de leitura. Seria ele o "Autobiografia" versão 2020. Estou enfrentando ele agora no ou vai ou racha.


Gisele @li_trelando 20/06/2020minha estante
Kkkkk eu confesso que em alguns momentos fiz leitura dinâmica


Pandora 20/06/2020minha estante
E esse romance BL?!?! Essa moça que aparece no meio do caminho nem me convence. O Lobo morrendo de ciúme.




Ruan.Rodrigo 01/08/2020

Clássico
O lobo do mar é um romance clássico , recomendo para quem gosta de reviravoltas e clichês ... Com um final bom
Camila.Santos 01/08/2020minha estante
Com certeza vou ler, amo Jack London


Ruan.Rodrigo 01/08/2020minha estante
Se vc gosta da escrita do autor, tenha certeza que esse vai ser mais um que vai gostar kkkk foi minha primeira experiência e já achei legal!


Camila.Santos 01/08/2020minha estante
Se vc quiser ter mais contato com o autor eu recomendo fortemente O Chamado da Floresta, o então Caninos Brancos. Ou ainda um conto curtinho dele que vc acha na internet mesmo, Acender Uma Fogueira (esse é de arrepiar!).




Nathalie.Murcia 19/04/2021

Sensacional
Leitura excelente. Clássico é clássico. Wolf Larsen é o capitão do navio Ghost. Um homem temido por seus marujos e caçadores de focas, que faz jus ao epíteto "lobo do mar". Um vilão com uma retórica e sabedoria acima da média, mas despedido de qualquer sentimento de bondade para com os semelhantes. No contraponto, temos o protagonista, Humphrey van Weyden, um homem letrado, da alta sociedade, imbuído de bons sentimentos e ética, mas que nunca trabalhou arduamente (o famigerado "almofadinha").

Eis que, por circunstâncias do destino, ele acaba a bordo do Ghost. Sem embargo de ter sido a experiência mais aterradora por ele vivenciada, haja vista que o protagonista passou por maus bocados, evoluiu muito e criou "uma casca" ao lidar com homens que tinham códigos próprios de sobrevivência, e beiravam à selvageria. Os diversos diálogos entre Wolf Larsen, travados ao longo de toda a narrativa, são o ponto alto do livro. Ao mesmo tempo que o protagonista temia e tinha ojeriza do capitão, o admirava com sinceridade. Um paradoxo muito interessante e bem explorado. A complexidade psicológica do vilão é abissal. Não é à toa que adquiriu notoriedade no meio literário.

A meu ver, em se tratando de romances marítimos, este sobrepujou até mesmo "Robson Crusoé" e "O Velho e o Mar", outros dois clássicos de renome. Pretendo ler os demais livros de Jack London. Paguei a língua, pois sempre achei a literatura norteamericana mais superficial quando comparada com as demais.
Alê | @alexandrejjr 19/04/2021minha estante
Sempre é bom sermos surpreendidos, né, Nathalie?


Nathalie.Murcia 19/04/2021minha estante
Com certeza! E foi uma.bema surpresa.


Nathalie.Murcia 19/04/2021minha estante
Com certeza! E foi uma bela surpresa.




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BetoOliveira_autor 27/01/2020minha estante
Tô lendo o livro, ainda nas 100 primeiras páginas. Não me preocupo muito com essa coisa de spoiler, pois a leitura é singular para cada leitor. Muitas vezes a forma de contar é muito mais rica que o próprio enredo e suas tramas.
Você fez uma síntese sobre a mulher que surge no meio da narrativa. Interessante que ela desperta o amor nos dois homens, e cada passa por profundas transformações. O rejeitado, outrora impávido e brutal, definha até o fim. O outro, antes medroso e passivo, ganha coragem e enfrenta seu contendo. O que não foi capaz de fazer antes, abandonar o barco, fez depois movido pelo amor. Parece que por trás dessa melosa situação, há um forte simbolismo. Tanto o homem sofisticado como o homem bruto não escapam das forças inafastáveis das paixões.


Jessé 27/01/2020minha estante
Sim entendi esse aspecto do livro com a introdução dela, mas o meu problema com isso, é o esquecimento de outros personagens na trama. Como disse, o próprio Larsen é esquecido nas últimas páginas e tem fim meio bobo.
E como também mencionei, a qualidade dos diálogos caem muito ao meu ver. Mas foi um bom livro. Só não achei tão maravilhoso como muitos falam.




Mister Lyndon 10/05/2020

TEORIA E PRÁTICA
Nem tudo que é ensinado é praticado, por parte de quem ensina. Sabemos que o álcool enfraquece o corpo, mesmo assim o consumimos. Sabemos que a gordura animal, que tanto apetece nossas refeições, está associada aos problemas cardíacos, mesmo assim a deglutimos. Ensinamos aos mais jovens, noções de ética, respeito e valores teóricos, porém, em nosso cotidiano muito de tudo isso é deixado de lado. O embate travado entre Humphrey e Lobo Larsen nos arremete a essas ponderações, teoria e prática, o que se diz e o que se faz, o que ensinamos e o que de fato praticamos. Apesar de lançado em 1904 esse romance é atemporal pois sua essência se faz presente em todos os setores da sociedade moderna. Apoiado na essência darwinista, que estava em alta no início do Século XX, o autor retrata a existência de uma variabilidade – diferentes personalidades dos personagens que navegam na escuna “Ghost” – que serve de base onde atuará a seleção do mais forte, do mais apto, do mais perspicaz e daquele que prevalece e impõe o respeito. No universo da ficção, um fato real chamou a tenção, a matança das focas. Tal barbárie é descrita em detalhes justificando sim a criação da época do antropoceno que estamos. Confesso não ter gostado de Jack London chamar as focas de anfíbios, mas depois percebi que tal temo se aplicava ao estilo de vida – Terra/Mar – dessas pobres criaturas. Naquela época era comum filosofar sobre vida após a morte e a possível existência de uma alma imortal, fato bastante explorado ao longo do romance.

* Lyndon Johnson B. de Souza
driollo 10/05/2020minha estante
Pai, acho que excluí seu comentário no livro do senhor dos anéis. Desculpe, foi sem querer. Também gostei de terminar o livro. Estava ficando cansada. Depois quero ler o Lobo do Mar, mas só depois. Tenho muita coisa na minha estante! Beijos.




22/08/2010


Exemplificar o ser humano perfeito segundo Nietsche, creio que foi isso que o autor quis ao criar Lobo Larsen. O encontro acidental do gentleman Humphrey Van Weyden e Lobo Larsen, capitão da escuna Ghost,mostra de forma simbólica, através das relações que ocorrem na escuna em busca da caça de focas, as idéias de Nietsche sobre poder e caridade e tem como plano de fundo o materialismo histórico de Marx. Tudo isso é escrito de forma leve, sem peso didático, pois a tensão e as situações novas que surgiam a todo o momento fazem o leitor ter vontade de avançar rapidamente pela história e ver os fermentos, palavras de Lobo Larsen, lutarem para continuarem vivos.
David Fianna 22/12/2011minha estante
excelente apreciação! o materialismo de Wolf Larsem Só se distancia do ideal Nietzscheano no que compete a suprema valorização da intelectualidade, e não consideraria exatamente um espirito livre... mas achei td mt valido




Sidney Matias 02/03/2014

O Lobo do Mar - Jack London
Além de jornalista, marinheiro e escritor, Jack London era um notório aventureiro, foi para o Alasca em busca de ouro, e escreveu contos, poesias e ensaios. Alguns destaques do autor como os livros, "O Chamado Selvagem" e "Caninos Bancos", também já tiveram um espaço garantido aqui no blog.

No auge de sua inspiração, Jack London concebe ao mundo literário O Lobo do Mar, este que segue nos mesmos moldes de suas outras obras, extremos e diferentes realidades sendo colocados a prova em um mesmo plano, tendo como cenários paisagens fascinantes em meio a natureza, com boas doses de estadias em lugares inóspitos e enebriantes, onde a luta pela vida é uma necessidade constante.

Escrito em 1903, O Lobo do Mar é uma excelente análise psicológica, influenciado pelas ideologias de Darwin e Nietzsche, Jack London nos apresenta na obra facetas do bem e do mal, nos fazendo pensar qual é o significado e o real valor de nossas vidas. Apesar de leitura fácil e descomplicada, o livro trata de assuntos polêmicos, onde conclusões arrebatadoras de nossos personagens garantem boas horas de reflexão.

As viagens marítimas de Jack London a bordo de um barco caçador de focas, serviram como inspiração para "O Lobo do Mar". O escritor narra a história do crítico literário Humphrey Van Weyden, náufrago resgatado por Lobo Larsen. E uma vez abordo do navio Ghost, a vida de Humprey jamais voltou a ser a mesma.

Nos primeiros capítulos, o autor derrama uma série de teorias filosóficas associadas a Nietzsche, personificando o capitão do sombrio Navio Ghost, onde sua rigidez e ordem de comando opressora, faz com que ninguém tenha dúvida de quem realmente está com as rédeas em punho.
Lobo Larsen também deixou bem explícito seu ceticismo, não acreditava em qualquer divindade, existência de alma ou coisas do tipo. Para o capitão não temos nada além do corpo, onde certamente o medo tem como origem o temor que temos de nos machucar, coisa que ele não sentia, assim como também não tinha compaixão por nada nem ninguém, e intitulava esses sentimentos como fraquezas.

No outro extremo da corda temos nosso personagem que fora resgatado, sem calos nas mãos, um homem criado em meio a livros e culturas infindáveis, que nunca havia realizado algum serviço braçal ou visto cenas de brutalidades e violência física.

Notavelmente o patamar mais elevado das discussões filosóficas, se dão por conta dos debates intelectuais entre Humphrey e Lobo Larsen. Onde em suas mangas, sempre estavam munidos de citações de grandes escritores e filósofos, bastava um diálogo qualquer entre os dois para que pudesse vir a tona temas notavelmente interessantes, seguindo desde a criação da vida e a evolução do homem. Questões sociais, religiosas e culturais também faziam parte dos assuntos abordados.

Quando a pauta pendia ao materialismo e o valor da vida, somos levados a profunda reflexão, onde frases de grande impacto irão martelar constantemente na cabeça do leitor.

Uma obra dotada de uma narrativa fantástica, entretendo o leitor com as relações peculiares entre os tripulantes da embarcação. Sangue, mortes, atos desumanos, castigos, desafios a natureza, mesmo ela se apresentando em sua forma mais brutal. Temos também uma verdadeira aula de psicologia, pessoas vivendo confinadas em alto mar, longe da sociedade e da terra firme, sob comando de Lobo Larsen, um ser que mescla selvageria, força física a uma capacidade intelectual direcionada a sobrevivência sem remorsos, custe o que custar. Corriqueiramente profanando atos demoníacos, como se fossem uma simples tarefa de sua rotina diária, garantindo cenas cheias de horror, onde ao decorrer das páginas, faz com que a obra ganhe um ritmo espetacular, picos de tensão e euforia são constantes, umas das melhores aventuras que pude ler

Após ser resgatado pelo navio Ghost, Humprey passou longos dias a se recuperar do acidente que sofrera durante o naufrágio de sua embarcação, e com muito esforço e sofrimento, muita das vezes segurando as última fagulhas de sua vida nas pontas dos dedos, para ali então permanecer vivo.
Mas com o passar do tempo Humprey evolui física e mentalmente, andando com as próprias pernas, em um novo mundo que até então não conhecia.

Uma aventura empolgante, onde os acontecimentos não param, e em certo ponto as coisas mudam de rumo, quando também perdida no mar e resgatada pela Ghost, sobe abordo a nobre escritora Maud Brewster, e a partir daquele instante, essa nova tripulante passará a ter sua vida a merce da sorte e das inconstâncias de Lobo Larsen, passando a trabalhar em sua embarcação, nas mais ríspidas condições.

Logo de início Humprey foi sugado pelo brilho dos olhos da linda moça, de face sempre rosada, com traços femininos encantadores, o amor depois de tanto tempo, aterrissara nesse novo mundo em que Humprey vivia. Não mais sozinho no embate pela vida, traça um novo plano, onde esforços não seriam medidos, e já nessa nova etapa, a força física adquirida trabalha em conjunto com seu intelecto que sempre fora muito em forma, mas agora mais experiente, levando o leitor rumo a um final expetacular.

Como sempre, Jack London dá um show na criação de personagens, onde suas concepções sobre vida e morte, bem e mal, espírito e matéria, garantem um leitura memorável. Uma ideologia sobre os fracos e os fortes, diálogos marcantes, sempre expondo confrontos de personalidades entre os protagonistas com palavras bem colocadas.

Com muita maestria Jack London conduz a narrativa, descrições de ambientes e termos técnicos de navegação marítima, que nosso aventureiro e escritor muito bem conhecia.

O Lobo do Mar ganhou adaptações cinematográficas em 1941 e 2009.

Um grande clássico da literatura, que vai além de um simples romance, um livro que propõe diversos dilemas morais, nos faz pensar na vida de um modo geral, pontos de vistas diferentes, personagens marcantes e um cenário fantástico, onde as intempéries da natureza trazem castigos vindos do mar a qualquer instante, com se não bastassem as dificuldades em ser subordinado a Lobo Larsen, um livro que todos deveriam ler. Casa de Livro recomenda.

Titulo: O Lobo do Mar
Título Original: The Wolf Sea
Autor: Jack London
Páginas: 226
Ano lançamento: 1903
Editora: Martin Claret

Boa Leitura

Sidney Matias

site: http://www.casadelivro.com.br/2014/01/alem-de-jornalista-marinheiro-e.html
Sarah 20/09/2014minha estante
Obrigada pela Resenha. Já havia comprado o livro mas como vi que a edição da martin claret deste livro teve muitos cortes desanimei. Vou retomar a leitura. Sua resenha me animou. Abraços.




Eduardo.Muhl 04/01/2014

Pensar a leitura de um livro clássico é se imaginar em uma leitura pesado e rebuscada, sendo que somente os melhores acadêmicos serão capazes de extrair dali a essência que o autor quer transmitir. Em "O Lobo do Mar" encontrei o cenário oposto para minha surpresa. O livro se propõe à um debate filosófico entre duas figuras opostas, Humphrey van Weyden (assumindo o papel de acadêmico) e cap. Wolf Larsen (assumindo o papel de sociopata).
O tema filosófico foi o que me levou a iniciar a leitura desta obra de London. Entretanto, fiquei maravilhado ao descobrir que mesmo se propondo à levantar questões e debate-las, o autor não deixa a desejar no quesito "aventura". Há várias passagens memoráveis na obra, retratando a precariedade da vida de marujos em alto mar enquanto em caça à focas. O autor se utiliza de um linguajar sujo e bruto em sua obra, assim como a cama na qual estes homens dormem. Para mim que nunca tive contato algum com o tema, ou seja, navegação, a obra foi um prato cheio, uma vez que ela é carregada de termos e explicações deste universo (recomendo a edição comentada, pois além de possuir ricas informações possui um glossário ao final do livro).
O que mais me agradou nesta obra foi a capacidade do autor de demonstrar diferentes pontos de vista partindo de uma mesma teoria. Isto pode ser demonstrado ao se observar como os dois protagonistas se utilizam do Darwinismo social ou mesmo da ideia de Herbert Spencer ("Sobrevivência do mais apto"). Larsen se defende que aquele que for mais forte no sentido literal sobreviverá, sendo que sua sobrevivência é pautada na "morte" ou "decadência" dos demais. Larsen vive uma vida egoísta, não se importando com o estado dos demais, governando sua escuna desta forma, sendo no fim mais um egoísta numa escuna em um mar de egoístas. Por outro lado, Humphrey van Weyden pode ser considerado um altruísta, acreditando que a vida em comunidade e de cooperação é que deve valer (ao meu ver, esta é a principal diferença entre Humphrey van Weyden e os demais tripulantes, sendo esta também sua maior barreira).
Além destas questões, podemos encontrar também debates sobre vida e morte, imortalidade e reencarnação por exemplo, sendo estes termas sempre sustentados com uma argumentação clara e direta, possuindo sarcasmo e humor em algumas passagens.
Ao fim, o autor nos mostra que uma ideia não leva à um ponto só, havendo várias ramificações desta, e que o debate sempre se fará necessário.
yurigreen 08/03/2014minha estante
Muito bom hein cara! Eu to aqui um tempão querendo ler O Lobo do mar e O chamado da floresta, depois da sua resenha fiquei mais empolgado e vou por como prioridade de compra =D.

Só não me diga que você leu pela versão da Martin Claret (essa que tá apresentada na figura de capa aqui), porque as traduções deles são tenebrosas e traem completamente a obra original.

No mais, pare de vergoinha e resenhe mais por aqui.
Abração.
-Y-





Dani Tiemi 11/06/2009

Muitas aventuras e reflexões...
Toda vez que leio um clássico que me impressiona, vou buscar informações sobre a vida de seu criador: John Griffith Chaney (pseudônimo Jack London), nasceu em São Francisco (EUA), em 12 de janeiro de 1876 e faleceu em 22 de novembro de 1916, aos 40 anos. Alguns acreditam que sua morte foi acidental, outros acreditam que Jack suicidou-se ao ingerir uma overdose de morfina, que costumava tomar para aliviar a dor causada pela uremia. Além disso, Jack tinha problemas com a bebida mais ao fim de sua vida, principalmente após alguns desastres financeiros. Quando mais novo, teve que abandonar a escola para trabalhar, tornando-se um "autodidata", Jack foi jornalista e escreveu diversos livros.
Um escritor com uma vida cheia de aventuras e desafios, só poderia escrever histórias igualmente impressionantes ao que viveu.
London era apaixonado por navegação, e essa paixão se revela em cada detalhe da narrativa sobre essa história de aventura em alto-mar.

Humphrey Van Weyden, acredita estar a salvo ao ser resgatado pela escuna Ghost após o náufrago. Entretanto, ao conhecer o capitão, o brutal Lobo Larsen, ele começa a temer por sua vida. Logo percebe que não será deixado no porto mais próximo, e sim, deverá integrar à tribulação de caçadores de focas e seguir viagem sob o comando de um homem violento e intolerante, mas que também gosta de ler e filosofar.
Lobo Larsen tem uma visão muito peculiar sobre o valor da vida e da condição humana, e se agarra até seu último suspiro em suas convicções, mostrando que mesmo em um corpo debilitado há nele uma alma que não desisti de lutar para impor suas ordens, tentando mostrar-se capitão mesmo quando há mais ninguém para obedecê-lo e não há mais forças em suas mãos para brutalidades.
Já Humphrey, o intelectual civilizado e moralista, forçadamente aprenderá a caminhar com suas próprias pernas, lutando pela sua sobrevivência e mais tarde pela sobrevivência de outra vida, que tanto aprenderá amar.

Adorei os diálogos entre Humphrey e Lobo Larsen durante o livro, mostrando diferentes formas de ver o mundo e a vida; mostrando como de certa forma somos impregnados pelas ideologias que nos são impostas pelo meio em que vivemos, e o quanto isso é bom, ou não, para cada individuo e toda uma sociedade. O que seria do mundo se todos pensassem como Lobo Larsen?!
Este é um livro que, como dizem, dá "muito pano pra manga" quando se trata de questionar e refletir... E eu adorooo!
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Gabriel Oliveira 25/01/2010

Dois livros em um
A história é boa, brutal, filosófica, aventureira, onde ñ há espaço para coisas previsíveis e morais; porém do nada Jack London, pra mim, erra a mão e começa a narrar uma tosca história de amor com final feliz...onde a refutada e simplória questão do "bem e mal" é levada a cabo.
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GustoPratt 21/09/2009

Jack London
Um ótimo livro de aventura de um dos nossos maiores escritores da literatura universal.
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tadeufm 15/02/2011

Sensações e reações
Este foi o primeiro livro que li de Jack London. Gosto muito dos escritores que escrevem romance de aventuras entre 1900 e esse foi o simples motivo de ler Jack London. E me impressionei com o que li, um livro realmente feito pra refletir sobre as pessoas, a partir de um personagem perfeito com Lobo Larsen, que consegue ser ao mesmo tempo repugnante e genial. Um livro pra refletir sobre como vivemos nossa vida, e como a vida pode ser tão diferente neste pequeno planeta. Sensacional e perfeito.
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Angélica 06/03/2011

O Lobo-do-Mar
Antes de “O Lobo-do-mar” já havia lido dois romances de Jack London: “O Chamado da Floresta” e “Caninos Brancos”. Ambos são aventuras dinâmicas e cheias de reviravoltas centradas no mundo animal. Ao começar este livro imaginava encontrar mais um ágil romance de aventuras, mas a verdade é que encontrei bem mais que isso.
O protagonista da história é Humphrey Van Weyden, gentleman inglês apaixonado por literatura, e que nunca precisou trabalhar. Quando voltava de uma visita à casa de um amigo, o navio onde Humphrey se encontrava naufraga. Ele é resgatado pela escuna foqueira Ghost, e forçado a se integrar à tripulação.
Somos então apresentados à Lobo Larsen, o forte e impiedoso capitão da Ghost, e uma das mais fascinantes personagens que já tive a oportunidade de encontrar em um romance de aventuras. Homem duro e acostumado a comandar, Larsen subjuga a vida daqueles ao seu redor através da força, tudo para que possa obter maiores vantagens em suas empreitadas. Porém o capitão da Ghost não é apenas um bruto: autodidata, ele é versado em literatura e filosofia, e ao longo do livro trava verdadeiros debates ideológicos com Van Weyden, utilizando e distorcendo os conceitos do “mundo civilizado” para defender seu modo materialista e racional de agir e pensar, que contrasta completamente com o prisma romântico e idealista através do qual Humphey vê o mundo.
Déspota esclarecido, Lobo Larsen vive pela lei da dominação pela força, e menospreza homens que, como Humphrey, não trabalham para ganhar seu próprio sustento. “Que faz para viver? Você trabalha para viver? Quem é que o sustenta?” – são as perguntas que o comandante faz à Weyden logo que este chega à Ghost, forçando-o em seguida a trabalhar no navio. O livro explora muito essa temática do “trabalhar para viver”, provavelmente como uma crítica aos nobres e ricos que “viviam de renda” como Humphrey, associando o trabalho à vinda da responsabilidade e à capacidade do homem de se sustentar sozinho, sem precisar da ajuda de ninguém. O próprio protagonista admite que só aprendeu a andar com as próprias pernas depois de ter conhecido Lobo Larsen; sua estada na Ghost ensinara-lhe tudo, e o fizera enxergar o lado mais cruel da vida, que ele antes recusava a encarar.
Este “lado mais cruel” é também muito bem explorado ao longo do livro. Através dos rudes caçadores e tripulantes da escuna, o romance nos mostra como o “lado bom” do homem adormece quando este é exposto a condições de vida cruéis e subumanas por um longo período de tempo. Os tripulantes da Ghost não pensam em nada além de sua própria sobrevivência e bem estar; nem mesmo a morte de um companheiro de viagem é capaz de suscitar neles alguma compaixão. Todos estão subjugados pela força e pela astúcia de Larsen, e sempre que um deles vai contra o capitão acaba por sofrer terríveis represálias do mesmo.
“O Lobo-do–Mar” é um livro que certamente nos faz refletir bastante, mas infelizmente nem tudo são flores. Lá pelo final do romance a luta pela sobrevivência e os debates ideológicos são deixados de lado... E somos obrigados a ler vários capítulos sobre o amor de Humphrey por Maud Brewster, naufraga resgatada pela escuna na metade final do livro. É como se pulássemos de um romance de aventuras para uma história romântica de José de Alencar... Essa etapa final mantém a aventura e as reviravoltas como no resto do livro, mas já não é nem 1/3 tão interessante quando as partes anteriores da leitura, principalmente porque praticamente toda a discussão ideológica é deixada de lado em prol de discursos sobre a importância do amor na vida do homem e etc. O romance com Maud é provavelmente o modo que Jack London encontrou para fazer parecer que o modo idealista de pensar de Humphrey (e que também é compartilhado por Brewster) é “melhor” ou “mais correto” do que aquele utilizado por Lobo Larsen. Pessoalmente, eu achei que esta foi uma maneira um tanto “pobre” de se ganhar a discussão...
Mas mesmo com um final não tão interessante, “O Lobo-do-Mar” ainda é um ótimo romance de aventuras, que o/a fará refletir bastante. A presença de uma personagem tão interessante quanto Lobo Larsen no livro já faz a leitura valer a pena. Recomendo tanto para quem deseja ler uma boa história quanto para quem quer refletir um pouco sobre a natureza humana.
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