O Lobo do Mar

O Lobo do Mar Jack London




Resenhas - O Lobo do Mar


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Linter 12/09/2017minha estante
Erikson, concordo plenamente contigo (spoiler): foi um final bem fraquinho para um personagem tão forte e importante no livro. Eu torcia para que um dos dois vencesse o embate moral, mas no caso foi um WO. Um final interessante seria o Hump tomar o lugar do Lobo na Ghost e virasse o capitão, com toda a tripulação sob o seu jugo, ou alguma coisa desse tipo.
E esse romance que apareceu do nada? Pra quê isso???
Faltou pouco para ser um livro genial...


Hadamylla 06/08/2019minha estante
Já eu vejo de outra forma, acho que a morte de Wolf Larsen foi mais trágica do que se ele tivesse morrido da forma bruta como ele matava os outros. Ele, que era um homem inteligente, viril e cheio de vida, foi submetido a uma morte dolorosa, lenta, e que fez ele ser aprisionado em argila, como diz o próprio Humphrey. Ele assistiu, literalmente, a sua própria morte e além disso, não conseguiu fazer Humphrey agir da forma primitiva que ele fazia.
Além disso, ele sempre enxergava que o mais forte vence o mais fraco, e no final, ele que se achava o mais forte foi quem pereceu frente a Hump, que para Wolf Larsen, mal sabia andar com as próprias pernas.


eriksonsr 19/08/2019minha estante
Nunca tinha visto a coisa dessa forma, chega quase a dar pena dele, alem de morrer ver tudo que acredita acabar desta forma...


Jesse 08/12/2019minha estante
Cara compartilho do seu sentimento com esse livro. Pra mim ele desando quando a tal Maud apareceu na história.

Depois disso o livro não tinha mais diálogos grandiosos, e todos os outros personagens interessantíssimos da tripulação foram esquecidos no churrasco.

Sobre a morte do Wolf, eu também não estava esperando uma morte Brutal, porque já previa que ele tivesse câncer por causa das dores de cabeça. Mas a maneira abrupta que isso aconteceu, é muito frustrante. Acontece de uma hora pra outra, e vc fica: então tá né!




Haylane 13/02/2012

Bem-vindos ao Zoológico Humano!
Entre tantos outros livros do gênero, umas das minhas melhores leituras de 2011 foi, sem dúvida, O Lobo do Mar, de Jack London, um clássico que sob uma análise crítica supera outros romances de aventura em alto-mar.

À bordo da "Ghost", o personagem Lobo Larsen é o que se pode definir como um exemplar de absoluta virilidade e poder de ordem, criado sobre o molde do Übermensch (o Super-Homem Nietzschiano) comanda com mãos de ferro a embarcação durante a temporada da pesca de focas, com um caráter extremista que mescla força, intelecto e frieza verdadeiramente Luciférica, Larsen aterroriza seus homens e esmaga a moral de toda a sociedade. Em contra-partida surge o jovem gentleman Humphrey Van Weyden, um exemplo do homem atual: covarde, fragilizado, escravo da moralidade e amante das aparências.

Em suma, o livro mescla a vida dura no mar com os embates filosóficos de Larsen e Hump, e mostra como um homem absolutamente resoluto e firme em sua vontade torna-se a si próprio o seu chefe, o seu Deus, o seu Lúcifer.

* Fica a dica para a adaptação no filme italiano "II Lupo del Mare" de 1975 com Chuck Connor, que a meu ver não se poderia encontrar melhor interprete para dar vida ao tão terrível e magnífico Lobo Larsen.
Laura 25/07/2012minha estante
Nota, parabéns por perceber essas coisas


Haylane 26/08/2012minha estante
Obrigada, Lau.


Rosas 12/12/2012minha estante
Ele é o melhor livro que eu já li e entendi. Sou fã pra caracaa!!




Eduardo.Muhl 04/01/2014

Pensar a leitura de um livro clássico é se imaginar em uma leitura pesado e rebuscada, sendo que somente os melhores acadêmicos serão capazes de extrair dali a essência que o autor quer transmitir. Em "O Lobo do Mar" encontrei o cenário oposto para minha surpresa. O livro se propõe à um debate filosófico entre duas figuras opostas, Humphrey van Weyden (assumindo o papel de acadêmico) e cap. Wolf Larsen (assumindo o papel de sociopata).
O tema filosófico foi o que me levou a iniciar a leitura desta obra de London. Entretanto, fiquei maravilhado ao descobrir que mesmo se propondo à levantar questões e debate-las, o autor não deixa a desejar no quesito "aventura". Há várias passagens memoráveis na obra, retratando a precariedade da vida de marujos em alto mar enquanto em caça à focas. O autor se utiliza de um linguajar sujo e bruto em sua obra, assim como a cama na qual estes homens dormem. Para mim que nunca tive contato algum com o tema, ou seja, navegação, a obra foi um prato cheio, uma vez que ela é carregada de termos e explicações deste universo (recomendo a edição comentada, pois além de possuir ricas informações possui um glossário ao final do livro).
O que mais me agradou nesta obra foi a capacidade do autor de demonstrar diferentes pontos de vista partindo de uma mesma teoria. Isto pode ser demonstrado ao se observar como os dois protagonistas se utilizam do Darwinismo social ou mesmo da ideia de Herbert Spencer ("Sobrevivência do mais apto"). Larsen se defende que aquele que for mais forte no sentido literal sobreviverá, sendo que sua sobrevivência é pautada na "morte" ou "decadência" dos demais. Larsen vive uma vida egoísta, não se importando com o estado dos demais, governando sua escuna desta forma, sendo no fim mais um egoísta numa escuna em um mar de egoístas. Por outro lado, Humphrey van Weyden pode ser considerado um altruísta, acreditando que a vida em comunidade e de cooperação é que deve valer (ao meu ver, esta é a principal diferença entre Humphrey van Weyden e os demais tripulantes, sendo esta também sua maior barreira).
Além destas questões, podemos encontrar também debates sobre vida e morte, imortalidade e reencarnação por exemplo, sendo estes termas sempre sustentados com uma argumentação clara e direta, possuindo sarcasmo e humor em algumas passagens.
Ao fim, o autor nos mostra que uma ideia não leva à um ponto só, havendo várias ramificações desta, e que o debate sempre se fará necessário.
yurigreen 08/03/2014minha estante
Muito bom hein cara! Eu to aqui um tempão querendo ler O Lobo do mar e O chamado da floresta, depois da sua resenha fiquei mais empolgado e vou por como prioridade de compra =D.

Só não me diga que você leu pela versão da Martin Claret (essa que tá apresentada na figura de capa aqui), porque as traduções deles são tenebrosas e traem completamente a obra original.

No mais, pare de vergoinha e resenhe mais por aqui.
Abração.
-Y-





22/08/2010


Exemplificar o ser humano perfeito segundo Nietsche, creio que foi isso que o autor quis ao criar Lobo Larsen. O encontro acidental do gentleman Humphrey Van Weyden e Lobo Larsen, capitão da escuna Ghost,mostra de forma simbólica, através das relações que ocorrem na escuna em busca da caça de focas, as idéias de Nietsche sobre poder e caridade e tem como plano de fundo o materialismo histórico de Marx. Tudo isso é escrito de forma leve, sem peso didático, pois a tensão e as situações novas que surgiam a todo o momento fazem o leitor ter vontade de avançar rapidamente pela história e ver os fermentos, palavras de Lobo Larsen, lutarem para continuarem vivos.
David Fianna 22/12/2011minha estante
excelente apreciação! o materialismo de Wolf Larsem Só se distancia do ideal Nietzscheano no que compete a suprema valorização da intelectualidade, e não consideraria exatamente um espirito livre... mas achei td mt valido




Sidney Matias 02/03/2014

O Lobo do Mar - Jack London
Além de jornalista, marinheiro e escritor, Jack London era um notório aventureiro, foi para o Alasca em busca de ouro, e escreveu contos, poesias e ensaios. Alguns destaques do autor como os livros, "O Chamado Selvagem" e "Caninos Bancos", também já tiveram um espaço garantido aqui no blog.

No auge de sua inspiração, Jack London concebe ao mundo literário O Lobo do Mar, este que segue nos mesmos moldes de suas outras obras, extremos e diferentes realidades sendo colocados a prova em um mesmo plano, tendo como cenários paisagens fascinantes em meio a natureza, com boas doses de estadias em lugares inóspitos e enebriantes, onde a luta pela vida é uma necessidade constante.

Escrito em 1903, O Lobo do Mar é uma excelente análise psicológica, influenciado pelas ideologias de Darwin e Nietzsche, Jack London nos apresenta na obra facetas do bem e do mal, nos fazendo pensar qual é o significado e o real valor de nossas vidas. Apesar de leitura fácil e descomplicada, o livro trata de assuntos polêmicos, onde conclusões arrebatadoras de nossos personagens garantem boas horas de reflexão.

As viagens marítimas de Jack London a bordo de um barco caçador de focas, serviram como inspiração para "O Lobo do Mar". O escritor narra a história do crítico literário Humphrey Van Weyden, náufrago resgatado por Lobo Larsen. E uma vez abordo do navio Ghost, a vida de Humprey jamais voltou a ser a mesma.

Nos primeiros capítulos, o autor derrama uma série de teorias filosóficas associadas a Nietzsche, personificando o capitão do sombrio Navio Ghost, onde sua rigidez e ordem de comando opressora, faz com que ninguém tenha dúvida de quem realmente está com as rédeas em punho.
Lobo Larsen também deixou bem explícito seu ceticismo, não acreditava em qualquer divindade, existência de alma ou coisas do tipo. Para o capitão não temos nada além do corpo, onde certamente o medo tem como origem o temor que temos de nos machucar, coisa que ele não sentia, assim como também não tinha compaixão por nada nem ninguém, e intitulava esses sentimentos como fraquezas.

No outro extremo da corda temos nosso personagem que fora resgatado, sem calos nas mãos, um homem criado em meio a livros e culturas infindáveis, que nunca havia realizado algum serviço braçal ou visto cenas de brutalidades e violência física.

Notavelmente o patamar mais elevado das discussões filosóficas, se dão por conta dos debates intelectuais entre Humphrey e Lobo Larsen. Onde em suas mangas, sempre estavam munidos de citações de grandes escritores e filósofos, bastava um diálogo qualquer entre os dois para que pudesse vir a tona temas notavelmente interessantes, seguindo desde a criação da vida e a evolução do homem. Questões sociais, religiosas e culturais também faziam parte dos assuntos abordados.

Quando a pauta pendia ao materialismo e o valor da vida, somos levados a profunda reflexão, onde frases de grande impacto irão martelar constantemente na cabeça do leitor.

Uma obra dotada de uma narrativa fantástica, entretendo o leitor com as relações peculiares entre os tripulantes da embarcação. Sangue, mortes, atos desumanos, castigos, desafios a natureza, mesmo ela se apresentando em sua forma mais brutal. Temos também uma verdadeira aula de psicologia, pessoas vivendo confinadas em alto mar, longe da sociedade e da terra firme, sob comando de Lobo Larsen, um ser que mescla selvageria, força física a uma capacidade intelectual direcionada a sobrevivência sem remorsos, custe o que custar. Corriqueiramente profanando atos demoníacos, como se fossem uma simples tarefa de sua rotina diária, garantindo cenas cheias de horror, onde ao decorrer das páginas, faz com que a obra ganhe um ritmo espetacular, picos de tensão e euforia são constantes, umas das melhores aventuras que pude ler

Após ser resgatado pelo navio Ghost, Humprey passou longos dias a se recuperar do acidente que sofrera durante o naufrágio de sua embarcação, e com muito esforço e sofrimento, muita das vezes segurando as última fagulhas de sua vida nas pontas dos dedos, para ali então permanecer vivo.
Mas com o passar do tempo Humprey evolui física e mentalmente, andando com as próprias pernas, em um novo mundo que até então não conhecia.

Uma aventura empolgante, onde os acontecimentos não param, e em certo ponto as coisas mudam de rumo, quando também perdida no mar e resgatada pela Ghost, sobe abordo a nobre escritora Maud Brewster, e a partir daquele instante, essa nova tripulante passará a ter sua vida a merce da sorte e das inconstâncias de Lobo Larsen, passando a trabalhar em sua embarcação, nas mais ríspidas condições.

Logo de início Humprey foi sugado pelo brilho dos olhos da linda moça, de face sempre rosada, com traços femininos encantadores, o amor depois de tanto tempo, aterrissara nesse novo mundo em que Humprey vivia. Não mais sozinho no embate pela vida, traça um novo plano, onde esforços não seriam medidos, e já nessa nova etapa, a força física adquirida trabalha em conjunto com seu intelecto que sempre fora muito em forma, mas agora mais experiente, levando o leitor rumo a um final expetacular.

Como sempre, Jack London dá um show na criação de personagens, onde suas concepções sobre vida e morte, bem e mal, espírito e matéria, garantem um leitura memorável. Uma ideologia sobre os fracos e os fortes, diálogos marcantes, sempre expondo confrontos de personalidades entre os protagonistas com palavras bem colocadas.

Com muita maestria Jack London conduz a narrativa, descrições de ambientes e termos técnicos de navegação marítima, que nosso aventureiro e escritor muito bem conhecia.

O Lobo do Mar ganhou adaptações cinematográficas em 1941 e 2009.

Um grande clássico da literatura, que vai além de um simples romance, um livro que propõe diversos dilemas morais, nos faz pensar na vida de um modo geral, pontos de vistas diferentes, personagens marcantes e um cenário fantástico, onde as intempéries da natureza trazem castigos vindos do mar a qualquer instante, com se não bastassem as dificuldades em ser subordinado a Lobo Larsen, um livro que todos deveriam ler. Casa de Livro recomenda.

Titulo: O Lobo do Mar
Título Original: The Wolf Sea
Autor: Jack London
Páginas: 226
Ano lançamento: 1903
Editora: Martin Claret

Boa Leitura

Sidney Matias

site: http://www.casadelivro.com.br/2014/01/alem-de-jornalista-marinheiro-e.html
Sarah 20/09/2014minha estante
Obrigada pela Resenha. Já havia comprado o livro mas como vi que a edição da martin claret deste livro teve muitos cortes desanimei. Vou retomar a leitura. Sua resenha me animou. Abraços.




Israel Miranda 03/11/2018

Clássico da Aventura
Ler O Lobo do Mar é redescobrir o prazer da boa escrita. Aliás, boa escrita é apelido, o que London faz aqui é uma verdadeira aula de como contar uma história de maneira impecável.

Uma bela aventura em alto mar que mistura ação, filosofia e terror psicológico. Fiquei um tanto quanto surpreso com a violência, esperava algo mais leve e juvenil.

Foi além das minhas expectativas e entregou um irrepreensível estudo sobre o comportamento humano, ancorado em personagens vivos, pulsantes e multifacetados.

De quebra, temos aqui um dos maiores vilões da história da literatura: Wolf Larsen. Tá esperando o quê pra começar?
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Carol | @carolreads 11/07/2019

O Lobo do Mar
Já pode ser considerado um dos melhores do ano!

O livro acompanha as desventuras do nobre crítico literário Humphrey Van Weyden que, devido a um naufrágio, é resgatado pela escuna Ghost e forçado a trabalhar nela pelo seu temido capitão, Wolf Larsen. Durante a viagem Hump percebe que o capitão é um homem complexo - além de bruto e violento ele é autodidata e tem uma predileção por filosofia e poesia - e o contraste entre os dois homens fica muito evidente.

Como dito no próprio livro, é “no peculiar embate entre os dois homens - entre a concepção de mundo primitiva do capitão e a civilidade e o moralismo de seu refém -, que Jack London ultrapassa o romance de aventura, fazendo de O Lobo do Mar uma reflexão sobre o bem e o mal, sobre os determinismos darwinianos da vida e a condição humana”.

O que tornou o livro tão interessante, para mim, foram os contrastes. A repulsa que Hump sentia das atitudes do Wolf Larsen e a sua posterior atração ao descobrir que - a sua maneira - ele era um homem sofisticado. A descrição da dura rotina da vida em alto mar e da caça às focas, com os diálogos que ocorriam na cabine do capitão... tudo foi feito com maestria pelo Jack London.

Alguém já leu esse livro? Gostaram? Quais outros livros do Jack London recomendam?

site: https://www.instagram.com/carolreads
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Gabriel Oliveira 25/01/2010

Dois livros em um
A história é boa, brutal, filosófica, aventureira, onde ñ há espaço para coisas previsíveis e morais; porém do nada Jack London, pra mim, erra a mão e começa a narrar uma tosca história de amor com final feliz...onde a refutada e simplória questão do "bem e mal" é levada a cabo.
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Hadamylla 06/08/2019

Maestral
Sabe aquele livro que você tem vontade de sair em todas as esquinas falando que todo mundo deveria ler? Pois bem, este é um deles. "O lobo do mar" foi uma surpresa para mim, pois achei interessante a sinopse mas não esperava muito, visto que não sabia de como é aclamado pela crítica, dessa forma entrei nesta jornada de forma "ingênua".

Jack London desde os primeiros capítulos hipnotiza com sua forma de narrar uma estória, é encantador, literalmente!! Fiquei vidrada na dinâmica das palavras e na forma maestral da sua escrita. Não consegui desgrudar do livro.

Em alguns momentos ele fala sobre a embarcação na qual se encontra o personagem principal, e claro que existem termos que, para um leigo como eu, são totalmente desconhecidos, porém não é um livro enfadonho que passa muito tempo descrevendo detalhes irrelevantes, pelo contrário, não cansa, é empolgante e possui uma estória maravilhosa.

A estória e os personagens me encantaram. A forma como a filosofia foi introduzida, os conceitos trazidos por Wolf Larsen e Humphrey, as discussões entre eles e a forma como cada um levava sua vida, era fantástico. Os opostos, o moral e o amoral, o civilizado e o primitivo, o materialista e o humanitário. Ideias que nos levam a questionar os conceitos que regem a sociedade.

E por fim, um desfecho que não deixou a desejar, que só me fez querer um pouco mais de Jack London.
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Blog MDL 27/07/2015

Uma história cativante e deveras reflexiva, O Lobo do Mar nos faz viajar não apenas por mares revoltos, mas por uma análise a respeito do ser humanos e de como a vida e pessoas podem ser fascinantes e únicas.

Tendo o autor, Jack London, estado a bordo diversas vezes em escunas de caça, a história, assim como o Ateneu, traz um cunho biográfico onde o autor pôde relatar toda a sua aventura portando não apenas do estudo, mas de um extenso conhecimento empírico.

Começamos a história conhecendo nosso protagonista. Humphrey Van Weyden é um acadêmico que vive com sua mãe e irmãs e à custa do dinheiro do pai. Nunca tendo tido qualquer contato com trabalho físico, os únicos confrontos que já teve na vida foram discussões entre aqueles iguais a ele, onde uma língua afiada era a arma que definia o embate.

A história se passa inicialmente na cidade de São Francisco. Após uma visita a um amigo, Humphrey está retornando para casa, sendo necessário atravessar a baía de São Francisco em uma balsa. Infelizmente, para nosso caro narrador, a balsa sofre um acidente, que leva a embarcação a naufrágio e a todos os passageiros para o mar.

Humphrey, devido a correntezas, acaba se afastando dos demais passageiros, e após horas lutando pela sobrevivência, é regatado por uma escuna de caça e cai inconsciente. Após retornar a si, ele descobre que a escuna Ghost, nome da embarcação que se encontra, está com destino para o Japão, para a temporada de caça às focas. Hump, logicamente, vai de encontro ao capitão do navio, almejando que o mesmo possa voltar e deixá-lo de volta em São Francisco.

O capitão da escuna, Wolf Larsen, é um homem frio, bruto e cruel, que força Humphrey a ficar na escuna, fazendo com que o mesmo, que sempre teve uma vida pacata e regada de mimos, passe a fazer trabalhos manuais dos mais diversos, sendo totalmente exposto a situações de brutalidade extrema e desprovido de todas as regalias de sua vida.

Com seu trabalho pesado e convivência com os outros marinheiros, Hump descobre que, apesar de toda sua brutalidade maquiavélica e predestinação à maldade, Wolf Larsen é um autodidata letrado, que tem como hobby ler as mais diversas obras dos mais diversos pensadores, o que faz com que o marinheiro de primeira viagem e o cruel capitão formem um laço através de suas discussões sobre o bem e o mal, a existência da alma e a busca pela felicidade.

O livro é incrível não apenas pelo porte autobiográfico que carrega, mas pelos personagens carismáticos que tem. Humphrey, estudioso como é, não consegue parar de notar todas as diversas nuances de personalidades dos demais trabalhadores do navio e suas descrições não apenas enriquecem o texto, como traz notas bastante interessantes. É deveras intrigante quando paramos para perceber que a escuna e sua tripulação formam uma mini sociedade, onde a hierarquia por vezes é definida não apenas pela força bruta, mas pelas habilidades e cada tripulante. Porém, apesar de ser um personagem carismático, o protagonista consegue, a meu ver, ser totalmente ofuscado por seu antagonista.

Wolf Larsen é um homem que é muito mais do que aparenta ser. Por trás de uma beleza rústica (todo o momento descrita pelo Hump, vale ressaltar), bom porte físico e falta de escolaridade, ele é um homem que procurou educar-se por conta própria e sofre por não ter com quem compartilhar aquilo que aprendeu, pois em sua tripulação, mesmo entre os poucos que tem alguma noção de alfabetização, não há ninguém que tenha remoto interesse pelos livros e discussões do capitão.

Temos então um personagem que é bruto e fisicamente forte, mas que, ao mesmo tempo, tem um conhecimento intelectual invejável e opinião forte e formada a respeito dos mais diversos e polêmicos temas da humanidade. Sua maldade e brutalidade são justificadas por sua inclinação às teorias de Darwin. Para ele, a seleção natural é o que move o mundo. Então sim, o capitão irá te atacar, e se você não aguentar é porque não era forte o suficiente.

As discussões entre os personagens são extremamente edificantes. Trazem referências a diversos autores, filósofos e pensadores do século XVIII e nos dão uma visão panorâmica e densa de cada um deles, fazendo com que eles tomem uma forma por terem pensamento, opinião e ideologias.

Infelizmente, nem tudo é maravilha neste livro.

Jack London nunca enganou ninguém, ele gostava de escrever, mas mais do que isso, gostava de receber pelo que escrevia. Para isso, o autor precisava colocar elementos em seu livro que interessasse os leitores para que eles viessem a “consumir” seu produto final. E o que é de conhecimento geral que move a grande massa de pessoas? Um romance.

O clima tenso e magnético entre Humphrey e Wolf Larsen tornou-se quase palpável, creio que devido a ambos os personagens serem, apesar de opostos, baseados no próprio autor. Então, optando por evitar um envolvimento maior entre eles e para atrair mais compradores, ele introduz, próximo ao fim da história, a Srta. Maud Brewster.

O propósito da personagem foi cumprido. O livro vendeu bastante e tornou-se Best-seller, porém a história sofreu e muito com isso.

A dinâmica dos personagens foi totalmente alterada, perdemos todo o brilhantismo do Hump, que passou a ficar páginas e páginas ansiando por sua amada e mesmo Wolf Larsen, que tinha seus atos justificados por suas ideologias, passou a agir brutalmente por pura maldade.

O livro tinha um potencial incrível e, se continuasse na mesma linha que vinha por dois terços da história, teria provavelmente se tornado um épico. Esse é um dos maiores exemplos de como um romance pode arruinar uma história.

Porém, mesmo com esse final que deixa a desejar, afirmo com total convicção que "O Lobo do Mar" está na minha lista de livros favoritos da vida. É uma leitura de fácil entendimento, que faz o leitor refletir todo momento sobre os mais diversos temas e confronta tudo aquilo que carregamos como verdade absoluta dentro de nós.

site: http://www.mundodoslivros.com/2015/07/resenha-especial-o-lobo-do-mar-por-jack.html
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emilinha 07/09/2011

Entrando em um mundo diferente
Resolvi ler O lobo do mar por Jack London, por ter lido e gostado de Caninos Brancos. O ambiente de um barco nunca me atraiu muito (exceto pelas aventuras de Piratas do Caribe) e não via como uma história contendo apenas homens em um barco poderia se manter sem se tornar chata por mais de 300 páginas. O que se trabalha no livro é a personalidade de Lobo Larsen, aqui o autor consegue extrair ótimos diálogos entre ele e Hump, personagens tão opostos. Legal também a mudança de Hump ao longo do livro. Enfim, uma surpresa.
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Claire Scorzi 24/03/2009

Aventura dramática em alto-mar
Outra novela que leio e releio desde a adolescência.

Humphrey Van Weyden é um milionário americano, diletante das artes e crítico de literatura ocasional. Após o naufrágio do navio em que viajava, é resgatado por uma escuna, a Ghost, que viaja para o Japão em caça às focas. Logo Humphrey descobre que não apenas foi resgatado, mas também aprisionado na embarcação - por ordem e capricho do feroz Lobo Larsen, o capitão da Ghost, que o obriga a trabalhar como novo tripulante. Humilhações, perigos no mar, discussões sobre literatura e filosofia, violências e horrores se sucedem nessa viagem que é, para Humphrey, uma mistura de pesadelo e iniciação: a iniciação numa vida anos luz distante da sua...

Jack London (1876-1916) sempre gostou do tema da criatura capaz de adaptar-se às intempéries. Seus personagens, sejam homens ou animais, parecem demonstrar a mesma tese: que os seres vivos conseguem sobreviver, e até triunfar, malgrado os sofrimentos, sob as mais extraordinárias condições. Pode-se ver isso em O Lobo do Mar como em O Apelo da Selva e Caninos Brancos. O escritor foi exímio criador de personagens : o desfile de figuras marcantes, bem delineadas, é amplo - Lobo Larsen, o "Lúcifer, espírito do orgulho" como é chamado por um dos personagens, tipo que atrai e repele, repugna e fascina (como o próprio London parece, a certa altura, enfeitiçado por seu protagonista); Humphrey, o homem bom e inexperiente que começa a mudar, a amadurecer, perdendo a inocência enquanto teme transformar-se em mais um dos marinheiros embrutecidos que habitam a escuna; Johnson e George Leach, criaturas de coragem moral, e trágicas, pois não se curvam a Larsen ("O senhor não gosta de mim porque sou homem demais" diz Johnson a Larsen em um dos momentos que antecedem extrema violência); o abjeto Mugridge, inspirador a um só tempo de asco e piedade; Maud Brewster, a poetisa que, pelo meio do romance, também vem parar por acidente a bordo da Ghost...

Uma obra deliciosa de ler, empolgante, eterno entre os favoritos - é O Lobo do Mar.



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Giovanna 13/08/2011

Jack London prende a atenção do leitor nesta obra, ora pelo clima de tensão entre os personagens, ora pelos termos não muito familiares para quem não está acostumado com o mar e suas embarcações. De forma simbólica, aborda, com primor, assuntos como liderança, poder, submissão, lealdade, orgulho, humildade e compaixão e fala sobre as relações humanas de forma intrigante.
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Nícolas 04/10/2010

O confronto no mar
Um livro cativante e extremamente expressivo e filosófico. O Lobo-do-mar conduz o leitor à pensamentos distantes da realidade de nossos dias.

A história narra a desventura de Humphrey Van Weyden, um "gentleman", que voltando de uma visita à casa de um amigo, Furuseth, tem o navio em que viajava naufragado. Sendo resgatado por uma escuna liderada por um capitão violentíssimo, Lobo Larsen, Humphrey passa a temer a vida ao passo que entra na mente de um poderoso homem.

Com uma narrativa clara e simples, London consegue introduzir o triste mundo que nosso personagem vivencia e também manter a concentração do leitor mesmo quando em pensamentos profundamente filosóficos e contrastantes.

Filosoficamente, um livro curioso e diverso. O conflito entre o homem atual e um homem pessimista que apenas crê no poder, lisonjeia o leitor com conclusões novas e proporciona uma situação quase impensável.

Uma obra interessante e indispensável àqueles que procuram as diversas formas de pensamentos sobre a vida e suas muitas questões.
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Marcos 24/06/2014

O melhor do Jack London - escritor estado-unidense preferido :D
| Incrível! A história contada por Jack London, não só é bem construída como incrível. O livro conta a história de Humphrey van Weyden, que após virar um náufrago em sua viagem é resgatado pela escuna de caça à focas, com o sugestivo nome de Ghost. À bordo descobre o inferno sobre o mar, e, conhece mais profundamente o capitão que o abriga, Wolf Larsen, descrito por toda tripulação como o próprio diabo encarnado. Muita coisa acontece, mas enfim, eis que entra uma mulher na escuna Ghost em meio ao Lobo, o náufrago, marujos e tripulantes selvagens e é melhor ler!
O livro é muito bom, difícil de largar! A história é contemporânea a Moby Dick (Herman Melville), se passa no fim do século XIX e início do século XX. A leitura fica entre uma intrigante discussão sobre os conceitos darwinianos, o bem e o mal e a separação entre razão e sentimentos, proporcionadas por embates de Wolf e Humphrey. Wolf Larsen é um dos personagens mais bem construídos, e, é quem deixa a história mais intensa e profunda. Pra quem tem estômago forte e não tem problema em ler conteúdo com violência, como por exemplo, a atividade de caça à focas (pois era o que fomentava a indústria da moda nesse início de séc.), é uma excelente opção. Então....
Excelente leitura!
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