O Lobo do Mar

O Lobo do Mar Jack London




Resenhas - O Lobo do Mar


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Haylane 13/02/2012

Bem-vindos ao Zoológico Humano!
Entre tantos outros livros do gênero, umas das minhas melhores leituras de 2011 foi, sem dúvida, O Lobo do Mar, de Jack London, um clássico que sob uma análise crítica supera outros romances de aventura em alto-mar.

À bordo da "Ghost", o personagem Lobo Larsen é o que se pode definir como um exemplar de absoluta virilidade e poder de ordem, criado sobre o molde do Übermensch (o Super-Homem Nietzschiano) comanda com mãos de ferro a embarcação durante a temporada da pesca de focas, com um caráter extremista que mescla força, intelecto e frieza verdadeiramente Luciférica, Larsen aterroriza seus homens e esmaga a moral de toda a sociedade. Em contra-partida surge o jovem gentleman Humphrey Van Weyden, um exemplo do homem atual: covarde, fragilizado, escravo da moralidade e amante das aparências.

Em suma, o livro mescla a vida dura no mar com os embates filosóficos de Larsen e Hump, e mostra como um homem absolutamente resoluto e firme em sua vontade torna-se a si próprio o seu chefe, o seu Deus, o seu Lúcifer.

* Fica a dica para a adaptação no filme italiano "II Lupo del Mare" de 1975 com Chuck Connor, que a meu ver não se poderia encontrar melhor interprete para dar vida ao tão terrível e magnífico Lobo Larsen.
Laura 25/07/2012minha estante
Nota, parabéns por perceber essas coisas


Haylane 26/08/2012minha estante
Obrigada, Lau.


Rosas 12/12/2012minha estante
Ele é o melhor livro que eu já li e entendi. Sou fã pra caracaa!!


Ferreira.Souza 06/04/2021minha estante
não é um livro ruim, mas Jesus!
perdi longos cinco dias me arrastando por bobagens machistas




Claire Scorzi 24/03/2009

Aventura dramática em alto-mar
Outra novela que leio e releio desde a adolescência.

Humphrey Van Weyden é um milionário americano, diletante das artes e crítico de literatura ocasional. Após o naufrágio do navio em que viajava, é resgatado por uma escuna, a Ghost, que viaja para o Japão em caça às focas. Logo Humphrey descobre que não apenas foi resgatado, mas também aprisionado na embarcação - por ordem e capricho do feroz Lobo Larsen, o capitão da Ghost, que o obriga a trabalhar como novo tripulante. Humilhações, perigos no mar, discussões sobre literatura e filosofia, violências e horrores se sucedem nessa viagem que é, para Humphrey, uma mistura de pesadelo e iniciação: a iniciação numa vida anos luz distante da sua...

Jack London (1876-1916) sempre gostou do tema da criatura capaz de adaptar-se às intempéries. Seus personagens, sejam homens ou animais, parecem demonstrar a mesma tese: que os seres vivos conseguem sobreviver, e até triunfar, malgrado os sofrimentos, sob as mais extraordinárias condições. Pode-se ver isso em O Lobo do Mar como em O Apelo da Selva e Caninos Brancos. O escritor foi exímio criador de personagens : o desfile de figuras marcantes, bem delineadas, é amplo - Lobo Larsen, o "Lúcifer, espírito do orgulho" como é chamado por um dos personagens, tipo que atrai e repele, repugna e fascina (como o próprio London parece, a certa altura, enfeitiçado por seu protagonista); Humphrey, o homem bom e inexperiente que começa a mudar, a amadurecer, perdendo a inocência enquanto teme transformar-se em mais um dos marinheiros embrutecidos que habitam a escuna; Johnson e George Leach, criaturas de coragem moral, e trágicas, pois não se curvam a Larsen ("O senhor não gosta de mim porque sou homem demais" diz Johnson a Larsen em um dos momentos que antecedem extrema violência); o abjeto Mugridge, inspirador a um só tempo de asco e piedade; Maud Brewster, a poetisa que, pelo meio do romance, também vem parar por acidente a bordo da Ghost...

Uma obra deliciosa de ler, empolgante, eterno entre os favoritos - é O Lobo do Mar.



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Irla 17/04/2021

O livro é bem viciante. Apesar de eu não entender nada de navios, ele é claro o suficiente pra dar uma ideia geral do q está acontecendo sem q eu entenda realmente os detalhes de como acontece. Os personagens são bastante interessantes, especialmente Maud, q vai e volta numa linha tênue entre receber um tratamento machista ou não.
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Pandora 21/06/2020

Comecei a ler "O Lobo do Mar" de Jack London no dia 4 de fevereiro desse ano. Era uma manhã de terça-feira, estava indo para Jaboatão de metro. Tenho a impressão de está rememorando eventos de outra vida.

Ele é o livro 2 da lista de 12 do #ProjetoExploradores cuja da @soterradaporlivros @tinyowl.reads @chimarraoelivros & @fronteirasliterarias. Quando essa nova vida regrada a medo e confinamento começou perdi o foco dos desafios, mas não me pergunte como ou porquê estou tentando retomar qualquer coisa perdida e comecei com o menos desconfortável, ou seja, os livros.

Ironicamente, o protagonista desse livro, o jovem intelectual, Humphrey Van Weyden, ao longo da narrativa também conta como enfrentou uma aventura de confinamento e medo quando depois de um naufrágio vai para dentro do navio Ghost capitaneado pelo terrível Capitão Wolf Larsen.

Para mim a leitura de "O Lobo do Mar" oscilou entre cansativa, chata, aflitiva, surpreendente, interessante. Os diálogos são longos, tanto Wolf quanto Humphrey as vezes parecem duas pessoas egocêntricas e prepotentes e a caça a foca praticada pelo Ghost me deu agonia, mas não dá para dizer que esse é um livro ruim. Achei uma das leituras mais imprevisíveis do últimos tempos, quando eu pensava que Jack London ia levar a história para um lado ele levava para outro, sempre me surpreendendo muitas vezes positivamente e ao final foi uma leitura satisfatória.

Aliás, sobre satisfação algo que se destaca e salta aos olhos é a forma como London inseriu uma mulher em sua história e construiu as relacoes entre os gêneros de forma horizontal. Curiosamente, ao longo de todo livro o narrador associa a figura feminina a histeria e fragilidade, mas a mulher que aparece no livro é independente, inteligente, dona de sua própria renda e sagaz. A Maud é maravilhosa!
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O "Lobo do Mar" é um livro de aventura. Apresenta o conflito entre o homem culto e embrutecido por uma vida de trabalho, entre a moralidade burguesa e o materialismo atroz de um homem que só crê na violência. Me colocou dentro de um navio que mais parece o inferno flutuante e ao fecha-lo sinto apenas alívio.
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Blog MDL 27/07/2015

Uma história cativante e deveras reflexiva, O Lobo do Mar nos faz viajar não apenas por mares revoltos, mas por uma análise a respeito do ser humanos e de como a vida e pessoas podem ser fascinantes e únicas.

Tendo o autor, Jack London, estado a bordo diversas vezes em escunas de caça, a história, assim como o Ateneu, traz um cunho biográfico onde o autor pôde relatar toda a sua aventura portando não apenas do estudo, mas de um extenso conhecimento empírico.

Começamos a história conhecendo nosso protagonista. Humphrey Van Weyden é um acadêmico que vive com sua mãe e irmãs e à custa do dinheiro do pai. Nunca tendo tido qualquer contato com trabalho físico, os únicos confrontos que já teve na vida foram discussões entre aqueles iguais a ele, onde uma língua afiada era a arma que definia o embate.

A história se passa inicialmente na cidade de São Francisco. Após uma visita a um amigo, Humphrey está retornando para casa, sendo necessário atravessar a baía de São Francisco em uma balsa. Infelizmente, para nosso caro narrador, a balsa sofre um acidente, que leva a embarcação a naufrágio e a todos os passageiros para o mar.

Humphrey, devido a correntezas, acaba se afastando dos demais passageiros, e após horas lutando pela sobrevivência, é regatado por uma escuna de caça e cai inconsciente. Após retornar a si, ele descobre que a escuna Ghost, nome da embarcação que se encontra, está com destino para o Japão, para a temporada de caça às focas. Hump, logicamente, vai de encontro ao capitão do navio, almejando que o mesmo possa voltar e deixá-lo de volta em São Francisco.

O capitão da escuna, Wolf Larsen, é um homem frio, bruto e cruel, que força Humphrey a ficar na escuna, fazendo com que o mesmo, que sempre teve uma vida pacata e regada de mimos, passe a fazer trabalhos manuais dos mais diversos, sendo totalmente exposto a situações de brutalidade extrema e desprovido de todas as regalias de sua vida.

Com seu trabalho pesado e convivência com os outros marinheiros, Hump descobre que, apesar de toda sua brutalidade maquiavélica e predestinação à maldade, Wolf Larsen é um autodidata letrado, que tem como hobby ler as mais diversas obras dos mais diversos pensadores, o que faz com que o marinheiro de primeira viagem e o cruel capitão formem um laço através de suas discussões sobre o bem e o mal, a existência da alma e a busca pela felicidade.

O livro é incrível não apenas pelo porte autobiográfico que carrega, mas pelos personagens carismáticos que tem. Humphrey, estudioso como é, não consegue parar de notar todas as diversas nuances de personalidades dos demais trabalhadores do navio e suas descrições não apenas enriquecem o texto, como traz notas bastante interessantes. É deveras intrigante quando paramos para perceber que a escuna e sua tripulação formam uma mini sociedade, onde a hierarquia por vezes é definida não apenas pela força bruta, mas pelas habilidades e cada tripulante. Porém, apesar de ser um personagem carismático, o protagonista consegue, a meu ver, ser totalmente ofuscado por seu antagonista.

Wolf Larsen é um homem que é muito mais do que aparenta ser. Por trás de uma beleza rústica (todo o momento descrita pelo Hump, vale ressaltar), bom porte físico e falta de escolaridade, ele é um homem que procurou educar-se por conta própria e sofre por não ter com quem compartilhar aquilo que aprendeu, pois em sua tripulação, mesmo entre os poucos que tem alguma noção de alfabetização, não há ninguém que tenha remoto interesse pelos livros e discussões do capitão.

Temos então um personagem que é bruto e fisicamente forte, mas que, ao mesmo tempo, tem um conhecimento intelectual invejável e opinião forte e formada a respeito dos mais diversos e polêmicos temas da humanidade. Sua maldade e brutalidade são justificadas por sua inclinação às teorias de Darwin. Para ele, a seleção natural é o que move o mundo. Então sim, o capitão irá te atacar, e se você não aguentar é porque não era forte o suficiente.

As discussões entre os personagens são extremamente edificantes. Trazem referências a diversos autores, filósofos e pensadores do século XVIII e nos dão uma visão panorâmica e densa de cada um deles, fazendo com que eles tomem uma forma por terem pensamento, opinião e ideologias.

Infelizmente, nem tudo é maravilha neste livro.

Jack London nunca enganou ninguém, ele gostava de escrever, mas mais do que isso, gostava de receber pelo que escrevia. Para isso, o autor precisava colocar elementos em seu livro que interessasse os leitores para que eles viessem a “consumir” seu produto final. E o que é de conhecimento geral que move a grande massa de pessoas? Um romance.

O clima tenso e magnético entre Humphrey e Wolf Larsen tornou-se quase palpável, creio que devido a ambos os personagens serem, apesar de opostos, baseados no próprio autor. Então, optando por evitar um envolvimento maior entre eles e para atrair mais compradores, ele introduz, próximo ao fim da história, a Srta. Maud Brewster.

O propósito da personagem foi cumprido. O livro vendeu bastante e tornou-se Best-seller, porém a história sofreu e muito com isso.

A dinâmica dos personagens foi totalmente alterada, perdemos todo o brilhantismo do Hump, que passou a ficar páginas e páginas ansiando por sua amada e mesmo Wolf Larsen, que tinha seus atos justificados por suas ideologias, passou a agir brutalmente por pura maldade.

O livro tinha um potencial incrível e, se continuasse na mesma linha que vinha por dois terços da história, teria provavelmente se tornado um épico. Esse é um dos maiores exemplos de como um romance pode arruinar uma história.

Porém, mesmo com esse final que deixa a desejar, afirmo com total convicção que "O Lobo do Mar" está na minha lista de livros favoritos da vida. É uma leitura de fácil entendimento, que faz o leitor refletir todo momento sobre os mais diversos temas e confronta tudo aquilo que carregamos como verdade absoluta dentro de nós.

site: http://www.mundodoslivros.com/2015/07/resenha-especial-o-lobo-do-mar-por-jack.html
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22/08/2010


Exemplificar o ser humano perfeito segundo Nietsche, creio que foi isso que o autor quis ao criar Lobo Larsen. O encontro acidental do gentleman Humphrey Van Weyden e Lobo Larsen, capitão da escuna Ghost,mostra de forma simbólica, através das relações que ocorrem na escuna em busca da caça de focas, as idéias de Nietsche sobre poder e caridade e tem como plano de fundo o materialismo histórico de Marx. Tudo isso é escrito de forma leve, sem peso didático, pois a tensão e as situações novas que surgiam a todo o momento fazem o leitor ter vontade de avançar rapidamente pela história e ver os fermentos, palavras de Lobo Larsen, lutarem para continuarem vivos.
David Fianna 22/12/2011minha estante
excelente apreciação! o materialismo de Wolf Larsem Só se distancia do ideal Nietzscheano no que compete a suprema valorização da intelectualidade, e não consideraria exatamente um espirito livre... mas achei td mt valido




Helena 16/08/2020

Um bom desenvolvimento de personagem
A primeira metade da história mostrou-se enfadonha para mim: uma aventura marítima e com uma pitada de diálogos filosóficos (embate de ideias opostas) entre os dois personagens principais (pouco desenvolvidas, inseridas sem contexto por vezes). Ademais, temos um vocabulário náutico com o qual pouco estava habituada, o cotidiano a bordo do Ghost com seu amargo capitão e a sofrível adaptação do narrador àquela realidade. Entretanto, a segunda metade me envolveu e cativou, a partir do momento que surge uma personagem feminina trazendo romance à trama. E olha que não sou de gostar de romances rsrs Aqui, achei que trouxe a leveza. Os conflitos a bordo se intensificam, algumas reviravoltas surgem. A história se torna mais interessante quando você repara no desenvolvimento do personagem-narrador e como ele evoluiu em su jornada. Àqueles que podem ver alguns acontecimentos com olhar de "clichê", temos que lembrar da época que essa obra foi escrita, afinal, trata-se de um clássico. Por fim, foi um livro que cumpriu em me entreter.
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Rafaela (@exlibris_sc) 26/04/2020

Alma do mar!
Considerado o apogeu de sua escrita “O Lobo do Mar” é muito mais que um simples relato marítimo. Repleto de questionamentos e respostas existenciais, o leitor acompanha toda uma jornada de autoconhecimento e aprimoramento em uma escuna que poderia muito bem ter vindo do inferno, visto que seu capitão era, para mais do que alguns, o próprio demônio.

Lobo Larsen, a mão que comandava o leme da Ghost, é considerado o homem-tipo, um viking cujos poderosos músculos retratavam a força primitiva da própria espécie. Contrastando visível e intelectualmente com o náufrago e sequestrado escritor Van Weyden que fora salvo pela tripulação e forçado a permanecer na escuna cuja atividade primária era caçar focas.

Honrando “Moby Dick” de Melville e “As Aventuras de Robinson Crusoé” de DeFoe, esta aventura de London traz tudo que você poderia pedir em um livro: temos a brutalidade da lei do mais forte, a superação do fraco exercendo seu intelecto, uma donzela que não está nada em perigo, apesar de inicialmente parecer que sim, embates de certo e errado entre classes distintas; tudo isso nos é apresentado da forma mais crível e realista possível, visto que Jack London por sua vez era um aventureiro de renome e o que vivenciou na pele transcrevia para seus personagens.

Uma leitura divertida e extremamente fluida que só me deixou mais sedenta por mais obras do norte-americano. Suas descrições fizeram-me sentir na pele dos personagens e mais de uma vez senti o gosto salgado do mar em meus lábios. Sensacional é pouco para descrever essa leitura!
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📽O livro ainda conta com algumas adaptações para o cinema.

site: https://www.instagram.com/p/B-YGv9VDF2o/
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Silvana (@delivroemlivro) 19/01/2021

Morrer de verdade
Aqui nos deparamos com um dos personagens mais impressionantes da literatura e, surpreendentemente, tão pouco mencionado nos meios literários: Wolf Larsen.

Larsen é feito da mesma matéria que moldou o capitão Ahab de "Moby Dick", o comerciante de marfim Kurtz de "Coração das Trevas" e o patriarca dos Karamázov.

Esse homem "sem ficções" é um monstro, é um sábio, é solidão, é ninguém, é todos nós, é Prometeu, é Lúcifer. Acima de tudo, lúcido, terrivelmente lúcido!

Por acaso me deparei com esses trechos de "Livro do Desassossego" do Fernando Pessoa que me parecem perfeitamente adequados para definir tão extraordinário personagem:

"Quem cruzou todos os mares, cruzou somente a monotonia de si mesmo."

"Passar dos fantasmas da fé para os espectros da razão é somente ser mudado de cela. (...) Para compreender, destruí-me. Compreender é esquecer de amar. (...) A solidão desola-me; a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distração especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir. (...) Tudo em nós é acidente e malícia (...)."


Personagem dos mais complexos, capaz de atos repugnantes, raciocínios de uma coerência absoluta, desprezo pela vida alheia, tortura, perfeita compreensão da natureza humana e da lógica perversa do trabalho e da estrutura social.

Ao longo da leitura, Wolf Larsen será odiado, admirado, odiado novamente e, ao final, possivelmente, parcialmente compreendido: deixará um vazio na mente (e no coração?) do leitor: esse ser pensante, autodidata, com tanto potencial... que lástima, que desperdício! Eis a grandiosidade (para o bem e para o mal) desse personagem, eis a genialidade de Jack London!
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Renata 15/11/2012

Ganhei esse livro de sabe-lá-Deus-quem, 10 anos atrás. Sim, o pobre coitado ficou 10 anos na prateleira aguardando uma chance de ser lido. A prova de tanto tempo de espera estava estampada na etiqueta da livraria Sodiler em sua folha de rosto (e na época custou 8 reais!)

Antes de iniciar a leitura, fiz uma rápida busca sobre o autor, Jack London. Eu achei estranho esse autor não gozar de tanto prestígio no Brasil, quando comparado com o que possui lá fora (talvez seja ignorância minha mesmo). Até porque, se vocês observarem bem, qualquer coleção pocket possui um livro dele.

Jack London tem suas produções influenciadas por grandes nomes tais como Darwin, Nietzsche e Marx. Confesso que nunca li suas obras (não me recriminem por admitir minha alienação), meus conhecimentos sobre eles são de sala de aula mesmo. Não digo que nunca o farei, mas sempre preferi ler os influenciados a ler os influenciáveis. Acho um pouco fatigante ler a filosofia no duro, sabe? Talvez eu não esteja preparada ou talvez eu simplesmente não esteja a fim mesmo. Esta foi a razão que me levou a ler “Quando Nietzsche chorou” e “A cura de Schopenhauer”. Talvez isso se aplique, inclusive, aos romances históricos (pessoalmente acho muito mais agradável ler um romance histórico a ler um livro do Hobsbawn, por exemplo).

Dito isto, caso não concordem com algo que eu diga, fiquem a vontade para corrigir ou opinar. Sou bastante razoável nesse sentido.
O livro conta a “aventura” de Humphrey Van Weyden, um homem que foi resgatado por uma escuna chamada “Ghost” após ter sido vítima de um naufrágio.

A “Ghost” tem como capitão um homem chamado por seus subordinados de “Lobo Larsen”, de características escandinavas que, na minha opinião, a despeito de sua crueldade, é quem dá alma ao livro, e foi o personagem que me fez terminar a leitura.

Esse livro é escrito em primeira pessoa, como um diário de memórias de Humphrey. Assim, é possível entender como esse personagem se sentia em relação a todos os acontecimentos ocorridos na embarcação.
Eu achei muita coragem do autor escrever tantas páginas e tantos acontecimentos em um ambiente tão limitado como é uma embarcação de pesca/caça (às focas, no caso). Mas depois, pensando melhor, percebi que essa embarcação poderia ser qualquer outro lugar... sei lá, um quartel, uma empresa, etc. O que quero dizer, é que essa embarcação significava, para mim, uma análise micro da sociedade, entende?

Logo no início, li um diálogo com o qual me identifiquei muito e dizia assim: “- Quem o sustenta? Insistiu. Quem conquistou essa renda? Seu pai, com certeza, e você vive sobre as pernas dum homem já falecido. Nunca obteve nada pelo esforço próprio. Não sabe cavar a vida, se o largarem só”.

Lobo Larsen disse isso a Van Weyden, mas acho que a mim também. Todos já passamos por essa situação na vida, em que deixamos de ser sustentados para, enfim, andarmos com as nossas próprias pernas. É uma transição penosa para os idealistas. Antes de iniciar essa resenha, imaginei que muitos “skoobianos” são como Humphrey no início do livro: sempre se limitaram ao conhecimento teórico, esquecendo da prática, da ação em si. Por mais que ao ler um livro adquiramos conhecimento, nenhuma sensação é mais satisfatória quanto a de “botar a mão da massa”. Eu ainda estou conquistando isso.

Larsen, apesar de gostar da erudição, dava mais valor a ação, a atitude, a conquistar com o próprio suor, ao invés de simplesmente receber algo pronto e acabado. Acho que esse foi o maior aprendizado de Humphrey no decorrer do livro.

Lobo Larsen comandava com pulso firme sua tripulação, chegando a ser cruel na maioria das vezes. Claro que a parte cruel da coisa, não era estritamente necessária, isso se dava a sua forma de pensar nas pessoas como coisas necessárias para um fim específico e descartáveis em certa altura. Mas, eu acho que essa hierarquia é necessária para o funcionamento da vida em sociedade.

O capitão da Ghost exercia sua superioridade não só com sua força física inabalável (Humphrey o descrevia como um Deus, um ser desprovido de defeitos físicos, sobre humano, o mais forte), mas também com uma capacidade peculiar de manipular mentalmente seus subordinados. Às vezes eu encarava a Ghost como um quarto branco de tortura: ninguém, após certo período de tempo dentro dela, se mantinha em estado de sã consciência. Era um ambiente hostil, onde a mais frágil das criaturas se tornava um animal para lutar pela própria vida. Os personagens claramente mudam no decorrer da narrativa, influenciados pelo ambiente insalubre e pelas atitudes de seu capitão.

Esse ambiente onde só os mais fortes sobrevivem pode ser identificado na forma de pensar de Larsen: “Penso que a vida é uma confusão, respondeu ele de pronto. A vida é como o fermento, uma levedura que se move por um minuto, uma hora, um ano, um século, um milênio, mas que por fim terá paralisados os movimentos. Para manter-se em movimento, o grande come o pequeno. Para manter-se forte o forte come o fraco. O que tem sorte prolonga o seu movimento por mais tempo – eis tudo”.

Os valores éticos não eram os do “mundo civilizado” de onde Van Weyden provinha. A Ghost tinha seus próprios valores éticos e morais:

“- Por que não atira? indagou ele. Pigarreei para limpar a garganta. - Hump, disse Larsen com lentidão, você não atira porque não pode atirar. Não é medo. É impotência. A sua moralidade convencional fez-se mais forte que os seus instintos. Não passa dum escravo das ideias assentes na terra onde viveu e dos livros que leu. O código dessa terra foi embutido no seu cérebro desde a meninice, e a despeito da sua filosofia e do que aprendeu comigo nesta Ghost, esse código não o deixará matar a um homem desarmado que não resiste".

Além disso, também sofri muito com o mar. Sério... Eu não aguentava mais água... Era tanta vela, tanta chuva, tanto frio, tempestades, ondas... nossa, cheguei a ficar mareada em alguns momentos (acho que me recordei da péssima experiência que tive em um catamarã). Isso sem contar na caça às focas, pobrezinhas... Eu fiquei horrorizada com a crueldade de todos, pude sentir o cheiro de sangue em alguns momentos. Acho que esse foi o primeiro livro a me causar tais sensações físicas.

Enfim, percebi a importância da ação e da satisfação que nos dá ver um trabalho realizado, erguido, completo, concretizado.



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Onivid Silva 23/02/2020

Bom
Reflexão maravilhosa
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GHyun 01/11/2020

Dualidade humana
Apesar de eu sentir que o enredo desandou na segunda metade por causa da chegada da personagem Maud, foi o livro (e leitura obrigatória) que mais me agradou e me entreteve durante os 4 anos de faculdade.
Recheado de aventuras e ação em alto mar, o livro nos apresenta um personagem Apolíneo e um Dionisíaco. De um lado, a razão e o raciocínio lógico; do outro, o caos e o instinto.

Espero que minhas próximas leituras do autor sejam agradável como foi com "Acender um fogo" e "O lobo do mar".
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JOY 30/12/2020

O mar é metáfora para a vida
"Você vai mancar um pouco, mas ao mesmo tempo vai aprender a andar."

Wolf Larsen é mais que um personagem complexo, machucado pela vida: é um professor. Se apresenta sensato, mas também se mostra bruto. É mais que um "vilão", é um homem que não aprendeu a amar.

O Lobo do Mar é uma reflexão sobre a vida, sobre os obstáculos, sobre os desafios que nos são impostos. Os personagens secundários são ricos, todos encaram a sobrevivência de uma maneira diferente.
O mar se apresentar como uma metáfora para a vida. Jack London é um poeta, observa diferentes maneiras de viver e obriga o leitor a refletir. As pessoas são muito mais do que meros bonzinhos ou demônios.

Recomendo ler o glossário de termos marítimos previamente a leitura.

"O que pode ser pior do que cortar nossas gargantas? (...) - Cortar nossos bolsos - ele respondeu - chegamos a um ponto em que a capacidade de um homem para viver é determinada pela quantidade de dinheiro que ele possui."
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Alyne.Queiroz 22/10/2020

De tirar o fôlego
O livro tem uma mistura perfeita de ação e discussões puramente filosóficas, é muito interessante ver o fascínio e o terror que o Lobo Larsen desperta no Weyden, o que acabou transmitido pra mim a ponto de eu não querer ver o Lobo morrer apesar de ele ser tão cruel, a inteligência das conversas entre eles e depois com a Maud era tão grande que eu ansiava que aquilo não acabasse, o livro é muito empolgante, os últimos 50% li numa tirada só
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