O Lobo do Mar

O Lobo do Mar Jack London




Resenhas - O Lobo do Mar


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GHyun 01/11/2020

Dualidade humana
Apesar de eu sentir que o enredo desandou na segunda metade por causa da chegada da personagem Maud, foi o livro (e leitura obrigatória) que mais me agradou e me entreteve durante os 4 anos de faculdade.
Recheado de aventuras e ação em alto mar, o livro nos apresenta um personagem Apolíneo e um Dionisíaco. De um lado, a razão e o raciocínio lógico; do outro, o caos e o instinto.

Espero que minhas próximas leituras do autor sejam agradável como foi com "Acender um fogo" e "O lobo do mar".
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SakuraUchiha 22/03/2015

Indicação de amigo sempre é bom!
Este livro é um dos mais nostálgicos que li, porque ele foi um livro indicado na época por um amigo meu que hoje já não está entre nós. Eu amava livros baseados em viagens marítimas durante a idade da vela, e não parava de filosofar esta estória e o quanto ele queria ser como o capitão.
Ele fala de um jovem, de vida mansa, que fica impressionado em cima do navio de um capitão tirano. O jovem luta para sobreviver e crescer e por fim descobre do que ele é capaz. A estória é plausível e tem o caráter de um jogo de moralidade com o capitão Wolf Larson como uma espécie de super-homem, vivendo além das restrições da lei convencional. Há algumas belas passagens sobre a vida em embarcações e sobre o funcionamento do navio. A dura realidade da vida desses homens decorre em um prosa brilhante e enérgica.
Este livro é excelente, divertido e rápido. Eu gostei muito.
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Aline 10/03/2020

Leitura um pouco pesada... Cansativa. Mas a mensagem do livro é muito boa.. recomendo.
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Eduardo.Muhl 04/01/2014

Pensar a leitura de um livro clássico é se imaginar em uma leitura pesado e rebuscada, sendo que somente os melhores acadêmicos serão capazes de extrair dali a essência que o autor quer transmitir. Em "O Lobo do Mar" encontrei o cenário oposto para minha surpresa. O livro se propõe à um debate filosófico entre duas figuras opostas, Humphrey van Weyden (assumindo o papel de acadêmico) e cap. Wolf Larsen (assumindo o papel de sociopata).
O tema filosófico foi o que me levou a iniciar a leitura desta obra de London. Entretanto, fiquei maravilhado ao descobrir que mesmo se propondo à levantar questões e debate-las, o autor não deixa a desejar no quesito "aventura". Há várias passagens memoráveis na obra, retratando a precariedade da vida de marujos em alto mar enquanto em caça à focas. O autor se utiliza de um linguajar sujo e bruto em sua obra, assim como a cama na qual estes homens dormem. Para mim que nunca tive contato algum com o tema, ou seja, navegação, a obra foi um prato cheio, uma vez que ela é carregada de termos e explicações deste universo (recomendo a edição comentada, pois além de possuir ricas informações possui um glossário ao final do livro).
O que mais me agradou nesta obra foi a capacidade do autor de demonstrar diferentes pontos de vista partindo de uma mesma teoria. Isto pode ser demonstrado ao se observar como os dois protagonistas se utilizam do Darwinismo social ou mesmo da ideia de Herbert Spencer ("Sobrevivência do mais apto"). Larsen se defende que aquele que for mais forte no sentido literal sobreviverá, sendo que sua sobrevivência é pautada na "morte" ou "decadência" dos demais. Larsen vive uma vida egoísta, não se importando com o estado dos demais, governando sua escuna desta forma, sendo no fim mais um egoísta numa escuna em um mar de egoístas. Por outro lado, Humphrey van Weyden pode ser considerado um altruísta, acreditando que a vida em comunidade e de cooperação é que deve valer (ao meu ver, esta é a principal diferença entre Humphrey van Weyden e os demais tripulantes, sendo esta também sua maior barreira).
Além destas questões, podemos encontrar também debates sobre vida e morte, imortalidade e reencarnação por exemplo, sendo estes termas sempre sustentados com uma argumentação clara e direta, possuindo sarcasmo e humor em algumas passagens.
Ao fim, o autor nos mostra que uma ideia não leva à um ponto só, havendo várias ramificações desta, e que o debate sempre se fará necessário.
yurigreen 08/03/2014minha estante
Muito bom hein cara! Eu to aqui um tempão querendo ler O Lobo do mar e O chamado da floresta, depois da sua resenha fiquei mais empolgado e vou por como prioridade de compra =D.

Só não me diga que você leu pela versão da Martin Claret (essa que tá apresentada na figura de capa aqui), porque as traduções deles são tenebrosas e traem completamente a obra original.

No mais, pare de vergoinha e resenhe mais por aqui.
Abração.
-Y-





Fabricio.Fracaro 06/10/2020

O Lobo do Mar
Um livro com cara de Jack London.
Este é meu terceiro livro do autor, e a formal como ele nos leva nos primórdios dos tempos com suas história é algo único, neste livro ver o crescimento de uma personagem, saindo de sua inercia e conquistando tantas coisas que nem mesmo ele pensou um dia que conseguiria.
Além de ter esse apelo selvagem tem também a luta de pensamentos sobre a vida, a forma como Wolf Larsen pensa sobre a vida faz com que os diálogos com Van Weyden seja um dos melhores diálogos filosóficos sobre a vida que já vi.
É um livro que ficara na memória por um longo tempo, vale muito a leitura.
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Ruan.Rodrigo 01/08/2020

Clássico
O lobo do mar é um romance clássico , recomendo para quem gosta de reviravoltas e clichês ... Com um final bom
Camila.Santos 01/08/2020minha estante
Com certeza vou ler, amo Jack London


Ruan.Rodrigo 01/08/2020minha estante
Se vc gosta da escrita do autor, tenha certeza que esse vai ser mais um que vai gostar kkkk foi minha primeira experiência e já achei legal!


Camila.Santos 01/08/2020minha estante
Se vc quiser ter mais contato com o autor eu recomendo fortemente O Chamado da Floresta, o então Caninos Brancos. Ou ainda um conto curtinho dele que vc acha na internet mesmo, Acender Uma Fogueira (esse é de arrepiar!).




emilinha 07/09/2011

Entrando em um mundo diferente
Resolvi ler O lobo do mar por Jack London, por ter lido e gostado de Caninos Brancos. O ambiente de um barco nunca me atraiu muito (exceto pelas aventuras de Piratas do Caribe) e não via como uma história contendo apenas homens em um barco poderia se manter sem se tornar chata por mais de 300 páginas. O que se trabalha no livro é a personalidade de Lobo Larsen, aqui o autor consegue extrair ótimos diálogos entre ele e Hump, personagens tão opostos. Legal também a mudança de Hump ao longo do livro. Enfim, uma surpresa.
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spoiler visualizar
Linter 12/09/2017minha estante
Erikson, concordo plenamente contigo (spoiler): foi um final bem fraquinho para um personagem tão forte e importante no livro. Eu torcia para que um dos dois vencesse o embate moral, mas no caso foi um WO. Um final interessante seria o Hump tomar o lugar do Lobo na Ghost e virasse o capitão, com toda a tripulação sob o seu jugo, ou alguma coisa desse tipo.
E esse romance que apareceu do nada? Pra quê isso???
Faltou pouco para ser um livro genial...


@Estantedelivrosdamylla 06/08/2019minha estante
Já eu vejo de outra forma, acho que a morte de Wolf Larsen foi mais trágica do que se ele tivesse morrido da forma bruta como ele matava os outros. Ele, que era um homem inteligente, viril e cheio de vida, foi submetido a uma morte dolorosa, lenta, e que fez ele ser aprisionado em argila, como diz o próprio Humphrey. Ele assistiu, literalmente, a sua própria morte e além disso, não conseguiu fazer Humphrey agir da forma primitiva que ele fazia.
Além disso, ele sempre enxergava que o mais forte vence o mais fraco, e no final, ele que se achava o mais forte foi quem pereceu frente a Hump, que para Wolf Larsen, mal sabia andar com as próprias pernas.


eriksonsr 19/08/2019minha estante
Nunca tinha visto a coisa dessa forma, chega quase a dar pena dele, alem de morrer ver tudo que acredita acabar desta forma...


Jessé 08/12/2019minha estante
Cara compartilho do seu sentimento com esse livro. Pra mim ele desando quando a tal Maud apareceu na história.

Depois disso o livro não tinha mais diálogos grandiosos, e todos os outros personagens interessantíssimos da tripulação foram esquecidos no churrasco.

Sobre a morte do Wolf, eu também não estava esperando uma morte Brutal, porque já previa que ele tivesse câncer por causa das dores de cabeça. Mas a maneira abrupta que isso aconteceu, é muito frustrante. Acontece de uma hora pra outra, e vc fica: então tá né!




Elaine | @naneverso 10/02/2020

Sentimentos mistos
Nesta obra clássica escrita por Jack London, acompanhamos a história de Humphrey van Weyden, resgatado por Wolf Larsen - capitão de uma escuna caçadora de focas - após o naufrágio do navio em que estava. A palavra "resgatado", aqui, pode ser vista de duas maneiras: o seu significado literal, de ser salvo da morte, e o resgate de si próprio. De certa forma, o horrível e ainda-assim-não-tão-odiável Larsen resgata van Weyden de si próprio, tirando-o de sua bolha acadêmica, digamos assim, e colocando-o para vivenciar a vida real. Vemos, então, numa espécie de romance de formação com um período (bem) mais curto, Humphrey se transformar em Hump. A mensagem que fica é a de que realmente o ser humano é um ser muito adaptável.

Com diálogos potentes e filosóficos (que, às vezes, beiram ao lugar comum, apesar de verdadeiros), Jack London nos conduz com fluidez pela história, ainda que as descrições relacionadas ao navio ou às ações relacionadas à navegação cheguem a ser enfadonhas.

Mais em @naneandherbooks no Instagram.
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Letra Capitular 25/07/2017

O lobo do mar (Jack London): O humanismo versus o pragmatismo darwinista
Jack London é o pseudônimo do jornalista e escritor John Griffith Chaney que apesar do sobrenome adotado é na verdade norte-americano nascido na Califórnia. Sua história de vida é tão interessante quanto sua ficção produzida. Teve uma infância pobre, foi operário, marinheiro, cruzou os Estados Unidos de trem com andarilhos e mendigos, esteve na corrida pelo ouro, visitou os mares do sul do pacífico e se tornou um famoso militante da causa socialista. Sua forma de escrever – fortemente influenciada pelas próprias experiências pessoais – em que ficção e realidade se confundem inspirou uma gama de importantes escritores posteriores como George Orwel e Ernest Hemingway.

Ele é um dos percursores do escritor/aventureiro, aquele que imerge na realidade na qual pretende retratar e que coloca em sua ficção um tom autobiográfico muito forte. O ambiente no qual se passa a história de ‘O lobo do mar’ é um barco de pesca de focas que viaja para o oceano pacífico – muito parecido com os barcos em que ele trabalhou como marinheiro durante sua juventude.

É um dos casos de escritor “bem sucedido em vida”, suas obras se tornaram muito populares e ele ganhou fama e prestígio muito rapidamente, apesar de não possuir uma educação formal, já que abandonou os estudos quando ainda era garoto para trabalhar como operário em uma fábrica de enlatado (trabalhava de 12 a 18 horas por dia). Contou também com a sorte de se tornar escritor em um período no qual as inovações tecnológicas permitiram um barateamento da produção gráfica. Neste período surgiram inúmeras revistas a preço barato que popularizam a leitura de contos e romances.

O Lobo do Mar foi publicado originalmente em 1904 e se tornou uma de suas obras mais populares. A história toda transcorre a bordo do navio de caça às focas, intitulado Ghost, e tem início quando o personagem principal Humphrey Van Weyden, um jovem intelectual humanista naufraga durante uma viagem em um navio a vapor enquanto ia de Suasalito a São Francisco e é resgatado pelo capitão Wolf[1] Larsen. Ele imagina que o capitão seguiria as “normas institucionais de navegação” e o desembarcaria na próxima parada possível no porto mais perto dali (Ainda estavam nos Estados Unidos), contudo não foi isso que aconteceu.

O antagonista da história – capitão do navio que o resgata – é um homem “embrutecido e formado na solidão e no autodidatismo”, um darwinista incurável, acredita que a única lei que rege as relações sociais é a lei do mais forte, se valendo de sua vantagem física e autoridade estabelecida dentro do navio comanda a todos com punhos de ferro exercendo uma enorme tirania. Wolf Larsen simplesmente obriga o protagonista a assumir uma função no navio começando com o cargo de mais baixa hierarquia no navio: ajudante de cozinheiro. Todo o apelo retórico de Van Weyden evocando as leis e obrigações perante o resgate de um náufrago de nada adiantam perante o pragmatismo do capitão que o trata como um subalterno independente de sua origem aristocrática.

Em seu primeiro momento a bordo do navio, Van Weyden tem logo um choque de realidade e começa a entender o funcionamento de um mundo bem diferente do seu: ele presencia uma morte de um marujo realizando uma tarefa cotidiana. A frieza com que os outros marinheiros tratam aquele corpo estirado no convés e a passividade de todos perante a morte o deixa estarrecido (todos passam pelo corpo e o ignoram até que o capitão o descarta no mar sem muitas cerimônias), sua trajetória no mundo das letras e da poesia não o preparam para a “brutalidade do mundo real”.

O livro todo é marcado por um embate filosófico entre o velho capitão e o jovem humanista, Wolf Larsen tenta fazer da viagem um ensinamento ao “jovem poeta que vivia de renda” mostrando a ele o funcionamento da “vida real”, um lugar onde toda a retórica humanista sobre ética, honra, nobreza e virtudes não tem espaço. No final de tudo é a força bruta que determina as ações, para demonstra isto ele sempre dizia: “aqui mesmo neste barco quem me obrigaria a te desembarcar em algum lugar?”. O personagem principal diante da desvantagem física em relação ao capitão somente podia acatar as ordens e se adaptar a esta nova rotina de vida.

O primeiro diálogo entre eles é bem elucidativo sobre como funcionava esta relação; o capitão ao ouvir de Weyden que este vivia de renda respondeu: “E de onde vem essa renda, hein? Como pensei. Do seu pai. Você se mantêm em pé com ajuda dos mortos. Jamais ganhou o seu. Seria incapaz de caminhar entre duas alvoradas ou arranjar carne para três refeições por conta própria” (…) Graças as mãos dos mortos as suas ficaram macias.

A jornada no navio serve como um período de aprendizagem para o jovem humanista, seguidamente ele presencia situações em que de nada seu conhecimento das letras e da literatura lhe adiantam. Aos poucos se adapta ao ambiente do navio e vai subindo na hierarquia de comando, chegando mesmo a se tornar o imediato – aquele que ocupa um posto abaixo na hierarquia náutica – o primeiro substituto ao capitão do navio. A viagem é longa, afinal visitam as longínquas aguas do pacífico, até as proximidades da costa do Japão, para caçar focas a fim de obter as preciosas peles (a brutalidade no trato com os animais também o assusta).

Aos poucos a visão moralista e a noção de civilidade do protagonista vão se transformando, a viagem toda se torna um enorme aprendizado. Ao conhecer profundamente o capitão do navio, percebe como que, apesar da aparente brutalidade e ignorância Wolf Larsen é um intelectual autodidata – nunca teve uma formação na escola ou na universidade -, mas é um leitor assíduo de grandes e importantes filósofos. E nos constantes debates travados entre os dois demonstra esse conhecimento que articula duas esferas (o saber das letras e da filosofia – e da vivência e do cotidiano).

A leitura desta obra remete a uma profunda discussão filosófica entre uma visão de mundo idealista (onde as ideias controlam o mundo material – “penso, logo existo”) e materialista (onde o mundo material é que determina as ideias – “existo, por isto penso”) e é uma leitura extremamente agradável, pois apresenta este debate a partir de uma aventura cheia de personagens marcantes, lugares inóspitos e reviravoltas no enredo. É possível interpretar este romance também como um debate interno e psicológico entre duas partes da personalidade de Jack London: o filosofo humanista versus o darwinista pragmático. Cada um compondo parte da vida de um autor tão interessante quanto sua própria obra.

site: https://letracapitularblog.wordpress.com/category/jack-london/
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André Azevedo Ferreira 06/03/2020

O Mar Vive
Sempre que me deparo com histórias com esse tema, quase perco o fôlego. O duelo aqui é entre dois pontos de vista muito distintos, em que você se vê torcendo para ambos em algum ponto da leitura. Meu primeiro Jack London, e já gostei do seu estilo de escrita. Recomendo para os fãs de Moby Dick, por exemplo.
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Mialle @miallebooks 15/03/2020

O Lobo do Mar
Se você tende imaginar casais e romances impossíveis e fanfics loucas, esse é o livro pode ser para você.

O Lobo do Mar é um clássico escrito por Jack London e como todo clássico pode ou não ser bom para o leitor.

Aqui temos a história de um almofadinha chamado Humpfrey que sobrevive um naufrágio e acaba sendo resgatado por uma escuna caçadora de focas cujo capitão é o temido Wolf Larsen que além de tirar nosso protagonista da água resolve também salvá-lo de ser um almofadinha que nunca viveu de verdade.

É um livro onde você fica sem saber quem odeia mais enquanto você meio que não odeia ninguém e tem horas que até dá razão pro Wolf Larsen e acha que ele tá certinho nas coisas completamente erradas (ou não) que ele está fazendo.

Tem um monte, mas é UM MONTE de discussão meio filosofia barata, tem horas que não entendi e tem horas que parecia post de lacração no twitter, fica aí a dúvida em relação a minha capacidade de interpretação de texto nessa parte.

Acabei por realmente gostar da forma do Jack London de contar uma história e achei que o livro foi por vezes surpreendente e se desenvolveu muito bem. Existe uma dificuldade se o leitor for daqueles que quer entender tudo: tem muito termo náutico e coisas referentes a barcos e navios.

Eu optei por deixar fluir e apenas imaginar algo genérico sobre o que eles faziam no barco, mas caso o leitor não seja desse tipo, vai precisar dar uma pesquisada.

No final foi uma leitura bem bacana que me divertiu muito, mas admito que muito foi porque eu fiquei imaginando uma fanfic absurda e totalmente fora do contexto real da história, mas o livro é bem interessante e valeu a pena.
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mpin 17/11/2020

Pisa fundo no começo, breca no final
Romance envolvente de London que só melhora conforme lemos o prefácio desta edição da Zahar e percebemos o debate filosófico subjacente entre os dois protagonistas. A condição humana dissecada entre um náufrago, Humphrey Van Weiden, prisioneiro da escuna que o resgata, e seu capitão, Wolf Larsen, revelam uma história de amadurecimento de um jovem fútil que se refugiava até então no mundo intelectual. A história funciona muito bem na primeira metade, mas fica forçosa e autobiográfica demais lá pela segunda metade, quando London inclui uma personagem feminina, Maud Bewster, para fazer esse contraponto entre as duas formas de masculinidade expressas pelos dois protagonistas. As referências literárias funcionam bem nos diálogos, embora o excesso de palavras do vocabulário náutico deixe a narrativa truncada para o leitor leigo. Outro ponto fraco da segunda metade é que os personagens alertam Humphrey sobre a índole de Death Larsen, que seria ainda mais impiedosa do que a de Wolf, mas Death Larsen sequer aparece nas cenas. Uma falha considerável, levando em conta que Death é responsável por uma reviravolta relevante para a história. O desfecho arrastado pode irritar muitos leitores, já que Hump precisa basicamente apenas esperar para a conclusão chegar. Soou um pouco anticlímax para mim. Basicamente, o romance é um ensaio da razão diante da selvageria, e a linha tênue que geralmente se posiciona entre ambos, com uma análise de personagens masculinos que poucos autores fazem como London. Recomendado.
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yurigreen 17/04/2014

Inferno e lucidez
Vivo numa fase onde um dos maiores prazeres que encontro é num diálogo bem construído, seja numa conversa despreocupada, entre personagens de um seriado, filme, texto ou de um livro, desde que me leve a catarse, a experiência há de ser maravilhosa.

O primeiro livro de Jack London que tenho contato oferece essa viagem espetacular através dos encontros e das passagens transcritas entre as falas dos protagonistas Wolf Larsen e Van Wayden, o primeiro sendo o capitão da escuna Ghost e o segundo seu náufrago resgatado. Apesar do plano de fundo ser uma gélida cruzada pelos mares do pacífico, o clima é incendiário do início ao fim do livro, basicamente por dois pontos fundamentais que London estabeleceu: 1) a experiência de convívio entre o próprio diabo (Larsen) e um covarde (Wayden) e; 2) a semelhança de referências literárias que os mesmos personagens carregam, mas com interpretações socio-filosóficas diametralmente opostas. Misture isso a uma tripulação que zomba da própria desgraça, da solidão oceânica, das tempestades dilacerantes e da presença de uma mulher entre tantos marujos nojentos... não fica difícil imaginar o contexto amargo percebido nas páginas.

De modo erudito e racional, Jack London faz emergir a construção de um personagem que decerto marcou minha memória, e demonstra que através da vivência, que acaso e contexto tem total importância na formação física e moral de um indivíduo - uma abordagem por sinal bastante difundida no texto sob o âmbito do darwinismo social.

Sem mais contribuições, leitura magnificente!
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Dani Tiemi 11/06/2009

Muitas aventuras e reflexões...
Toda vez que leio um clássico que me impressiona, vou buscar informações sobre a vida de seu criador: John Griffith Chaney (pseudônimo Jack London), nasceu em São Francisco (EUA), em 12 de janeiro de 1876 e faleceu em 22 de novembro de 1916, aos 40 anos. Alguns acreditam que sua morte foi acidental, outros acreditam que Jack suicidou-se ao ingerir uma overdose de morfina, que costumava tomar para aliviar a dor causada pela uremia. Além disso, Jack tinha problemas com a bebida mais ao fim de sua vida, principalmente após alguns desastres financeiros. Quando mais novo, teve que abandonar a escola para trabalhar, tornando-se um "autodidata", Jack foi jornalista e escreveu diversos livros.
Um escritor com uma vida cheia de aventuras e desafios, só poderia escrever histórias igualmente impressionantes ao que viveu.
London era apaixonado por navegação, e essa paixão se revela em cada detalhe da narrativa sobre essa história de aventura em alto-mar.

Humphrey Van Weyden, acredita estar a salvo ao ser resgatado pela escuna Ghost após o náufrago. Entretanto, ao conhecer o capitão, o brutal Lobo Larsen, ele começa a temer por sua vida. Logo percebe que não será deixado no porto mais próximo, e sim, deverá integrar à tribulação de caçadores de focas e seguir viagem sob o comando de um homem violento e intolerante, mas que também gosta de ler e filosofar.
Lobo Larsen tem uma visão muito peculiar sobre o valor da vida e da condição humana, e se agarra até seu último suspiro em suas convicções, mostrando que mesmo em um corpo debilitado há nele uma alma que não desisti de lutar para impor suas ordens, tentando mostrar-se capitão mesmo quando há mais ninguém para obedecê-lo e não há mais forças em suas mãos para brutalidades.
Já Humphrey, o intelectual civilizado e moralista, forçadamente aprenderá a caminhar com suas próprias pernas, lutando pela sua sobrevivência e mais tarde pela sobrevivência de outra vida, que tanto aprenderá amar.

Adorei os diálogos entre Humphrey e Lobo Larsen durante o livro, mostrando diferentes formas de ver o mundo e a vida; mostrando como de certa forma somos impregnados pelas ideologias que nos são impostas pelo meio em que vivemos, e o quanto isso é bom, ou não, para cada individuo e toda uma sociedade. O que seria do mundo se todos pensassem como Lobo Larsen?!
Este é um livro que, como dizem, dá "muito pano pra manga" quando se trata de questionar e refletir... E eu adorooo!
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