O Lobo do Mar

O Lobo do Mar Jack London




Resenhas - O Lobo do Mar


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mpin 17/11/2020

Pisa fundo no começo, breca no final
Romance envolvente de London que só melhora conforme lemos o prefácio desta edição da Zahar e percebemos o debate filosófico subjacente entre os dois protagonistas. A condição humana dissecada entre um náufrago, Humphrey Van Weiden, prisioneiro da escuna que o resgata, e seu capitão, Wolf Larsen, revelam uma história de amadurecimento de um jovem fútil que se refugiava até então no mundo intelectual. A história funciona muito bem na primeira metade, mas fica forçosa e autobiográfica demais lá pela segunda metade, quando London inclui uma personagem feminina, Maud Bewster, para fazer esse contraponto entre as duas formas de masculinidade expressas pelos dois protagonistas. As referências literárias funcionam bem nos diálogos, embora o excesso de palavras do vocabulário náutico deixe a narrativa truncada para o leitor leigo. Outro ponto fraco da segunda metade é que os personagens alertam Humphrey sobre a índole de Death Larsen, que seria ainda mais impiedosa do que a de Wolf, mas Death Larsen sequer aparece nas cenas. Uma falha considerável, levando em conta que Death é responsável por uma reviravolta relevante para a história. O desfecho arrastado pode irritar muitos leitores, já que Hump precisa basicamente apenas esperar para a conclusão chegar. Soou um pouco anticlímax para mim. Basicamente, o romance é um ensaio da razão diante da selvageria, e a linha tênue que geralmente se posiciona entre ambos, com uma análise de personagens masculinos que poucos autores fazem como London. Recomendado.
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Elaine | @naneverso 10/02/2020

Sentimentos mistos
Nesta obra clássica escrita por Jack London, acompanhamos a história de Humphrey van Weyden, resgatado por Wolf Larsen - capitão de uma escuna caçadora de focas - após o naufrágio do navio em que estava. A palavra "resgatado", aqui, pode ser vista de duas maneiras: o seu significado literal, de ser salvo da morte, e o resgate de si próprio. De certa forma, o horrível e ainda-assim-não-tão-odiável Larsen resgata van Weyden de si próprio, tirando-o de sua bolha acadêmica, digamos assim, e colocando-o para vivenciar a vida real. Vemos, então, numa espécie de romance de formação com um período (bem) mais curto, Humphrey se transformar em Hump. A mensagem que fica é a de que realmente o ser humano é um ser muito adaptável.

Com diálogos potentes e filosóficos (que, às vezes, beiram ao lugar comum, apesar de verdadeiros), Jack London nos conduz com fluidez pela história, ainda que as descrições relacionadas ao navio ou às ações relacionadas à navegação cheguem a ser enfadonhas.

Mais em @naneandherbooks no Instagram.
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André Azevedo Ferreira 06/03/2020

O Mar Vive
Sempre que me deparo com histórias com esse tema, quase perco o fôlego. O duelo aqui é entre dois pontos de vista muito distintos, em que você se vê torcendo para ambos em algum ponto da leitura. Meu primeiro Jack London, e já gostei do seu estilo de escrita. Recomendo para os fãs de Moby Dick, por exemplo.
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Mialle @miallebooks 15/03/2020

O Lobo do Mar
Se você tende imaginar casais e romances impossíveis e fanfics loucas, esse é o livro pode ser para você.

O Lobo do Mar é um clássico escrito por Jack London e como todo clássico pode ou não ser bom para o leitor.

Aqui temos a história de um almofadinha chamado Humpfrey que sobrevive um naufrágio e acaba sendo resgatado por uma escuna caçadora de focas cujo capitão é o temido Wolf Larsen que além de tirar nosso protagonista da água resolve também salvá-lo de ser um almofadinha que nunca viveu de verdade.

É um livro onde você fica sem saber quem odeia mais enquanto você meio que não odeia ninguém e tem horas que até dá razão pro Wolf Larsen e acha que ele tá certinho nas coisas completamente erradas (ou não) que ele está fazendo.

Tem um monte, mas é UM MONTE de discussão meio filosofia barata, tem horas que não entendi e tem horas que parecia post de lacração no twitter, fica aí a dúvida em relação a minha capacidade de interpretação de texto nessa parte.

Acabei por realmente gostar da forma do Jack London de contar uma história e achei que o livro foi por vezes surpreendente e se desenvolveu muito bem. Existe uma dificuldade se o leitor for daqueles que quer entender tudo: tem muito termo náutico e coisas referentes a barcos e navios.

Eu optei por deixar fluir e apenas imaginar algo genérico sobre o que eles faziam no barco, mas caso o leitor não seja desse tipo, vai precisar dar uma pesquisada.

No final foi uma leitura bem bacana que me divertiu muito, mas admito que muito foi porque eu fiquei imaginando uma fanfic absurda e totalmente fora do contexto real da história, mas o livro é bem interessante e valeu a pena.
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yurigreen 17/04/2014

Inferno e lucidez
Vivo numa fase onde um dos maiores prazeres que encontro é num diálogo bem construído, seja numa conversa despreocupada, entre personagens de um seriado, filme, texto ou de um livro, desde que me leve a catarse, a experiência há de ser maravilhosa.

O primeiro livro de Jack London que tenho contato oferece essa viagem espetacular através dos encontros e das passagens transcritas entre as falas dos protagonistas Wolf Larsen e Van Wayden, o primeiro sendo o capitão da escuna Ghost e o segundo seu náufrago resgatado. Apesar do plano de fundo ser uma gélida cruzada pelos mares do pacífico, o clima é incendiário do início ao fim do livro, basicamente por dois pontos fundamentais que London estabeleceu: 1) a experiência de convívio entre o próprio diabo (Larsen) e um covarde (Wayden) e; 2) a semelhança de referências literárias que os mesmos personagens carregam, mas com interpretações socio-filosóficas diametralmente opostas. Misture isso a uma tripulação que zomba da própria desgraça, da solidão oceânica, das tempestades dilacerantes e da presença de uma mulher entre tantos marujos nojentos... não fica difícil imaginar o contexto amargo percebido nas páginas.

De modo erudito e racional, Jack London faz emergir a construção de um personagem que decerto marcou minha memória, e demonstra que através da vivência, que acaso e contexto tem total importância na formação física e moral de um indivíduo - uma abordagem por sinal bastante difundida no texto sob o âmbito do darwinismo social.

Sem mais contribuições, leitura magnificente!
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Karine.Campos 09/02/2020

Surpreendeu, mas...
"...queremos viver e nos mover, embora não tenhamos razão nenhuma para isso, pois ocorre que é da natureza da vida viver e se mover, querer viver e se mover. Não fosse por isso, a vida estaria morta. Você sonha com a imortalidade por causa dessa vida que está dentro de você. A vida que está dentro de você está viva e quer seguir vivendo para sempre."

O Lobo do mar é um livro denso com personagens fortes uma belíssima discussão sobre a vida e sobre a importância de valores, tem uma personagem feminina forte, decidida e que me fez querer continuar a leitura.... Por todos esses detalhes eu entendo o seu valor literário e o porquê de ser considerado um clássico.

Confesso que me surpreendi com a violência retratada na história, não pela violência em si, mas por acreditar que era um livro mais infantil.

Agora você vai me perguntar o porquê do mas no título desse texto.

Apesar da obra ser grandiosa ela não me conquistou. Não sei se isso aconteceu por causa do uso excessivo de termos técnicos que tornaram a leitura bem cansativa, ou por ser um livro bastante descritivo apesar de eu amar os livros do King que são muito descritivos também, ou ainda devido a brutalidade excessiva do personagem Wolf que me fez abomina-lo, ou ainda, porque precisei ler em um tempo muito curto para participar do debate da obra, ou se não foi no momento ideal da minha vida mas simplesmente não rolou!

Entretanto indico a leitura para qualquer amante da literatura e digo sem medo de errar O Lobo do Mar vai te surpreender e vai fazer você repensar e pensar em muitos conceitos de vida.
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Gisele @li_trelando 15/02/2020

Surpreendente
Diferente do que esperamos em um livro de aventura.
Pandora 19/06/2020minha estante
Muito diferente. Para mim tá sendo aquele livro que atrapalha o fluxo de leitura. Seria ele o "Autobiografia" versão 2020. Estou enfrentando ele agora no ou vai ou racha.


Gisele @li_trelando 20/06/2020minha estante
Kkkkk eu confesso que em alguns momentos fiz leitura dinâmica


Pandora 20/06/2020minha estante
E esse romance BL?!?! Essa moça que aparece no meio do caminho nem me convence. O Lobo morrendo de ciúme.




Camila.Lessa 07/06/2020

Maravilhoso
Adorei a história. A leitura é fluida e envolvente. Recomendo!
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Nanda Lima 28/02/2014

Um clássico delicioso!
Adoro vlogs literários: com eles aprendo mais sobre Literatura e conheço novos livros e autores. E um dos melhores livros que já li na vida, conheci através de um vlog. O lobo do mar, de Jack London, é considerado um clássico norte-americano, e seu autor é tido como um dos maiores escritores americanos de todos os tempos. No entanto, vergonhosamente, nunca tinha ouvido falar da obra ou de London.

A obra é de uma profundidade absurda, com diálogos recheados de Filosofia e citações de autores clássicos da Literatura. Os diálogos entre Wolf Larsen um dos melhores personagens que já vi e Weyden são inquietantes e nos fazem refletir sobre nossa concepção de mundo, sobre o verdadeiro significado da moralidade e da existência humana. O clássico, publicado originalmente em 1904, é atual e extremamente relevante.

Possui, também, muita ação, algumas vezes até de tirar o fôlego, e eu me peguei lendo compulsivamente certas partes com olhos vidrados no e-reader.

Eu não era a mesma depois de ler O lobo do mar. Passei dias pensando nas frases de Wolf Larsen, concordando com algumas e abominando outras. E poucos são os livros que nos fazem pensar neles tempos após os termos lido. Mas tenho certeza de que esse livro vai permanecer nos meus pensamentos por muito tempo, e certamente vou querer relê-lo de tempos em tempos. Esse livro, definitivamente, me modificou.

Recomendo para aqueles que adoram um bom clássico, para os que gostam de obras inquietantes e com ação, para os que gostam de Filosofia e para os que querem apenas um bom livro para ler. Dou nota máxima para ele!

site: www.umaleitoraassidua.blogspot.com
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rodrigo.bezerra.397 28/08/2016

O mundo no mar de forma crua
Jack london é um mestre em mostrar a pequenez do homem em frente a natureza. Neste livro o homem é mostrado em todas as suas facetas na luta contra os perigos do mar e contra ele me só. Mesmo Lobo Larsen que parecia ser invencível é só mais um homem quando se trata na vida nos mares. Uma série de emoções são bem exploradas como fraqueza, amor, crueldade, força, inteligência, durante todo o percurso do protagonista em um home melhor (ou seria pior?) Sobre isso cada um deve chegar a sua própria conclusão.
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Sidney Matias 02/03/2014

O Lobo do Mar - Jack London
Além de jornalista, marinheiro e escritor, Jack London era um notório aventureiro, foi para o Alasca em busca de ouro, e escreveu contos, poesias e ensaios. Alguns destaques do autor como os livros, "O Chamado Selvagem" e "Caninos Bancos", também já tiveram um espaço garantido aqui no blog.

No auge de sua inspiração, Jack London concebe ao mundo literário O Lobo do Mar, este que segue nos mesmos moldes de suas outras obras, extremos e diferentes realidades sendo colocados a prova em um mesmo plano, tendo como cenários paisagens fascinantes em meio a natureza, com boas doses de estadias em lugares inóspitos e enebriantes, onde a luta pela vida é uma necessidade constante.

Escrito em 1903, O Lobo do Mar é uma excelente análise psicológica, influenciado pelas ideologias de Darwin e Nietzsche, Jack London nos apresenta na obra facetas do bem e do mal, nos fazendo pensar qual é o significado e o real valor de nossas vidas. Apesar de leitura fácil e descomplicada, o livro trata de assuntos polêmicos, onde conclusões arrebatadoras de nossos personagens garantem boas horas de reflexão.

As viagens marítimas de Jack London a bordo de um barco caçador de focas, serviram como inspiração para "O Lobo do Mar". O escritor narra a história do crítico literário Humphrey Van Weyden, náufrago resgatado por Lobo Larsen. E uma vez abordo do navio Ghost, a vida de Humprey jamais voltou a ser a mesma.

Nos primeiros capítulos, o autor derrama uma série de teorias filosóficas associadas a Nietzsche, personificando o capitão do sombrio Navio Ghost, onde sua rigidez e ordem de comando opressora, faz com que ninguém tenha dúvida de quem realmente está com as rédeas em punho.
Lobo Larsen também deixou bem explícito seu ceticismo, não acreditava em qualquer divindade, existência de alma ou coisas do tipo. Para o capitão não temos nada além do corpo, onde certamente o medo tem como origem o temor que temos de nos machucar, coisa que ele não sentia, assim como também não tinha compaixão por nada nem ninguém, e intitulava esses sentimentos como fraquezas.

No outro extremo da corda temos nosso personagem que fora resgatado, sem calos nas mãos, um homem criado em meio a livros e culturas infindáveis, que nunca havia realizado algum serviço braçal ou visto cenas de brutalidades e violência física.

Notavelmente o patamar mais elevado das discussões filosóficas, se dão por conta dos debates intelectuais entre Humphrey e Lobo Larsen. Onde em suas mangas, sempre estavam munidos de citações de grandes escritores e filósofos, bastava um diálogo qualquer entre os dois para que pudesse vir a tona temas notavelmente interessantes, seguindo desde a criação da vida e a evolução do homem. Questões sociais, religiosas e culturais também faziam parte dos assuntos abordados.

Quando a pauta pendia ao materialismo e o valor da vida, somos levados a profunda reflexão, onde frases de grande impacto irão martelar constantemente na cabeça do leitor.

Uma obra dotada de uma narrativa fantástica, entretendo o leitor com as relações peculiares entre os tripulantes da embarcação. Sangue, mortes, atos desumanos, castigos, desafios a natureza, mesmo ela se apresentando em sua forma mais brutal. Temos também uma verdadeira aula de psicologia, pessoas vivendo confinadas em alto mar, longe da sociedade e da terra firme, sob comando de Lobo Larsen, um ser que mescla selvageria, força física a uma capacidade intelectual direcionada a sobrevivência sem remorsos, custe o que custar. Corriqueiramente profanando atos demoníacos, como se fossem uma simples tarefa de sua rotina diária, garantindo cenas cheias de horror, onde ao decorrer das páginas, faz com que a obra ganhe um ritmo espetacular, picos de tensão e euforia são constantes, umas das melhores aventuras que pude ler

Após ser resgatado pelo navio Ghost, Humprey passou longos dias a se recuperar do acidente que sofrera durante o naufrágio de sua embarcação, e com muito esforço e sofrimento, muita das vezes segurando as última fagulhas de sua vida nas pontas dos dedos, para ali então permanecer vivo.
Mas com o passar do tempo Humprey evolui física e mentalmente, andando com as próprias pernas, em um novo mundo que até então não conhecia.

Uma aventura empolgante, onde os acontecimentos não param, e em certo ponto as coisas mudam de rumo, quando também perdida no mar e resgatada pela Ghost, sobe abordo a nobre escritora Maud Brewster, e a partir daquele instante, essa nova tripulante passará a ter sua vida a merce da sorte e das inconstâncias de Lobo Larsen, passando a trabalhar em sua embarcação, nas mais ríspidas condições.

Logo de início Humprey foi sugado pelo brilho dos olhos da linda moça, de face sempre rosada, com traços femininos encantadores, o amor depois de tanto tempo, aterrissara nesse novo mundo em que Humprey vivia. Não mais sozinho no embate pela vida, traça um novo plano, onde esforços não seriam medidos, e já nessa nova etapa, a força física adquirida trabalha em conjunto com seu intelecto que sempre fora muito em forma, mas agora mais experiente, levando o leitor rumo a um final expetacular.

Como sempre, Jack London dá um show na criação de personagens, onde suas concepções sobre vida e morte, bem e mal, espírito e matéria, garantem um leitura memorável. Uma ideologia sobre os fracos e os fortes, diálogos marcantes, sempre expondo confrontos de personalidades entre os protagonistas com palavras bem colocadas.

Com muita maestria Jack London conduz a narrativa, descrições de ambientes e termos técnicos de navegação marítima, que nosso aventureiro e escritor muito bem conhecia.

O Lobo do Mar ganhou adaptações cinematográficas em 1941 e 2009.

Um grande clássico da literatura, que vai além de um simples romance, um livro que propõe diversos dilemas morais, nos faz pensar na vida de um modo geral, pontos de vistas diferentes, personagens marcantes e um cenário fantástico, onde as intempéries da natureza trazem castigos vindos do mar a qualquer instante, com se não bastassem as dificuldades em ser subordinado a Lobo Larsen, um livro que todos deveriam ler. Casa de Livro recomenda.

Titulo: O Lobo do Mar
Título Original: The Wolf Sea
Autor: Jack London
Páginas: 226
Ano lançamento: 1903
Editora: Martin Claret

Boa Leitura

Sidney Matias

site: http://www.casadelivro.com.br/2014/01/alem-de-jornalista-marinheiro-e.html
Sarah 20/09/2014minha estante
Obrigada pela Resenha. Já havia comprado o livro mas como vi que a edição da martin claret deste livro teve muitos cortes desanimei. Vou retomar a leitura. Sua resenha me animou. Abraços.




Marcos 24/06/2014

O melhor do Jack London - escritor estado-unidense preferido :D
| Incrível! A história contada por Jack London, não só é bem construída como incrível. O livro conta a história de Humphrey van Weyden, que após virar um náufrago em sua viagem é resgatado pela escuna de caça à focas, com o sugestivo nome de Ghost. À bordo descobre o inferno sobre o mar, e, conhece mais profundamente o capitão que o abriga, Wolf Larsen, descrito por toda tripulação como o próprio diabo encarnado. Muita coisa acontece, mas enfim, eis que entra uma mulher na escuna Ghost em meio ao Lobo, o náufrago, marujos e tripulantes selvagens e é melhor ler!
O livro é muito bom, difícil de largar! A história é contemporânea a Moby Dick (Herman Melville), se passa no fim do século XIX e início do século XX. A leitura fica entre uma intrigante discussão sobre os conceitos darwinianos, o bem e o mal e a separação entre razão e sentimentos, proporcionadas por embates de Wolf e Humphrey. Wolf Larsen é um dos personagens mais bem construídos, e, é quem deixa a história mais intensa e profunda. Pra quem tem estômago forte e não tem problema em ler conteúdo com violência, como por exemplo, a atividade de caça à focas (pois era o que fomentava a indústria da moda nesse início de séc.), é uma excelente opção. Então....
Excelente leitura!
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Angélica 06/03/2011

O Lobo-do-Mar
Antes de “O Lobo-do-mar” já havia lido dois romances de Jack London: “O Chamado da Floresta” e “Caninos Brancos”. Ambos são aventuras dinâmicas e cheias de reviravoltas centradas no mundo animal. Ao começar este livro imaginava encontrar mais um ágil romance de aventuras, mas a verdade é que encontrei bem mais que isso.
O protagonista da história é Humphrey Van Weyden, gentleman inglês apaixonado por literatura, e que nunca precisou trabalhar. Quando voltava de uma visita à casa de um amigo, o navio onde Humphrey se encontrava naufraga. Ele é resgatado pela escuna foqueira Ghost, e forçado a se integrar à tripulação.
Somos então apresentados à Lobo Larsen, o forte e impiedoso capitão da Ghost, e uma das mais fascinantes personagens que já tive a oportunidade de encontrar em um romance de aventuras. Homem duro e acostumado a comandar, Larsen subjuga a vida daqueles ao seu redor através da força, tudo para que possa obter maiores vantagens em suas empreitadas. Porém o capitão da Ghost não é apenas um bruto: autodidata, ele é versado em literatura e filosofia, e ao longo do livro trava verdadeiros debates ideológicos com Van Weyden, utilizando e distorcendo os conceitos do “mundo civilizado” para defender seu modo materialista e racional de agir e pensar, que contrasta completamente com o prisma romântico e idealista através do qual Humphey vê o mundo.
Déspota esclarecido, Lobo Larsen vive pela lei da dominação pela força, e menospreza homens que, como Humphrey, não trabalham para ganhar seu próprio sustento. “Que faz para viver? Você trabalha para viver? Quem é que o sustenta?” – são as perguntas que o comandante faz à Weyden logo que este chega à Ghost, forçando-o em seguida a trabalhar no navio. O livro explora muito essa temática do “trabalhar para viver”, provavelmente como uma crítica aos nobres e ricos que “viviam de renda” como Humphrey, associando o trabalho à vinda da responsabilidade e à capacidade do homem de se sustentar sozinho, sem precisar da ajuda de ninguém. O próprio protagonista admite que só aprendeu a andar com as próprias pernas depois de ter conhecido Lobo Larsen; sua estada na Ghost ensinara-lhe tudo, e o fizera enxergar o lado mais cruel da vida, que ele antes recusava a encarar.
Este “lado mais cruel” é também muito bem explorado ao longo do livro. Através dos rudes caçadores e tripulantes da escuna, o romance nos mostra como o “lado bom” do homem adormece quando este é exposto a condições de vida cruéis e subumanas por um longo período de tempo. Os tripulantes da Ghost não pensam em nada além de sua própria sobrevivência e bem estar; nem mesmo a morte de um companheiro de viagem é capaz de suscitar neles alguma compaixão. Todos estão subjugados pela força e pela astúcia de Larsen, e sempre que um deles vai contra o capitão acaba por sofrer terríveis represálias do mesmo.
“O Lobo-do–Mar” é um livro que certamente nos faz refletir bastante, mas infelizmente nem tudo são flores. Lá pelo final do romance a luta pela sobrevivência e os debates ideológicos são deixados de lado... E somos obrigados a ler vários capítulos sobre o amor de Humphrey por Maud Brewster, naufraga resgatada pela escuna na metade final do livro. É como se pulássemos de um romance de aventuras para uma história romântica de José de Alencar... Essa etapa final mantém a aventura e as reviravoltas como no resto do livro, mas já não é nem 1/3 tão interessante quando as partes anteriores da leitura, principalmente porque praticamente toda a discussão ideológica é deixada de lado em prol de discursos sobre a importância do amor na vida do homem e etc. O romance com Maud é provavelmente o modo que Jack London encontrou para fazer parecer que o modo idealista de pensar de Humphrey (e que também é compartilhado por Brewster) é “melhor” ou “mais correto” do que aquele utilizado por Lobo Larsen. Pessoalmente, eu achei que esta foi uma maneira um tanto “pobre” de se ganhar a discussão...
Mas mesmo com um final não tão interessante, “O Lobo-do-Mar” ainda é um ótimo romance de aventuras, que o/a fará refletir bastante. A presença de uma personagem tão interessante quanto Lobo Larsen no livro já faz a leitura valer a pena. Recomendo tanto para quem deseja ler uma boa história quanto para quem quer refletir um pouco sobre a natureza humana.
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Mas será o Benedito? 13/05/2020

Ghost - o inferno náutico
Jack London nos gruda as páginas com tanta maestria, não se vê o tempo passar!
Uma aventura que se transforma em um completo inferno.
Um homem erudito, que nunca levantou uma colher sequer é carregado por esse inferno e aprende na marra a andar com as próprias pernas.
O destino?
O outro lado do globo a procura de peles de focas.
O desafio?
Sobreviver nas mão do infernal C
capitão Lobo Larsen.
Vale apena cada segundo de leitura!
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