As Aventuras de Huckleberry Finn

As Aventuras de Huckleberry Finn Mark Twain




Resenhas - As Aventuras de Huckleberry Finn


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Rafa 28/02/2019

Acho que criei grande expectativa no livro e não foi tudo aquilo que esperava, mas vamos lá.


As aventuras de Huck Finn retrata um viés racial presente à época nos Estados Unidos. As contradições do menino Huck no livro eram coisas impensáveis para a época, quais são elas, "ser amigo de um negro escravo", "pensar em libertar um escravo", "se aventurar com um escravo", etc.
Ao meu ver, esse é o cerne do livro, trazer à tona todas essas séries de perguntas (porque existe segregação racial? Porque um negro tão habilidoso é escravo? SE ELE É UM HOMEM LIVRE PQ ESTAVAMOS TENDO QUE LIBERTÁ-LO?) às quais eram impensáveis à época, com isso, as aventuras de Finn apenas servem como rodeio a essas questões(o que se tornou repetitivo; as vezes e até sem lógica(exemplo: 3 pessoas escaparem de uma cidade inteira; o ocorrido com o pai, onde é encontrado; Tom aparecendo do nada, rs. Parece meus sonhos as vezes, rsrs).
Assim concluo que, apesar de não ser um dos meus favoritos, vejo a importância da leitura, o contexto em que foi escrito e a proporção deste livro, que, realmente deve se indicado a todas as crianças, já que o preconceito ainda se encontra em todos os pilares da sociedade brasileira.
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Sabiá-laranjeira 24/01/2019

Edição Martin Claret (Série Ouro, 2005)
O livro traz os mesmos informes do autor no início do "Sawyer", de ser obra baseada em fatos reais, para entretenimento juvenil e agradável nostalgia aos adultos. Emenda, porém, com uma sinistra admoestação de Twain: "se alguém tentar encontrar um tema nesta narrativa, será processado; se tentar encontrar uma moral, será banido; se tentar encontrar um enredo, será fuzilado".

Que coisa áspera e esquisita, pois a leitura, diferentemente do livro anterior, é sugestiva a reflexões em enredo supreendentemente visceral.
Longe de ser entretenimento, lembra o naturalismo, onde percebemos inspirações impactantes (como as aspirações infantis pela marginalização), ambiente hostil e agressivo (sem o romantismo idealizado), costumes rígidos em fundamentalismo religioso de hipocrisia (como na adesão à escravatura) e meio com superstições, injustiças e apego à valores retrógados (resultado da desinformação).

As histórias de Huck evidenciam isso e, em paralelo às peripécias infantis exaltadas em Tom Sawyer, esta é uma história de sobrevivência, impactante principalmente no primeiro terço do livro.
É onde vemos as crianças numa disposição admiradora da bandidagem (algo que se assemelhou por aqui à época do cangaço); desilusões com a formalidade, imoralidades e insucesso educacional e religioso; a relação do Huck com seu pai (um dos aspectos mais fortes do livro); e a vida à margem da sociedade, na viagem de jangada pelo Mississipi por dois meninos marginalizados e desamparados, em abandono de vida e fuga da escravatura (Huck e Jim). Iguais, amigos, numa espécie de odisseia pelo rio, onde o meio se faz notar em aspectos diversos, como a história de guerras familiares em relatos dramáticos sobre outros meninos.

Daí em diante há envolvimentos com a bandidagem, pelo menos duas vezes, percepções do momento para os protagonistas (outrora desejado), até o final de esperança ou desesperança, diante dos mesmos fatos corriqueiros.
Não digo que gostei do livro, por vezes a leitura não cativou, mas posso afirmar que foi revelador da sociedade americana do contexto de Huck Finn no Mississipi.

O livro traz também textos biográficos sobre o autor, no início e no fim, sendo o mais interessante "Mark Twain e sua vida novelesca" (que faz paralelo entre a vida e personagens do autor).

A edição tem o acréscimo também do conto "o caso da rã saltadora...", um dos primeiros sucessos na bibliografia de Mark Twain.

Sobre o autor, em tudo o que foi abordado, fiquei com a percepção de ser um tipo de Monteiro Lobato americano, pelo universo infantil valorizado e certas polêmicas em algumas de suas obras (como neste livro, em que propôs literatura inovadora para os padrões de época, principalmente no contexto infantil).

E também não posso deixar de registrar a editoração displicente e preguiçosa da Martin Claret, com a informação e com o leitor, em mais uma vez extirpar qualquer nota editorial, mesmo em coisas necessárias - o ocorrido em relação à tradução de dois textos do romance, preservados na língua original. Fala sério! Se quisesse obra em inglês tinha feito essa busca. Vontade nessas horas de arremessar o livro para bem longe (o que também nunca fiz ou faria). Edições assim são irritantes na descoberta.
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Aline Teodosio 05/01/2019

Huckleberry Finn é um menino branco, de mais ou menos 13 anos, arteiro, peralta e levado, mas com um grande coração. Huck tem um pai que torna a sua vida insuportável e, para livrar-se disso, ele parte em busca de grandes aventuras Mississipi afora, junto com Jim, um escravo fugido.

A história se passa nos EUA, século XIX, numa época escravocrata em que os negros eram tratados como animais. Muitos consideram essa obra de cunho racista por alguns termos nela empregados, eu, no entanto, achei ousada para o momento em que foi escrita. Quem poderia imaginar uma amizade sincera entre um menino branco e um escravo fugido? É uma verdadeira quebra de paradigmas.

Por isso, não pense que se trata de uma obra superficial e infantilizada, apesar de voltada para o público infanto-juvenil. Antes, é um livro que suscita reflexões sobre como se era tratado a questão do negro no século XIX. Huck, em vários momentos, entra em conflito consigo mesmo e questiona-se sobre tudo o que aprendeu na escola e na vida com os brancos. E ir contra tudo o que aprendeu era ir direto para o inferno. Ser bom ou ser mau? Ser justo ou injusto? Ser certo ou errado? O "certo" seria mesmo certo? A verdade dos brancos seria mesmo a verdade universal? A cabeça do garoto ferve e são desses conflitos que nascerá um novo Huck.

Temos aqui um romance de formação, que põe em cheque a superioridade do branco. Nos mostra que o preconceito é burro, o racismo é burro e viver em igualdade, empatia e respeito pode fazer a vida ser mais bonita, mais rica e mais agradável.

Fecho essa resenha com um lembrete: só existe uma raça, a raça humana. Respeitemo-nos e convivamos em harmonia apesar das diferenças.


P.S.: Ver Tom Sawyer de volta nessa obra foi a cereja do bolo.
Rafa 28/02/2019minha estante
Bela resenha Aline, rastreou tudo de bom no livro. Acabei de ler a obra e tive pensamento semelhante. Não gostei muito de como as coisas se solucionavam, mas essa reflexão racial à época por um "menino" é muito interessante. No mais, a estória em si me deixou a desejar um pouco.




Fabiano 29/11/2018

Mas que uma aventura um relato da sociedade da época
Nesse livro, Mark Twain narra as estripulias do menino Huck Finn, mas ler esse clássico publicado em 1884 agora, 134 anos depois, é mais do que simplesmente olhar as aventuras de um garoto, é preciso entender a complexidade da sociedade da época, ver ali questões como racismo, escravidão, violência, crimes e golpes e como as pessoas viviam nas margens do que hoje a gente considera o certo.
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Taise.Mazzotti 07/06/2018

Repetitivo
Li o livro com uma expectativa muito grande, em razão de sua fama.
Não que seja ruim, mas é repetitivo e sem grandes emoções. O início é mais interessante, mas após começar a viagem de balsa, as histórias se repetem, apenas mudando o local e os personagens.
Talvez para a época tenha sido bem impactante, mas não gostei da leitura.
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Rossine 25/02/2018

Obra-prima de Mark Twain e um clássico da literatura norte-americana. A tradução desse livro é um caso à parte. Como traduzir o linguajar da época, desde o branco até o negro? No caso específico desta edição, achei a tradução coloquial demais (gostei mais da tradução de Tom Sawyer). Além disso, o livro se estende muito. Mas é cheio de aventuras, enrascadas e de peripécias (até demais para um menino de 11, 12 anos), sem deixar de explorar o lado psicológico do protagonista. O livro faz um retrato da sociedade rural americana do fim do século XIX, com sua ausência de leis e exacerbado racismo. Uma lição de história, contada por meio de uma aventura e através dos olhos de uma criança.
Nilva 09/06/2018minha estante
Estou lendo nestes dias. Gostando demais. Observei a tradução também mas dei um desconto. Como o próprio autor diz no Prefácio, as histórias de Huck são baseadas em aventuras ocorridas com 3 rapazes. Talvez isso explique o excesso de peripécias... O olhar crítico de Twain é muito bem reproduzido também neste livro.




Anízia 21/02/2018

Livro marcante
Foi assim que tomei gosto por aventuras. Mark Twain com seus livros e... Um novo Eu surgindo aí"
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Bruna 02/02/2018

quase não consigo terminar!!!!
Achei muito enfadonho, quase desisti dele... uma centenas de vezes...
Coisas tão simples o garoto complicava ao extremo... ai juntando com o Tom então, nem se fale.
Por mim o livro teria apenas umas 100 páginas... se tanto!
2 estrelas e meia...
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Letra Capitular 25/07/2017

As aventuras de Huckleberry Finn– Uma visita aos Estados Unidos “pré-Guerra civil” as margens do Rio Mississipi.
Dissemos que não tinha casa melhor que uma jangada. Outros lugares parecem apertados e sufocantes, mas não uma jangada. A gente se sente realmente livre, à vontade e confortável numa jangada.

Samuel Langhorne Clemen nasceu em uma pequena vila no Missouri, localizada nas margens do rio Mississipi em 1835, cresceu no meio de navios, marinheiros, missionários, e aventureiros de toda a espécie. Quando adulto virou timoneiro de barco a vapor e com isso conseguiu colecionar muitas histórias do “Grande Mississipi”. Tornou-se famoso, contudo, através do pseudônimo Mark Twain[1] que utilizou em sua carreira como jornalista e escritor. Possui uma vasta e extensa bibliografia e se tornou um dos mais renomados escritores norte-americanos, suas histórias evocam um ‘Estados Unidos interiorano’, de pessoas simples e de vidas comuns, também se utilizava de um vocabulário regional, enfatizando as “várias falas” dos distintos grupos que dividam o território sulista.

As memórias de sua infância e juventude no Missouri estão de certa forma presentes nos dois grandes livros que o alçaram ao posto de pai da “literatura autenticamente americana[2]”: As aventuras de Tom Sawyer (1876) e As aventuras de Huckleberry Finn (1884). Ambas as histórias tem como protagonistas crianças que são consideradas “desajustadas”, ou seja, tem enorme dificuldade em obedecer aos adultos, não gostam de frequentar a escola e a igreja, e estão sempre envolvidos nas confusões locais. Contudo, demonstravam uma enorme criatividade e um saber “não formal” que os auxilia em suas empreitadas cotidianas, se utilizando de recursos “politicamente incorretos” como a mentira, para enganar as outras crianças e se dar bem. Em um dos trechos mais famosos do primeiro livro, Tom Sawyer utiliza sua “lábia” para se livrar da sua tarefa doméstica (pintar uma cerca da casa de sua tia Polly) e trocar de lugar com alguns garotos que o importunavam, além de receber em troca por isso “doze bolas de gude, um pedaço de vidro azul, uma coleira de cachorro, seis bombinhas, uma chave que não destrancava nada, um soldado de chumbo faltando a cabeça… e a cerca tinha três camadas de cal”.

‘As aventuras de Huckleberry Finn’ é de certa forma uma continuação da história anterior, ainda que possa ser lido separadamente. A história começa exatamente após o final dos acontecimentos de ‘As aventuras de Tom Sawyer’, contudo os protagonistas são trocados, Huck Finn que até então teve um papel secundário na narrativa, sendo apenas um garoto companheiro de aventuras passa a ir morar com uma boa família que o adota (o pai estava desaparecido). Seu pai que é um alcoólatra violento e o havia abandonado retorna, recupera a sua custódia e o leva para morar consigo em uma ilha. Huck Finn foge, mas ao mesmo tempo em que não queria a companhia paterna também não pretendia voltar para a vida “domesticada” e “civilizada”, queria a liberdade de andar pelo mato sem preocupações, de pescar e caçar à tarde, de navegar usando uma balsa e procurar tesouros de pirata com seus companheiros.

É nesse momento que começa a aventura que seria classificada como o “grande romance norte-americano[3]”: Huck Finn monta uma jangada e decide descer o rio Missispi fugindo de St. Louis, sem destino previamente definido. Ao embarcar encontra ‘Jim’ um escravo doméstico que estava fugindo, pois sua senhora planejava o vender para as plantações de algodão em Nova Orleans. Imerso na cultura sulista Huck tem muita resistência em ajuda-lo, pois não queria ser visto como um “abolicionista safado”, mas aos poucos a convivência vai tornando os dois verdadeiros amigos e o garoto passa a lutar pela liberdade de Jim o ajudando na empreitada de escapar para um estado livre.

Durante a jornada os dois colecionam inúmeras situações inesperadas, e o instinto de sobrevivência de Huck os salvam praticamente todas às vezes. Na trajetória pelo sul dos Estados Unidos passam pelo Missouri, Kentucky, Arkansas e Tennessee. Em todas as cidades que aportavam encontravam situações típicas que retratavam a cultura local e que acabam se envolvendo indiretamente como: superstições sobre espíritos do além, amores proibidos, grupos de bandidos salteadores aterrorizando vilas, disputas de famílias rivais resolvidas com duelos de armas, linchamentos públicos de pequenos criminosos (era muito comum punir os ladrões jogando piche e penas em cima deles), e vigaristas aplicando golpes se aproveitando da ingenuidade da população.

Vários temas são abordados nessa jornada: o dilema moral de ser contra uma norma instituída que era a escravidão, por exemplo, está presente a todo instante na mente de Huck, ele fica com muito receio de ajudar um escravo a fugir (tem medo até de ser condenado por Deus), somente quando percebe a humanidade em Jim (conhece sua história pessoal, seus medos, sonhos e ambições) é que este conflito interno é vencido e ele opta por lutar pela liberdade do amigo o auxiliando na fuga. A lealdade também é abordada, pois, aparecem inúmeras oportunidades para Huck denunciar a fuga de Jim, mas ele não consegue trair a confiança de seu amigo. A crueldade da justiça dos adultos também assusta nosso protagonista, apesar de condenar a ação dos vigaristas que enganavam a todos na cidade, ele fica muito assustado ao ver uma cena em que uma multidão corre para praticar um linchamento: “Bem, fiquei doente de ver aquilo; e tive muita pena dos dois vigaristas desgraçados, e parecia que nunca mais neste mundo eu ia conseguir sentir raiva deles. Os seres humanos podem ser terrivelmente cruéis uns com os outros”. Uma crítica ao saber formal e institucional, pois, no inicio da história Huck demonstra claramente uma enorme dificuldade de se adaptar ao ambiente educacional, é uma criança que não é adepta dos livros (ao contrário de Tom Sawyer que gosta muito de romances de piratas), e ele mesmo se considera alguém com pouca inteligência, contudo ao longo da trajetória, sua criatividade e seu saber “não formal” são responsáveis por lhe salvar a vida inúmeras vezes, esse tipo de inteligência que não é valorizada na escola acaba sendo de enorme utilidade ao longo da aventura.

Mark Twain em “As aventuras de Huckleberry Finn” realiza um profundo relato da vida cotidiana dos estados do sul, nessa jornada em busca de liberdade o protagonista passa por diversas experiências que o transformam profundamente. O solitário convívio com um escravo fugitivo transforma sua percepção de realidade, e a amizade sincera e leal que ambos estabelecem serve de motivação para ele questionar as raízes institucionais e culturais da escravidão.

site: https://letracapitularblog.wordpress.com/2017/05/31/as-aventuras-de-huckleberry-finn-uma-visita-aos-estados-unidos-pre-guerra-civil-as-margens-do-rio-mississipi/
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Alan Martins 21/05/2017

Um livro que causou, e ainda causa polêmica
É assim com algumas pessoas. Elas pegam birra com alguma coisa mesmo sem saber nada sobre a coisa. (TWAIN, Mark. As aventuras de Huckleberry Finn. L&PM Pocket, 2011, p. 12)

‘As aventuras de Huckleberry Finn’ é considerada a obra-prima de Mark Twain, um dos grandes nomes da literatura estadunidense e um dos fundadores das Letras daquele país. É um livro citado por muitos autores, lido e estudado até hoje. Com uma narrativa rápida, o autor escreve sobre os EUA dos meados do século XIX, antes da guerra civil, e sobre a sociedade escravocrata. Por tratar sobre esse tema, é uma obra muito polêmica, tanto agora, como na época em que foi publicada. Conheça um pouco sobre esse autor e sobre um livro considerado um clássico de seu país.

SAMUEL LANGHORNE CLEMENS
Esse é o verdadeiro nome do autor, Mark Twain é o seu pseudônimo. Twain trabalhou como piloto de navio no rio Mississippi, região onde nasceu (nasceu no Missouri). Seu pseudônimo deriva desse emprego como piloto, sendo Mark Twain uma forma de expressar a profundidade da água. Além disso, trabalhou na impressão de jornais e também foi humorista. Porém se destacou como escritor, onde conseguiu sucesso, sendo considerados por muitos como “o pai da Literatura dos Estados Unidos”. Stephen King sempre cita ‘As aventuras de Huckleberry Finn’ como um de seus livros favoritos e já batizou personagens com os nomes de personagens de Twain.

Mark Twain viveu durante a época em que a escravidão nos EUA era permitida, passando pela Guerra Civil (1861-1865) e viu a abolição da escravidão entrar em vigor. Ele era um apoiador da abolição. Seus livros refletem bem esse período, mostrando como os negros eram tratados e como a sociedade lidava com a escravidão. Os conhecimentos adquiridos como como piloto de barcos influenciaram muito suas obras, sendo o rio Mississippi sempre presente e com personagens navegando por suas águas, além de descrições sobre navios e navegação. Ele mostra a importância do rio para a sociedade que vivia às suas margens e para a nação.

“Os seres humanos podem ser terrivelmente cruéis uns com os outros.” p. 255

A HISTÓRIA DE HUCK FINN
O livro foi escrito como uma continuação para ‘As Aventuras de Tom Sawyer’, um outro grande sucesso do autor. E de fato, é uma história que dá sequência a esse livro. Porém seu grande sucesso o tornou independente, as pessoas cultuam Huckleberry Finn sem fazer alguma ligação com o livro anterior.

A história de Huck pode ser lida de forma independente, é possível compreender o enredo sem ter conhecimento das aventuras de Tom Sawyer. O livro é narrado em primeira pessoa, pelo próprio Huck Finn. Por isso nota-se alguns erros gramaticais e uma visão mais inocente sobre o mundo, pois é uma história contada sob as lentes de um menino por volta dos 13 ou 14 anos de idade. Diferente de Tom, Huck descreve o mundo de forma mais objetiva, descrevendo o que seus olhos lhe mostram, ao contrário de seu amigo, que oferece uma visão mais fantasiosa e imaginativa sobre o mundo.

Huck narra como fugiu da Srta. Watson e de seu pai, um bêbado que o violentava fisicamente e se aproveitava da fortuna do menino. Conseguiu fugir dos dois navegando pelo rio Mississippi em uma canoa. Nessa fuga encontra Jim, um negro que era escravo na residência da Srta. Watson. Como eles já se conheciam e possuíam o mesmo objetivo, que era a liberdade, se unem e fogem juntos. Nessa aventura, os dois enfrentarão adversidades, conhecerão pessoas boas e ruins, tudo narrado de forma divertida. Huck é um menino muito esperto e utiliza da mentira para se safar de problemas ou para conseguir o que quer. Jim é um homem muito supersticioso e de pouca instrução, porém considera Huck um grande amigo e faz tudo por ele. A história é uma reviravolta de problemas, onde eles sempre dão um jeito de resolvê-los.

“Rezar por mim! Achei que, se me conhecesse, ela ia se encarregar de outra tarefa mais apropriada pro seu tamanho. Mas aposto que rezou, mesmo assim — ela era desse jeito. Tinha coragem de rezar por Judas se lhe desse na telha […]” p. 213

UM LIVRO POLÊMICO
Por abordar o tema da escravidão e descrever com precisão a sociedade sulista, às margens do Mississippi, esta obra foi, e ainda é, tema para grandes debates. Há pessoas que dizem que o livro é racista. Um absurdo, pois o próprio autor foi um abolicionista e não há nenhum momento no livro uma frase que incentive ou que apoie a escravidão.

A palavra nigger (que pode ser traduzida como ‘negro’), que era usada na época para se referenciar aos escravos, é um alvo dessas críticas. Utilizá-la, hoje, é algo impensável, pela carga de ódio que ela carrega. É um termo muito pejorativo para descrever um negro atualmente. Porém, naquela época, era a forma comum, a mais utilizada, não havia essa carga de ódio embutida. Isso levou a editora NewSouth Books, em 2011, a publicar uma edição de ‘The Adventures of Huckleberry Finn’ onde a palavra nigger foi substituída por slave (escravo). Isso não faz sentido, pois a narrativa é um retrato da sociedade dos EUA no século XIX e isso muda a escrita do autor, um crime à sua obra. Além de ser uma forma ineficaz de se redimir das atrocidades cometidas aos negros no passado.

Mark Twain não utilizava a palavra nigger, considerada pejorativa pelos intelectuais, porém suas personagens são pouco instruídas, pessoas simples, do campo. Na época em que foi publicado, as mentiras contadas por Huck também foram alvos de críticas, por se tratar de um mentiroso que sempre consegue se dar bem.

Não existe nenhum momento de violência à um negro durante toda a narrativa. O tom é de respeito para com os escravos, que são “respeitados” e “bem tratados” (essas palavras não fazem sentido, já que são escravos, porém não há o ódio contra eles, é isso que deve ser frisado). Há uma pessoa ou outra que falam mal sobre os negros, porém isso é um reflexo da sociedade escravocrata.

“As pessoas vão me chamar de abolicionista sórdido e vão me desprezar por ficar calado — mas não faz mal. Não vou contar de todo jeito não vou voltar pra lá.” p. 55

A EDIÇÃO
O livro é narrado em uma linguagem vulgar. Mark Twain quis representar a maneira de falar das pessoas que viviam próximas ao Mississippi e o inglês distorcido dos escravos. Isso representou um grande desafio para a tradutora Rosaura Eichenberg que, apesar de possuir um vasto currículo de traduções, apontou as dificuldades em se traduzir ‘As aventuras de Huckleberry Finn’ para o português em uma nota no início do livro. Ela adaptou a linguagem para os termos mais próximos, pois no Brasil também há uma linguagem vulgar, uma linguagem considerada “caipira”, que era muito utilizada no século XIX. As falas de Jim são muito carregadas, cheia de erros. Essa foi a forma do autor apresentar a realidade, tornar a história mais real. E isso também deixa o livro bastante engraçado, com expressões que arrancam risadas do leitor. O próprio autor escreveu uma nota, antes do início da história, dizendo que a narrativa possui um dialeto bem característico da região onde se passa.

Fisicamente é uma boa edição de bolso. Como a L&PM é uma editora focada em livros pocket, possuindo o maior acervo desse segmento do país, nãos se pode esperar algo diferente. O tamanho do livro é reduzido, com capa mole e sem orelhas, papel branco, Offset, para o miolo e com diagramação também reduzida. As letras pequenas no papel branco podem incomodar um pouco. Porém, a qualidade do material é boa, assim como a do conteúdo, o principal. A tradução está muito boa e a tradutora mostrou seu esforço para adaptar a linguagem da melhor maneira para o português do Brasil, assim como o trabalho da revisão. Sendo uma edição de bolso, o preço também é reduzido, sendo mais baratos do que livros de outros formados, geralmente.

“Ora, tem uma vantage num sinal assim, porque tudo tá longe no futuro. Ocê vê, talveiz ocê vai tê que sê pobre por muito tempo, e então ocê pode ficá desanimado e si matá, se num sabe pelo sinal que vai sê rico mais tarde.” p. 58

CONCLUSÃO
Um livro engraçado e que reflete um período da história dos Estados Unidos, mostrando um pouco de como era a sociedade escravocrata. Como isso também ocorreu no Brasil (infelizmente), é possível fazer uma relação com o que ocorreu por aqui. Huck é um menino que não gosta de ser ‘civilizado’, usar roupas limpas e engomadas, por isso decide fugir de tudo, até de seu pai, em busca da liberdade. Isso é um reflexo da escravidão e de Jim, um escravo que também busca a liberdade. Os dois conseguem ver o lado bom das coisas, mesmo das mais simples e fazem uma viagem pelo rio Mississippi, de canoa, parecer algo lindo.

Vale a pena a leitura, por se tratar de um clássico, marco da literatura de um país. Uma narrativa inocente, sem maldades, divertida e com um final irônico e muito engraçado. Recomendado.

Minha nota (de 0 a 5): 4

Alan Martins

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Brnoliver 27/01/2017

Huck, grande amigo de Tom Sawyer
Para entender os livros sobre Tom Sawyer tive que ler As Aventuras de. Huckleberry Finn, o livro é situado entre As aventuras de Tom Sawyer e As Viagens de Tom Sawyer. Diferente do primeiro livro, esse é narrado em primeira pessoa, Huck é menos genial que Tom, mas mais engraçado, a aventura é narrada de forma direita e não como a de Tom Sawyer que se divide em várias pequenas aventuras.
A história é interessante. Aém do enrendo, ela nos dá uma noção da vida americana a dois séculos atrás, ainda no período da escravidão ? elemento importante, já que Huck se aventura junto com Jim, que é um escravo fugido. O começo é muito bom e há um final totalmente empolgante, porém a história fica um pouco maçante quando Huck encontra o falso rei vigarista, embora seja importante para o desfecho, boa parte desse encontro não altera muito na história.
Os outros livros do Twain sobre Tom Sawyer terminam e começam imediatamente a esse, exceto o Tom Sawyer, detetive, por isso esse livro tem uma grande relevância nesse conjunto e deve ser lido junto com os outros para fazer sentido, por é ni primeiro que conta sobre a personalidade de Huck, como ele ficou rico e como era sua vida antes disso, embora haja um resumo no começo desse livro.

Citação: "Ia trabalhar e roubar Jim da escravidão de novo e, se conseguisse pensar em qualquer coisa pior, ia fazer também, porque já que eu tava condenado, e condenado pra sempre, era melhor ir até o fim."
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Liz 31/10/2016

#lido As Aventuras de Huckleberry Finn [Mark Twain]
Ai, gente! Como sou louca! Aqui estou eu falando sobre minha experiência de leitura com As Aventuras de Huckleberry Finn sem ter lido As Aventuras de Tom Saywer. Por favor, me perdoem. haha Na verdade, o fato de não ter lido o livro escrito anteriormente sobre as aventuras do HF não influenciou muito. Ao que me parece, são duas histórias que apesar de se completarem em algum momento, não tem uma conexão tão forte a ponto de não compreendermos algum capítulo.

Demorei muito para terminar de lê-lo - devo ter começado em março - e confesso que até pensei em abandoná-lo, pois os primeiros capítulos estavam bem enfadonhos. Lá para o meio do livro é que a aventura realmente começa e acabei de empolgando. A narrativa é muito divertida e muito à frente de seu tempo. Muitos acreditam que este livros seja preconceituoso e racista, mas discordo. Aquela não é a visão de Mark Twain e nem do narrador- personagem: é um panorama do que acontecia na época em que se passa a história do livro.

Acredito que deve ter sido bem complicado traduzir o texto, pois os personagens falam de maneira coloquial, com o que chamamos hoje em dia de variedade linguística. Muito interessante!

Huck foge e passa a viver às margens do Mississipi com Jim, um escravo fugitivo. Ele se recusa a viver uma vida enclausurada e cheia de regras como a vida de outros meninos de sua idade. Ele se questiona o tempo todo sobre sua amizade com um negro e como ele, sendo assim, pode ser tão inteligente e perspicaz. Muitas vezes, ele chega a dizer que Jim teria uma alma branca ou seria um "bom branco".

"Huck inventa e encena suas mentiras com engenho e arte, e fica até muito sem graça quando um personagem o acusa de não saber mentir. No fundo, as mentiras são sua forma de lidar com o mundo dos adultos mantendo-se fiel ao seu coração, que deseja escapar de quem procura 'civilizá-lo'". (Nota da tradutora, p. 7)

Logo nos primeiros capítulos do livro, vemos algumas expressões engraçadas de Huck e algumas falas que acabam por diminuir Jim apenas pela cor de sua pele:

- Então! Macacos me morde, por que ele num fala como um hômi? Me responde isso.
Vi que não adiantava gastar palavras... não dá pra ensinar um negro a argumentar. Então, desisti.

Em alguns momentos, diálogos sobre a monarquia com uma crítica bem direta:

- Mas, Huck, esses nossos rei são uns patife, é o que são, uns patife.
- Bem, é o que tô dizendo, os reis são quase todos uns patifes, é a minha conclusão.

Uma das partes que mais gosto do livro é quando o Huck percebe que ele não pode deixar de ser quem ele é. Ele faz uma reflexão singela, mas nem um pouco infantil apesar de sua pouca idade:

"Me deu um arrepio. Eu quase decidi rezar, para ver se eu não podia deixar de ser o tipo de menino que eu era e melhorar. Aí ajoelhei. Mas as palavras não vinham. Por que não vinham?Não adiantava tentar esconder isso d'Ele. Nem de mim tampouco. Eu sabia muito bem porque elas não vinham. Era porque meu coração não tava direito; era porque eu não era certinho; era porque eu tava enganando os outros.Eu tava fingindo desistir do pecado, mas bem lá dentro de mim eu tava agarrado ao maior de todos os pecados. [...] Não dá pra rezar uma mentira - foi o que eu descobri."

A Disney fez uma adaptação do livro, mas ainda não assisti. Acredito que a trama esteja voltada para o público infantil, ao contrário do livro que nada tem de infantil, mas é certo de que a mente de um garoto como o Huck nos ajuda a refletir sobre nossa ações como adultos.


site: http://www.umpoucotrivial.com/2016/10/lido-as-aventuras-de-huckleberry-finn.html
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Nat 25/02/2016

Huck Finn é só um garoto, mas já passou por muita coisa em sua vida curta. Seu pai, um alcoólatra inveterado, não o deixava em paz. Depois de ganhar notoriedade ao se aliar a Tom Sawyer, ele é adotado pela viúva Douglas, que vai tentar civilizá-lo junto com Miss Watson. Mas Finn é um espírito livro e não aceita as regras da viúva. Mas o pai aparece e o leva de volta. Ele queria fugir, mas lembra que a alternativa seria voltar a viver com a viúva, o que Finn não quer. Então ele forja a própria morte e escapa. Subindo o rio Mississipi numa jangada em busca de liberdade, ele atraca em uma ilha e encontra Jim, escravo de Miss Watson, e quase o mata do coração, já que era tido como morto. Ele convence o escravo, que também está fugindo, de que não é um fantasma e assim, os dois se unem, acabam se tornando amigos e vivem situações tanto engraçadas quanto perigosas.

Livrinho surpreendente. Gostei não só porque é um clássico da literatura norte-americana, mas porque o livro é baseado nas lembranças da infância do autor, Mark Twain, e eu adoro livros desse tipo. A surpresa foi descobrir que o livro é continuação de As aventuras de Tom Sawyer, que eu ainda não li. Uma coisa que eu achei legal é o quanto Finn se julga por estar ajudando um escravo fugido. Menino branco que nasceu e cresceu pensando que todo negro tem dono, ele acha que queimará no inferno por ajudar Jim a fugir. Esse debate de consciência é o ponto alto do livro, na minha opinião, ainda mais porque se trata da consciência de um garoto. Vale muito a pena.

site: http://ofantasticomundodaleitura.blogspot.com.br/2016/02/as-aventuras-de-huckleberry-finn-mark.html
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Fendrich 09/11/2015

O bem, o mal e Huckleberry Finn
Desde que “As aventuras de Huckleberry Finn” foi lançado, em 1885, os críticos observaram, e muitas vezes censuraram, o comportamento incorreto do herói da história, acostumado a criar as mais disparatadas mentiras para se livrar dos apuros em que se metia. O que talvez não seja tão evidenciado é o quanto a consciência desses atos afligia o próprio Huck. Embora criado de forma rude, o rapaz havia recebido rudimentos da doutrina cristã e acreditava que, de acordo com certos atos seus, era capaz de terminar no inferno. A sua noção de certo ou errado e o seu conceito de “mal”, no entanto, eram definidos por leis humanas que hoje se sabe injustas.

Assim é que, no seu raciocínio, o que lhe tornava especialmente malvado e digno de castigos do céu era o fato de ter contribuído, ainda que de forma indireta, para a fuga de um escravo. A seu ver, não poderia haver pecado maior. Nenhuma mentira, nenhuma maldade, nem mesmo os planos pueris de homicídios promovidos pelo grupo de Tom Sawyer eram mais terríveis do que permitir que um negro escapasse dos seus legítimos donos. Transtornado por essa culpa é que Huck tentou rezar, mas sem conseguir, admitindo que apenas fingia desistir do pecado.

Como ainda era preciso expiá-lo, decidiu escrever uma carta em que revelava a localização do escravo. Ao terminá-la, sentia-se puro e aliviado ao pensar que esteve perto de se perder. Mas a consciência não o deixou em paz, sobretudo porque ele sabia o quanto aquele negro lhe havia ajudado e lhe queria bem. Huck sofria porque não conseguia conciliar o desejo de ser grato àquele escravo com a necessidade de preservar a lei dos homens, tida por ele como a do próprio Deus. Desse conflito nasceria a resolução de “ir para o inferno” e, com a condenação garantida, continuar praticando as maldades de sempre – eis o seu mecanismo de defesa.

Incapacitado de fazer uma avaliação definitiva dos próprios atos que praticava, Huck preferia concluir que a consciência não fazia sentido e que não havia diferença entre fazer o certo e o errado. Essa visão parece se opor à de Tom Sawyer, para quem havia uma linha muito clara separando o certo do errado – certo era o que lia nos livros de aventura. Era deles que tirava os seus princípios e uma moral que permitia o roubo sob certas circunstâncias, como a de ser prisioneiro. Para ele havia um “certo” que deveria ser feito independente de olhares alheios.

Huckleberry Finn, no entanto, temia um olhar específico, vindo de lá cima, certo de que uma mão havia de estapeá-lo para que se lembrasse de que a sua maldade era observada o tempo todo. Não lhe ocorria a possibilidade de redenção senão pela prática de boas obras, mas não se considerava capaz delas, criado malvado que foi. E nunca lhe passou pela cabeça que, ao se comprometer pela libertação de um negro, pudesse estar sendo mais justo que a justiça dos homens – condição que o homem da cruz julgou fundamental para entrar no Reino dos Céus.

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Dose Literária 01/10/2015

As aventuras de Huckleberry Finn...
Em As aventuras de Huckleberry Finn, clássico da ficção americana escrito por Mark Twain e publicado pela L&PM Editores, acompanhamos a trajetória de um menino - Huck - que resolve fugir numa balsa pelo rio Mississippi para escapar do pai, bêbado e violento, que vivia lhe espancando e queria o dinheiro de sua herança. No caminho ele se depara com Jim, um escravo fugitivo e juntos vivem experiências intensas, narradas de forma quase ingênua pelo menino. Logo nos capítulos iniciais conhecemos uma cidade pequena, às margens do rio Mississippi, cheia de personagens típicos de um país escravocrata, com suas gírias e vocabulário ribeirinho. Huckleberry é amigo de Tom Sawyer, personagem do livro que antecede este, e suas brincadeiras repletas de imaginação consistem em planejar assaltos e mortes na estrada, fazendo reféns que devem ser mortos ou soltos depois de terem o resgate pago.

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