As Aventuras de Huckleberry Finn

As Aventuras de Huckleberry Finn Mark Twain




Resenhas - As Aventuras de Huckleberry Finn


44 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3


Biiah-chan 22/03/2013

As Aventuras de Huckleberry Finn
Quando criança, você subia em árvores? Corria depois de apertar campainhas e jogar pedras em cachorros? Era mentiroso? Sua mãe sempre gritava para você parar de fazer alguma coisa? Sim? Não? Independente da resposta, eu conheço um carinha que era muito pior que você, seu nome é Huck Finn e você pode acompanhar todas as suas aventuras escrita por Mark Twain no livro As Aventuras de Huckleberry Finn, de 1884.

Eu li quando tinha 11 anos, a tradução foi feita por Monteiro Lobato e me lembro de que infelizmente, não gostei nada do livro. Huck Finn vivia perto do rio Mississipi com as tias e tinha um pai alcoólatra. O garoto tinha 11 anos e não sabia escrever direito, essas coisas são passadas no livro, as palavras são propositalmente escritas ortograficamente erradas, pois é contada em primeira pessoa. Claro que Huck queria estudar mais, porém, seu pai queria que ele trabalhasse na roça, como um escravinho, levando surras. Isso me revoltou (lembre-se da minha idade), eu ainda me lembro do diálogo entre pai e filho. Um querendo estudar e o outro dizendo que o estudo da vida era uma enxada nas mãos. O garoto forja sua própria morte. E foge numa jangada pelas águas do Mississipi.

Seu objetivo era encontrar um país dos Estados Unidos em que a escravidão já estivesse abolida e seu desejo aumenta ainda mais depois de encontrar seu amigo Jim, um escravo velho que fugiu da família porque sua dona disse que ia vendê-lo. Por causa desse personagem o livro é considerado racista. No original Huck o tratava como nigger, e Jim era bem mais ignorante do que o menino. Eles vão seguindo viagem para o lado Sul, uma vida nômade, sempre de noite para correr menos riscos e por esses caminhos encontram todos os tipos de caráter em personagens bons e ruins com eles.

Certo, não vou dizer os maus bocados que eles passam e nem vou contar o que aconteceu no fim. Mas digo que Huck mente, rouba, dissimula o tempo todo e a grande sacada do livro é essa: Será que vale a pena passar tudo isso por uma amizade? E o medo do inferno? São esses pensamentos que Huck expõe em sua narrativa. Hoje em dia você pode encontrar várias traduções dessa obra e recomendo não lerem essa do Monteiro Lobato, que em algumas partes não foi fiel ao original, deixa lacunas e uma leitura mais difícil, talvez isso fez com que eu não aproveitasse totalmente o livro e foi maçante pra mim. A melhor versão traduzida atualmente é a da Rosaura Eichenberg

Mais resenhas: www.queridaprateleira.com.br
Cristian 12/06/2019minha estante
Valeu pela dica da tradução!




Alan Martins 21/05/2017

Um livro que causou, e ainda causa polêmica
É assim com algumas pessoas. Elas pegam birra com alguma coisa mesmo sem saber nada sobre a coisa. (TWAIN, Mark. As aventuras de Huckleberry Finn. L&PM Pocket, 2011, p. 12)

‘As aventuras de Huckleberry Finn’ é considerada a obra-prima de Mark Twain, um dos grandes nomes da literatura estadunidense e um dos fundadores das Letras daquele país. É um livro citado por muitos autores, lido e estudado até hoje. Com uma narrativa rápida, o autor escreve sobre os EUA dos meados do século XIX, antes da guerra civil, e sobre a sociedade escravocrata. Por tratar sobre esse tema, é uma obra muito polêmica, tanto agora, como na época em que foi publicada. Conheça um pouco sobre esse autor e sobre um livro considerado um clássico de seu país.

SAMUEL LANGHORNE CLEMENS
Esse é o verdadeiro nome do autor, Mark Twain é o seu pseudônimo. Twain trabalhou como piloto de navio no rio Mississippi, região onde nasceu (nasceu no Missouri). Seu pseudônimo deriva desse emprego como piloto, sendo Mark Twain uma forma de expressar a profundidade da água. Além disso, trabalhou na impressão de jornais e também foi humorista. Porém se destacou como escritor, onde conseguiu sucesso, sendo considerados por muitos como “o pai da Literatura dos Estados Unidos”. Stephen King sempre cita ‘As aventuras de Huckleberry Finn’ como um de seus livros favoritos e já batizou personagens com os nomes de personagens de Twain.

Mark Twain viveu durante a época em que a escravidão nos EUA era permitida, passando pela Guerra Civil (1861-1865) e viu a abolição da escravidão entrar em vigor. Ele era um apoiador da abolição. Seus livros refletem bem esse período, mostrando como os negros eram tratados e como a sociedade lidava com a escravidão. Os conhecimentos adquiridos como como piloto de barcos influenciaram muito suas obras, sendo o rio Mississippi sempre presente e com personagens navegando por suas águas, além de descrições sobre navios e navegação. Ele mostra a importância do rio para a sociedade que vivia às suas margens e para a nação.

“Os seres humanos podem ser terrivelmente cruéis uns com os outros.” p. 255

A HISTÓRIA DE HUCK FINN
O livro foi escrito como uma continuação para ‘As Aventuras de Tom Sawyer’, um outro grande sucesso do autor. E de fato, é uma história que dá sequência a esse livro. Porém seu grande sucesso o tornou independente, as pessoas cultuam Huckleberry Finn sem fazer alguma ligação com o livro anterior.

A história de Huck pode ser lida de forma independente, é possível compreender o enredo sem ter conhecimento das aventuras de Tom Sawyer. O livro é narrado em primeira pessoa, pelo próprio Huck Finn. Por isso nota-se alguns erros gramaticais e uma visão mais inocente sobre o mundo, pois é uma história contada sob as lentes de um menino por volta dos 13 ou 14 anos de idade. Diferente de Tom, Huck descreve o mundo de forma mais objetiva, descrevendo o que seus olhos lhe mostram, ao contrário de seu amigo, que oferece uma visão mais fantasiosa e imaginativa sobre o mundo.

Huck narra como fugiu da Srta. Watson e de seu pai, um bêbado que o violentava fisicamente e se aproveitava da fortuna do menino. Conseguiu fugir dos dois navegando pelo rio Mississippi em uma canoa. Nessa fuga encontra Jim, um negro que era escravo na residência da Srta. Watson. Como eles já se conheciam e possuíam o mesmo objetivo, que era a liberdade, se unem e fogem juntos. Nessa aventura, os dois enfrentarão adversidades, conhecerão pessoas boas e ruins, tudo narrado de forma divertida. Huck é um menino muito esperto e utiliza da mentira para se safar de problemas ou para conseguir o que quer. Jim é um homem muito supersticioso e de pouca instrução, porém considera Huck um grande amigo e faz tudo por ele. A história é uma reviravolta de problemas, onde eles sempre dão um jeito de resolvê-los.

“Rezar por mim! Achei que, se me conhecesse, ela ia se encarregar de outra tarefa mais apropriada pro seu tamanho. Mas aposto que rezou, mesmo assim — ela era desse jeito. Tinha coragem de rezar por Judas se lhe desse na telha […]” p. 213

UM LIVRO POLÊMICO
Por abordar o tema da escravidão e descrever com precisão a sociedade sulista, às margens do Mississippi, esta obra foi, e ainda é, tema para grandes debates. Há pessoas que dizem que o livro é racista. Um absurdo, pois o próprio autor foi um abolicionista e não há nenhum momento no livro uma frase que incentive ou que apoie a escravidão.

A palavra nigger (que pode ser traduzida como ‘negro’), que era usada na época para se referenciar aos escravos, é um alvo dessas críticas. Utilizá-la, hoje, é algo impensável, pela carga de ódio que ela carrega. É um termo muito pejorativo para descrever um negro atualmente. Porém, naquela época, era a forma comum, a mais utilizada, não havia essa carga de ódio embutida. Isso levou a editora NewSouth Books, em 2011, a publicar uma edição de ‘The Adventures of Huckleberry Finn’ onde a palavra nigger foi substituída por slave (escravo). Isso não faz sentido, pois a narrativa é um retrato da sociedade dos EUA no século XIX e isso muda a escrita do autor, um crime à sua obra. Além de ser uma forma ineficaz de se redimir das atrocidades cometidas aos negros no passado.

Mark Twain não utilizava a palavra nigger, considerada pejorativa pelos intelectuais, porém suas personagens são pouco instruídas, pessoas simples, do campo. Na época em que foi publicado, as mentiras contadas por Huck também foram alvos de críticas, por se tratar de um mentiroso que sempre consegue se dar bem.

Não existe nenhum momento de violência à um negro durante toda a narrativa. O tom é de respeito para com os escravos, que são “respeitados” e “bem tratados” (essas palavras não fazem sentido, já que são escravos, porém não há o ódio contra eles, é isso que deve ser frisado). Há uma pessoa ou outra que falam mal sobre os negros, porém isso é um reflexo da sociedade escravocrata.

“As pessoas vão me chamar de abolicionista sórdido e vão me desprezar por ficar calado — mas não faz mal. Não vou contar de todo jeito não vou voltar pra lá.” p. 55

A EDIÇÃO
O livro é narrado em uma linguagem vulgar. Mark Twain quis representar a maneira de falar das pessoas que viviam próximas ao Mississippi e o inglês distorcido dos escravos. Isso representou um grande desafio para a tradutora Rosaura Eichenberg que, apesar de possuir um vasto currículo de traduções, apontou as dificuldades em se traduzir ‘As aventuras de Huckleberry Finn’ para o português em uma nota no início do livro. Ela adaptou a linguagem para os termos mais próximos, pois no Brasil também há uma linguagem vulgar, uma linguagem considerada “caipira”, que era muito utilizada no século XIX. As falas de Jim são muito carregadas, cheia de erros. Essa foi a forma do autor apresentar a realidade, tornar a história mais real. E isso também deixa o livro bastante engraçado, com expressões que arrancam risadas do leitor. O próprio autor escreveu uma nota, antes do início da história, dizendo que a narrativa possui um dialeto bem característico da região onde se passa.

Fisicamente é uma boa edição de bolso. Como a L&PM é uma editora focada em livros pocket, possuindo o maior acervo desse segmento do país, nãos se pode esperar algo diferente. O tamanho do livro é reduzido, com capa mole e sem orelhas, papel branco, Offset, para o miolo e com diagramação também reduzida. As letras pequenas no papel branco podem incomodar um pouco. Porém, a qualidade do material é boa, assim como a do conteúdo, o principal. A tradução está muito boa e a tradutora mostrou seu esforço para adaptar a linguagem da melhor maneira para o português do Brasil, assim como o trabalho da revisão. Sendo uma edição de bolso, o preço também é reduzido, sendo mais baratos do que livros de outros formados, geralmente.

“Ora, tem uma vantage num sinal assim, porque tudo tá longe no futuro. Ocê vê, talveiz ocê vai tê que sê pobre por muito tempo, e então ocê pode ficá desanimado e si matá, se num sabe pelo sinal que vai sê rico mais tarde.” p. 58

CONCLUSÃO
Um livro engraçado e que reflete um período da história dos Estados Unidos, mostrando um pouco de como era a sociedade escravocrata. Como isso também ocorreu no Brasil (infelizmente), é possível fazer uma relação com o que ocorreu por aqui. Huck é um menino que não gosta de ser ‘civilizado’, usar roupas limpas e engomadas, por isso decide fugir de tudo, até de seu pai, em busca da liberdade. Isso é um reflexo da escravidão e de Jim, um escravo que também busca a liberdade. Os dois conseguem ver o lado bom das coisas, mesmo das mais simples e fazem uma viagem pelo rio Mississippi, de canoa, parecer algo lindo.

Vale a pena a leitura, por se tratar de um clássico, marco da literatura de um país. Uma narrativa inocente, sem maldades, divertida e com um final irônico e muito engraçado. Recomendado.

Minha nota (de 0 a 5): 4

Alan Martins

Visite meu blog para mais resenhas e outros conteúdos: https://anatomiadapalavra.wordpress.com/

site: https://anatomiadapalavra.wordpress.com/2017/05/21/minhas-leituras-19-as-aventuras-de-huckleberry-finn-mark-twain/
comentários(0)comente



Fimbrethil Call 28/01/2010

Excelente!
Excelente esse livro, que é quase como um 'road-movie' passado nos rios no interior dos Estados Unidos, mais especificamente os rios Missouri, Mississipi e Ohio.

Sensacionais as descrições dos rios e das margens, das cidades que eles vêem da jangada onde estão, e dos relacionamentos.

Huckleberry Finn é o principal, mas um dos mais ativos é Jim, o escravo de Miss Watson, e o relacionamento dos dois é uma das melhores coisas do livro, a gente entende o dilema de Huck entre tratá-lo como uma pessoa ou como um objeto. É lógico que com a visão nossa do século XXI, esse dilema nem existe, mas não é tão difícil se transportar no tempo e entender a mentalidade de uma criança branca dessa época, que nasceu quando existia escravidão, e achava tão natural quanto o computador o é pra uma criança de hoje em dia. O que eu posso dizer é que Huck é uma ótima pessoa, e escolhe tratar Jim como um amigo.

Eles encontram uma dupla no caminho de homens brancos, que são dois vigaristas, que são duas das piores pessoas que se pode conhecer. Huck até pensa que ao vê-los em ação dá vergonha do ser humano.

O episódio do resgate de Jim da prisão é ótimo, e basta dizer que Jim comenta que nunca pensou que ser prisioneiro dava tanto trabalho:)

Ótimo livro, cheio do humor de Mark Twain, ou melhor Samuel Clemens, que escolheu esse pseudônimo porque trabalhou um tempo naqueles barcos que cortavam o Mississipi que possuíam rodas de pás, alguns com uma só roda de popa, alguns com duas rodas, uma de cada lado, e uma coisa que o capitão dizia era "MARK TWAIN" (twain quer dizer dois).

Recomendadíssimo!
comentários(0)comente



Fendrich 09/11/2015

O bem, o mal e Huckleberry Finn
Desde que “As aventuras de Huckleberry Finn” foi lançado, em 1885, os críticos observaram, e muitas vezes censuraram, o comportamento incorreto do herói da história, acostumado a criar as mais disparatadas mentiras para se livrar dos apuros em que se metia. O que talvez não seja tão evidenciado é o quanto a consciência desses atos afligia o próprio Huck. Embora criado de forma rude, o rapaz havia recebido rudimentos da doutrina cristã e acreditava que, de acordo com certos atos seus, era capaz de terminar no inferno. A sua noção de certo ou errado e o seu conceito de “mal”, no entanto, eram definidos por leis humanas que hoje se sabe injustas.

Assim é que, no seu raciocínio, o que lhe tornava especialmente malvado e digno de castigos do céu era o fato de ter contribuído, ainda que de forma indireta, para a fuga de um escravo. A seu ver, não poderia haver pecado maior. Nenhuma mentira, nenhuma maldade, nem mesmo os planos pueris de homicídios promovidos pelo grupo de Tom Sawyer eram mais terríveis do que permitir que um negro escapasse dos seus legítimos donos. Transtornado por essa culpa é que Huck tentou rezar, mas sem conseguir, admitindo que apenas fingia desistir do pecado.

Como ainda era preciso expiá-lo, decidiu escrever uma carta em que revelava a localização do escravo. Ao terminá-la, sentia-se puro e aliviado ao pensar que esteve perto de se perder. Mas a consciência não o deixou em paz, sobretudo porque ele sabia o quanto aquele negro lhe havia ajudado e lhe queria bem. Huck sofria porque não conseguia conciliar o desejo de ser grato àquele escravo com a necessidade de preservar a lei dos homens, tida por ele como a do próprio Deus. Desse conflito nasceria a resolução de “ir para o inferno” e, com a condenação garantida, continuar praticando as maldades de sempre – eis o seu mecanismo de defesa.

Incapacitado de fazer uma avaliação definitiva dos próprios atos que praticava, Huck preferia concluir que a consciência não fazia sentido e que não havia diferença entre fazer o certo e o errado. Essa visão parece se opor à de Tom Sawyer, para quem havia uma linha muito clara separando o certo do errado – certo era o que lia nos livros de aventura. Era deles que tirava os seus princípios e uma moral que permitia o roubo sob certas circunstâncias, como a de ser prisioneiro. Para ele havia um “certo” que deveria ser feito independente de olhares alheios.

Huckleberry Finn, no entanto, temia um olhar específico, vindo de lá cima, certo de que uma mão havia de estapeá-lo para que se lembrasse de que a sua maldade era observada o tempo todo. Não lhe ocorria a possibilidade de redenção senão pela prática de boas obras, mas não se considerava capaz delas, criado malvado que foi. E nunca lhe passou pela cabeça que, ao se comprometer pela libertação de um negro, pudesse estar sendo mais justo que a justiça dos homens – condição que o homem da cruz julgou fundamental para entrar no Reino dos Céus.

site: http://deusnaliteratura.wordpress.com
comentários(0)comente



Israel 07/09/2012

A fantástica "continuação" de Tom Sawyer
“As aventuras de Huckleberry Finn” é mais uma das fantásticas obras do escritor Mark Twain que li e guardei no local reservado para livros queridos no meu coração. Derivado diretamente do clássico “Tom Swayer” é um livro muito mais maduro e bem construído que este, não desmerecendo “Tom” de forma alguma, pelo contrário. Quando resolvi ler “Huck Finn” foi pela singela curiosidade de fazer a comparação entre as duas obras, já que ambos estão ambientados na mesma época, com os mesmos personagens e o mesmo estilo. Qual o melhor dos dois? Difícil responder. Prefiro encarar “Huck Finn” como uma continuação que deu certo e que mantém a qualidade de “Tom Sawyer” com novos elementos enriquecedores das fantásticas aventuras dos dois garotos.
O livro em si, trata das peripécias de Huck Finn, um garoto vadio, porém auto-suficiente, que vive largado pela cidade vivendo intensamente a sua infância nas brincadeiras com os outros moleques da vila e se aventurando pelo rio Mississipi. Continuação direta do enredo de “Tom Sawyer”, mesmo tendo ficado rico no final do livro anterior e sendo adotado pela viúva, Huck continua relutando em ser civilizado e acaba arrastado pra uma vida de vagabundagem pelo pai alcoólatra. Mas o rumo da história muda quando Huck forja a própria morte e parte com Jim, um escravo fujão, em sua jangada se aventurando pelo rio e vilas à margem deste, se embrenhando numa divertida jornada, conhecendo os tipos mais pitorescos, vivendo as situações mais absurdas (e engraçadas) sempre se sobressaindo com sua inteligência e esperteza, embrenhado pelo interior de uma América fascinante retratada com cores vivas e sob a perspectiva de um garoto de 12 anos.
Todos os elementos que tornaram “Tom Sawyer” agradável aos olhos dos leitores estão lá. A narrativa do próprio Huck Finn torna a leitura prazerosa e engraçadíssima, pois é o tempo todo visto pela lógica de um guri dessa idade, que confere à obra um humor ácido e mordaz. Faz voltar no tempo e ter vontade de ser criança novamente. Incontestavelmente, Mark Twain é um dos maiores contadores de história da literatura universal. Muitas das histórias aqui contadas e personagens foram adaptadas da própria infância e aventuras de Twain. Segundo consta, definiu com essa obra, mesmo com esse viés humorístico, o romance americano.
Quanto à edição da Martin Claret (série ouro), esta vem recheada de “extras”, com uma mini-autobiografia de Twain (muito engraçada), um capítulo extra com o escravo Jim, o conto “a célebre rã saltadora”, um texto sobre a obra em si e uma biografia de Twain. Sendo esse livro, da até pra aturar o trabalho porco da editora, não vou entrar no mérito tradução, porque não leio em inglês pra comparar com os originais, mas pelo que se comenta sobre a obra, Twain utilizou pelo menos 7 dialetos diferentes falados na região à época. Grande chance de isso ter se perdido na adaptação pro português.
Lembrando que Twain retomou ainda mais algumas vezes os personagens em outros romances. Recomendo muito esse livro!
comentários(0)comente



Bruna 02/02/2018

quase não consigo terminar!!!!
Achei muito enfadonho, quase desisti dele... uma centenas de vezes...
Coisas tão simples o garoto complicava ao extremo... ai juntando com o Tom então, nem se fale.
Por mim o livro teria apenas umas 100 páginas... se tanto!
2 estrelas e meia...
comentários(0)comente



Anízia 21/02/2018

Livro marcante
Foi assim que tomei gosto por aventuras. Mark Twain com seus livros e... Um novo Eu surgindo aí"
comentários(0)comente



Nat 25/02/2016

Huck Finn é só um garoto, mas já passou por muita coisa em sua vida curta. Seu pai, um alcoólatra inveterado, não o deixava em paz. Depois de ganhar notoriedade ao se aliar a Tom Sawyer, ele é adotado pela viúva Douglas, que vai tentar civilizá-lo junto com Miss Watson. Mas Finn é um espírito livro e não aceita as regras da viúva. Mas o pai aparece e o leva de volta. Ele queria fugir, mas lembra que a alternativa seria voltar a viver com a viúva, o que Finn não quer. Então ele forja a própria morte e escapa. Subindo o rio Mississipi numa jangada em busca de liberdade, ele atraca em uma ilha e encontra Jim, escravo de Miss Watson, e quase o mata do coração, já que era tido como morto. Ele convence o escravo, que também está fugindo, de que não é um fantasma e assim, os dois se unem, acabam se tornando amigos e vivem situações tanto engraçadas quanto perigosas.

Livrinho surpreendente. Gostei não só porque é um clássico da literatura norte-americana, mas porque o livro é baseado nas lembranças da infância do autor, Mark Twain, e eu adoro livros desse tipo. A surpresa foi descobrir que o livro é continuação de As aventuras de Tom Sawyer, que eu ainda não li. Uma coisa que eu achei legal é o quanto Finn se julga por estar ajudando um escravo fugido. Menino branco que nasceu e cresceu pensando que todo negro tem dono, ele acha que queimará no inferno por ajudar Jim a fugir. Esse debate de consciência é o ponto alto do livro, na minha opinião, ainda mais porque se trata da consciência de um garoto. Vale muito a pena.

site: http://ofantasticomundodaleitura.blogspot.com.br/2016/02/as-aventuras-de-huckleberry-finn-mark.html
comentários(0)comente



Letra Capitular 25/07/2017

As aventuras de Huckleberry Finn– Uma visita aos Estados Unidos “pré-Guerra civil” as margens do Rio Mississipi.
Dissemos que não tinha casa melhor que uma jangada. Outros lugares parecem apertados e sufocantes, mas não uma jangada. A gente se sente realmente livre, à vontade e confortável numa jangada.

Samuel Langhorne Clemen nasceu em uma pequena vila no Missouri, localizada nas margens do rio Mississipi em 1835, cresceu no meio de navios, marinheiros, missionários, e aventureiros de toda a espécie. Quando adulto virou timoneiro de barco a vapor e com isso conseguiu colecionar muitas histórias do “Grande Mississipi”. Tornou-se famoso, contudo, através do pseudônimo Mark Twain[1] que utilizou em sua carreira como jornalista e escritor. Possui uma vasta e extensa bibliografia e se tornou um dos mais renomados escritores norte-americanos, suas histórias evocam um ‘Estados Unidos interiorano’, de pessoas simples e de vidas comuns, também se utilizava de um vocabulário regional, enfatizando as “várias falas” dos distintos grupos que dividam o território sulista.

As memórias de sua infância e juventude no Missouri estão de certa forma presentes nos dois grandes livros que o alçaram ao posto de pai da “literatura autenticamente americana[2]”: As aventuras de Tom Sawyer (1876) e As aventuras de Huckleberry Finn (1884). Ambas as histórias tem como protagonistas crianças que são consideradas “desajustadas”, ou seja, tem enorme dificuldade em obedecer aos adultos, não gostam de frequentar a escola e a igreja, e estão sempre envolvidos nas confusões locais. Contudo, demonstravam uma enorme criatividade e um saber “não formal” que os auxilia em suas empreitadas cotidianas, se utilizando de recursos “politicamente incorretos” como a mentira, para enganar as outras crianças e se dar bem. Em um dos trechos mais famosos do primeiro livro, Tom Sawyer utiliza sua “lábia” para se livrar da sua tarefa doméstica (pintar uma cerca da casa de sua tia Polly) e trocar de lugar com alguns garotos que o importunavam, além de receber em troca por isso “doze bolas de gude, um pedaço de vidro azul, uma coleira de cachorro, seis bombinhas, uma chave que não destrancava nada, um soldado de chumbo faltando a cabeça… e a cerca tinha três camadas de cal”.

‘As aventuras de Huckleberry Finn’ é de certa forma uma continuação da história anterior, ainda que possa ser lido separadamente. A história começa exatamente após o final dos acontecimentos de ‘As aventuras de Tom Sawyer’, contudo os protagonistas são trocados, Huck Finn que até então teve um papel secundário na narrativa, sendo apenas um garoto companheiro de aventuras passa a ir morar com uma boa família que o adota (o pai estava desaparecido). Seu pai que é um alcoólatra violento e o havia abandonado retorna, recupera a sua custódia e o leva para morar consigo em uma ilha. Huck Finn foge, mas ao mesmo tempo em que não queria a companhia paterna também não pretendia voltar para a vida “domesticada” e “civilizada”, queria a liberdade de andar pelo mato sem preocupações, de pescar e caçar à tarde, de navegar usando uma balsa e procurar tesouros de pirata com seus companheiros.

É nesse momento que começa a aventura que seria classificada como o “grande romance norte-americano[3]”: Huck Finn monta uma jangada e decide descer o rio Missispi fugindo de St. Louis, sem destino previamente definido. Ao embarcar encontra ‘Jim’ um escravo doméstico que estava fugindo, pois sua senhora planejava o vender para as plantações de algodão em Nova Orleans. Imerso na cultura sulista Huck tem muita resistência em ajuda-lo, pois não queria ser visto como um “abolicionista safado”, mas aos poucos a convivência vai tornando os dois verdadeiros amigos e o garoto passa a lutar pela liberdade de Jim o ajudando na empreitada de escapar para um estado livre.

Durante a jornada os dois colecionam inúmeras situações inesperadas, e o instinto de sobrevivência de Huck os salvam praticamente todas às vezes. Na trajetória pelo sul dos Estados Unidos passam pelo Missouri, Kentucky, Arkansas e Tennessee. Em todas as cidades que aportavam encontravam situações típicas que retratavam a cultura local e que acabam se envolvendo indiretamente como: superstições sobre espíritos do além, amores proibidos, grupos de bandidos salteadores aterrorizando vilas, disputas de famílias rivais resolvidas com duelos de armas, linchamentos públicos de pequenos criminosos (era muito comum punir os ladrões jogando piche e penas em cima deles), e vigaristas aplicando golpes se aproveitando da ingenuidade da população.

Vários temas são abordados nessa jornada: o dilema moral de ser contra uma norma instituída que era a escravidão, por exemplo, está presente a todo instante na mente de Huck, ele fica com muito receio de ajudar um escravo a fugir (tem medo até de ser condenado por Deus), somente quando percebe a humanidade em Jim (conhece sua história pessoal, seus medos, sonhos e ambições) é que este conflito interno é vencido e ele opta por lutar pela liberdade do amigo o auxiliando na fuga. A lealdade também é abordada, pois, aparecem inúmeras oportunidades para Huck denunciar a fuga de Jim, mas ele não consegue trair a confiança de seu amigo. A crueldade da justiça dos adultos também assusta nosso protagonista, apesar de condenar a ação dos vigaristas que enganavam a todos na cidade, ele fica muito assustado ao ver uma cena em que uma multidão corre para praticar um linchamento: “Bem, fiquei doente de ver aquilo; e tive muita pena dos dois vigaristas desgraçados, e parecia que nunca mais neste mundo eu ia conseguir sentir raiva deles. Os seres humanos podem ser terrivelmente cruéis uns com os outros”. Uma crítica ao saber formal e institucional, pois, no inicio da história Huck demonstra claramente uma enorme dificuldade de se adaptar ao ambiente educacional, é uma criança que não é adepta dos livros (ao contrário de Tom Sawyer que gosta muito de romances de piratas), e ele mesmo se considera alguém com pouca inteligência, contudo ao longo da trajetória, sua criatividade e seu saber “não formal” são responsáveis por lhe salvar a vida inúmeras vezes, esse tipo de inteligência que não é valorizada na escola acaba sendo de enorme utilidade ao longo da aventura.

Mark Twain em “As aventuras de Huckleberry Finn” realiza um profundo relato da vida cotidiana dos estados do sul, nessa jornada em busca de liberdade o protagonista passa por diversas experiências que o transformam profundamente. O solitário convívio com um escravo fugitivo transforma sua percepção de realidade, e a amizade sincera e leal que ambos estabelecem serve de motivação para ele questionar as raízes institucionais e culturais da escravidão.

site: https://letracapitularblog.wordpress.com/2017/05/31/as-aventuras-de-huckleberry-finn-uma-visita-aos-estados-unidos-pre-guerra-civil-as-margens-do-rio-mississipi/
comentários(0)comente



naniedias 24/05/2012

As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain
Huckleberry Finn é apenas um garoto, mas um garoto que já passou por muitas dificuldades na vida - já que o pai beberrão não o deixava em paz. Depois de se aliar a Tom Sawyer e conseguir participar de uma grande aventura, fazendo com que as pessoas da cidade o notassem, ele é adotado pela viúva Douglas que, junto com Miss Watson, tenta civilizá-lo. Mas Huck é um espírito livre, que não consegue se adequar à vida civilizada que a boa senhora tenta lhe impor.
Entretanto, o menino estava se esforçando - justiça seja feita. Até que seu detestável pai, o bêbado incurável, aparece e toma Huck de volta para si - levando-o a viver em cativeiro em uma cabana abandonada. O menino não gostava da vida com a viúva Douglas, mas gosta ainda menos de viver com seu pai. Ele pensa que poderia escapar, mas então teria que viver novamente com a senhora na cidade. Assim, lembrando das inventividades do amigo Tom Sawyer, Huck Finn forja a própria morte e escapa.
Logo após, encontra o escravo de Miss Watson, Jim, e com ele vai viver uma grande aventura.

O que eu achei do livro:
Uma das primeiras coisas que fiz ao terminar a leitura desse livro foi procurar uma versão do original, em inglês, para poder dar uma folheada (até porque sendo um livro cujo copyright já está expirado, seria fácil achar uma versão em sua língua mãe - que não possui copyright de tradução - para download). Acabou que encontrei algo ainda mais interessante (além do ebook do livro que baixei no meu tablet pelo Kobo, gratuito): um site do projeto Gutenberg (o mesmo responsável pelo ebook que baixei para o tablet - clique aqui para acessar a página do projeto e saber mais sobre os ebooks gratuitos oferecidos - http://www.gutenberg.org/). O projeto digitaliza livros e os distribui de forma gratuita, a maioria são livros cujo copyright já expirou (clique aqui para ler um pouco mais sobre esse assunto - http://www.naniesworld.com/2010/06/livros-direitos-autorais-e-patrimonio.html). E por que eu acho que encontrar uma página do livro dentro desse projeto foi mais interessante?! Porque eles têm a versão em ebook - toda bonitinha, baseada na primeira versão americana do livro, de 1885*. E vai além disso: eles não apenas têm o ebook baseado na primeira versão do livro, como tem uma página com scans da primeira edição (clique aqui para acessar - http://www.gutenberg.org/files/76/old/orig76-h/main.htm) - incluindo as páginas de aberturas de capítulos, as ilustrações originais dessa primeira edição e as primeiras páginas do livro.
A versão que li em português é da editora Martin Claret e infelizmente não traz essas belíssimas ilustrações de Edward W. Kemble (esse é Huck Finn na visão do ilustrador - http://www.gutenberg.org/files/76/old/orig76-h/images/frontispiece.jpg).
Logo no início do livro, o leitor se depara com um aviso de Mark Twain (disponível tanto na versão original quanto na tradução brasileira):
"Se alguém tentar encontrar um tema nesta narrativa, será processado; se tentar encontrar uma moral, será banido; se tentar encontrar um enredo, será fuzilado.
Por ordem do autor"
Portanto, não serei eu a maluca a tentar fazer qualquer destas coisas... mas, arriscando-me bastante, compartilharei a minha opinião.
Eu já falei em outras resenhas o quanto gosto da editora Martin Claret, mas dessa vez eu não fiquei satisfeita com a edição da editora. O livro data de 2005, portanto é anterior a essa nova fase pela qual a editora vem passando - e que fez muito bem aos livros por ela editados, que ficaram muito melhores. Portanto, espero que Huckleberry Finn receba uma nova tradução, porque o livro merece.
Conferindo a edição americana, foi possível perceber que a linguagem original do livro não é tão enfadonha quanto ficou na tradução de Alex Marins. Além disso, também se perdeu nessa tradução a diferença de fala entre Huck, Jim e o pessoal da cidade - diferença que ficou suavizada demais na versão nacional. A versão brasileira também deixa bastante a desejar no quesito revisão! Não sou perita no assunto, mas a versão original tem uma leitura muito mais agradável. Além disso, é notável o quanto a tradução se distanciou do que foi escrito pelo autor. Sempre que uma tradução é feita, alguma adaptação ocorre, pois a tradução exata é algo impossível de se conquistar. Assim sendo, uma tradução é sempre uma adaptação. Mas dessa vez, a tradução ficou bem longe do texto original, o que é uma pena. Li As Aventuras de Huckleberry Finn, mas o mesmo tempo sinto que não conheço a obra. Conheço os personagens, o enredo, mas não a escrita de Mark Twain.
Outra coisa que me chamou atenção foram os títulos dos capítulos do livro. O capítulo um, por exemplo, é chamado "Civilizando Huck - Moisés e o seu povo - Miss Watson - Tom Sawyer espera" - assim mesmo, como se fossem vários títulos de uma vez. Na edição original, tais títulos só aparecem no índice - talvez como uma forma de auxiliar o leitor a encontrar o ponto em que parou a leitura. Entretanto, esses nomes não aparecem nos capítulos, que são chamados apenas de "Capítulo 1", "Capítulo 2" e assim por diante. Acho que seria bem mais interessante se a edição brasileira também seguisse esse padrão.
"As Aventuras de Huckleberry Finn" são, de certa forma, uma continuação a "As Aventuras de Tom Sawyer". Tom Sawyer eu já havia lido há algum tempo, mas gostaria de ter feito a releitura antes de embarcar nessa outra aventura. Não faz falta alguma - existem apenas algumas poucas menções aos acontecimentos anteriores e o leitor que nunca leu As Aventuras de Tom Sawyer conseguirá acompanhar esse livro sem problema, mas ainda assim acho que a experiência fica muito mais interessante se a história de Tom Sawyer estiver fresca na cabeça do leitor.
Mark Twain tem uma escrita simples e gostosa, embora na edição em português o texto tenha ficado um pouco arrastado, de forma que a leitura continua prazeirosa, mas não dinâmica. Os personagens criados por Twain são encantadores e muito divertidos! Acho que nunca ri tanto quanto com Tom Sawyer e suas genialidades (que ele retira dos livros que lê, com uma lógica que apenas ele consegue enxergar), Huck Finn e sua ingenuidade, Jim e suas superstições, o Rei e o Duque com suas malandragens (esses dois últimos personagens aparecem em meados do livro). Ler esse livro é garantia de boas risadas com personagens tão encantadores e absolutamente divertidos.
As críticas sociais feitas por Mark Twain ficam um pouco embaçadas hoje em dia - para quem não conhece a estrutura social do sul dos Estados Unidos no final do século XIX. Como leitora, eu fiquei triste de não poder compreender melhor essa parte do livro. No final das contas, para mim, Huck Finn foi uma excelente diversão e rendeu boas risadas e, mesmo não conseguindo enxergar a completude das críticas de Twain, foi possível ver a relação entre brancos e negros que é retratada no livro.
Agora, um ponto positivo para a edição brasileira: o livro traz uma introdução à obra e uma biografia do autor (o que ajuda muito a compreender um pouco mais de Mark Twain e de sua obra). Além disso, o livro ainda traz um conto que foi o primeiro grande sucesso de Mark Twain como escritor, responsável por toná-lo conhecido nos Estados Unidos: A Célebre Rã Saltadora do Condado de Calaveras. Originalmente publicado em 1865 como Jim Smiley and His Jumping Frog (em tradução livre, Jim Smiley e seu sapo saltador), o conto foi rebatizado para The Notorius Jumping Frog of Calaveras County (título atual do conto). Confesso que desse texto eu não gostei muito, mas adorei o fato dele estar na edição brasileira - para que nós, leitores, pudéssemos conhecer o texto que deu fama a Mark Twain.
No final das contas, As Aventuras de Huckleberry Finn merecem uma nova edição da Martin Claret - com uma tradução mais esmerada. Espero no futuro poder conferir essa nova edição, pois como já mencionado, creio que não conheci como deveria a escrita desse afamado escritor. De qualquer forma, esse livro é garantia de diversão e boas risadas.

PS: No verso da edição da Martin Claret, está escrito que As Aventuras de Huckleberry Finn datam de 1844, mas essa data não procede, sendo a data correta 1884. Sabendo que Twain nasceu em 1835 seria mesmo um garoto prodígio se tivesse publicado um livro da complexidade de Huckleberry Finn aos nove anos de idade. Esse é mais um dos graves erros cometidos nessa edição.

PS2: RESUMINDO:
As Aventuras de Huckleberry Finn é uma leitura muito gostosa, garantia de boas risadas. Entretanto, pode ser um pouco arrastada e enfadonha, principalmente para crianças (e para quem não está acostumado a ler clássicos). A edição da Martin Claret, infelizmente, deixou a desejar.

* Mark Twain foi um grande escritor americano. Mas, curiosamente, As Aventuras de Huckleberry Finn, um de seus mais famosos livros, foi publicado primeiramente na Inglaterra - em Dezembro de 1884. Apenas três meses mais tarde, em Fevereiro de 1885, o livro foi publicado nos Estados Unidos. Por que isso aconteceu?! Segundo o site Today in Literature (clique aqui para acessar - http://www.todayinliterature.com/stories.wk.asp?Event_Date=2/18/1885), que conta uma breve biografia de Twain, o livro deveria ter sido publicado no outono nos Estados Unidos, pouco antes do Natal e ainda antes de ser publicado na Inglaterra. Entretanto, a primeira versão do livro era ilustrada e alguém (o culpado nunca foi descoberto) adulterou uma das imagens. Assim, na primeira versão do livro, de 1884, uma das imagens tinha um pênis desenhado (escondido na figura). Nessa altura, vários livros já tinham sido impressos. Houve um recall das versões com essa imagem e, assim, a versão americana só conseguiu sair (já consertada) em Fevereiro de 1885.
Essa versão com a imagem adulterada é hoje considerada um item de colecionador.

Nota: 8
Dificuldade de Leitura: 7


Leia mais resenhas em www.naniesworld.com
comentários(0)comente



Pio 25/02/2009

Descaso com Mark Twain
O autor é fantástico, mas, esta tradução na verdade não transmite toda a criatividade das aventuras de Mark Twain. Uma Editora como a Martin Claret deveria tomar alguns cuidados na escolha dos tradutores.
comentários(0)comente



Daniel 16/10/2010

Encantador
O livro nos transporta para o interior americano do século XIX com uma linguagem coloquial, leve mas nem por isso menos inventiva. Já havia lido antes "As aventuras de Tom Swayer" e achei as aventuras de Huck ainda melhores, explorando melhor a personalidade deste garoto tornando-o bastante carismático a nossos olhos. Recomendo
comentários(0)comente



Aline Teodosio 05/01/2019

Huckleberry Finn é um menino branco, de mais ou menos 13 anos, arteiro, peralta e levado, mas com um grande coração. Huck tem um pai que torna a sua vida insuportável e, para livrar-se disso, ele parte em busca de grandes aventuras Mississipi afora, junto com Jim, um escravo fugido.

A história se passa nos EUA, século XIX, numa época escravocrata em que os negros eram tratados como animais. Muitos consideram essa obra de cunho racista por alguns termos nela empregados, eu, no entanto, achei ousada para o momento em que foi escrita. Quem poderia imaginar uma amizade sincera entre um menino branco e um escravo fugido? É uma verdadeira quebra de paradigmas.

Por isso, não pense que se trata de uma obra superficial e infantilizada, apesar de voltada para o público infanto-juvenil. Antes, é um livro que suscita reflexões sobre como se era tratado a questão do negro no século XIX. Huck, em vários momentos, entra em conflito consigo mesmo e questiona-se sobre tudo o que aprendeu na escola e na vida com os brancos. E ir contra tudo o que aprendeu era ir direto para o inferno. Ser bom ou ser mau? Ser justo ou injusto? Ser certo ou errado? O "certo" seria mesmo certo? A verdade dos brancos seria mesmo a verdade universal? A cabeça do garoto ferve e são desses conflitos que nascerá um novo Huck.

Temos aqui um romance de formação, que põe em cheque a superioridade do branco. Nos mostra que o preconceito é burro, o racismo é burro e viver em igualdade, empatia e respeito pode fazer a vida ser mais bonita, mais rica e mais agradável.

Fecho essa resenha com um lembrete: só existe uma raça, a raça humana. Respeitemo-nos e convivamos em harmonia apesar das diferenças.


P.S.: Ver Tom Sawyer de volta nessa obra foi a cereja do bolo.
Rafa 28/02/2019minha estante
Bela resenha Aline, rastreou tudo de bom no livro. Acabei de ler a obra e tive pensamento semelhante. Não gostei muito de como as coisas se solucionavam, mas essa reflexão racial à época por um "menino" é muito interessante. No mais, a estória em si me deixou a desejar um pouco.




Fabiano 29/11/2018

Mas que uma aventura um relato da sociedade da época
Nesse livro, Mark Twain narra as estripulias do menino Huck Finn, mas ler esse clássico publicado em 1884 agora, 134 anos depois, é mais do que simplesmente olhar as aventuras de um garoto, é preciso entender a complexidade da sociedade da época, ver ali questões como racismo, escravidão, violência, crimes e golpes e como as pessoas viviam nas margens do que hoje a gente considera o certo.
comentários(0)comente



Leonardo 08/12/2012

Considerado por muitos como uma das obras primas da literatura americana, Hemingway afirmava: “Toda a literatura americana moderna se origina de um livro escrito por Mark Twain, chamado Huckleberry Finn (...). Não havia nada antes. Não houve nada tão bom desde então”.

As Aventuras de Huckleberry Finn, segundo o próprio Twain, são uma espécie de continuação das Aventuras de Tom Sawyer, obra emblemática do autor, talvez a mais conhecida nos dias de hoje.

E de fato o livro se inicia pouco depois dessas aventuras, altura em que Huck Finn vive adotado por uma senhora que insiste em lhe ensinar boas maneiras assim como a frequentar a escola.

Depressa Huck se aborrece e um pouco até contragosto se vê morando com o pai, um homem violento, que passa a vida bêbado.

Farto de ser surrado e ameaçado de morte, Huckleberry Finn simula o seu assassinato, empreendendo assim uma viagem Mississípi a fora, iniciando um rol de aventuras que nos vão lançar na América dos finais do séc. XIX.

E a América que Twain retrata, é um país que vive ainda sob os efeitos da Guerra Civil, um povo ignorante, a maioria analfabeto, um pouco como vemos em filmes de faroeste.

Outra característica desta obra e talvez aquela que mais salta à vista, é o racismo que nos envolve página a página.

Na pele do escravo Jim, Mark Twain, que é tido como abolicionista, explana toda uma mentalidade imperialista que se começava a enraizar na sociedade americana. É chocante perceber que a diferença entre um animal e um negro era nula.

Sei que Twain elaborou esta obra precisamente para demonstrar o racismo que existia. A linguagem utilizada choca pela sua frieza das expressões que eram utilizadas de uma forma natural, e a certa altura Huck Finn conta a alguém que num barco explodiu alguns barris. A outra pessoa questiona se alguém ficou ferido ao que Huck responde: “Não! Apenas morreu um preto!” e a outra pessoa diz: “Ah, que sorte!”.

Este é um livro para adultos. Não entendo porque continua associado a literatura juvenil quando até as próprias aventuras demonstram a mentira, morte, desonestidade, racismo, ganância, deslealdade e violência.

Sendo mais um manual das várias facetas da sua sociedade, “As Aventuras de Huckleberry Finn” merecem ocupar um lugar de destaque na literatura mundial e, quanto a mim, é uma leitura indispensável para entender a mentalidade imperialista norte-americana.
Cyntia Bandeira 23/04/2015minha estante
Se você analisar certas falas da Emilia, de Monteiro Lobato, verá que são bem filosóficas, até contundentes. Tá mais pra adulto que crianças. Mas li na infância e adorei.
Tom Sawyer eu li e achei bacaninha, não é tão adulto.




44 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3