1889

1889 Laurentino Gomes




Resenhas - 1889


88 encontrados | exibindo 61 a 76
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6


Sally 16/02/2014

Revolução armada...
Lauretino Gomes é autor dos livros 1808, 1822 e agora 1889. O autor na introdução comenta a falta de prestígio no calendário cívico brasileiro do episódio recente chamado Proclamação da República. Seus personagens são menos conhecidos que Tiradentes, Pedro Álvares Cabral e outros. Não justificando, mas apenas comentando, relata que o evento não resultou de uma campanha com participação popular, e sim foi um golpe militar com escassa e tardia participação das lideranças civis. O sangue que não foi derramado na derrubada da monarquia, verteu nos 10 anos seguintes (02 guerras civis, Revolda da Armada, Revolução Federalista, Canudos totalizando +ou- 35 mil vítimas). Aconteceu mais por esgotamento da monarquia do que do vigor dos ideais e da campanha republicana, com fortalecimento da Lei Áurea que deu combustível e o descontentamento nos quartéis desde o final da Guerra do Paraguai.
A improvisada cerimônia de Proclamação da República aconteceu sob a Marselhesa, o hino nacional da França e hasteou-se uma bandeira cujo desenho imitava os traços do estandarte dos EUA, substituindo apenas as cores azul e branco das faixas horizontais pelas cores verde e amarelo. A palavra república não era mencionada na noite daquele dia (15/11), nem mesmo no manifesto que o governo provisório divulgou assinado por Deodoro anunciando a deposição da família real e o fim da Monarquia. A consulta popular prometida por Benjamin Constant aconteceria apenas em abril de 1993, ou seja, 103 anos após 15 de novembro de 1889 em um plebiscito nacional. Venceu a República.
O capítulo 03 começa com o autor fazendo um resumo sobre a situação educacional brasileira no ano da Proclamação da República (de cada 100 brasileiros, somente quinze sabiam ler...). A agricultura respondia por 70% das relações comerciais e oito entre dez brasileiros moravam na zona rural. O autor relata, além desses dados, situações da Guerra do Paraguai e seus efeitos colaterais, as transformações urbanísticas das grandes capitais, Mauá - dos investimentos até a falência -, o café e a migração do Nordeste para o Sudeste, tal qual a importação de estrangeiros para trabalhar no lugar dos escravos. As rebeliões do Primeiro Reinado e da Regência são em sua grande maioria citadas, até findar com a frase "Quero já!" de D. Pedro II, episódio conhecido como o Golpe da Maioridade.
No capítulo "Miragem", a nobreza exótica e tropical, diferente da nobreza europeia, onde os títulos de nobreza eram hereditários. A farta distribuição de títulos e cargos como barganha nas relações de poder. Tudo tão atual. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Habsburgo e Bragança, mais conhecido como dom Pedro II, governou o Brasil por 49 anos, começando como um adolescente e deposto em 1889 a duas semanas de completar 64 anos. A criação e educação de D. Pedro II e seus amores extraconjugais, bem mais discretos que os do seu pai. As viagens, as manias, os protocolos, o cotidiano do Imperador Pedro de Alcântara, como gostava de ser chamado. Sobre o Século das Luzes, muito interessante os relatos do contato de D. Pedro II e Graham Bell na Filadélfia. Sobre o mecanismo que reproduz a voz humana, D. Pedro II "Meu Deus, isso Fala! Eu escuto! Eu escuto!"; e D. Pedro II com Victor Hugo, autor de Os miseráveis. Insistência do Imperador.
Capítulos sobre os republicamos, sobre a mocidade militar e o positivismo. Fundação da primeira agremiação positivista brasileira no RJ em 1876 e a divisão em 1890 em duas vertentes. A primeira, religiosa e a segunda ideológica e política. Permaneceu a segunda." Sobre o Marechal Deodoro da Fonseca, o fundador da República e sua frase antes do 15 de novembro: "República no Brasil é coisa impossível, porque será uma verdadeira desgraça. Os brasileiros estão e estarão muito mal educados para republicanos. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela". Pense se o cidadão queria o ato!
Capítulo sobre Benjamin Constant, professor de matemática e tenente-coronel. Benjamin não foi um personagem secundário na queda do Império. Sua carreira foi marcada por episódios polêmicos.
Capítulo sobre os abolicionistas e sobre as leis bizarras em relação à escravidão, tipo Eusébio de Queiroz, Ventre Livre chegando na Lei Áurea. Sobre a vida de Nabuco, José do Patrocínio, André Rebouças, Luís Gama... Sobre movimentos abolicionistas urbanos contra a permanência da escravidão rural. Sobre o Ceará e Amazonas, províncias que aboliram a escravidão no Brasil, Caifazes, Quilombo do Jabaquara e outros temas (inclusive um texto que você percebe na prova para professores retirados do livro do jornalista/autor; nada contra, mas nunca pensei...). Finalizando: "A Lei Áurea abolia a escravidão, mas não o seu legado" Emília Viotti da Costa.
Capítulo sobre Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafael Gonzaga, resumindo, Princesa Isabel. Acusada de católica fervorosa e submissa ao marido Conde d´Eu (estrangeiro) seus problemas com os republicanos e maçônicos começaram na Questão Religiosa entre 1872 e 1875. Ao anistiar os bispos envolvidos, Isabel fomentou ataques à monarquia que durariam até à assinatura da Lei Áurea. "Então senhora, seus destino é o convento" disse Silveira Martins à princesa que morreu no exílio, em 1921.
Sobre D. Pedro II e seu estado de saúde antes da Proclamação da República. baile na Ilha Fiscal em 09 de novembro de 1889. Atitudes do Imperador e do Marechal Deodoro diante do golpe armado, deslocado das ruas, sem qualquer participação popular, que chamamos hoje de Proclamação da República. Indico.
comentários(0)comente



martins 05/02/2014

Importante
Importante leitura.
comentários(0)comente



jotaefeoliveira 03/02/2014

Bem detalhada a história do Brasil império/república
Muito bem escrito o livro de Laurentino Gomes, sua visão jornalística faz do livro uma ótima leitura e fez eu aprender mais sobre este período de império para república e os primeiros anos da república (militar e início da civil).
comentários(0)comente



Paulo Silas 31/01/2014

Elucidativo e esclarecedor!

Narrando a história dos fatos que precederam e sucederam a Proclamação da República no Brasil, o autor, em tom jornalístico (daí a contribuição para a maior empolgação com a leitura), expõe com clareza e proficiência os eventos e questões que levaram à queda do Império e as consequências de tal ocorrência.

Fatores políticos, questões sociais, discussões polêmicas e conflitos internos e externos ocorridos nas últimas décadas do século XIX, são esmiuçados pelo autor nesta excelente obra. Em que pese a escrita é jornalística, a perspectiva passada na obra é histórica.

Dom Pedro II, Princesa Isabel, Rui Barbosa, Marechal Deodoro, Marechal Floriano, Prudente de Morais e diversas outras figuras históricas notórias no Brasil têm o seu perfil apresentado no livro, além do relato de como as suas vidas e atitudes contribuíram para a instauração da República no Brasil.

Excelente! Recomendo!
Silvio 07/08/2014minha estante
De pleno acordo! Recomendadíssimo...




Guarilha 24/01/2014

Em 1808, chega ao Brasil a família imperial portuguesa, fugindo da guerra de Napoleão. D. João VI, o Príncipe Regente, promove seu primeiro ato em solo brasileiro: a abertura dos portos às nações amigas (leia-se Inglaterra, país que os ajudou na fuga). É o início do progresso da colônia, que teve sua vida estagnada por longos trezentos anos graças às inúmeras proibições da Coroa Portuguesa.

Em 1822, o destemido, autoritário e mulherengo D. Pedro I (filho de D. João VI) proclama a independência do Brasil, livrando-o do julgo português. Mas não será fácil mantê-la. A custo de muito sangue e de muito dinheiro, dando início ao endividamento brasileiro, a nossa “autonomia” será garantida.

Em 1889, depois de 49 anos de reinado, D. Pedro II (filho de D. Pedro I) é escorraçado do Brasil junto com sua família, por um grupo de golpistas militares. É o começo da República.

Nessa trilogia, nascida de sérias e intensas pesquisas, Laurentino Gomes conta a História do Brasil desde a chegada de D. João VI às terras tupiniquins até os primeiros anos da república. Com linguagem fácil e atraente e ricamente ilustrados, os três livros prendem a atenção do leitor por contar a História de uma forma inteligente e dinâmica, fazendo-nos compreender o “por que”, ao contrário dos livros didáticos, que insistem na “decoreba” de datas.
comentários(0)comente



Gilmar 22/01/2014

Talvez seja o final da Trilogia, mas é porta de entrada para o Brasil contemporâneo.
A porta indicava 1808, ao abri-la nos deparamos com um corredor comprido, onde, em seu fim dava para visualizar uma pequena porta, que começava a ficar maior no decorrer dos capítulos. Essa porta indicava uma placa com o ano: 1822. Adentrando, outro corredor, porém com uma nova cor, textura e aspecto, ele era menor em comprimento, porém sua largura o transformava num cômodo. À direita desse ambiente, ficava uma porta meio tímida, ao que parece colocada ali para não chamar tanto a atenção, em seu centro eram indicados os números: 1889. Ao girar a maçaneta, um quarto iluminado se estendeu. Suas dimensões, ricas em detalhes e quadros, com influências francesas e americanas, aliada a uma decoração que lembrava um gabinete presidencial, com alguns aspectos militares sendo que do lado esquerdo, entre uma estante cheia de livros, empoeirava, esquecida no chão, uma coroa real.
A saga de Laurentino Gomes não poderia ter outro fim. Na obra 1889, a consolidação da republica federativa no Brasil é apresentada em todos os seus lados, tópicos, visões, qualidades e defeitos.
Nesse livro se consegue ter a noção do Brasil atual, em toda sua dimensão, seja ela regional, social, governamental e até histórica. A frase dita por Maquiavel "os fins justificam os meios" ilustra tal situação brasileira.
A historia muitas vezes supérflua por geralmente, ser alicerçada com anedotas, ilusões, criticas e maldizeres, tem essa perspectiva destruída diante da leitura bem estruturada, em notas e bibliografias fundamentadas, desse estudo nacional.
A linguagem textual jornalística é mantida, se tornando levemente romanceada em referencia a alguns parágrafos separados com falas e conversação, entretanto, isso até mesmo pode ser considerado um ponto forte. Algo que pode gerar confusão no leitor é a base do gênero histórico, com muitas datas e momentos que não seguem uma cronologia rigorosa, contudo, justamente para dar sentido na trama. Tal confusão pode ser sentida, possivelmente, por leitores novatos ou não familiarizados com a temática. Vale salientar que tal característica é observada nos 3 livros que compõe a série.
Um ponto forte da trama é justamente sua história. A temática 1889, incorporando governos, sociedade e militares e toda totalidade de artigos fazem do livro uma entrada para um setor importante e pouco conhecido e explorado, marcado pela falta de luz, logo, gerando muita escuridão e sombras históricas que dificultam o entender desse período importante e pouco compreendido pelo povo brasileiro.
Algo que deve ser destacado são os trechos de outros livros, alguns deles considerados literatura mundial, como é o caso de Crime e Castigo de Fiodor Dostoievski e Esaú e Jacó de Machado de Assis. Obras primas das quais complementam o entender da fase republicana.
Sua narrativa, rica em elementos a cada 24 capítulos, tem associado à escrita, as imagens de pinturas e fotografias expostas em importantes museus e academias.
Por fim, essa residência de saber, após ler a capa de 1808 até a página 415 de 1889, se faz iluminada e repleta de lembranças. O entender toma conta de cada canto, desde Portugal, passando pelos Brasis de Dom João VI, a rebeldia e excentricidade de Dom Pedro I, ao abandono e intelectualidade de Pedro II, a deposição da monarquia tão sem precedentes quanto à proclamação da Republica, findando-se no coronelismo e dentre esses muitos momentos a corrupção, o derramamento de sangue, a impunidade, a escravidão e a abolição, o totalitarismo, as revoltas, as manifestações, os homens e os fatos marcam a imagem e a cara do país improvável, feito por “Uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta que enganaram Napoleão”, “Um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro que ajudaram D. Pedro a criar esse país que tinha tudo para dar errado” e “Um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da monarquia”.
Do Oiapoque ao Chuí, quem fez o Brasil são seus vários componentes históricos e é conhecendo-o que podemos ser reais amantes da pátria, brasileiros vigorosos e com real orgulho nacional, não perdendo tempo em criticas destrutivas, mas sim focalizando sua mudança, pensando e contribuindo para seu futuro.

Gilmar Leal.
comentários(0)comente



Carla 11/01/2014

Um livro para os amantes de história e para os que querem aprender a amá-la
Chegamos ao fim da trilogia. Depois de ler 1808, 1822 e, finalmente, 1889, fica difícil apontar qual é o melhor volume, porém, é extremamente fácil se descobrir completamente apaixonada por história.
Vou lhes contar o motivo pelo qual os livros do Laurentino Gomes me arrebataram de tal forma. Primeiramente, porque falam sobre história do Brasil e eu sou uma maníaca por história, sempre gostei, desde que me conheço por gente. Sempre achei que um povo que não sabe donde veio, não pode saber para onde vai, como o próprio autor aponta no início do livro ("Uma sociedade que não estuda história não consegue entender a si própria porque desconhece suas raízes e as razões que as trouxeram até aqui"). Em segundo lugar, porque o Laurentino conseguiu nos contar a nossa história de maneira simples, com uma linguagem leve e descontraída, porém, sempre apontando as fontes onde tirou suas informações. Além disso, amei os livros porque eles nos trazem à tona pessoas reais, e não somente personagens heroicos cheios de virtudes e sem quaisquer defeitos. O autor conseguiu demonstrar que, como qualquer um de nós, os personagens que marcaram a história do Brasil são homens e mulheres de carne e osso e, portanto, passíveis de cometer erros gravíssimos e irremediáveis, e não só atos de bravura e coragem.
Enfim, como já disse no título, eu recomendo a leitura dessa trilogia não só àqueles que, como eu, são loucos por história, mas também a qualquer pessoa curiosa que queria saber um pouco mais dos "porquês" de estarmos aqui hoje, com a atual situação política e econômica do país. Boa leitura!!
Silvio 07/08/2014minha estante
De pleno acordo, minha cara!




zoreio 26/12/2013

Um ciclo que se fecha!
Sem dúvida é o capítulo menos empolgante da trilogia. No entanto, a narrativa de Laurentino atinge uma maturidade sem igual. Acredito que isso se dê pelo fato do autor ser um entusiasta do Império desde as suas origens, o que fez com que a sua leitura da transição para a república tivesse um tom frio e sombrio.

Se para muitos que leram 1808 e 1822 ficava claro que para entender o Brasil de hoje precisa-se olhar com atenção o passado, ao ler 1889 fica claro que para entender a balburdia da nossa república a mesma lição se aplica. O Brasil teve uma oportunidade de ouro de fazer uma transição que o colocasse na vanguarda mundial no crepúsculo do século 19. Infelizmente temos que arcar com o peso de quase um século de atraso e os ransos dos clientelismos e as fragilidades institucionais que ainda nos cercam.

Longe de mim pregar o retorno de uma monarquia ao Brasil. Nem mesmo minha admiração pela figura de nosso imperador definitivo justificaria tal crença. Mas até certa medida o avô de nosso ex-presidente FHC estava certo. "Vocês fizeram a República que não serviu para nada. Aqui agora, como antes, continuam mandando os Caiado".
comentários(0)comente



MVGiga 24/12/2013

Inicio da Republica e seu desenrolar.
Com a intenção de despertar a memoria do brasileiro, Laurentino elaborou uma trilogia tendo como titulo e destaque os anos que marcaram o seculo 19. Neste ultimo livro abordou-se o ano de 1889 que marcou o Brasil como época de mudança na estrutura politica, de um governo imperialista para um partido republicano. Acompanhamos os bastidores da Corte do imperador, seus principais rivais republicanos, os escravos recém-libertados, o golpe militar. Todos acontecimentos que levaram a data de 15 de novembro ser posteriormente lembrado como a Proclamação da Republica e, felizmente, feriado nacional. Amantes ou curiosos da Historia do Brasil vão gostar dessas paginas.
comentários(0)comente



Arilson 23/12/2013

Resenha do Autor LAURENTINO GOMES
Nas últimas semanas de 1889, os tripulantes de um navio brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital do Ceilão (atual Sri Lanka), foram pegos de surpresa pelas notícias que chegavam do outro lado do mundo. "Brasil República...", anunciava o telegrama recebido pelo almirante Custódio José de Mello, comandante do cruzador Almirante Barroso. "Bandeira mesma sem coroa...", acrescentava a mensagem. Despachado do Rio de Janeiro, o Telegrama só confirmava os rumores que a tripulação tinha ouvido na escala anterior, na Indonésia. Dizia-se que o governo do Brasil havia sido derrubado. Mais do que isso, o país passara por uma drástica mudança de regime. O império brasileiro, até então tido como a mais estável e duradoura experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história, desabara na manhã de 15 de Novembro. A monarquia cedera lugar à República. O austero e admirado imperador Pedro II fora obrigado a sair do país. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo onde nascera. Enquanto isso, os destinos da nova república estavam nas mãos de uma marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da FOnseca, considerado até então um monarquista convicto e amigo do imperador deposto.
comentários(0)comente



Celso 22/12/2013

Muita coisa para um livro só
Este livro deveria ter abordado somente o reinado de Dom Pedro II a exemplo dos volumes anteriores 1808 e 1822 cujos personagens principais foram D. João VI e D. Pedro I.

Ter discorrido sobre os últimos anos da monarquia e o começo da república, tornou o livro um pouco superficial pois faltou explanar sobre muitas coisas, afinal o reinado de Dom Pedro II foi um dos mais longos da história, tendo sido palco de muitos acontecimentos.

Na minha opinião este livro teria que ser dividido em dois volumes: D. Pedro II e República Velha.
comentários(0)comente



Pereira 20/12/2013

Tudo igual
Considero o conhecimento da história do nosso país um mal necessário.
Pior seria a ignorância de um patriotismo fanático baseado em contos da carochinha.

Estamos evoluindo. Caso contrário, não seria possível a exposição de informações, que em outras épocas seriam impedidas pelos governantes supremos.

Mesmo assim, dá uma certa tristeza ao saber que nosso país nasceu consagrado ao lema "país do futuro".

Com o fechamento da trilogia de Laurentino Gomes, podemos perceber que passa o tempo, mudam os personagens, mas os acontecimentos são muito semelhantes.

Fomos, somos e seremos sempre governados por pessoas que privilegiam o interesse de poucos em detrimento á necessidade de muitos.

Marcado por episódios de covardia e desprezo por valores educacionais, o Brasil tem uma mancha indelével em sua história.

Recomendo a leitura àqueles que tenham um pouco de estômago. Pois não é fácil terminar o livro sem sentir ânsia de vômito...
Dennis.Pereira 17/12/2015minha estante
Ânsia de vômito é o que eu sinto lendo as suas resenhas! Vai se dedicar para as histórias de carochinhas que você ganha mais...




Fábio Z.C. 19/12/2013

Mesmo nível dos anteriores.
Após os grandes sucessos de seus livros anteriores (1808 e 1822), Laurentino Gomes lançou, em 2013, o terceiro livro de sua série sobre os principais acontecimentos da história do Brasil: 1889, sobre a Proclamação da República. Atualmente, a história do Brasil está em alta no mercado editorial, e o autor se aproveita dessa onda para satisfazer a curiosidade dos leitores sobre esses eventos-chave na formação social e política do país.

Juntamente com outros autores, especialmente Eduardo Bueno e Leandro Narloch, Laurentino Gomes não possui formação acadêmica em História, o que por várias vezes prejudica seu entendimento e uso das fontes na produção do livro. Porém, ao contrário dos dois primeiros (Bueno trata a história como anedota, e Narloch é simplesmente um picareta que se aproveita de seu conhecimento ínfimo de produção historiográfica para uma agenda ideológica, não-científica), Gomes possui vontade legítima de contribuir com o conhecimento histórico da nação e trazer à tona debates sobre o futuro do país que queremos; para isso, é necessário olharmos à nossa história.

Somente vontade não é o suficiente. Treinado na escola Globo e Veja de jornalismo, falta a Gomes uma profundidade acadêmica no trato das fontes (primárias e secundárias) e o necessário diálogo que precisa ser feito entre elas. Seus livros passam a impressão de que a História foi uma sucessão retilínea de eventos, cujos confrontos só se deram no passado e não refletem na atualidade de forma direta, como resultado de ações políticas consequências. O embate entre essas fontes é necessário para a construção de uma imagem do passado, que será também um reflexo do pesquisador e a forma como ele próprio manejou essas fontes, já que a neutralidade, apesar de ser um objetivo, é impossível. Gomes não se preocupa em momento algum com esse rigor científico.

Repetindo erros dos livros anteriores, o autor falha ao adjetivar personagens históricos, o que não é função do historiador. Falha também ao tentar imprimir uma narrativa jornalística, citando nomes e mais nomes em eventos de pouca importância ao leitor não-familiarizado como o autor no assunto, tornando, às vezes, a leitura tediosa. Também há diversas redundâncias em temas já ultrapassados, sempre retornados de maneira desnecessária à narrativa.

Portanto, apesar do correto interesse do autor de buscar fontes, inclusive primárias, a respeito da história do Brasil, falta a ele uma profundidade teórica e rigor acadêmico. Pois, ao tratar a História assim, corre-se o risco de tirar dela todo o seu potencial de discussão política da realidade e tratá-la como faz Bueno: uma série de anedotas e acontecimentos estéreis, que não foram frutos de brutais lutas no decorrer do tempo, o que é muito sério e até um desrespeito. Ao tratar da escravidão, por exemplo, Gomes passa mais tempo dentro dos gabinetes da realeza do que falando exatamente dos escravos: apenas cita as injustiças de um sistema que não reparou os seres humanos responsáveis pela construção do Brasil, jogando-os na mais completa marginalidade, o que vai contra as novas perspectivas da História, que é de justamente sair dos gabinetes oficiais e ir para as ruas.

Para o leitor que se contenta com pouco, é um livro que satisfaz. Porém, ainda assim é mais recomendável procurar a bibliografia de Gomes a fim de ter um conhecimento mais elaborado em dois autores fartamente citados, como José Murilo de Carvalho (em especial seu livro Os Bestializados) e Emilia Viotti da Costa, pois ambos trazem uma discussão profunda, a anos-luz do que Gomes propõe. Ao contrário de Bueno e em especial do ofensivo Narloch, Gomes é bem intencionado, mas somente boa intenção não é o suficiente.

site: http://www.vortexcultural.com.br/literatura/resenha-1889-laurentino-gomes
comentários(0)comente



Breno 13/12/2013

Já aviso: sou fã da série. O misto de reportagem/crônica/conto que Laurentino Gomes usa pra narrar em breves minúcias passagens tão importantes da história do Brasil é genial e ponto final. Outro ponto positivo é que não há clara inclinação política em suas obras, ao contrário do Leandro Narloch e sua série de história "politicamente incorreta" (o que não sigifnica que eu discorde deste em diversos pontos, nem que eu concorde).

Laurentino parece partir da premissa de que humanizar e mundanizar os vultos históricos é um início interessante, e pra mim isto faz sentido. As pequenas conspirações, os acontecimentos interligados, até o humor e a saúde de cada personagem histórico ganham dimensões incomuns em livros do tipo.

Embora eu tenha preferido a abordagem mais íntima que Laurentino fez de D. João VI e D. Pedro I em suas obras anteriores, "1889" também nos deixa olhar D. Pedro II mais de perto. O pobre menino rico torna-se um imperador nobre, culto e inteligente, mas sem motivação, sem força e sem ânimo de sê-lo. Em volta de si, giram interesses escusos, prosaicos e nobres, motivando ideologias e forças políticas as quais o imperador, ainda que as não ignorasse, não tinha como prever seus movimentos. Seu torpor do último golpe à Monarquia é algo genial.

"1889" também não se limita a D. Pedro II, trazendo à luz o fato de que nossa República, nascida quase que por acidente, estreou vestida de ditadura nas mãos do relutante Deodoro da Fonseca e desandou pra um caudilhismo explícito com Floriano Peixoto.

Imperdível não apenas para quem gosta de história, mas também pra quem quer entender o Brasil e o brasileiro.
comentários(0)comente



Monica 12/12/2013

um livro bom com liguagem acessível
um livro bom com liguagem acessível, porém achei o autor tendencioso,no que diz respeito a Comte e à maçonaria, pra mim ele puxou sardinha pra esses dois...

e fez uma imagem totalmente caricaturada da Igreja...

mas é fácil de acompanhar e gostoso de ler...
comentários(0)comente



88 encontrados | exibindo 61 a 76
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6