Vidas Provisórias

Vidas Provisórias Edney Silvestre




Resenhas - Vidas Provisórias


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Yasmin 18/09/2013

Leitura diferente

Desde que vi o primeiro nacional da editora Intrínseca soube que seria a chance perfeita de conhecer mais a literatura atual do nosso país e principalmente a chance de ler obras diferentes, de finalmente sair dessa zona de conforto que surgiu acidentalmente nos últimos meses. Apesar de sempre ter tido curiosidade de conhecer os livros do Edney Silvestre este foi o primeiro dele que li. Sempre gostei do autor como jornalista e "Vidas Provisórias" acabou sendo mais do que uma surpresa. Todo o receio que tive sumiu em poucas páginas e o resultado é uma leitura de outro nível, diferente e impactante.

Perdoem-me se a resenha não sair da forma ideal, é um pouco diferente, fiz o possível para ser clara sobre minhas impressões do livro. A história apresentada por Edney Silvestre reflete com precisão a realidade de muitos jovens do nosso país em dois pontos cruciais da história do nosso país na segunda metade do século passado. A ditadura e o Plano Collor. Tanto eu como qualquer outro jovem da minha idade ou mais velho pouco conhece esses dois períodos. Tenho de confessar, e o faço com vergonha, de que sou sim grande entusiasta da História, mas não a do Brasil. Sim é vergonhoso, mas ao entrar em contato com o mundo de Paulo e Barbara vi o quanto é falho o meu conhecimento de épocas tão marcantes para tantas pessoas e para a nossa própria realidade. Ao mergulhar nas experiências sofridas e solitárias de Paula e Barbara tive a oportunidade vislumbrar com clareza as dores reais de tantos anônimos.

Edney Silvestre fala no e-book que complementa o livro, Aqueles Tempos, que contou com diversos depoimentos e a própria experiência para construir as histórias do livro, porém mais do que mescla de ficção e realidade, Vidas Provisórias é uma história vívida das incertezas que as mudanças no Brasil e no mundo causaram na vida não só dos protagonistas. A história paralela de muitos, os traumas sofridos ao ser preso por engano pela ditadura, a desilusão com o próprio país e com a família, o medo constante, a vida em suspensão que se vive no exterior, cheia de estranhamento e solidão.

Com uma narrativa de ritmo acertado e uma visão diferente para aqueles que estão distantes das realidades descritas, Edney Silvestre presenteia o leitor com uma trama equilibrada, um olhar crítico e aguçado dos diversos acontecimentos históricos citados e o impacto na vida dos protagonistas, com perspicácia repassa ao leitor vivamente as experiências daquela época pouco conhecida pelos jovens de hoje em dia. O cotidiano no exterior, as saudades e as impressões que muitos romantizam mostradas como realmente são por um escritor jornalista que acumulou em anos de profissão sensações e olhares únicos. Tudo isso aliado a um desenrolar de bom ritmo e um amarrar que deixa no ar a esperança de que a história continua.

Leitura que conquista o leitor nas primeiras páginas, rápida e instigante, com passagens marcantes, uma das que ficará na memória é sobre o pós 11 de setembro, relato que impressiona e com toda certeza não tinha parado para pensar. Um livro que merece ser descoberto por todos, uma história cheia de impressões e sentimentos que marca a já elogiada carreira literária de Edney Silvestre. A edição da Intrínseca está impecável, desde a fonte agradável, a diagramação diferente, o texto sem erros e os detalhes visuais da edição. Segundo entrevista do autor o livro é o primeiro de uma trilogia e estou torcendo para realmente ser. Adorei a história, a forma como ela é contada e a impressão de proximidade que a escrita do autor causa. Recomendado a (...)

Termine de ler em:



site: http://www.cultivandoaleitura.com/2013/09/resenha-vidas-provisorias.html
Luis 18/10/2014minha estante
Resenha brilhante. Comprei o livro no ano passado, praticamente assim quem saiu, mas comecei a leitura hoje e já deu para perceber que se trata de mais uma grande narrativa do Edney, que vem se consolidando como um ficcionista de mão cheia. Assim como você escreveu, também gostei muito do cuidado editorial da Intrínseca, coisa que se destaca mesmo entre as editorias de alto nível. Parabéns pelo texto, sensível e muito bem escrito.




Sarah 26/06/2014

Vidas Provisórias
O livro conta duas histórias em paralelo, a de Paulo e a de Bárbara. Cada um conta como suas vidas sofreram reviravoltas, como fizeram para reconstrui-las e recomeçar em outros países.

Paulo era um estudante que vivia no Brasil na época da ditadura militar. Ele sofre perseguições e torturas e é obrigado a deixar o país. Entre seus destinos estão o Chile, onde faz alguns amigos exilados como ele, e a Suécia, onde refaz a vida e conhece o amor.

Bárbara é uma imigrante ilegal que vai para os Estados Unidos em busca do sonho americano de uma vida melhor. Vive de subempregos e sobrevive em meio a muitos outros imigrantes, de tantos outros países. Convive com o medo de ser pega pela imigração. Por esse medo, não consegue fazer amigos nem criar vínculos.

A história dos dois é escrita de forma intercalada, um capítulo para cada um. Essa diferença é destacada por cores e fontes diferentes: a história de Paulo é contada em folhas amareladas e em letras pretas; a de Barbara é surge em folhas brancas e letras azuis. Isso ajudou a distinguir bem cada enredo, além de possibilitar que o leitor possa ler cada história em separado. Apenas no último capítulo a vida dos dois personagens se encontra, quando se amarra o enredo.

O trabalho gráfico do livro ficou muito bom. Além da diferenciação das histórias, a borda das páginas também é colorida e a capa é ótima.

Edney ainda complementa as narrativas com fatos históricos. Vemos menções à ditadura e às torturas, ao Plano Collor, à FHC, ao famoso escândalo de Bill Clinton e Monica Lewinski, o crescimento econômico que permitiu idas de novos ricos à Miami para compras, o ataque às torres gêmeas de NY.

Gostei muito da leitura. Não esperava muito por não conhecer o estilo do autor, mas me surpreendi positivamente.
Gizele 26/06/2014minha estante
Sarah, primeiramente obrigada pela sua visita ao meu blog.
No e-book, as cores das fontes das duas histórias são como a do físico: preta para do Paulo e Azul para da Barbara. Não foi isso que me atrapalhou. Como eu disse a história dos dois é boa. Eu não gostei foi do contexto e narrativa que ele usou, isso sem falar nos exemplos longos que dava, chegando a ser cansativo.
Mas cada um ler, interpleta um livro do seu jeito. Talvez você esteja familiarizada com esse tipo de narrativa e eu não.




Luis 03/01/2015

Vozes da ficção
Há muitos anos, quando se aventurou pela primeira vez no terreno ficcional, Edney Silvestre teve seu romance de estreia recusado por um editor. O diagnóstico era de que “o autor não tinha voz.” Após décadas de uma carreira bem sucedida no jornalismo, Edney novamente voltou sua atenção para a literatura, publicando “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, ganhador do Jabuti de 2010. Desde então, vem escrevendo com regularidade, sempre apostando na originalidade das tramas, em trazer um novo ponto de vista para a milenar prática de contar histórias. Em suma, encontrou a sua voz.
“Vidas Paralelas” (intrínseca,2013) é mais um degrau na escada vertiginosa da consolidação do escritor como um dos nomes mais representativos das letras brasileiras no século XXI. Á primeira vista, a edição chama a atenção pela beleza gráfica do livro. Há um caprichoso trabalho de design, que estabelece identidades diferenciadas a cada segmento da trama ligado a um dos protagonistas.
A obra retoma dois personagens de livros anteriores de Edney : Paulo, de “Se Eu fechar os olhos Agora” e a jovem Barbara, filha de um dos personagens de “A Felicidade é fácil”. Em “Vidas Provisórias”, o autor usa sua vasta experiência como correspondente internacional, para contar duas histórias de exílio. Tanto o exílio político, personificado por Paulo, o menino de seu primeiro livro que, ao virar adulto, se transforma em um militante contra a ditadura de 1964, sendo então obrigado a deixar o país, vivendo primeiramente no Chile e depois na Suécia; como o exílio econômico, representado pela vida de Bárbara, que fugindo da cruel recessão agravada pelas trapalhadas do governo Collor, vira imigrante ilegal nos Estados Unidos, onde sofre por não falar inglês e viver condenada a trabalhos de baixo reconhecimento e remuneração.
Embora as duas histórias sejam contadas de forma paralela, sem nunca se cruzarem, há um forte ponto em comum ressaltado pelo olhar sensível do jornalista : tanto Bárbara como Paulo são, por motivos externos, literalmente “arrancados” de sua pátria, das referências familiares que constroem suas respectivas identidades, identidades essas que não são reconstruídas (muito pelo contrário) nas sociedades onde agora vivem. Paulo e Bárbara de certa forma viram apátridas. Perdem aos poucos as raízes brasileiras e vivem constantemente à margem das civilizações que os acolheram (?). Como bem cantaram os Titãs, “Não sou brasileiro, não sou estrangeiro, sou de nenhum lugar, sou de lugar nenhum.”
Olhando por esse lado, “Vidas Provisórias”, não obstante ser um livro triste, carrega em seu próprio título uma pequena partícula de esperança, uma vez que os personagens acreditam (ou nos levam a acreditar) que estão “a caminho” de suas realizações, que o sofrimento do presente é condição essencial para atingir um futuro idílico, o “amanhã” ardorosamente almejado. O problema é que, como dizem os ingleses, o amanhã nunca chega.
Embora seja referenciado por dois romances anteriores, não é necessário que se tenha lido “Se Eu fechar os olhos Agora” ou a “A Felicidade é fácil” para entender ou apreciar “Vidas Provisórias.” Me arrisco a dizer que o mais importante, talvez até mais do que a leitura segundo o conceito que nós conhecemos, seja de que o leitor se permita ouvir as vozes de cada personagem, procurando em cada uma a dor, o sofrimento, a solidão e a esperança que permeiam todos os exílios, não importando a época ou o motivo. E, definitivamente, ouvir as vozes desses personagens, é ouvir a voz de Edney Silvestre, que a cada livro publicado soa mais alta e forte.
Raphael Cavalcante 03/01/2015minha estante
Faz certo tempo que quero me debruçar sobre a literatura de Edney. Na verdade, desde aquela polêmica na qual ele perdeu um prêmio para Chico Buarque. Em breve, começarei justamente pelo livro que gerou tal polêmica!




Wemerson 21/08/2014

Relevante
Se eu dissesse que esse livro é ruim, estaria faltando com a verdade. No entanto, também não é bom.

Trata-se de um relato ficcional com cenários reais e acontecimentos históricos relevantes, o que ajuda e muito na compreensão do contexto político brasileiro e mundial no que se refere aos fatos abordados. Alguns pontos da narrativa são desagradáveis, amargos, azedos e inúmeros outros adjetivos que evocam sentimentos de depressão, dor e perda. Eu sei, é o mundo real, mas, sendo ficção, poderia ser mais feliz.
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Valério 04/01/2018

O preço da expectativa
Li diversas resenhas a respeito do livro e criei grande expectativa.
Quando efetivamente li a história, me ficou aquela sensação de estar diante de um livro insoso.
Uma boa história que acabou se perdendo em uma ideia nem tão bem elaborada.
Não me tocou.
Pode ser pelo estilo do autor, que não me comove. É o segundo livro que leio de Edney Silvestre. E o segundo que não me empolga.
(Embora eu tenha gostado mais de "Se eu fechar os olhos agora").
Não dá para dizer, definitivamente, que é um livro ruim.
Mas sabe quando se sente que faltou alguma coisa? Foi assim que me senti. E agora me sinto quase com vontade de pedir desculpas frente a tantas avaliações positivas. :D
Mas o objetivo é cada um dizer o que achou do livro. Se fosse unanimidade, seria chato, certo?
Portanto, os amigos que se identificam com meu gosto literário terão uma chance maior de não gostar tanto assim.
Mas podem arriscar sem medo. "Vidas provisórias", se não é uma obra prima, também não é perda de tempo.
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Felipe 27/01/2014

Excelente!
Tem que ser muito bom para um jornalista em apenas seu terceiro romance ser quase uma unanimidade entre os leitores, este é o caso de Edney Silvestre. Seus dois primeiros romances são excelentes e este terceiro e ainda melhor, Silvestre parece estar melhor a cada romance. Sua grande qualidade é o de despertar sentimentos diferentes ao leitor.
Neste livro, conta duas histórias em tempo e locais diferentes, de personagens diferentes, com histórias diferentes e mesmo assim Silvestre consegue convencer o leitor que eles são muito parecidos e que suas histórias têm muito em comum. O livro se divide em uma parte branca (o livro de Paulo) e a parte azul (o livro de Barbara), ambas as histórias são envolventes.
O de Paulo nos mergulha no período da ditadura militar e o autor não tem nenhum receio de descrever com maestria as torturas do período que os ‘subversivos’ eram submetidos e de como eles eram mortos ou expatriados e mesmo assim continuavam sendo perseguidos pelos donos do poder da época. Mas o livro de Paulo também tem momentos sensuais que nunca avançam no vulgar, também de angústia quando Paulo fica longe da família e Silvestre descreve com perfeição a agonia de ficar longe de quem amamos e o medo de perdê-los.
O de Barbara nos leva ao período Collor e como muitos brasileiros tentaram a vida no exterior fugindo do Brasil em crise. A protagonista é uma destas pessoas, quando chega aos EUA ela é enganada pelo namorado que a abandona em Nova York. A partir daí se envolve com o mundo gay, da prostituição, da política brasileira e do terrorismo, mesmo tendo uma vida monótona que a narrativa chega a despertar pena e tristeza ao leitor.
Durante o livro o leitor fica curioso sobre o final, não como em um livro de suspense, mas se as duas histórias vão se encontrar e, se isto acontecer, como, porque elas se passam em continentes e épocas distintas. Silvestre encontra uma solução simples e na medida certa para encerrar com brilhantismo o excelente “Vidas provisórias”.
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Guarilha 16/04/2014

“Vidas Provisórias” conta a história de Paulo, jovem torturado pela ditadura militar nos anos 70 e abandonado sem documentos na fronteira com o Chile; e de Bárbara, menor de idade que entra nos Estados Unidos com passaporte falso, na década de 1990, no governo de Fernando Collor. O que eles têm em comum? Ambos vivem um exílio forçado, ainda que por razões e circunstâncias diferentes.

Ele, depois de passar por Chile e Argentina, sempre fugindo dos horrores das ditaduras latino-americanas, é socorrido pela Anistia Internacional, na Suécia, onde tenta recomeçar sua vida. Ela, como a grande maioria dos brasileiros iludidos pela promessa de uma vida melhor, trabalha em subempregos, sempre quieta e com medo da polícia. Ambos sofrem, e muito, com as dores do passado e a imensa saudade do Brasil.

Neste trabalho impecável, Edney Silvestre mostra a luta de dois personagens fictícios que representam com fidelidade muitos brasileiros que viveram e vivem a situação de exilados políticos ou econômicos. O autor mostra também, valendo-se de sua experiência como correspondente internacional, fatos históricos importantes como as ditaduras militares no Brasil e no Chile, o atentado ao World Trade Center, e a Guerra do Golfo, entre outros.

O livro é bem escrito e a trama é bem montada. Os fatos históricos usados como pano de fundo se encaixam perfeitamente nas circunstâncias vividas pelos personagens. Aliás, não raro, o autor se utiliza deles para criticar e analisar as invasões promovidas pelos americanos, as ditaduras e os interesses econômicos, por exemplo, sempre numa linguagem clara e objetiva que prende a atenção do leitor.

Com excelente qualidade gráfica (sua capa é feita em papel-cartão especial), o livro é dividido em “O Livro de Paulo” e “O Livro de Bárbara”. Este, escrito com letras azuis; aquele, com letras pretas, dão ao conjunto um bonito visual. Mas nada disso seria importante se o livro não tivesse uma história que nos comovesse, que nos prendesse, que nos instruísse. São, enfim, duas belas histórias que nos fazem refletir e rever conceitos.
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Raffafust 15/09/2013

Como é bom quando você espera muito de um livro e ele é muito mais do que você imagina!
Em " Vidas provisórias" conhecemos dois expatriados, cada um vivendo em uma época diferente, de um lado temos Paulo que no auge da ditadura é torturado, acusado de fazer parte de um grupo contra o governo e expulso do país por seu próprio irmão que é do exército. Paulo come o pão que o diabo amassou e vai parar no Chile contra a vontade e depois acaba parando na Europa, mais precisamente na Suécia, onde descobre o amor nos braços de uma mulher mais velha chamada Anna que será sua companheira. Mesmo não falando a mesma língua os dois se entendem e ele depois de anos parece que encontrou algum motivo para sorrir.
Edney Silvestre não nos poupa das torturas em detalhes que Paulo sofre enquanto está preso no Brasil.
Do outro lado temos a história de Barbara que em 1991 foge do país porque seu pai é assassinado e também acusado , correndo risco de vida ela entra como imigrante ilegal nos EUA sem falar uma palavra de inglês, a princípio vai ter ajuda do namorado mas ele logo vai abandoná-la a própria sorte e ela viver entre brasileiras de NY que são garotas de programa, vai se chocar com um mundo que nunca ousou conhecer e vai virar faxineira.
O que os dois tem em comum? Ambos são pessoas sofridas que tiveram que abandonar seu país contra a vontade, Barbara ainda vive um amor por seu patrão que vamos descobrir ao longo do livro.
Com capítulos que se completam como um imenso quebra-cabeça, o jornalista nos consegue prender a atenção do início ao fim, porque a história é muito bem contada e com um final surpreendente.
O título é perfeito, combina exatamente com o que os dois vivem

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Fabrício Araujo 05/10/2013

EMOCIONANTE
Minha singela opinião sobre "VIDAS PROVISÓRIAS" de Edney Silvestre
Ed. Intrínseca

Simplesmente um ótimo livro, muito bem escrito. Edney Silvestre não perde muito tempo descrevendo cenas e ambientes; ele, com sua narrativa crua e precisa deixa o leitor livre pra sentir toda atmosfera dos cenários descritos no livro. Na história, acompanhamos a trajetória de Paulo e Barbara.
Paulo, que durante a ditadura, nos anos de 1970, é preso injustamente pelo sequestro do Embaixador Alemão. Depois de torturado é expulso do País. Vivemos com ele sua nova vida, suas lembranças traumáticas, conquistas e assombrações do passado.
Barbara, foge para os EUA, em 1991, após seu pai ser morto, aparentemente envolvido no sequestro do filho de um publicitário. Descobrimos junto com ela as dificuldades da vida de uma imigrante ilegal, suas amizades, decepções, angústias e seus temores.
Junto com os protagonistas vivenciamos alguns fatos da nossa história recente, e também, com eles, nos emocionamos com suas vidas.
Vidas Provisórias é uma história comovente; sobre tristezas, alegrias e descobertas contada com vigor e sutileza. Ao término do livro é impossível não refletir sobre os vários Paulos e Barbaras que, por diversos motivos, são obrigados a deixar sua pátria, e precisam recomeçar a vida em um lugar distante, desconhecido...sozinho. Como superar a saudade da terra natal, familiares e amigos. E como seriam suas vidas se eles não tivessem sido obrigados a deixar seu país?
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Gizele 20/06/2014

eu quase abandonei esta leitura também. Eu não vou dizer que a história é ruim. Não. A intenção dele foi válida. Duas histórias, duas vidas. A de Paulo que foi vitima da Ditadura Militar e de Barbara que sofreu por causa de perseguição na era Collor.

O problema do livro, no meu ver, é que ficou meio confuso, não de entender, mas de ler. Principalmente a de Paulo. Como eu li em e-book, não sei se foi a forma da publicação, já que é original ou se não consegui entrar no clima. Tem hora que está em terceira pessoa e de repente se nota que está lendo em primeira pessoa. A linguagem que ele usa, sei lá, não me agradou muito. As informações vem atropelando uma a outra, acabando confundido tudo, tendo a vezes que volatr para entender o que leu. Isso sem falar dos exemplos que são longos, chegando a ser exaustivo:

“— Croquetes. Coxinhas. Linguiça. Torresmo. Bolinhos de bacalhau. Bolinho de arroz. Pele de porco. Morcela. Paio. Feijoada. Pescadinha com arroz de brócolis. Leitão pururuca. Rabada com agrião. Frango assado. Frango assado com farofa de banana. Frango assado com macarrão. Frango ao molho pardo. Farofa de ovo. Bife à milanesa. Bife à cavalo. Costela assada. Angu do Gomes. Angu à baiana. Vatapá. Acarajé. Xinxim de galinha. Carne moída com arroz, feijão e ovo frito, com gema mole e clara dura. Mandioca frita. Camarão com chuchu. Bobó de camarão. Pastel e caldo de cana. Tripas. Moelas. Miolos. Bife de fígado acebolado. Picadinho. Lombinho com tutu e couve.”

Enfim, ou “Vidas Provisórias” é muito complexa e sou “burrinha” demais para entender ou realmente é um livro com uma boa história, mas confusa de ler.

site: http://cantinho-gigi.blogspot.com.br/2014/06/desafio-skoobvidas-provisorias.html
Geo 05/01/2015minha estante
Ainda estou lendo o livro e até o momento tenho gostado. O autor escreve bem, mas realmente não gostei de certas partes da narração do Paulo. Também achei estranho o fato de que a história dele é contada em terceira pessoa e de repente é passado para primeira pessoa, e os exemplos também hahaha quando ele cita quase todoos os pratos brasileiros e sobremesas, enfim, é bem chatinho, mas isso tem sido um mero detalhe dentro de uma história tão rica que esse livro proporciona.




Evy 27/12/2015

A vida provisória de Barbara
Devo confessar que não esperava muito do livro, Edney Silvestre não me agrada em nada, sempre achei ele a personificação perfeita da Globo. Foi o prefácio do livro que fez com que eu desse uma chance ao autor. No geral o livro agradou e tudo graças a Barbara que conseguiu prender minha atenção do começo ao fim deixando no ar a curiosidade sobre o que o futuro lhe reservou. Os demais personagens costuram o enredo com perfeição, como não gostar de Silvio ou das prostitutas brasileiras (triste realidade). Já Paulo, a dita vítima da ditadura, tem tudo o que eu não gosto em um personagem.
Mau 23/10/2016minha estante
Cara, como um mesmo livro da impressões tão diferente? Achei o livro de Bárbara tão chato! E achei o Livro de Paulo tão mais interessante cheio de detalhes!




Zito 22/01/2014

Somos "NADA" em terras gringas.
Livro muito interessante que, de uma forma inteligente, mostra a vida de dois brasileiros em outros países. Uma brasileira que vai ao Estados Unidos, por opção própria e um brasileiro que "vai" a Suécia por falta de opção. Somos NADA pros gringos... NADA!!!
Um relato muito interessante e emocionante de personagens comuns (em suas épocas).
Gosto bastante do estilo desse autor (Edney Silvestre). Livros/historia bem diferentes e, ainda assim, cativantes, emocionantes e muto bem escritas.
Gostei muito deste livro e ja estou na expectativa do próximo.
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Rafa 30/05/2014

Vidas provisórias
Edney Silvestre é jornalista, roteirista, cineasta, documentarista, dramaturgo, apresentador de tv, escritor, romancista e cronista brasileiro. São inúmeros os talentos de Edney Silvestre e você vai acompanhar em seu recente trabalho: “Vidas provisórias”, um exímio e talentoso escritor.

Lançado pela editora Intrinseca em agosto de 2013, o livro conta com inúmeras peculiaridades que vai agradar todo tipo de leitores. Em primeiro lugar, o livro conta com uma coloração azulada em suas páginas,incluindo sua fonte também azulada, isso porque, a história é focada em dois personagens: Paulo e Bárbara, os capítulos que aparecem o personagem Paulo são em diagramação tradicional (fontes pretas e páginas brancas), nos capítulos em que aparece a personagem Bárbara são de fonte azul e papel com tonalidade azul.

A forma como Edney Silvestre escreve é clara e concisa, ele se preocupa em enriquecer a história com detalhes sobre os lugares ao redor dos personagens, como exemplo: lanchonetes, pontos turísticos, restaurantes, etc. Silvestre consegue prender o leitor do começo ao fim.

A história é dividida em duas partes com os personagens principais Bárbara e Paulo, em épocas e cenários completamente diferentes, sendo que os dois possuem um objetivo em comum, lutar e sobreviver dia após dia.

O leitor vai poder conhecer como foi a época da ditadura militar, momentos marcantes do período Collor e observar como o mundo evoluiu desde a guerra do Golfo e passando para os atentados do World Trade Center, tudo isso você vai conferir em “Vidas provisórias”.

site: http://leitorcabuloso.com.br/2014/05/resenha-vidas-provisorias-de-edney-silvestre/
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Ilau Teles 06/03/2016

O livro é determinado inicialmente pelas suas cores e histórias intercaladas. Paulo tem a sua história cotada em letras pretas e folhas amareladas, já Bárbara, folhas brancas e letras azuis.

Paulo, com 21 anos em 1970, passou pela pior experiência de sua vida. Sequestrado e torturado, logo após sua casa ser invadida por militares que desejavam tirar dele informações que nem mesmo ele sabia, foi obrigado pelo próprio irmão, qo que Paulo, que era militar, a exilar-se do Brasil. Chile e Suécia são os lugares em que ele tenta levar uma vida provisória. Nova identidade, novos rostos e novos idiomas que lhe são "empurrados goela a baixo". A ditadura militar tirou o que Paulo chamava de vida. Obrigado a viver em lugares que não reconhecia e não se identificava. Mesmo passando por dificuldades financeiras e com o psicológico visivelmente afetado, Paulo conhece o amor. Casa-se, tem filhos, constrói uma nova vida, sem se livrar das dificuldades de viver um lugar que não é o seu, ele não deixa de sentir falta do seu seu país e sonha em um dia poder retornar ao seu lugar de origem.

Bárbara, uma jovem que tenta fugir do Brasil no ano de 1991, na esperança de uma vida melhor nos Estados Unidos, se depara com uma vida difícil em que parece que não conseguirá nunca aprender o inglês apesar do tempo que está lá. Mentindo a idade, que era por volta dos 16 anos, Bárbara trabalha limpando casas de brasileiras que moram nos EUA. Tem uma vida angustiante, teme ser descoberta e expulsa do país que entrou de forma ilegal. Sofre preconceitos e assim como na vida de Paulo, é explicito que seu psicológico também está afetado. Com a sua família ainda morando no Brasil, Bárbara ainda mantém contato com o país que um dia quisera esquecer. Mas tudo o que a jovem passou a fez repensar na vida. Seroa ela capaz de regressar a sua antiga vida?

É um livro que muitas vezes tem sua narrativa demasiada longa, tornando-o um pouco cansativo, porém, nunca desinteressante. Em diversos momentos o leitor angustia-se junto com os personagens, que passam por situações extremamente sofredoras, como tortura, estupro, xenofobia, além dos sentimentos internos de cada um.

Em determinado momento, Paulo narra um fato que lhe aconteceu, juntamente com seu amigo Eduardo, quando ainda era criança. Ao encontrarem um corpo semi nu de uma mulher, provavelmente uma prostituta, em um local que costumavam brincar, suas vidas mudam completamente quando a família de seu amigo é obrigada a se mudar. Parece que eles encontraram algo que deveria ficar escondido. Nunca mais ele vira o amigo novamente. "Eduardo e eu acreditávamos que aquele mundo e aquele Brasil caminhavam para um futuro melhor e mais justo. Eu não sabia que o nosso futuro tinha dono". Essa citação é extremamente forte, principalmente porque mostra como a inocência de uma criança pode ser afetada por conta dos pecados/erros de um adulto.

Algo bem interessante, é que são citados trechos de músicas e pessoas conhecidas aqui no Brasil, assim como poesias de outros países, como o "The road not taken" do Robert Frost, que particularmente acho excepcional, pois a mesma descreve não apenas estradas no meio de uma floresta, mas metaforiza como estamos sempre em bifurcações de decisões que devem ser tomadas em nossa vida.

Um livro complexo e real. Expõe através de uma for fictícia, um sofrimento real.

Teria Paulo retornado ao Brasil? E Bárbara, o que acontece com a jovem que é obrigada a amadurecer antes do tempo?

site: https://dialetica-literaria.blogspot.com/b/post-preview?token=7GNkTlMBAAA.7yEfUmhlK5hUHubHr433cydJv2TbwCGJ895Qzy5P3cJ0o4ZJmwy3s_mWa2_8Ym_12JUiYI_IgTmVfljjKCEA7g.UIoFp3jo_j37Q4BApr1-0g&postId=5760433119561907226&type=POST
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Paulinha 22/06/2016

Quando temos a vida que não escolhemos...
"Eu riria, se pudesse. Mas os remédios me deixam num lugar entre o riso e o choro. Não. Me deixam em um lugar em que não há riso nem choro. É neste lugar que estou vivendo. Ainda." (página 129)

Paulo, o garoto de 12 anos do livro "Se eu fechar os olhos agora", reaparece aqui 9 anos depois, em 1970 como estudante de pedagogia. Ele é preso por engano, torturado e humilhado, mas "alguém" importante impede que seja morto e o manda para o exílio. Paulo, então, vai para o Chile, depois para Suécia e França.

"Este é o grande poder dos torturadores. A dor não passa. O domínio deles continua." (pág.56)

No pararelo, temos também a história de Barbara, que em 1991 parte para os Estados Unidos, fugindo dos problemas da vida. Lá, a realidade é dura, especialmente para quem vive de forma ilegal e possui uma identidade argentina falsa. Consegue um trabalho de faxineira.

Apesar de ser reservada e não se expor, ela conhece histórias de outros brasileiros. Um deles é Sílvio. Foi para o exterior ainda jovem, fez a vida como garoto de programa e agora padece com a Aids. Mesmo doente, ele se mostra alegre, irreverente e incentivador sempre que conversa com Barbara.

Paulo tenta reescrever sua história com Anna, sua namorada sueca. Barbara pensou que ia reescrevê-la com Luis Claudio, namorado brasileiro que a acolhe nos EUA. Nesse processo, ambos são obrigados a viverem vidas provisórias, vidas que não escolheram, mas que nem por isso devem ser desperdiçadas.

Boa leitura!

site: http://cantinhodaleitura-paulinha.blogspot.com.br/2016/06/vidas-provisorias.html
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