A Lâmina na Alma

A Lâmina na Alma Guy Gavriel Kay




Resenhas - Tigana


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Carf 03/03/2014

Lâmina na alma e na boa literatura
Vi a avaliação deste livro na Amazon e era muito boa, quase 5 estrelas, então resolvi arriscar.
O prólogo parece promissor. Mas apenas algumas páginas depois já podemos ver que há algo errado. A trama não gera empatia, os personagens não são carismáticos nem complexos, ao contrário, são unidimensionais e previsíveis. Os elementos de fantasia são quase inexistentes, o enredo arrastado e quase sem novidade, e de épico esse livro não tem nada. Em alguns momentos o autor menciona que o personagem fará um comentário inteligente ou engraçado, mas no livro inteiro não há uma única passagem inteligente ou engraçada. Acho que o autor não entende que ele próprio precisa ter essas qualidades para só então emprestar a seus personagens.

Então quando a trama já está difícil de engolir, entra a "pornochanchada". Na minha opinião, o livro deveria ser retirado das livrarias e passar a ser vendido nas bancas de jornais, ao lado das séries "Sabrina" e congêneres, pois é esse o nível do livro. As mulheres que o livro apresenta são extremamente inclinadas a copular com qualquer um pelos mais nobres e diversos motivos: para evitar que o sujeito ouça a conversa que se passava na sala ao lado, para que seu irmão não se arrisque a sair à noite, por 12 anos com o homem que quer matar, ou simplesmente porque ela é mulher e um homem estranho veio passar a noite em sua casa. Mas claro, esse é outro universo e a maioria dos costumes medievais de lá são parecidos com os daqui, exceto que a libertação sexual das mulheres de lá ocorreu muito antes... Ao menos percebe-se que o escritor não tentou imitar nenhum clássico, não que a obra seja original, longe disso.
Enfim, com muito sacrifício li o livro até o fim, apenas porque tenho por costume terminar os livros que começo a ler, mas não tenho o mínimo interesse em saber como a série continua.

O único legado que o livro me deixa é o desejo que a mágica fosse real e eu também pudesse esquecer tudo relacionado a Tigana.
Meri 03/09/2014minha estante
Céus! Finalmente alguém concorda comigo! Ganhei esse livro de aniversário e foi uma decepção. A ideia em si é boa,mas muito mal desenvolvida. Particularmente, odiei a Dianora. É uma personagem tola, cheia de auto piedade injustificada e muito cansativa. E que ainda tenta passar uma ideia de heroina sofredora dividida entre o amor e a vingança. Amor? Puro sofisma! Eu gostaria de poder apagar esse livro da minha memória! Essa leitura foi uma lámina
na minha alma!


V 03/10/2014minha estante
Também ganhei de aniversário, e vem só de ver a capa já assustei, sei que dizem não julgue um livro pela capa, mas não foi possível.
Ai comecei a ler e foi uma "surpresa" atras da outra não que seja agradavel essas surpresas.
Achei que a história não flui bem e é muito cansativa.
Espero que a pessoa que me presenteou com ele não me de o segundo ano que vem.


Messias 08/11/2014minha estante
03:27 da manhã, vou fazer enem hoje, e eu maldizendo a maldita hora que peguei esse livro para ler. Eu simplesmente irei dormir com um sentimento de ódio puro pela história de merda. Seja pela história da Dianora que li por cima, por ser totalmente irrelevante as questões que ela levanta, ou as atitudes ridículas dos personagens, como citado "pornochanchada", a falta de profundidade que torna o livro uma leitura superficial salvo o ódio que sentimos pelo autor por escrever essa coisa e nos fazer perder tempo.


Aramati 18/07/2015minha estante
Só para ser diferente digo que ganhei de natal.
Achei ele bem meia boca (e as heroínas muito mal feitas), mas pro que gastei com ele foi um entretenimento.


Doufe 16/01/2016minha estante
Eu sempre abro o Skoob e o Goodreads no celular quando entro numa livraria e procuro uma resenha técnica (uma que faça uma crítica ao desenvolvimento do enredo e dos personagens, ao ritmo, etc). Já me salvou de compras imprudentes.

Vou tentar ler o começo em PDF pra ver se curto. Mas em geral as chances de um livro de fantasia ser muito ruim são altas. Uma pena.


clau 29/08/2020minha estante
Agradeço muito pelo comentário, sei que não quê ler?


Sario Ferreira 03/10/2020minha estante
Carf, geralmente eu não faço isso, mas estou desistindo de Tigana a 60 páginas do fim, justamente por me identificar em completo com suas impressões. É uma pena, porque a premissa teria muito potencial se a narrativa fosse bem executada. Caso queira ler um livro de fantasia que trata bem sobre o tema "Memória", deixo indicação de O Gigante Enterrado, do Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel.




neo 09/09/2014

Eu me sinto até culpada ao dar uma estrela a esse livro. Certo, certo, não é exatamente culpada, já que acho sim que Tigana mereça essa nota, mas, talvez, um tanto errada. Praticamente todo mundo adorou ler Tigana (é só dar uma olhada no número de resenhas positivas e comparar com o de negativas, já que essas, aliás, quase não existem) e, bem, eu odiei. Talvez a culpa seja, em parte, minha; estou numa maré de azar para livros esse ano e Tigana meio que era a grande aposta de 2014, uma tentativa de elevar a qualidade das minhas leituras. Não funcionou. Tigana piorou tudo, sendo bem sincera.

Meu problema com esse livro começou com os personagens. Faz um bom tempo que não discordo tanto com as resenhas de sites que sigo quando se trata de personagens complexos em livros de fantasia, principalmente porque, para muitos, essa é justamente uma das melhores coisas sobre Tigana. Mas para mim os personagens apresentados e construídos (hm) pelo autor não poderiam ser mais unidimensionais e previsíveis nem se tentassem. Catriana é a básica garota ruiva com um temperamento ruim a quem o autor tentou dar um pouco de profundidade e originalidade (falhou miseravelmente, devo dizer) ao acrescentar um pouco sobre seu passado à história. Alessan é o típico príncipe exilado lutando para recuperar seu lar perdido, Alberico é o já manjado vilão egoísta e sem escrúpulos e Dianora é possivelmente a personagem mais sem sal (ou lógica) de todo o livro. E o protagonista é basicamente uma casca. Os únicos que apresentaram alguma possibilidade de serem bons foram Tomasso e Brandin, e mesmo esses dois não funcionaram para mim. E, devo dizer também, Devin possui a motivação mais fraca que já vi. Entendo Alessan e Baerd serem tão obcecados com recuperar o nome de Tigana porque eles presenciaram a coisa toda, eles sentiram a perda da pátria deles na pele. Devin (e Catriana, de certo modo) não passou pelo que eles passaram, e nada irá me convencer ("isso é uma questão de se identificar com seu lar, de conexão com o lugar" não cola comigo no caso do Devin, me desculpem) de que a lâmina na alma dele é justificável.

Pois bem, meu problema continuou com o modo com que o sexo foi tratado no livro. Não foi pela quantidade (eu sempre me senti meio de escanteio, já que li As Crônicas de Gelo e Fogo e em nenhum momento me senti afetada de modo negativo - ou positivo - pelo sexo presente na série, então, sério, não foi pela quantidade mesmo), mas sim pelo modo. Nunca vi um jeito tão piegas e melodramático de descrever sexo e juro que nunca revirei tanto os olhos enquanto lia cenas desse tipo. Cheguei ao ponto de literalmente pular parágrafos para me salvar um pouco das descrições absurdas usadas pelo autor, e isso é algo que realmente abomino fazer. Mas foi necessário para manter minha sanidade.

Em um debate vi certa vez alguém dizer que o sexo era descrito desse modo por causa do elemento latino na narrativa (para quem não sabe a Palma é inspirada na Itália) e isso me deixou com uma pulga atrás da orelha. Isso não é, afinal, o estereótipo de que latinos = sexo sendo perpetuado? Nós somos latinos, obviamente, então paremos um momento para refletir se isso é realmente tudo o que queremos que seja relacionado a nós em livros, filmes e outros meios de narração de história. Sério.

Outra coisa que me incomodou bastante foi o modo com que as mulheres foram representadas. Super apoio mulheres como seres sexuais e etc, etc, etc, mas os motivos para mulher na cena + homem na cena = sexo nesse livro me pareceram meio bizarras. (Pequeno spoiler!) Catriana tem sua primeira vez com um cara que ela mal conhecia dentro de uma espécie de armário para tentar impedi-lo de ouvir uma conversa (!!!!!), Dianora passa anos e anos sem matar o cara que arruinou sua vida porque ele é bom de cama (não, isso não é amor, minha gente) e praticamente todas as mulheres do livro são sexualizadas de algum modo. Eu não teria problema nenhum com isso se não fosse algo tão na cara feito para que os homens somente (é meio difícil ser uma garota e ler fantasia de vez em quando, já que boa parte dos autores parece se esquecer de que nós existimos). Não é a mulher ser sexual por ela mesma, é ela ser sexual porque os homens gostam e hashtag eu não estou aqui pra isso.

Por último, o livro não tem clímax. Sim, eu sei que a obra original foi dividida em dois volumes aqui no Brasil, mas Tigana - A Lâmina na Alma continua sem clímax do mesmo jeito. Foi um erro da editora, obviamente, mas no momento em que um livro é publicado ele está sujeito a receber críticas relacionadas ao conteúdo que chega ao leitor. E o conteúdo que chegou até mim não tem nem rastro de clímax, infelizmente.

Em conclusão, sim eu odiei praticamente todos os aspectos de Tigana. Não, vou, porém, chegar ao ponto de dizer que ninguém deve ler esse livro, já que muitas (e quando digo muitas realmente enfatizo o muitas) pessoas adoraram a história, então quem sabe você que está lendo essa resenha agora não goste também. Ou seja, é sempre uma boa ideia ler para ter sua própria opinião.

site: http://lynxvlaurent.blogspot.com.br/
Jaqueline 16/08/2021minha estante
Concordo




@APassional 28/01/2014

Tigana - A Lâmina na Alma * Resenha por: Rosem Ferr * Arquivo Passional
“...alguns homens devem fazer escolhas por aqueles que não podem fazê-las, seja por falta de vontade ou de poder...” (Sandre, Duque de Astibar)

Com vocês o genial e surpreendente Guy Gavriel Kay.

A trama de Tigana foi dividida em dois volumes na edição brasileira. Neste volume um, TIGANA - A Lâmina na Alma, somos introduzidos aos antecedentes da maldição que foi lançada sobre a província de Tigana, ou seja, na batalha do Rio Deisa e portanto somos bruscamente iniciados em acontecimentos que podem parecer estranhos e desconexos, entretanto farão todo sentido no decorrer da leitura repleta de descobertas a cada capítulo.

Mapas com riqueza de detalhes nos fazem mergulhar... A Saída de Emergência caprichou hein? Amei!

A narrativa em 3ª pessoa tem um jogo interessantíssimo, pois nos lança em uma polaridade de pontos de vista, na parte um temos uma visão da invasão tanto sob ponto de vista dos invasores como dos invadidos, pois as conspirações são constantes e elaboradíssimas.

Como vencer dois feiticeiros sem usar magia?????

Alessan é realmente um oponente a altura dos dois conquistadores Barbadior e Brandin, que disputam entre si as províncias do continente, enquanto os dois últimos usam feitiçaria e terrorizam o povo que é dominado através do medo e da corrupção, Alessan com sua astúcia e poder de manipulação vai tecendo uma rede de tramas que pouco a pouco colocarão em dúvida o poder dos dois tiranos, logo é um jogo perigoso, ardiloso e repleto de sustos que nos faz devorar os capítulos.

Paixão, aventura, honra, vingança, amizade, memória, amores impossíveis, proibidos, libidinosos, eternos... tirania, crueldade, intrigas, traições, ganancia, submissão... companheirismo, lealdade, identidade, passionalidade:

“...Um caldeirão fervia dentro dela, devastador, varrendo tudo diante de si como um mar de lava. Estivesse Brandin naquele quarto, naquele momento, ela arrancaria seu coração com as próprias unhas e dentes...” (Dianora di Certando)

Quem é Dianora? Hummmmm! A parte dois nos dirá e preparem-se, essa belíssima mulher esconde muiiiiiiiitos segredos que provavelmente farão tremer as nove províncias hahahahaha! Aliás, todas as mulheres da trama são ultra mega passionais, ou seja, mulheres simmmm, portanto preparem-se para conhecer as personalidades das beldades exóticas e complexas: Catriana, Alienor e da “por enquanto” doce Alais.

Os homens da trama são caixinhas de surpresa à parte, personalidades absolutamente distintas unem-se em busca de dois ideais: Vingança e Liberdade. Alessan é “o príncipe anti-herói” para quem os fins justificam os meios, Sandre ainda carrega no coração o juramento dos cavaleiros, Baerd é um cavaleiro, Erlein ainda é um enigma, perigosíssimo por sinal, agora Devin hummm! Creio que esse é o queridinho de Kay, e por simbiose o meu, afinal no decorrer da trama observamos o seu desenvolvimento intelectual, moral, psicológico e... sexual hehehe, de menino a homem, nosso Devin, o cantor de voz celestial da trupe, descobre suas origens, decide lutar por uma causa e transforma-se a cada capítulo, creio que Devin nos promete muiiiiiiito no livro dois, afinal ele é o caminho do meio e voz do autor, vamos aguardar e ver se minha intuição confere.

“Não existem caminhos errados. Apenas caminhos que você não sabia que teria de percorrer.” Devin – recordando ensinamentos de um velho sacerdote de Morian)

Então Simmmmmmmmmmmm! É tudo verdade!
Tigana é uma das melhores fantasias já editadas.

O posfácio fecha com chave de ouro e presentifica a genialidade do autor.

Estradas, tavernas, montanhas, florestas, magia, rotas de fuga nas “distradas” poeirentas, cantigas de honra e amor ao pé da fogueira. Que erga-se a terceira taça de vinho azul a Guy Gavriel Kay e façamos um brinde: Que venha “A Voz da Vingança”.

Magnifico, Sensacional... Esplêndido!
Beijos tiganeses! BANG! Rosem Ferr .:.

Resenha publicada no Blog Arquivo Passional em 28/01/2014.

site: http://www.arquivopassional.com/2014/01/resenha-tigana-lamina-na-alma.html
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Jaqueline 15/08/2021

Bom mas confuso
Adorei a ideia da história mas me senti confusa em boa parte dela, achei que os personagens podiam ter sido melhor apresentados pra ficar mais fácil de diferenciar sua história e "lado" da história. Me vi em vários momentos sem saber de qual lado estavam e quem era quem. Tirando esse fato a história é boa e gostei de ter magia e magos, e canções e céus belos.
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Paulo 26/04/2020

O ato de escrever não é algo extremamente complicado. Escrevemos coisas todos os dias: uma receita de bolo, um relatório no escritório, um formulário de emprego. A escrita de ficção é uma tarefa que exige mais criatividade. Criar personagens, construir um mundo, articular uma narrativa. Mas, o elemento fundamental em uma obra de ficção ainda continua sendo o que você escreve no papel. Se o autor consegue ser claro, conciso, instigante. Alguns autores conseguem criar histórias memoráveis, mas com uma escrita que pode ser dura e lenta. Por exemplo: eu adoro os livros do Haruki Murakami, mas sei que ler uma obra dele exige foco total e absoluto, e que suas páginas vão levar mais tempo para serem transpostas. Guy Gavriel Kay consegue escrever linhas e parágrafos tão suaves e macios que a leitura flui muito bem (crédito também para a ótima tradução que manteve a essência da escrita do Kay). Não apenas isso como também os encadeamentos de frases parecem belos e corretos. Belos no sentido de que as frases parecem ritmadas e musicadas; corretos significando o simples fatos de que as palavras deveriam estar naquela ordem, naquela sequência. Não há outra ordem para elas.

Antes de começar a escrever fantasia, Guy Gavriel Kay escrevia poesias. Ele é um mestre na arte da composição de versos líricos e sua habilidade foi o que levou Christopher Tolkien a procurá-lo para ajudar a organizar os textos que viriam a formar o Silmarillion. As frases escritas pelo autor soam diferentes, há uma pegada emocional por trás de cada parágrafo. O autor sabe também criar tensão na medida certa. Tem alguns momentos em que o leitor vai se pegar emotivo por conta de um assunto abordado pelos personagens ou alguma cena mais forte. O estilo de prosa do Kay vai ser associado por alguns à escrita do autor de O Nome do Vento, Patrick Rothfuss. Entretanto, Kay é mais um jogador do que um apreciador. Rothfuss prefere mostrar o cotidiano e se focar nas mínimas coisas; Kay prefere posicionar suas peças e fazer as engrenagens girarem.

A história tem como protagonistas principais Devin e Dianora. Devin é um cantor que faz parte da trupe itinerante de Menico de Ferraut. Saiu de casa mais moço porque não conseguia se ver trabalhando no campo. Ao lado de Menico conseguiu um pouco de fama e fortuna a ponto de se tornar sócio do dono da trupe em pouco tempo. No momento em que a história começa, chegamos com Devin em Astibar, uma das nove províncias da Palma. O Duque Sandre D'Astibar, um dos nobres que mais resistiram ao domínio de Alberico de Barbadior, finalmente decidiu cruzar os portais de Morian, uma expressão que significa sua morte. Mas, antes de morrer, Sandre exigiu de Alberico ser enterrado com toda a pompa e tradição dos rituais antigos. Isso significa passar por todo o ritual que simboliza a Tríade, os deuses protetores da Palma (Adaon, Eanna e Morian). Os filhos de Sandre estão escolhendo que músicos cantarão o Lamento de Adaon durante o funeral e, obviamente que Devin consegue obter esse privilégio, significando a entrada de muito dinheiro para a trupe de Menico. Mas, após a apresentação, coisas estranhas começam a acontecer. Principalmente com a estranha Catriana, uma bela mulher ruiva que vem tirado o sono de Devin.

Em Chiara conhecemos nossa outra protagonista, Dianora. A melhor definição para ela é sobrevivente. Tendo sido uma das sobreviventes das guerras no Deisa, Dianora tem um profundo ressentimento por Brandin de Ygrath, aquele responsável por desaparecer com a memória de Tigana. O objetivo na vida de Dianora é matar o tirano. Para isso ela coloca em prática um audacioso plano para se aproximar dele. Após uma longa jornada, Dianora se torna uma das principais concubinas da saishan de Brandin. Possuidora de um carisma terrível e conhecendo as artimanhas por trás das sedas da saishan, Dianora se torna uma força da natureza. Mas, ela percebe que os anos se passaram e ao invés de matar Brandin, agora ela simplesmente habita sua cama. Um dia, Brandin vê uma riselka (um ser mítico da Palma) e confidencia esse estranho encontro a Dianora. Apesar de Brandin não conhecer o significado do encontro com este ser, Dianora sabe... E tudo irá mudar.

É preciso situar também os leitores no cenário do livro. A Palma é uma península formada por nove províncias: Chiara, Senzio, Asoli, Astibar, Corte, Certando, Tregea, Baixa Corte e Ferraut. Mas, antigamente havia Tigana. Há vinte anos atrás a Palma foi vítima do ataque de Alberico, a mando do imperador de Barbadior e de Brandin que veio colonizar a Palma em nome de Ygrath. Os dois possuíam incríveis poderes que subjugaram rapidamente a península. Mas, Brandin teve mais dificuldades quando colocou seu filho Stevan a mando de um ataque à província de Tigana. Os tiganeses resistiram bravamente e Stevan acabou morrendo durante um combate às margens do rio Deisa. Brandin, enfurecido, parte em uma campanha de massacre à Tigana e após sair vitorioso usa seus poderes mágicos para apagar o nome de Tigana da mente de todas as outras províncias da Palma. Somente os tiganeses se lembrariam do nome de sua nação; quando fossem falar com outras pessoas, o nome Tigana seria ouvido como um ruído incompreensível pelos demais. Pessoas que nascessem depois também não reconheceriam mais o nome de Tigana. Tigana se tornou Baixa Corte, uma província desprezada por Brandin com todas as forças.

A temática da memória nacional é um dos temas mais destacados na narrativa. Estamos falando da importância de ter nascido em um lugar. De o quanto temos a necessidade de pertencermos, de termos uma casa. O ato de apagar um lugar da memória coletiva é a violência final contra um coletivo. A dor que isso provoca no íntimo dos envolvidos em resgatar Tigana é absoluta. Tem um momento da narrativa em que Devin fica sabendo dos detalhes de sua missão que chega a doer o coração. A maneira como Alessan coloca toda a situação, a angústia, a tristeza, é de emocionar o leitor. Mencionar a palavra Tigana é um grito de fúria e de liberdade; só que ninguém consegue ouvir além daqueles que entendem o que acontece. Talvez isso não seja tão compreensível para nós, brasileiros, já que temos uma relação diferente com nosso país. Nosso nacionalismo é esquisito e o ufanismo aparece apenas em raros momentos de nossa história. Por essa razão talvez uma das problemáticas para o livro ecoar com os leitores brasileiros seja justamente a falta de compreensão sobre o que realmente significava o apagamento da memória.

Lendo o posfácio escrito por Kay para a nossa edição brasileira (um mimo entre muitos problemas na edição) é ele colocar para nós uma das chaves para a sua narrativa: homens bons realizando coisas ruins em prol de um ideal. E realmente é isso no fim das contas. Mesmo Devin, Baerd e Alessan desejando algo bom para a Palma, eles são obrigados a realizar coisas deploráveis ao longo da narrativa. Alessan se vê na necessidade de usar uma pessoa como ferramenta para poder avançar seus planos; coloca toda uma província em perigo porque necessita estabelecer um campo de batalha; se vê obrigado a engolir seus ideais em um determinado momento. Alcançar o objetivo final na história vai exigir muito do caráter dos personagens. É aí que a gente começa a separar meninos de lobos. Quando chegarmos aos momentos finais de Tigana, veremos que os personagens serão completamente diferentes.

Uma das virtudes de Kay é saber trabalhar todos os personagens de forma bem igualitária. A gente pode reclamar de que um personagem ou outro ficou menos tridimensional e simplificado demais, mas todos recebem seu tempo na narrativa. E isso porque estamos falando de um livro único (a Saída de Emergência dividiu um livro que era de um volume só). A habilidade de Kay de compor sua narrativa lhe dá tempo de construir o mundo, desenvolver os personagens e aprofundar a história. Isso é mais do que vemos em muitos outros livros. Em um espaço de aproximadamente 600 páginas, Kay faz mais do que trilogias com mais de 800 em cada volume. Alberico e Brandin são muito mais do que simples antagonistas. Por exemplo, vemos que Alberico é um homem que apostou tudo em uma campanha militar com vistas a reforçar seu poder e destronar seu imperador. Mas, ele vai percebendo que tomou uma decisão errada ao vir para a Palma. Conhecemos seu caráter cauteloso, mais voltado para coisas práticas do que ideais. Já Brandin é o inverso. Brandin se mantém na Palma por conta de sua vingança contra os tiganeses. Mas, Brandin é um homem que vive de suas emoções, que, por vezes, são intempestivas. O caráter do imperador de Ygrath acaba tendo uma boa química com a inflamada Dianora.

Se eu posso tecer críticas à Tigana está no fato de que não se trata um livro com muitas cenas de ação. Kay é mais um planejador do que alguém que vai te colocar no meio do conflito. Temos dois momentos um pouco mais climáticos na narrativa: uma no final da terceira parte e outra realmente no final da narrativa. Outra coisa que me incomodou um pouco foi que em alguns trechos que aparecem sobre o ponto de vista de Alberico são mais contados do que aparecem de verdade. Eu gostaria de ter visto alguns acontecimentos se desenrolando e como Alberico foi sendo levado ao limite por Alessan e suas intrigas feitas nas sombras. Teria sido mais recompensador. Mas, enfim, talvez isso incomode aos leitores que esperam algo mais desenfreado. Isso não é o estilo de Kay. Ele prefere um ritmo mais constante na narrativa.

Daria para falar de Tigana por parágrafos e parágrafos a fio. Mas, fica o meu convite para os leitores para darem uma oportunidade para este material. Se vocês não puderem ler em inglês, adquiram o resto do estoque de Tigana que está sendo vendido sempre a preços irrisórios na Amazon. A qualidade do livro fala por si mesma. Kay é um mestre na prosa poética. Além disso, ele consegue tornar aquilo que nos é familiar em algo diferente do que existe por aí. Alguns vão imaginar que a ideia de Tigana é copiada de um cenário renascentista dos condottieri lutando entre si pelo predomínio na península Itálica. Nada poderia estar mais errado. É como aquela brincadeira da série de TV do Chaves: parece península Itálica, tem sabor de península Itálica, mas não é a península Itálica. É a península da Palma, com todos os seus problemas e dilemas.

site: www.ficcoeshumanas.com.br
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Café & Espadas 23/02/2014

Resenha Tigana
Tudo na nossa memória é ligado a nomes. Nome do lugar onde você cresceu, viveu a sua infância, nome das pessoas que de algum modo foram importantes na sua vida, até mesmo datas especiais possuem uma nomenclatura especial. Um nome dá identidade, personalidade e algo para lembrar depois que aquilo se vai, e basta ouvir o nome sendo pronunciado e tudo ligado a ele flui, em uma onda de sentimentos arrebatadora, seja para o bem ou para o mal.

Mas e se de repente alguém apagasse o nome (e todas as lembranças) de algo importante para você, não só da sua mente, mas da de todas as pessoas? E se de repente, tudo aquilo que você ama e guarda na memória simplesmente fosse obliterado? Essas são as primícias de Tigana: uma história sobre memórias, vingança e a tentativa de reconstrução da dignidade de um povo que perdeu o seu lar.

Guy Gavriel Kay nos leva nesse primeiro volume da sua saga a conhecer a Península da Palma; um importante território repleto de províncias e magia, que se encontra dominado por dois feiticeiros poderosos: Alberico de Barbarion e Brandin de Ygrath (que lançou a maldição sobre Tigana), ambos de impérios exteriores à Palma, ao ocidente e oriente.

No prefácio feito para a edição brasileira é mencionado que a história se passa em uma “Itália medieval”, mas durante a narrativa não temos uma descrição mais precisa dos ambientes, o que poderia nos assegurar disso. O que permite que a história se encaixe facilmente em qualquer ambiente medieval. Mas isso não prejudica a história em nada.

Outro ponto forte na Península da Palma é a religião e o tradicionalismo.

A Tríade (o conjunto dos três deuses que regem toda a criação e o destino dos humanos) é cultuada em todas as províncias, e o clero possui uma forte influência no governo e até mesmo nas ações tomadas pelos dois feiticeiros dominadores. Há também os grandes festivais tradicionais e as datas importantes como o Festival das Vinhas e o Dia das brasas.

E é em um dia do Festival das Vinhas que a história de Tigana começa.

Devin é um jovem cantor que viaja com um grupo de artistas que faz apresentações em festividades, cerimônias religiosas e até apresentações particulares para os poderosos de Palma. É nesse grupo que ele conhece Catriana, uma linda e exuberante ruiva de olhos azuis profundos, que tem por ele um possível amor incubado e uma antipatia fria e provocante. Outro personagem importantíssimo para a narrativa é Alessan, o último príncipe de Tigana, que também está no mesmo grupo de artistas que Devin, sob um disfarce conveniente as suas ambições.

Eles são escolhidos para uma importante apresentação no funeral de um poderoso duque. Após a apresentação, o grupo se reúne em uma sala e Catriana lança um olhar suspeito para Devin e em seguida sai pelos corredores do palácio, e Devin, movido pela curiosidade e pelo desejo que sente por Catriana, a segue, sem saber que estava se envolvendo em uma elaborada trama para derrubar os dois tiranos que dominam a Península e reconstruir o nome e a memória de Tigana.

Na outra parte da história (o livro é dividido em duas), conhecemos Dianora. Ela é uma concubina de Brandin e assim como Alessan, é uma sobrevivente de Tigana. Ela planeja também uma forma de vingança contra o feiticeiro, mas aos poucos, ela percebe que está acomodada a vida na saishan (um palácio para concubinas) e que desenvolveu um sentimento por Brandin.

Temos aí um prato cheio para uma boa história e um enredo muito bem elaborado.

Em Tigana o autor nos apresenta um mundo fantástico que vai muito além da magia, dos mitos e das lendas. Ele possui um elaborado sistema político, que pode abrir um leque de intrigas por poder e cargos importantes na corte. As similaridades com eventos da nossa história podem ser encontradas também, como a relação entre invasor e invadido, a passividade e falta de senso de unidade entre as províncias da Palma, que facilita a dominação de Brandin e Alberico e o genocídio cultural que foi imposto em Tigana, semelhante ao feito por alguns países ao longo da história.

Se você, leitor, é fã de uma história de fantasia épica com cenas empolgantes de ação, espadas desembainhadas e grandes batalhas, certamente você ficará um pouco desapontado com esse livro. A narrativa, dependendo do ponto de vista, é meio “parada”, e o final não deixa uma boa tensão para o segundo volume, apesar de ser muito bem escrita e ter ótimos personagens: envolventes, inteligentes e ávidos para o amor e o sexo.

Outro ponto positivo dos personagens é o fato de todos, todos mesmo, terem uma dualidade de caráter. Ninguém é totalmente bom, nem totalmente mau. Como, por exemplo, Alessan, que pode ser visto como uma vítima que viu sua cidade ser apagada da memória de todos, para que não pudesse ser lembrada por ninguém, mas ele leva o seu desejo de vingança até a última e mais baixa consequência, chegando ao ponto de tirar a total liberdade de um homem para concretizar seus planos. Já Brandir, mesmo sendo um tirano, mostra em várias partes da narrativa um comportamento brando e, algumas vezes, misericordioso. O leitor mais atento irá perceber como os personagens vivem na filosofia do “Os fins justificam os meios”.

A edição feita pela “Saída de Emergência” é belíssima, com mapas detalhados, página amareladas e uma boa diagramação e revisão. O que me desagradou foi só a capa, que poderia ter recebido uma bela ilustração de alguma suntuosa cidade da Palma, ao invés de uma foto de um homem fantasiado de sabe lá Deus o que...

Fiquei muito curioso sobre o futuro dos planos de Alessan e de como as outras tramas paralelas irão se desenvolver. Quem adquirirTigana – A lâmina na alma com certeza vai ter um bom livro em mãos. Aguardando aqui, ansiosamente, Tigana – A voz da vingança.

Recomendo a todos essa ótima leitura.

site: http://cafeeespadas.blogspot.com.br/2014/02/titulo-tigana-lamina-na-alma-livro-um.html
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Albarus Andreos 22/12/2014

Confuso, para dizer o mínimo
Não posso me lembrar da última vez que tive de recomeçar a leitura de um livro, após já ter avançado consideravelmente (no caso, fui até a página oitenta), por não estar conseguindo absorver completamente a narrativa, seja por um estilo um tanto quanto confuso (e aí até credito a falha, parcialmente, à preparação do texto por parte da editora), seja por haver uma série de informações jogadas, de forma muito rápida e sem as conexões necessárias para torná-las mais palatáveis. E afirmo que jamais havia feito isso duas vezes, embora na terceira tentativa as coisas já se mostrassem mais fáceis de absorver (Deus é Pai!). Tigana: a Lâmina na Alma (Editora Saída de Emergência, 2013), vem da primeira leva de livros lançados pela SDE no Brasil, e exige um esforço de interpretação um pouco mais apurado, diferentemente do que está acostumado o leitor de fantasia mediano.

A história, basicamente, inicia-se com um flashback que marcaria profundamente a história nesse mundo fictício, batizado como península da Palma, baseado numa realidade com toques e nomes italianos e nas lutas das suas cidades estado, na idade média. Dito isso, temos que no local travou-se uma batalha sangrenta onde um rei invasor, detentor de conhecimentos místicos, massacrou os locais. Esse rei, Brandin, vindo do império de Ygrath, é inimigo de um outro soberano, Alberico, de Barbadior, e ambos estão subjugando a península, dividindo-a entre si, sob o peso de seus exércitos e sua magia. Bem, isso é o que nos conta o narrador, pois magia mesmo é difícil de encontrar nesse livro. Fico aqui raciocinando se deveria mesmo ser inserido no gênero fantasia, pois ela praticamente não aparece, nem seres fantásticos, nem espadas mágicas ou qualquer coisa do tipo, a não ser pelo fato de que Brandin apagou o nome de uma das províncias da Palma da memória das pessoas, após a morte de seu filho numa batalha.

Misturado a isso temos a introdução do personagem principal, Devin D’Asoli, um jovem fazendeiro com muito talento para a música; ele sai de sua terra, Asoli, no norte da península, e viaja o mundo com uma trupe de artistas. Nessa trupe conhece Catriana, uma linda cantora, um pouco inexperiente na arte, mas extrovertida e geniosa — e linda! Em Astibar, um Duque de nome Sandre, há muito deposto e exilado por Alberico, planeja sua própria morte, com o intuito de invocar o ódio de antigos nobres, inimigos seus, no esforço comum de expulsar ou matar Alberico, o“mal maior”. Esse plano passa pela colaboração de seu filho do meio, Tomasso, um homossexual que finge ser depravado e escandaloso, mas que na verdade é muito ciente de seus deveres e interpreta o papel de bicha louca apenas para que possa assim passar "despercebido", como ameaça aos inimigos.

Devin segue Catriana durante os ritos fúnebres para os quais foram contratados para cantar. Num aposento secreto no andar de cima da casa, ouvem uma conversa entre alguns membros da família Sandrini, em que se afirma que na vigília, que se realizará na parte da tarde, em uma cabana de caça na floresta, fatos importantes que envolvem essa revolta se concretizarão. Catriana, para “enrolar” Devin, transa com ele (!), com o intuito de que não preste atenção à discussão e assim possa continuar com os próprios planos secretos, junto com um grupo que conheceremos depois, na cabana (cara, muito forçado isso!).

A vigília é então realizada após o caixão ser levado para a tal cabana, Tomasso e seus familiares se reúnem lá, com os dois nobres convidados, inimigos de seu pai, e o contexto é revelado a eles, pois assim “planejou detalhadamente o pai”, pois estão às vésperas do Festival das Brasas, e Alberico não poderia impedir que os rituais fúnebres se realizassem e até permitiria que o corpo do antigo Duque voltasse a Astibar, para a visitação final dos seus antigos súditos.

Entendeu? Tudo isso acontece nas primeiras oitenta páginas, e com um rigor de detalhes que ainda inclui as divindades veneradas pelos habitantes da Palma, as bebidas que gostam, os locais que habitam e vários personagens secundários e suas ações, que nem me atrevo a incluir também nessa resenha, por simples questão de espaço. E, claro, como já citei, há certo despreparo com relação à preparação do texto (paradoxal, não é?), que falha em alguns momentos com a pontuação e exagera na prolixidade de algumas passagens. Aliás, as partes internas das capas trazem um mapa lindo da península. Ótimo, se não fosse o erro infantil de atribuírem erradamente o topônimo Barbadior, o império do leste, à capital da ilha de Chiara, que deveria ser Sangarios, como o próprio livro mostra num outro mapa interno. Ao invés de ajudar, o mapa atrapalha, e muito. Tenha dó, Editora!

Ficaria espantado ao saber que alguém chegou a esse ponto com uma só leitura, tendo entendido certinho, concatenado todos os fatos e reunido todas as pontas, sem qualquer problema. Você conseguiu? Uau. Parabéns! Sinto-me aqui uma besta quadrada, mas como quem está escrevendo a resenha sou eu (e você pode fazer a sua também, esmiuçando brilhantemente todos os fatos com sua perspicácia), vou é tentar explicitar do que estamos falando em Tigana, mas sob minha ótica, óbvio.

Que porra é essa de Sandre se matar para reunir os antigos inimigos na cabana de caça? Não tinha jeito mais fácil? Não dava para trocar mensagens usando o velho truque do espião disfarçado, ou informantes? Que planejamento é esse, afinal, que ele engendrou para reunir os dois nobres, sabendo que “um sexto integrante” estaria presente? Como sabia? Não se fala em magia ou premonição até aqui, na história, para corroborar essa possibilidade. Aliás, como Catriana sabia que os familiares de Sandre se reuniriam naquela determinada sala, onde tem um aposento secreto, naquele determinado horário? Como saberia que estariam lá, no exato dia?

Bem, com o decorrer da trama vemos que não é bem assim, mas há pessoas envolvidas que não poderiam ter concordado com coisa toda... O descarte de Tomasso, logo no início é um desperdício de bons personagens, sendo que Guy Gavriel Kay não pode se dar a esse luxo, como vemos no decorrer da trama. Chega a parecer que propor um personagem gay não passa de um mero afago ao público LGBT. E o incesto que avassala as existências de Dianora e do irmão, depois (ótimos personagens que acabam por ser introduzidos)? Para que serviu? O autor parece querer chocar e tirar o leitor de sua zona de conforto, mas não consegue incutir valor a esses argumentos. Na verdade, parece que falta planejamento. Planejamento ruim é a palavra de ordem aqui.

A obra, hora editada pela Saída de Emergência, traz um posfácio à edição brasileira que muito elucida esse certo “descontrole” que noto nas páginas de Tigana. Fiz questão de lê-lo antes e depois de terminada a leitura. Fica claro a intenção de fazer uma história com os contornos medievais italianos. Fica também clara a intenção de mostrar como certos “líderes” usam a prática de tentar “mudar a história” com gestos surpreendentes. O autor cita uma fotografia tirada na Tchecoslováquia, quando da Primavera de Praga, uma revolução massacrada pelo regime soviético, no ano de 1968. Ele cita uma fotografia, com dirigentes comunistas, que após a revolução tem um de seus retratados apagado da foto e substituído por uma planta (!), numa rudimentar manipulação fotográfica, numa época anterior ao advento do Photoshop. Apagar uma pessoa seria então um gesto maior que simplesmente matá-la. Essa prática de manipular fotografias era contudo muito utilizada por Stalin, em seu cruel regime que reduziu a União Soviética a um continente surreal no mundo. Fotos desse tipo há aos montes. Procure no Google para saber mais.

Num trecho anterior, o autor diz que antes de começar a escrever Tigana, a única imagem que tinha em mente era uma reunião realizada às escondidas, numa cabana de caça, no meio de uma floresta, que tinha uma pessoa a mais, do ponto de vista dos presentes, sentada numa janela. Exatamente a cena retratada no final daquelas oitenta páginas iniciais do livro. Ora, o livro todo foi escrito para arcabouçar essa cena? Sim, foi. Isso e mais a ideia central de que alguém (ou, no caso, um povo inteiro), pode ser apagado da história pela simples vontade de um tirano. O esforço do autor para tornar o livro um objeto coeso e único tropeça continuamente nas intermináveis reflexões dos personagens sobre a perda de identidade dos indivíduos que nasceram em Tigana, no expurgo de uma história, com o simples esquecimento de uma nome, ato da magia vingativa de Brandin. Por que raios o autor foi meter isso tudo numa obra de fantasia, fica no reino no insondável. A intenção pode ter sido boa, mas o ditado já dizia que “o inferno está cheio de boas intenções”.

A mim, parece, que Guy Gavriel Kay não alcançou os objetivos a que se propunha. Temos um livro amarrado, no sentido de que não deslancha, desamarrado, no sentido de ter muitas pontas soltas (que prometem ser elucidadas no próximo volume da série, parece), e personagens complexos demais, que acabam, por si só, retirando a história do foco e restringindo-a a si mesmos. Tigana é um livro de personagens, com uma temática absurdamente densa ao redor de si, com poucos diálogos e sem a desenvoltura da boa fantasia. Como disse antes, inserir a obra na literatura fantástica é estranho, parece até um descuido. Ficaria melhor como uma metáfora, mais a George Orwell, do que ocupando o lado esquerdo de obras como O Senhor dos Anéis, de Tolkien, ou A saga da Espada de Shannara, de Terry Brooks, essas sim, fantasias legítimas.

site: www.meninadabahia.com.br
Ana Vidal 25/05/2016minha estante
comecei a ler hj e estou odiando. leitura difícil e rebuscada. vc tem q pensar MUITO pra poder entender a estória. sorte q o livro me custou R$ 5,00 kkkkkkkkkkk




RaissaNantes 03/02/2014

Um livro adulto de personagens fortes e expressivos.
A estória é narrada diante da visão de vários personagens diferentes. Começa dezoito anos antes da busca pela liberdade e vai de um personagem a outro sem perder o foco do que está se desenrolando, nos mostrando personagens cada vez mais fortes e decididos. Os tiranos, por mais bárbaros e sanguinários que sejam lá no fundo tem sua humanidade, seus amores, suas dores. Nossos heróis por sua vez, não tem nada de heróis, são tão humanos e falhos quanto nossos 'vilões' o que torna todos os personagens da trama críveis.

Acredito ainda que Tigana vai muito além da liberdade de um povo ou o renascimento de um nome. Em suas entrelinhas temos temas muito mais complexos e, talvez, ainda mais importantes que a liberdade da cidade esquecida. Honra, amizade, esperança, determinação, sacrifícios e fé. Muita fé nos é passada pelas páginas deste livro, e não é a fé que estamos acostumados, é uma fé muito mais importante, um poder imensurável que só pode vir de dentro de você, da sua determinação e da sua vontade de fazer algo.
Enquanto segredos vão sendo revelados, mortos ressurgem das tumbas e uma cidade volta a pulsar em segredo na memória de alguns poucos patriotas e toda a trama vai se desenrolando de forma coerente e arrebatadora. A cada virar de página é uma surpresa diferente, um detalhe a mais que espero ser maestralmente atado no final do último livro.

Que eu esperava uma ótima leitura já era sabido desde que li sobre o livro na primeira edição da Revista BANG!, mas nada pode me preparar para o que as páginas desse livro tinham guardadas para mim. Estou simplesmente arrebatada pela trama e mal vejo a hora de ver onde essa rebelião terminará.

Eu gostaria de revelar cada um desses segredos a vocês, mas acho que a magia deste livro está na surpresa de cada descoberta entre essas páginas o bem escritas e amarradas.

Se prepare também e deixe que o nome de Tigana seja como lâmina em sua alma... E que venha A Voz da Vingança, pois já estou preparada para ouvi-la.

LEIA A RESENHA COMPLETA NO LINK ABAIXO:


site: http://livrosromanticos.blogspot.com.br/2014/02/tigana-lamina-na-alma-guy-gavriel-kay-12.html
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Fernanda 10/04/2020

O moço da capa é o Jensen Ackels
Esse livro para mim...foi meio gostei e não gostei
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Carol 19/10/2014

Fantasia de qualidade
Emocionante e inteligente, o roteiro se desenvolve revelando fatos e personagens sem uma ordem linear e fazendo com que aos poucos o leitor junte o quebra-cabeça que forma o pano de fundo para a história. Uma ótima leitura.
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ste 18/06/2014

Nessa resenha, farei diferente: começarei falando da parte gráfica do livro.

Logo no início é possível notar toda a dedicação que a equipe da Saída de Emergência teve: capa linda, mapas detalhados de todos os povos, tradução perfeita... aquelas coisas que eu costumo reclamar, sabe?

Achei que eu leria esse livro super rápido, porque a sinopse já tinha me ganho e some a isso o fato de que, como disse, a arte não deixou a desejar. Fui logo criando expectativas...

... O problema é que quando há expectativas, há decepções.

Grande parte do livro foi muito maçante, talvez pela linguagem a qual não estou acostumada ou pela falta de acontecimentos que "agitassem" o livro - sei que não é iogurte para ser agitado, mas vocês entenderam.

A história em si foi realmente uma ideia boa, talvez se fosse uma distopia, sabe? Algo mais futurístico, eu teria devorado, mas tenho grandes problemas com coisas mais "clássicas', podem me julgar.

Entre os personagens há um grande contraste: algum que eu poderia até dizer que não tiveram nenhuma influência significante na narrativa foram muito trabalhados e outros que deveríamos, que queremos saber mais, foram muito superficiais.

Tive que realizar a chamada "leitura dinâmica", pulando várias parágrafos e até páginas inteiras.

O ideal do livro foi bom, quer dizer: um povo inteiro que simplesmente some do mapa, que é apagado da mente das pessoas que lá não nasceram, que nem sequer são capazes de ouvir Tigana? Realmente chama muita atenção.

Você tem paciência para um vocabulário mais clássicos e páginas e páginas do mais puro nada? Leia.

site: http://devaneiosestrelares.blogspot.com.br/2014/06/resenha-20-tigana-lamina-na-alma-guy.html
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sagonTHX 04/03/2014

Muuuuito ruuuuuuim!

Infelizmente o livro não me empolgou. Faltou muita coisa do que se diz "fantasia". Além do mais, achei muito pretensioso quererem eleger o autor herdeiro legítimo de Tolkein, considerando-se que Gavriel Kay não usa nenhum dos elementos "fantásticos" do gênero Dungeon & Dragons, ou seja: Orcs, Trolls, anões, dragões, elfos, seres mitológicos, lutas épicas do tipo espada e magia, que fizeram de Os Sonhores do Anel épico que ainda não foi superado.

Faltou isso e algo mais no livro. Passei mais da metade lendo diálogos atrás de diálogos. Tá bem escrito, com narrativa adequada para uma trama de conspirações palacianas, política e religião, assassinatos e traições, mas é só. Para isso, temos o excelente George Martin com sua fabulosa saga Crônicas de Fogo e Gelo, que recomendo.

Tigana foi publicado em 1990 e, do meu ponto de vista, deve ter feito muito sucesso naquela década (não sei por que). Hoje, com a enxurrada de livros de fantasia aportando nas livrarias todas as semanas, fica difícil ler um livro que não sai do morno. Dei duas estrelas por conta da belíssima capa do livro e da excelente arte gráfica da Saída de Emergência. De resto, creio que há livros melhores do gênero par ler, inclusive lançamentos nacionais de autores amadores.

Hoje em dia ser escritor é fácil. O difícil mesmo é fazer sucesso. Stephen King que o diga. Ele não é o maior escritor de todos dos tempos por nada. É só olhar pra trás e ver a longa estrada que ele percorreu, e nem por isso ele se acha o Tolkein da literatura.


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ricardo_22 13/02/2014

Resenha para o blog Over Shock
Tigana: A Lâmina na Alma, Guy Gavriel Kay, tradução de Carlos Daniel S. Vieira, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Saída de Emergência Brasil, 2013, 368 páginas.

Tigana é uma antiga nação oprimida por conquistadores vingativos. Os últimos sobreviventes dessa província da Península da Palma se unem, depois de muito tempo, para tentar libertar esse povo de uma maldição do Rei Brandin. Com essa maldição, o nome dessa terra não pode ser lembrado ou pronunciado por outros povos, e isso está causando a perca da identidade e da história dos tiganeses.

Liderado pelo Príncipe Alessan, esse grupo inicia uma perigosa jornada com o objetivo de destronar os reis que conquistaram as províncias e que desde então estão no poder. O objetivo principal é recuperar o nome banido, e para isso todos entram em uma aventura cercada de paixões, mitos, vinhos e muita música para acompanhar a luta por um antigo sonho.

“E Dianora pensara, enquanto sua visão sentia a dor daquela ausência: o que é uma pessoa que segue seus dias como sempre fez, que fala, anda e trabalha, que come, faz amor, dorme e às vezes até consegue rir, mas cujo coração foi cortado e arrancado de seu corpo? Nenhuma cicatriz fora deixada à vista. Nenhuma ferida, pela qual pudessem se lembrar do golpe da lâmina” (pág. 193).
Uma característica bem particular de Guy Gavriel Kay o transformou no grande herdeiro de J. R. R. Tolken: a combinação de lugares e acontecimentos reais para a construção de um enredo alternativo e muito envolvente. Essa característica está intensamente presente em Tigana: A Lâmina na Alma, livro mais importante do escritor canadense, que foi inspirado na chamada Primavera de Praga e se passa em um lugar muito semelhante à Itália Medieval.

Os elementos que inspiraram essa fantasia épica seriam suficientes para tornar a obra diferenciada, porém tudo é colocado perfeitamente bem e Tigana se torna uma fantasia incrivelmente cativante. Com três partes bem distintas, o livro consegue em poucas páginas apresentar províncias e pessoas diferentes (sempre com suas próprias culturas) e ainda explorar passado e presente para no fim dar sentido a tudo que poderia ser visto fora de contexto.

Mas a grande sacada de Kay está na elaboração de uma história sem personagens principais ou secundários, já que todos são de extrema importância – até mesmo aqueles que aparecem rapidamente – para que o grupo liderado pelo Príncipe Alessan tente conquistar seu grande objetivo. Se essa foi a intenção apenas o autor é capaz de dizer, no entanto dá para classificar a província de Tigana como a protagonista, já que além de carregar a história nas costas, ainda deixa o leitor instigado a conhecê-la.

Além disso, o cenário também não deixa a desejar, com a presença de todas as características que remetem a tão bela e encantadora península itálica. Mas isso, na verdade, só seria possível com uma escrita que possibilitasse a união de descrições detalhadas com uma leitura ágil – mesmo com capítulos tão extensos. Em um estilo único, Kay cria sua própria política e religião, e ainda leva o leitor a lugares e situações inesquecíveis com sua narrativa lírica que explora magia e vingança.

site: http://www.overshockblog.com.br/2014/02/resenha-216-tigana-lamina-na-alma.html
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Nicky 23/10/2016

O nome da cidade que não pode ser falada
Tigana - AS lâmina da alma, primeiro livro de 2 volumes, escrita por Guy Gavriel Kay, trata-se de um livro com a temática de fantasia e história épica, trazendo em si um mundo novo, com suas próprias gírias, costumes, vestimentas e vários aspectos culturais, sendo a base um sistema absolutista monárquico, caracterizado por seu enredo envolver as guerras por conquistas de territórios.
Começa assim um livro maravilhoso, com uma linguagem de vai da forma culta a informal. Com enredo e desenvoltura deste de forma descritiva e bem elaborada, seus personagens são bem trabalhados e suas ações dão ainda mais uma dica sobre o seu caráter.
Devin é filho de um dono de fazenda em Asoli, com seus dois irmãos gêmeos, vivem tranquilamente, dotado de uma perfeita memória que possui seus lados positivos e negativos, descobre-se um cantor nato, consegue entrar em uma companhia, onde viajara por quase toda Península da Palma. Depois de anos nela, uma séries de acontecimentos o leva a se juntar ao Príncipe de Tigana, Alessan para recuperar sua cidade e nome esquecido, devido ao Tirano chamado Brandin, feiticeiro que ao perder seu filho mais novo e querido na batalha pela conquista de Tigana.
Sendo descoberto a verdade sobre onde nasceu, Devin vai entrar nessa resistência, sendo o caminho tortuoso, sendo constantemente pego por ações que vão faze-lo questionar sua moral e ética.
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