A Metamorfose

A Metamorfose Franz Kafka




Resenhas - A Metamorfose


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Robson 28/03/2011

O pequeno grande livro de Kafka
Em poucas páginas, em um estilo ousado e objetivo, Kafka criou uma das mais perturbadoras obras da literatura mundial.


Tudo começa com a inesquecível cena de Gregor Samsa acordando e percebendo que se transformou em um inseto monstruoso. É interessante notar, que o que mais impressiona aqui é a naturalidade com que o autor retrata toda a situação de Gregor, ele o faz de uma maneira tão sucinta e objetiva que parece que estamos vendo uma pessoa sofrer de resfriado ou algo assim.


Não existe em nenhum momento aquela reação que se é esperada de uma pessoa que sofre de uma terrível transformação física, o que se vê aqui é somente a constatação de que Gregor não poderá naquele dia cumprir o ritual diário de sua vida: acordar cedo, pegar o trem e prosseguir com a sua profissão de caixeiro-viajante. Toda a situação é vista como um obstáculo que impossibilita Gregor de seguir sua vida imediata, cotidiana.


Nada na obra de Kafka é escrito sem muita tristeza e desolação, parece que o que ele realmente pretendia ao escrever o livro, era fazer o leitor acordar de um transe profundo no qual este não se da conta de que de uma hora para outra, todos os conceitos e todas as certezas que temos podem ser subvertidos sem qualquer aviso ou prevenção; é como se Kafka nos desse um tapa na cara (como quem diz: acorde para a vida ou as coisas podem mudar e você pode se ver indefeso subitamente).


Esse sentimento de impotência é ressaltado pelo próprio autor em uma carta: Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos angustiem profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para florestas distantes de todos, como um suicídio. Um livro tem que ser o machado para o mar congelado dentro de nós.


Então Kafka já havia criado uma narrativa singular, cuja sensação de impotência em relação à história é sempre presente não só para Gregor, como também para o leitor.


O que resta ao leitor é ter que se conformar com a situação cujo ponto de partida ele desconhece, permanece oculto até o último momento. O que permanece é a dúvida, pois tanto Gregor quanto o leitor não sabe o porque do protagonista ter sido transformado em um inseto.


Isso pode servir como uma metáfora para a própria falta de humanidade e espírito caridoso da grande maioria das pessoas, que em certas oportunidades tratam de forma injusta ou até humilhante seus semelhantes, simplesmente porque estes causam problemas.


Isso se reflete em um trecho do livro em que a família de Gregor decide dar fim a toda a situação matando-o (por assim dizer), visto que este último não consegue ajudar no sustento da família, já que não pode trabalhar e garantir mantimentos para esta.


Esse livro funciona como uma espécie de espelho para inúmeras situações que presenciamos em nosso cotidiano, como filhos que resolvem colocar os pais em asilos, porque estes dão muito trabalho e já não ajudam (de uma forma ou de outra), sendo chamados até de parasitas, a questão aqui é a seguinte: como você pode simplesmente desprezar alguém que te ajudou a vida inteira porque tal pessoa não corresponde mais as suas expectativas, e como se sentiria essa pessoa? Se você pensou em um inseto, então estamos na mesma conversa, certo.


Parece-me que existe alguma coisa muito errada nesse utilitarismo cego; deixar uma pessoa de lado simplesmente porque não abraçam nossos anseios e expectativas; deve-se reconhecer que tal pessoa teve durante muito tempo, grande importância em nossas vidas, como no caso de Gregor, parece que o fato dele ter trabalhado e ajudado durante longo tempo sua família, não contribui em nada para este ser tratado como um mero inseto, seria o mesmo que abandonar uma pessoa doente na família ou um amigo, visto que este não pode mais lhe beneficiar, tratando-o como um nada, um inseto.


Ou o que devemos preservar em uma pessoa que nós é importante seja certamente a lembrança, de que essa pessoa é o que ela sempre foi, não o que se parece agora, tendo isso em mente é possível conviver em paz e aceitar essa situação com uma perspectiva diferente da que é mostrada no livro.


Infelizmente para Gregor e para o leitor de Kafka, o mundo que Kafka cria se mostra como sendo o mundo real: não é o mundo do era uma vez, mas do é, como se pode ler no texto, este uma espécie significação pura, tudo é o que é, sem nenhuma atenuação, como na própria vida.
Júlia 06/01/2012minha estante
O teu conhecimento sobre o autor, a obra e teu entendimento sobre o livro em específico fizeram da tua resenha a melhor que li aqui. O melhor desse livro é a forma de Gregor de agir com a situação, onde Kafka não a dramatiza do ponto de vista do homem que se torna inseto. Ele tenta de todas as formas diminuir a repulsa familiar e agradá-los com seu gosto pela música da irmã, perdão às agressões do pai, sem obter resultado algum. Ótimo livro, ótima resenha


Manini 19/06/2012minha estante
Essas edições que tem ai, tem quantidades de páginas diferentes, o conteúdo é o mesmo? to querendo comprar as edição da abril o conteúdo é o mesmo para todos, ou sofre muita alteração.


Yas 05/12/2012minha estante
Realmente é um livro muito lindo, o autor nos mostrou de uma forma um tanto inusitada como a sociedade trata algumas pessoas. Chorei só de ouvir o meu irmão comentar sobre a história!


rafael 13/01/2013minha estante
E o mais complicado de toda essa situação é que todos passam a vê-lo não só com uma parasita, mas também como uma ameaça, porque além dele ter parado de ajudar pela incapacidade, ele ainda dava prejuízo espantando a fonte de renda que seria os inquilinos no caso. O mais triste do livro é que a pessoa que mais o ajudou foi a primeira a levantar a decisão de dar um fim nele, sendo que o coitado do Gregor teve que carregar, mesmo que mostrando-se conformado, um fardo de culpa que não era dele, sendo que ele ainda se preocupava muito com a família e o auge do desfecho veio justamente do encanto que ele tem com sua irmã tocando violino...


Johnny B. 01/03/2013minha estante
Grande perspectiva... dá uma olhadinha no meu blog. http://www.bibliadekafka.blogspot.com.br/


Letícia 08/10/2013minha estante
Ótima resenha! Também adorei o livro. Uma coisa que eu achei interessante estava na introdução da edição que eu li, traduzida por Celso Donizete Cruz. Este escreveu algo para se pensar: se Gregor ainda era humano quando inseto, já era inseto enquanto humano?


Maria 31/10/2013minha estante
História triste, mas que reflete bem a essência humana no que se refere ao tratamento com o outro, sobretudo se esse outro se torna um "fardo".


mon.amour93 22/02/2014minha estante
Eu adorei a sua resenha. E sempre me vem um sentimento triste e de revolta quando leio metamorfose. Penso bastante em meus familiares, e é complicado quando se trata de pessoas com doenças sérias. Muitas vezes perdemos a cabeça...[sessão desabafo]
Enfim sua resenha expressa bem os sentimentos que eu senti ao ler.


Karol.Mendes 12/02/2015minha estante
Só de ler esta resenha já coloquei o livrinho na minha listinha! :D


Maria Isabel 26/03/2015minha estante
Simplesmente amei sua resenha, você conseguiu falar tudo o que o livro é, e isso não tem preço!


Nando 16/09/2015minha estante
A minha mente limitada só me permitia ver - ou pelo menos com mais ênfase do que as outras possibilidades - o Gregor como impotente diante de uma situação que se impôs sobre ele de forma inexplicável e sem perspectiva de mudança.
"Ah, sou um inseto, por que isso ocorreu e porque minha família mudou o modo como me trata?". Ele fica apenas a descobrir a conveniência das relações que se formam apenas por interesse, ou pelo menos assim é que se mostra.
Obviamente que em um momento ou outro do livro nota-se um pequeno resquício da consideração dos familiares, ou melhor "das" familiares, pois o pai não demonstra ou pelo menos eu não percebi - perdão, caso eu esteja errado - nenhuma demonstração de preocupação em relação ao filho.
Como exemplos de demonstração dessa pequena consideração em um momento ou outro temos a parte em que Grete, irmã de Kafka, e sua mãe - que durante o livro todo não é citado o nome, assim como o pai, revelando o tom autobiográfico da obra que todos já conhecem - retiram os móveis, então a mãe de Gregor fala algo parecido com "Será que fazendo isso" - retirar os móveis do quarto de gregor - "não estamos reconhecendo que perdemos todas as esperanças de melhora do estado atual de Gregor?" e mesmo a irmã quando cita que o fato de retirar os móveis - não tenho certeza se é na mesma cena imagina que retirando os móveis sobra mais espaço para o irmão "rastejar". Elas retiram os móveis e a Grete ainda deixa o canapé por saber que Gregor gosta de ficar ali "escondido". De certa forma vi como uma consideração ainda, mas enfim...

Excelente resenha do Robson. Só citei essa parte pra tentar complementar ou pra apresentar minha visão, mas se tratando de Kafka, o fato de ser algo quase alegórico já tira qualquer certeza em relação ao que o autor quis dizer.


Jéssica Tancredo 18/02/2017minha estante
Que resenha maravilhosa, terminei o livro sem conseguir identificar o que estava ao certo sentindo até ler isso aqui.


Sarinha 05/03/2017minha estante
Eu tentei escrever uma resenha e você conseguiu transmitir na sua resenha tudo que eu estava sentindo e não consegui expressar. ?


Robson 03/07/2019minha estante
Grato a todos os que gostaram e dispuseram de seu tempo pra vir comentar aqui. Eu não sou escritor nem nada então, se consegui me expressar da forma que o livro faz nos sentirmos então... deve ser algo bom
De qualquer forma muito obrigado a todos, de verdade mesmo




Lindenberg 12/01/2011

Kafka foi feito para ser lido e relido várias vezes.
Foi meu primeiro contato com Franz Kafka, fico até sem jeito de escrever sobre este livro, de fazer uma resenha, são tantas interpretações possíveis, tantos pontos a serem tocados, é frustante não conseguir ver tudo o que é possível fazendo uma primeira leitura.

Cada leitor vive uma experiência diferente, única, vive um aprendizado diferente.

Para mim, Kafka mostrou um pouco da grande e silenciosa solidão humana, da incapacidade de alguns mudarem suas vidas, da dependência de outros, do valor que é dado, por nós, ao conformismo e ao conforto em todos os seus aspectos. Mostrou como um problema, no caso a metamorfose de Gregor Samsa, transformou as atitudes e jeito de viver da sua família.

O livro foi escrito em 1912 e para um melhor entendimento é necessário conhecer o momento histórico que o contextualiza, um destes momentos é a crise da Bélle Époque que antecede a Primeira Guerra Mundial. Quando Kafka o escreveu estava em meio a uma crise existencial, religiosa e racional, a chamada crise da Modernidade

A leitura é para todos, muitos dirão que é nojento, mas vejam a história com outros olhos, as vezes é preciso reler algum trecho para se extrair a nossa realidade.

Foi o primeiro, e agora lerei todos de Kafka.
Peônia 05/10/2010minha estante
Lindenberg você escreve muito bem: riqueza tanto gramatical como de ideias. Suas resenhas nos fazem querer ler o livro em questão! Ou não!!!


K 15/02/2012minha estante
Faço das minhas as suas palavras, principalmente quando você diz: "Foi o primeiro, e agora lerei todos de Kafka." :)


Marina 22/11/2012minha estante
esse grande ''livrinho'' faz a gente pensar em muitas coisas...
Por trás de uma história fantasiosa, podemos assimilar várias situações que acontece na vida real, por ex. quando alguma pessoa que antes era útil a família de repente se torna uma pessoa inválida. Isso me lembrou muito de como as pessoas colocam os pais e os avós em asilos. Se não servem mais, são descartados.
Muito triste essa realidade.


Nando 16/09/2015minha estante
Isso mesmo Lindenberg, o contexto familiar do Kafka também influenciou bastante no livro, junto com os fatores que tu mencionaste.




Dominique 03/08/2009

Diferente de tudo o que já li...
Estou acostumada a ler um livro e obter as respostas para minhas indagações no final da leitura. Com "A Metamorfose" foi diferente, eu acabei a leitura e milhares de indagações ficaram voando livres na minha mente.

Temos a história de Gregor Samsa que acorda um belo dia e descobre que virou um inseto (presumo uma barata). Ao invés de se preocupar com seu novo estado, ele se preocupa com a temível demissão que teria se não fosse para o trabalho e com o conforto da família, caso fosse demitido. Sua família quando descobre seu estado atual é tomada de repulsa e o excluem da vida familiar. Gregor tem que passar por todas as fases da transformação com suas dificuldades e descobertas sozinho.

Três coisas me chamaram atenção nesse livro:

* A repulsa e a negação de sua família em aceitá-lo como ele era na sua forma atual. Eles apenas viram o exterior de Gregor, não levaram em consideração que apesar de tudo, ele ainda existia dentro daquele ser.

* Seu conformismo anterior a transformação de Gregor e como as dificuldades haviam modificado o ritmo da família levando-os da apatia/prostação para a ação.

* Ao relatar seus medos, dúvidas, desejos, sofrimento, percebemos que a mudança interior de Gregor após a transformação é grande. Ele transpassa todas as fases até chegar a aceitação do que ele tinha se transformado.

Finalmente, a solidão humana é também um dos ítens a ser destacado. As dificuldades e medos que Gregor enfrentou, poderiam ter sido atenuados com a ajuda da família.
Lindenberg 11/08/2009minha estante
Muito boa resenha menina. :-) Quero ver as próximas para os outros livros de Kafka.


Vivi 11/08/2009minha estante
Um dia eu escreverei tão bem quanto você :)


Erika 15/10/2009minha estante
Simplesmente excelente sua resenha. Confesso que li A Metamorfose há muito tempo e não me lembro de tantos detalhes, mas seu texto fez-me ter vontade de relê-lo.Bem, acho que vai gostar desse texto: http://scienceblogs.com.br/100nexos/2009/10/o_segredo_de_gregor_samsa.php Beijos


Karine Coelho 02/08/2010minha estante
Tive que ler sua resenha pra contar pra minha vó. Ela quase morreu quando eu falei que vc tinha amado! E ela disse que se eu gostar ela me mata! Rsrsrs.


Luan 06/03/2011minha estante
Boa resenha? Só contou o óbvio. Nada de especial. Esquece elementos importantíssimos para a ANÁLISE, como a vida burocrática e a visão do trabalho de Kafka, a crítica à sociedade e à economia expressa na obra e outros pormenores. Isso está mais para um resumo disfarçado de opinião.


Matt 24/03/2011minha estante
Ótima resenha :)


Arc 23/02/2012minha estante
SPOILER!!!!!! Eu não acho que ele realmente aceitou o fato de ser transformado em inseto, tanto é que ele nem se considera como tal. Eu vejo a aceitação dele como a aceitação de que a familia não o queria mais.


Nando 16/09/2015minha estante
Dominique, eu também imaginava que Gregor havia se transformado em uma barata, e é o que ficou aceito por aqui, mas alguns livros citam o protagonista como um besouro, mas não muda muita coisa imagino.




nanda 09/06/2009

os talentos e a comunicação
a questão da noite mal dormida me parece de extrema importância.
já no princípio descobrimos essa passagem, seguida de outra em que ele relata acreditar que todo homem deveria dormir o tempo justo.
em diferente ocasião declara ser o provedor de sua família, e que se não o fosse, já haveria de, satisfeito, ter pedido demissão. então, no momento em que se encontra 'impossibilitado' de trabalhar, já não se espanta com sua condição, nem como é visto, porém empenha seu tempo em descobrir-se vivo nesta nova forma.
na medida porém, em que é rejeitado pelo seus, passa a esconder-se, primeiramente para não aborrecê-los, depois, pelo abandono, já que a família não se inteirava de seus sentimentos, aliás achavam que gregor nem os tinha. não satisfeitos, tentam intervir enfim, retirando-lhe todos os movéis do quarto {com exceção do sofá que servia mais para a vergonha do que para a sua proteção}, arrancando também sua identidade.

a partir daí, vive em reclusão e sua nova forma já não tem mais utilidade para ninguém..consideremos agora uma pequena parte deste livro que para mim foi muito marcante: gregor nos conta que seu pai sempre esteve entregue ao ócio, raramente caminhava e ainda assim muito lentamente. entregue ao sofá, ao cansaço. agora, após sua metamorfose, trabalhava e não somente isso, mas era ele quem nem sequer dormia um sono justo e nunca tirava seu uniforme. a inversão dos papéis me pareceu um tanto irônica e triste.

o extremo em que chega sua existência se dá quando nem ao menos mais notam que gregor parou de comer. transformam seu aposento em um depósito, que não recebe mais arrumação nem limpeza {coisa da qual sua irmã se dedicava no começo da obra}.

gregor está entregue, sem razão de ser, motivo de vergonha para a família. mas a força não extinta assume forma quando tenta pela última vez comunicar-se com a irmã, admirado de seu talento, e preocupado, por, de repente, se enxergar nela. uma pobre moça tão talentosa, desperdiçando seu tempo trabalhando pelo sustento e não era nem ao menos elogiada por seu dom. nota-se na passagem em que ele a escuta ao violino e sente denovo o despertar para a vida: 'se era uma fera, porque a música tanto o impressionava ?' e 'pela primeira vez havia de servir-lhe para alguma coisa aquela sua espantosa forma'. gregor tentou salvar sua irmã. na tentativa, então mal sucedida, esgotam-se as esperanças. gregor não era útil, não tinha mais espaço no mundo..era um verme.

essa noite mal dormida {no livro não menciona o porquê}, talvez por grande reflexão de sua existência, ele sente-se mais natural ao descobrir-se inseto, do que enxergar-se como humano.

mas uma nova consideração que para mim resume toda essa tragédia, foi a falta de comunicação. até onde gregor tentou comunicar-se, não havia em si temor algum, apenas o já entorpecimento vivido por enterrar seus talentos, mas quando já a voz não se fazia compreensível, partiu-se o elo que ainda o fazia 'existir'. porque existir e viver são duas coisas bem diferentes.. ao não comunicar-se mais com os outros passou a ser ainda menos que um animal, transformou-se num inseto, um parasita a custa de outros, um fardo. como não era compreendido, perdeu-se em si mesmo.

o final, foi para mim brilhante, ao perceber que para os pais não se serviu nada do que presenciaram, destinando a sua filha um mesmo caminho..um sistema imposto em que se poderia originar um novo livro.
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silastorres 07/08/2010minha estante
melhor resenha que li sobre o livro até o momento. Realmente fiquei com muita vontade de ler... =) obrigado.




Ramiro 11/05/2011

O mundo é cruel com quem é diferente.
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Tarcísio 18/08/2010

Definitivamente "A Metamorfose" não é um livro só para ser lido. Ele dever ser também pensado, analisado, refletido. A história, por si só, não é suficiente para justificar a fama da obra e de seu autor, mostrando-se relativamente simples e bem curta.

Mas quando o leitor mais atento e interessado transcende a simples leitura, transpondo a situação vivida pelo personagem principal à vida real, aí sim tem-se uma real e justa impressão sobre a qualidade do texto de Kafka. De forma bastante atemporal, "A Metaformose" nos faz refletir sobre a situação onde uma pessoa respeitada e amada por todos perde essa importância à medida que não se mostra mais útil.

Esta obra de Kafka, escrita no início do século passado mostra-se um exemplo clássico do que hoje chamamos de literatura fantástica, estilo que vem tendo grande sucesso, mostrando-se como leitura obrigatória para esse público. Ainda não está convencido de ler A Metamorfose? Então, lá vai mais um motivo: tem apenas 96 páginas, de leitura extremamente fácil.
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Italo Cintra 08/11/2012

Time Is Running Out
"Não seria melhor dormir um pouco e esquecer todo esse delírio?"

Kafka ganhou notoriedade na literatura alemã do século XX. Com um estilo marcado pelo seu tom imparcial, atenção aos mínimos detalhes e temas que envolvem as deficiências da sociedade, o autor consegue em A metamorfose retratar o homem moderno, com uma filosofia que permanece atual no século XXI.

Gregório Samsa é um homem que pede muito pouco da vida, caixeiro-viajante que trabalha arduamente, não em beneficio próprio, mas em função de sua dependente família, é através dele que garantem sua sobrevivência. Seu pai? Um pobre coitada que não trabalha há cinco anos, sua mãe? Uma velha asmática e incapaz, e por fim sua irmanzinha ainda é jovem e inocente aos seus olhos.

Até que certa manhã ele acorda transformado em um inseto gigantesco, a parti daí, a metamorfose do personagem também é responsável pela transformação da família, onde ocorre uma inversão dos papéis, o "peso morto" da história passa a ser o próprio Gregório. Apesar do horror de ser transformado em uma barata gigante, o personagem não pensa em sua condição, lamentando apenas o fato de não poder trabalhar e garantir o sustento de sua família.

De forma sutil o autor convida seus leitores a refletir sobre a condição humana, como a superioridade que o trabalho adquire sobre a vida do personagem, como a visita de seu chefe, homem de negócios, que visa apenas o benefício próprio, apenas com proposito de fiscalizar o funcionário. O personagem não pode ser encarado como vítima ou vilão da história, mas sim, produto de uma sociedade que inibe o desenvolvimento e as aspirações de seus membros ao passo que os explora.
Nando 16/09/2015minha estante
Na descrição do pai podes, na minha opinião, acrescentar o adjetivo preguiçoso, pois o próprio Gregor nos deixa saber que seu pai não trabalha porque não o quer, mesmo sendo capaz disso.




Arcany-Ha 10/07/2009

Terrivelmente deprimente. Cumpriu o seu papel na história, mas achei simplesmente intragável..
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Bruno 19/10/2009

não me comoveu
Achei interessante a ideia central da obra, mas a história em si não conseguiu me envolver. Talvez seja insensibilidade minha diante do personagem. De qualquer forma, não consigo ver nada de sensacional. Talvez eu só me lembre da história em função da grande expectativa que eu guardava com relação a esse livro.

Tudo bem, devemos analisar o contexto histórico em que o livro foi escrito. Talvez tenha sido algo revolucionário para a época, mas não posso dizer que foi uma obra que me marcou. Não digo que seja um livro ruim. Talvez se vier a lê-lo daqui a alguns anos mude de opinião.

A impressão que ficou é que Kafka criou uma pequena fábula para expor seu desencantamento com a humanidade. E que todos os seus personagens eram meras marionetes servindo a esse intuito. O fato é que há autores - como Dostoiévski e Machado (este alguns degraus abaixo do primeiro) - que apesar de utilizarem descaradamente seus personagens para expor suas teses, o fazem de maneira tão sublime que o interesse pelos seus romances permanece praticamente intacto mesmo se desconsiderarmos o que o autor quis dizer com a sua obra.

É claro que corro o risco de estar falando uma grande besteira. Afinal de contas, não deve ser sem motivo que Kafka seja tão reverenciado. Mas até o momento, não consegui entender o porquê.
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tatiana 18/12/2009

Uma história inimaginável, kafka critica a sociedade e o superficial laço familiar que nos é imposto.
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Ju Dacoregio 15/04/2009

Assim como acontece com todos os clássicos, Metamorfose, de Kafka, se tornou um livro mais citado e comentado do que propriamente lido. Na verdade, é só falar em Kafka que a maioria das pessoas pensa logo em barata. A maioria das pessoas, com um mínimo de cultura, porque o resto não pensa em nada mesmo. Nunca ouviu falar.

A transformação de Gregor Sansa - Barata ou o quê?
Bem, para começar em momento algum do livro, Kafka deixa claro que o inseto no qual Gregor Sansa se transforma seja mesmo uma barata. Mas o bicho é tão nojento (só sente apetite por coisas podres e inspira asco na irmã, que cuida dele) que deve ser mesmo uma barata. O que fica claro é que ele é um inseto e não é bonito. Fica fora de cogitação que ele seja uma joaninha!
Leia antes das refeições se quiser emagrecer
Que os bulímicos e anoréxicos não leiam isso: mas A Metamorfose pode te fazer vomitar, se você ler após as refeições ou perder o apetite completamente, se resolver ler antes!
É de embrulhar o estômago. O livro conta a história de um cara, chamado Gregor Sansa que trabalha como caixeiro vajante para sustentar a família, é todo certinho e tem um chefe muito chato. Numa nada bela manhã, com viagem de trabalho marcada, ele acorda e descobre que não é mais gente. Jápensou, você acordar de manhã e descobrir que não consegue levantar, porque agora você tem um casco?

"Jogar a coberta para o lado foi bem simples; ele precisou apenas inspirar um pouco e ela caiu sozinha. Mas os passos seguintes se mostraram difíceis, sobretudo porque ele estava incomumente largo. Teria necessitado fazer uso dos braços e das pernas, a fim de se levantar; ao invés delas, no entanto, ele possuía apenas várias perninhas, que se movimentavam sem parar em todas as direções e que ele, além de tudo, não conseguia dominar. Quando queria dobrar uma delas, a mesma era a primeira a se esticar(…"
Aos poucos, Gregor vai, forçadamente descobrindo no que havia se transformado (uma barata ou algo bem parecido). E aí as descrições de suas novas sensações são bem pormenorizadas. Por isso que minhas primeiras reações no início da leitura foram de nojo e embrulho no estômago. Não é exagero quando digo que evitei ler antes do almoço pra não perder a fome. O olfato de Gregor muda, sua voz vai se transformando em guinchos roucos e sua visão se adeqüa melhor a escuridão. Ele sente fome, mas não consegue beber o leite que a irmã dele traz numa tigela. Gregor só passa a se alimentar quando sua irmã leva várias opções de "pratos" para ele escolher. Dentre eles, legumes podres, pão bolorento e queijo velho e apodrecido, além, de comidas frescas e ideais para um ser humano. A escolha dele mostra que, sem dúvida, ele estava se afastando totalmente dos gostos normais de um ser humano:
"Rapidamente, e com os olhos lacrimejando de satisfação, ele devorou, um atrás do outro, o queijo, os legumes e o molho; as comidas frescas, ao contrário, não lhe agradavam; não conseguia suportar nem mesmo o cheiro delas."
Virou barata e faltou ao trabalho
Mas o mais bizarro do livro nem é o fato de um homem ter se transformado em uma barata. Mas o desespero que ele sente, não porque se transformou em um bicho asqueroso e nojento, mas porque teria que faltar ao trabalho e não teria como dar uma desculpa convincente. A preocupação de Sansa é com o trabalho e a família e todo o sentimento de culpa e a vergonha que ele passa a sentir com sua nova condição parece que já existiam antes e são apenas evidenciadas por sua metamorfose.
O paralelo
Claro que é possível fazer um paralelo da metamorfose de Gregor Sansa com qualquer metamorfose que sofremos na vida. Nem todas ruins, mas todas podem ser traumáticas. De crianças para adolescentes: pêlos crescendo, glândulas se tornando aparentes, desejos estranhos, cheiro diferente no corpo. De adolescentes para adultos: responsabilidades a mais, as bochechas fofas desaparecendo, as espinhas dando uma trégua… E, enfim, quando começamos a nos acostumar com nosso corpo e nosso rosto, mais transformação: rugas, flacidez, gordura que não desaparece tão fácil, cabelos brancos, expressão mais dura, bunda mais mole!
Era uma vez uma baratinha
Logo no início de minha leitura de A Metamorfose, ao comentar sobre isso com uma amiga, ela disse : dá uma pena da dona baratinha! Eu ainda estava na fase de sentir apenas nojo. Mas ao longo do livro, vai dando pena mesmo. Pena das baratas e de qualquer ser rejeitado pela sociedade. Vivendo em becos e tocas, em meio a sujeira, tentando adequar suas limitações a esse mundo hostil e fazer o melhor uso possível das vantagens que a natureza lhes deu. Sendo obrigadas a viver escondidas desses predadores, os humanos, que matam pelo simples desejo de não olhar para elas. Alvo de ódios e nojos, instintos assassinos e medos. Vida sofrida a da dona baratinha!
Não me admira ela ter aquele casco duro que faz "creck" quando a gente bate com o chinelo em cima.Na próxima vez que você encontrar uma barata na cozinha,ofereça a ela um pedaço de pudim!

"Encontrei um barata na cozinha
eu olhei pra ela
ela olhou pra mim
ofereci a ela um pedaço de pudim
O curioso foi que ela...
Ela disse sim, vem "kafka" comigo"
Lindenberg 11/08/2009minha estante
Eu nunca tinha notado o vem "kafka" comigo. Que bom que colocou aqui, iria morrer sem saber. =)


Kemi 03/10/2009minha estante
Poxa, eu também nunca tinha relacionado esse livro à música da barata. Genial!


Aline R. 12/03/2013minha estante
Adorei sua resenha. Também senti nojo e depois pena. Mas horas depois do fim da leitura, entrou uma mariposa em casa e eu deu um berro de puro pavor, e era só uma mariposinha.




Jefferson 06/06/2012

Estilo literário ímpar.
Nessa breve história classificada como novela, Kafka apresenta o caixeiro-viajante Gregor Samsa, que em uma cotidiana manhã, acorda metamorfoseado em um horrível inseto.

A ideia de Kafka é interessante, pois abre pontos para se refletir, do tipo, "Existe amor incondicional?", "As pessoas mais próximas, que no caso da história são os familiares, podem superar qualquer dificuldade que pode ocorrer com você?", "Quando metamorfoseado, você pensa como tal, ou sua razão permanece imutável?".

Chamo a atenção para a maneira de pensar fria do protagonista mesmo estando em situação tão desesperadora, e varias vezes pensa em coisas fúteis para o momento, como por exemplo, que irá perder o dia de trabalho.

Gregor, mesmo metamorfoseado, tem preocupações com sua família, sobre o que farão sem sua renda para mantê-los, já que o pai, mãe e a irmã, "mamavam nas tetas" dele.

É uma história que me causou incômodo, seja pela situação, seja pelos pensamentos dos personagens. As situações contrastantes entre o pensar e o que está ocorrendo na maior parte das vezes é a responsável por esse incômodo.

Em suma, Kafka revirou o mundo racional e material. Agora entendo de forma mais profunda o sentido do adjetivo "kafkiano".
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Sal 30/08/2012

As agulhas
Ler "a metamorfose" não é esperar um caminhão de feno estacionar na frente da sua casa. É pegar um daqueles quadradinhos, daqueles pequenos, tal qual o livro é, e passar dois dias procurando agulhas.
É um livro que se lê facilmente em dois dias e pode-se fazer tanto uma leitura de conhecimento "Ah, legal, o cara se transforma em inseto" ou de reconhecimento " estes somos nós? o que me faz um humano? ser conhecido como tal? Até que ponto eu sou eu e não o que esperam de mim?"
A simplicidade da escrita de Kafka ilude o mais desavisado. "Um livro mediano?" Pois as verdadeiras pérolas não são os acontecimentos mirabolantes ou a idéia vanguardista da transformação do homem. São, na verdade, os significados ocultos dos personagens, as funções das falas e o simbolismo dos acontecimentos que, se postos em paralelo com a realidade servil humana e a realidade íntima de Kafka,trazem à obra os tons de imortalidade tão reconhecidos.
"O veredicto", conto que acompanha "A Metamorfose", foi pra mim ainda mais impressionante, sobretudo quanto à relação do personagem principal com o seu pai, a saber, muito semelhante da de Kafka com seu pai. Excelente.
Um livro que te deixa com interrogações. E interrogações são fantásticas.
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Dalvan.Linhares 30/06/2016

O despertar do amor pelo asco
Oi, bonitas (os)! Tudo bem com vocês?

Essa é a minha primeira resenha aqui no Skoob. Espero que gostem.

Comprei “A metamorfose” há algum tempo, mas ainda não havia lido porque achava que seria uma leitura complexa por se tratar de um grande clássico – alguns “pseudocultis” construíram essa perspectiva para mim. Pensava não estar preparado para tal obra. Todavia, o livro é muito simples e bastante compreensível. A escrita kafkiana – isso em “A metamorfose”, pois não li outra obra do autor – é muito simples! É um clássico que sem sombra de dúvidas recomendarei para qualquer pessoa.

Pequenino, singular e inquestionavelmente clássico, o livro começa com a transformação de Gregor Samsa, caixeiro-viajante, em um inseto monstruoso. O que se espera, portanto, é que Gregor entre em estado de aflição com isso, todavia, ele se preocupa é com o fato de se atrasar para uma viagem de trabalho e, por conseguinte, perder seu emprego. Fica tentando se mover e dar início a sua rotina normal. Isso se estende até a família tomar o real conhecimento do que acomete Gregor e passar o restante do livro tentando se “acostumar” com o ocorrido. Diminuindo o afeto pelo homem-inseto e desprezando-o. Deixando um membro da família, que passa por sérias dificuldades, desamparado.

Li o livro muito rápido e quando terminei fiquei me perguntando como foi possível que ele despertasse em mim tantos questionamentos e mexesse tanto comigo. De tudo que senti o que mais marcou foi o despertar do amor pelo asco que Kafka conseguiu fazer. Teoricamente, nós seres humanos – pelo menos eu – se nos deparássemos com um inseto horroroso, monstruoso, asqueroso, teríamos nojo, não iriamos nem nos aproximar. Contudo, isso não aconteceu comigo. Durante toda a leitura meu amor e afeto pelo homem-inseto só aumentou. Em nenhum momento, nem mesmo quando ele come lixo, senti nojo ou aversão por Samsa (acho que sou um bom ser humano por causa disso – você entenderá o porquê no próximo parágrafo).

Muitas são as interpretações da obra. A minha é que a transformação do homem em um inseto é apenas uma metáfora para que vejamos como tratamos nossos semelhantes. Como, por exemplo, trataremos alguém de nossa família que caia em uma doença grave. A transformação não deve ser colocada em primeiro plano, mas sim o que acontece a partir disso, como as pessoas e o ambiente fica após o inesperado. Por isso, considero-me um bom ser humano, visto que mesmo em um estado complicado e trágico minha atitude para com Gregor Samsa não mudou.

O livro com certeza me acrescentou muito e irá acrescentar a você também, assim espero. Fez-me pensar em como as pessoas que dizem me amar me tratariam em um momento difícil. Fez-me enxergar como tratamos os marginalizados, os idosos e nossos familiares em um mundo altamente modernizado e individualista.

Kafka, com uma pequena novela, desperta em nós não só o amor pelo asco, mas o amor, a piedade e a misericórdia muito maiores pelo ser humano, seja ele quem for.
Bárbara 30/06/2016minha estante
Dalvan, você despertou minha vontade de tirar ele da prateleira em que ele tá empacado e finalmente começar a ler. Continue fazendo resenhas!


Dalvan.Linhares 30/06/2016minha estante
Que bom, Bárbara! Espero que leia "A metamorfose" logo. É uma leitura rápida e prazerosa.


Jennifer Vale. 30/06/2016minha estante
Faça das palavras da Bárbara as minhas.


Isa Soares 30/06/2016minha estante
Você diz coisas tão maravilhosas em sua resenha, que me fez pensar se ele realmente merece sair da minha lista dos abandonados.


Dalvan.Linhares 03/10/2016minha estante
Isabelle, ele merece sair sim.




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