Água Viva

Água Viva Clarice Lispector




Resenhas - Água Viva


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Letx 09/05/2009

Um texto pulsante sobre o indizível.
Não existe enredo em Água Viva. A circularidade está presente desde a primeira até a última frase do livro: não há começo, meio ou fim. Trata-se de um texto para ser muito mais vivido do que lido, no qual a sensibilidade aflora constantemente, em um fluir de experiências vivenciadas de forma intensa. Clarice rompe com o sistema, virando-o pelo avesso, revelando o indizível e o proibido. A autora promove a desconstrução e a desautomatização da linguagem, ao decompor e desmontar o próprio sistema de escrita, para tentar se libertar da náusea de viver, através da palavra expressa em neologismos. Clarice tenta promover a exaltação do ser interior,e mostra a passagem da crise psicológica à angústia metafísica. Simplesmente perfeito. Meu livro favorito de Lispector.
Lari 29/07/2011minha estante
Ótima resenha... concordo com cada palavra... Acabei de "viver" o livro e já quero experimentá-lo de novo!




Érika Serejo 07/04/2009

Particular e sedutor
Água Viva foi o livro mais louco q já li na vida. Leitura difícil, fragmentada, perdida, incoesa e, no entanto, maravilhosa. A autora fala de si mesma, mas senti como se estivesse falando de mim. De minhas especulações a cerca da vida. De meus medos. Minhas frustrações. De ser vida. De ser morte. De ser só. De ser livre. De ser homem. De ser bicho.

Uma história sem história. Efêmeras análises de momentos perecíveis, do instante-já (como ela mesmo fala). Tentando inutilmente capturar o futuro e em cima disso mergulhar na vida.

E me senti absurdamente livre. Escorrendo deliciosamente pelas páginas.

“Escrevo-te porque não me entendo.”
Complexo. E belo!

CACAU TOSTES 04/08/2011minha estante
É esta visão,que estou tendo ao ler o livro.
A sensação que o livro foi escrito por mim.
Tanto que tem certas frases,que combina diretamente comigo.
Ela foi bem ampla!

valeu!




Fabio Shiva 13/05/2011

Clarice é irresistível! Bruxa sedutora e poderosa!
Cheguei na metade do livro. E já deu vontade de começar a resenha, pois em tão poucas páginas quantas coisas já me fez pensar!

Ao pesquisar na Internet soube que esse livro inicialmente se chamava “Atrás do pensamento: monólogo com a vida”, e que depois foi renomeado como "Objeto Gritante". Soube também que Cazuza leu “Água Viva” 111 vezes!

Fui pesquisar para saber qual veio depois, se esse ou “A Paixão Segundo G. H.” (e foi “Água Viva” mesmo). Pois a impressão maior é que Clarice continuou trilhando o caminho delineado em “G.H.”, ultrapassando as fronteiras que ela mesma havia expandido, audaciosamente indo onde escritor nenhum jamais esteve...

Ou quase. Sinto uma secreta irmandade entre Clarice Lispector, James Joyce, Hermann Broch, Ferreira Gullar e um ou dois dos heterônimos de Fernando Pessoa (o Alberto Caeiro e o Álvaro de Campos). Irmandade sentida, intuída na poderosa lucidez com que usam as palavras para expressar o que não pode ser dito com palavras...

...é de tirar o fôlego!


Livro Abstrato
Por alguns aspectos, achei “A Paixão Segundo G.H.” superior.

O fiapo de história que conduz essa obra é veículo mais que adequado para as reinações de Clarice. É impressionante o suspense que ela obtém com a repetição da frase no fim e no início de cada capítulo!

Em “Água Viva”, porém, nem esse fiapo existe! Clarice se propõe a escrever um livro como se fosse uma pintura totalmente abstrata, sem nenhuma conexão com algum objeto exterior. Essa proposta é explícita já na abertura do livro:

“Tinha que existir uma pintura totalmente livre da dependência da figura – o objeto – que, como a música, não ilustra coisa alguma, não conta uma história e não lança um mito. Tal pintura contenta-se em evocar os reinos incomunicáveis do espírito, onde o sonho se torna pensamento, onde o traço se torna consciência” – Michel Seuphor

Por essa citação mesma percebe-se que Clarice reconhece de partida que a “pintura abstrata” é, na verdade, impossível, uma meta inatingível. Pois a pintura é sempre figurativa, sempre faz uma referência ao objeto.

Imaginem então a ousadia de Clarice – menina travessa!!! – em escrever um livro que é como um quadro impossível de ser pintado!!!


Paixão Viva

Só por essa audácia o livro já vale a pena. Ocorre que a leitura gera uma certa estranheza no início (eu pelo menos senti), e até mesmo um questionamento da validade de prosseguir a leitura (pois seguindo essa proposta o livro poderia ter só 10 páginas, ou 1.000, e estaria expressando da mesma forma seu objetivo), justamente pela falta desse fiapo condutor.

Acho que Clarice mesma sentiu essa necessidade:

“De vez em quando te darei uma leve história – área melódica e cantábile para quebrar este meu quarteto de cordas: um trecho figurativo para abrir uma clareira na minha nutridora selva.”

O que importa é que, vencida a resistência inicial, Clarice opera a sua magia, abrindo aqui e ali vislumbres do intraduzível, que ela captura não sei por qual magia, não só com palavras, talvez com palavras e silêncios, ritmos, mensagens subliminares...

Não sei como Clarice faz isso. Mas há magia nesse livro!


Pérolas

“Quem for capaz de parar de raciocinar – o que é terrivelmente difícil – que me acompanhe.”

“Depois de certo tempo cada um é responsável pela cara que tem.”

“O que vai ser já é.”

Viva Clarice!!!

(e ainda estou na página 38!!!)

(11.05.11)


A alegria do it

Que sincronicidade Clarice falar tanto de it!

Passei a semana passada pensando sobre isso: não temos em português como expressar o que a palavra it expressa em inglês. Já sabia disso, é claro, mas voltei a pensar no assunto ao ver em um filme a mesma frase que li em um livro do Ed McBain, e dita nas mesmas circunstâncias. Está lá o casal, no bem bom do sexo, e lá pelas tantas a mulher diz para o homem:

“Give it to me! Give it to me!”

Não tem como dizer essa frase em português, com todas as suas possibilidades eróticas e escatológicas. O mais próximo disso fica bem longe, seria o nosso familiar: “Goza, benzinho, goza!”

Por incrível que pareça, dediquei algumas horas e sinapses refletindo sobre esse assunto. Pois perceber algo assim é notar como o nosso pensamento é engaiolado pelas palavras, pelo idioma que falamos, e como é preciso expandir nossa capacidade de pensar para além das palavras.

É claro que tomei como uma prova de que não sou um louco, e sim um sábio por pensar nessas coisas, ao ver a insistência com que Clarice bate nessa tecla do it, e aproximadamente pelos mesmos motivos!


Para entender “Água Viva”

A própria Clarice explica, sem mistério:

“Tente entender o que pinto e o que escrevo agora. Vou explicar: na pintura como na escritura procuro ver estritamente no momento em que vejo – e não ver através da memória de ter visto num instante passado. O instante é este. O instante é de uma iminência que me tira o fôlego. O instante é em si mesmo iminente. Ao mesmo tempo que eu o vivo, lanço-me na sua passagem para outro instante.”

Não é o fluxo da consciência o que Clarice persegue (embora sua prosa acabe de certa forma resvalando no fluxo). O que ela busca é o silêncio entre dois pensamentos. Você já parou para pensar nisso? Entre um pensamento e outro, existe uma interrupção, um salto, um solavanco. Perceber isso é se fazer a essencial pergunta: quem será esse “eu” que pensa meus pensamentos? Onde está esse “eu” no intervalo entre dois pensamentos? Refletir sobre isso liberta de muita ilusão.

Esse é o cerne, creio eu, desta obra tão sui generis!


Momento íntimo

Particularmente tocante é o momento em que Clarice torna o leitor/interlocutor em parceiro das agonias e êxtases de seu processo criativo.

Clarice põe-se nua, não uma nudez majestosa de revista Playboy, mas aquela nudez embaraçosa, que revela fraquezas e imperfeições. Ela ter escrito essas confissões com o peito tão aberto não surpreende. Mas sim ter corajosamente deixado esse trecho tão revelador ser editado e impresso, para todo mundo ler. Ninguém pode dizer que essa moça não é corajosa!

Ler esse livro foi uma aventura intelectual única! Experiência que só foi igualada (e, devo dizer, superada) por “A Paixão Segundo G. H.”, que considerei mais perfeito, mas não menos intenso ou autêntico que “Água Viva”.

Vale a pena passar por essa experiência!

Viva Clarice!

(13.05.11)


Comunidade Resenhas Literárias

Aproveito para convidar todos a conhecerem a comunidade Resenhas Literárias no Orkut, um espaço agradável para troca de ideias e experiências sobre livros:
.
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=36063717
Léia Viana 22/05/2011minha estante
A maneira como você descreve a emoção que um livro lhe passa me deixa extasiada!

Clarice é única. Tenho a sensação que ao reler novamente uma de suas obras descobriremos sempre mais, mais de tudo.
Linda resenha, muito bem escrita.


Fabio Shiva 22/05/2011minha estante
Oi querida!
Que bom compartilhar essa leitura tão maravilhosa com você!!!
Valeu pelo carinho e pelas palavras!


Matheus 15/01/2012minha estante
Parabéns pela resenha! Concordo com você em tudo que disse. Esse livro é único!




SakuraUchiha 22/11/2014

Bem-vindo ao mistério do impessoal, o chamado "it"
Estar diante de um livro de Clarice Lispector é sempre sentir aquele frio na barriga sempre que está diante de suas obras como se fosse a primeira vez. Água viva não é diferente.
Em suas curtas páginas a autora não lhe dá trégua nem descanso, pois de um pensativo passa para o outro quase sem ser percebida mudança.

"O presente é o instante em que a roda do automóvel em alta velocidade toca minimamente o chão. E a parte da roda que ainda não tocou, tocará num imediato que absorve o instante presente etorna-o passado."( Água Viva, pág. 08)

É uma prosa muito lírica que faz fluir a leitura, mas não se enganem. Não é nada leve, às vezes até é densa, muito introspectivo, parece que está próximo a você falando bem baixinho em seu ouvido, às vezes, como se fosse a voz de sua consciência, e em outros trechos parece gritar.
Já de início parece que entra em uma conversação começada e você tenta pegar o fio, e quando pega você não termina até ler o final.
É uma escrita desenfreada, quase uma vertiginosa confissão, que enquanto você está se recuperando - ou tentando - fazê-lo da ideia exposta ela já está em outra.
Às vezes parece uma escrita sem qualquer polimento, algo grosseiro, mas isso mostra muita honestidade e sinceridade do monologuista, já que isso é deliberado.
Agora é um estalo. Agora é outra. E outro. Este instante quando você ler já será passado.
Isabelle Rocha 02/01/2015minha estante
Bela resenha!


Giulia Schmidt 05/06/2019minha estante
É exatamente isso.




Davisson 13/01/2009

Perfeito, contém as melhores citações da Clarice.
Lucas 01/12/2014minha estante
Só é perfeito por conter as melhores citações?




janete 28/09/2012

Água viva, como o próprio nome sugere é um texto líquido que flui por entre nossas sinapses cerebrais sem a menor dificuldade. Não há história, não há enredo, nada que nos prenda a esse texto fluido, porém ficamos como que hipnotizados pela maestria da Clarice e não despregamos os olhos do livro até a última palavra. Contudo, não se iluda quem estiver em busca de facilidades. Clarice nunca nos facilita nada. Antes ela nos provoca, levando-nos até nosso limite, deixando-nos por vezes um laivo agridoce em nossa boca. Clarice é assim e em alguns momentos o texto líquido do livro, feito uma água viva mesmo, queima nossas mãos, queima até o fundo de nossa alma.
Renata CCS 23/10/2013minha estante
Que linda resenha, apaixonada!




Larissa B. 08/09/2010

Além de ser um dos meus preferidos, sem sombra de dúvidas, este é um dos livros da minha vida. Ler Clarice Lispector, é como fazer um raio-x de si mesmo; é ir invadindo discretamente o íntimo do ser, ir desmanchando, desfolhando máscaras pregadas pela sociedade e que se faz pôr defesa do meio. A princípio, se dá um certo mal estar, uma inquietação que força a encarar a verdade, a pura essência do ser humano. Tortuosas dúvidas, leva-nos a enxergar crises de identidade, pois Clarice é ao mesmo tempo narradora- personagem, tentando assim compreender a natureza de seu sofrimento. Essas inspirações se dão no momento da pintura de um quadro. Depois de uma tarde de perguntas perturbadoras fazendo a si mesma e uma madrugada de desespero, ela declara se encontrar. Se entrega ao instante num desejo de unir a vida a arte. "A verdade inventada" que se estabelece em Água Viva, nos dá a consciência da captação de fragmentos de nossa realidade, como se a autora decifrasse signos que nos rodeiam, transformando-os em parágrafos inusitados. A narrativa não se prende a nenhum padrão; vemos que é um texto livre até de si próprio. Água Viva é como um reflexo no espelho; sabemos que ele está ali, mas na verdade sem nunca ter existido. Um texto extremamente poético, uma aventura que nos remete a penetrar nessa mistura, "representar é viver", e este é definitivamente um dos meus divisores de águas.
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João Henrique 22/08/2010

É preciso sofrer muitas páginas para encontra a felicidade nos últimos parágrafos. é a vida, meu amor.
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megacombo 19/01/2009

Acho que Água Viva deveria cair no vestibular e não A Hora da Estrela, rssss... Apesar de que eu desconfio que até hoje não entendi todas as mensagens que ela passou com essa obra, vou ter que ler mais algumas vezes... :)
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Camila 09/12/2009

Chato e cansativo
Lucas 01/12/2014minha estante
^
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^ Leu "Cinquenta Tons..." e deu 4 estrelas.




Rodolfo Vilar 25/08/2016

Inundado por Clarice | Água Viva - Clarice Lispector
Nunca planejo as leituras de Clarice Lispector. Elas simplesmente acontecem, surgem. Elas vêm até a mim (ou vou até elas) de uma maneira espontânea, divina, enérgica e precisa. Já considero ler Clarice como um ato único, experimental e doloroso que não adianta fugir, é necessário encarar suas palavras (duras ou doces) e crescer com isso, absorvendo o máximo possível. Comecei a leitura de Água Viva às 22:30 de uma quinta-feira e só finalizei às 01:27 da manhã da sexta. Li tudo, de uma única sentada (ou no meu caso, deitada) como se estivesse desesperado, louco, enervado e necessitado de me alimentar daquilo que estava lendo. Eu não era mais eu. O livro não era mais livro. Clarice não era mais Clarice. Éramos uma única coisa, um único ser. Éramos o it, ali, acontecendo naquele estante. Senti-me inundado, afogado em minha própria solidão e naquelas palavras que entravam em mim como farpas quentes que dilaceravam meu coração, minha alma. Como se Clarice conseguisse usar sua própria linguagem para apunhalar aquilo que já estava bem doloroso, mesmo ela não sabendo que coisa era essa que doía. Clarice é carrasca, consegue ser cruel, nos exorciza. Ninguém é mais o mesmo depois de estar dentro da mesma coisa acontecendo.
Como o próprio título já diz, ler Água viva é sentir-se vivo, em constante mudança e em total acontecimento. A própria voz do livro (não sei se posso chamá-la de personagem) nos diz isso, que sua escrita é um fluir de pensamentos da mente para o papel. Sem medo, julgamentos ou parcelas. É um vômito próprio que nos impregna e que no momento da leitura passa a ser o nosso vômito, um vômito comunitário. Diferente dos outros livros que já li da autora, em Água Viva Clarice não fala especificamente do amor em correspondência para um outro amor, mesmo essa voz estando a escrever uma carta para certo alguém em particular (para nós mesmos, quem sabe). É nessa obra, assim como nas últimas obras de sua vida e de seu estado de amadurecimento como autora, que Clarice nos fala de um amor mais universal. Um amor ao humano, ao amante, a natureza, as coisas simples, ao amor próprio, do amor aos animais, dos cheiros, das flores, do mundo. Um pensamento intenso que converge para o sentido amplo do que entendemos do amor. Por isso que a obra deixa de ser algo especifico, como nas obras inicias, e passar a ser tratada como uma experiência única onde cada leitor terá sua impressão pessoal à respeito daquilo que o tocou.
Não espere de Água Viva um enredo amarradinho e convencional (existe enredo nas obras de Clarice?). O livro diverge de muitos outros e exatamente por isso é considerado vago. Porém, é a obra da Clarice que mais aparece em citações pelas redes sociais. Citações essas tremendamente errôneas na maioria das vezes. Água viva é um livro não linear, com altos e baixos espetaculares (por isso o tanto de frases retiradas avulsamente) e uma experiência única com o leitor. Após o término, quando eu já estava sugado e exausto mentalmente pela leitura, não consegui dormir. Simplesmente passei a noite mais longa da minha vida a pensar sobre tudo aquilo que havia experimentado. Daí outro fator: Posso estar errado, mas considero a leitura desse livro em específico, algo descartável e momentâneo. Digo isso porquê, segundo minha experiência, é impossível guardar detalhadamente os fatos descritos no livro. Por não possuir personagens ou enredos, ele se torna um livro apenas para ser "sentido" naquele momento de leitura, individual, não transponível. Por isso que o que será sentido na leitura, dependerá exclusivamente das suas experiências de vida naquele momento, uma vez que serão essas experiências (ou memórias, para alguns) que irão aflorar loucamente nas páginas entendidas. Então o que digo é: Prepare-se, porque você não será mais o mesmo de antes.

site: http://bodegaliteraria.weebly.com/biblioteca/inundado-de-clarice-agua-viva-clarice-lispector
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L Soares 18/07/2014

“Estou atrás do que fica atrás do pensamento”
Na Graduação de Filosofia, cursei uma disciplina (metafísica) em que a bibliografia básica foi este livro. Ele é fantástico. A proposta é incrível. Entre outras ideias, a busca do instante-já e a tentativa de escrever todos os pensamentos, enquanto ocorrem, independente de lógica ou relação entre eles. O fluxo livre de ideias. Os aforismos que se extraem dessa obra e o brilhantismo da escrita sempre ímpar da Clarice é, na falta de palavra melhor e citando uma amiga, deliciosa. Ela brinca com as palavras e ideias. E encerro com uma de suas propostas: “Vamos não morrer como desafio?”

Apenas um PS. Há alguns literatos que, apesar de não encontrarem qualquer referência expressa sobre isso, encontram conexões deste livro com Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, como se os pensamentos aqui trabalhados fossem da personagem-narradora daquele, ou como outros dizem, que estes foram fragmentos que sobraram do outro livro, ou algo após. Naquele ela começa falando de sua secura, a falta de vida, e aqui a vida volta em uma enxurrada, presente e abundante, representado por este elemento que sustenta a própria existência.


Luany.Oliveira 24/06/2017

Me descobri e redescobri
Lindo! A sensação que tive foi de descoberta pessoal. Algumas partes extremamente profundas, o que não é novidade vindo de Clarice. Certamente lerei novamente.
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Tiago.Lopes 16/11/2017

Nada a Declarar

Creio ser meio redundante tentar esmiuçar em forma de resenha uma obra que se apresenta como um fluxo de consciência. Portanto, vou deixar transcrito um trecho que a meu ver consegue condensar todo o espírito do livro:

"A palavra apenas se refere a uma coisa e esta é sempre inalcançável por mim. Cada um de nós é um símbolo que lida com símbolos - tudo ponto de apenas referência ao real. Procuramos desesperadamente encontrar uma identidade própria e a identidade do real. E se nos entendemos através do símbolo é porque temos o mesmos símbolos e a mesma experiência da coisa em si: mas a realidade não tem sinônimos."
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Déa Paulino 16/04/2009

Água viva é, como diz o título, vivo, e move-se em ondas, como a água do mar, como também a existência humana em suas indas e vindas; é um monólogo repleto das esperanças e desejos que, como as pequenas nascentes em seu jorrar insistente, tornam-se grandes rios que abrigam vidas diversas.
Como os filamentos da medusa, que é também água-viva, as linhas escritas por Clarice queimam, deixam marcas profundas e eternas porque desvendam o que já existia, e doía, em nós. Ainda assim – e talvez por todos esses motivos - continuam sendo as mais belas palavras que, em vez de limitarmo-nos a ler, podemos sentir.
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Marcos Bassini 16/04/2009minha estante
Uma resenha que, como uma medusa, só que esta a da mitologia, petrificou minha boca aberta.




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