Falar sozinhos

Falar sozinhos Andrés Neuman




Resenhas - Falar sozinhos


4 encontrados | exibindo 1 a 4


djoni moraes 29/10/2020

Juntos pero solos.
Este es un libro de melancolía, sobre pérdida; sobre morir en vida. Aquí acompañamos la convalecencia de Mario, quien decide realizar un último viaje con su hijo, Lito, dejando a su mujer, Elena, en casa. La história es, basicamente, la misma, pero contada por tres voces diferentes.
Uno de esos libros que terminamos con lágrimas en el alma. Cuando comencé a leerlo, me enamoré rápidamente de sus personajes. Sin embargo, en el decorrer de la lectura, fui irritándome un poco con ellos, lentamente, principalmente con Elena, a quién, sinceramente, no conseguía entender. Después de la mitad del libro, comencé a compreender que había entrado tanto en la história que yo también estaba de luto!, y por eso tanta rabia me daba. Me sentí hasta que un poco pueril, muy inocente, porque parecía que estaba pasando por las etapas de un luto que ni era mío. Quedé extremamente conmovido con la prisa que Mario tenía para, como él mismo decía, "fabricar un recuerdo".
comentários(0)comente



Julio Cesar 30/01/2015

SOLIDÃO E AUSÊNCIAS
Sozinhos, apesar de muitos. Sozinhos, apesar de se viver em família. Sozinhos, quando vivenciando um drama. O drama de viver é separado, único, sem se dar conta da idade. É assim que conseguimos enxergar uma pequena família, de três pessoas: os pais e um filho. Os três, cada um com as suas ausências e que por meio delas nutrem o seu silêncio ou falas quase nunca ouvidas por ninguém nem mesmo pelos mais próximos. A perda, o mundo visível invisibilizado pelos silêncios, dolorosos silêncios, embora ninguém ninguém seja culpado por não ouvir ou ser ouvido. Um livro belo, tocante, que atinge-nos com encanto apesar do que podemos perder em vida.
comentários(0)comente



Renato 31/12/2014

Fundo psicanalítico
Estamos sós, mesmo quando acompanhados. A trajetória de três personagens vivendo a mesma tragédia é solitária, um monólogo, onde o desejo de cada personagem tem que se realizar através do outro. Nem a perda iminente aproxima, cada experiência é uma vivência íntima. Brilhante.
comentários(0)comente



Paula 14/12/2013

Viver e morrer.
Falar sozinhos é o segundo livro do escritor argentino Andrés Neuman publicado no Brasil. Com cinco livros já publicados e elogiado por Bolaño como um dos grandes autores do século XXI, Neuman é também considerado um dos melhores jovens escritores em língua espanhola.
Falar Sozinhos é um romance sobre partir e ficar; sobre despedidas, saudade e silêncios; sobre a comunicação em uma família e sobre tudo o que falamos sozinhos. Narrado a três vozes, cada uma delas muito bem construída, o texto flui à medida que vamos conhecendo esses três personagens e nos encantando por eles.

Lito é um menino de 10 anos de idade, com uma imaginação e uma inocência que nos comovem, e que acredita que enquanto está com o pai viajando de caminhão, o que ele sente pode interferir nas condições do tempo. Fazendo uma viagem de caminhão com o pai, que está muito doente e não quer contar ao filho sobre a gravidade do problema, seja por não ter coragem, seja por não saber como. Mario se despede em silêncio a cada momento que tem para estar com o filho, de poder alimentar seus sonhos, sua fantasia de criança. Nessas horas fica impossível não se comover e de sentir essa melancolia da despedida muito bem retratada no texto de Neuman.

Elena é uma mulher prestes a ficar viúva, obcecada com a ideia de perda, que mergulha em uma aventura sexual para desafiar seus limites enquanto cuida do marido, e que busca nos livros uma forma de enfrentar sua dor, tentando se deparar com sua vida em tudo o que lê. É na voz de Elena que vamos encontrar diversas referências literárias, que parecem dar continuidade ao texto.

"Quando um livro me diz o que eu queria dizer, sinto o direito de me apropriar de suas palavras, como se alguma vez tivessem sido minhas e as estivesse recuperando." pág.122

Neuman coloca uma nota no final do livro dizendo que as traduções dos trechos citados são improvisações do autor, pois "se a escritura nos permite falar sozinhos, ler e traduzir são semelhantes a conversar".
O único porém (na minha humilde opinião de leitora comum) foi que cada vez que ele citava um trecho de um romance de Atwood, de Hemingway, e de tantos outros, eu, na minha curiosidade de leitora ciente de que um livro sempre nos leva a descobrir muitos outros, me perguntava: qual romance? qual o título? Não há nenhuma referência bibliográfica e eu lamentei muito por isso. Ficamos sem saber quais são os livros que Elena lia, temos a chance apenas de ler os trechos que se mesclam ao texto com perfeição. O que fiz foi apenas listar todos os autores que ele cita, mas sem saber de qual livro é cada trecho.

"Vou escolher os textos para os exames. Depois vou passar a tarde lendo. Meus nervos se acalmam com a leitura. Falso. Não se acalmam: mudam de direção. Quando saí do consultório, fui (fugi) a uma livraria. Comprei vários romances de autores que eu gosto (fiz isso rapidamente, quase sem olhar, como se fosse analgésicos) e um diário de Juan Gracia Armendáriz que folheei por acaso. Imagino que este livro, mais que um analgésico, poderia ser uma vacina: vai inocular em mim a inquietação que tento combater". pág. 22

Mario está muito doente e sabe que pouco tempo de vida lhe resta, por isso sofre nas pequenas despedidas silenciosas que faz do filho de 10 anos, registrando também com um gravador o que gostaria de dizer ao filho e à esposa, mas não tem coragem. A consciência da morte próxima e as reflexões que ele faz enquanto observa silencioso alguns momentos do dia a dia e da convivência com Lito e Elena são realmente capazes de levar os leitores mais sensíveis às lágrimas.

"Acredito que todas as despedidas são incompletas. Como na nossa vida. Por isso vivemos nos despedindo. E talvez por isso, também, somos viciados em ficção: para nos completarmos, para fabricarmos o tempo e a vida que não teremos." (Em entrevista para o Estadão, 13/11/2013)

Andrés Neuman me conquistou com esse livro, que mesmo me fazendo chorar, me deixou sem querer parar de ler o livro até o fim. Entrou para a minha lista de melhores leituras de 2013. Recomendo.

Andrés Neuman. Falar Sozinhos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. 168 páginas. Tradução: Maria Alzira Brum Lemos.

site: http://pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2013/12/falar-sozinhos.html
Renata CCS 17/12/2013minha estante
Parece ser esta uma leitura fascinante! Gostei da proposta do livro.


Paula 17/12/2013minha estante
Gostei muito do Neuman, Renata, vale a pena ler :)
beijo,
Pipa


Paty 18/12/2013minha estante
Cool! ;D


Déia 18/02/2014minha estante
O livro de John Banville citado em "Falar sozinhos" é "O Mar". Acredito que vá gostar :)


Paula 18/02/2014minha estante
Obrigada, Déia! Eu tenho esse livro e coincidentemente está separado para ler em breve por aqui :)
beijo!




4 encontrados | exibindo 1 a 4