O Alegre Canto da Perdiz

O Alegre Canto da Perdiz Paulina Chiziane




Resenhas - O Alegre Canto da Perdiz


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Jacqueline 15/07/2017

Excelente narrativa,Paulina é uma excelente contadora de histórias. Os personagens são conplexamente bem construídos.O que mais me agradou na história foi a possibilidade de conhecer mais da história de Moçambique entre as histórias dos personagens. Se reflete sobre a guerra civil, sobre as consequências da colonização, sobre as nuances complexas sobre racialismo e racismo, tudo isso servindo de pano de fundo ao drama dos personagens.
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Sannn 16/10/2014

Ótimo livro! Paulina retrata com personagens marcantes, inesquecíveis, fortes e frágeis ao mesmo tempo, e, numa maneira divinamente poética os complexos vividos por negros e brancos no período de colonização da África. Os processos de assimilação, transculturação, quebra do que era considerado sagrado também tem seu lugar nessa excelentíssima narrativa.
Delfina, a grande perdiz. Maria das Dores, a louca. José dos Montes, Simba, o médico e o padre... Personagens cativantes e, sobretudo, ricos acerca de cultura e excentricidade.
Vale não só a pena, mas a galinha toda! Ou melhor, a Perdiz toda. rs"
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Wal - Ig Amor pela Literatura 08/02/2019

E canta a perdiz...
O livro se passa durante o período de dominação portuguesa. Todos os personagens vivem suas histórias na província da Zambézia, às voltas com todas as barbáries da colonização que se instala sem a licença dos donos daquela terra.

Tudo se inicia com Maria das Dores sentada à beira de um lago, nua em posição de lótus, e assim passa a ser vista com assombro e diferença pelas outras mulheres de sua mesma etnia, já aparentemente assimiladas pelo sistema, e que parecem não aceitar mais a pureza de sua origem – ali se já enxerga uma tentativa desesperada, daquela Maria, pela busca da descolonização.

Duas mulheres, vários caminhos. A assimilação, e suas trágicas consequências, se mostra de forma diferente em Delfina, a mãe, e Maria das Dores, a filha. De um lado, Maria sofre, se desespera diante da imensa solidão que a assola em meio àquela multidão, questiona as exigências imperialistas. No entanto, bem próxima à filha, Delfina se subverte e passa a negar as suas origens, e, para conseguir se auto afirmar como uma assimilada, renega a filha negra e a entrega a um destino de muita tristeza. A inferiorização do corpo negro feminino, confinado à sua dupla condição marginal, está presente em cada linha escrita.

______“Maria das Dores estava a ser violada. Extraviada. Roubada. Uma menina submetida à sádica obsessão daqueles que a deviam amar”_____

O livro se inicia com Maria das Dores, tida, por muitos, como a louca, caminhando numa viagem solitária à procura dos filhos. Nessa jornada ela busca, acima de tudo, reencontrar a si mesma, resgatar o reconhecimento de suas identidades. Quando Maria peregrina em busca dos seus, está implícito que ela também é a Zambézia que ressurge da dor, proveniente da destruição do que era seu, e caminha forte para a reconstrução de tudo que foi desvastado pela colonização gananciosa dos brancos.

Paulina Chiziane mistura imaginação, misticismo e revolta, nessa obra que é um retrato fiel daquela época e, dessa forma, relembra a crueza da colonialidade e a triste memória de um tempo em que o sofrimento e a subjugação da figura feminina negra marcou o destino de milhares de mulheres. Uma leitura recomendadíssima, um livro inesquecível.

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Karol Novais 25/07/2018

Sensacional
Que livro denso, que texto incrível... Você terá de lê lo aos poucos para digerir a historia
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Manuel Gimo 03/02/2018

O Alegre Canto da Paulina Chiziane!
AUTORA: Paulina Chiziane
TÍTULO: O Alegre Canto da Perdiz
EDIÇÃO: 1ª ed.
LOCAL DA PUBLICAÇÃO: Alfragide
EDITORA: Editorial Caminho
ANO DA PUBLICAÇÃO: 2008
PÁGINAS: 266
FORMATO DO LIVRO: eBook (ePUB)

SINOPSE:

Delfina é uma mulher bonita, “uma negra daquelas que os brancos gostam”. A história de vida desta Delfina, “dos contrastes, dos conflitos, das confusões e contradições”, é a história da mulher africana, a história da apocalíptica perda do sonho. Esta mulher debate-se entre “escolher o caminho do sofrimento”, o amor que sente por José dos Montes, e “eliminar a sua raça para ganhar a liberdade”, procurando o homem branco que lhe dará o alimento e o conforto que deseja. Mas o que é o amor para a mulher negra? Na terra onde as mulheres se casam por encomenda na adolescência? O problema arrasta-se ao longo do livro, aparentemente sem solução: “viver em dois mundos é o mesmo que viver em dois corpos, não se pode. Tu és negra, jamais serás branca”. Mesmo assim, a mulher negra “procura um filho mulato, para aliviar o negro da sua pele como quem alivia as roupas de luto”. O sufoco das palavras outrora silenciadas, a valentia e a frontalidade gritam alto nos romances de Paulina Chiziane. Neste diálogo consigo própria, a conhecida escritora moçambicana, mistura imaginação, fantástico, misticismo, num retrato poderoso e peculiar da sociedade e da mulher africana.

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“Eu sou uma mulher e falo das mulheres” - Paulina Chiziane¹

Depois de aventurar-me em "Niketche: Uma História de Poligamia"², quis loucamente ler outras obras da contadora de histórias, e eis que deparei-me com este "O Alegre Canto da Perdiz". Tratei de a devorar imediatamente.
Antes de mais nada, vamos falar sobre Paulina Chiziane, a contadora de histórias. Nas palavras da própria Chiziane "contar uma história significa levar as mentes no voo da imaginação e trazê-las de volta ao mundo da reflexão." (p. 12). E é exactamente isso que Chiziane nos faz neste "O Alegre Canto da Perdiz". Não que ela não nos faça isso em "Ventos do Apocalipse " (1993) e "Niketche: Uma História de Poligamia" (2004), não. Em "Ventos do Apocalipse" temos os horrores da guerra e em "Niketche" temos a poligamia e seus males, tudo claro numa perspectiva feminista. Mas aqui em "O Alegre Canto da Perdiz", Chiziane nos leva a meditar outros temas como o racismo, a miscigenação, o materialismo, a batalha entre o novo e o velho, a ambição, a transculturação, a inculturação, a escravatura, o colonialismo, a assimilação, a tradição e a modernidade, a globalização, os novos-ricos, a prostituição, os casamentos prematuros, a subjugação feminina, a balhata dos géneros, a poligamia, o amor, conflitos familiares, traições e claro, o perdão, mas sem perder o cunho feminino de sempre.
E mesmo assim Chiziane tira um tempinho para uma, digamos, homenagem ao angolano Agostinho Neto, recriando o poema "Havemos de Voltar" de uma forma muito interessante. E uma pequena menção ao português Luís Vaz de Camões.

Devo confessar, "O Alegre Canto da Perdiz" é a melhor obra de Paulina Chiziane que já li até ao momento em que escrevo essa resenha. A escritora cria uma história crível e emocionante (ou histórias, mas que interligam-se formando só uma) com personagens carismáticos mas humanos que assim como a história que protagonizam nos identificamos e levam-nos a reflectir a nossa realidade. Ouso colocar esta obra no mesmo lugar de "Terra Sonâmbula" (1992) de Mia Couto como melhores obras literárias já feitas em Moçambique (isto na minha humilde opinião).

«[...] a vida é uma reconciliação permanente.» (p. 146)

Em "O Alegre Canto da Perdiz", Chiziane começa nos apresentando a Maria das Dores, mulher negra africana, "tão negra como as esculturas de pau-preto." (p. 5). Misteriosa mas mulher independente, vaga solitária nas ruas de Gúruè e se resguarda no rio Licungo, lugar privado dos homens, desafiando as normas daquela vila. Esta mulher está à procura dos seus três filhos que se separara com eles há mais de vinte anos atrás.
Esta mulher errante foge de um tenebroso passado. Filha de dois país, um preto, o biológico e um branco, o padrasto; e de uma mãe negra, ambiciosa. Irmã de irmãos mestiços. É na família que reside os problemas desta mulher.
Sempre fora desprezada pela mãe por ser negra de um pai negro, uma raça inferior. E hipotecada pela mãe quando jovem. "Uma menina submetida à sádica obsessão daqueles que a deviam amar." (p. 193).
Enfim, Maria das Dores representa a liberdade feminina roubada pelos homens, o sofrimento de uma mulher negra africana em uma sociedade machista e racista, e simboliza a figura materna desolada após a perda dos filhos.

«Mulher nenhuma suspeita o destino do filho que embala nos seus braços. Não sabe se é a estrela que a fará sorrir ou o espinho que fará o seu coração sangrar. Uma mãe desafia todos os perigos e as sombras más e enche a alma de doces canções. Enquanto embala o filho, também se embala.» (p. 258)

Então, somos apresentados a chegada dos irmãos Benedito e Fernando. O primeiro um padre e o segundo um médico. Bonitos e carismáticos, acendem suspiros de paixões das mulheres e intrigam o povo da vila.
Mas o destino reserva-lhes descobertas que nunca poderam imaginar um dia acontecer, nesta longínqua terra zambeziana.

«Onde há um desejo, há um caminho.» (p. 39)

Então, somos apresentados a Delfina. Mãe de Maria das Dores. Sonha com o dia em que irá rever a filha novamente. A história desta mulher é coisa de acreditar. Mulher negra, bela. Delfina, uma "lampariga" (uma rapariga que brilhava como lamparina), fora desejada por todos, pretos e brancos. E disputada num duelo de amor inédito, um pugilismo sem regras aos olhos do luar até ao cantar dos galos. Mas Delfina era ambiciosa e vaidosa, segundo suas próprias palavras, teve todos os homens do mundo. "Dois maridos, muitos amantes, quatro filhos, um prostíbulo e muito dinheiro." (p. 30). Delfina era tão ambiciosa que, nas palavras de Maria das Dores, "não ouvia os choros das crianças nem os apelos do mundo. Mas ouvia o tilintar das moedas caindo no solo a quilómetros de distância" e "ouvia o comando da própria mente. Era cega. Via a sua imagem ao espelho. E mais nada." (p. 34). Mas Delfina defende-se, é «Por culpa da minha mãe que me fez preta e me educou a aceitar a tirania como destino de pobres e a olhar com desprezo a minha própria raça. Por culpa do Simba, meu amante e teu marido, que me alimentou de feitiços e fantasias destrutivas. Por culpa da natureza que me deu beleza sobre todas as mulheres. Por culpa do José, pobre e preto, que me alimentava de farinha e peixe seco, enquanto eu, Delfina, queria bacalhau e azeitonas. A culpa é do Soares, que me elevou aos céus e me largou no ar. A culpa foi minha. Por ter desejado ser o que jamais poderia ser. A culpa é do mundo, que me ensinou a odiar.» (pp. 30 - 31).
Bom, a verdade é que Delfina nascera na época colonial. Pretos não gozavam de privilégio nenhum, aliás eram escravos, com a excepção talvez dos negros assimilados, aqueles que abdicavam da sua cultura, sua raça para se tornarem "brancos" de pele negra.
Os brancos, os deuses dos pretos, viviam em casarões com electricidade e comiam bacalhau e azeitonas, tomavam chá com açúcar e comiam pão com manteiga. Delfina juraria que também teria aquela grandeza. Apesar de preta, casaria com um homem branco, e nasceria filhas mulatas. Teria pretos igual a ela como criados, escravos. E batalhou por este, diga-se de passagem, sonho. Mas este caminho é espinhoso. "Ser negra é doloroso. Negro não tem deus nem pátria." (p. 60). E a aparição do José dos Montes mudará o rumo dos sonhos, por amor ela vai desafiar o mundo. Mas sejamos honestos, a ambição fala mais alto que o amor. Esta fará o José renegar suas raízes para se auto-afirmarem no Moçambique colonial. Isto, porém, não é o bastante para Delfina. Ela quer mais e mais, nas suas próprias palavras "Vale mais a pena ser amante de um branco por um instante que esposa de preto toda a vida!" (p. 139). Então, buscando os feitiços do profeta Simba, Delfina, depois de ter desgraçado a vida do José dos Montes, vai enlouquecer o português Soares de amor. Ela vai se tornar esposa negra de um branco colono. Vai ser branca, apesar da pele negra. Uma branca imaginária. Mas o Soares é um marido de empréstimo, um dia vai ter que partir.
E com esta partida, a decadência da Delfina, a Perdiz com penas de pavão.
Delfina é a Perdiz do título do romance, que do alto dum monte, num alegre canto, vai se autoproclamar rainha.

«Em nome do amor o leão veste a pele de cordeiro.» (p. 53)

Durante a narrativa também vamos indo conhecendo as histórias de vida destes homens da vida de Delfina. Começando por José dos Montes, negro moçambicano. A história deste homem, como a de muitos moçambicanos, começa séculos atrás antes mesmo do seu nascimento com a chegada dos navegadores portugueses em Moçambique. Nascera no Moçambique província ultramarina português.
José dos Montes, foi "caçado e acorrentado como um criminoso, sem saber o mal que fizera" e posto a "rebentar pedregulhos e plantar cocos" (p. 49). Isto é, dos chibalos, o José foi conhecendo a dureza da vida. Este condenado vai se entregar aos suspiros de paixão nos braços da apetitosa Delfina, aquela que, nas palavras do adivinho Moyo, será a sua desgraça. Porque a vida lhe ensinará que "a felicidade é dádiva dos poderosos e o amor uma relíquia a que só os poderosos têm acesso." (p. 70). Pois então, este homem vai renegar e chacinar a sua raça em nome do amor. E em nome do amor, José dos Montes morrerá. Mas essa morte será lenta, dolorosa. Exílio.

«Porque o amor é mesmo isto. Secreto como a raiz de uma brisa. Germinando em qualquer lugar, florindo em qualquer matagal e morrendo em qualquer espaço. Porque é gémeo da lua que se esconde nas nuvens e brinca com os corações românticos o jogo da cabra-cega, vai e vem ao gosto das marés, tatuando nos corações as marcas da sua passagem. Quando o instante de amor acontece toda a vida se renova.» (p. 48)

Então, conheceremos o segundo marido da Delfina, Soares, português branco. Homem "engarrafado" que vai abandonar a sua esposa branca para suspirar as palavras mais bonitas de amor nos braços da negra Delfina. Mas este branco vê na Delfina a redenção, não só o amor. Procura liberdade, um mundo "onde pretos e brancos possam viver em harmonia. Um mundo de igualdade para todos." (p. 170). Mas vai se iludir com a Delfina, que menospreza seu próprio povo, seus próprios filhos por serem negros. Ele próprio é a razão da sua desgraça. Só uma saída há: exílio.

«O passado não se esquece. Adormece como semente no fundo da mente. Cai no solo e germina espinhos no presente.» (p. 242)

E finalmente, temos o Simba. Na verdade este é apenas o amante da Delfina, o que sempre fez os feitiços para o sucesso da Delfina, mas que nunca recebia os combinados. Em troca, lhe será prometido a virgindade da Maria das Dores. O homem terá nos braços a mãe e a filha ao mesmo tempo. Ele será o pai dos filhos da Maria das Dores. Mas a desgraça desta.

«Mãe é sempre mãe, independentemente da origem. É uma bênção tê-la viva e ao nosso lado. Mãe não se tem por requerimento nem por deferimento. Mãe é aquela que Deus nos deu.» (p. 220)

Falando em Maria das Dores, há que falar dos seus irmãos; os filhos mestiços da Delfina. Ela e o irmão Zezinho são negros, filhos de José dos Montes. Ao passo que os irmãos Maria Jacinta e Luisinho são mulatos, filhos de Soares. Os primeiros eram responsáveis pelos afazeres de casa; e os últimos só tinham que se preocupar com estudos.
Jacinta vai sentir a dor de ser mulata, filha de um branco e de uma preta. Excluída pelos negros por ser branca, e renegada pelos brancos por não ser branca genuína. Mas a vida lhe reserva mais dores que essas.

«— Quando alguém é aclamado rei, é o seu poder interior que liberta. A grandeza está dentro da gente — explica Moyo. — Não há feitiço para a grandeza.» (p. 127)

O profeta Moyo, pai adoptivo do José dos Montes merece menção. Este representa os sagazes africanos, os detentores das antigas sabedorias da terra mãe e da vida. Este é uma das personagens mais interessantes no romance.

«Na primeira geração éramos da cor da terra: todos negros. Com o tempo, as raças se modificaram: pelo clima, pela comida, pelas formas de vida, a humanidade se diversificou. Por isso hoje estamos aqui, numa salada de raças.» (p. 35)

Falando em personagens interessantes, o Lavaroupa de Francisco da Silveira, o pai de filhos de diferentes raças da mesma mulher negra, é uma das personagens mais intrigantes. Homem que viu uma oportunidade sinistra na libertinagem da mulher, até porque "a dignidade de um homem mede-se pelo perfil da sua mulher" (p. 151).

«A ruptura entre as gerações é um processo violento.» (p. 112)

Há que destacar aqui a Dona Serafina, mãe de Delfina. Nascida aos olhos da escravatura, deseja para a filha um futuro que ela nunca teve, que uma negra não ousa sonhar. Vê a filha casada com um branco, tendo filhos mestiços. Vê a filha poderosa. Vê na filha um porto seguro, o ganho pão. Mas mãe e filha não seguem caminhos iguais, mas distintos.
Serafina é uma moldura moldada pelos horrores que viveu e que não deseja que a filha passe pelas mesmas situações. Sabe quão árduo é viver naquelas situações e tenta se adaptar a isso. Colocamo-nos no lugar dela e sentimos seus medos, suas motivações, e no fim a compreendemos.
O embate entre Serafina e Delfina simboliza a inacabável luta entre as gerações, nova e a velha; dos negros e assimilados, "brancos" de pele negra. Isto rende os momentos mais tensos da trama.

«Quem disse que Deus criou o mundo em sete dias? O mundo não estaria em construção? Então, porquê as guerras, tempestades, terramotos, cheias? Não, o mundo não está criado nem concluído. É preciso que haja mais guerras até que os pretos e os brancos se misturem apenas numa só raça. E numa só nação.» (p. 98)

Enfim, "O Alegre Canto da Perdiz" não é só sobre amor e perdão, mas também sobre a questão mais tratada na Literatura Moçambicana, ou mesmo Africana: a busca de identidade.

«Mas não se abandona a natureza por assinatura e nem se muda de raça por um juramento. Nem com a mais perfeita das cosméticas.» (p. 96)

OUTRAS CITAÇÕES:

«Dentro das mentes assustadas, os mitos surgem como a única verdade, para explicar o inexplicável.» (p. 5)

«Na vida nada é princípio, nada é fim. Tudo é continuidade.» (p. 16)

«A vida é um permanente risco em busca de oportunidade.» (p. 19)

«Nos tempos novos a sociedade se autocorroía em nome de uma modernidade arrastando centenas de semelhantes à marginalidade e à loucura. O mundo adoptou novos desafios e combate novos inimigos.» (p. 20)

«Nas cidades humanas a liberdade é proibida. O ser humano tem que andar sempre vestido, documentado, calçado. Por andar sem rumo, a polícia prende por vadiagem, como se alguém conhecesse de facto o rumo de cada passo. Porque é que tem de se andar num rumo exacto se todos os lugares são lugares para andar? Porque é que tenho que caminhar a horas certas se todas as horas são horas para caminhar?» (p. 21)

«[...] confortar o outro é confortar-se. É dormir de coração feliz, por ter ajudado alguém a ser alguém.» (p. 32)


«Evita a palavra nunca, menino. O sol que vai depois volta. A noite também. Até os mortos renascem em novas encarnações. A palavra nunca fecha as portas do céu, menino, evita-a.» (p. 40)

«Percorrer os caminhos à toa não significa loucura.» (p. 41)
«O padre volta a falar da mãe. Diz que cada mãe conhece o nome das estrelas, porque ela é também uma estrela. Ela é sonho, invocação, poesia.» (p. 43)

«[...] todo o ser humano é louco, e a terra um planeta de loucura.» (p. 43)

«Nenhum homem conta com prazer a história da própria derrota.» (p. 44)


«A água nunca esquece o seu caminho.» (p. 55)

«A transcendência humana é filha da fantasia.» (p. 61)

«As mãos humanas travam tudo menos o vento e a dor. O amor é ainda mais soberano, as mãos humanas não o atingem.» (p. 72)

«Amar é também abrir a mão e deixar partir. Amar é ganhar e perder. É aceitar semear-se para germinar noutra encarnação.» (p. 78)

«Infelizmente, neste mundo, as dores pesam mais que a alegria. O amor vem e, num segundo, faz esquecer as mágoas do percurso. Porque a eternidade é um instante.» (p. 79)

«A imagem de um casal perfeito reflecte-se nos olhos da multidão.» (p. 81)

«A vida é assim. O que é o sonho de uns, é a realidade de outros.» (p. 81)

«Não há pessoas feias quando há dinheiro. É a pobreza que faz a velhice, a feiura da gente — suspira José.» (p. 91)

«[...] por vezes o sorriso assume a forma de um choro.» (p. 106)
«[...] a violência gera resistência.» (p. 115)

«No mundo novo, o dinheiro vale mais que a vida. O número de propriedades é mais importante que o número de filhos. A solidão será melhor que a companhia. O pai faz os cálculos da passagem. A vida é curta.» (p. 115)

«Para os jovens, o futuro é melhor que o presente. Para os velhos, o passado é sempre melhor que o presente.» (p. 117)

«— A grandeza é a alma da gente, José.» (p. 127)

«— Nessa independência que sonhamos o mundo não será o mesmo. Libertaremos a terra, sim, mas jamais seremos senhores. Os governadores do futuro terão cabeças de brancos sobre o corpo negro. Nesse tempo, os marinheiros já não precisarão de barcos, porque terão construído moradas seguras dentro da gente. O colonialismo habitará a nossa mente e o nosso ventre e a liberdade será apenas um sonho.» (p. 127)

«Cada dia é uma nova história, um novo caminho, um novo destino.» (p. 135)

«Não são lineares os caminhos do mundo.» (p. 141)

«[...] no capítulo da dor, negros ou brancos choram da mesma maneira.» (p. 163)

«Para reconhecer o destino é preciso que as pessoas cresçam e os caminhos se revelem.» (p. 187)

«Jacinta aprenderá um dia. Que o remédio que cura também mata. Que as mãos que te elevam aos céus também te enterram. Que o mundo que te coroa de ouro também te coroa de espinhos. Que no amor, a boca que te beija também te humilha.» (p. 220)

«A vida vale mais que qualquer fortuna.» (p. 249)

«Para se ter a liberdade é preciso, primeiro, sonhar com ela. E quando se alcança deve ser preservada de todas as tormentas.» (p. 256)

AVALIAÇÃO: 10/10

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Review by: Manuel Gimo

site: www.fb.com/manueltchatche.rmt
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