O alegre canto da perdiz

O alegre canto da perdiz Paulina Chiziane




Resenhas - O Alegre Canto da Perdiz


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Debora 06/08/2020

Escrita incomoda e final perdido
O estilo de escrita da autora, próximo ao dos relatos orais, é muito cansativo de ser lido. Ela usa frases curtas e repetitivas para tentar expressar os sentimentos. Entendo que isso agrade, mas a mim me cansou. Terrivelmente. Foi um suplício chegar ao fim do livro.
E, a partir do capítulo 29, o suplício foi ainda maior. Será que a autora queria fazer uma saga, ficou com preguiça e jogou um monte de ideias soltas nos últimos 6 capítulos? Foi a minha sensação...
Me dei conta que só tinha escrito as partes ruins, então voltei. A história é importante de ser contada. A dialética colonização-assimilação é importantíssima. As escolhas ou não-escolhas feitas por Delfina, a grande protagonista, falam dos caminhos de uma nação. É muito importante e rica. O que me incomodou foi sua execução e, mais ainda, a finalização mesmo.
Verena Cavalcante 11/05/2021minha estante
é lindo? é. é cansativo? pra caralho.


Debora 12/05/2021minha estante
Bastante!




Leio, logo existo 03/04/2021

O ALEGRE CANTO DA PERDIZ
O livro " O alegre canto da perdiz" é minha segunda incursão ao mundo literário construído por Paulina Chiziane. Novamente o processo de leitura iniciou-se em ritmo lento. Desisti.

Quando achei que estava pronta, reiniciei. O reinício foi mais prazeroso. Mergulhei nas palavras dessa escritora maravilhosa e fiquei extasiada, mais uma vez. A história de Delfina e Maria das Dores é um retrato das mazelas da colonização em Moçambique. Mulheres, negras e pobres buscando seu lugar no mundo e encontrando pelo caminho racismo, preconceito, miséria, prostituição, violência e solidão.

Delfina é uma prostituta que busca desesperadamente casar-se com um homem branco (símbolo de riqueza e poder), no meio do caminho conhece José dos Montes, homem negro e pobre. Apaixonam-se. Casam-se. Nasce Maria das Dores. Porém, Delfina trai o marido. José dos Montes abandona a família. Ela casa com o sonhado homem branco. Filhos mestiços nascem. Delfina segrega os filhos dentro de sua própria casa. Reforça os valores colonizadores, renega sua cor e sua cultura. Mais uma vez é abandonada à própria sorte. Volta à prostituição, vende a virgindade de Maria das Dores, que por sua vez é aprisionada, drograda pelo homem que a comprou. Enlouquece e abandona os próprios filhos. Como pano de fundo para essa tragédia familiar vemos a luta de Moçambique pela independência.
(Este livro despertou em mim o desejo de conhecer mais sobre o processo de colonização e independência de Moçambique).

A forma como Chiziane escreve é extremamente poética. Eu fiquei realmente envolvida com a trajetória infeliz e solitária de mãe e filha.
Recomendo a leitura !
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Paula 07/04/2020

Gurué, gurué
O alegre canto da perdiz não se compara a nada que eu já tenha lido. Inaugura uma nova literatura em minha vida. Paulina Chiziane diz não ser romancista, apenas ser uma contadora de suas histórias ancestrais. De fato, ela extrapola esses conceitos. Sua obra oferece uma riqueza mitológica ímpar. É difícil escrever sobre o livro. Ele é poético, doloroso, violento, acalentador... Inenarrável. Lê-lo é necessário.

Gatilhos para violência (física, étnica, sexual).
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Luciana Dryer 28/01/2021

Vidas negras importam sempre!
❝Na vida nada é princípio, nada é fim. Tudo é continuidade.❞
Uma história que não tem nada de bonito, e justamente por isso, toca fundo nossos corações e nos faz repensar sobre muitas questões.
É a história de uma raça, de pessoas que foram diminuídas, que tiveram seus sonhos destruídos, simplesmente por serem negras.
A autora nos trás uma realidade dura, difícil e cruel, repleta de verdades que chocam, que escandalizam. Sua escrita é poética e ela usa de lendas e histórias antigas para representar e descrever seus personagens.
Paulina nos conta a história de Delfina, uma mulher negra que renegava sua raça e sua cor, que se casou com um negro e que se casou com um branco, para ter uma vida melhor, e que não mediu esforços pela sua sobrevivência. Isso não quer dizer que ela era perfeita ou altruísta, pelo contrário, ela cometeu erros, enganos, traiu, manipulou, apunhalou quem mais a amava, suas decisões erradas e egoístas afetaram a vida de todos a sua volta, principalmente a vida de Maria da Dores, sua filha preta.
Delfina não é uma personagem para se gostar, mas para ensinar e nos fazer refletir, não só sobre os abusos infligidos aos negros, não só pela cultura negra, mas nos faz pensar em quanto o ser humano pode ser cruel, pode ser injusto, por acreditar que a sua verdade é a única válida.
Gostei da história, gostei do desfecho da trama, da presença do perdão na vida dos personagens, do valor da família, da força da mulher negra, do significado e do poder em ser mãe. Isso não quer dizer que eu tenha concordado com as atitudes e decisões da Delfina, não mesmo, eu a odiei com força, mas o destino cuidou das consequências, foi uma verdadeira lição. A cor da pele é mais importante que uma vida? Tudo o que somos se resume a quantidade de melanina em nossa pele?
O único ponto negativo para mim foi a leitura não ser fluida, e sim morosa, mesmo a história não sendo longa, demorei para finalizar, porque precisei de pausas para digerir e pensar sobre as questões propostas pela autora.


site: https://www.instagram.com/p/CKmYWP_jqGR/?igshid=1ufh55zhv5wk4
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lucienetimbo 23/05/2021

Citações
Escrita super poética, lendas sobre o feminino, mas o final é muito hollywoodiano pro meu gosto.
Todavia, revisitar as anotações algumas semanas após a finalização da leitura fez o livro crescer um pouco e dar mais ênfase à força da personagem Maria das Dores.

Citações:

As pessoas gostam muito de identidades. Chegam a exigir uma certidão de nascimento para uma pessoa presente. Haverá melhor testemunha do que a presença para confirmar que nasci? (p. 10)

... tua nudez mata e cega (p. 11)

A nudez que elas viam não é a minha, é a delas.

Eu tenho o destino do vento, e tenho a vida presa nas teias de uma esperança desconhecida.

Quem sou eu? Uma estátua de barro, no meio da chuva. (p. 13)

... sei que o choro de uma mulher tem a a força de uma nascente. (p. 14)

Toda a Maria tem outro nome, porque Maria não é nome, é sinónimo de mulher. (p. 15)

Os homens invadiram o nosso mundo - dizia ela -, roubaram-nos o fogo e o milho, e colocaram-nos num lugar de submissão. Enganaram-nos com aquela linguagem de amor e de paixão, mas usurparam o poder que era nosso. P. 18

Longe é a distância entre o teu percurso e o teu cordão umbilical. Longe é o útero da tua mãe de onde foste expulso para nunca mais voltar. É a distância para o teu próprio íntimo onde nem sempre consegues chegar. Longe é o lugar de esperança e de saudade. Lugar para sonhar e recordar. Longe é o além para onde muitos partem e deixam eternas saudades. O longe é gémeo do perto, tal como o princípio é gémeo do fim. Porque tudo muda na hora da meta. O ali será aqui, na hora da chegada. O futuro será presente. O amanhã será hoje. (p. 19)

As sociedades modernas produzem cada vez mais loucos e marginais como produtos de luxo. (p. 25)

A obsessiva ideia da mulher mãe afasta a mulher estéril da categoria humana. (p. 28)

Nas cidades humanas a liberdade é proibida. (p. 29)

- Regressar? Nunca. Estou muito bem aqui.
Ela tem razão. Todo o lugar é bom para nascer. E morrer. O ventre da mãe é o único ponto de partida para todos os caminhos do mundo. (p. 30)

Porque ele sabe que confortar o outro é confortar-se. (p. 43)

Maria conta como ela [sua mãe] era surda. Não ouvia os choros das crianças nem os apelos do mundo. Mas ouvia o tilintar das moedas caindo no solo a quilómetros de distância. Ouvia o chocalhar das pulseiras e dos brincos de ouro que tilintavam nos braços, nas orelhas e nos tornozelos. E ouvia o comando da própria mente. Era cega. Via a sua imagem ao espelho. E mais nada. Era muito bela, a sua mãe. (p. 45)

Evita a palavra nunca, menino. O sol que vai depois volta. A noite também. Até os mortos renascem em novas encarnações.  A palavra nunca fecha as portas do céu, menino, evita-a. (p. 54)

A louca é uma mulher de bem, tentando enfrentar o mundo com mãos de mulher. (p. 55)

A água nunca esquece o seu caminho. (p. 72)

Ser negra é doloroso. Negro não tem deus nem pátria. (p. 78)

Casemos para destruir este amor. (p. 84)

- Melhora a tua raça, minha Delfina!  (p. 87)

... arranja um branco e faz filhos mestiços. Eles nunca são presos nem maltratados, são livres, andam à solta. Um dia também serão patrões e irão ocupar o lugar dos pais e a tua vida será salva, Delfina. Felizes as mulheres que geram filhos de peles claras porque jamais serão deportados. (p. 94)

Riqueza no preto é sorte, no branco é destino. Antes um branco pobre que um preto rico. (p. 95)

Mas um dia virá em que o mundo inteiro se recordará do sofrimento da mãe negra e nos pedirá perdão, pelos filhos que nos roubaram, arrancaram, venderam. (p. 98)

As palavras são fermento, Serafina. (p. 100)

a lua de mel... para as mulheres é a inauguração do estatuto de serva. (p. 08)

"Mesmo que nos matem
Havemos de voltar
...
Apesar desta escravatura
Havemos de voltar" (p. 125-126)

Ontem a humanidade era filha do barro. Amanhã a humanidade será filha da bala. (p. 128)

Quem disse que Deus criou o mundo em sete dias? ... Não, o mundo não está criado nem concluído. É preciso que haja mais guerras até que os pretos e os brancos se misturem apenas numa só raça. E numa só nação.

As mulheres se gabam de dar a vida. Os homens, alguns, se podem gabar de tirar a vida para as sombras. Por isso se organizam em legiões, pelotões, exércitos e movimentos terroristas. (p. 129)

O colonialismo é macho, engravidou o ventre da tua mulher. Roubou o beijo da tua namorada e o sorriso dos teus filhos. Oh, o chicote do branco é uma carícia, não dói. (p. 130)

- Temos que usá-lo até se gastar. (p. 136)

Oh, filha minha, o parto é um grito, um sopro. O mundo tem duas grandes rivais: a mulher e a terra na disputa pela vida. Se tu falhas, ganha a terra e o filho se enterra, Delfina, prepara-te para a guerra! (p. 143)

O canto da perdiz numa noite sem lua era mau agouro. (p. 220)

Que liberdade é essa que nos tira os nossos privilégios? (p. 225)

... a miséria nivela todas as raças. (p. 248)

Nem imagina ainda o dia em que os homens do mundo inteiro se ajoelharão pedindo perdão a todas as mulheres pela opressão, pela exclusão e pela violência que sobre elas exercem desde o princípio do mundo. (p. 262)

O nascer do sol é doloroso como a gestação de um filho. Engravidar o ventre da noite. Romper as membranas da terra e da madrugada. Vencer a força e a distância e o poder ofuscante das negras nuvens do horizonte. Brotar do chão. Sorrir. Soltar toda a luz interior para dar conforto à terra, fazer as flores desabrochar e iluminar o mundo.
(p. 266).

- O amor é belo, construtivo, Maria das Dores. Que amor é esse que te mata, que te suga, que te amarra? (p. 270)

Meu Deus, não sou ninguém neste mundo, não existo. (p. 271)

Toda a mãe deve ser torturada por gerar um filho sem lhe pedir licença. (p. 326)
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Janaina 20/07/2020

De um lirismo...
... absolutamente tocante e necessário, pq o sofrimento da história que Chiziane nos conta o exige.
As metáforas e os mitos utilizados para falar sobre as relações intra e inter grupos raciais, de gênero, opressores e oprimidos causam impacto e convidam à reflexão.

Foi o meu primeiro livro da autora e não me decepcionei.

Aviso: há gatilho de estupro.
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Nat 20/11/2020

^^ Pilha de Leitura ^^
O Alegre canto da Perdiz conta as histórias de Delfina e sua filha Maria das Dores. A história se passa na Zambézia, que é um território em Moçambique, durante a ocupação portuguesa. Gosto muito de ler sobre culturas diferentes e como são as vidas das pessoas. A autora Paulina Chiziane escreve principalmente poesia e, nessa prosa, conseguiu “poetizar” bastante o texto; além da história das personagens (com grande visão feminina), Paulina mesclava contos/fábulas africanas. Achei o início um pouco difícil de entender, depois fui pegando gosto, mas não gostei do final (não pelo jeito de se contar, mas pelo que aconteceu mesmo). Até onde a cor da pele é importante em uma cidade negra colonizada por branco? Qual o limite entre certo e errado na relação entre mãe e filha?

site: https://www.youtube.com/c/PilhadeLeituradaNat
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Leitora Voraz 26/01/2021

Leitura necessária, mas poderia ser melhor...
Já adianto que não é uma leitura fácil.
Ele tem uma narrativa poética, histórica, lenta e em algumas vezes até cansativa.
Mas ele vai falar sobre o período escravocrático e como era ser um ?preto? naquela época.
É nítido como algumas questões raciais se mantém por tanto tempo e como isso interfere no desenvolvimento de alguns personagens ou na própria destruição de outros, seja de um personagem negro ou de um branco.
Para mim, o final ficou extremamente corrido e confuso, além de não ser como eu esperava.
Se fosse estivesse no lugar de alguns personagens, teria uma postura bem diferente, principalmente a da que a Maria das Dores teve, mas enfim...
Vale a pena conhecer a escrita de outra cultura, mas esse livro é pra ser lido em doses homeopáticas.
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Aisiel 05/05/2021

Desde que inaugurou a ficção moçambicana de autoria feminina, com a publicação do romance Balada de amor ao vento, em 1990, Paulina Chiziane tem se destacado no cenário literário de seu país. Em quase três décadas de publicações, a autora põe em xeque as relações de gênero, trazendo à tona a condição feminina. Em seu quinto romance, O alegre canto da perdiz (2008), Chiziane faz um resgate histórico ao retratar a colonização de Moçambique. No centro da narrativa, mais uma vez, as mulheres. A questão agora é o feminino e a sua relação com esse momento da história do país. Interessa-nos, portanto, analisar as representações desse feminino já que o romance em questão se mostra campo tão fértil, ao retratar três gerações de uma família cuja condução das ações centrais é sempre feita pelas mulheres. À luz dos postulados de autores como Stuart Hall (2016) e Frantz Fanon (2008) será possível fazer uma leitura do romance no que tange à representação do negro e da negra. Outros autores como Zilá Bernd (1984) e Kabengele Munanga (1986) também servirão de base nesse sentido.
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Wal - Ig Amor pela Literatura 08/02/2019

E canta a perdiz...
O livro se passa durante o período de dominação portuguesa. Todos os personagens vivem suas histórias na província da Zambézia, às voltas com todas as barbáries da colonização que se instala sem a licença dos donos daquela terra.

Tudo se inicia com Maria das Dores sentada à beira de um lago, nua em posição de lótus, e assim passa a ser vista com assombro e diferença pelas outras mulheres de sua mesma etnia, já aparentemente assimiladas pelo sistema, e que parecem não aceitar mais a pureza de sua origem – ali se já enxerga uma tentativa desesperada, daquela Maria, pela busca da descolonização.

Duas mulheres, vários caminhos. A assimilação, e suas trágicas consequências, se mostra de forma diferente em Delfina, a mãe, e Maria das Dores, a filha. De um lado, Maria sofre, se desespera diante da imensa solidão que a assola em meio àquela multidão, questiona as exigências imperialistas. No entanto, bem próxima à filha, Delfina se subverte e passa a negar as suas origens, e, para conseguir se auto afirmar como uma assimilada, renega a filha negra e a entrega a um destino de muita tristeza. A inferiorização do corpo negro feminino, confinado à sua dupla condição marginal, está presente em cada linha escrita.

______“Maria das Dores estava a ser violada. Extraviada. Roubada. Uma menina submetida à sádica obsessão daqueles que a deviam amar”_____

O livro se inicia com Maria das Dores, tida, por muitos, como a louca, caminhando numa viagem solitária à procura dos filhos. Nessa jornada ela busca, acima de tudo, reencontrar a si mesma, resgatar o reconhecimento de suas identidades. Quando Maria peregrina em busca dos seus, está implícito que ela também é a Zambézia que ressurge da dor, proveniente da destruição do que era seu, e caminha forte para a reconstrução de tudo que foi desvastado pela colonização gananciosa dos brancos.

Paulina Chiziane mistura imaginação, misticismo e revolta, nessa obra que é um retrato fiel daquela época e, dessa forma, relembra a crueza da colonialidade e a triste memória de um tempo em que o sofrimento e a subjugação da figura feminina negra marcou o destino de milhares de mulheres. Uma leitura recomendadíssima, um livro inesquecível.

site: https://instagram.com/amor.pela.literatura?utm_source=ig_profile_share&igshid=r28640thfjpi
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Cantinho 29/01/2021

Que livroooo
E esse livro entrou como desafio do mês de janeiro, onde pegamos aquele genero que todos se esquivaram, para poder mostrar a magia por trás dos nossos receios. Cada uma escolheu o livro de sua preferencia e estamos aqui para mostrarnum deles. Venha conferir:

Em o Alegre canto da perdiz conhecemos Delfina, uma mulher bonita que se debate em conflitos entre escolher o seu caminho por amor ou conforto. Delfina desnuda um lado de uma história pouco contada. Os contraste, contradições e conflitos da história da mulher africana. Uma mulher que acredita que precisa renegar a quem é para conseguir a felicidade e que acaba se perdendo ainda mais.
Como podemos nos deparar com uma cultura tão diferente, com o quanto as pessoas são forçadas a tomar decisões atropelando seus princípios e o quanto o ser humano pode ser egoísta e desumano.

Neste livro, Paulina Chiziane nos choca e nos emociona em um enredo pautado de muito misticismo e fantasia enquanto retrata este período histórico da sociedade e da mulher africana.
É triste ver o quão fácil o ser humano é comprado, ouro vale mais que sentimento, vale mais que uma vida. Muitos preferem virar as costas aos seus, sentem que estão no topo da cadeia, mas é tão mesquinho, tão triste que nos da uma sensação de quão pequeno o ser humano significa.
Traições, que nos faz refletir sobre a família, refletir sobre o certo e errado. Dentro de dadas circunstancias, será que somente o caminho destrutivo era aceitável? Porque cor de pele vale tanto assim?

A história de um povo, que sofreram, que foram capturados e renegados. Em alguns momentos perderam a fé e a esperança e si. É uma história de amor e perdão. De busca por quem é em um mundo que lhe descaracterizavam.
Com personagens imperfeitos, que cometem erros e nos faz refletir sobre a natureza humana e seus caminhos. Conhecemos através desta leitura não só a cultura negra e todo o contexto histórico deste povo. Uma história sobre a força da mulher negra, do valor da família e acima de tudo da importância dos recomeços.
Não foi uma leitura fácil, pelo contrário, foi extremamente difícil. Uma escrita diferente com influência dos contos orais, mesmo sendo complexa nos instiga e envolve com detalhes da cultura negra, emocionando e revoltando. Vemos uma raça se mover contra ela mesma, o racismo dentre um único povo, o quanto pessoas sofreram, foram abusadas, mortas, escravizadas, destruídas e tudo por conta da coloração da pele, por conta de valores e crenças que os brancos não entendiam e ainda se intitulavam como civilizados.

Uma leitura difícil, que faz o leitor desejar abandonar a cada parágrafo e quando terminamos, estamos diferentes. Somos tocados mais uma vez.

By @quedscarvalho e @giselicristina.as
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Sannn 16/10/2014

Ótimo livro! Paulina retrata com personagens marcantes, inesquecíveis, fortes e frágeis ao mesmo tempo, e, numa maneira divinamente poética os complexos vividos por negros e brancos no período de colonização da África. Os processos de assimilação, transculturação, quebra do que era considerado sagrado também tem seu lugar nessa excelentíssima narrativa.
Delfina, a grande perdiz. Maria das Dores, a louca. José dos Montes, Simba, o médico e o padre... Personagens cativantes e, sobretudo, ricos acerca de cultura e excentricidade.
Vale não só a pena, mas a galinha toda! Ou melhor, a Perdiz toda. rs"
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Jacqueline 15/07/2017

Excelente narrativa,Paulina é uma excelente contadora de histórias. Os personagens são conplexamente bem construídos.O que mais me agradou na história foi a possibilidade de conhecer mais da história de Moçambique entre as histórias dos personagens. Se reflete sobre a guerra civil, sobre as consequências da colonização, sobre as nuances complexas sobre racialismo e racismo, tudo isso servindo de pano de fundo ao drama dos personagens.
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Elisana 12/07/2021

O sofrimento geração após geração
O livro é bastante dolorido, uma narrativa que nos leva a refletir acerca do processo de colonização de alguns países africanos e suas particularidades. Eu já li bastante literatura nigeriana, porém esse é apenas o segundo livro de uma autora de Moçambique.

Delfina, uma das principais personagens dessa história, é algoz e vítima, por vezes é vitimada e em outros momentos violentadora de outros, é possível perceber as nuances que a vida impõe a essa personagem tão complexa. José é também o algoz e vítima. São todos personagens perambulando por esse linha tênue.

Eu demorei para pegar o ritmo dessa narrativa, iniciei, pausei por uns dias e depois tentei retornar e só após passar do início foi possível entender e seguir a leitura.

É um livro bem denso e não tem um vilão propriamente dito, tem pessoas e suas nuances, quer seja para o bem, quer seja para o mal. O final é um pouco perdida, principalmente, as últimas cinco páginas. É bastante poético, o que dificulta o entendimento.
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Carolina.S.M 30/03/2021

Paulina e suas frases impecáveis
Em O Alegre Canto, Paulina mostra sua excelência como frasista; há uma imensidão de frases que vão ecoar no leitor, frases definitivas, contundentes, realistas, duras e honestas. Frases de amor, de dor, de colonização, de maternidade... para pronunciar tais frases, personagens incrivelmente humanos, falhos, intensos, de odiar, amar e odiar novamente, num ciclo. Perpassando tudo, uma profunda reflexão sobre a colonização e os ventos decoloniais... em vários momentos é possível ver Fanon nas linhas e entrelinhas. Um primor.
Não creio que agrade a todos os leitores, eu mesma só engatei na segunda tentativa. Pq é preciso entender que a lição é mais importante que os personagens em vários momentos. Mas, mais uma vez, Paulina Chiziane encanta e conta histórias de mulheres.
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