A Partitura do Adeus

A Partitura do Adeus Pascal Mercier




Resenhas - A Partitura do Adeus


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Pandora 09/02/2014

Um livro sobre o amor incondicional de um pai, que não mede esforços para satisfazer a loucura obsessiva de sua filha emocionalmente perturbada. Tem uma narrativa um tanto confusa, depressiva e angustiada. Lea não desperta simpatia, é fria e distante, mas seu pai está disposto a tudo para vê-la realizada, ainda que ela não demonstre agradecimento ou alegria. Mais para o final a história teve um crescente e a narrativa pareceu ganhar força, mas o autor optou por não descrever certas cenas que teriam deixado o livro mais impactante. O resultado foi um final morno para uma história até interessante, mas que poderia ter sido melhor contada.
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Fernanda Pompermayer 30/05/2015

A partitura do adeus é uma obra contemporânea, nitidamente pós-moderna. Mas poderia ter sido escrita cem anos atrás, no século 18 e até antes. Poderia ser uma linda história narrada no tempo das carruagens, em que as ruas eram iluminadas por lampiões, em bucólicas auroras cobertas de névoa. Parece contraditório, mas não é. A narrativa é totalmente atemporal por compor uma obra onde a psicologia humana transborda em cada página, em cada parágrafo. A história é narrada sem muitos enfeites, não é um livro de “final feliz” e isso fica claro desde o começo, desde a introdução. Mas o que se passa com as personagens poderia ser vivido em qualquer época da história: são situações, dramas, anseios que poderiam compor a aventura humana de qualquer pessoa, em qualquer época ou país. O que faz a história ser tão tocante e atual é o modo de contá-la, a ausência de pudor em desnudar feridas. Existe amizade, confidência, interesse sincero pelos outros. As pessoas se defrontam com seus limites, com o fim de uma carreira, com o fracasso de um casamento. Há deslizes e vitórias... como sempre houve e haverá.
Na esteira de O trem noturno para Lisboa (2004) – já resenhado por Cidade Nova – best-seller do escritor e filósofo suíço Peter Bieri, que assina sob o pseudônimo de Pascal Mercier, os fatos começam em Berna (Suíça). Também partem de um encontro fortuito com uma personagem cujo aparecimento vai transformar a vida de alguém. Neste caso, da garota Lea, de oito anos, e consequentemente de seu pai, o médico e pesquisador Martijn van Vliet. Quando Adrian Herzog, também médico, entra em cena, é para se tornar um confidente de van Vliet e em parte narrador da trama.
Em A partitura do adeus a paixão por um ideal – tornar-se uma violinista –, a busca pela perfeição a qualquer custo, dão um novo sentido para a existência de Lea e tornam-se um risco para a sua sobrevivência. É “como tocar as estrelas”, parafraseando Marie Curie, Prêmio Nobel da Física (1903) e da Química (1911), citada na narrativa.
E há um fato inegável: Pascal Mercier – ou Peter Bieri, como preferirmos – sabe escrever!


site: Resenha publicada por mim na revista Cidade Nova, junho 2014 (www.cidadenova.org.br)
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Paulinha 29/04/2014

Pai e filha: quando a dor acontece
"...quando os olhares dos outros recaem sobre nós, é sempre cruel, mesmo com boa vontade. Eles nos transformam em protagonistas. Não podemos ser nós mesmos..." (página 85)


Martiijn van Vliet trabalhava em uma faculdade, na área de pesquisa em medicina cibernética, e desfrutava de grande reputação junto à administração e aos patrocinadores. Ficou viúvo cedo: sua filha Lea tinha apenas 7 anos e, obviamente, sentiu muito a perda da mãe Cécile, que morrera vítima de leucemia.

Um ano depois, numa estação de trem em Berna, Lea ouviu o som de um violino e arrastou o pai até o local: uma moça (Loyola de Cólon) tocava, de olhos fechados, a “Partita em mi maior” de Bach.

Algo nela mudou, foi despertado. Seus olhos voltaram a brilhar e sua vida, a partir desse dia, nunca mais seria a mesma: ela iria aprender a tocar violino e dedicaria todo seu ser em se aprimorar nisso.

“...ao tocar ela se embrenhava em uma paixão sagrada que a fazia perder o fôlego. Isso seria como tocar as estrelas.” (pág. 40)

Quem nos conta a história de Lea e van Vliet é Adrian Herzog, um médico cirurgião que abandonou a profissão por não se achar mais capaz de seguir adiante. Um dia, estando ele num café em Provence, conhece van Vliet e, ao descobrir que são de Berna e que estão indo para o mesmo destino, decidem voltar juntos.

“[Eram] dois analfabetos no que diz respeito à proximidade e à distância [...], dois analfabetos da confiança e da estranheza.” (pág. 51)

Adrian também foi casado e teve uma filha, Leslie, cujo relacionamento sempre foi distante, especialmente quando ela foi para o internato após o divórcio dos pais. Ele também tem uma história de culpa e dor que vamos conhecer, mas nada que se compare à de van Vliet: uma história trágica, que é um verdadeiro soco no estômago.

Boa leitura!

site: http://cantinhodaleitura-paulinha.blogspot.com.br/2014/04/a-partitura-do-adeus.html
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