Anjos do Universo

Anjos do Universo Einar Már Guðmundsson




Resenhas - Anjos do Universo


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Thaisa 06/08/2016

A loucura está ali a espreita...
A primeira vista acreditei que esse livro teria uma outra abordagem para o tema apresentado. Tema esse que me desperta um certo fascínio. A mente humana com suas nuances e mistérios sempre me chamou a atenção e gosto quando o tema "loucura" está presente na literatura. Não sei por qual motivo acreditei que veria a história contada de uma forma diferente daquela que o livro apresenta. Mas gostei da forma como o tema foi descrito.

O que mais me chamou a atenção em Anjos do Universo foi saber que o protagonista sofria de esquizofrenia e de imediato quis conhecer mais de Páll, nosso protagonista narrador. A capa do livro não tem nada a ver com a história, ou tem, se você olhar pelo ponto de vista de alguém que convive com alucinações constantemente. Posso dizer o mesmo do título...

Páll é um homem islandês que sofre de esquizofrenia. Como citei acima, ele é nosso narrador, pois o livro é narrado em primeira pessoa e na visão dele. Assim como Brás Cubas (Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis), nosso narrador é morto e conta toda a sua história desde o seu nascimento até o dia de sua morte.

Aparentemente Páll teve uma infância normal, sem maiores problemas e só em sua adolescência que sintomas da esquizofrenia começaram a aparecer. Primeiro filho de um casal, com muitos planos e sonhos, Palli cresceu com uma boa condição de vida e foi um menino inteligente e ligado às artes. Cresceu com poucos amigos e como todo bom nerd, taxado como o "esquisito" da turma... Estamos falando do ano de 1954.

Sua juventude já não foi assim tão fácil. Páll conheceu o amor, as decepções que isso pode trazer e os sintomas de sua doença quando começaram a aparecer, trouxe junto grandes problemas. E assim seguimos conhecendo sua vida, amigos, ilusões, dores e decepções até o seu internamento no hospital psiquiátrico Kleppur.

A narrativa é leve, por mais e aborde temas pesados como a loucura, o suicídio, vícios, descaso, dentre outras coisas. Com frases curtas e ideias rápidas, o livro segue e ao mesmo tempo não segue uma cronologia. Estamos diante de uma mente doente, cheia de alucinações, então o nosso narrador nos conta momentos marcantes e que ele vai se lembrando no decorrer de sua narrativa, deixando o leitor um pouco perdido nesse percurso.

A narração não segue uma lógica e achei isso fascinante pois fez eu me sentir dentro da mente de um esquizofrênico. O narrador não é confiável e a todo momento fiquei me perguntando se aquilo realmente era real ou imaginação dele. Outra coisa interessante é que o livro está repleto de citações da cultura pop da época como David Bowie, os Beatles, acontecimentos históricos, bandas e muitos fatos do folclore e mitologia islandesas.

O autor aborda temas sociais também. Principalmente o descaso dos pacientes internados em hospitais psiquiátricos e todos aqueles que são marginalizados pela sociedade por serem considerados um problema para as famílias e para o próprio estado. Posso considerar o hospital Kleppur como um personagem nesse livro. Ele tem quase que vida própria e com ele o autor demonstrou como essas pessoas são tratadas... muitos são jogados dentro de manicômios e vivem situações tão deploráveis e de abandono que a única solução que encontram é a morte.

Anjos do Universo é um livro leve, mas que nos leva a pensar em nossas atitudes com essas pessoas. Loucura é uma doença que nem sempre tem cura, mas isso é motivo para abandonar essas pessoas? Estar louco implica em não ter sentimentos? Vamos pensar nisso...

Resumindo, estamos diante de uma história triste de uma pessoa que foi sendo engolido aos poucos pela doença até restar apenas a escuridão de um túmulo frio.

Resenha publicada no blog Minha Contracapa:

site: http://minhacontracapa.com.br/2016/08/resenha-anjos-do-universo-de-einar-mar-gudmundsson/
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Silvio 31/12/2015

Uma comovente reflexão sobre a condição humana
Anjos do Universo é uma dessas gratas surpresas que encontramos ao percorrer despretenciosamente as livrarias pelo simples prazer de folhear os livros nas estantes. Ao contrário do que o título sugere, o universo que aborda é o da mente humana, que pode ser tão ou mais estranho e misterioso que o espaço sideral.

O universo apresentado pelo islandês Einar Már Gudmundsson é representado pela visão de mundo de Páll (personagem baseado em seu irmão) desde as aventuras infantis na capital Reiquiavique, os primeiros sinais de insanidade na juventude até a vida adulta como interno do manicômio Kleppur. Por meio de seu relato, Gudmundsson transcende as fronteiras de seu pequeno país e faz uma comovente reflexão sobre a condição humana, alternando os delírios de Páll com momentos de profunda e comovente lucidez.

Parabéns à editora Hedra e ao Centro de Difusão da Literatura Islandesa pela iniciativa em publicar a obra no Brasil.
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Peleteiro 03/01/2017

Fluido e poético
Gostei bastante! Me interessei por costumar curtir as obras nórdicas, e, mais uma vez, me deparei com uma narrativa bem fluida, e, diversas vezes bastante poética.
Achei interessante sobretudo o modo do autor de se utilizar de frases curtas separando parágrafos, o que muitos rejeitam...
Sobre a história, embora esperasse que fossem trazidas mais reflexões, acho que o livro encanta por sua simplicidade e normalidade ao ter sua história narrada por um esquizofrênico.
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jonatas.brito 17/09/2016

Uma boa surpresa.
O título da obra pode enganar os mais desavisados. Não se trata de um livro de autoajuda e muito menos de uma obra espírita. Trata-se de um comovente relato póstumo de Páll, o protagonista que, ao longo da narrativa, compartilha conosco os percalços de sua vida, suas turbulentas relações, ambições e amores. Porém um detalhe faz toda a diferença: ele é esquizofrênico.

Escrito pelo islandês Einar Már Gudmundsson (1954 – ), considerado um dos mais importantes autores de língua islandesa contemporânea e ganhador do prêmio nórdico de literatura de 1995; o romance – embora ficcional – foi totalmente dedicado e inspirado na vida de seu irmão, Pálmi Orn (1949 – 1991). Podemos considerar o livro como o que os críticos literários chamam de romance de formação, pois, acompanhamos todo o crescimento e amadurecimento do personagem, bem como o avanço de sua doença. A obra também é repleta de referências da cultura pop, onde o autor revela as bandas e canções que, de alguma forma, influenciaram a si e a seu personagem.

A Islândia é um país nórdico localizada no oceano Atlântico e com um pouco mais de 300 mil habitantes. Sua capital é Reiquiavique e nela concentra-se o enredo do romance. As memórias de Páll giram em torno de seu relacionamento familiar e social, mas, principalmente, do temido hospital psiquiátrico Kleppur. O hospital – embora um ser inanimado – assume para nós o papel de antagonista da trama, pois, embora temido por muitos, detém tamanha participação e importância para tentarmos compreender os traumas que se passam na cabeça do personagem. Ao contrário da linguagem irônica que encontramos em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis; as memórias póstumas de Páll são carregadas de tristeza, frustrações e desilusões. Sua narrativa, embora lúcida, mescla entre poucos e raros instantes de alegria e os muitos momentos em que a doença está latente, tornando-o uma pessoa problemática, antissocial e perigosa para si mesmo e para com os que estão ao seu redor.

Páll, que em determinado momento se considera um Anjo do Universo (daí o título da obra), aos poucos vai se enclausurando em seu próprio mundo, afasta-se dos amigos e da família a ponto de tornar-se morador de rua e adquirir manias de perseguição. Com o avançar da leitura esperamos pelo pior e o pior, inevitavelmente, acontece.

A conclusão do livro nos leva à reflexão e a subir um degrau ao conhecimento do que de fato é a esquizofrenia: um transtorno mental crônico, de origem ainda desconhecida e que dificulta o indivíduo portador de diferir o que é real do que é ilusório. São pessoas que habitam em dois mundos, lutando contra si mesmos e esforçando-se para possuir uma vida o mais “normal” possível.

Traduzido diretamente do islandês, com notas de rodapé que auxiliam o leitor no conhecimento da cultura e costumes da Islândia e com o apoio do Centro de Difusão da Literatura Islandesa, a editora Hedra presenteia o leitor brasileiro com uma obra esclarecedora, comovente e realista. E não julgue o livro pelo título, o conteúdo é surpreendente.

site: https://garimpoliterario.wordpress.com/2016/08/04/resenha-anjos-do-universo-einar-mar-gudmundsson/
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Melissa Padilha 09/01/2014

Quando recebi esse livro, inicialmente, sem ler a sinopse pensei que se tratava de alguma aventura qualquer, talvez uma ficção científica, mas o título não corresponde diretamente ao enredo do livro.

Anjos do Universo escrito pelo escritor islandês Einar Már Gudmundsson narra a vida de Páll, um jovem islandês esquizofrênico. Nosso narrador o próprio Páll, é como Brás Cubas em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, um narrador morto, ou defunto narrador, ela conta postumamente sua trajetória na vida e a progressão de sua situação como um doente esquizofrênico.

Entretanto, ao contrário de Brás Cubas que vem com certo humor ao contar sua história, Páll nos conta uma vida difícil, uma história pesada, balanceada entre uma infância relativamente normal e uma juventude marcada pelo início do aparecimento dos sintomas da esquizofrenia. E é bem do inicio que ele começa a contar a sua vida, no dia do seu nascimento, um dia segundo ele, histórico na Islândia, o dia em que o país sofria com intensas manifestações populares pois, estava sendo decidido se a Islândia deveria ou não entrar para a OTAN. Primeiro filho de um casal, cheio de promessas e sonhos, Páll viveu com uma boa condição de vida, divide conosco uma infância de um menino inteligente e ligado a artes, com poucos amigos e muitas ideias.

Mas, é na adolescência e início da vida adulta que os sintomas da esquizofrenia começam a surgir, a ponto de quando lemos a história, termos dúvidas de que aquilo que ele nos narra é real ou não.

O livro é feito de frases curtas, ideias rápidas, acontecimentos contadas de forma esparsa, assim como é a memória do nosso narrador, que não narra para nós uma sequência lógica de eventos, mas momentos cruciais de sua vida ou aqueles os quais são lembrados com certo saudosismo. É também recheado de citações da cultura pop moderna, bandas, acontecimentos históricos são citados, assim como livros e parte da mitologia islandesa, todas marcadas e explicadas através de notas de rodapé.

O livro narra as experiências pessoais de Páll, porém também narra igualmente a incompreensão e completa exclusão que doentes mentais sofrem tanto da família, quanto da sociedade em geral, que pouco compreendem a situação dessas pessoas, seus sintomas e seu estado de doentes.

Acho interessante narrativas que contam histórias de doentes mentais, porque temos uma tendência a compreender e sentir compaixão por doentes de qualquer tipo, pessoas com câncer, HIV, problemas físicos, etc., são tratados de forma bastante compreensivas, porém doenças mentais ainda são tratadas quase como coisas que não existem, sintomas associados a qualquer outra coisa, menos sintomas de uma doença quase invisível, porque normalmente não aparecem em exames e ressonâncias.

Outro assunto também abordado no livro é o estado destes pacientes em hospitais psiquiátricos, no caso desta história o Hospital Kleppur é quase como um personagem que rodeia a vida de Páll desde a infância, é como se o local em que o personagem fosse parar depois de detectado sua doença, estivesse lhe rondando desde pequeno. Porém, além da caracterização interessante do hospital na história, como disse antes, a situação dentro dele é descrita, desde pacientes jogados e acumulados dentro deste local como se fossem lixo deixados lá, sem nenhum cuidado, limpeza e muito menos tratamento, isso dito por Páll antes de sua internação, até quando o mesmo encontra-se no local, medicados a ponto de passarem o dia completamente dopados e jogados numa cadeira.

Enfim, é um livro que conta uma história de desencantamento, de uma decadência, de um declínio constante, de uma pessoa que possui uma doença grave, mas que foi engolido por ela aos poucos, até não sobrar mais nada.

site: http://decoisasporai.blogspot.com.br/2014/01/anjos-do-universo-de-einar-mar.html
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Karla 09/11/2016

Anjos do universo
Me deparei com uma biografia de Pálmi Örn, escrita por seu irmão, o renomado autor islandês Einar Már Gudmundsson. Como podem perceber, o título inicialmente não retrata exatamente o teor da história, mas, durante a leitura, o motivo do título fica claro.
O autor narra, em primeira pessoa, a biografia do irmão, a quem chama carinhosamente de Páll. É um narrador já falecido, tendo em vista que a homenagem do autor ao irmão, através desse livro, foi feita posteriormente à sua morte.
Einar conta a vida de seu irmão desde o início, ou seja, do nascimento de Páll, um dia histórico para a Islândia, onde ocorriam protestos da população para decidir se o país deveria ou não entrar na OTAN.
Páll é esquizofrênico e, desde muito jovem, dá demonstrações de sua doença em várias passagens do livro. É interessante perceber a proximidade entre os dois irmãos, de forma que a narrativa é muito leve e natural, típica de quando um irmão vê o outro fazer ou falar algo.
No livro, o autor acompanha todos os problemas e a evolução da doença de Páll e nos conta várias situações e circunstâncias que culminam na sua internação em um hospital psiquiátrico.
A esquizofrenia é uma doença na qual a pessoa intercala momentos de lucidez com outros de delírios e alucinações e, no livro, temos as duas faces desse grande universo que é a mente humana, pelo olhar de Páll.
De forma muitas vezes desconexa e fora de uma sequência temporal, sendo fiel ao modo de pensar de Páll, o leitor tem acesso aos pensamentos de uma pessoa esquizofrênica a respeito de tudo: da vida, das relações familiares, dos amigos, das pessoas famosas e dos profissionais que lhe cuidam, dentre outros assuntos.
Através dessa história, também conhecemos bastante da cultura islandesa, seus costumes, a forma como lidam com as dificuldades e com a política.
O livro não é apenas uma narrativa triste da esquizofrenia. Einar consegue abordar, de forma leve, vários aspectos da doença e, ao mesmo tempo, transmitir uma grande crítica de como a sociedade em geral (inclusive a própria família) erra na exclusão e na incompreensão das pessoas que sofrem com esse problema.
A capa é bem interessante e, em minha opinião, é uma analogia entre o pensamento do esquizofrênico e o título do livro.
Recomendo a leitura a quem gosta de livros nesse estilo, onde o leitor tem acesso às partes mais escondidas da mente humana.

site: http://pacoteliterario.blogspot.com.br/2016/08/resenha-anjos-do-universo.html
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