1Q84

1Q84 Haruki Murakami




Resenhas - 1Q84


74 encontrados | exibindo 1 a 15
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Aline Tanaka 24/12/2013

Sério?
Fácil assim??
Três livros depois e quase nenhuma pergunta respondida, que perda de tempo.
Murakami tinha uma ideia ótima mas simplesmente não soube aproveitar.
Sem contar essa enrolação infinita, que só serve pra ele mostrar o quanto é culto e senhor supremo do universo. Aff. Dava pra ter contado essa história em um livro só. Mas não.
Ok, agora já foi.
Próximo, por favor.
Juliana 25/12/2013minha estante
Exatamente! Não explicou nada e os mocinhos se salvaram fácil demais...


F . 23/01/2014minha estante
Pois é! Mais precisa, impossível!


Franque 19/02/2014minha estante
Sério, pra que escrever três livros? Pra que 1200 páginas?
Dava pra contar essa história com menos de 400 páginas! Era só cortar as inúmeras, chatas e infinitas descrições do Tengo cozinhando, a roupa da Aomame e a descrição de como o Ushukawa é feito! ô livro chato!


31/03/2014minha estante
- Pode jogar fora que todos capítulos da Aomame, afinal não acontecia nada.
- Pra que capítulo do Ushikawa?
- Mais de 70% de um capítulo não servia pra nada, era só os personagens pensando a mesma coisa.

Já li outras obras do Murakami, mas essa decepcionou bastante com esse terceiro livro.


Sarah 16/06/2015minha estante
Não chego a considerar uma perda de tempo, mas me decepcionou também :(
O problema foi que ele se tornou repetitivo na história, contava e detalhava a mesma coisa 300 vezes e o que eu queria realmente saber, NADA!

Até hoje tenho curiosidade sobre o povo pequenino.


Kelvin 04/05/2016minha estante
Gente, vocês não entenderam o propósito do livro, não tem nada a ver com contar uma história estilo "Dan Brown". O livro tem várias subcamadas que engana o leitor à procura de uma aventura cheia de mistérios. Esse tipo de coisa é mais voltado para literaturas de auto-ajuda e congêneres. O que mais me atraiu no livro (como sempre) foram as metáforas e a forma como ele descreve, o foco do livro não é o enredo, é um livro que fala de ideologias, sentimentos, e coisas do tipo. Ah, e nem tudo é explicado mesmo, esta é a essência do realismo fantástico. Em tempo, de forma irônica o Murakami fez inúmeras citações à obra de Proust e Carl Jung (que não estão lá por acaso), e tem várias frases soltas no livro que mostram que ele meio que previa a reação de alguns leitores. "Se você não consegue entender coisa alguma sem receber explicações, significa que continuará não entendendo, apesar das explicações".




Fabrício 23/02/2015

Romance(s) dos Subterrâneos da Consciência
Achei a trilogia espetacular. Pelas resenhas, me parece que vários detalhes fundamentais escaparam à percepção geral. Então, vou tentar, com o mínimo de spoilers possível, apresentar minha humilde "chave de interpretação" para o que parece ser um romance cheio de mistérios e pontas soltas. E recomendo a leitura do maravilhoso "O Homem e Seus Símbolos" de C. G. Jung para a compreensão de alguns conceitos (um deles, inclusive, aparece no livro com o mesmo nome que Jung usou - a "sombra"):

1) O livro começa com Aomame sendo avisada por um taxista sobre as coisas "não parecerem ser o que são" e, depois de "descer uma escada", ter a sensação de que entrou "em outro mundo". Ora, que mundo é esse (que ela chama de 1Q84)? É o mundo do subconsciente e inconsciente (não à toa, Jung é citado nominalmente neste terceiro volume). Quando ela "desce as escadas" está descendo às camadas de sua própria psiquê, rumo ao in/subconsciente (que também é o reino do passado, no qual está Tengo), onde as coisas muitas vezes escapam ao controle. Lá é o reino dos sonhos, das fantasias, mas também dos traumas e dos eventos passados significativos que foram responsáveis por moldar a personalidade dos indivíduos.

2) É só neste "outro mundo", no mundo dos subterrâneos da consciência, que existe o "Povo Pequenino", o qual exerce uma influência sobre as pessoas e coisas que não se sabe se é boa ou ruim. "Povo Pequenino" são as forças do inconsciente, a energia que está "na sombra" e que pode ser terrivelmente destrutiva se não for corretamente canalizada e trazida à luz. Por isso tem tanta cena de sexo e violência no livro - violência e sexo são conteúdos que a gente reprime (ou recalca, pra usar a terminologia do Freud) e que ficam lá, guardados nestas camadas inconscientes. E que, quando não trabalhados e trazidos à consciência, podem se tornar (auto) destrutivos.

3) Por que Tengo não "desce as escadas" como Aomame para chegar a 1Q84? Ele é um artista, um escritor, e sua "descida" ao inconsciente se dá através do seu trabalho, quando seu inconsciente praticamente o obriga a aceitar o encargo de reescrever o romance de Fukaeri, mesmo que ele racionalmente compreenda que aquilo é uma fraude do ponto de vista da sua consciência.

Enfim, certamente há outras chaves possíveis para compreender a obra. Mas me parece que o escritor deixou tudo lá, à vista, sutilmente "disfarçado" em alguns detalhes que são fundamentais para se entender o porquê de cada coisa. Pra mim, o final fecha o círculo com perfeição, mas não vou dar mais detalhes porque o legal é cada um ir descobrindo e desvelando as coisas por si.
Ana 24/02/2015minha estante
super Fabs, adorei a resenha! E comprei o livro do Jung. Depois dos cataclismas dos últimos tempos, tenho descido algumas escadas ... rs


Fabrício 24/02/2015minha estante
Hahahaha! É importante buscar energia nos nossos "porões"...ficar amigo dos nossos "monstrinhos". Eles têm muita coisa que a gente precisa! Beijos, querida Ana!


Gui 27/03/2015minha estante
Bela "chave de interpretaçao", Fabrício! E a recomendação do livro do Jung já está anotada!

Muitas respostas ficam implícitas durante a narrativa, mas "se você não consegue entender coisa alguma sem receber explicações, significa que continuará não entendendo, apesar das explicações".

No final das contas, acredito que o livro possa ter mais de uma interpretação, sendo que estas dependem da percepção de cada leitor referente ao mundo descrito no livro.

Aomame, no capítulo 19 do livro 2, resume com eficiência a narrativa:
"Sem dúvida, o que de mais fascinante havia nesse romance eram as descrições vívidas e precisas. Através dos olhos da menina, o leitor conseguia ter uma impressão do mundo que a rodeava. Era uma história fictícia de alguém que vivia num ambiente especial, com poder de suscitar a simpatia das pessoas. Parecia despertar algo do subconsciente ininterruptamente a leitura".


Fabrício 25/07/2015minha estante
Exatamente. Acho que muitas vezes as referências ao "Crisálida de Ar" são auto-referenciais...que baita obra, essa trilogia! Até deu vontade de reler.


Luiza 20/01/2016minha estante
Certamente não tenho os mesmos conhecimentos de psiquê e metafísica que Murakami e que você brevemente mencionou nesta resenha. No entanto, durante a leitura mantive sempre uma sensação de que havia algo ali que ele queria me dizer, metáforas do subconsciente trabalhadas de maneira tão fluida que pra mim era impossível parar de ler.
Ainda não terminei o terceiro livro, mas espantei-me de ver tanta gente mencionando "pontas soltas", quando nitidamente desde o princípio o livro não se mostrou preto e branco ou concreto. Acho que a sensibilidade oriental e a distância cultural podem ter contribuído para a falta de percepção da história.
Sua resenha foi espetacular Fabrício e me abriu os olhos para coisas que eu intuía, mas não tinha conhecimentos para perceber.
Obrigada!


Fabrício 14/03/2016minha estante
Oi Luiza, que bom que gostou da resenha. Na verdade eu conheço bem pouco do Jung mas o pouco que li dele achei fantástico. E sou fanzaço do Murakami, ainda quero ler a obra completa. Abraço!


Kelvin 04/05/2016minha estante
Fabrícia, perfeito, eu percebi essa artimanha do Murakami. Inclusive, muita gente pensa que o livro explica demais , se repete de forma excessiva. Mas este é o jogo mental que o Murakami faz com a gente, nos fazer pensar que estamos lendo algo óbvio ou bobinho demais, sendo que a história possui várias subcamadas que escapam à percepção do leitor comum que está apenas em busca de um livro com aventuras e mistérios estilo Dan Brown.




Sabrina 04/01/2014

1q84 - Uma agradável surpresa
Confesso que Iniciei a leitura de 1q84 de modo totalmente despretensioso, sem acreditar que iria gostar ou mesmo que terminaria o primeiro dos três livros que compõe a obra do autor japonês. O livro me foi indicado por um amigo (não se posso chamar assim) com a sugestão de que ali eu encontraria algumas respostas para questões pessoais, o que de fato aconteceu. Se por um lado a sinopse me dizia que a leitura seria levemente enfadonha, a intuição e a segurança de uma das minhas melhores fontes de boa literatura me fizeram comprar logo os três livro e embarcar na leitura. Então aí vai:
A Obra de Haruki Murakami é extremamente rica e cheia de referências e alegorias, um livro delicioso. Durante as 900 páginas de romance, encontramos referências musicais que vão de sinfonias clássicas a grandes nomes do jazz, pintores famosos como Munch, inúmeras referências literárias como Proust e Orwell (obviamente) – explicitas por meio de citações dos personagens – e outras tantas indiretas que talvez sejam meras especulações minhas, além de alusões a filosofia – que dos nomes citados me lembro agora apenas de Wittgenstein (uma agradável surpresa), alguns conceitos da biologia trabalhados habilmente (bem pontuais e que provavelmte eu tenha notado apenas pelo meu apreço natural por essa área) que são tratados com propriedade, poeticidade e muita desenvoltura, além de inúmeras frases históricas muito bem situadas no contexto do ano de 1q84.
Ao descer pela escada de um viaduto Aomame – Instrutora física e um tipo especial de assassina que mata homens ligados a crimes de violência contra a mulher – passa do ano de 1984, em que vivia, para o ano de 1q84 (q de question mark). A impressão dada é que na verdade o ano de 1q84 é que começa a viver dentro de Aomame, e duas luas passam a pairar no céu, em um mundo onde não é o grande irmão que está à espreita (como na obra de George Orwell), mas sim um povo pequenino que guia as diretrizes de um grupo religioso chamado Sakigake – uma comuna situada entre as montanhas de yamanhashi, onde coisas peculiares acontecem. Um povo pequenino que sai da boca de uma cabra cega morta e constrói uma Crisálida de ar juntamente com Eri Fukada (Fukaeri) – uma menina introspectiva, sensitiva e enigmática – filha do líder religioso do grupo.
Eri foge da comuna em que vivia aos 10 anos de idade, após o contato com o povo pequenino, e então escreve o romance "Crisálida de ar" aos 17, contando o que aconteceu nos dias em que foi castigada em Sakigake, episódio onde teve de ficar presa com uma cabra cega morta por alguns dias. O romance escrito por Fukaeri conta uma história incrível, entretanto, escrita de uma maneira deficiente, uma vez que a menina era disléxica e tinha problemas em formular até mesmo frases curtas.
A obra “Crisálida de ar” cai nas mãos de Komatsu, editor de uma revista literária que promove um prêmio para novos escritores. Ao ler o romance de Fukaeri Komatsu não tem duvidas de que tem grande potencial para vencer o prêmio literário, mas para isso, precisa ser totalmente reescrito. É neste ponto que Tengo Kawana – que junto com Aomame é personagem principal da trama de Murakami – entra na história.
Ghost-writer da Crisálida de ar, Tengo é um professor de matemática em um curso preparatório para o vestibular e também leitor árduo e escritor (frustrado), encontra nos cálculos um mundo onde todas as coisas fluem seguindo as regras lógicas e a beleza euclidiana da matemática, mas é somente quando lê e escreve que Tengo encontra real satizfação. Um homem habilidoso para várias coisas, mas que pela soma de todas as perdas não tem nada de especial - um escritor que tem habilidade e domínio da palavra, mas que no entanto não tem nada a contar, não pelo menos até aceitar reescrever o enigmático romance de Fukaeri, sendo arrastado para este mundo de regras singulares, onde também duas luas pairam no céu.
A história relacionada ao povo pequenino é o que proporciona boa parte do enredo da obra, entretanto, a trama principal ao redor da qual o romance orbita é a história de uma busca de mais de 20 anos entre os dois personagens principais que, ao darem-se as mãos – mesmo sem na vida terem trocado uma palavra sequer – no último dia de aulas na escola primária, sentenciam-se a buscar um pelo outro e a preencher esse vazio que deixaram ao tomar rumos totalmente distintos. Uma história da busca mútua de Tengo e Aomame.
É difícil tentar escrever sobre a trama sem se estender enormemente, uma vez que o livro trata-se de um mosaico onde os vários núcleos do romance se entrelaçam de um modo incrivelmente bem arquitetado. Isso somado às obvias e marcantes características do realismo fantástico - a riqueza sensorial, as distorções do tempo, as inversões entre causa e efeito e o mágico e o cotidiano convivendo naturalmente - leva o leitor a uma leitura de interpretação polissêmica e cheia de singularidades.
Haruki Murakami não de deixa de falar em nenhum momento sobre a solidão, todos os personagens trazidos pela história são de uma solidão e solitude crônicos e de grandes proporções, que no melhor estilo oriental, suprimem em cada ação cotidiana vazia esse ato de caminha só. A personalidade e a cultura japonesa tomadas por influências ocidentais também é algo bem interessante, e – novamente – em quase todos os personagens nota-se um certo laconismo caracteristicamente oriental.
Quanto aos personagens, são poucos e o mergulho psicológico é intenso. Um que me deixa particularmente intrigada é Tamaru, guarda costas da velha da mansão dos Salgueiros em Azabu. Tamaru é um estrangeiro (coreano (?) não tenho certeza) de 40 anos, gay assumido e que ganha alguma relevância somente o final do terceiro livro, sempre muito lacônico e metafórico, mesmo na eminência de matar alguém consegue discutir Jung com sua vítima ou falar do "Em busca do tempo perdido".
Inevitável dizer que termino o último livro me sentindo órfã de uma leitura tão agradável como foi esta, de 45 dias na presença ilustre de Murakami. Religião, ocultismo, sexualidade, amor, solidão, violência e alegoria enleados por um objetivo simples: O reencontro de duas pessoas. A impressão deixada é que tudo o que está além dessa busca é mero incidente do acaso, detalhes que deveriam ser contados para que fosse viável entender a história de Tengo e Aomame, onde o surreal é tão bem implantado que nem mesmo o leitor se espantaria caso, fechando o livro para dar uma breve pausa da leitura, casualmente olhasse para o céu e visse duas luas: uma normal e outra menor, verde e disforme logo ao lado. "Ho ho - disse o ritimista."
Cássia 04/01/2014minha estante
Que legal, Sabrina :D Adorei a resenha, muito bem escrita!
Fiquei curiosa e com mais vontade de ler 1q84 :D


João Amalio 04/01/2014minha estante
Uma bela leitura de uma bela obra...Parabéns, Sabrina! keep on movin'..


Igor Nascz 07/01/2014minha estante
excelente resenha


Ananda 18/01/2014minha estante
É isso mesmo, Sabrina! Sua resenha foi excelente e dá para perceber que, ao contrários de outras resenhas, você captou a essênci da obra :)))




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Rodrigo 30/12/2013minha estante
Concordo Luciana. Mas acho que isso não tira o mérito da obra. Acho que a intenção do Murakami era fazer uma obra de metáforas, e não de mistérios. Acontece que o leitor acaba por notar isso apenas com o término da leitura. De qualquer modo, gostei muito mesmo da trilogia ;)




Alexandre Kovacs / Mundo de K 28/01/2014

Haruki Murakami - 1Q84 (livro 3)
Editora Objetiva, Selo Alfaguara - 472 páginas - Tradução direta do japonês de Lica Hashimoto - Lançamento: Novembro 2013 (lançamento original no Japão em 2009).

À medida que avançamos rumo ao final da trilogia, percebemos como Haruki Murakami provoca ao máximo a curiosidade no perplexo leitor que imagina ansioso os possíveis desfechos para as linhas narrativas principais desta estranha epopéia, seja o esperado encontro de Tengo e Aomame nos labirintos da cidade de Tóquio, ou um sentido para os fenômenos criados pelo "Povo Pequenino" e a sua relação com a seita religiosa Sakigake, além dos mistérios relacionados com a criação de clones, encarnações, sexo e a fé em um deus nada convencional que é representado por uma senhora de meia-idade em uma Mercedes-Benz coupé prateada (até mesmo o deus de Murakami é fashion). Entretanto, apesar das inúmeras incursões no campo da fantasia e universos paralelos, este volume é essencialmente romântico, como podemos perceber nas passagens abaixo, relacionadas às vozes de Aomame e Tengo.

"A razão de eu estar aqui é clara. Há um único motivo: encontrar Tengo e me unir a ele. Esse é o motivo principal de eu existir neste mundo. Se olharmos pelo sentido inverso, esse é o único motivo de este mundo existir dentro de mim. Como espelhos colocados frente a frente, refletindo uma imagem ao infinito, isso pode ser um paradoxo sem fim. Eu faço parte desse mundo, e esse mundo é parte de mim." - pág. 372.

"Ele sabia que precisava de tempo para assimilar esse novo mundo que surgia diante dele. Precisava adaptar e reaprender todas as coisas, uma por uma: a maneira de pensar, o modo de ver as coisas, selecionar as palavras, o jeito de respirar e de mover o corpo. Para isso, precisava juntar todo o tempo existente no mundo. Não — talvez o mundo todo fosse insuficiente." - pág. 428.

Um novo e forte personagem, o incansável investigador Ushikawa à serviço da seita Sekigake, funciona como contraponto ao clima romântico deste terceiro volume e vem dividir com Tengo e Aomame a alternância da narrativa. Os seus métodos são eficientes, mas inescrupulosos para descobrir o paradeiro de Aomame, ele pode ser considerado uma máquina insensível, eficaz e resistente.

"Sei que devo ser um homem de meia-idade desagradável e obsoleto", pensou Ushikawa. "Não. Não se trata de 'devo ser'. Sou, sem sombra de dúvida, um homem de meia-idade, desagradável e obsoleto. Mas possuo alguns dons naturais que a maioria das pessoas não tem. Uma capacidade olfativa ímpar e uma 'firme determinação' de agarrar com força uma coisa e não largá-la de jeito nenhum. Foi graças a esses dons que consegui sobreviver até hoje. Enquanto eu possuir essa capacidade, independentemente de o mundo se tornar cada vez mais estranho, seja onde for, certamente conseguirei sobreviver." - pág. 104.

"Desde criança, seu rosto era grande e sua cabeça disforme. Os lábios grossos arqueados para baixo davam a impressão de que, a qualquer momento, um fio de baba escorreria dos cantos (era apenas uma impressão, isso nunca chegou a acontecer). Os cabelos eram crespos e desajeitados. Definitivamente, não tinha uma aparência que despertasse qualquer tipo de atração." - pág. 148.

"A aparência de Ushikawa chamava muita atenção. Era inadequada para espionar ou seguir pessoas. mesmo que tentasse passar despercebido na multidão, ele se destacava como uma centopeia dentro de um pote de iogurte." - pág. 194.

Para aqueles leitores que esperavam explicações convincentes para os surpreendentes delírios da saga de Murakami, este livro pode ter um final simplista e decepcionante, mas acho que ele merece o nosso perdão já que criou personagens inesquecíveis como a misteriosa e sensual assassina que veste Junko Shimada com sapatos Charles Jourdan e momentos mágicos passados nas noites de inverno de Tóquio, onde os personagens observam em uma praça deserta, do alto de um escorregador, um céu com duas luas.


Lucas 08/05/2014

Frustrante!
Os colegas de resenha já disseram tudo aquilo que pensei ao terminar este terceiro livro: frustração. Murakami criou um mundo fantástico, cheio de elementos incríveis. A história foi crescendo, ficando complexa e nos deixando com mais e mais vontade de explicações. Mas nada! O terceiro livro deixou VÁRIAS PONTAS SOLTAS e não respondeu quase nada.

Tamaru, a velha da mansão Azebu, Fukaeri, Povo Pequenino, escada, Sinfonieta, Sakigake, Professor Ebisuno, taxista, enfermeiras maladronas.... tudo no ar, boiando, sem "porquês"...

Parece que Murakami teve preguiça de dar um desfecho satisfatório para o mundo de 1Q84 e simplesmente resolveu tudo assim, num estralar de dedos. Li em algum lugar que ele está escrevendo um quarto livro. Tomara que seja para se redimir, já que muita gente elogiou horrores (eu inclusive) as duas primeiras obras.

Outro ponto importante é a excessiva repetição de detalhes e características. Eram os seios redondos de Fukaeri, corpo torneado de Aomame, braços fortes de Tengo, cabeça torta de Ushikawa e Tamaru 007_JasonBourne_Batman. No primeiro livro havia isso, mas de uma forma harmônica, sem excessos. No segundo a coisa começou a ficar crítica. No terceiro é um Deus nos acuda. Cinco páginas e lá estava tudo denovo: seios redondos de Fukaeri, corpo torneado de Aomame... E fiquei com muita dó de Ushikawa. Não precisava avacalhar tanto com o coitado.

Bem, não tem muito o que fazer se você já leu os outros e com certeza está com comichão para ler o desfecho. Mas não vá com muita sede ao pote e leia sem muitas expectativas.
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F . 23/01/2014

É cilada, Bino!
Sim, gosto de um romance, se ele for daqueles sofridos, gosto mais. Os livros, pelo menos o primeiro e o segundo, prometiam algo assim: a busca do amor, o desvendar de mistérios e coisa e tal. O terceiro livro começa e termina do mesmo jeito: sem ação, com parcos acontecimentos, sem quase nada acrescentar.
Não sei quantas páginas de puro e autentico mimimi.
Sinceramente, se tivesse parado no livro dois, teria guardado boas lembranças e recomendaria a leitura. Mas, infelizmente, a curiosidade foi maior e eu li. Levei quase um mes para ler, tempo absurdamente maior do que li os outros.
Se você já leu o primeiro e o segundo, ok, corra o risco e leia o terceiro. Se não leu nenhum, fuja! É cilada, Bino.

31/03/2014minha estante
Aconteceu o mesmo comigo! hahahha




Janayna 27/05/2014

Odiei a trilogia
Incrível como uma estória tão interessante foi sabotada numa trilogia longa e massante. Este ultimo livro da série foi um desperdício de tempo tão grande. Se o leitor quiser, pode até pular os capítulos até a metade e só então encontrará o que de fato interessa. É uma pena, pois gostei tanto da Aomame...
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Phelipe Guilherme Maciel 09/01/2017

Um mundo onde pairam duas luas no céu.
Comecei a ler 1Q84 em 2015, com o livro 1. Em 2016 li o livro 2 e em 2017 li o terceiro livro. Este tem sido o meu livro de transição entre um ano e outro há 3 anos. Em todas as vezes, foi involuntário. Simplesmente comprava os livros nessa época e uma vez na estante, eles CHAMAVAM minha atenção e queriam ser lidos. Nunca consegui protelar a leitura.
1Q84 é uma distopia fantástica baseada em 1984 de George Orwell. A trama nos dois primeiros livros é contada pelas óticas intercaladas de Tengo e Aomami. No terceiro livro, ganhamos também a ótica de Ushikawa.
Em 1Q84, o tempo não é linear, não dá para saber exatamente em que local você está, apesar de tudo aparentar estar numa ordem própria. No texto, isso também ocorre algumas vezes. acontecimentos que afetam os 3 pontos de vista as vezes se mesclam em momentos diferentes e você se sente desapoiado temporalmente.
O Povo Pequenino é uma incógnita. Sakigake continua muito secreta. Aomami e Tengo apesar de juntos, ainda não sabem se estão no mundo regular ou num terceiro mundo.
Pensando em enredo, daria para crer que esta obra de Murakami ainda não está completa. Ainda poderia acontecer algo novo. Principalmente pelo ultimo ponto de vista de Ushikawa.
Não vou me prender em explicar o enredo, as tramas, pois isso é praticamente senso comum. Quem inicia a leitura de Murakami já está vacinado do que irá acontecer.

Posso dizer que Murakami é um poço de conhecimento. Penso que 1Q84 é um mundo psicológico de Aomami, alguns conceitos nos leva a crer nisto. A cultura pop, clássica e a filosofia se sintonizam nos livros, deixando-o extremamente rico. É um livro 5 estrelas. 10/10. Mas não espere muitas explicações.
Não espere fugas emocionantes, não espere batalhas pelo poder. Não espere o que você normalmente espera deste tipo de literatura, principalmente no livro 3. Murakami ignora o método mercadológico de fazer literatura que vende. E por isso é tão especial e diferente.

Boa sorte, entrar em 1Q84 e sair vivo, é provável, mas sair de 1Q84 da mesma forma que entrou, é impossível.
Ladyce 03/01/2019minha estante
Gostei muito da trilogia. Mas parei aqui para comentar, porque seu título me remeteu direto ao filme Melancolia, do Lars van Trier, onde há duas luas no céu. Você viu?




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Lu 16/10/2014minha estante
Que pena! É muito chato quando isso acontece, nos apaixonamos pela série, vamos com toda vontade até o fim...aí...acaba...sem o final esperado...sem muito sentido...muito chato! =/


Albuquerque 16/10/2014minha estante
Pois é, fiquei muito p... da vida! O primeiro e o segundo livro foram instigantes, muito bons! No terceiro nada na trama é explicado... o final feliz começa do nada, sem mais nem menos, e você fica pensando: "Ué? É só isso?".


anitya 28/10/2014minha estante
Concordo! O terceiro volume é bem inferior aos 2 primeiros.


Pri.Naca 03/08/2015minha estante
Fiquei com a mesma sensação quando terminei o livro 3, parecia até outro autor, outro livro. O Livro 1 é maravilhoso, o 2 te envolve ainda mais com as tramas, porém achei o 3 decepcionante.




Thiago 14/10/2014

Três livros, uma resenha.
Apesar de ser uma obra escrita em três livros, será feito apenas uma resenha crítica neste campo destinado ao terceiro e último livro.

Preliminarmente, a nota 2/5 não é por causa do final que muitos julgam fraco, mas porque a narrativa considero mediana, com alguns tons considerados fracos. Os motivos para tanto, pelo que já li nas outras resenhas, já forma esclarecidos.
Para os demais livros dei nota 3/5.

Agora sobre o final...
O final é bom na medida que segue o ritmo do terceiro volume. Se alguém queria um livro de ficção científica com explicações sobre o povo pequenino, a crisálida de ar, e a seita religiosa, pode não ter entendido a abordagem do livro, ou simplesmente no momento que estes fenômenos fictícios apareceram eles sugaram a atenção do leitor.

O livro, ao meu ver, é sobre duas pessoas que precisam de fato encarar seus passados que outrora haviam fugido.

Aomame passou sua vida assombrada por um passado de uma vida ao lado de uma seita religiosa extremista, que por não entender a fez fugir ainda muito jovem.
Para tanto ela é enviada para um mundo onde há uma seita que ela também não consegue entender. A grande diferença é que agora ela não pode fugir. Precisa encarar esta nova realidade para resolver assuntos dolorosos do seu passado.
A cena no final em que ela faz a oração que representa a seita da sua infância é emblemática. Ela ainda não concorda com os métodos e dogmas da religião que mutilaram sua infância, mas ela agora os entende e respeita.
Outra cena importante é o momento em que ela vai matar o Líder da seita do mundo paralelo. Pela primeira vez ela passa a ouvir o que aquela seita representa e o tamanho da crença de seus membros. Aomame não concorda, ainda o quer morto, mas simpatiza com as palavras do Líder. Aprende que não precisa concordar, apenas precisa respeitar.

Já para Tengo a entrada neste mundo paralelo é para resolver assuntos de seu passado em relação ao turbulento relacionamento com sua pai. Ele igualmente fugiu de casa, fugiu do seu passado.
A cidade dos gatos é uma excelente metáfora para a participação de Tengo no livro. Ele precisava resolver sua passado para deixar definitivamente a cidade dos gatos.
Emblemático a é cena da jovem enfermeira que era uma encarnação da sua mãe (ou algum simbolismo que a representava). É só lembrar que ela conta para o jovem escritor que já havia morrido uma vez da mesma forma que sua mãe morreu na explicações de Ushikawa.
A jovem também o acompanha no velório de sua pai, fechando assim um arco importante na historia de Tengo, mostrando que depois de passado turbulento de traição, remorso e raiva, houve uma reconciliação, mesmo que simbólica.

E por último o fato de eles terem se encontrado em hipóteses que simbolizam tudo de ruim e que eles queriam fugir do passado. Ela acompanhando a mãe para evangelizar e ele acompanhando o pai para cobranças de TV por assinatura.
Se este passado tormentoso os uniu, era óbvio que para deixar o mundo que os trouxe para encarar e resolve-lo, teriam que fazer juntos.

Bom, esta resenha fiz em uns 5 minutos no trabalho e nem pude revisar. As coisas foram vindo na cabeça e eu fui escrevendo. Tenho certeza que faltaram muitas coisas. Depois vou revisar, colocar mais elementos para defender meu argumento e estruturar melhor o texto.

Marco 06/12/2014minha estante
Cara, sua resenha foi excelente.
Explicou um monte de coisa que teimava em não querer se lucidar na minha cabeça.

SPOILER
Agora, você saberia me dizer o que representava o fato de um "fantasma" ou uma manifestação do pai de Tengo fazendo as cobranças da NHK na porta dos três personagens principais?


Thiago 10/03/2015minha estante
Olá Marco,
já faz um tempo eque li a obra, mas vou tentar puxar na memória para te responder. O pai de Tengo passou a vida inteira na mesma profissão. O que fazemos nos molda como pessoas, passando a incorporar na nossa personalidade. O pai foi uma ponte entre Aomame, que foi efetivamente para a realidade paralela, e Tengo, que ficou entre os dois mundos.
Preciso ler novamente os livros para responde melhor sua pergunta. Abraço.


Kelvin 04/05/2016minha estante
Bem, ironicamente a narrativa é o que mais me prende nos livros do Murakami. Na minha opinião, é aula de escrita. Quantos autores se perdem numa narrativa cheia de termos técnicos e ou muito cultos que dificultam a experiência de leitura? Gosto dessa forma lenta e, digamos, acho que é um traço da cultura oriental. Em alguns animes/mangás, por exemplo, é facilmente perceptível essa tendência dos orientais de focar mais nos pensamentos e sentimentos dos personagens e "enrolar" uma história (na verdade,não é enrolar, pois, como você mesmo disse, o objetivo do livro não é oferecer uma literatura de suspense com ficção científica) até fazê-la chegar ao ápice.




Amanda 13/05/2014

Murakami, seu fanfarrão!!!
Sobre esse livro, e a trilogia em si, tenho poucas coisas a dizer: é visceral, não se preocupe em entender, ler ultrapassa qualquer entendimento e "se você não consegue entender alguma coisa sem receber explicações, significa que continuará não entendendo, apesar das explicações." Amei :)
Daniel Roberto 05/05/2018minha estante
Descrição infalível, moça! ?




Giovanna 05/11/2015

1Q84 foi meu primeiro contato com Murakami e ele realmente me surpreendeu. Os dois primeiros livros foram incríveis, devorei cada palavra e ficava imaginando os possíveis desfechos, mas nessa resenha irei comentar apenas sobre o terceiro livro.

Quando comecei a ler as resenhas me surpreendi com a quantidade de pessoas que não gostaram do final. O que eu mais li foi comentários de pessoas insatisfeitas porque o Murakami acabou não revelando muita coisa sobre o Povo Pequenino ou sobre Sakigake. Claro, você tem o direito de não ter gostado, é a sua leitura e cada um se conecta com a obra de uma forma diferente, mas eu, particularmente, não concordo que isso estragou a obra.

Para mim 1Q84 sempre foi sobre Tengo e Aomame, sempre foi sobre como eles nunca conseguiram esquecer seu passado e como isso interfere no seu presente. Depois de 20 anos, eles continuam sendo assombrados pelo que passaram na infância e é no mundo de 1Q84 que eles terão uma nova chance de tentar lidar com as coisas do qual fugiram: Aomame se envolve com outra seita e Tengo precisa resolver as coisas com seu pai. E, com essa segunda chance, eles irão se questionar porque nunca tentaram encontrar a única pessoa que os compreendia.

Para mim 1Q84 sempre foi o mundo ao qual Tengo e Aomame precisavam se perder para se encontrar, tanto eles mesmos quanto o outro. Afinal, se foi o passado que os uniu, precisavam resolvê-lo e sair deste mundo juntos. Acho que no fim está tudo ali, escondido dentro de uma crisálida de ar. Como disse o pai de Tengo: "Se você não consegue entender alguma coisa sem receber explicações, significa que continuará não entendendo, apesar das explicações".
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Luciana 27/12/2013minha estante
Pois é. A ênfase se deu apenas no romance, com um final previsível e toda a fantasia e suspense (elementos que nos prenderam à leitura) ficou em segundo plano. Decepcionante.




Alê 29/01/2014

Um fim amargo
Poxa, acho que num contexto geral, essa trilogia é incrível. Pra mim, Murakami é um mestre na arte de encantar e proporcionar bons momentos nos seus livros.
Porém, devo dizer que a forma como tudo acaba foi muito sem graça. Depois de fazer dois livros INCRÍVEIS, ele vem e finaliza a história sem explicar coisas e de um jeito bobo.
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