Até o dia em que o cão morreu

Até o dia em que o cão morreu Daniel Galera




Resenhas - Até o Dia em Que o Cão Morreu


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Tiago Ceccon 02/11/2010

Biográfico, tão biográfico...
Não posso dizer que minhas expectativas fossem baixas. Já havia assistido a versão cinematográfica (Cão Sem Dono) há algum tempo e achado ela apenas razoável, mas quando fiquei sabendo do livro, com essa capa instigante e o genial título, tive a impressão de que deveria ser ótimo.

E como é bom ter uma expectativa atingida! Comecei a ler as primeiras páginas despretensiosamente pra espantar o tédio da noite e quando cheguei ao final, algum tempo mais tarde na mesma noite, tinha a vista embaçada e os olhos úmidos, tanto pelo sono quanto pela epifania literária. Não pude evitar a sintonia com o protagonista... talvez por sofrer das mesmas chagas de adolescência tardia porto-alegrense tão desvalorizadas nas resenhas aqui abaixo.

Está tudo ali, no livro. Todo sentimento de cansaço, produto da pós-modernidade forçada que respiramos. Desde o respeito quase místico pela natureza, encarnada nas tempestades e nos animais ("[...] sobreviventes de uma era remota, seres de outro mundo."), até o ódio destrutivo para com os produtos midiáticos corrompidos, passando pela total inércia contemplativa de tardes e noites tediosas olhando para o universo além. Todo o espectro de filosofias (ou pseudo-filosofias, como bem queiram os intelectuais de plantão) que parece regir as gerações do pós-tudo histórico.

Não posso reduzir a palavras o que essa obra me transmitiu, mas posso deixar minha sincera recomendação a todo e qualquer cidadão de Porto Alegre: procure lê-la. E o convite a tal experiência se estende a qualquer pessoa de mente ampla e capacidade empática razoável. Estou certo de que, para essas pessoas, não será em vão.
Ana Menuzzi 14/05/2013minha estante
Falou tudo!




Tito 04/12/2010

Sobre aquele vazio que se sente quando já é tarde demais para morrer jovem.
Mariana. 02/08/2011minha estante
Tito Tito..adoro tuas resenhas haikai. Perfeito.




Aline | @42.books 02/07/2020

Isso é um sim ou um não?
O protagonista sem nome da obra é um tradutor desempregado, que mora no 17º andar de um prédio, de onde gosta de olhar o movimento das pessoas lá embaixo, alheio. Ele tem como únicas companhias um vira-lata briguento e uma modelo de revista, que o visitam vez ou outra.
Em "Até o Dia em que o Cão Morreu", Galera narra uma história de solidão e apátia, absurdamente real. Nela mora a magia da literatura, que transforma um contidiano sujo, ordinário, em um impulsionador de sentimentos aos leitor. É um livro sobre aquele vazio que se sente quando já é tarde demais para morrer jovem, como afirma o protagonista.
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Aninha 23/10/2020minha estante
A prova que qualidade não tem a ver com o número de págs? ?


Pedro Luiz Viegas 23/10/2020minha estante
Certamente!




Manoela Guimarães @estantedamanu_ 01/08/2020

Livro Até o Dia em que o Cão Morreu e adaptação cinematográfica Cão sem Dono
Até o dia em que o cão morreu é o romance de estreia do escritor Daniel Galera e foi adaptado para o cinema por Beto Brant e Renato Ciasca, com o título de Cão sem dono.
O narrador e protagonista dessa história não tem a sua identidade revelada, assim chegamos ao fim dessa leitura sem saber o seu nome. Ele é um homem de 25 anos formado em letras, que fala inglês e russo e mora em Porto Alegre. Vive de forma bem minimalista, seu apartamento alugado fica no 17º andar e é praticamente vazio, tendo apenas um colchão, um sofá, uma cadeira e um cozinha que ele não chega a descrever.
Nosso narrador não tem hábitos saudáveis, comi pouco, fuma e bebe muito, o que ocasiona uma eterna dor de estômago. Atualmente está desempregado e em seu último emprego lecionava inglês, mas foi demitido porque faltava demais. Preferi viver isolado e para isso nem telefone possui. Visita os pais praticamente a cada quinze dias. O personagem sem nome poderia trabalhar ou tentar uma bolsa de mestrado, mas ele não tem vontade e nem ambições. Seu único interesse é manter o apartamento, o que consegui com a ajuda financeira do pai.
Um dia ao voltar para casa encontra um cachorro faminto e acaba levando-o consigo e o criando de forma livre. O cão vai passear na rua e volta quando tem vontade. “Não sou dono dele, ele é meu amigo.” Marcela, uma modelo que ele conheceu em uma formatura, praticamente o obriga a dar um nome ao animal, que passa a ser chamado de Churras. Ela frequenta o apartamento dele 2 a 3 vezes na semana, mas não chega a ser um relacionamento declarado. Assim como o cachorro, Marcela aparece quando quer, passa a noite e depois vai embora.
A moça trancou a faculdade de administração e apesar de não gostar, trabalha como modelo, pois almeja juntar dinheiro para o seu futuro. Ela planeja viajar pelo mundo e até comprar uma casa. A diferença de personalidades deles é gritante, mas se entendem no sexo. Apesar do narrador não desejar nenhum envolvimento pessoal e nenhuma mudança em sua vida, ele chega a admitir para si que se importa com Marcela e quando ela passa 3 semanas sem aparecer ou dar notícias devido a um problema grave ele sente a sua falta.
Outros personagens coadjuvantes na trama é o senhor Elomar, porteiro do prédio que pinta quadros e faz esculturas de argilas e Lárcio, um motoboy que em decorrência de um acidente acaba se aproximando de Marcela e do narrador.
O livro apresenta algumas reflexões e veremos a vida do ponto de vista do narrador, de acordo com suas escolhas e excentricidades. O livro é bem construído, a leitura é fluida e mostra a transição de um recém formado para a vida adulta. Foi o meu primeiro contato com o autor e gostei muito dessa experiência literária.
Na adaptação, Cão sem dono, lançada em 2007, o protagonista ganha o nome de Ciro e é interpretado pelo ator Júlio Andrade, enquanto a Marcela é interpretada por Tainá Muller. Tanto no livro como no filme podemos perceber a presença do sotaque gaúcho. Ambos trazem a carga emocional da história. A versão cinematográfica é fiel a obra literária nos seus principais aspectos, apenas diferenciando em alguns detalhes. O filme é bom, mas eu ainda prefiro o livro.

Sinopse do Livro: “Depois de alugar um apartamento vazio no centro de Porto Alegre, um homem de cerca de 25 anos gasta os dias olhando a cidade pela janela, bebendo cerveja e caminhando pela vizinhança. Até que um cachorro aparece em sua porta, e uma modelo chamada Marcela entra em sua vida. O impasse do narrador também tem um caráter particular: a dificuldade de escolher entre um cotidiano cheio de privações, mas sem riscos emocionais, e as possibilidades infinitas dos afetos. É aí que o mundo se torna mais complexo e interessante. É aí, também, que as paixões cobram seu preço. Com um estilo minimalista e em algumas passagens virtuosístico, Galera conduz o leitor com um vagar nada gratuito: em suas pequenas acelerações e grandes pausas, é como se Até o dia em que o cão morreu reproduzisse o tempo interno do seu personagem – a lenta evolução, quase despida de acidentes, até que suas certezas iniciais comecem a esmorecer. As últimas páginas, narradas por Marcela, iluminam com sutileza o instante em que tudo pode estar prestes a mudar. É então que, numa história tão marcada pelo signo da morte, a vida enfim dá o ar de sua graça. Até o dia em que o cão morreu foi adaptado para o cinema por Beto Brant e Renato Ciasca, com o título de Cão sem dono.”

Livro: Até o dia em que o cão morreu
Autor: Daniel Galera
Ano: 2007
Páginas: 104
Editora: Companhia das Letras

site: https://estantedamanu.com/2020/07/31/resenha-desafio-deu-a-louca-nos-encalhados-ate-o-dia-em-que-o-cao-morreu-daniel-galera/
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09/10/2020

Não sei se é porque a história se passa em Porto Alegre, ou se porque Galera escreve para pessoas da minha idade, ou porque é sobre gente comum com os mesmos problemas existenciais, mas eu adoro os livros desse autor. Esse eu li em um dia.
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Thais.Classe 11/06/2020

Não sei bem oq dizer
Eu gostei do livro, adorei o fato de se passar em porto alegre, que é uma cidade que conheço e pude identificar diversos locais onde o protagonista passou. Mas fiquei incomodada com a apatia do protagonista, apesar de achar q era isso msm q o autor queria retratar. No início não tinha gostado do final por achar ele um tanto abrupto e aberto, mas acho tbm q foi intencional haha dps de pensar mto acho que era msm pro leitor interpretar o fim ou não dá tal apatia. Enfim, um livro curto q me fez pensar em algumas questões.
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cieto 28/09/2010

O livro conta a história de um rapaz de 25 anos que nada sabe da vida ainda (ou nada quer saber), formado em letras, porém sua vida se resume em dormir até a hora que quiser, fumar, beber e todas as coisas típicas de adolescentes. No entando ele um dia encontra um cão na Praça da Alfândega e decide "adotar" o animal. E o enredo vai se desenrolando em torna das histórias do cão e também de sua "namorada" (que aparece tres vezes por semana e ele a manda embora, mas ela sempre volta, ou seja, uma guria pra ele fo*** e ela ir embora).

Até o dia em que o cão morreu, acaba caindo na mesmisse de todos os livros em que contam vida de adolescentes, no caso, um adultescente de 25 anos, quem lê pensa que a vida dos jovens adultos é so drogas e sexo, o que na realidade não é, existem outras coisas na vida além disso. A narrativa tem um diferencial muito interessante, ora é rápida e objetiva, ora é mais detalhada, fazendo com que as partes "chatas" sejam mais rapidas e as "legais" mais intesas e detalhadas.

Enfim é um livro que vale a pena tirar uma hora para ler e também por não ter nem 100 páginas, tornando-se uma leitura leve e rápida.

obs: se você não gosta de livros com linguagem e conteúdo sexual, não recomendo a leitura deste.
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Sara Felippi 10/03/2013

Maravilhoso!
SINOPSE DO LIVRO: Depois de alugar um apartamento vazio no centro de Porto Alegre, um homem de cerca de 25 anos gasta os dias olhando a cidade pela janela, bebendo cerveja e caminhando pela vizinhança. Até que um cachorro aparece em sua porta, e uma modelo chamada Marcela entra em sua vida. O impasse do narrador também tem um caráter particular: a dificuldade de escolher entre um cotidiano cheio de privações, mas sem riscos emocionais, e as possibilidades infinitas dos afetos. É aí que o mundo se torna mais complexo e interessante. É aí, também, que as paixões cobram seu preço. Com um estilo minimalista e em algumas passagens virtuosístico, Galera conduz o leitor com um vagar nada gratuito: em suas pequenas acelerações e grandes pausas, é como se Até o dia em que o cão morreu reproduzisse o tempo interno do seu personagem ? a lenta evolução, quase despida de acidentes, até que suas certezas iniciais comecem a esmorecer. As últimas páginas, narradas por Marcela, iluminam com sutileza o instante em que tudo pode estar prestes a mudar. É então que,numa história tão marcada pelo signo da morte, a vida enfim dá o ar de sua graça.

MINHA OPINIÃO: A obra de Daniel denota a solidão de um personagem que prefere manter-se afastado das pessoas ao seu redor. Sem objetivos,amigos e/ou vida social, O personagem vaga pelas ruas de Porto Alegre sem um rumo qualquer a fim de ver o tempo livre passar.Na verdade,o livro apresenta um confronto entre a vontade de viver e a ilusão de que viver sem nada é suficiente.

Ao ler essa grande obra,deparei-me com um personagem central apático e sem expectativas. Para ele,a vida e as pessoas se tornaram previsíveis demais e ''sem graça''. A vida adulta é vazia e sem inovação.Logo, a presença de um cachorro e uma mulher na vida desse homem traz a ele a oportunidade para ele se entregar à vida e às relações sentimentais.

Outro ponto que me chamou a atenção é sobre a possibilidade e/ou a presença da morte que traz mudanças à vida do personagem.Logo,o final dessa história demonstra o poder da ambivalência na literatura.

A capa e a revisão ficaram ótimas.A narrativa e a história contada pelo autor
são espetaculares. Leitura super recomendada!
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jonathanmelo 15/04/2020

Uma surpresa boa
"- [...] era tarde demais para morrer jovem.”
Retrato de uma geração crescida em meio ao boom da comunicação, Até o dia em que o cão morreu descreve o jovem na pós-modernidade. O jovem que tudo tem ao seu alcance, mas nada lhe interessa.
Este livro é narrado por um rapaz de vinte e cinco anos, formado em Letras, tradutor, que se vê sem perspectivas diante da vida ao sair da casa dos pais. Quando se dá conta de sua condição financeira, amorosa e social, logo se resigna e mergulha em um mar de apatia e solidão. Tem a consciência de que precisa contornar essa situação, arranjar um emprego formal, estimular suas ambições, ser plenamente independente, mas se acostumara à vida pouco-abastada, tornando-se dependente do dinheiro dos pais e maquiando sua situação com falsas promessas.
Eis que um dia surge um cão, bem como uma modelo de nome Marcela, com o fito de dar novos ares à sua vida. Marcela era de outra realidade, fazia planos e trabalhava para os realizar, tinha anseios e pontos de vista diferentes aos do protagonista, que os ignorava. Aos poucos, também devido a certas circunstâncias, o envolvimento entre eles foi crescendo. Mas ele não se rendia a sentimentos. Mantinha aberta a porta para quem quisesse entrar e sair de sua vida.
Quanto à minha experiência de leitura, trata-se de uma história compacta, densa, bem construída, com uma linguagem fora do padrão (traços regionalistas, vá), mas nada que prejudique a leitura. Um livro que traduz alguns dos conflitos do jovem no século XXI (e que cheira a auto-ficção...). “Sabe, agora eu entendo um pouco mais a razão de tu querer ficar tão isolado lá em cima. É tudo a mesma coisa. Isolado ou mergulhado numa multidão, no trânsito, no trabalho, a solidão é sempre a mesma, com exceção daquelas poucas, raras pessoas em cuja presença a solidão some, mesmo que não seja o tempo todo.

instagram.com/theread3r
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Felipe Duco 14/03/2017

Escrito de um jeito que faz a leitura ser muito prazerosa.
Despretensioso, entretanto muito preciso. Narra um cotidiano aparentemente sem graça, porém cheio de questionamentos relevantes. Escrito de um jeito que faz a leitura ser muito prazerosa. Clássico "livro que se lê numa sentada". Entretenimento de alta qualidade e uma boa introdução à obra de Daniel Galera.
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Zeka.Sixx 24/11/2016

"Tarde demais para morrer jovem"
Uma novela curtinha e muito bem amarrada sobre a apatia de uma geração. O cenário de Porto Alegre ajuda a dar um toque especial ao livro. Primeiro livro que li do autor e gostei bastante!
Bia Mansur 26/02/2017minha estante
Mesma sensação.




Franco 22/07/2020

O vazio de uma masculinidade jovem e de classe média
Apesar da narrativa leve, direta e simples, perpassa algumas categorias bem complexas, como a masculinidade, a juventude (contemporânea) e um certo espírito de classe média. Aí que temos esse protagonista homem, hétero, com evidentes dificuldades emocionais, de vinte e poucos anos, boêmio e apático, e que é sozinho e perdido na vida (no sentido filosófico mas em algo também literal da coisa) em muito porque os pais ajudam a bancar essa condição.

Mas, insisto e repito, a narrativa é leve e a complexidade implícita não tira o prazer da leitura.

Até o simbolismo que é desenvolvido na obra (como no cão e na figura do Lárcio) é um simbolismo que invoca aquelas categorias quase todas, mas de modo palatável, sem tornar a leitura um treco indigesto ou confuso (alguns podem até achar o tal simbolismo evidente demais).

A escrita, por sinal, é agradável. Não tem firulas, economiza nos adjetivos, esbanja frases curtas e simples; somando isso ao enredo cheio de pequenos acontecimentos, a sensação é de uma história dinâmica e fácil de acompanhar.

Vale mencionar também a construção dos diálogos, que é bem fluida e natural.

No mais, é um livro com uma pegada questionadora, do tipo 'protagonista em crise', e portanto pode exigir uma certa empatia do leitor para que a experiência seja mais agradável (algo do tipo 'eu sei o que esse cara tá sentindo'). E mesmo com empatia, os personagens, principalmente o protagonista, podem ser incomodativos pelo modo como são.

E quanto ao final do livro... Confesso que gostei bastante. Acredito que respeita o processo do personagem e joga pro leitor a reflexão final, o que é um movimento bem interessante.

Enfim... Segundo livro do Daniel Galera lido, e sigo animado para ler os demais.
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FabyTedrus 06/01/2021

Até o dia em que o cão morreu - Daniel Galera
Existe uma certa ironia neste ser o primeiro livro que consegui ler do ano, no final do ano passado tive que fazer eutanásia na minha cachorra e o título parece mesmo uma coincidência bizarra com isso.
Faz alguns anos que esse livro entrava e saia da minha lista mental de "livros para ler" e, ao contrário de outros que tentei ler neste começo de ano, a leitura fluiu. Não posso dizer que amei a história ou os personagens porque não foi bem assim, em vários momentos tive raiva e implicância com eles, mas também me identifiquei com eles de alguma forma. A escrita é gostosa de ler, a história é fluida e me rendeu a distração que eu precisava. Esse foi o primeiro livro que li do Daniel Galera e me fez ter curiosidade de ler outros títulos dele.
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o chakal 04/09/2015

muito bom.
É engraçado se identificar tanto com um livro, ver o seu dia a dia escrito por outra pessoa.
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