A Garota que Tinha Medo

A Garota que Tinha Medo Breno Melo




Resenhas - A garota que tinha medo


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Rafaella 22/01/2014

"Minha mente estava acelerada, meus pensamentos eram confusos. Eu havia perdido o controle sobre mim mesma, mas estava consciente de tudo. Era como estar sonhando e ter consciência do sonho, sem poder intervir. Se ao menos eu tivesse perdido a razão ou desmaiado, teria escapado desse conjunto de sensações horríveis." Página 38


A garota que tinha medo foi a leitura que despertou o melhor e o pior em mim que já haviam sido esquecidos, ao menos tentado ser esquecidos. Essa obra resumiu tudo o que senti nos últimos quatro anos da minha vida. Não, eu não tenho a mesma doença que a protagonista, mas tenho uma enfermidade semelhante.

No final de 2009 fui diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada e que, em casos extremos, dá vazão a ataques de pânico. O primeiro sintoma ansioso que tive foi justamente um ataque de pânico na sala do cursinho pré-vestibular com outros 300 alunos de testemunha, não lembro ao certo como saí da sala a não ser que pedi ajuda para uma menina que não conhecia e ela me levou até o diretor, que para minha sorte já estava acostumado com descontroles deste tipo. A única característica que difere o meu momento nada glorioso no cursinho e os ataques que Marina tinha foi a de que eu passei por tudo sem dar uma palavra, já os da nossa protagonista eram extremamente barulhentos com direito a gritos e violência.

Já fui aconselhada a não expor meus problemas em redes sociais, mas senti que não seria sincera com vocês leitores ao tratar este livro como uma pessoa leiga, já que conheço todas as sensações que Marina teve ao longo de sua vida. No Skoob acabei me deparando com a resenha de outra garota que se identificou com a protagonista e não é raro encontrar pessoas que sofrem com doenças psicossomáticas, mas mesmo assim a sociedade ainda é intolerante com pessoas que sofrem desse mal.


"Minha existência sempre havia sido banal e discreta, sem grandes dramas, até que um vendaval, vindo de não sei de onde, virou-a de ponta-cabeça. Me tornei a protagonista de uma história que eu não queria interpretar, passei a ser o centro das atenções e a me sentir humilhada. Nunca mais fui a mesma depois do primeiro ataque, temendo as pessoas ou os lugares. Tinha medo de passar por outros ataques, que poderiam acontecer a qualquer momento." Página 120


Marina é uma jovem ativa que vive para estudar, dispensa sair com os amigos, passear em parques e shoppings para ficar enfurnada em seu quarto estudando para o vestibular. Seu sonho é se tornar uma jornalista e todas as suas forças estão voltadas para entrar na Universidade Católica. Sua mãe é a pessoa que mais a pressiona para entrar na faculdade e concentra todas as suas expectativas em Marina, fazendo com que a jovem se pressione mais do que o necessário para a admissão na UC.

Ao conhecer Julio pela internet a jovem que tinha dezoito anos na época começa a se relacionar com o rapaz que não sabia morar em seu condomínio. Quando é aprovada no vestibular e enfim poderia descansar, Marina acabou se envolvendo com drogas e seu namoro ficou mais sério. Alguns dias depois do início das aulas a jovem teve uma overdose e foi salva por alguns professores da UC, como punição ela e suas amigas precisaram ajudar na organização da biblioteca da universidade. Até então Marina ignorava os ataques de pânico, mas estes começaram a se tornarem frequentes. Pequi, sua melhor amiga, era uma das únicas pessoas que não a considerava louca e ajudou a jovem a entender seu problema que apesar de ser mental, atingia seu corpo das mais variadas formas.


" - Então sou como Jó nas patas de Satanás? A síndrome pode me atormentar até o infinito, pode me impedir de fazer as coisas de que gosto, pode me humilhar diante de meus amigos, mas não pode me matar?" Página 153


Breno Melo trata da Síndrome do Pânico como se fosse Marina, uma jovem de 18 anos que tinha tudo para ter uma vida tranquila, mas esta calmaria foi assolada por um vendaval e nada agora pode ser chamado de normal. O autor mostra ao leitor como uma doença que a princípio é inofensiva, já que não pode matar, mas que faz com que a pessoa sofra mais danos do que uma doença "normal". Não consigo entender como as pessoas ainda tratam doenças de fundo psicológico como loucura, afinal, o autor apresenta que as pessoas que tratam de distúrbios psicológicos com remédios de tarja vermelha, já algumas pessoas consideradas "normais" tomar calmantes e remédios para dormir de tarja preta. Cadê a lógica?

Não vou me aprofundar na doença em si, mas na obra que é tocante de muitas formas. Tenho certeza que no princípio uma pessoa que não teve qualquer contato com a doença vai estranhar e classificar a protagonista como fresca (sou tratada assim até hoje aqui em casa), mas ao longo da obra o autor mostrará o quanto esta doença assim como tantas outras de fundo emocional podem se tornar destrutivas e minar todas as áreas da vida do doente, fazendo com que assim como Marina percam anos na faculdade, seu trabalho e relacionamentos afetivos que até então consideravam estáveis. Recebi um e-mail da editora Schoba e logo me interessei pelo lançamento, como vocês leitores devem ter percebido sempre trago leituras alternativas sobre doenças e assuntos pouco debatidos por aí. Em outro ponto que me identifiquei com a protagonista, além de ter perdido amigos e um semestre na faculdade por conta da doença, foi o gosto pela leitura e não é raro vermos menção a Nicholas Sparks e Meg Cabot nesta obra e assim como eu, Marina alimenta um blog literário que aos poucos foi dando margem para outros assuntos como, por exemplo, sua doença. Para conhecer um pouco mais sobre a história de Marina, não deixe de ler A garota que tinha medo, publicado em 2013 pela Schoba e você verá que uma linda história pode sim ser apresentada em apenas 250 páginas.



"Não podendo viver para coisa alguma devido à síndrome, passei a viver apenas para vencê-la. E cada dia sem um piripaque já era uma vitória." Página 179

site: http://laviestallieurs.blogspot.com.br/2013/12/resenha-garota-que-tinha-medo-breno-melo.html
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Kelly 01/08/2015

Sem Palavras
"Sob pressão, era exatamente o que eu fazia. Eu era uma chaleira que apitaria cedo ou tarde se ninguém abrandasse o fogo."

Marina é uma adolescente comum, com hábitos comuns, tão comuns que no início da leitura, qualquer um pode, e com certeza vai se identificar com ela.Com 18 anos, ela está em um momento de loucura, que provavelmente a maioria de nós já passamos... estudando pra vestibular e sendo impiedosamente pressionada por sua mãe para entrar em uma boa faculdade, ela não tem mais vida, e provavelmente não terá até que consiga entrar para uma boa faculdade.

Decidida a agradar sua mãe, ela não discute, apenas acata, e cada vez mais vai se desgastando, ao ponto de não dormir, viver de café com cigarro e praticamente não namorar, já que até pra sair com o namorado sua mãe administra seu horário, sua única folga acontece aos domingos quando vai a missa acompanhar acompanha-la, já que a mesma não dirige.

Depois de muito esforço,Marina finalmente passa em várias faculdades, e escolhe a que ela queria, e claro, depois de tanto sacrifício, nada mais justo que um pouco de paz e sossego antes das suas aulas de jornalismo começarem.

Mas é nesse momento de paz que, ela sofre seu primeiro de muitos ataques de pânico que estão por vir. a principio por não conhecer os sintomas e ser leiga nessa área, ela acredita que foi apenas um mau estar e que não irá acontecer de novo, mas ao contrário disso eles começam a acontecer constantemente, fazendo com que ela passe vergonha, e que pessoas que eram especiais pra ela se afastem por acreditarem que ela esta louca.


" Queria ser como os outros seres humanos, mas o fato é que eu não era."

E é em um ataque desses em pleno dia dos namorados em um motel, que ela perde o namorado, que fica assustado e sem saber como reagir acaba se afastando, convencida de que não sabe mais o que fazer e nem como resolver o problema, ela enfim se rende ao tratamento específico, aconselhado por um psiquiatra.

É muito difícil aceitar com 18 anos que você tem uma doença tão estranha e tão sem controle, e isso acontecerá com Marina! As crises de pânico dela vão começar inesperadamente, e até que ela comece seu tratamento psicológico e psiquiátrico, é impossível entender o motivo de tal problema acontecer.


" Mas hoje penso que a síndrome só afastou de mim a pessoas que não me amavam de verdade: precisamente aquelas de quem eu podia abrir mão."

O livro é narrado em primeira pessoa, e a história foi escrita com tamanha veracidade, que não há como não imaginar que Marina é real, e o que livro que se tem em mãos é uma auto-biografia. O autor foi simplesmente perfeito em sua escrita e suas descrições, em pensar que fechei essa parceria e demorei tanto para ler a obra.

Durante a leitura vamos acompanhar toda a trajetória de Marina junto com o desenvolvimento da sua doença, incluindo seu tratamento e sua aparente cura. A história é emocionante, e acredite, é impossível não querer devorar o livro e não se sentir uma amiga íntima de Marina.
A cada página, cada parágrafo, Marina nos ensina uma nova forma de ver o mundo e ver a vida, as perdas necessárias, a força e batalha interna que ela trava contra sua própria doença em busca de paz. O preconceito dos ignorantes e o conforto daqueles que podem entender aquele a quem se ama.E acima de tudo o prazer da vitória!

"Quem supera seus medos é mais corajoso que aquele que nunca os teve ou jamais os enfrentou."

Em muitos momentos me identifiquei com ela, e juro que cheguei a pensar que a qualquer ataque seu, eu iria junto com ela! Suas descrições são capazes de lhe fazer sentir os sintomas, e no meio de tudo, torcer loucamente pra que ela enfim, encontre a paz que tanta almeja.

Acredito que nunca, tantas perguntas borbulharam na minha cabeça, enquanto lia o livro e me deliciava com o percurso da história, meu cérebro já estava trabalhando loucamente no #BatePapo.com, imaginando e criando várias perguntas para o Breno, e no final a única que consegui uma resposta rápida, foi a de que Marina é um personagem fictício.

Não consegui escrever a resenha antes, porque quando terminei fiquei sem chão! O livro me tocou de tamanha forma, que eu era capaz de sentir os ataques de pânico junto com a protagonista! Ao Breno só devo mil desculpas pela demora e um milhão de obrigadas pela oportunidade de conhecer um livro tão incrível com uma história tão real.

Com relação a diagramação e ortografia, tudo estava perfeito, não localizei erros e as folhas amarelas com letras médias, tornou a leitura muito mais agradável, fazia muito tempo que não lia um livro físico rsrsrsrs, só achei que a capa não passa a beleza da história, apesar de ser uma imagem forte, ainda sim muitos de nós levamos o livro pra casa ao se apaixonar pela capa, e acredito que uma capa mais colorida e impactante poderia transformar essa linda história de superação em um grande sucesso nacional.

Só posso dizer que ele entrou pro meu favorito Top 10, e que com certeza vocês precisam ler... Não é romance cheio de amor e troca de declarações, é um romance onde o parceiro da protagonista sem dúvida alguma é sua vida, sua liberdade e seu auto controle, onde suas únicas juras de amor eterno, são as de que ela vai lutar até o fim para voltar a ser quem era.

Simplesmente emocionante, essa é uma obra que não pode faltar na sua estante.

Espero muito que tenham gostado, e que minha resenha tenha passado ao menos 1% daquilo que senti durante a leitura!

Super Beijokas e até a próxima!


site: http://paraisodasideas.blogspot.com.br/
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Rafa 19/01/2015

Arrastando as Alpargatas
Eu não conhecia esse livro, nem seu autor, até que o mesmo entrou em contato comigo pelo Skoob. A sinopse me chamou atenção - por algum motivo adoro ler livros com doenças de pano de fundo (e psicopatias, violência, sangue e afins, mas juro que sou normal), então, resolvi lê-lo.

O livro chegou de manhã, pensei em ler um capítulo, para pegar a vibe do livro, ajustar minhas expectativas, essas coisas. Acabei abdicando do almoço e consegui ler as primeiras 100 páginas do livro até ir para o trabalho.

A leitura é leve, ao mesmo tempo em que trata de temas pesados, mas a simplicidade com que é escrito facilita a leitura. Quando vê, chegou ao final.

Marina, uma blogueira literária (iei!), em forma de díário/memórias, começa a nos contar desde seu primeiro episódio com a síndrome do pânico. Começaram quando ela tinha 18 anos, assim que ela entrou na faculdade que queria, Jornalismo. Ela, agora, contando a história tem 25 anos.

Ela fala sobre as mudanças que a síndrome trouxe na sua vida em todos os aspectos. Desde suas aulas, sua família, amigos, vizinhos (afinal, ela grita quando entra em pânico) e seu namorado. Ela conta sua história com objetividade, o que eu gostei muito, por mais que eu aprecie uma linguagem prolixa, sou sucinta nos meus pensamentos e me identifiquei.

A história se passa no Paraguai. Esse é outro ponto interessante, a história do país permeia um pouco a história da personagem em referências. Assim como, Marina, enquanto leitora, faz diversas referências aos seus autores preferidos ou livros que leu, também comenta sobre música e cultura pop. Como se chama quando o narrador conversa com o leitor? Esse foi um outro ponto que eu gostei no livro e que aproximou a personagem de mim.

Existem outros personagens, porém, não são tão explorados quanto a protagonista - o que é super coerente com a proposta do livro, que é como se a Marina escrevesse uma autobiografia. O foco está nela. Eu gostei muito da personagem porque ela é uma "garota normal", embora com medo. Por exemplo, encontramos muito na literatura atual uma preocupação com a sexualidade do personagem, aqui não. Sexo não é tabu, nem destaque, ocupa seu lugar na história como ocupa nas nossas vidas.

Enfim, eu quero continuar lendo Breno Melo. Já cobrei do autor e ele me garantiu que existiram outros livros para podermos apreciar sua escrita.

site: http://www.arrastandoasalpargatas.com
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spoiler visualizar
Jeyyy 13/01/2015minha estante
Fiquei curiosa!
Muito boa a resenha e os trechos retirados, Mah =)


Mah 13/01/2015minha estante
Heyy, obrigada moça! Super recomendo, ainda mais se você curte esse tipo de tema :D se tiver a chance leia!




Daniela Farias 14/07/2015

A Garota Que Tinha Medo
Então sem mais delongas vamos às minhas impressões sobre o livro. Primeiramente quero dizer que nunca me senti tão próxima de um personagem quanto me senti em relação a Marina, não sofro de síndrome de pânico mas tenho depressão, e foi quase impossível não sentir a dor e aflição que ela passou durante sua luta com a síndrome. Sem contar também que temos gostos semelhantes como fotografia, temos blogs literários e somos tímidas, fazendo com que a nossa única diferença fosse a escolha da faculdade, ela fez Jornalismo e eu Letras. Por se tratar de uma história fictícia, aos meus olhos durante a leitura Marina se tornou uma personagem tão real para mim que quase senti que tive uma amiga ali perto de mim, que pode entender minhas angústias e mágoas sobre essas doenças psicológicas que nos atormentam tanto.

Outro aspecto interessante também foi a história ser ambientada em Assunção no Paraguai, coisa que para mim foi uma surpresa já que Breno é brasileiro achei que a história se passaria aqui mas não, o que foi um ponto bastante alto para leitura já que me fez sair de ambientes que estou acostumada ler (histórias que se passam nos Estados Unidos ou Inglaterra), e também conhecer um pouco mais sobre o nosso país vizinho e suas impressões sobre nós foram muito legais também.

Com o livro narrado pelo ponto de vista de Marina, aqui temos uma escrita bastante jovem onde ela aborda temas que estão presentes à realidade de jovens e adultos, a questão do vestibular até a conquista do primeiro emprego, casamento e as outras coisas mais que estão na minha realidade atual foram como um incentivo para eu continuar lutando e conquistando as minhas coisas, independente das minhas dificuldades. Marina mostra que não somos “doentes mentais“, mas sim somos pessoas sensíveis em um mundo rude e para isso temos que aprender a dançar conforme sua música.

O livro é excelente leitura, e acharia bastante interessante ter esse livro nas escolas porque é nessa fase de vestibular que as coisas na vida parecem se complicar e algumas pessoas (como eu), não souberam reagir muito bem a isso e também é bem importante ressaltar que todos passam por algum tipo de dificuldade, seja lá em qual área for.

A única ressalva que faço aqui, é que gostaria de um aprofundamento um pouquinho maior nas questões familiares de Marina, sua relação com a mãe pareceu tão superficial que achei que ficou faltando algo mais para compreendemos melhor as razões da protagonista. Mas tirando isso, é um livro que recomendo a todos que desejam saber mais sobre síndrome do pânico e sobre outras doenças.

site: http://daninhafarias.com/2015/06/30/a-garota-que-tinha-medo/
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Ju 01/05/2015

Recebi esse livro de parceria com o autor, Breno Melo, após contato no Skoob. Li a sinopse do livro e vi algumas resenhas e o tema me interessou muito, principalmente por questões pessoais, que explicarei após a resenha. Esse é um daqueles livros em que é impossível não se identificar com a protagonista, seus dilemas e dúvidas, quer você tenha síndrome do pânico (ou algum outro tipo de distúrbio mental) ou não. Foi uma leitura muito rápida, gostosa e também informativa.

Acompanhamos a vida de Marina dos 18 aos 25 anos, narrando suas crises do pânico, desde um pouco antes de elas começarem, passando pelo diagnóstico, pelos tratamentos e principalmente contando como sua vida foi afetada por elas. Marina levava uma vida comum e banal de classe média, como descrito por ela. Era perfeccionista, ansiosa ao extremo, um pouco antissocial e preferia em muitas ocasiões a companhia de livros a de pessoas (ou seja, eu).

"Alguém programou minhas esperanças no "modo negativo" em vez de programá-las no "modo positivo". Eu receio o que acontecerá no minuto seguinte. Me preocupo facilmente, tento colocar cada coisa em seu lugar para evitar imprevistos, odeio novidades ou situações que fujam a meu controle. Tenho medo de tudo, especialmente do desconhecido. Sou ansiosa e sofro antecipadamente. Me contrate como operária para construir um prédio, e eu estarei erguendo o segundo andar antes de ter concluído o primeiro."

Um pouco antes de suas crises começarem, ela havia passado por um período de estresse intenso, estudando para o vestibular e sendo pressionada e cobrada constantemente por sua mãe, que praticamente não a deixava ter uma vida além dos estudos. Marina conseguiu passar na Universidade que desejava, fez novos amigos e estava namorando um garoto que ela acreditava amar, Júlio...tudo parecia estar em seu devido lugar.

Em um dia normal enquanto estava se arrumando para sair com Júlio, Marina começa a ter o pior mal estar que já sentira na vida: seu coração e sua respiração aceleraram, suas mãos e seus pés começaram a formigar, ela sentia dificuldade de respirar e sua visão escureceu. Não entendendo o que estava acontecendo, e com medo de morrer, começou a gritar e assim permaneceu por aproximadamente 30 minutos, quando os gritos e esses sintomas cessaram e outros começaram, como cansaço, dor de cabeça e diarreia. Sua família e seu namorado, que presenciaram parte do ataque também não entenderam o que estava acontecendo e novas crises se seguiram até que Marina fosse diagnosticada com síndrome do pânico.

Até esse diagnóstico acontecer sua vida foi totalmente afetada pelas crises. Ela foi considerada louca por muitas pessoas que a viram ter um ataque de pânico, inclusive pessoas próximas, o que contribuiu para que ela deixasse de frequentar muitos lugares e abandonar suas atividades rotineiras. Outras pessoas, como seu próprio irmão, a chamavam de fresca e não procuravam entender o que realmente estava acontecendo com Marina. Só após passar pela segunda vez por um médico após ter um ataque é que recebeu o possível diagnóstico de síndrome do pânico e passou a ter os devidos acompanhamento e tratamento, com psiquiatra, remédios e psicólogo, que a ajudava a entender a origem da síndrome. A partir daí vamos acompanhando Marina lutando contra seus próprios medos e fazendo de tudo para retomar o controle de sua vida... e o resto não irei contar porque senão perde a graça.

Como eu havia dito, li esse livro muito rápido, gostei bastante da escrita do Breno e marquei várias passagens incríveis durante a leitura. Também aprendi muitas coisas sobre a síndrome do pânico e o relato feito por Marina parece tão real, que ela mesma parece real. Temos a impressão do livro contar a história de vida de uma pessoa que realmente existe/existiu e não ser uma obra de ficção.

Leia a resenha completa no blog:

site: http://book-selfie.blogspot.com.br/2015/05/resenha-garota-que-tinha-medo.html#more
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Maria - Blog Pétalas de Liberdade 21/01/2015

O livro de ficção, narrado em primeira pessoa, mais convincente que eu já li na minha vida!
A história é narrada por Marina, uma jovem que morava com seus pais e o irmão mais novo, na cidade de Assunção, no Paraguai. Aos 18 anos, ela estava estudando de forma exaustiva para o vestibular, sua mãe pressionava-a excessivamente para que Marina entrasse numa faculdade. Depois de um período cansativo e desgastante de estudos, ela finalmente foi aprovada. As coisas pareciam estar indo bem: Marina estava fazendo Jornalismo (o curso com o qual sempre sonhou), tinha novos amigos e até arrumou um namorado.

"Seja como for, eu era feliz nesse pequeno inferno alegre que era minha vida banal de classe média. Eu ainda não tinha ataques ou crises de pânico. Eu ainda não havia visto minha vida virar de cabeça para baixo como vejo agora." (página 9)

Mas aí, veio o primeiro ataque de pânico. E depois vieram outros e mais outros. De uma hora para outra, Marina sentia um medo súbito, que ia aumentando até que ela não tivesse mais controle sobre si mesma, a sensação de que ia morrer era assustadora. Esses ataques foram acontecendo com mais e mais frequência, nos lugares menos "apropriados" possíveis.

"Eu sempre estava pensando no minuto seguinte, temendo algo que talvez nunca viesse a acontecer. E de fato, me lembrando dos últimos anos, quase nunca chegava a acontecer. Talvez eu fosse uma tola. Talvez houvesse algo errado comigo. E havia." (página 13)

Ela fez inúmeros exames, que apontaram que sua saúde física estava boa. A princípio, Marina não aceitava que sua doença pudesse estar relacionada à sua mente, a ideia de estar louca e o medo do que os outros iriam pensar a aterrorizavam. Mas, com o tempo e a intensidade dos ataques, ela decidiu procurar ajuda médica especializada. Foi aí que surgiu o seu diagnóstico: Síndrome do Pânico.

A Síndrome do Pânico atrapalhou a vida de Marina de forma tão devastadora, que ela perdeu o namorado, parou de frequentar as aulas, os amigos se afastaram, ela não conseguia sequer sair de casa, aliás, ela não conseguia dormir no próprio quarto. Só depois de anos de tratamento, Marina pôde ter sua vida de volta e finalmente encontrar sua felicidade.

"Não podendo viver para coisa alguma devido à síndrome, passei a viver apenas para vencê-la. E cada dia sem um piripaque já era uma vitória." (página 199)

A garota que tinha medo foi um livro que me conquistou aos poucos, de forma que, ao terminar a leitura, eu estava completamente ligada à história e aos personagens. Mesmo sendo ficção, a narração de Marina passa tanta veracidade, que é como se ela realmente existisse e estivesse contando sua luta contra a Síndrome do Pânico, na intenção de poder ajudar outras pessoas que também fossem portadoras dessa síndrome. Marina é uma personagem tão bem construída e tão "real", com tantas facetas, que A garota que tinha medo é o livro de ficção, narrado em primeira pessoa, mais convincente que eu já li na minha vida! Eu me identifiquei bastante com a personagem, com alguns de seus medos, com algumas de suas ideias, além do fato de ela também ter um blog literário, um blog que teve certa importância em sua recuperação.

"- Por que "Desde el 1987"? - perguntou Péqui uma vez.
- Por que a única certeza que tenho é a de que nasci e cá estou. De resto, sou toda insegurança, dúvidas e medo." (página 128)

Uma coisa que gosto muito em livros é encontrar outras formas de ver o mundo e a vida, Marina enxerga a religiosidade e a fé de uma forma diferente da que eu enxergava, e sabe falar bem sobre o assunto, abrindo minha cabeça para novas ideias. Ela passou pela fase da revolta, em que achava que Deus tinha se esquecido dela ou que a culpa pela sua doença era Dele, mas foi uma fase. Preciso deixar claro que o livro não tem apelo religioso, mas a religião e a fé fazem parte da vida de Marina.

A história ser ambientada no Paraguai foi outro ponto que me agradou, acho que nunca tinha lido um livro que se passasse lá. É um país sobre o qual quase nada sei, e Marina fala com paixão sobre sua terra. Pude conhecer um pouco mais sobre a cultura, a história, os lugares e a grande diversidade que há no Paraguai, e também conheci um pouco sobre a Argentina e o Uruguai, vi nossos vizinhos com outros olhos. (Vocês sabiam que além do Espanhol, no Paraguai se fala Guarani?)

O escritor Breno Melo entrou em contato comigo após ver minha resenha de Garota, interrompida, me perguntando se eu gostaria de ler e resenhar o livro dele. Pra quem não se lembra, em Garota, interrompida (Única Editora), Susanna Kaysen conta sobre os anos em que ficou internada em um hospital psiquiátrico. Fazendo um breve comparativo entre os dois livros: ambos são narrados em primeira pessoa, contam a vida de garotas jovens que precisam de tratamento para problemas psicológicos. Se eu tivesse que indicar um dos dois para vocês, indicaria A garota que tinha medo, mesmo tendo um excesso de didatismo em algumas partes (onde Marina discorre sobre seu tratamento, o que pode ser pouco interessante para leitores interessados em mais ação), ainda tem uma história mais bem construída e finalizada que Garota, interrompida, nós sabemos de onde Marina e os demais personagens vieram, o que eles viveram e para onde foram.

"Uma vez, Napoleão se encolhia e tremia de medo durante uma batalha. As explosões, medonhas, o assustavam. Até que alguém notou e disse: "Vejam como ele treme!" Napoleão respondeu: "Se você sentisse ao menos metade do pavor que sinto, já teria fugido há muito tempo. Mas eu continuo aqui."
Não é à toa que ele foi um grande homem, apesar de suas fraquezas ou limitações. Quem supera seus medos é mais corajoso que aquele que nunca os teve ou jamais os enfrentou." (página 204)

Sobre a parte visual: a capa é simples, mas tem sua beleza, as características físicas da garota da capa correspondem à Marina, gostei da fonte escolhida para o título do livro. A diagramação segue o padrão de outro livro da Chiado Editora que já resenhei no blog (Herdeiro da Névoa): margens, espaçamento e fonte de bom tamanho, páginas amareladas e grossas.

Enfim, "A garota que tinha medo" é um livro que recomendo, especialmente para quem gosta de protagonistas inteligentes ou procura saber um pouco mais sobre a Síndrome do Pânico. É aquele tipo de livro onde você sempre adquire algum conhecimento novo ao longo da leitura: seja sobre a Síndrome do Pânico, seja sobre o Jornalismo, seja sobre a América do Sul ou outros países.

Meu trecho favorito, onde vocês podem apreciar um pouco da boa escrita do Breno Melo:
"Ter ido à Alemanha equivaleu, para mim, a ter subido numa alta torre da qual pudesse avistar todos estes últimos anos que vivi. Dessa alta torre, vi pântanos que um dia estiveram lá, vi riachos, vi campos e vi flores. Isso não significa que os pântanos secaram espontaneamente, nem que os campos se tornaram jardins por obra do Acaso. O fato é que limpei os riachos, aterrei os pântanos e semeie os campos, até que estes me deram flores e me trouxeram alegria. Não pude controlar as chuvas e as secas, nem obrigar a Sorte a me favorecer, mas pude fazer a parte que me cabia, dando o melhor de mim. E comecei a notar que minhas pequenas ações influíam grandemente nos acontecimentos, obrigando a Sorte a me sorrir. Comecei fazendo o necessário, depois o possível, e de repente eu estava fazendo o impossível. Não deixei, obviamente, de erguer uma capela nesses campos que me pertencem e são a minha vida." (página 271)

site: http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/2015/01/resenha-livro-garota-que-tinha-medo.html
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Bru (@umoceanodehistorias) 05/02/2015

Em A Garota que Tinha Medo, conhecemos Marina, uma jovem de cinco anos que contará a trajetória de sua vida. Marina estava em um período de estudos intensos para o vestibular e, além de sua mãe não parar de pressioná-la, ela convivia com uma constante pressão dentro de si.

Na época em que tentava dividir seu tempo entre estudos e o namorado, Marina sofre seu primeiro ataque. Ela não sabe dizer o que aconteceu, apenas sabe que um pavor tão grande a atormentava que ela gritou e gritou até que tudo isso parou e era como se nada tivesse acontecido. Desde que ela começou a ter as crises, notou que seu namorado se afastou.

"Eu era uma chaleira que apitaria cedo ou tarde. Seria bom que alguém abrandasse o fogo."

Agora, Marina estava sem um namorado, tendo crises constantes e em lugares que a constrangia e sentindo muito medo. O diagnóstico da Síndrome do Pânico não foi fácil e foi preciso muito trabalho por parte de Marina e seus médicos para que houvesse uma verdadeira melhora.

A trama, dividida em seis partes, nos faz ver como é difícil aceitar que você sofre de Síndrome do Pânico e a reação que as pessoas, ao seu redor, têm. Marina me fez notar que um panicoso não é uma pessoa com frescura, como muitos pensam e que as crises são realmente graves. Os detalhes fornecidos pela Marina, durante suas crises, são incríveis e assustadores, pois, sempre que ouvia falar que uma pessoa era panicosa, pensava: Isso não deve ser tão grave assim, a pessoa deve apenas ter medo. Mas, não!, é mais que isso, durante a crise não há medo, há pavor, um sentimento que te faz pensar que você irá morrer e você pode até torcer para que isso acontece, assim você se ‘livra’ de toda essa dor.

Em diversos momentos, principalmente durante as crises, pensei que estava lendo uma biografia e não um livro de ficção. A história é incrível e me fez refletir demais sobre o que pensar de uma pessoa portadora da Síndrome e como eu poderia ajuda-la. Também me fez ver o quanto pequenas atitudes, sejam elas de pessoas distantes ou próximas a nós, podem nos mudar e nos fazer mal.

“Mas por que sofremos? A felicidade que a maioria de nós espera é idealizada; e uma felicidade idealizada só existe no mundo das ideias, onde não vivemos. Eu, por exemplo, posso ser feliz apesar da síndrome do pânico (porque este é o mundo palpável em que vivo), mas negar a síndrome para ser feliz me levaria a um mundo ideal, onde não vivo.”

Esse livrou tornou-se uma lição pra mim. Passei a ter diversas atitudes que não tinha: Pensar o que eu falava para alguém e como isso poderia magoá-la; Dizer às pessoas o que eu não havia gostado de ouvir; e, principalmente; Não julgar. Indico esse livro para todas as pessoas, tenho certeza que ele irá mudar algo em sua vida e te tornar uma pessoa melhor, afinal, sempre podemos melhorar.


site: http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/2015/02/a-garota-que-tinha-medo-breno-melo.html
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Ana Luiza 06/01/2015

Resenha do blog Mademoiselle Loves Books
Marina é uma jovem paraguaia como outra qualquer, ao mesmo tempo em que é diferente de todos da sua idade. Aos dezoito anos ela descobriu ter síndrome do pânico e, aos vinte cinco, ela narra esse livro, voltando ao passado e relatando para o leitor sua vida antes e depois da descoberta da doença.

“O que eu não percebia é que minha felicidade estava limitada pelo momento, pela situação ou por terceiros. Todas as coisas que me faziam feliz, nessa época, estavam fora de mim. De fato, eu era ingênua e relativamente feliz.” Pág. 29

Aos dezoito anos, Marina já estava carregada de responsabilidades, sendo pressionada pela mãe e por si mesma a entrar em uma boa faculdade. Dedicando grande parte do seu tempo aos estudos, a internet é o local de lazer e de descanso da garota, onde ela mantem um blog sobre sua grande paixão – os livros - e conversa com outras pessoas. É em uma sala de bate-papo que Marina conhece Júlio, um rapaz fofo que ela passa a namorar, apesar de não ter tanto tempo para tal.

Marina consegue ser aprovada em Jornalismo na Universidade que queria e logo faz amizade com outras calouras do seu curso. Realizado o sonho de entrar na faculdade e agora tendo mais tempo para namorar, Marina estava verdadeiramente feliz, apesar de estar em uma época da vida naturalmente cheia de mudanças e incertezas, até que ela começa ter seus primeiros ataques de pânico. Aos poucos, o medo vai dominando a vida da Marina, afastando-a da sua rotina e das pessoas que gosta. Marina sabe que há algo de errado com ela, mas sua família acha que não e até mesmo alguns médicos afirmam que ela não tem nada.

“O auge eram os ataques de pânico. Era como ter um vulcão fervilhando dentro de mim, e de em quando ele entrava em erupção.” Pág. 11

Mas conforme os ataques vão se tornando mais frequentes e Marina se vê cada vez mais perdida e reclusa, a garota começa a questionar sua sanidade e até mesmo duvidar de sua fé. Quando finalmente recebe o diagnóstico correto, Marina se vê determinada a não deixar-se vencer pela doença, mesmo que para isso tenha que encarar seus mais profundos medos sozinha. Mas logo Marina descobre que não está realmente sozinha e, aos poucos, ela vai conquistando de volta tudo o que perdeu, apesar de saber que certas coisas não podem ser recuperadas e que ela, Marina, jamais será a mesma de antes.

A garota que tinha medo despertou minha curiosidade por tratar da síndrome do pânico, doença muito pouco abordada na literatura, mas que é mais comum do que imaginamos. Por ter casos da doença na minha família, já tinha uma alguma ideia dos sintomas, mas acabei aprendendo ainda mais com A garota que tinha medo. A obra é bastante instrutiva e é perceptível que o autor pesquisou a fundo a temática. Entretanto, em alguns momentos, o livro mostrou-se um pouco entediante e mecânico, como se fosse um artigo didático sobre a síndrome do pânico. No entanto, a leitura, em geral, é bastante fluída e cativante.

A narrativa em primeira pessoa de Melo é boa e o leitor tem mesmo a sensação de que é a própria Marina quem conta a história, contudo, a escrita do autor tem ainda um pouco a amadurecer. Senti faltas de descrições mais profundas, principalmente dos cenários, afinal, se não me engano, essa é a primeira obra que leio que se passa no Paraguai. Apesar disso, o autor trata o lugar com muita naturalidade e intimidade e mesmo sem ter uma imagem tão bem construída dele, o leitor se sente lá, ao lado de Marina. A trama é muito bem construída e verossímil, se fosse o nome dela que estivesse na capa, ninguém duvidaria que a Marina e sua história fossem reais. De fato, esse é um dos pontos mais fortes do livro: a obra é carregada de muita realidade.

Algo que amei é que A garota que tinha medo é recheado de referências literárias, históricas e até mesmo bíblicas, o que deixa a obra ainda mais rica. As referências bíblicas, inclusive, são muito importantes, já que a religião é muito presente e relevante na vida da protagonista. E falando nela, gostei da Marina desde as primeiras páginas. Apesar de não ser panicosa, me identifiquei muito com sua ansiedade e a pressão que ela sempre coloca sobre si mesma para agradar a todos. É impossível não se cativar com a personagem ao acompanhar suas ansiedades, inseguranças, medos, descobertas, vitórias e felicidades. Os outros personagens também são bem construídos e tem papel na história.

A garota que tinha medo é uma obra singela e comovente, uma história cativante e edificante. O autor está parabéns por abordar um tema, uma doença, muitas vezes tratado como tabu. A síndrome do pânico é mais comum do que imaginamos e deve ser tratada de modo devido, mas não é um bicho de sete cabeças. Gostei muito que A garota que tinha medo, apesar da temática delicada, seja uma leitura fácil e rápida. Recomendo-o para todos, especialmente para os que, como eu, gostam de obras que abordem doenças psíquicas.

Quanto a edição, não tenho reclamações. A diagramação, apesar de simples, está perfeita. O tamanho e tipo de fonte também estão bons e as páginas amareladas ajudam a deixar a leitura ainda mais rápida. Eu gosto da capa, é simples, mas bonita e, além de combinar com a história, a garota combina com a Marina descrita e com a que imaginei.

“ (...) ‘há mais loucura ou falta de razão no preconceito das pessoas em geral sobre os distúrbios mentais eu nos distúrbios mentais em si’.” Pág. 227

site: http://mademoisellelovebooks.blogspot.com/2015/01/resenha-garota-que-tinha-medo-breno-melo.html
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Lucianoasantos 10/03/2015

Excelente livro
O livro, narrado em primeira pessoa, conta a história de Marina, uma adolescente que tinha uma vida plenamente normal até que tem seu primeiro ataque de pânico. A partir daí, vamos acompanhando a luta dela contra um medo que ela não sabe de onde vem, mas que deixa a nítida sensação de que ela vai morrer, e o quanto isso limita sua vida, além das reações das pessoas que a cercam.

A primeira coisa que fica clara é o quanto a situação a tira do eixo, pois ela não sabe o que está acontecendo e as pessoas ao seu redor não sabem como agir. Essa confusão é bastante comum nos primeiros ataques, tudo é muito desconhecido, como é normal também que se busque por problemas físicos que expliquem as crises. Até o diagnóstico de distúrbio mental o caminho é longo e bastante sofrido.

Gostei da forma como o autor tratou do assunto. Sendo bastante direto ao descrever os sintomas e em especial as crises de pânico de Marina, ele ganha a cumplicidade do leitor que sabe que está vivenciando algo que foi muito doloroso para a protagonista, e ele não capitaliza o sofrimento dela, e isso faz com que o livro ganhe muito, ficando com um tom mais sério que um típico sick-lit.

Outro ponto a favor é que Marina por si só é um personagem interessante. Amante de fotografia, sonha ser jornalista e tem um humor afinado que ela mesmo demora a reconhecer – geralmente ela se define como “sem graça” – e é extremamente inteligente. Eu sou um leitor de ação, normalmente monólogos me fazem ou viajar ou perder a paciência, mas com o livro foi exatamente o contrário, pois é quando Marina fala consigo mesma, avalia sua situação e conta sua história para nós que ela se mostra mais interessante, múltipla, e toda a confusão pela qual ela passa ganha cor e forma.

A síndrome do pânico é uma doença terrível. Como disse no começo dessa resenha, já vivenciei o problema através de pessoas próximas, e o sentimento que fica em quem vê alguém passando por isso é de impotência. É incrível como é forte essa sensação, o quanto chega a ser torturante perceber ao mesmo tempo que não se pode fazer nada e que o que a pessoa está sentindo é mil vezes pior.

Neste ponto o livro é bastante esclarecedor. Ele não tem, acredito, a intenção de ser didático, mas tudo pelo que passa Marina é narrado de forma tão sensata, que é inegável que o livro pode vir a ser uma boa fonte de informação para quem deseja ler algo ficcional sobre o problema.

A leitura, por mais contraditório que possa soar, flui bem ao mesmo tempo que é incômoda em alguns momentos. Me explico: o autor é um narrador extremamente competente, criou situações e personagens possíveis – em nenhum momento duvidamos da veracidade deles – que possibilita uma leitura bastante fluída; mas algumas das passagens são bastante espinhosas e me foram difíceis de ler – que fique claro, mérito do autor!, a intenção é justamente essa, mostrar ao leitor o que passa quem sofre de síndrome do pânico.

Gostei bastante. Já esperava um teor mais tenso do livro, mas ao final fui surpreendido por um livro muito bem escrito, que não deixa pontas soltas e que não tem medo de colocar sob a luz um problema bastante incompreendido – de problemas espirituais à pura safadeza, quem sofre já deve ter ouvido alguns desses absurdos – e fazer isso com uma personagem que pensa por si própria e não tem medo de questionar. Vale muito a pena a leitura.

site: http://www.pontolivro.com/2015/03/a-garota-que-tinha-medo-de-breno-melo.html
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Carol Porto 31/05/2015

Uma garota, seus relacionamentos e uma doença: Resenha sobre o livro "A garota que tinha medo" por Breno Melo
Hoje eu trago para vocês a resenha de uma história que fez com que eu me identificasse algumas vezes mais do que deveria com a personagem. Trata-se do livro A garota que tinha medo do autor Breno Melo. A obra conta a história de Marina, uma jovem que sofre com a Síndrome do Pânico e toda sua trajetória de luta contra a doença. A narrativa é em primeira pessoa, fato que fez com que eu me sentisse cada vez mais íntima de Marina conforme a história se desenrolava. Além disso, minha mãe teve no passado Síndrome do Pânico durante 7 anos, sendo que presenciei suas crises durante a infância, o que fez com que eu me interessasse ainda mais pela obra.

Tudo começa quando Marina resolve escrever sobre a sua vida pacata e de como as coisas mudaram quando ela descobriu que tinha Síndrome do Pânico. Antes de ter a sua primeira crise aos 18 anos, Marina estava sofrendo muito com as pressões da mãe para que entrasse em uma boa universidade, seu pai parecia pouco se importar com a família, seu irmão só a irritava e a única coisa que a distraía era Júlio, um moço adorável que ela tinha acabado de conhecer pela internet.

Marina era muito perfeccionista, insegura e estudiosa, porém mesmo assim sua mãe a cobrava o tempo todo com os estudos. Eu particularmente fiquei com um ódio profundo da mãe dela desde o começo da história, porque ohh mulherzinha chata kk. Aliás, eu meio que entendia a personagem, porque o meu pai também é bastante rígido – mais do que o normal – e sei bem como ela se sentia, ainda mais quando se tratava de seus passeios noturnos ou com Júlio.

A menina também tinha um blog, era bem religiosa e cursava Jornalismo na Universidade Católica de Assunção no Paraguai. Diferente dos seus novos colegas da universidade, Marina parecia ser uma jovem responsável, o que não a impedia de se envolver em algumas confusões rs. Também notei uma extrema carência da personagem em muitos momentos, fazendo com que a mesma tivesse uma baixa autoestima de dar pena e fizesse coisas das quais se arrependia depois.

Além dessa identificação com a Marina, eu adorava cada vez que a personagem citava alguma coisa referente à cultura e história do Paraguai, fazendo comparações com o lugar em que vivia no interior e principalmente as expressões que eles usavam em Assunção. Outra coisa que me prendia a atenção era quando Marina comparava a sua vida com personagens bíblicos e da literatura, me fazendo definitivamente imaginar a situação.

A sua primeira crise acontece em um momento que era para ser feliz. Os sintomas fazem a garota pensar que está infartando e que pode morrer a qualquer momento. Ela faz exames, vai ao médico e nunca parece ser nada, apenas uma pressão alta no máximo. Após diversas crises em público e com Júlio, todos começam a se afastar dela, sendo que nem a menina sabe o que de fato está acontecendo com seu corpo. Em certo momento, tive raiva de Júlio também, mas depois fiquei pensando se fosse eu ali, como eu agiria se estivesse no lugar dele? Não sei.

A cada crise, os sintomas ficavam mais fortes e intensos. Eu sinceramente ficava desesperada ao ler o que Marina pensava nesses momentos. Apesar de ficar consciente, ela não tinha controle sobre o próprio corpo e as pessoas ao presenciarem suas crises, achavam que ela estava louca. Até que finalmente, Marina é diagnosticada com a Síndrome do Pânico. Ela começa seu tratamento e passa a escrever sua história em seu blog, buscando uma maneira de explicar seus sentimentos aos seus amigos e leitores.

A garota que tinha medo me deixou um pouco triste e melancólica em alguns capítulos em específico. Mesmo depois de fechar o livro, ficava com Marina na cabeça, pensando em como uma menina tão jovem e cheia de sonhos poderia conseguir conviver com uma doença assim. A leitura também é cheia de detalhes, mas que nem por isso se tornava cansativa ou previsível, muito pelo contrário. Nota-se que o autor tem total conhecimento sobre a Síndrome do Pânico, fazendo com que o leitor sinta uma avalanche de emoções junto com a personagem enquanto lê a obra.

Quando recebi o livro, confesso que não gostei muito da capa, mas depois de conhecer a história, vi que combinava muito bem. Graças às folhas amareladas, minhas vistas não se cansavam, além do final que foi surpreendente. Se você é daquele tipo de leitor que gosta de histórias intensas, aprecia os romances ou quer saber mais sobre essa doença que para alguns ainda é um mistério, eu recomendo A garota que tinha medo com certeza.

site: http://www.mutacoesfaiscantesdaporto.com.br/2015/05/uma-garota-seus-relacionamentos-e-um.html
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Emily 12/08/2015

O livro veio parar em minhas mãos quando o Breno Melo (autor da obra), enviou uma mensagem via Skoob, descrevendo a sinopse junto com a avaliação de psicólogas e blogueiras sobre a história. Achei interessante o tema escolhido e marquei o livro como ''Quero Ler''. Dias depois, recebi outra mensagem dele, perguntando se eu gostaria de um exemplar. Eu só teria de fazer uma resenha no próprio Skoob para ajudar na divulgação. Sem hesitar, respondi que sim e, passado um tempo, a encomenda chegou ao meu endereço :)

Tudo começa com a personagem principal, Marina, contando ao leitor sobre ser diagnosticada com síndrome do pânico há sete anos. Apesar de suas preocupações de passar no vestibular e com o namoro, que estava ficando sério antes de todo o pesadelo ter um começo, Marina vivia uma vida pacata. Nada que ultrapassasse o incomum. Mas ela deixou super claro, logo na primeira página, o seu perfeccionismo praticamente incurável. Acredito que boa parte dos problemas psíquicos da Marina são por causa de sua mãe, que desejava incontrolavelmente ver a filha na faculdade. E isso é sufocante.

Com o passar dos capítulos, Marina vai aprender das piores maneiras quem estará ao seu lado. É aquela velha história que a gente só vê quem realmente se importa conosco quando mais precisamos, sabe? A ingenuidade de Marina era tamanha, que ela ainda se importava com certas pessoas que a tratavam como lixo, o que a estava levando para o mau caminho.

''Talvez agora eu fosse uma aberração aos olhos de qualquer um. Até mesmo aos olhos da pessoa mais piedosa. Quem teria pena de mim? Quem não fugiria?''

Um ponto forte, em minha opinião, foi a personagem morar em Assunção, no Paraguai. Achei de uma criatividade bem legal.

Eu fico imaginando que o autor deve ter decorrido longas horas, acertando cada detalhe, para tudo ser o mais verdadeiro possível. O resultado foram personagens que são difíceis de acreditar serem fictícios.

Poucas coisas me incomodaram na história. A primeiro foi a palavra ''panicosa'' ter sido repetida várias e várias vezes e também partes do enredo, que mereciam ser mais detalhadas, mas que passaram logo. Enquanto outras que eram partes mais cansativas duraram longos parágrafos. O que irritou alguns leitores foi o esforço constante da Marina em tentar entender o que Deus queria lhe mostrar com todo o seu sofrimento. Porém, sinceramente, isso não me importuno nem um pouco.

De qualquer forma, esse livro me marcou. Adquiri certo carinho pela personagem. Torci por ela, quis secar as suas lágrimas. Além do mais, alguns preconceitos foram tirados de mim durante a leitura. Enfim, até hoje sinto saudade da Marina. Com certeza foi uma das melhores leituras de 2015. Agradeço ao Breno por me proporcionar essa experiência.

site: http://thehouseofstorie.blogspot.com.br/2015/11/resenha-garota-que-tinha-medo.html
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MILA 01/03/2015

Narrativa em primeira pessoa por Marina, com isso sentimos seus medos, suas crises, suas dúvidas para com as pessoas a sua volta e passamos a fazer parte da vida de Marina, sentimos na pele como foi a primeira crise, todas as etapas e aos poucos vemos Marina se reerguer.

Marina cai em um mar de angustia e medo quando a síndrome do pânico aparece em sua vida, afetando seus relacionamentos, sua rotina, seus estudos, e até sua religião.

No fundo do poço vemos Marina deixar de frequentar faculdade, igreja, entre outros lugares, ela nunca sabe quando a crise vai aparecer, ela só sente que algo está diferente, ela não pode escolher ter as crises em casa em vez de ser quando está dirigindo, ou quando está na faculdade. Com isso tudo, Marina perde o namorado, os amigos e é até mal compreendida pelos familiares.


"Mas hoje penso que a síndrome só afastou de mim as pessoas que não me amavam de verdade: precisamente aquelas de quem eu podia abrir mão."
(pág. 211)



É um sentimento triste que abate o leitor ao acompanhar a vida de Marina, o leitor sente tudo como se fosse com ele mesmo, fiquei abalada com tantos sentimentos por que Marina passa e o que é melhor é o leitor também poder acompanhar a luta de Marina para conviver com a Síndrome, me senti extremamente feliz quando Marina conquista voltar a igreja, a estudar e a encontrar um novo amor.



"Eu era uma chaleira que apitaria cedo ou tarde. Seria bom que alguém abrandasse o fogo."

Resenha Completa no Blog Daily of Books Mila

site: http://dailyofbooks.blogspot.com.br/2015/02/resenha-garota-que-tinha-medo.html
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Rayme 28/01/2015

"Eu era uma chaleira que apitaria cedo ou tarde. Seria bom que alguém abrandasse o fogo. (Pág 23)"

Com uma narrativa em primeira pessoa, em A garota que tinha medo, conhecemos Marina, uma jovem de vinte e cinco anos que contará sobre a sua vida. A jovem descobriu ter Síndrome do Pânico quando tinha apenas dezoito anos. Na época que seus ataques começaram, Marina estava em um período de estudos intensos para o vestibular, e por conta de tanta pressão, principalmente por sua mãe querer que ela passasse em seis faculdades diferentes, a garota acaba desenvolvendo este problema. Ela sempre teve uma vida normal e até mesmo um namorado, que abandonou-a logo que suas crises começaram.

A trama é dividida em seis partes, e além de contar sobre como a Marina descobriu a doença, como ela passou a se aceitar desta forma e como conseguiu se curar, mostra também o outro lado da moeda. Mostra as atitudes das pessoas que convivem com quem é panicoso e nos faz perceber o quanto algumas pessoas podem ser leigas no assunto ao ponto de pensar que esta doença é apenas uma "frescura". O autor narra as crises da Marina de forma tão descritiva que até parece que ele mesmo viveu tudo aquilo. Não é difícil entrar na mente da personagem e perceber como exatamente é uma crise assim.

Conheci este livro através de um blog que sigo. Li a resenha dele e fiquei bem curiosa para lê-lo, pois acho interessante livros que falam sobre doença, mas, ao mesmo tempo em que fiquei curiosa, fiquei com receio, pois pensei que fosse encontrar uma trama bem mais técnica do que realmente é. O autor conseguiu escrever uma história ótima. A leitura se torna fluida, e quando você percebe já está torcendo para que a garota encontre o tratamento e que melhore logo.

Apesar de todos os fatos relatados serem fictícios, Breno conseguiu me encantar e me fez aprender com a personagem. Acabei me encantando pela leitura, adorei acompanhar Marina desde o começo da sua doença até o final de seu tratamento e sua tentativa em voltar a ter uma vida normal. Aprendi muito com esta leitura, já que eu conhecia pouco sobre a Síndrome do Pânico. Recomendo A Garota que tinha Medo, principalmente para quem pensa que Síndrome do Pânico não passa de uma frescura.

Aconselho também que este não é um livro para se devorar em poucas horas. É uma obra para ser lida com calma e de mente aberta, apesar de a escrita do autor ser tão boa que você irá iniciar a leitura e querer saber logo como será o final dele.
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l i n a 09/08/2015

"...Já estava na hora de sermos devidamente apresentados."
Narrada em primeira pessoa “A garota que tinha medo” retrata a vida de uma jovem em pleno período de transição ao qual, adquire uma síndrome a “síndrome do pânico”. Marina, se via encurralada pela mãe, forçada a dedicar boa parte do seu tempo aos estudos ela mal tinha tempo para fazer o que mais gostava, fotografar. Neste livro sentimos “na pele” o que uma pessoa que sofre dessa síndrome passa, em todos os sentidos... seja física ou emocionalmente. Angustiante, apaixonante, engraçado, e em alguns trechos aterrorizantes, “A garota que tinha medo” é uma ótima leitura tanto para crescimento intelectual, quanto por passatempo.
SUPER RECOMENDO!
PS: Quero agradecer ao Breno Melo pela chance que me deu fornecendo essa bela obra em troca da minha singela resenha... Muito obrigada pelo crédito e pela confiança!
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